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NOÇÕES DE SUBESTAÇÕES

CONCEITUAÇÃO:

Uma subestação pode ser definida como sendo um "conjunto de equipamentos com
propósito de chaveamento e/ou transformação ou regulação da tensão elétrica", ou ainda
"instalação elétrica destinada à alteração conveniente das características da energia elétrica
ou manobras de circuitos elétricos de potência".

Destinam-se, basicamente a:

- Suprimento de energia elétrica a consumidores;

– Seccionamento de circuitos elétricos, necessários à estabilidade dos sistemas elétricos.

Nestes seccionamentos há normalmente uma redistribuição de energia proveniente das


várias fontes de geração e destinadas aos vários centros de carga a serem supridos.

Poderão ainda ser conceituadas em função do nível de tensão de operação, como sendo:
Extra Alta Tensão (ETA) – acima de 345 kV, destinadas basicamente ao seccionamento dos
sistemas de transmissão; Alta Tensão (AT) - de 69 kV a 230 kV, destinadas ao
seccionamento dos sistemas de subtransmissão e subestações transformadoras, as quais
são construídas para atendimento de carga localizada, normalmente subestações
abaixadoras da tensão elétrica.

A função ou tarefa mais importante das subestações é garantir a máxima segurança de


operação e serviço a todas as partes componentes dos Sistemas Elétricos. As partes
defeituosas ou sob falta devem ser desligadas imediatamente e o abastecimento de energia
deve ser restaurado por meio de comutações ou manobras.

Consequentemente, a escolha das ligações quando do planejamento de uma subestação,


assume um significado especial e deve ser realizada estritamente de acordo com o
planejamento do sistema elétrico.

Em sistemas elétricos interligados, por exemplo, que possuem uma rede de distribuição
secundária, a falta de uma subestação de distribuição não resulta em uma falta de
alimentação.
Para tais subestações, não é necessário dispender muito em sua construção. Por outro lado
em redes radiais puras, todos os consumidores ficariam simultaneamente sem energia,
quando a subestação de alimentação principal sair fora de serviço.

Deve-se considerar ainda o fato da rede possuir circuitos singelos ou duplos. No caso de
circuitos singelos, a segurança das subestações alimentadas deve ser particularmente
considerada, com a possível instalação de um barramento auxiliar.

Outros fatores que influenciam a escolha do diagrama de ligações são:

– A sensibilidade e reação dos consumidores em caso de interrupção do fornecimento de


energia.

– A influencia mútua dos consumidores em caso de flutuações da tensão (subestações


acima de 30 kV).

- O número de várias altas tensões de alimentação, reguladas e não reguladas, assim


como consumidores distantes (subestações acima de 30 kV).

Ao lado do ponto de vista técnico deve-se lembrar os custos que estão intimamente ligados
à escolha do tipo de subestação a ser utilizado isto é, todos os requisitos técnicos exigidos
para uma subestação são proporcionais aos custos de investimento.

EQUIPAMENTOS DE PÁTIO:

Podem ser classificados dentro de dois grupos:

- Equipamentos de manobra;

- Equipamentos de transformação das características elétricas das tensões e correntes,


proteção de outros equipamentos a surtos de tensão e equipamentos para comunicação.

No primeiro item enquadram-se disjuntores e chaves seccionadoras, cabendo uma nova


divisão, qual seja:

Ativo - disjuntor, visto que pode manobrar em carga normal ou defeito. Esta manobra
poderá ser comandada pelo operador, a partir da chave de comando instaladas nos
painéis de comando da subestação ou no próprio disjuntor ou automaticamente, para
defeitos, através de relés de proteção.
Passivo – Secionadoras, as quais normalmente não podem ser manobradas em carga.

No segundo item enquadram-se os transformadores de potência, transformadores de


potencial (TP), transformador de corrente (TC), pára-raios e filtros de onda (bobina de
bloqueio).

