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O PAPEL DO PSICÓLOGO DIANTE

DO COMPORTAMENTO SUICIDA EM
ADOLESCENTES QUE CUMPREM MEDIDA
SOCIOEDUCATIVA DE INTERNAÇÃO.

Charles Santos Souza1, Franciely Alves Sales¹, Franco Pessini¹, Isabella Delunardo
Valério¹, Lorraine Lopes Ribeiro¹, Pablo Cesar Teixeira¹, Raiara dos Santos Silva¹,
Rayane Bertelli Cuzzuol¹, Tainor dos Santos¹, Tamiris Guaitolini¹, Thais de Castilho
Monteiro¹, Natany Araujo¹ e Raphael do Amaral Vaz2

EIXO TEMÁTICO: CRIANÇA E ADOLESCENTE

O presente artigo teve como objetivo investigar como acontece a intervenção


de Psicólogos diante de adolescentes com ideação suicida ou tentativa de sui-
cídio nos ambientes de privação de liberdade. Através da pesquisa constata-se
a falta de formação, cursos e preparação para estes profissionais lidarem com
situações que envolvem a temática do suicídio. O ambiente em que o adoles-
cente está inserido na medida de internação por si só se configura como de

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risco, principalmente com os agravantes de superlotação, falta de atividades,
isolamento e falta de habilidade da equipe para lidar com os mesmos. Neste
sentido, para a efetivação de um trabalho com proposta preventiva, há a neces-
sidade de que o profissional tenha uma postura aberta nos atendimentos junto
a uma escuta qualificada, ou seja, há a necessidade da formação qualificada
dos profissionais para trabalharem com os jovens, de forma que busquem de-
senvolver um trabalho empático, criando vínculo para com estes jovens. Além
disso, foi observada a necessidade de trabalhar os fatores que despertem nestes
adolescentes a valorização da vida, a autoestima e resiliência. Portanto, faz-se
necessário que programas e estratégias de prevenção dos comportamentos sui- 170
cidas sejam incluídos na pauta nos Serviços Públicos.

Palavras-chave: Suicídio na adolescência, Socioeducação, Psicologia Junguiana.

1. Introdução

A adolescência é um período do desenvolvimento humano em que o indivíduo vivencia mui-


tas mudanças e conflitos, consigo mesmo e na relação com o mundo externo. Em algumas
situações da vida pessoal, o adolescente não consegue administrar suas emoções e impul-
sos, ocorrendo assim, um desconforto enorme que causa frustrações insuportáveis.

No que se refere aos adolescentes privados de liberdade, devemos, antes de tudo, ter um
trabalho muito específico para este público. Cada adolescente possui uma história de vida
peculiar e necessita de realizar intervenções técnicas próprias para realidade de cada um.

1 Acadêmicos de Psicologia da Faculdade Brasileira – MULTIVIX.

2 Docente Mestre em Psicologia da Faculdade Brasileira – MULTIVIX.


Acreditamos que ao efetuar um trabalho especializado para este público socioeducativo,
os adolescentes terão a oportunidade de elaborar soluções possíveis de mudanças e
possibilidades de perspectivas futuras.

No entanto, durante o tempo de internação, muitos desses socioeducandos enfrentam várias


dificuldades, dentre elas, seus limites emocionais e afetivos. A ausência das “amizades”, das
drogas, do convívio na comunidade, do aconchego familiar e outras demandas que surgem
constantemente no cumprimento da medida socioeducativa se apresentam de maneira
intensa na vida dos adolescentes. Com esses conflitos existenciais, alguns socioeducandos
se tornam vulneráveis à pensamentos e tentativas de suicídios. Edwin Shneidman (1993)
citado por Botega et al (2010, p. 13) afirma que o estado psíquico geralmente encontrado
em alguém prestes a se matar é de uma dor emocional intolerável, vivenciada como uma
turbulência emocional interminável, uma sensação angustiante de estar preso em si mesmo,
sem encontrar saída. O desespero leva, então, à necessidade de um alívio rápido: matar-se
para interromper a dor psíquica.

Nesta perspectiva, consideramos válido abordar os tipos de comportamentos suicidas. O


comportamento suicida é classificado em três categorias diferentes: ideação suicida, tenta-
tiva de suicídio e suicídio consumado. Alguns estudos clínicos e epidemiológicos sugerem a
presença de uma possível gradiente de severidade e de heterogeneidade entre estas diferen-

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tes categorias. Num dos extremos tem-se a ideação suicida (pensamentos, ideias, planeja-
mento e desejo de se matar) e, no outro, o suicídio consumado, com a tentativa de suicídio
entre estes (Maris, Bermann, & Silverman, 2000).

