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UNI VERSI DADE FEDERAL DO RI O GRANDE DO NORTE

CENTRO DE EDUCAÇÃO
CURS O DE PEDAGOGI A

MARI A CLAUDI A LEMOS MORAI S DO NASCI MENTO

ARQUI VO ESCOLAR DO I NSTI TUTO DE EDUCAÇÃO PRESI DENTE KENNEDY


COMO LUGAR DE ME MÓRI A: FONTES PARA O ESTUDO DA HI STÓRI A DA
EDUCAÇÃO ( RI O GRANDE DO NORTE, 1908 – 2018)

NATAL
2018
MARI A CLAUDI A LEMOS MORAI S DO NASCI MENTO

ARQUI VO ESCOLAR DO I NSTI TUTO DE EDUCAÇÃO PRESI DENTE KENNEDY


COMO LUGAR DE ME MÓRI A: FONTES PARA O ESTUDO DA HI STÓRI A DA
EDUCAÇÃO ( RI O GRANDE DO NORTE, 1908 – 2018)

Arti go apresent ado ao Curso de Pedagogi a, do


Centro de Educação da Uni versi dade Federal
do Ri o Gr ande do Nort e, co mo r equi sit o
parci al para obt enção do gr au de Li cenci at ura
Pl ena e m Pedagogi a 2018. 2.

Ori ent adora: Pr ofª. Drª. Olívi a Mor ais de Me deir os


Net a

NATAL
2018
ARQUI VO ESCOLAR DO I NSTI TUTO DE EDUCAÇÃO PRESI DENTE KENNEDY
COMO LUGAR DE ME MÓRI A: FONTES PARA O ESTUDO DA HI STÓRI A DA
EDUCAÇÃO ( RI O GRANDE DO NORTE, 1908 – 2018) 1

Mari a Cl audi a Le mos Morais do Nasci ment o²

Ori ent adora: Olí vi a Mor ais de Medeiros Net a³

Uni versi dade Federal do Ri o Gr ande do Nort e - UFRN


Si st e ma de Bi bli ot ecas - SISBI
Cat al ogação de Publi cação na Font e. UFRN - Bi bli ot eca Set ori al Moacyr de Góes - CE

Nascimento, Maria Claudia Lemos Morais do.


Arquivo escolar do Instituto de Educação Presidente Kennedy como
lugar de memória: fontes para o estudo da história da educação (Rio
Grande do Norte, 1908 - 2018) / Maria Claudia Lemos Morais do
Nascimento. - Natal, 2018.
29f.: il.

Monografia (graduação) - Universidade Federal do Rio Grande do


Norte, Centro de Educação, Centro de Educação, Licenciatura em
Pedagogia. Natal, RN, 2018.
Orientadora: Drª Olí via Morais de Medeiros Neta.

1. História da educação - monografia. 2. Arquivo escolar -


monografia. 3. Lugar de memória - monografia. I. Medeiros Neta, Olí via
Morais de. II. Tí tulo.

RN/UF/BSE-CE CDU 37(091)

Elaborado por TIAGO LINCKA DE SOUSA - CRB-15/498

1
Arti go apr esent ado co mo r equi nt o parci al à concl usão do Curso de pedagogi a presenci al do Centro de
Educação da Uni versi dade Federal do Ri o Gr ande do Nort e, se mestre 2018. 2. Dat a da apresent ação: 13/ 12/ 2018.
² Mestre e m educação e concl ui nt e do curso de Pedagogi a ( UFRN), bacharel e m Di reit o ( UNP). Cont at o:
Cl audi a_l e mos_ @hot mail. com Latt es: htt p:// buscat ext ual. cnpq. br/ buscat ext ual/ visuali zacv. do?i d=K4835897 H6
³ Pr ofessora do Depart a ment o de Funda ment os e Políticas da Educação do Centro de Educação da Uni versi dade
Federal do Ri o Gr ande do Nort e ( UFRN), do Pr ogra ma de Pós- Gr aduação e m Educação ( UFRN) Cont at o:
oli vi anet a @g mail. co m Latt es: htt p:// buscat ext ual. cnpq. br/ buscat ext ual/ visuali zacv. do?i d=K4758901 A6
MARI A CLAUDI A LEMOS MORAI S DO NASCI MENTO

ARQUI VO ESCOLAR DO I NSTI TUTO DE EDUCAÇÃO PRESI DENTE KENNEDY


COMO LUGAR DE ME MÓRI A: FONTES PARA O ESTUDO DA HI STÓRI A DA
EDUCAÇÃO ( RI O GRANDE DO NORTE, 1908 – 2018)

Arti go apresent ado ao Curso de Pedagogi a, do


Centro de Educação da Uni versi dade Federal
do Ri o Gr ande do Nort e, co mo r equi sit o
parci al para obt enção do gr au de Li cenci at ura
Pl ena e m Pedagogi a 2018. 2.

Apr ovada e m 13 de dezembr o de 2018.

_____________________________________________
Pr ofª. Drª. Olí vi a Mor ais de Medeiros Net a ( Ori entadora)
Uni versi dade Federal do Ri o Gr ande do Nort e | UFRN

_____________________________________________
Pr ofª. Drª. Franci nai de de Li ma Sil va Nasci ment o ( Tit ul ar)
Instit ut o Federal de Ci ênci a e Tecnol ogi a do Ri o Gr ande do Nort e | IFRN

_____________________________________________
Pr ofª. Drª. Mari za Sil va de Ar aúj o ( Tit ul ar)
Instit ut o de Educação Superi or Presi dent e Kennedy | IFESP
Dedi co est e Trabal ho de Concl usão de Curso
à mi nha f amíli a, por t er me dado t odo o apoi o
necessári o para que eu chegasse at é aqui.
RES UMO

Est e arti go pr obl e mati za o ar qui vo do I nstit ut o de Educação Superi or Presi dent e Kennedy
(I FESP), l ocali zado na ci dade de Nat al, Est ado do Ri o Gr ande do Nor te, co mo l ugar de
me móri a, at ent ando às pot enci ali dades de pesqui sa e m hi st óri a da educação. Utili za mos o
ent endi ment o de Pi erre Nor a para o est udo do arqui vo co mo l ugar de me móri a e a concepção
de ar qui vo escol ar a partir das aut oras Mor aes, Zai a e Vendra ment a no â mbit o da pesqui sa
hi st órica. A met odol ogi a utilizada se constit ui u de vi sit as ao ar qui vo da referi da i nstit ui ção;
i nvesti gação dos ti pos docu ment ais; averi guação do l ocal onde o arqui vo se encontra
ar mazenado; exa me do est ado do acer vo; e catal ogação de conj unt os docu ment ai s. For a m
cat al ogados três conj unt os, a saber: 1º conj unt o – Traj et óri a da Escol a Normal; 2º conj unt o –
Regi stro de Di pl omas e o 3º conj unt o – Gr upo Escol ar e Escol a de Apli cação. Const at ou-se
no est udo al gu mas pot enci ali dades de pesqui sa a partir do r eferi do ar qui vo, t ai s co mo:
conheci ment o sobre processo de f or mação de pr ofessores, di ári o de movi ment o e
funci ona ment o da Escol a Nor mal de Nat al, a partir de li vr os cat al ogados no 1º conj unt o –
Tr aj et óri a da Escol a Nor mal; perfil dos pr ofessores Nor malist as a partir do 2º conj unt o –
Regi stro de Di pl omas e práti cas de pr ofessores a partir dos r egi stros cat al ogados a partir do 3º
conj unt o – Gr upo Escol ar e Escol a de Apli cação. E, t endo e m vi st a a i mport ânci a da
preser vação das f ont es docu ment ais para a escrita da hi st óri a da educação r essalt a mos o
ent endi ment o do arqui vo como l ugar de me móri a.

Pal avras-chave: Hi st ória da educação. Ar qui vo escol ar. Lugar de me mória.


SUMÁRI O

1 Introdução .................................................................................................................. 7
2 Hi st óri a e me móri a: arqui vo co mo l ugar de me móri a............................................. 10
3 O Instit ut o de Educação Superi or Presi dente Ke nnedy: hi stóri a, acervo e fontes 13
4 Arqui vo co mo objet o de i nvesti gação........................................................................ 18
5 CONSI DERAÇÕES FI NAI S .................................................................................... 26
REFERÊNCI AS ............................................................................................................ 28
1 Introdução:

A t e máti ca dest a pesqui sa é o ar qui vo escol ar do I nstit ut o de Educação Superi or