Podem ser incluídos ainda neste item, os reatores e capacitores, os quais destinam-se à
melhoria da regulação das linhas de transmissão possibilitando um melhor rendimento dos
sistemas a que estão conectados.

EQUIPAMENTOS DE COMANDO, CONTROLE E PROTEÇÃO:

Destinam-se a supervisão dos sistemas elétricos. Conectados aos secundários dos TP's e
TC's tomam uma imagem do que ocorre eletricamente nos circuitos onde estão ligados os
equipamentos.

Podem ser divididos em:

– Equipamentos de comando: destinam-se ao acionamento de disjuntores e chaves


seccionadoras. Podem ainda serem vistos como local ou remoto, em função das suas
localizações, com relação ao equipamento a ser acionado, manual ou automático, em
função da necessidade ou não da participação do operador.

– Equipamentos de controle: destinam-se a supervisão dos sistemas elétricos. Incluem-


se neste item os indicadores de tensão, corrente, potência ativa e reativa, temperatura,
freqüência, medidores de controle e de faturamento, registradores gráficos de tensão,
corrente, potência ativa e reativa, temperatura, registradores de defeitos (oscilógrafos)
anunciadores óticos e acústicos, localizadores de defeitos, etc.

– Equipamentos de proteção: este item compreende principalmente os relés de proteção


que podem ser subdivididos em função de sua aplicação, como segue:

Relés de Sobrecorrente e Relés de Sobrecorrente Direcional - utilizados em


linhas de transmissão (138 kV) de pequenas extensões, alimentadores de
distribuição (13,8/11,5 kV), proteção de retaguarda de transformadores, etc.

Podem ainda serem de fase ou de terra, função do tipo de falta a ser detectada.
A utilização do elemento direcional é definida em função das características do
circuito a ser protegido considerada a seletividade da atuação das proteções,
possibilidade de inversão do sentido da corrente elétrica, etc..

Relés de Distância - utilizados em linhas de subtransmissão (138 kV) médias e


longas e linhas de transmissão (230 kV e acima).

Recebem informações de tensão e corrente da linha protegida, resultando da


divisão dessas duas grandezas uma impedância que se substancialmente
alterada, caracteriza a ocorrência de defeito, provocando a atuação do relé.

Em função das características construtivas do relé pode ainda ser subdividido em:
relé de impedância, relé de reatância (tipo MHO), impedância modificada, etc.

Relé de Sobretensão – destinam-se a proteção dos circuitos elétricos contra


sobretensões ocorridas principalmente por manobras. Podem ser instantâneos ou
temporizados, normalmente ajustados diferentemente com o elemento
temporizado, com ajuste inferior ao do elemento instantâneo.

Relés Diferenciais – destinam-se a proteção dos transformadores e reatores,


operando para defeitos dentro da zona protegida.

Relés de Religamento – destinam-se ao fechamento automático de linhas


abertas por defeito, com o objetivo de reduzir ao máximo o tempo de interrupção
do fornecimento de energia elétrica.

A supervisão dos sistemas de potência pode ser feita ainda através de


equipamentos de telecomando, telemedição e teleproteção, utilizando-se para
estes fins microondas ou equipamento "carrier".

DIAGRAMA UNIFILAR

Em função das necessidades, características elétricas, confiabilidade, etc., a subestação é


definida a partir de um diagrama unifilar que fixa o princípio de funcionamento da mesma,
características dos equipamentos de pátio, comando, controle e proteção. Várias são as
possibilidades de funcionamento, das quais podemos salientar:
- Barra Simples

- Barra Simples Seccionada

- Barra Principal e Barra de Transferência

- Barra Dupla

- Barra Dupla e Barra de Transferência

- Barra Dupla com "by-pass"

- Barra Tripla

- Anel

- Anel Duplo ou Interligado

- Disjuntor e um Terço

- Disjuntor e Meio

- Disjuntor Duplo

Anexo, tabelas com as considerações comparativas entre as várias possibilidades.