Segundo dados do ano de 2000 compilados pela Organização Mundial da Saúde (OMS,
2000b), o Brasil figura entre os 10 países que registram os maiores números absolutos de
suicídios. Na revisão de literatura pesquisada, até o momento, observamos que no Brasil as
taxas de mortalidade por suicídio variam entre 3,5 e 4,6 óbitos dentre 100.000 habitantes (cf.
Barros, Oliveira, & Marin-Leon, 2004; Souza, Minayo, & Malaquias, 2002). Estudos demons-
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tram que as regiões brasileiras que apresentam maior índice de mortalidade por suicídio con-
sistem na Região Sul e na Região Nordeste do país (cf. Barros, Oliveira, & Marin-Leon, 2004).

Souza, Minayo, e Malaquias (2002) afirmam que as capitais de Porto Alegre e de Curitiba
apresentam maior índice de jovens entre 15 e 24 anos que cometem ou cometeram suicídio.
Por outro lado, sabemos que muitas mortes de suicídio são imprecisas quanto a sua classifi-
cação; algumas são vistas como acidentais e outras como não intencionais.

Diante dessa perspectiva, Botega et al (2012) advoga que a estimativa nas tentativas de
suicídio superem o número de suicídios em pelo menos 10 vezes e que das pessoas que ten-
tam o suicídio, 15 a 25% tentarão se matar no ano seguinte e das que tentam o suicídio, 10%
conseguem se matar nos próximos 10 anos. No entanto, devemos levar também em conside-
ração o fato de que cerca de 10% de “óbitos por causas externas são de tipo ignorado”, desta
forma fica-se sem saber se as mortes foram por homicídio, suicídio ou acidente.

Os fatores de risco mais enumerados pela literatura internacional (WHO, 2001, 2002; De Leo,
Bertolote & Lester, 2003), para o suicídio na adolescência são: culturais e sociodemográficos;
familiares; estilo cognitivo e personalidade; perdas; conflitos interpessoais e problemas de
relacionamento; transtornos psiquiátricos; tentativa prévia de suicídio ou história de comporta-
mento suicida; suicídio de amigo ou conhecido. Por outro lado, uma pequena porcentagem de
suicídios ocorre em adolescentes vulneráveis que estão expostos ao suicídio na vida real, ou
através da mídia, ou sob influência de alguém que tenha comportamento suicida (WHO, 2001).

Entre os fatores protetores estão à boa relação com os membros da família, o apoio familiar
e a confiança em alguém; boas habilidades sociais, busca por ajuda e conselhos, senso de
valor pessoal, abertura para novas experiências e aprendizados, habilidade em comunicar-se,
receptividade com a ajuda dos outros e projetos de vida; valores culturais, lazer, esporte, reli-
gião, boas relações com amigos e colegas, boas relações com professores e outros adultos,
apoio de pessoas relevantes e amigos que não usem drogas; e, por fim, uma dieta saudável,
boa qualidade do sono e atividade física (WHO, 2001, 2002).

Dessa forma, faz-se necessário que programas e estratégias de prevenção dos comporta-
mentos suicidas sejam incluídos na pauta das políticas de educação e saúde pública, uma
vez que a perda prematura de adolescentes por suicídio pode e deve ser evitada. Um dos tó-
picos prioritários da Organização Mundial da Saúde (OMS, 2000b) é exatamente a prevenção
do comportamento suicida, sendo que 90% dos suicídios poderiam ser evitados se houvesse
um trabalho preventivo, portanto, acredita-se que e ações preventivas, educativas, assisten-
ciais e de pesquisa sejam necessárias para a sensibilização da valorização da vida.

Considerando a abordagem psicológica que tomamos como base para tratar do suicídio, a
Psicologia Analítica, encontramos alguns autores que estudam sobre o suicídio e suas im-

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plicações na vida do indivíduo e na vida social. Um dos autores que merece destaque nesta
revisão de literatura feita incialmente vem a ser James Hillman, que apresenta na sua obra
Suicídio e Alma, desde uma visão histórica deste comportamento na vida do indivíduo até as
intervenções que o analista precisa ter quando estiver diante de uma situação de suicídio.