Pr esi dent e Kennedy (I FESP); que no decorrer dos anos passou por mudanças de espaço,
estrut uração e no mencl at ura: de Escol a Nor mal de Nat al à I nstit ut o de Educação Superi or
Pr esi dent e Kennedy (I FESP) l ocali zado e m Nat al-RN.
Dessa f or ma, t o ma mos o ar qui vo da I nstit ui ção co mo obj et o de est udo e l ugar de
me móri a, conceit o do hist oriador francês Pi erre Nor a ( 1993). Para t anto, cat al oga mos e
analisa mos pot enci ali dades de pesqui sa para a hi st ória da educação a partir do seu acer vo;
Obser vando co mo a docu ment ação hi st órica acomodada t e m contri buí do para a f or mação da
me móri a educaci onal na I nstit ui ção, enfati zando a i mport ânci a da preservação e acesso as
font es do arqui vo da escola.
Sendo assi m, nest a pesqui sa t o ma mos por obj et o de est udo o ar qui vo escol ar do
Instit ut o de Educação Superi or Presi dent e Kennedy (I FESP), at ent ando às pot enci ali dades de
pesqui sa sobre a hi st óri a da Escol a Nor mal / I nstit ut o de educação e o I nstit ut o de educação
Pr esi dent e Kennedy.
A concepção de ar qui vos escol ares que nos ori entou f oi baseada nas aut oras Mor aes,
Zai a e Vendra ment a ( 2005) que ent ende m que o acer vo ar qui vísti co de u ma i nstit ui ção é
decorrent e de suas ati vi dades ad mi ni strati vas e pedagógi cas. Desse modo, os questi ona ment os
“que docu ment os co mpõe m o ar qui vo do I nstit ut o de Educação Superi or Pr esi dent e
Kennedy?” e “quai s as possi bili dades de i nvesti gação na área de hi stóri a da educação?”
nort eara m nossa pesqui sa.
Pari passu, o ar qui vo do I nstit ut o de Educação Superi or Pr esi dent e Kennedy
(I FESP) constit ui-se nesta pesqui sa co mo obj et o de est udo e l ugar de me móri a - pr oduzi ndo
i ndí ci os quant o as suas pot enci ali dades de análise e i nvesti gação.
Tendo e m vi st a as necessi dades t eóri co- met odológi cas de construção do obj et o de
est udo, i ni ci a mos por l evant a ment o bi bli ográfi co co m sel eção de arti gos que consi dera a
te máti ca dos ar qui vos escol ares e a pesqui sa e m hist ória da educação. Para o desenvol vi ment o
da pesqui sa, reali za mos vi sit as ao ar qui vo da Instit ui ção para i nvesti gação dos ti pos de
docu ment os aco modados; averi guação do l ocal onde a docu mentação se encontra
ar mazenada; e exa me do est ado do acer vo para reali zação de mapea ment o e cat al ogação de
al gu mas font es possí veis que possi bilite m o est udo e pesqui sa e m hi st ória da educação.
Di ant e do expost o, realiza mos l evant a ment o da docu ment ação aco modada na
Instit ui ção co mo f ont es de pesqui sa, t omando o ar qui vo co mo l ugar de me móri a. A r espeit o
7
dos docu ment os, a fi m de co mpr eender quai s as pot enci ali dades de pesquisa que el es pode m
legar, fi ze mos análise de docu ment os que co mpõe m o ar qui vo na i nt enção de co mpr eender
seus si gnifi cados. Entretant o, é mi st er dei xar cl aro, i ntrodut ori a ment e, que o mapea ment o e
cat al ogação i ni ci ado nesse trabal ho de pesqui sa f ora da document ação possí vel para o
mo ment o, não é o l evanta ment o de t odo o mat erial que est á di spost o no acer vo da I nstit ui ção.
Ai nda há post o o desafi o de u m t rabal ho ar qui vístico mai s el aborado de cat al ogação e
ma pea ment o de t odos os docu ment os di sponí vei s, mai s al é m: trabal ho de di git ali zação desse
acer vo, tendo e m vi st a a sua devi da preser vação.
Entre os docu ment os aco modados que encontramos no ar qui vo, pode mos cit ar co mo
exe mpl o: li vr os di dáti cos, regi stros f ot ográficos, cader nos de pr ofessores, ál buns do j ar di m de
i nfânci a, trabal hos de al unos ( me mori ais), di ssert ações e t eses, entre outros mat eri ais
ar mazenados no acer vo do Instit ut o de Educação Superi or Presi dent e Kennedy.
Entre os pr ocedi ment os met odol ógi cos para a r eali zação do mapeame nt o dos
docu ment os, i ni ci al ment e, reali za mos vi st ori a sobre o est ado do ar qui vo e i dentificação pr évi a
dos ti pos e vol u mes de docu ment os do acervo. Após essa i dentifi cação do mat eri al,
obser va mos que havi a consi derável quanti dade de Li vros de Regi stros. Assi m, a partir da
i dentificação da quantidade dos li vr os de r egistros, f ora deci di do que esses conj unt os
docu ment ais se constit uiria m co mo base à i nvesti gação.
Dest a feit a, o l evant a ment o dos docu ment os que r eali za mos f ora m cat al ogados e m
três conj unt os, a saber: 1º conj unt o – Traj et óri a da Escol a Nor mal; 2º conj unt o – Regi stro de
Di pl omas e o 3º conj unt o – Grupo Escol ar e Escola de Apli cação.
A partir desses três conj unt os de Li vros de Regi stros referent e ao acer vo escol ar do
Instit ut o de Educação Superi or Presi dent e Kennedy (I FESP), chega mos a concl usão que t e m-
se no ar qui vo mai s de um sécul o de hi st óri a e me móri a de u ma I nstit uição de f or mação de
pr ofessores referent e as i nstit uci onali dades da Escol a Nor mal de Nat al (1908); I nstit ut o de
Educação (a partir da década de 1950); Instit ut o de Educação Presi dent e Kennedy (1965).
No r eferent e a l egi sl ação vi gent e sobre conser vação de ar qui vos, Lei No 8. 159, de 8
de Janei ro de 1991, que di spõe sobre a política naci onal de ar qui vos públi cos e pri vados,
const at a mos que no pri meiro arti go das di sposi ções gerais “É dever do Poder Públi co a gest ão
docu ment al e a pr ot eção especi al a docu ment os de ar qui vos, co mo i nstru ment o de apoi o à
ad mi ni stração, à cult ura, ao desenvol vi ment o ci entífico e co mo el eme nt os de pr ova e
i nfor mação” ( BRASI L, 1991). Nos arti gos segui nt es a r eferi da Lei nos i nf or ma o que, é
consi derado ar qui vo os conj unt os de docu ment os pr oduzi dos e r ecebi dos por ór gãos públi cos,

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i nstit ui ções de carát er públi co e enti dades pri vadas, e m decorrênci a do exercí ci o de ati vi dades
específi cas, be m co mo por pessoa físi ca, qual quer que sej a o suport e da i nf or mação ou a
nat ureza dos docu ment os ( BRASI L, 1991).
A Lei N° 8. 159, de 8 de Janeiro de 1991 t a mbé m assegura quant o aos di reit os da
popul ação e mr el ação ao acesso aos acer vos públicos. O direit o a r eceber dos ór gãos públi cos
i nfor mações de seu i nteresse particul ar ou de i nt eresse col eti vo ou geral, conti das e m
docu ment os de ar qui vos, que serão pr est adas no prazo da l ei, sob pena de responsabili dade,
ressal vadas aquel as cuj o si gil o sej a i mpr esci ndí vel à segurança da soci edade e do Est ado, be m
co mo à i nvi ol abili dade da i nti mi dade, da vi da pri vada, da honra e da i ma ge m das pessoas
( BRASI L, 1991).
Mai s especifi ca ment e quant o ao conceit o de ar quivos públi cos, e mseu art. 7º - A Lei
ori ent a que os ar qui vos públi cos são os conj unt os de docu ment os pr oduzidos e r ecebi dos, no
exercí ci o de suas ati vi dades, por ór gãos públi cos de â mbit o federal, est adual, do Di strit o
Federal e muni ci pal em decorrênci a de suas f unções ad mi ni strativas, l egi sl ati vas e
j udi ci ári as. E que os docu ment os de val or perma nent e são i nali enáveis e i mpr escrití vei s
( BRASI L, 1991).
Quant o às r esponsabili dades e puni ções, t e máti ca i ndi spensável, o art. 25 i nf or ma
que - Fi cará suj eit o à r esponsabili dade penal, ci vil e ad mi ni strati va, na f orma da l egi sl ação e m
vi gor, aquel e que desfi gurar ou destruir docu ment os de val or per manente ou consi derado
co mo de i nt eresse público e soci al. Ref orçando a r esponsabili dade na sal vaguar da desses
docu ment os.
Di ant e do expost o: a pesqui sa i ntit ul ada ‘’ ARQUI VO ESCOLAR DO I NSTI TUTO
DE EDUCAÇÃO PRESI DENTE KENNEDY COMO LUGAR DE MEMÓRI A: FONTES
PARA O ESTUDO DA HI STÓRI A DA EDUCAÇÃO ( RI O GRANDE DO NORTE, 1908 –
2018)’’ busca i nvent ariar o ar qui vo escol ar do Instit ut o de Educação Superi or Pr esi dent e
Kennedy (I FESP) ent endendo- o co mo l ugar de me móri a, at ent ando as pot enci ali dades de
pesqui sa e m hi st óri a da educação.
A escol ha do t e ma j ustifica-se pel a nossa r el ação pessoal co m a I nstit ui ção u ma vez
que f oi reali zada pesqui sas enquant o al una de i ni ciação ci entífica/ CNPq e, post eri or ment e e m
ní vel de mestrado co m o tít ul o: ‘’ As Di ret oras do Instit ut o de Educação Presi dent e Kennedy:
A Fe mi ni zação da Gest ão Educaci onal na I nstit uição ( Ri o Gr ande do Nort e, 1952- 1975)’’,
analisando a pr esença dessas pr ofessoras na direção da Escol a Nor mal/Instit ut o de educação

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presi dent e Kennedy, 2 dessa f or ma o ar qui vo do I nstit ut o Kennedy se constit ui u co mo l ocus de
i nvesti gação.

2 Hi st óri a e me móri a: arqui vo co mo l ugar de me móri a

Um dos f enô menos que pode mos obser var nas soci edades pós- moder nas é a ausênci a
da me móri a. Assi m nos al erta o hi st oriador Fr ancês Pi erre Nor a ( 1993): ‘’ Fal a-se t ant o de
me móri a por que el a não exi st e mai s’’ ( NORA, 1993, p. 7). Consequênci a diret a ou i ndiret a é
sabi do que vi venci a mos u m at ual mo ment o hi st órico e t ecnol ógi co que at ende se m pest anej ar
às cél eres transf or mações do mundo, essa cel eri dade dos acont eci ment os e fl uxo contí nuo de
pr odução do conheci ment o (i nt ernet) fi nda por t or nar efê mer as e passageiras nossas
le mbr anças t e mporais ( me mori ais).
Apesar desse esvaeci ment o da me móri a no at ual mo ment o hi st óri co, t a mbé m
despont a co mo consequênci a, - ou r esist ênci a? - por outro l ado, a curi osi dade pel os l ugares de
me móri a: ‘’ Há l ocai s de me móri a por que não há mai s mei os de me móri a’’ ( NORA, 1993, p.
7). Nor a, e m seu ent endime nt o, i nt erpret a que essa consci ênci a de rupt ura acabou por ger ar
necessi dade e i nt eresse e m r egi strar, guar dar, atri buir l ugares ao que hoj e se faz br eve.
‘’ Museus, ar qui vos, ce mitéri os e col eções. Fest as, ani versári os, trat ados, pr ocessos ver bai s,
monu ment os, sant uári os, associ ações, são os marcos t est e munhai s de uma outra era, das
il usões de et erni dade’’ (NORA, 1993, p. 13). Ou sej a, os l ugares de me mória.
Consequent e ment e a r et oma da pel os espaços ar qui vísticos, monu ment os e sant uári os
que nos r e me mor e os vestí gi os de u ma me móri a que j á não se faz presente. ‘’ A passage m da
me móri a para a hi st ória obri gou cada gr upo a r edefi nir sua i denti dade pela revit ali zação de
sua pr ópri a hi st ória’’ (NORA, 1993, p. 17), despont ando a necessi dade da or gani zação e
preser vação dos espaços de me móri a visl umbr ando post eri or per pet uação da pr ópri a hist ória.