Cumpre ressaltar que cada concessionária de energia elétrica, em função dos níveis de
tensão de operação das subestações a serem projetadas e construídas, normalmente utiliza
um determinado tipo de configuração.

A título de exemplo, a CESP (Companhia Energética de São Paulo) utiliza para tensões até
230 kV, a possibilidade "barra dupla com "by-pass" para tensões de 345 e 460 kV "disjuntor
e meio" e para tensões de 550 kV "disjuntor duplo.

É evidente que a medida em que aumenta a flexibilidade operativa e a confiabilidade da


subestação, o custo de implantação da mesma também cresce.
SE COM BARRA SIMPLES

SEGURANÇA DO SISTEMA FACILIDADE DE MANUTENÇÃO


FLEXIBILID

FALHA FALHA ADE


DISJUNTOR BARRAMENTO SECCIONADORAS
EXTERNA INTERNA OPERATIVA

COM
COM COM INTERRUPÇÃO
PERDA DO INTERRUPÇÃ
PERDA DA SE NENHUMA INTERRUPÇÃO TOTAL OU PARCIAL
CIRCUITO O DE
DE SERVIÇO DE SERVIÇO.
SERVIÇO
SE COM BARRA SIMPLES SECCIONADA

SEGURANÇA DO SISTEMA FACILIDADE DE MANUTENÇÃO


FLEXIBILID

FALHA FALHA ADE


DISJUNTOR BARRAMENTO SECCIONADORAS
EXTERNA INTERNA OPERATIVA

COM
PERDA COM
INTERRUPÇÃO COM INTERRUPÇÃO
PERDA DO TEMPORÁRIA, INTERRUPÇÃ
RESTRITA TOTAL OU TOTAL OU PARCIAL
CIRCUITO PARCIAL OU TOTAL O DE
PARCIAL DE DE SERVIÇO.
DA SE SERVIÇO
SERVIÇO
SE COM BARRA PRINCIPAL E BARRA DE
TRANSFERÊNCIA

SEGURANÇA DO SISTEMA
FLEXIBILID FACILIDADE DE MANUTENÇÃO

FALHA FALHA ADE


DISJUNTOR BARRAMENTO SECCIONADORAS
EXTERNA INTERNA OPERATIVA

PERDA SEM
COM COM INTERRUPÇÃO
PERDA DO TEMPORÁRIA, INTERRUPÇÃ
RESTRITA INTERRUPÇÃO TOTAL OU PARCIAL
CIRCUITO PARCIAL OU TOTAL O DE
DE SERVIÇO DE SERVIÇO.
DA SE SERVIÇO
SE COM BARRA DUPLA

SEGURANÇA DO SISTEMA FACILIDADE DE MANUTENÇÃO


FLEXIBILID

FALHA FALHA ADE


DISJUNTOR BARRAMENTO SECCIONADORAS
EXTERNA INTERNA OPERATIVA

SEM
COM
PERDA INTERRUPÇÃO COM INTERRUPÇÃO
PERDA DO INTERRUPÇÃ
TEMPORÁRIA DA RAZOÁVEL TOTAL OU PARCIAL DE
CIRCUITO O DE
SE PARCIAL DO SERVIÇO.
SERVIÇO
SERVIÇO
SE COM BARRA DUPLA E "BY-PASS"

SEGURANÇA DO SISTEMA FACILIDADE DE MANUTENÇÃO


FLEXIBILID

FALHA FALHA ADE


DISJUNTOR BARRAMENTO SECCIONADORAS
EXTERNA INTERNA OPERATIVA

SEM
PERDA SEM COM INTERRUPÇÃO
PERDA DO INTERRUPÇÃ
TEMPORÁRIA DA RAZOÁVEL INTERRUPÇÃO PARCIAL DE
CIRCUITO O DE
SE DE SERVIÇO SERVIÇO.
SERVIÇO
SE COM BARRA DUPLA E BARRA DE
TRANSFERÊNCIA