Observamos que, segundo Hillman (2009a; 2009b), o suicídio é compreendido como uma
realidade psíquica, na qual considera os pensamentos suicidas como atitudes psicológicas.
Os modelos de pensamentos suicidas são vistos como atitudes semiconscientes que estão
integrados na psique. O trabalho analítico com paciente suicida ocorre quando o analista 172
elabora a morte no seu aspecto psicológico. Quando a simbologia da morte é compreendida
pelo paciente, o analista agirá dinamicamente este tema, propondo e sustentando a terapia
(Hillman, 2009a; Oliveira, 2012), como um espaço para se reimaginar a morte e o corpo em
relação aos aspectos sombrios do suicídio, de maneira que o paciente possa trazer livremen-
te suas fantasias e ideias a respeito.

Neste processo concretizar os objetivos que a vida apresenta durante o seu percurso
no desenvolvimento humano, segundo Jung (2006b), no seu livro Memórias, sonhos,
reflexões, afirma que o ser humano busca constantemente sua autorrealização, ou
seja, seu processo de individuação, mas precisa aprender como alcançar seus sonhos
afim de que sejam realizações concretas na sua vida. Caso contrário, a vida se tornará
muito penosa e amarga.

Com base nestas colocações de Jung, deparamos com algumas reações que vão ao
encontro das dificuldades que os adolescentes enfrentam durante o cumprimento da sua
medida de internação; como por exemplo, o medo da vida ou manifestações de alguns sin-
tomas depressivos. Perante a esta realidade, aprofundaremos nesta pesquisa na atuação
do psicólogo neste ambiente privativo de liberdade.
Jung (2013, § 9), aponta que a psicoterapia diz sobre um método dialético, um diálogo
entre o psicólogo e o paciente. Sendo o indivíduo um sistema psíquico que, intervindo
sobre o outro, irá interagir com o sistema psíquico deste outro, será uma relação de troca.
O psicólogo precisa inteirar-se sobre a vida do adolescente e também sobre sua condição
psíquica e espiritual existente em seu contexto, onde ocorrem influências tradicionais e/ou
filosóficas, que podem possuir uma função decisiva na atitude, vida, no pensamento ou no
comportamento deste sujeito.

Para que possamos alcançar um objetivo na vida destes adolescentes que pensam ou já
tentaram suicídio, antes de tudo, devemos analisar as ações de suicídio como parte do
processo de individuação daquele sujeito. Quando mencionamos o conceito do processo
de individuação para estudar os comportamentos suicidas de adolescentes em conflito
com a lei, remetemos ao pensamento de Bracco (2012) que nos afirma a vida humana
como sendo uma jornada infinita de complexo da alma que busca, por sua vez, uma
integridade em acordo com as capacidades e potencialidades de cada indivíduo. E nesta
busca, o autor ainda afirma, o indivíduo chegará à realização máxima do que chamamos,
na Psicologia Analítica, de Self, ou seja, a autorrealização da alma.

Com base nessa afirmação do autor citado acima, podemos nos questionar como o
psicólogo que atua neste ambiente socioeducativo trabalhará com a consciência deste

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adolescente a partir das capacidades e potencialidades deste sujeito que cumpre medida
de internação a fim de serem integradas na sua alma uma vez que este mesmo indivíduo
considera sua vida sem possibilidades de desvincular-se com a criminalidade. Outro ques-
tionamento que fazemos consiste se seria possível realizar uma intervenção psicológica
com base neste conceito de processo de individuação.

O que podemos observar neste primeiro momento, ao estudar sobre os pensamentos e


atitudes do adolescente que apresenta ideação suicida ou tentativa baseia-se sempre em
um conflito emocional que o próprio indivíduo não consegue suportar psicologicamente
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somatizando por sua vez no seu próprio corpo por meio da morte física. Logo, a proposta da
pesquisa consiste além de propor instrumentos ao psicólogo para tratar dessas questões
de risco de vida, é compreender a dinâmica psicológica deste adolescente a partir do seu
processo de individuação, ou seja, do seu autoconhecimento.

Neste momento em que foi identificado esses sintomas que caracterizam como fatores de
risco para cometer um suicídio, se torna fundamental nas intervenções psicológicas esta-
belecer um diálogo com este adolescente para que ele enfrente o diálogo interno com seus
pensamentos sobre a morte de tal forma que ele organize a simbologia dessa morte que o
cerca por pensamentos. Será por meio desta elaboração simbólica da morte que se encontra
os desafios nas intervenções psicológicas nos ambientes socioeducativos. Perante esses
desafios que nossa pesquisa pretende colaborar para que os profissionais que atuam nestes
locais tenham instrumentos que favoreçam na construção simbólica desta morte que este
adolescente procura tanto no seu corpo, porém se localiza no seu campo emocional.