2
Ent re os est udos quant o as represent ações das pr ofessoras e diret oras analisadas na pesquisa desenvol vi da
enquant o bol sist a de i ni ci ação ci entífica/ CNPq e Mestrado, entre os anos de 2013 a 2017, r eferent e às di reções
fe mi ni nas na Escol a Nor mal de Nat al/Instit ut o de Educação/Instit ut o de educação Pr esi dent e Kennedy, dest aco
e m mi nhas pesqui sas as pr esenças de: Fr anci sca Nol asco Fer nandes, pri meira Di ret ora da Escol a Nor mal de
Nat al no meada e m 30 de set embr o de 1952 a 30 de j aneiro de 1956; na segunda gest ão de 24 de mar ço de 1959 a
1966 – Dona Chi cut a f oi a pr i meira diret ora da escol a normal de nat al, do I nstit ut o de Educação e I nstit ut o de
Educação Pr esi dent e Kennedy –; Mari a El za Fer nandes Sena, segunda mul her a diri gir a Escol a Nor mal de
Nat al, no meada e m 07 de ma i o de 1957 a 24 de mar ço de 1959 e Mari a Ari snei de de Mor ai s que assu mi u o
car go de direção na I nstit ui ção entre os anos de 1970 a 1975. A j ustificati va da escol ha dest as pr ofessoras e
diret oras nos meus t rabal hos enquant o al una de i ni ci ação ci entifica e post eri or ment e di ssert ação de mestrado
ocorrera m e m vi rt ude del as sere m as pri meiras mul heres a di ri gire m a Escol a Nor mal de Nat al, O I nstit ut o de
Educação e o I nstit ut o de Educação Pr esi dent e Kennedy, est ando à frent e dessa Instit ui ção educaci onal
responsável pel a f or mação de pr of essores, – consoli dada enquant o t al no Est ado – e m um perí odo si gnifi cati vo
de mudanças e transi ção de espaço. ( NASCI MENTO, 2017).
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Essa revol ução da me móri a que est a mos enfrentando na ‘’ Era Tecnol ógi ca’’ ( que
gera crise na me móri a e crise na hi st ória) pode mos atri buir co mo hi pót ese de causa às
transf or mações ocasi onadas a partir da soci edade i nf or máti ca ou soci edade da i nf or mação,
que de mocrati zou o acesso ao conheci ment o e m fl uxo const ant e através de aparel hos
tecnol ógi cos e t endo a i nt er net co mo r eposit óri o de dados per manent e. ‘’ É o mundo i nt eiro
que entrou na dança, pelo f enô meno be m conhecido da mundi ali zação, da de mocrati zação, da
massifi cação, da medi atização’’ ( NORA, 1993, p. 8). A i nt ernet quebr ou o guet o do
conheci ment o, e sua capaci dade de ar mazenar i nfor mações e mt e mpo r eal do mundo i nt eiro o
te mpo i nt eiro acaba por exi gir de nós readapt ações. Co mo t oda transi ção tecnol ógi ca, trás seu
mo ment o de caos, (ônus e bônus) readapt ações para post eri or aco modação.
É sabi do que o que entende mos hoj e por memóri a é baseado na capaci dade de
adquirir, ar mazenar e recuperar (evocar) i nf ormações di sponí vei s, seja i nt er na ment e, no
cérebr o ( me móri a bi ológi ca), sej a ext er na ment e, e m di spositi vos artifici ais ( me móri a
artifici al). A me móri a, segundo di versos est udi osos, é à base do conheci ment o. É através del a
que da mos si gnifi cado ao coti di ano e acu mul a mos experi ênci as para utilizar durant e a vi da.
Apr of undando u m pouco mai s quant o ao ent endi ment o do si gnifi cado de me móri a,
ant es de entrar mos no entendi ment o quant o a l ugares de me móri a. Agosti nho de Hi pona ( 354
– 430), fil ósof o e t eólogo i nfl uent e no desenvol vi ment o da fil osofi a oci dent al, j á nos
pri meiros anos do cristiani s mo ti nha esse conhecime nt o sobre a me móri a quando r egi strou no
li vro confissões a me mór ia e suas vári as facet as: a me móri a co mo u ma das f unções da al ma,
co mo f unda ment o do conheci ment o, seu poder, e a descreve co mo vi vendo e m u m i mens o
pal áci o. Para el e a me móri a guar da o que se aprende co m a educação, poi s se não f osse a
me móri a, o conheci ment o seri a co mo o perf ume: ‘’ odor que af et a o olf ato, mas que l ogo se
desvanece no ar’’ (Sant o Agosti nho, 1990):

[...] vast os pal áci os da me móri a, onde est ão os t esour os de i nu mer ávei s
i magens vei cul adas por t oda u ma espéci e de coi sas que se sentira m. Ai est á
escondi do t a mbé m t udo aquil o que pensa mos, quer au ment ando, Quer
di mi nuir, quer vari ar de qual quer modo que sej a as coi sas que os senti dos
ati ngira m, e ai nda t udo aquil o que l he t enha si do confiado, e nel a deposit ado,
e que o esqueci ment o ai nda não absor veu ne m s epult ou. (...) Exi st e m
ar qui vadas, de f or ma di stint a e cl assificada, t odas as que são i ntroduzi das
cada u ma pel a sua entrada: a l uz e t odas as cor es e f ormas dos cor pos, pel os
ol hos; t odas as espéci es de fil hos, ouvi dos; t odos os odor es, pel a entrada do
nari z; t odos os sabores, pela entrada da boca; e, pel o que é dur o, o que é
mol e, o que é quent e ou frio, o que é maci o ou ásper o, pesado ou l eve, quer
ext eri or, quer i nt eri or ao cor po. Todas est as coi sas r ecebe, par a co mo
recor dar quando é necessári o, e para co mo r et omar, o vast o r ecôndit o da

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me mori a e as suas secret as e i nefáveis concavi da- des: t odas as coi sas entra m
nel a, cada uma por sua porta, e nel a ar mazenadas. ( AGOSTI NHO, 1990).

Ret o mando os l ugares de me móri a, est es se encontra m na encr uzil hada de doi s
movi ment os que l he dão seu l ugar e seu sentido: de u m l ado u m mo vi ment o pur a ment e
hi st ori ográfi co, o mo ment o de u mr et or no r efl exi vo da hi st ória sobre si mesma; de outro l ado,
u m movi ment o pr opri a ment e hist óri co, o fi m de uma tradi ção de me móri a:

Me móri a, hi st óri a: l onge de sere msi nôni mos, t o ma mos consci ênci a que t udo
opõe u ma à outra. A me móri a é a vi da, se mpr e carregada por gr upos vi vos e,
nesse senti do, el a est á em per manent e evol ução, abert a à di al éti ca da
le mbr ança e do esqueci ment o, i nconsci ent e de suas def or mações sucessi vas,
vul nerável a t odos os usos e mani pul ações, suscetí vel de l ongas l at ênci as e
de r epenti nas r evit alizações. A hi st óri a é a r econstrução se mpr e pr obl e máti ca
e i nco mpl et a do que não exi st e mai s. A me móri a é u m f enô meno se mpr e
at ual, u m el o vi vi do no et er no pr esent e; a hi st óri a, u ma r epresent ação do
passado ( NORA, 1993, p. 9).

Em t e mpos de pouco uso ou mal uso de nossa capaci dade de me mori zação, mai s
necessit a mos de espaços de preser vação de me móri a ext er na: ‘’ A curi osidade pel os l ugares
onde a me móri a se cristaliza e se r ef ugi a est á li gada a est e mo ment o parti cul ar da nossa
hi st ória’’ ( NORA, 1993, p. 12). Ou sej a, o crescent e i nt eresse pel os l ocais de me móri a est á
lat ent es por que não há mai s mei os de me móri a: ‘’Se habit ásse mos ai nda nossa me móri a, não
terí a mos necessi dade de l he consagrar l ugares. Não haveri a l ugares por que não haveri a
me móri a transport ada pel a Hi st ória’’ ( NORA, 1993, p. 8). Se consagra mos l ugares de
me móri a si gnifi ca que j á não a habit a mos mai s. ‘’ Os l ugares de me móri a são, ant es de t udo,
rest os’’ ( NORA, 1993, p. 12). Poi s, desde que haj a rastro, di st ânci a, j á não est a mos mai s
dentro da ver dadeira memóri a, mas dentro da pr ópri a Hi st óri a:

Os l ugares de me móri a nasce m e vi ve m do senti ment o que não há me móri a


espont ânea, que é pr eciso cri ar ar qui vos, que é pr eciso mant er ani versári os,
or gani zar cel ebrações, pr onunci ar el ogi os f únebres, not ari ar at as, por que
essas operações não são nat ur ais. É por i sso a defesa, pel as mi nori as, de u ma
me móri a r ef ugi ada sobr e f ocos pri vil egi ados e enci uma da ment e guar dados
( NORA, 1993, p. 13).

Necessit a mos da vi gil ânci a das co me mor ações, do contrári o, a hi st ória depr essa
varreri a: ‘’ Se vi vêsse mos ver dadeira ment e as l embr anças que el es envol ve m, el es seri a m
i nút eis. E se, e m co mpensação, a hi st óri a não se apoderasse del es para def or má-l os,

12
transf or má-l os, sová-l os e petrificá-l os el es não se transf or mari a m e m l ugares de me móri a’’
( NORA, 1993, p. 13). E mai s,

À medi da e m que desaparece a me móri a tradi ci onal, nós nos senti mos
obri gados a acu mul ar r eligi osa ment e vestí gi os, t est emunhos, docu ment os,
i magens, di scursos, si nais vi sí veis do que f oi, li gado ao pr ópri o senti ment o
de sua per da e o r ef orço correl at o de suas i nstit ui ções de me móri a ( NORA,
1993, p. 15).