SEGURANÇA DO SISTEMA FACILIDADE DE MANUTENÇÃO


FLEXIBILID

FALHA FALHA ADE


DISJUNTOR BARRAMENTO SECCIONADORAS
EXTERNA INTERNA OPERATIVA

PERDA SEM
SEM COM INTERRUPÇÃO
PERDA DO TEMPORÁRIA, INTERRUPÇÃ
RAZOÁVEL INTERRUPÇÃO PARCIAL DE
CIRCUITO PARCIAL OU TOTAL O DE
DE SERVIÇO SERVIÇO.
DA SE SERVIÇO
SE COM BARRA TRIPLA

SEGURANÇA DO SISTEMA
FLEXIBILID FACILIDADE DE MANUTENÇÃO

FALHA FALHA ADE


DISJUNTOR BARRAMENTO SECCIONADORAS
EXTERNA INTERNA OPERATIVA

COM
PERDA SEM COM INTERRUPÇÃO
PERDA DO INTERRUPÇÃ
TEMPORÁRIA DA RAZOÁVEL INTERRUPÇÃO PARCIAL DE
CIRCUITO O DE
SE DE SERVIÇO SERVIÇO.
SERVIÇO
SE DISJUNTOR E MEIO

SE DISJUNTOR E UM TERÇO

SEGURANÇA DO SISTEMA FACILIDADE DE MANUTENÇÃO


FLEXIBILID

FALHA FALHA ADE


DISJUNTOR BARRAMENTO SECCIONADORAS
EXTERNA INTERNA OPERATIVA

SEM SEM INTERRUPÇÃO


SEM PERDA DA SEM
PERDA DO INTERRUPÇÃ DE SERVIÇO OU COM
CONTINUIDADE DE EXCELENTE INTERRUPÇÃO
CIRCUITO O DE INTERRUPÇÃO
SERVIÇO DE SERVIÇO
SERVIÇO PARCIAL
SE COM DISJUNTOR DUPLO

SEGURANÇA DO SISTEMA FACILIDADE DE MANUTENÇÃO


FLEXIBILID

FALHA FALHA ADE


DISJUNTOR BARRAMENTO SECCIONADORAS
EXTERNA INTERNA OPERATIVA

SEM SEM INTERRUPÇÃO


SEM PERDA DA SEM
PERDA DO INTERRUPÇÃ DE SERVIÇO OU COM
CONTINUIDADE DE EXCELENTE INTERRUPÇÃO
CIRCUITO O DE INTERRUPÇÃO
SERVIÇO DE SERVIÇO
SERVIÇO PARCIAL
SE EM ANEL A QUATRO CIRCUITOS

SEGURANÇA DO SISTEMA
FLEXIBILID FACILIDADE DE MANUTENÇÃO

FALHA FALHA ADE


DISJUNTOR BARRAMENTO SECCIONADORAS
EXTERNA INTERNA OPERATIVA

SEM COM
PERDA DO PERDA DE UM INTERRUPÇÃ INTERRUPÇÃO COM INTERRUPÇÃO
BOA
CIRCUITO CIRCUITO O DE PARCIAL DE PARCIAL DE SERVIÇO
SERVIÇO SERVIÇO
SE EM ANEL A SEIS CIRCUITOS

SEGURANÇA DO SISTEMA
FLEXIBILID FACILIDADE DE MANUTENÇÃO

FALHA FALHA ADE


DISJUNTOR BARRAMENTO SECCIONADORAS
EXTERNA INTERNA OPERATIVA

SEM COM
PERDA DO PERDA DE UM INTERRUPÇÃ INTERRUPÇÃO COM INTERRUPÇÃO
BOA
CIRCUITO CIRCUITO O DE PARCIAL DE PARCIAL DE SERVIÇO
SERVIÇO SERVIÇO