Diante desses estudos observados, neste primeiro momento, notamos a importância de


avaliar as formas de intervenção do psicólogo perante esta realidade. Sabemos que nas
unidades socioeducativas não compete a este profissional realizar um trabalho voltado para
área clínica, mas uma atuação totalmente direcionada para a inclusão social desses adoles-
centes. Com base neste entendimento das ações do psicólogo neste tipo de ambiente, nos
leva a questionar se este profissional possui ou não instrumentos que planeja as práticas
psicológicas neste adolescente que se encontra privado de liberdade.

A situação de internação em instituições socioeducativas pode agravar alguns dos fatores de


risco se ela privar o adolescente de atividades físicas, contato com a família e outros fatores
de proteção ao suicídio. Alguns fatores devem ser apontados pelo Serviço Social como os
culturais, sociodemográficos e familiares, de modo a aumentar a previsão do comportamento
suicida. Todos os profissionais deverão se envolver, especialmente aqueles que poderão
trabalhar para minimizar os fatores de risco e maximizar os fatores de proteção (pedagogo,
professor de educação física, psicólogo, assistente social e equipe de segurança).

Durante os atendimentos técnicos realizados na Unidade Metropolitana em Xuri/Vila Velha, no


período de 2011 até março de 2015, pelo professor-orientador Raphael do Amaral Vaz, obser-
vamos que muitos socioeducandos vivenciam seus limites emocionais de saudade familiar,
tempo ocioso e a própria privação de liberdade de forma insuportável. Reconhecemos que no
período de 2011 a 2012, foi o período mais crítico na Unidade por razões administrativas do
local. Por outro lado, o que observamos atualmente vem a ser um período de ausência nas
manifestações de tentativas e pensamentos suicidas. Apenas alguns casos surgem ao longo
deste período, após 2012 até a data presente. No entanto, o que nos chama atenção, neste
momento, é a prática dos psicólogos perante esta manifestação psicológica. Muitos desses

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profissionais, quando se deparam com esta realidade do suicídio, tentam se apoiar na sua
abordagem que se especializaram e buscam adaptá-la para a realidade da Socioeducação.

Diante dessas observações, consideramos como relevante elaborar este projeto para avaliar
quais as dificuldades que estes profissionais se encontram quando surge casos de suicídio.
Uma vez que o tema do suicídio é pouco ou nenhum momento chega a ser comentado e estu-
dado durante o período da nossa formação acadêmica, consideramos que esta pesquisa pode-
rá colaborar, com suas reflexões, tanto para os profissionais que se encontram neste ambiente
do cumprimento da medida socioeducativa de internação quanto na formação acadêmica da
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Psicologia. Por fim, acreditamos que o objetivo deste projeto é levantar as possibilidades de
uma intervenção psicológica, com qualidade, para prevenção de suicídio e promover a vida.

O presente artigo teve como objetivo investigar de forma qualitativa e quantitativa como
acontece a intervenção de Psicólogos diante de adolescentes com ideação suicida ou ten-
tativa de suicídio nos ambientes de privação de liberdade, promovendo orientação de novas
formas de intervenção para esses profissionais e contribuir na formação acadêmica dos alu-
nos de graduação de Psicologia como adquirir um manejo terapêutico em casos de suicídio,
principalmente em ambientes socioeducativos.

2. Material e Métodos

A presente pesquisa ocorreu no período de Setembro de 2015 a Outubro de 2016. Os locais de


realização das entrevistas foram escolhidos de acordo com a disponibilidade dos participantes,
tendo sido realizada em sua grande maioria em locais de trabalho ou locais públicos. A escolha
dos participantes se deu a partir do seguinte critério: Psicólogos que trabalharam ou trabalham
no Sistema de Socioeducação do Espírito Santo na Unidade de Xuri – Vila Velha. O contato com
estes profissionais foi realizado através da indicação de outros trabalhadores do serviço.
A metodologia adotada desta pesquisa foi descritiva utilizando o método misto, o qual,
segundo Creswell (2010), afirma que consiste na combinação das questões de pesquisa
em uma análise de dados no primeiro momento. Em seguida fundem-se os dois modos
de dados – análise e coleta de dados – em temas qualitativos comparando com dados
quantitativos descritivos. Tal método, segundo o autor, poderá ocorrer tanto em um único
estudo e/ou em vários estudos de investigação. Outro autor que vem ao encontro com o
pensamento do autor supracitado, Richardson et al (1999) pontuam que a coleta de dados,
entrevistas, observações e discussões da análise permitem verificar os resultados dos
questionários e ampliar as relações descobertas.