Segundo Pi erre Nor a ( 1993) t udo o que é cha mado hoj e de me móri a não é, port ant o,
me móri a, mas j á hi st óri a. Tudo o que é cha mado de cl arão de me móri a é a fi nali zação de seu
desapareci ment o no f ogo da hi st ória. A necessi dade de me móri a é uma necessi dade da
hi st ória.
Mai s al é m: o que cha ma mos de me móri a é, de f at o, a constit ui ção gi gant esca e
verti gi nosa do est oque mat eri al daquil o que nos é i mpossí vel l e mbr ar, repert óri o i nsondável
daquil o que poderí a mos ter necessi dade de nos l embr ar. Nenhu ma época foi t ão pr odut ora de
ar qui vos à medi da que desaparece a me móri a t radi ci onal, que seri a a mat eri ali zação da
me móri a ( NORA, 1993). Ei s que sur ge o i nt eresse de t o mar co mo obj et o de est udo o ar qui vo
do Instit ut o de Educação Superi or Presi dent e Kennedy (I FESP) como l ugar de me móri a.
São l ugares, co m ef eit o nos três senti dos da pal avra, mat erial, si mbóli co e f unci onal,
si mult anea ment e, so mente e m gr aus di versos. Mes mo u m l ugar de aparênci a pur a ment e
mat eri al, co mo u m depósit o de ar qui vos, só é l ugar de me móri a se a i magi nação o i nvest e de
aura si mbóli ca. Na mi st ura, é a me móri a que dit a e a hi st óri a que escreve. É por i sso que doi s
do mí ni os mer ece m que nos det enha mos, os acont eci ment os ( NORA, 1993). Dest a feit a,
i nvestire mos a partir do pr óxi mo pont o, t omando o acer vo escol ar do I nstit ut o de Educação
Superi or Pr esi dent e Kennedy co mo aura si mbólica da me móri a, t al qual ori ent a o hi st ori ador
Pi erre Nor a na i nt enci onali dade de mapear e f or necer mat eri al de possi bilidades de escrit a da
hi st ória no â mbit o da histori ografia nort e-ri o-grandense.

3 O Instit ut o de Educação Superi or Presi dente Ke nnedy: hi stóri a, acervo e fontes

O t rabal ho do hi st oriador da educação e o seu f azer hi st ori ográfi co pr ovoca a análise


e a i nt erpret ação das f ontes docu ment ais à l uz de u ma t eori a que possa respal dar as muit as
i nfor mações que são necessárias para a hist ori ografi a. Poi s,

13
Um docu ment o de hi st óri a, esse pól en mil enári o. A hi st óri a f az co m el e o
seu mel. A Hi st óri a que se edifi ca, se mexcl usão, co mt udo o que o engenho
dos ho mens pode i nvent ar e co mbi nar para suprir o silênci o dos t ext os, os
estragos do esqueci ment o... (FEBVRE, 1989, p. 24).

Consi derando que o docu ment o de hi st ória é esse pól en mil enári o, co mo dest acou
Febvre ( 1989), o acer vo di spost o no ar qui vo escol ar do I nstit ut o de Educação Superi or
Pr esi dent e Kennedy (I FESP) f oi base às pesqui sas que t o mar a m as i nstit uci onali dades da
Escol a Nor mal ( 1908) à I nstit ut o de educação Pr esi dent e Kennedy ( 1965) das Teses de
Fr anci nai de de Li ma Silva ( 2013) – A Escol a Nor mal de Nat al ( Ri o Gr ande do Nort e, 1908-
1971); Luci ene Aqui no ( 2007) – De Escol a Nor mal a I nstit ut o de Educação Presi dent e
Kennedy ( 1950- 1965): confi gurações, li mit es e possi bili dades da f or mação docent e, e a
Di ssert ação de Mari a Claudi a Nasci ment o ( 2017) As di ret oras do I nstit ut o de Educação
Presi dent e Kennedy: a f e mi ni zação da gest ão educaci onal na i nstit ui ção ( Ri o Gr ande do
Nort e, 1952 – 1975), obj eti vando à co mpr eensão Hi st óri ca do cont ext o de cri ação da Escol a
Nor mal de Nat al e seus desdobra ment os Instit uci onai s.
Dest a feit a, escrever sobre a hi st ória do I nstit ut o de Educação Superi or Pr esi dent e
Kennedy (I FESP) é narrar t a mbé m, de cert a f orma, sobre a hi st óri a da Escol a Nor mal de
Nat al. Se analisar mos através de u ma li nha do t empo i magi nári a: a Escola Nor mal de Nat al –
se m negli genci ar as pri meiras t ent ati vas de abert ura e f echa ment o no fi nal do sécul o XI X - a
partir de sua r eabert ura e m 1908; o I nstit ut o de Educação - década de 1950; e o I nstit ut o de
Educação Pr esi dent e Kennedy ( 1965), e m“essênci a’’, trat a o percurso hi st óri co da hi st óri a da
pri meira Instit ui ção de for mação de pr ofessores no Est ado do Ri o Gr ande do Nort e.
A Escol a Nor mal nascera sob a égi de do gover no de Al bert o Mar anhão3 . Inaugurada
a 13 de mai o de 1908, a Escol a Nor mal de Nat al al oj ou-se i ni ci al ment e co mo anexo e m u m
dos sal ões do col égi o At heneu Nort e- Ri ograndense, l ocali zado à época na Aveni da Junqueira
Ai res ( FERNANDES, 1973). Funci onando nesse l ocal por doi s anos segui ndo post eri or ment e
a um perí odo de mi grações de espaço.
A construção de u m prédi o para abri gar a Escol a Nor mal de Nat al f oi u ma
rei vi ndi cação e u ma necessi dade const ant e. O probl e ma da f alt a de edifíci o e o perí odo de

3
Fi nal ment e, na Ref or ma da I nstr ução públi ca, e m 1908, o Gover nador Al bert o Mar anhão expede o Decret o n.
178, de 29 de abril de 1908, e, entre outras pr ovi denci as, const ava, do art. 5º, o segui nt e: “[...] cri ando u ma
Escol a Nor mal par a o pr epar o do Ma gi st éri o de a mbos os sexos, anexo ao At heneu Nort e Ri ograndense co m as
suas cadeiras pr ovi ndas medi ant e contrat o e a s ua direção confi ada a u m dos l ent es do At heneu” e que f oi o Dr.
Fr ancisco Pi nt o de Abr eu, então diret or da i nstrução ( FERNANDES, 1973, p. 104)
14
mi grações de espaço ti vera mi ní ci o desde as primei ras t ent ati vas de abert ura, j á no fi nal do
sécul o XI X. As t eses de Aqui no (2007) e Nasci ment o (2013) narra m o perí odo.
Fi nal ment e, e m out ubr o de 1946, i ni ci a-se a construção do pr édi o que passara m a
cha mar de I nstit ut o de Educação, hoj e prédi o do Col égi o At heneu Nort e- Ri ograndense,
sit uado no bairro de Petrópolis. Esse perí odo de mi grações fi nda com a construção do
Instit ut o de Educação Presi dent e Kennedy no ano de 1965.
Na pesqui sa de Aqui no (2007), i ntit ul ada De Escol a Nor mal de Nat al a I nstit ut o de
Educação Presi dent e Kennedy ( 1950- 1965): confi gurações, li mit es e possi bili dades da
f or mação docent e, conhece mos a traj et ória da Escol a Nor mal de Nat al real çando a s ua
transf or mação no I nstit ut o de Educação Pr esi dent e Kennedy. Ressalt ando os conflit os ao
l ongo das décadas e mt orno da ausênci a de espaço fí si co para o f unci oname nt o adequado da
Escol a, e as mudanças do saber vei cul ado por mei o da r enovação do currí cul o e de sua pr áti ca
pedagógi ca.
O t rabal ho de Sil va ( 2013), A Escol a Nor mal de Nat al ( Ri o Gr ande do Nort e, 1908-
1971), analisa a hi st óri a da f or mação de pr ofessores e m Nat al, Ri o Gr ande do Nort e entre
1908 e 1971 i nvesti gando o percurso da Escol a Nor mal de Nat al na preparação de pr ofessores
pri mári os. Segundo a aut ora, a Escol a Nor mal de Nat al enquant o l ocus da f or mação de
pr ofessores constit ui u uma f or ma escol ar pr ópri a, a partir da pr odução e vei cul ação de saberes
específi cos e de modos de f azer peculi ares. Saberes os quai s dera m suport e ao pr epar o
pr ofissi onal para o magi stéri o e que est ava m e m conf or mi dade co m o movi me nt o pedagógi co
mundi al: i dei as, discussões e refl exões dos pedagogos e diri gent es educaci onai s.
A di ssert ação de Nascime nt o ( 2017), sob o tít ul o As di ret oras do I nstit ut o de
Educação Presi dent e Kennedy: a f e mi ni zação da gest ão educaci onal na i nstit ui ção ( Ri o
Gr ande do Nort e, 1952 – 1975), analisa a at uação das pr ofessoras/ diret oras que di ri gira m e
leci onara m no I nstit ut o de Educação Pr esi dent e Kennedy e m Nat al, Ri o Gr ande do Nort e,
entre 1952 e 1975. Entre a presença das Di ret oras dest acadas no est udos, encontra-se:
Fr anci sca Nol asco Fer nandes, Cri san Si mi néa, Ezil da Elit a do Nasci ment o, Teresi nha Pessoa
Rocha e Mari a Ari sneide de Mor ai s. Franci sca Nol asco Fer nandes, pri meira Di ret ora da
Escol a Nor mal de Nat al, e mexercí ci o entre 30 de set e mbr o de 1952 a 30 de j aneiro de 1956 e
na segunda gest ão de 24 de mar ço de 1959 a 1966. Franci sca Nol asco Fer nandes f oi a
pri meira diret ora da Escola Nor mal de Nat al, do I nstit ut o de Educação e I nstit ut o de Educação
Pr esi dent e Kennedy. Crisan Si mi néa, diret ora da I nstit ui ção entre os anos de 1967 a 1969.
Ezil da Elit a do Nasci ment o, diret ora da uni dade Escol a de Apli cação entre 1963 a 1968.

