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SOCORRISTA

Aqui apresentamos os mandamentos do socorrista e realmente desejamos que eles fiquem bem
vivos na sua mente.
São pequenos detalhes, atos simples, os quais parecem bastante óbvios para qualquer pessoa,
mas são extremamente significativos no momento em que se lida com vida, ou mais precisamente,
no momento de risco iminente de vida.

É preciso ter treinamento adequado, organizar o pensamento, ter autocontrole, para só então
prestar a assistência correta. Ser socorrista não é fácil; o nervosismo, a multidão, a dor são fatores
que precisam ser controlados e exteriorizados.

Você precisa ser líder, ser calmo, saber seus limites, ter e demonstrar segurança e administrar o
tempo.

Para tanto, pedimos que você guarde e siga esses 10 mandamentos a seguir.

OS 10 MANDAMENTOS DO SOCORRISTA:

1. Mantenha a calma.

2. Tenha em mente a seguinte ordem de segurança quando você estiver prestando


socorro:

· PRIMEIRO EU (o socorrista)
· DEPOIS MINHA EQUIPE (Incluindo os transeuntes)
· E POR ÚLTIMO A VÍTIMA

Isto parece ser contraditório a primeira vista, mas temo intuito básico de não gerar novas vítimas.

3. Ao prestar socorro, é fundamental ligar ao atendimento pré-hospital de imediato ao


chegar ao local do acidente. Podemos por exemplo discar o número: 192 (SAMU) ou outra
empresa de socorro.

4. Sempre verifique se há riscos no local, para você e sua equipe, antes de agir no
acidente.

5. Mantenha sempre o bom senso.

6. Mantenha o espírito de liderança, pedindo ajuda e afastando os curiosos.

7. Distribua tarefas, assim os transeuntes que poderiam atrapalhar lhe ajudarão e se


sentirão mais úteis.

8. Evite manobras intempestivas (realizadas de forma imprudente, com pressa).

9. Em caso de múltiplas vítimas dê preferência àquelas que correm maiores risco de vida
como, por exemplo, vítimas em parada cárdio-respiratória ou que estejam sangrando muito.
10. Seja socorrista e não herói (lembre-se do 2o mandamento)

AFOGAMENTO

Afogamento é a asfixia gerada por aspiração de líquido de qualquer natureza que venha a inundar
o aparelho respiratório. Haverá suspensão da troca ideal de oxigênio e gás carbônico pelo
organismo.

SINAIS E SINTOMAS

Em um quadro geral pode haver hipotermia (baixa temperatura corporal), náuseas, vômito,
distensão abdominal, tremores, cefaléia (dor de cabeça), mal estar, cansaço, dores musculares.
Em casos especiais pode haver apnéia (parada respiratória), ou ainda, uma parada cárdio-
respiratória.

PREVENÇÃO

Para bebês - Estes nunca devem ser deixados sozinhos no banho ou próximos a qualquer
superfície líquida.

Para crianças - Além dos cuidados anteriores deve-se estimulá-las a assumir responsabilidade por
sua própria segurança. Elas devem aprender a nadar e a boiar e devem compreender que não
devem entrar em águas perigosas. Saltos de trampolim são extremamente perigosos.

Para adultos - Estes devem ter noções sobre as suas limitações principalmente quando suas
funções normais estiverem comprometidas devido ao manuseio de drogas, sejam elas
medicamentos ou bebidas. Evitar nadar sozinho em áreas não supervisionadas ou em áreas onde
as condições do meio líquido sejam desconhecidas.
Qualquer nadador deve estar apto a nadar diagonalmente a uma corrente que o pegou e não
contra a mesma, se não conseguir escapar deve chamar por socorro.

"NUNCA SE DEVE FINGIR


ESTAR PRECISANDO DE SOCORRO"

PRIMEIROS SOCORROS EM AFOGAMENTO

Objetivo

Promover menor número de complicações provendo-se o cérebro e o coração de oxigênio até que
a vítima tenha condições para fazê-lo sem ajuda externa, ou até esta ser entregue a serviço
médico especializado.

Meios

Suporte Básico de Vida (SBV) a fim de habilitar a vítima aos procedimentos posteriores do Suporte
Cardíaco Avançado de Vida (SCAV). O SBV consiste apenas em medidas não invasivas.

"NÃO É PERMITIDO AO SOCORRISTA


NENHUMA MEDIDA INVASIVA"
O socorrista

Deve promover o resgate imediato e apropriado, nunca gerando situação em que ambos (vítima e
socorrista) possam se afogar, sabendo que a prioridade no resgate não é retirar a pessoa da água,
mas fornecer-lhe um meio de apoio que poderá ser qualquer material que flutue, ou ainda, o seu
transporte até um local em que esta possa ficar em pé. O socorrista deve saber reconhecer uma
apnéia, uma parada cárdio-respiratória (PCR) e saber prestar
reanimação cárdio-pulmonar (RCP)

O resgate

O resgate deve ser feito por fases consecutivas:


Compreendendo a Fase de observação, de entrada na água, de
abordagem da vítima, de reboque da vítima, e o atendimento da
mesma.

Fase de observação

Implica na observação do acidente, o socorrista deve verificar a profundidade do local, o número


de vítimas envolvidas, o material disponível para o resgate.

O socorrista deve tentar o socorro sem a sua entrada na água, estendendo qualquer material a sua
disposição que tenha a propriedade de boiar na água, não se deve atirar nada que possa vir a ferir
a vítima.