Sendo assim, esta pesquisa foi baseada nos dados coletados pelas entrevistas realizadas
com os profissionais da área da Psicologia que trabalham nas Unidades de Internação do
IASES (Instituto de Atendimento Socioeducativo do Estado do Espírito Santo). Para as entre-
vistas, foi utilizado como ferramenta um roteiro semi-estruturado. Algumas destas entrevis-
tas foram gravadas e transcritas pelos pesquisadores, enquanto outras foram respondidas
via e-mail pelos participantes por motivo de conveniência por parte dos entrevistadores. Em
média, foi observada uma duração de 1 hora para cada entrevista.

Em seguida, as respostas foram categorizadas a partir do significado das falas e sendo confronta-
das com a literatura disponível. Tais categorias possibilitaram identificar norteadores que possam

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traçar novos instrumentos de intervenção psicológica para esses profissionais que trabalham em
uma unidade de internação, bem como orientação para os alunos de graduação em Psicologia.

O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética e Pesquisa da MULTIVIX, sob o número 1.624.314.

3. Resultados

Participaram da pesquisa 07 psicólogos do Instituto. Desses, 01 respondeu a entrevista via


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e-mail devido a conveniência no tempo e lugar por parte do psicólogo.

No que se refere ao papel do psicólogo e sua preparação para lidar com situações que
envolvem o suicídio, percebe-se uma falta de formação, cursos e preparação para estes
profissionais. Sendo essa uma área que demanda muito cuidado e embasamento que
estabeleça condições para todo processo de prevenção do mesmo. De acordo com os
psicólogos entrevistados, 100% deles deixaram claro em todos os momentos que toda sua
formação para prevenção de suicídio, na maioria das vezes é o pouco que eles estuda-
ram no período de sua graduação. Não existe uma formação pronta para isso, portanto é
preciso buscar em livros, ler materiais, e de acordo com suas experiências eles buscam na
prática desenvolver um trabalho voltado para a prevenção do suicídio. Além disso, sinali-
zam que durante as intervenções buscam trabalhar com os adolescentes esse processo de
trabalhar o futuro e especialmente a autoestima.

Os dados mostram que a escuta psicológica (57%) aparece como principal fator descrito
pelos psicólogos em casos de intervenções com os adolescentes, a própria privação de
liberdade é um fator extremamente estressante para alguns, é fundamental o trabalho
voltada para escuta, ouvir bastante aqueles adolescentes. Tendo em seguida a função
do autoflagelo (14%), é muito importante avaliar toda essa questão, pois vem a ser uma
realidade aonde os profissionais atendem 40 à 70 adolescentes que estão sobre sua
responsabilidade. Em consequência desta realidade socioeducativa precária, observamos
que a ausência de uma atenção devida, por meio da escuta psicológica ocasiona muitos
casos de autoflagelo. Por outro lado, é possível notar que os psicólogos pontuam as
oportunidades de terem uma escuta com os adolescentes que tem ideação suicida, estes
socioeducandos conseguem obter um novo sentido a sua vida. Os profissionais trazem
também a valorização da vida (29%) como fator importante nas intervenções, buscando
potencializar a existência, identificando valor que a vida pode ter e o verdadeiro motivo
de sua existência. Todo esse processo estimula a autoestima, do socioeducando, e a
vontade de continuar lutando por si mesmo.

Em relação ao contato inicial do psicólogo com o socioeducando que apresenta no atendi-


mento como queixa a ideação suicida, notou-se em todas as respostas dos psicólogos entre-
vistados que a ideação suicida pode ser enxergada por eles ou pelos demais agentes socioe-
ducativos muitas vezes com um olhar de chantagem, de barganha. No entanto, os psicólogos
acolhem esse adolescente no atendimento e constroem um vínculo mais humanizador, sem
ter um postura ou interpretação sobre as atitudes do socioeducando de forma punitiva.

No que diz respeito aos fatores de risco que comumente se apresentam em casos de
ideação ou tentativa de suicídio, podemos notar que o ambiente em que o adolescente está
inserido na medida de internação por si só se configura como de risco, principalmente com

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os agravantes de superlotação, falta de atividades, isolamento e falta de habilidade da equi-
pe para lidar com os mesmos. Além disso, constatamos que grande parte chega a instituição
com uma série de direitos negados e abandono, o que pode dificultar a criação de laços
afetivos no local, podendo levar ao comportamento suicida.