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Ter esi nha Pessoa Rocha, diret ora do Jar di mde I nfânci a Model o entre os anos de 1960 a 1970.
Mari a Arisnei de de Mor ais diret ora entre os anos de 1970 a 1975.
O est udo evi denci ou que est as pr ofessoras fazem part e das pri meiras diret oras da
Escol a Nor mal / I nstit ut o de Educação Pr esi dent e Kennedy e que, a partir del as,
especifi ca ment e na fi gura de Dona Fr anci sca Nol asco Fer nandes, fora i dentifi cado o
est abel eci ment o de u m novo quadr o de gest ão predo mi nant e ment e fe mi ni no na r eferi da
Instit ui ção de for mação de pr ofessores.
As t eses e di ssert ação citadas t omar a m o acer vo e as f ont es do ar qui vo do I nstit ut o de
Educação Superi or Pr esident e Kennedy co mo l ocus de pesqui sa. O ar qui vo co mo l ugar de
me móri a não é i nert e e por i st o ressalt a mos que há movi ment os do i nt eri or do ar qui vo. Nest e
senti do, a di sposi ção do acer vo, os senti dos e signifi cados às f ont es varia m co m o t e mpo e
para os pesqui sadores.
Nest a perspecti va, ressalta mos que at ual ment e est ar-se reali zando na Instit ui ção
trabal ho de or gani zação desse acer vo, no esf orço da construção e preservação da me móri a
i nstit uci onal, est ando à frent e da e mpr eit ada a Pr ofessora Drª Mari za Sil va que gentil ment e
nos recebeu e ori ent ou sobre a docu ment ação dispost a nas visitas ao l ocal.
Dur ant e essa pesqui sa part e do ar qui vo t em ocupado u ma pequena sal a na
Instit ui ção. Nest a sal a encontra m-se doi s ar mári os se mf echadura, u ma me sa, duas cadeiras e
al guns quadr os co m f ot ografi a de ex- diret oras da I nstit ui ção na parede. Entre as diret oras
i dentificadas nas i magens, encontra-se: Mari a El za Fer nandes Senna (Di ret ora da Escol a
Nor mal), Dona Ezil da Elita do Nasci ment o ( Di ret ora da Escol a de apli cação) e Ter esi nha
Pessoa Rocha ( Diret ora do Jar di m de i nfânci a).
A sal a que aco moda o acer vo é pequena, li mpa e possui arej a ment o, por é m não
exi st e segurança quant o à fechadura na port a. Não há mapea ment o ou catal ogação co mpl et a
dos docu ment os di sponí vei s. Os li vr os de r egi stros, f ot ografi as, li vr os di dáti cos, e de mai s
docu ment os/ mat erial est ão l ocali zados nos ar mários da sal a se m or de m ar qui vística.
Part e do acer vo est á di spost o e m cai xas, a exe mpl o pode mos dest acar ‘’A cai xa da
prof essora e di ret ora Crisan Si mi néa’’, doação da f a míli a para co mpor o acer vo de u ma
tent ati va de or gani zação do Museu da educação do Ri o Gr ande do Nort e que est ari a
l ocali zado no espaço da Instit ui ção, na década de 90. O pr oj et o do Museu não vi ngou. Out ra
cai xa que consi dera mos i mport ant e, pode mos deno mi nar co m o no me de ‘’ A cai xa das
f ot ografi as ‘’ me móri a’’, por cont er u m me mori al i ndescrití vel e mi magens da I nstit ui ção e m
seus vari ados mo ment os Hi st óri cos - há fot os dat adas da década de 1930.

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Da vast a docu ment ação analisada durant e as vi sit as, dest aca mos: Regi stro de
acont eci ment os i mport antes 1958, assi nado por Mari a El za Fer nandes Sena ( RI O GRANDE
DO NORTE, 1958). Este li vr o desti nava-se ao di ári o de movi ment o da Escol a Nor mal de
Nat al, a partir do ano de 1958 sob a Di ret oria de Mari a El za Fer nandes Sena. O docu ment o
i nfor ma que no 2º se mestre do r eferi do ano, ma is precisa ment e entre os meses de agost o e
set e mbr o, f ora m i ni ci ados os trabal hos no set or ad mi ni strati vo rel aci onados aos ar qui vos
ati vos e passi vos e enu mera vári os docu ment os que seri a m or gani zados, entre el es: Regi stros
de Di pl omas, At as da congregação, Di ári o da escol a, Correspondências, Regul a ment os,
Hi st óri cos, entre outros docu ment os que pret endo abor dar nos capít ul os adiant e.
Al guns desses docu ment os consegui mos l ocali zar e m vi sitas a I nstit ui ção. Segundo
i nfor mações de f unci onári os, muit os desses docu ment os f ora m perdi dos durant es as
mudanças e transi ções de espaço ao l ongo do período de mi grações, assi m co mo t a mbé m pel o
pereci ment o do t e mpo – que não per doa.
O docu ment o Pl ano curri cul ar e carga horári a por séri e do I nstit ut o de educação
presi dent e Kennedy – Escol a Nor mal – ano de 1973 ( RI O GRANDE DO NORTE, 1973),
época da diret oria de Mari a Ari snei de de Mor ai s, obti ve mos al gu mas i nf or mações
pri vil egi adas, rel aci onadas às di sci pli nas mi ni stradas, nú mer o de aul as por séri e, nú mer o de
t ur mas e o cor po docente no r eferi do ano ( 1973) que aj uda m a t ecer o panora ma que se
encontrava a Instit ui ção sob sua gest ão.
Encontra-se t a mbé m no arqui vo da I nstit ui ção, como menci onado aci ma, - agor a co m
breve descri ção de seu mat eri al - o acer vo pessoal da ex pr ofessora e diretora Cri san Si mi néa
– doação f a mili ar. A cai xa cont é m me móri as de Cri san Si mi néa, trabal hos apresent ados pel a
pr ofessora, bi ografias, ho menagens, di pl omas e certificados. Seu trabal ho de Mestrado s obr e
O ensi no da lit erat ura e a l eit ura do t ext o literári o pel a PUC/ SP e m 1981. Fot ografi as co m
al unas nor malist as no Instit ut o de educação, f ot os pessoai s de vi agens i nt er naci onai s e o
di scurso Pal avras de Crisan pr oferi das para as al unas nor malist as enquant o diret ora da
Instit ui ção.
É perceptí vel nas pal avras de Cri san Si mi néa seu e mpenho e co mpr o mi sso co m a
for mação das nor malist as e o papel de r esponsabili dade que deve ser dese mpenhado pel as
al unas “ O pr ofessor primári o t e m mai s oport uni dade que o pr ofessor de ensi no médi o e o
uni versitári o. El e é u m culti vador, u m modul ador de al mas e mf or mação, pr epará-l os be m, é o
vosso dever. ” ( SI MI NÉA, [197?]). Assi m pensava a pr ofessora.

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4 Arqui vo co mo objet o de i nvesti gação

Após r efl exão quant o à i mport ânci a da me mória para a pr eser vação e escrit a da
hi st ória, necessi dade que despont a e m nosso at ual mo ment o co mi nt eresses de pesqui sas nos
ar qui vos escol ares no â mbit o da hi st óri a da educação, al é m do esf orço dos pesqui sadores pel a
or gani zação e pr eser vação desses espaços de me móri a, pr opo mos co mo obj et o de est udo o
ar qui vo escol ar do Instit ut o de Educação Superi or Pr esi dent e Kennedy (1908 – 2018).
Para t ant o, mapea mos e analisa mos al gu mas pot enci ali dades de pesquisa para a
hi st ória da educação. Do possí vel para o mo ment o de seu acer vo através dos Li vros de
Regi stro. Da análise, i dentifica mos co mo a docu ment ação hi st órica aco modada t e m
contri buí do para a for mação da me móri a educaci onal na Instit ui ção.
Te mos por obj eti vo pr obl e mati zar o espaço do ar qui vo do I nstit ut o de Educação
Superi or Pr esi dent e Kennedy (I FESP) co mo l ugar de me móri a, at ent ando às pot enci ali dades
de hi st ori ci dade sobre a hi st ória da Escol a Nor mal / I nstit ut o de educação e o I nstit ut o de
educação Presi dent e Kennedy.
Nos Li vros de Regi stro que serão apresentados nesse arti go, i dentifi ca mos
i nfor mações referent es às ad mi ni strações da Escola Nor mal / I nstit ut o de Educação / I nstit ut o
de Educação Pr esi dent e Kennedy. Hi st óri a da Escol a Nor mal de Nat al; hist ória da Escol a de
Apli cação; hi st óri a do Jardi m de I nfânci a Model o; At as do Gr ê mi o Lit erári o Ní si a Fl orest a,
or gani zado pel a ent ão diret ora da Escol a Nor mal, à época Fr ancisca Nol asco Fer nandes.
Sugeri mos ser possí vel reali zar trabal ho de i nvesti gação e análise no ca mpo lit erári o a penas
co m essas At as do Gr ê mi o Lit erári o.
Identifi ca mos co mo pesqui sadores da hi st ória da educação que por mei o dos
ar qui vos escol ares é possí vel conhecer a cult ura escol ar est abel eci da e m det er mi nado espaço,
o i nt eri or da i nstit ui ção, s uas especifi ci dades, sua or gani zação, suas práti cas curri cul ares,
entre outras cat egori as de análise. A cult ura escol ar.
O acer vo do I nstit ut o de Educação Superi or Pr esident e Kennedy si nali za co mo l ugar
de me móri a e pesqui sa por ser u ma I nstit ui ção cent enári a na f or mação de pr ofessores e m
Nat al/ RN. I nvesti gar os ar qui vos de u ma I nstit uição de f or mação de pr ofessores possi bilita a
co mpr eensão do cont exto de cri ação e consoli dação da r eferi da i nstit ui ção de f or mação de
pr ofessores pri mári os no Ri o Gr ande do Nort e. Ressalt ando que o percurso da Escol a Nor mal
/ I nstit ut o de educação, fora mar cado pel a ausência de espaço adequado para o f unci ona ment o
de suas práti cas. O pr obl e ma da f alt a de u m pr édio fi xo para al oj ar a Escol a Nor mal per dur ou