A estrutura da instituição (36%) aparece como principal fator descrito pelos psicólogos
em casos que envolvem suicídio dentro da instituição, principalmente no que se refere à
superlotação e à falta de profissionais suficientes para atender a demanda do local, tendo
em seguida ociosidade (22%), vulnerabilidade social (21%) isolamento (14%) e falta da
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substância psicoativa (7%), respectivamente.

Assim como os fatores de risco podem levar ao suicídio, existem outros que podem servir de
proteção, que são conhecidos como fatores de proteção. Entre os fatores protetores estão a
boa relação com os membros da família, o apoio familiar e a confiança em alguém (fatores
familiares); boas habilidades sociais, busca por ajuda e conselhos, senso de valor pessoal,
abertura para novas experiências e aprendizados, habilidade em comunicar-se, receptivi-
dade com a ajuda dos outros e projetos de vida (estilo cognitivo e personalidade); valores
culturais, lazer, esporte, religião, boas relações com amigos e colegas, boas relações com
professores e outros adultos, apoio de pessoas relevantes e amigos que não usem drogas
(fatores culturais e socidemográficos); e, por fim, uma dieta saudável, boa qualidade do sono
e atividade física (fatores ambientais) (WHO, 2001, 2002).

Trazendo estes dados para o contexto socioeducativo, constatamos nas entrevistas que os
vínculos afetivos (relacionamentos interpessoais) de fato evidenciam ser os principais fato-
res de proteção, bem como planos para o futuro, atividades dentro da unidade e espirituali-
dade. A família/vínculos afetivos (67%) se apresenta como o maior fator de proteção dentro
da Unidade Socioeducativa, com as categorias de planos para o futuro (17%), espiritualidade
(8%) e atividades na unidade (8%) em seguida, respectivamente.
Além do acompanhamento individual, o acompanhamento em pequenos grupos de adoles-
centes também aparece como uma alternativa de prevenção. No que se refere ainda sobre
prevenção, nas respostas dos entrevistadores fica evidente a importância de prevenir fora
das unidades, promovendo a inclusão desses jovens na sociedade, com o aparecimento de
oportunidades no mercado de trabalho e a criação de grupos de família dentro das unidades
de saúde, CAPS e inclusão de serviços sociais, como aulas de música, dança, cursos de
formação de acordo com a necessidade da comunidade.

Em relação a trabalhos preventivos, a alternativa de qualificação dos profissionais aparece


como principal fator preventivo em relação ao suicídio (25%) sendo frisada a importância
de estes profissionais estarem bem orientados, não só os psicólogos, mas toda a equipe
que terá contato com os adolescentes nas unidades socioeducativas. Os jogos, as ofici-
nas, os esportes e cursos aparecem logo após (19%) apontando a necessidade desses ti-
pos de incentivo aos jovens nas unidades para prevenir o desejo ou pensamento relaciona-
do ao suicídio. Juntamente a mesma porcentagem, o acompanhamento familiar se mostra
extremamente necessário (19%). A espiritualidade (12%), novamente, aparece como fator
que pode ser trabalhado como medida preventiva, independente de crença ou religião. São
trabalhados pelos psicólogos a resiliência, esperança e autoestima (13%) demonstrando
um equilíbrio relacionado a trabalhar essas questões com um melhor acompanhamento da
família, mais estruturado. O atendimento em pequenos grupos e a inclusão desses jovens

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na sociedade possui a mesma porcentagem (6%).

No que tange as dificuldades do psicólogo encontradas durante o atendimento ao socio-


educando que tentou suicídio, é possível evidenciar que nas respostas dos entrevistados
aparece em grande medida, novamente, o discurso da necessidade de promover uma
qualificação ampliada sobre o tema tanto para as equipes multiprofissionais quanto para
os colaboradores ali presentes, pois o adolescente que se encontra em medida privativa de
liberdade (internação) convive, diariamente, com os mais diversos profissionais, de áreas
distintas, desde o psicólogo ao agente penitenciário.
177

Sendo assim, a comunidade socioeducativa deve estar ciente da complexidade do suicí-


dio e a importância de estruturar ações, conceitos e abordagens, básicas ou complexas,
para a prevenção do suicídio em socioeducando que apresenta ideação suicida buscando
reconhecer e responder adequadamente a essa realidade. Tais ações e abordagens só
poderão acontecer a partir do compartilhamento de informações e conhecimentos acerca
do tema. Além disso, encontramos na resposta de um dos participantes a importância do
psicólogo está acessível a uma escuta diferenciada afim de o adolescente reconhecer que
sua história de vida tem valor.