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por décadas a fi o, - apr oxi mada ment e 57 anos - até seu defi niti vo est abel eci ment o no espaço
do Instit ut o de Educação Pr esi dent e Kennedy no ano de 1965.
Quando t o ma mos por objet o de est udo os ar qui vos escol ares co mo l ugar de me móri a
de u ma I nstit ui ção co m esse val or hi st órico, busca mos r el e mbr ar seu papel no panor a ma
hi st órico da hi st oria da educação nort e-ri o- grandense, assi m co mo r esponder
questi ona ment os, por exe mpl o: O que pode fazer a área da educação/ hist ori ador es da
educação e m seus trabal hos de pesqui sa cont ra o at aque devast ador da destrui ção por
pereci ment o ou negli gênci a das docu ment ações nos acer vos escol ares?, co mo pode mos
consci enti zar u ma co muni dade escol ar sobre essa quest ão?, esse não é o f oco do nosso
trabal ho, mas a pesqui sa hi st óri ca entrevê conscienti zar a co muni dade quant o a pr eser vação
de sua hist ori ci dade.
Pense mos na mutil ação se mr et or no que r epresentou o fi m das Escol as Nor mai s, est a
col eti vi dade- me móri a, conceit o do hi st oriador Pi erre Nor a ( 1993). As Escol as Nor mai s, f ora m
exti nt as pel a Ref or ma de ensi no de 1971, substit uí da pel as habilitações específi cas para o
ma gi st éri o e m 1º grau.
É sabi do que co m a Refor ma do Ensi no de 1º e 2º grau do ano de 1971, - que entre
outras coi sas t or na o ensi no pr ofissi onal obri gat óri o, sucede a substitui ção das Escol as
Nor mai s pel as habilitações específi cas do Magi stéri o. As Escol as Nor mai s passa m a per ecer
co m a nova or gani zação do ensi no e m 1º e 2º grau i nstit uí da pel a Lei n° 5692 de 1971, no
qual para o exercí ci o do magi st éri o e m pri meiro gr au era exi gi do habilitação específi ca de
segundo grau. Mai s adi ant e, co m a Lei de Di retrizes e Bases Nº 9. 394 de 1996, a f or mação de
pr ofessores passa a ocorrer e mi nstit ui ções de ní vel superi or, e m cursos de gr aduação pl ena,
que para at ender essa dema nda, sur ge m os Instit ut os Superi ores de Educação nesse perí odo.
Chega mos à concl usão que i nvesti gar e analisar o acer vo dessa I nstit uição co mo
obj et o de pesqui sa e l ugar de me móri a si gnifi ca est udar i mport ant es acont eci ment os que
nort eara m o cont ext o educaci onal do Ri o Gr ande do Nort e e Educação Br asil eira. Poi s, os
desdobra ment os de r ef or mas educaci onai s ocorri das no â mbit o naci onais a partir da Lei
i mperi al de 15 de out ubro de 1827, co m a pri meira t ent ati va de or gani zar u m si st e ma de
educação naci onal que ma nda ‘’cri ar as escol as de pri meiras l etras deixando a car go das
pr oví nci as a cri ação das escol as nor mai s’’ à Lei nº 5. 692, de 11 de agosto de 1971 que fi xou
as diretri zes e bases para o ensi no de 1º e 2º graus e a Lei de Di retrizes e Bases de 1996,
el evando o ní vel de escolari zação na f or mação de pr ofessores, i nfl uenci aram na or gani zação e
estrut uração do pr ocesso de for mação de pr ofessores no referi do Instit ut o de Educação.

19
Esses acont eci ment os no â mbit o da hi st ória naci onal e l ocal passara m di ret a ou
i ndiret a ment e por essa Instit ui ção. Dest a feit a, analisar as pot enci ali dades de pesqui sa do
ar qui vo escol ar do I nstit ut o de Educação Superi or Pr esi dent e Kennedy (I FESP), e m
Nat al/ RN, é auxiliar, entender e r econstit uir a hi stori ografia da educação brasil eira e nort e-ri o-
grandense.
No ar qui vo do I nstit uto de Educação Superior Pr esi dent e Kennedy (I FESP)
encontra m-se docu ment os que nos per mit e m pensar a hi st ória da educação no Est ado do Ri o
Gr ande do Nort e. Mas exat a ment e quê docu ment os são preser vados nesses ar qui vos?

O acer vo ar qui vístico de u ma escol a é decorrente de suas ati vi dades


ad mi ni strati vas e pedagógi cas. As ati vi dades ad mi ni strati vas são atri bui ções
especifi cas da secret ari a, do depart a ment o pessoal, da t esour ari a e da
diret ori a. A sal a de aul a, ao l ado da ofi ci na, constit uem os pri nci pais l ocai s
de desenvol vi ment o das ati vi dades pedagógi cas, onde são pr oduzi dos
mat eri ais r el aci onados à situação de ensi no apr endi zage m – mat eri ais de uso
di dáti co e art efat os t écni cos, al é m de r egi stros sobre as cl asses e sobr e cada
al uno i ndi vi dual ment e. ( MORAES; ZAI A; VENDRAMETA, 2005, p. 119).

Sobre o mapea ment o e cat al ogação de part e do acer vo do I nstit ut o de Educação


Superi or Pr esi dent e Kennedy, utilizando o conceit o de l ugar de me móri a ( NORA, 1993), e a
concepção de ar qui vo escol ar a partir das aut oras ( MORAES; ZAI A; VENDRAME NTA,
2005) i ni ci al ment e realiza mos vi st ori a quant o ao est ado do ar qui vo onde f ora i dentifi cada
consi derável quanti dade de Li vros de Regi stros. Port ant o, o mapea ment o e a cat al ogação a
seguir é co mpost a pel os li vr os de r egi stros que encontra-se no acervo docu ment al da
Instit ui ção.
Para or gani zar os docu ment os que mapea mos, realiza mos a cat al ogação subdi vi di ndo
o mat eri al e mt rês conj unt os. Sob os no mes: 1º conj unt o – Traj et óri a da Escol a Nor mal; 2º
conj unt o – Regi stro de Di pl omas e o 3º conj unt o – Grupo Escol ar e Escol a de Apli cação.
No pri meiro conj unt o catal oga mos mat eri al que r emet e sobre a Traj et óri a da Escol a
Nor mal de Nat al. Entre os li vr os mapeados, podemos dest acar o Ter mo de Exa mes da Escol a
Nor mal do At heneu nº 01/ 1908, cuj a diret oria responsável à época est ava a car go de Fr anci sco
Pi nt o de Abr eu. O pr ofessor Franci sco Pi nt o de Abr eu f oi o pri meiro diret or da Escol a
Nor mal de Nat al após reabert ura defi niti va e m 1908. Ta mbé mt e mos o Li vr o de I nf or mações
sobre a Escol a Nor mal de 1911, cuj a diret oria est ava a car go de Nest or dos Sant os Li ma,
terceiro diret or da Escola Nor mal. Co m esses li vros al é m de possi bilidades de pesqui sa
quant o aos trâ mit es do perí odo, pode-se mapear a sequenci a dos gest ores da escol a, e
i nfor mações quant o aos seus perfis de ad mi ni stração.
20
O Li vro de Posse de 1929 a 1945 desti na-se o registro dos pr ogra mas da Escol a
Nor mal de Nat al, ou seja, nesse li vr o pode mos encontrar al guns dos progr a mas que f ora m
utilizados para f or mação dos pr ofessores Nor mal ist as. Assi m co mo i dentifica mos no Li vr o
Regi stro da correspondênci a da Di ret ori a da Escol a Nor mal de Nat al, as tr ocas de
correspondênci as da I nstit ui ção que co mpet e m a ad mi ni stração da Escol a. Esse li vr o cont é m
as trocas de cart as da diret ori a co mo o pr ópri o nome si nali za.
O Li vro de Ent rada e saída de document os – 1939/ 1946 r egi stra a entrada e saí da de
papéi s do Gr upo escol ar ‘’ August o Sever o’’. Certa ment e é u m docu ment o i nt eressant e ao
pesqui sador que est uda sobre o Gr upo Escol ar August o Sever o. O Li vro de Regi stro de
Tít ul os, No meações, Apostil as, Port ari as ref erent es a Escol a Nor mal , t a mbé m é out r o
docu ment o i nt eressant e que f ez part e do r egistro na cat al ogação por essas i nf or mações
referent e a Escol a Nor mal de Nat al.
O Li vro de At as do Grê mi o Ní si a Fl orest a – 1953 – 1959 é li vr o desti nado as At as do
Gr ê mi o Lit erári o ocorri do sob a diret ori a de Fr anci sca Nol asco Fer nandes, pri meira di ret ora
da Escol a Nor mal de Nat al, após set e direções masculi nas. É possí vel i dentificar através desse
li vro as personali dades que est ava m pr esent es nesses event os, as l eit uras que f ora mr eali zadas
pel as pr ofessoras e al unas nor malist as durant e as sessões lit erári as. Al guns dos no mes il ustres
de convi dados que parti ci para m das sol eni dades, a exe mpl o: Padre Ni val do Mont e, Marl ene
Cort ez Ar aúj o na sessão ocorri da no di a 02 de set e mbr o de 1953 - Sessão Cí vi ca do grê mi o
e m co me moração a I ndependênci a do Brasil. Assi m co mo i dentifica mos e m out r os di as a
presença do Monsenhor João da Mat ha Pai va, à época, diret or do At heneu fe mi ni no.
O Regi stro de acont eci ment os i mport ant es 1958 desti na-se ao Di ári o de Mo vi ment o
da Escol a Nor mal de Natal, a partir do ano de 1958, sob a diret ori a de Mari a El za Fer nandes
Sena. Nesse li vr o obt e mos i nf or mações da gest ão da r eferi da diret ora e, al guns trâ mit es dentr o
da I nstit ui ção ocorri dos durant e sua gest ão, a exe mpl o, do pri meiro Cí rcul o de est udo para
pr ofessores da Escol a Nor mal; - cont ando co m a col aboração do pr ofessor Eny Cal deiras –
assist ent e t écni co do I NEP e a pr ofessora Li a Ca mpos à época diret ora do Centr o de
Pesqui sas.
Assi mco mo as ati vi dades para o segundo se mestre ( 1958) ocorri dos na I nstit ui ção, a
exe mpl o dos trabal hos desenvol vi dos no set or admi ni strati vo r el aci onados aos ar qui vos ati vo
e passi vo. Ou sej a, podemos i dentifi car no r eferido ano a t ent ati va de or gani zação do ar qui vo
da Escol a Nor mal sob a diret ora de Mari a El za Fernandes Sena.
No Quadr o 1 apresent a mos a cat al ogação do 1º conj unt o de docu ment os mapeado:

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Quadro 1 – 1º conj unt o de docu me nt os: Trajet óri a da Escol a Nor mal
Es pecifi cação do docu ment o Ter mo de abert ura e Di ret or
Li vr o 001 – Ter mo de Exa mes da Escol a Nor mal − Ter mo de abert ura, 07 de Mai o
do At heneu nº 01/ 1908 de 1908
− Di ret or: Fr anci sco Pi nt o de
Abr eu
Li vr o de i nf or mações sobre a Escol a Nor mal de − Ter mo de abert ura, 1911
1911. − Di ret or: Nest or dos Santos Li ma
Li vr o Azul – ( Ter mos de At est ado) − Ter mo de abert ura, Fevereiro de
1918
− Di ret or: Nest or dos Santos Li ma
Li vr o de Posse de 1929 a 1945. ( O pr esent e li vro − Ter mo de abert ura, 02 de
desti na-se a r egi stro dos pr ogra mas da Escol a fevereiro de 1931
Nor mal de Nat al) − Di ret or: Ant oni o Gomes da
Rocha Fagundes
Li vr o Regi stro da correspondênci a da Di ret ori a da − Ter mo de abert ura, 10 de abril de
Escol a Nor mal de Nat al 1933
− Di ret or: Ant oni o Gomes da
Rocha Fagundes
Li vr o de Correspondências da Escol a Nor mal de − Ter mo de abert ura, 31 de J ul ho
Nat al de 1937
− Di ret or: Ant oni o Gomes da
Rocha Fagundes
Li vr o de Entrada e saí da de docu ment os – − Ter mo de abert ura, 03 de
1939/ 1946. ( Regi stra ent rada e saí da de papéi s do Fevereiro de 1939
Gr upo escol ar ‘’ August o Sever o’’) − Di ret or Ger al: Ant oni o Go mes da
Rocha Fagundes
Li vr o de Regi stro de Tít ul os, No meações, − Ter mo de abert ura, 22 de
Apostilas, Port ari as referent es a Escol a Nor mal Out ubr o de 1942
− Di ret or: Cl e menti no Câ mara
Li vr o de At as do Gr ê mi o Ní si a Fl orest a – 1953 – − Ter mo de abert ura, 28 de J ul ho
1959. ( Li vr o desti nado as At as do Gr ê mi o de 1953
Lit erári o) − Marl ene Cort ez de Ar aújo
− Di ret ora. Fr anci sca Nol asco
Fer nandes
Li vr o de Correspondênci a expedi da da Escol a − Ter mo de abert ura, 02 de Mai o
Model o = De 02 de Mai o de 1958 a 06 de de 1958
Deze mbr o de 1960. − Di ret ora: Ezil da El ita do
( Regi stro de ofíci os da Escol a de Apli cação) Nasci ment o
Regi stro de acont eci ment os i mport ant es 1958. − Ter mo de abert ura, Agost o de
( Desti na-se esse li vr o ao Di ári o de Movi ment o da 1958.
Escol a Nor mal de Nat al, a partir do ano de 1958) − Di ret ora: Mari a El za Fer nandes
Sena
Font e: El aboração pr ópria.

22
No segundo conj unt o catal oga mos os Regi stros de Di pl omas cont endo Regi stros de
di pl omas dos pr ofessores pri mári os co m dat as vari ávei s dos segui nt es anos: 1922 – 1931;
1944; 1958 – 1960; 1966; 1967; 1968 – 1969.
A partir desse conj unt o o pesqui sador i nt eressado pode conhecer o perfil ( mai s
fe mi ni no ou masculi no) dos pr ofessores di pl omados a partir dos perí odos que t enha i nt eresse
e mi nvesti gar. A depender do ano da pesqui sa, i dentificar se a escol a f or mou mai s pr ofessoras
nor malist a ou pr ofessores nor malist a. A partir de quai s anos houve o pr ocesso de f e mi ni zação
do magi st éri o de f or ma mai s acent uada, se ocorrera m r evés? É possível t a mbé m col et ar
i nfor mações sobre a admi ni stração/ gest ão nesses perí odos. Década de 20 a gest ão est ava a
car go de Nest or dos Sant os Li ma, década de 1940 pode mos i dentificar o pr ofessor
Cl e menti no Câ mar a, visto que os diret ores assi nava m os di pl omas dos pr ofessores.
A partir da década de 1950 ocorre o pr ocesso da f e mi ni zação educaci onal nos
quadr os da ad mi ni stração da Escol a Nor mal / I nstit ut o de educação, a assinat ura dos gest ores
nos di pl omas dos pr ofessores confi gura m co mo f ont e de i nf or mações co m dat as pr eci sas
quant o aos aspect os de transi ção ad mi ni strati va.
Se m esquecer a i mportânci a do pr ópri o registro do di pl oma dos pr ofessores
for mados. Nesses li vr os é possí vel i dentificar i nf or mações acadê mi cas referent e aos
pr ofessores nor malist a di pl o mados pel a I nstit ui ção. Ampli ando as f ont es dos i nt eressados e m
averi guar e pesqui sar o di pl oma de al gu m pr ofessor específi co for mado no perí odo.
Segue o Quadr o 2 referent e ao conj unt o de docume nt os dos Regi stros de Di pl o mas:

23
Quadro 2 – 2º conj unt o de docu me nt os: Regi stro de Di pl o mas ( por orde m de dat a)

Es pecifi cação do docu ment o Ter mo de abert ura e Di ret or


Li vr o para Regi stro de Di pl omas – 1922 a 1931 − Ter mo de abert ura, 01 de
Fevereiro de 1918
− Di ret or: Nest or dos Santos Li ma.
Regi stro de Di pl omas de Pr ofessores Pri mári os − Ter mo de abert ura, 28 de
no Ri o Gr ande do Nort e deze mbr o de 1944.
− Di ret or: Cl e menti no Câ mara.
Li vr o de Regi stro de Di pl omas de pr ofessores − Ter mo de abert ura, Nat al, 15 de
pri mári os – 1958 a 1960 fevereiro de 1958
− Di ret ora: Mari a El za Fer nandes
Sena
Di pl o mas – ano 1966 − Di ret ora: Crisan Si mi néa
Regi stros de Di pl omas de Magi st éri o - Curso − Di ret ora: Crisan Si mi néa
Nor mal – I nstit ut o de Educação Pr esi dent e
Kennedy. (1967)
Regi stros de Di pl omas (1968/ 1969) − Di ret ora: Crisan Si mi néa.
Regi stros de Di pl omas de Pr ofessor Pri mári o − Di ret ora: Crisan Si mi néa.
dest e Instit ut o nos anos de 1968 e 1969
Regi stro de Di pl omas do ano de 1969 − Di ret ora: Crisan Si mi néa.
Li vr o de Regi stro de Di pl oma de pr ofessor do − Ter mo de abert ura, 30 de Mai o de
ensi no de 1º grau (1º a 4º séri e) 1975
− Di ret ora: Crisan Si mi néa
Font e: El aboração pr ópria.

No t erceiro conj unt o de docu ment os cat al ogados pode mos i dentifi car Li vr os que
cont é mr ecort es de j or nal cont endo i nf or mações sobre a Escol a Nor mal de Nat al. Esse li vr o é
i nt eressant e por se trat ar de u m‘’co mpil ado’’ de notí ci as referent es a escola, e m u m mo me nt o
onde al guns desses j ornais pode mt er pereci do, ou encontrar-se e m difí cil l ocali zação.
Li vr o de Regi stro de vi sit as do Gr upo Escol ar Model o August o Severo dat ado de
1957 cont endo i nf or mações a que mi nt eressar sobre a hi st ória do gr upo escol ar. Li vr o de At as
da hora pedagógi ca da Escol a de apli cação sob a diret ora de Ezil da Elita do Nasci ment o,
esse li vr o é i nt eressant e para que m qui ser i nf or mações sobre a escol a de apli cação no perí odo
no que co mpet e a i nfor mações rel aci onadas as horas pedagógi cas.
Cat al oga mos t a mbé m doi s Li vr os cont endo At as das Reuni ões Ad mi nistrati vas e
Festi vi dades da Escol a de Apli cação – são li vros co m i nf or mações referent es a r euni ões
ad mi ni strati vas e as f estivi dades que ocorrera m na escol a. Há t a mbé m o i nteressant e Li vro de
Regi stro de Hi st óri co 1958/ 1963, desti nado ao regi stro hist óri co da Escol a de Apli cação.
A seguir o Quadr o 3 co m o conj unt o de docu ment os sobre Gr upo Escol ar e Escol a de
Apli cação:
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Quadro 3 – 3º conj unt o de docu me nt os: Grupo Escol ar e Escol a de Apl icação (orde m da
dat a)
Es pecifi cação do docu ment o Ter mo de abert ura e Di ret or
Recort es de Jor nai s (vários anos) − Obser vação: Li vr o co mr ecort es de
j ornais co m i nf or mações sobre a
Escol a Nor mal
Li vr o de Regi stro de vi sit as do Gr upo Escol ar − Ter mo de abert ura, 23 de
Model o ‘’ August o Severo’’ – ano 1957 nove mbr o de 1957
Escol a de Apli cação de 1958 a 1962 − Ter mo de abert ura, 26 de Mai o de
1958
− Di ret ora: Ezil da Elita do
Nasci ment o
At as das Reuni ões Ad mi ni strati vas e − Ter mo de abert ura, 30 de Junho de
Festi vi dades da Escol a de Apli cação – 30 de 1958 Di ret ora: Ezil da Elit a do
Junho de 1958 a 02 de Mai o de 1962 Nasci ment o
Li vr o de At as Festi vas de 1959 a 1964/ 1965 - − Ter mo de abert ura, 16 de
( Desti na-se esse li vr o ao lança ment o das at as das Set e mbr o de 1959
festi vi dades da Escol a de Apli cação)
− Di ret ora: Ezil da Elita do
Nasci ment o
Li vr o de Regi stro de Hi st óri co 1958/ 1963 - − Ter mo de abert ura, 19 de Jul ho de
( Desti na-se esse li vr o ao r egi stro hi st óri co da 1963
Escol a de Apli cação) − Di ret ora: Ezil da Elita do
Nasci ment o
Font e: El aboração pr ópria.