Outro dado importante nas respostas dos participantes foi a construção de projetos como
forma dos adolescentes enfrentarem este ambiente de internação não como algo desagradável,
com a finalidade deles reavaliarem sua vida pessoal. Um dos participantes demonstrou a valori-
zação de tais projetos na prevenção do suicídio e relata, também, a dificuldade em efetivar e ex-
cetuar ações no contexto socioeducativo. Por outro lado, a dificuldade de um acompanhamento
contínuo e integrado com os socioeducandos com ideação suicida foi destacado nas respostas
dos entrevistados, alegando que a falta de psicólogos efetivos na Instituição e a dificuldade de
um trabalho homogêneo com os profissionais da comunidade socioeducativa retarda a elabora-
ção de um atendimento psicológico para este tipo de socioeducando.
Em relação a casos em que o psicólogo não conseguiu evitar o ato suicida, notamos que,
83.33% dos entrevistados relataram que durante a sua permanência nas unidades de medida
socioeducativas de internação, não tiveram casos de adolescentes que estavam com a idea-
ção suicida e conseguiram dar fim a sua própria vida. Entretanto, uma das entrevistadas cita
um caso de ato suicida cometido por um dos internos, porém, não soube informar detalhes
do acontecido, pois não era o profissional de referência.

4. Discussão

Percebe-se que o ato suicida é um fator de suma importância dentro da medida sociedu-
cativa. A resiliência, determinação e o trabalho incansável da socioeducação permite o
cumprimento de medidas socioeducativas, objetivando-se a garantia de direitos e a mínima
intervenção, permitindo-se que o trabalho do psicólogo seja o mais construtivo possível para
(re)definição de horizontes dos nossos adolescentes, quando trazemos os desafios dos
profissionais, o trabalho realizado dentro das unidades deve levar em conta a valorização do
sujeito. Tais considerações vão ao encontro de Botega (2015c) que afirma o papel dos pro-
fissionais da área da saúde, que é trabalhar no processo de intervenção, pois afeta profunda-
mente à família, esses adolescentes precisam de ajuda para lidar com o sofrimento psíquico.

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Os profissionais da saúde devem preparar-se para oferecer apoio emocional às pessoas, e
proporcionar um ambiente de apoio. Neste sentido, o psicólogo deve buscar um atendimento
com foco, tendo como objetivo a escuta desenvolvida, para valorizar a vida do adolescente
em atendimento que envolve ideação suicida. Em relação ao objetivo da escuta conforme
Botega (2015c) é necessário reduzir a perturbação mental, e consequentemente, o risco de
suicídio a fim de deixar o paciente se expressar livremente.

Outro dado importante a ser destacado vem a ser as fantasias que os adolescentes pos-
suem em relação à vida pessoal, familiar e social, das quais, muito se envolvem nessas 178
fantasias que criam a ponto de não conseguirem reconstruir suas vidas e suas relações.
Então há a necessidade do psicólogo atentar-se a estas fantasias, pois elas dizem muito
sobre como os adolescentes se vêem perante a sociedade.

Por meio das entrevistas se constata que existe no ambiente socioeducativo fatores de ris-
co que podem levar a ideações ou tentativas de suicídio, no qual a estrutura da instituição
e a situação de vulnerabilidade social em que se encontram são as questões mais fre-
quentes que surgem na fala dos psicólogos. Como vimos no embasamento teórico, Bracco
(2012) afirma que o processo de individuação é a mais valiosa meta de qualquer indivíduo,
pois, o mesmo buscará se autoconhecer por meio da sua convivência social. Apesar de
não se pode ver com bons olhares uma Lei Penal que, sob justificativa de proteger a cole-
tividade, desdenhe o indivíduo (adolescente) não como um membro da sociedade e sim
como um infrator. Isso significaria colocar o Estado num patamar superior a cada uma das
pessoas singulares que compõe este exato estado.

Nos relatos é notado que a grande maioria destes adolescentes chega à Unidade com
uma série de direitos violados, além de contextos desestruturados, que quando estão num
ambiente de privação de liberdade com poucas atividades e muita ociosidade, podem estar
de fato mais propensos a comportamentos suicidas. Para complementar estas informações,
vão ao encontro das afirmações de Botega (2015) e Jung (2006a, §344; §358), no qual as
ideias sobre questões familiares e relacionamentos interpessoais podem acarretar pensa-
mentos suicidas devido às consequências que geram na vida do adolescente ou da pessoa.