Concl uí mos nest a sessão a partir da cat al ogação dos três conj unt os dos Li vros de
Regi stros, possi bili dades de pesqui sa a partir das font es preser vadas no ar qui vo do I nstit ut o de
Educação Superi or Presi dent e Kennedy. Pot enciali dades de est udo aos i nt eressados e m
hi st ória da educação. Nessa e mpr eit ada l eit uras r eali zadas nos t ext os da pesqui sadora Ana
Mari a de Oli veira Gal vão ( 1996) ori ent ara m s obre o pot enci al de f ont es co mo a lit erat ura, a
fot ografia, os di ári os de época que acaba m por revel ar aspect os e m geral negli genci ados e
pouco perceptí veis e m pesqui sas baseadas uni ca ment e e m docu ment os ofi ci ais. Esse
ent endi ment o nos possi bilita al argar as pot enci ali dades de font es dos arqui vos escol ares.
Pel o expost o, t omar o arqui vo do I nstit ut o de Educação Superi or Pr esi dent e Kennedy
(I FESP), co mo obj et o de est udo e l ugar de me mór ia, a pri ncí pi o pareceu al go pr óxi mo, por é m
i mpost o u m desafi o. Desafi o por que ti ve que lidar co m u m novo r eferenci al t eóri co par a
subsi di ar o meu ol har para o ar qui vo na I nstit uição co mo espaço de pesqui sa e obj et o de
i nvesti gação. Pr óxi mo por que eu j á conheci a o acer vo da escol a e m r azão das pesqui sas
ant eri ores sobre as diret oras da Escol a Nor mal / Instit ut o de educação.

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Poi s, consi dera mos a r elação entre os ar qui vos e a escrita da hi st ória um l ongo e
si nuoso ca mi nho decifrat óri o de múlti pl as possi bili dades. Para escrever a hi st óri a são
necessári as f ont es, docume nt os, vestí gi os. E, i sso é u ma difi cul dade quando se trat a da escrit a
hi st órica ( PERROT, 2008, p. 21) e m r azão da negli gênci a que t e mos na preser vação dos
ar qui vos.

5 Consi derações fi nai s:

No decorrer dest e trabal ho t o ma mos por obj eto de est udo o ar qui vo escol ar do
Instit ut o de Educação Superi or Presi dent e Kennedy (I FESP), at ent ando às pot enci ali dades de
pesqui sa e m hi st óri a da educação.
Para t ant o, mapea mos e cat al oga mos part e do acer vo preser vado, analisando as
pot enci ali dades de pesqui sa para o est udo da hi st óri a da educação. Os t rês conj unt os
docu ment ais refere m-se às i nstit uci onali dades da Escol a Nor mal de Nat al (1908); I nstit ut o de
Educação (a partir da década de 1950); Instit ut o de Educação Presi dent e Kennedy (1965).
Entre os desafi os encont rados, pode mos menci onar a pr obabili dade da ausênci a de
part e da docu ment ação. Pr ovavel ment e pereci da pel o t e mpo ou má conser vação.
Identifi ca mos pr obl e mas r el aci onados ao acondi ci ona ment o do mat eri al, por ausênci a de
espaço adequado que comport e o acer vo de f or ma i deal, e o não mapea ment o e cat al ogação
do acer vo para que se t enha conheci ment o do l egado ar qui vístico. Percebemos a necessi dade
e m se cat al ogar, or gani zar e di git ali zar o ar qui vo da i nstit ui ção que det ém pot enci ali dade de
análises e pesqui sas no âmbit o da hist ori ografi a da educação l ocal.
Ent ende mos que por mei o dos ar qui vos escol ares preser vados e da pesqui sa hi st óri ca
é possí vel conhecer a cult ura escol ar de u ma I nstit ui ção e m det er mi nada época, pr áti cas de
pr ofessores e pr ofessoras, maneiras de f unci oname nt o de u ma escol a, co mport a ment o dos
al unos, vesti ment as (farda ment o), trâ mit es da ad mi ni stração/ gest ão, poi s “[...] são i nú mer os
os depoi ment os dos especi alist as de suas mar avil hosas est upefações com o que descobr e m
co m a l eit ura das f ont es. ” ( COSTA, 2010, p. 2). Apr eende mos ao l ongo do pr ocesso,
enquant o pesqui sadores, que a r econstrução do passado só é possí vel co m o est udo e a análise
das font es que o passado legou, e que o te mpo permi ti u que chegasse at é o present e.
Nesse senti do, const at a mos a i mport ânci a da preser vação desses ar qui vos escol ares.
E, concl uí mos que a partir dos ar qui vos escol ares, co mo l ugares de me mória, se t or na possí vel
escritas da hi st ória da educação. Não é r ar o deparar co m mat eri al se m condi ções de l eit ura:

26
pereci dos por falt a de cui dados adequados e m seu ar mazena ment o, destruí dos por cupi ns ou
traças. Pereci dos pel a f orça do t e mpo e t a mbé m do descaso “ As f ont es. O cont at o co m el as.
Esse é o mo ment o e m que o hi st oriador é, de f at o, u m ver dadeiro artist a. [...] É quando ent ão
consegue o cont at o direto co m os rastros do passado. ” ( COSTA, 2010, p. 2).
Após r eali zação da pesqui sa ent ende mos o ar quivo escol ar co mo l ugar de me móri a
por sal vaguar dar l e mbr anças, recor dações, re mi niscênci as ( no f undo si nôni mos), i ndí ci os –
vestí gi os de al go ocorri do no passado que j á não mai s se f az present e, mas ao mes mo t e mpo,
ecoa no t e mpo pr esent e; - por i nt er médi o de frag ment os que traze m a t ona as me móri as de
outrora, através de u ma consci ênci a i magéti ca mat eri alizada nos espaços de l ugares de
me móri a, nosso caso, os ar qui vos escol ares. Desde que, t enha mos consci ênci a de pr eser vação
ar qui vística desse passado.
A consci ênci a da preser vação dos l ugares de me móri a ( que não é o nosso obj eti vo de
est udo para o mo ment o) mas al go perti nent e que nos l evou a r efl etir nas consi derações fi nai s
seri a u m agent e unifi cador na construção i dentitári a da enti dade escolar. Nenhu m povo
desenvol ve se m preser vação e patri môni o – é memóri a.
Ret o mando nosso obj etivo de pesqui sa a partir do mapea ment o e cat al ogação dos
Li vros de Regi stro vi slu mbr a mos para a área de hi st ória da educação possi bili dades de
trabal hos sobre a hi st ória da f or mação de pr ofessores; práti cas docente das pr ofessoras
nor malist as; Funci ona ment o do Jar di mde I nfância Model o li gado à Escol a Nor mal; Perfil dos
egressos da Escol a Nor mal; Cult ura escol ar; Práticas de Leit uras através do Li vr o de Regi stro
do Gr ê mi o Lit erári o Ní si a Fl or est a; Estrut ura e or gani zação da Escol a Nor mal e m seu
funci ona ment o de gest ão/admi ni strati vo.
Chega mos à concl usão desse trabal ho que o percurso hi st óri co da Escol a Nor mal de
Nat al/Instit ut o de Educação Pr esi dent e Kennedy ( 1965) – durant e muit os anos se m es paço
físi co pr ópri o, suj eit o a mudanças, é aspect o a ser consi derado no estudo sobr e o acer vo
preser vado. Apesar de t odas as transi ções de espaço consegui u pr eser var part e consi derável
do ar qui vo cont endo sua hi st orici dade. A hi st ória da i nstit ui ção é mar cada pel a ausênci a de
espaço adequado para o seu f unci ona ment o. O pr obl e ma da f alt a de u m pr édi o fi xo para al oj ar
a Escol a Nor mal per dur ou por décadas a fi o, at é seu defi niti vo est abel eci ment o no espaço do
Instit ut o de Educação Presi dent e Kennedy a partir de 1965.

27
Ref erênci as

AQUI NO, Luci ene Chaves. De Escol a Nor mal de Nat al a Instit ut o de Educação
Presi dente Kennedy (1950- 1965): confi gurações, li mit es e possi bili dades da for mação
docent e. 2007. 259 f. Tese ( Dout orado e m Educação). Pr ogra ma de Pós- Gr aduação e m
Educação. Uni versi dade Federal do Ri o Gr ande do Nort e. 2007.

AQUI NO, Luci ene Chaves. A Escol a Nor mal de Nat al/Instit ut o de Educação: precursora da
pesqui sa educaci onal no Ri o Gr ande do Nort e (1958- 1965). In: CONGRESSO BRASI LEI RO
DE HI STÓRI A DA EDUCAÇÃO, 7., Anai s... Cui abá- MT, 2013. p. 1-15.

BRASI L, Presi dênci a da Repúbli ca. Lei nº 8. 159, de 8 de janei ro de 1991. Di spõe sobre a
política naci onal de arquivos públi cos e pri vados e dá outras pr ovi dênci as. Di sponí vel e m:
<htt p:// www. pl analt o. gov. br/ cci vil _03/ LEI S/ L8159. ht m>. Acesso e m: 21 nov. 2018.

BRASI L, Presi dênci a da Repúbli ca. Lei nº 4. 024, de 20 de deze mbro de 1961. Fi xa as
Di retri zes e Bases da Educação Naci onal. Di sponí vel e m:
<htt p:// www. pl analt o. gov. br/ cci vil _03/l eis/l 4024. ht m>. Acesso e m: 24 out. 2018.

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