Pelos motivos acima listados, os fatores de proteção tornam-se essenciais para o traba-
lho com os adolescentes, no qual a família e os planos para o futuro, neste contexto, se
tornam os principais fatores protetores, conforme os psicólogos. Conforme vimos, Bracco
(2012) e Pérez (2015) afirmam a necessidade de buscar a integralidade de acordo com
as suas capacidades e potencialidades, a fim de que o adolescente não apresente pensa-
mentos suicidas, pois, quando não há esta integralidade surgem as tentativas de suicídio,
sendo este o processo de individuação. Como pontua Jung (2006b), estamos diante de um
processo através do qual um ser torna-se um “individuum” psicológico, isto é, uma unidade
autônoma e indivisível, uma totalidade.

No que tange ao trabalho preventivo com os adolescentes das unidades socioeducativas, nota-
mos nas entrevistas a necessidade do profissional possuir uma postura aberta nos atendimen-
tos juntamente com uma escuta qualificada, ou seja, há a necessidade da formação qualificada
dos profissionais para então trabalharem com os jovens, de forma que trabalhem com a empa-
tia. Conforme foi mencionado por Botega (2015) a importância da qualificação do profissional,
pois, a forma como ele se expressa com o adolescente é importante, pois é nesse diálogo que

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o vínculo começará a ser construído juntamente à empatia do atendido para com o psicólogo.

Por fim, observamos que o ato suicida não é algo previsível, os métodos utilizados pelos
socioeducandos com o intuito de pôr fim em sua vida, são os mais excêntricos devido à res-
trição de objetos. Em momentos de crises, os adolescentes contam apenas com o amparo
dos próprios internos, familiares e profissionais existentes da instituição, evidenciando o
estreitamento e enfraquecimento de seus laços, por se encontrar na medida de internação. O
fato do estreitamento e enfraquecimento dos laços afetivos dos socioeducandos nos remete
a afirmação de Hillman (2009a; 2009b) relata que o suicídio representa um afrouxamento da
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estrutura social, um enfraquecimento dos laços grupais, uma desintegração.

Utiliza-se como orientação para retardar a ideação suicida, a criação de vínculos de proteção
para esse adolescente, como o apoio de familiares e profissionais da comunidade. Tais conside-
rações vai ao encontro de Botega (2015c) o qual afirma que em casos de crise suicida o psicólo-
go deverá entrar em contato com os familiares buscando criar linha de proteção para o indivíduo,
impedindo que o ato suicida se consuma, através da manutenção de seus laços e vínculos.

Além disso, o psicólogo deve iniciar um atendimento mais contínuo com esse interno, buscando
através de uma escuta ampliada e intervenções (projetos) a saída desse sofrimento psíquico,
conforme mencionamos anteriormente, Botega (2015c) relata que ouvir e acolher o paciente é
primordial, respeitando os momentos de silêncio e sabendo a hora de sair deles, sempre com o
intuito de ajudá-lo a sair da crise. No entanto, no âmbito da medida socioeducativa de internação,
há dificuldade de um acompanhamento contínuo e integrado com os internos com ideação suicida.

Essa escuta é um auxílio ao paciente para que ele veja outra solução além do suicídio. Pos-
sibilita ao psicólogo, também, o diagnóstico das possíveis potencialidades de atos suicidas
e seus fatores, podendo ser utilizado como estratégia de enfrentamento a esse fenômeno,
visando compreender o indivíduo e suas singularidades. Isso se torna compreensivo quando
recordamos as considerações de Jung (2013, §9) ao pontuarmos que a psicoterapia deve uti-
lizar o método dialético, que consiste na possibilidade de criação de novas sínteses a partir
do diálogo entre dois indivíduos, na qual se confronta as hipóteses e percepções.

5. Conclusão

A preparação acadêmica dos profissionais para lidar com situações de risco dentro das unidades
de atendimento socioeducativo e a orientação para com a família, são de suma importância para
oferecer um contexto ideal para os adolescentes com ideação suicida ou tentativa de suicido.

Portanto, os resultados das entrevistas e análises desse trabalho nos mostram a importância
das atividades voltadas para uma ação socioeducativa. As políticas públicas redistributivas,
dão inclusão social através de interações com aulas de dança, música, cursos de formação
de acordo com a necessidade de cada grupo, garantindo assim, a qualidade de vida dos
jovens e possibilitando a reinserção dos mesmos na sociedade de forma efetiva. Permitindo
assim, uma melhora positiva do individuo referente a pensamentos suicidas.

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