Em casos de dispor de um barco para o resgate, sendo este com estabilidade duvidosa a vítima
não deve ser colocada dentro do mesmo, pois estará muito agitada.

Fase de entrada na água

O socorrista deve certificar-se que a vítima está visualizando-o. Ao ocorrer em uma piscina a
entrada deve ser diagonal à vítima e deve ser feita da parte rasa para a parte funda. Sendo no mar
ou rio a entrada deve ser diagonal à vítima e também diagonal à corrente ou à correnteza
respectivamente.

Fase de Abordagem

Esta fase ocorre em duas etapas distintas:

Abordagem verbal; Ocorre a uma distância média de 03 metros da vítima. O socorrista vai
identificar-se e tentar acalmar a vítima. Caso consiga, dar-lhe-á instruções para que se posicione
de costas habilitando uma aproximação sem riscos.

Abordagem física; O socorrista deve fornecer algo em que a vítima possa se apoiar, só então o
socorrista se aproximará fisicamente e segurará a vítima fazendo do seguinte modo: O braço de
dominância do socorrista deve ficar livre para ajudar no nado, já o outro braço será utilizado para
segurar a vítima, sendo passado abaixo da axila da vítima e apoiando o peito da mesma, essa mão
será usada para segurar o queixo do afogado de forma que este fique fora da água.

"O SOCORRISTA NÃO PODE PERMITIR


QUE A VÍTIMA O AGARRE"
Fase de reboque

O nado utilizado será o "Over arms" também conhecido como nado militar, ou nado de sapo.
Quando em piscinas e lagos o objetivo sempre será conduzir a vítima para a porção mais rasa. No
mar, será admitido o transporte até a praia, quando a vítima estiver consciente e quando o mar
oferecer condições para tanto; será admitido o transporte para o alto mar (local profundo e de
extrema calmaria), quando a vítima apresentar-se inconsciente e o mar estiver extremamente
revolto (essa atitude dará condições ao socorrista de repensar o salvamento). Caso existam
surfistas na área o socorrista, deve-se pedir ajuda.

Quando o socorrista puder caminhar, deve fazê-lo, pois é mais seguro do que nadar. Deverá
carregar a vítima de forma que o peito desta fique mais elevado do que a cabeça, diminuindo o
perigo da ocorrência de vômito.

Fase de atendimento
O atendimento

Em Primeiros Socorros as alterações eletrolíticas e hídricas


decorrentes de diferentes tipos de líquidos (água doce ou salgada)
em que ocorreu o acidente não são relevantes, não havendo
tratamentos diferentes ou especiais. Os procedimentos em Primeiros
Socorros devem adequar-se ao estado particular de cada vítima, no
que se refere às complicações existentes.

Vale frisar que o líquido que costuma ser expelido após a retirada da água provém do estômago e
não dos pulmões por isso, sua saída deve ser natural, não se deve forçar provocando vômito, pois
pode gerar novas complicações.

Caso o acidente não tenha sido visto pelo socorrista, ele deve considerar que a vítima possui
Traumatismo Raquimedular (TRM) e deverá tomar todos os cuidados pertinentes a este tipo de
patologia.

Em nível de Primeiros Socorros deve-se sempre:

1. Acalmar a vítima fazê-la repousar e aquecê-la através da substituição das roupas molhadas e
fornecimento de roupas secas, casacos, cobertores e bebidas quentes.

2. Manter a vítima deitada em decúbito dorsal procedendo com a lateralização da cabeça ou até da
própria vítima afim de que não ocorra aspiração de líquidos.

3. Caso o afogado inconsciente seja deixado sozinho, ele deve ser colocado na posição de
recuperação que mantêm o corpo apoiado em posição segura e confortável, além de impedir que a
língua bloqueie a garganta e facilitar a saída de líquidos.
Outros procedimentos em casos particulares seriam:

1. Fazer a desobstrução das vias aéreas através da extensão do pescoço, da retirada do corpo
estranho e da tração mandibular atentando sempre para a possibilidade de trauma cervical.

2. Em vítimas com parada respiratória, proceder com a respiração boca-a-boca objetivando manter
a oxigenação cerebral.

3. Em vítimas com PCR, efetuar a RCP em casos que o tempo de submersão seja desconhecido
ou inferior a uma hora.

Respiração Artificial Boca-a-Boca

Respiração Artificial Boca-a-Boca Reanimação Cárdio Pulmonar

FRATURAS

TRAUMA DE OSSOS E ARTICULAÇÕES

I - INTRODUÇÃO:

Os ossos são estruturas rígidas de sustentação que quando unidas em sua posição apropriada
formam o esqueleto.

São em número de 206 e tem como funções a proteção de órgãos nobres, como local de inserção
de músculos e outras estruturas e na delimitação das formas das pessoas.

Dessa forma, agressões que atinjam nosso corpo, muito comumente provocam conseqüências nos
próprios ossos ou em seus pontos de contato: as articulações.

II - FRATURAS ÓSSEAS

O comprometimento ósseo mais comum em conseqüência de um impacto seria a fratura, que nada
mais é que uma rachadura no osso que abranja toda sua espessura, ou parte dela.

A vítima portadora deste problema informará sentir dor na região que aumenta com as
movimentações, incapacidade de movimentar a estrutura, como um braço e poderá possuir uma
deformação no local comprometido.
A conduta, neste caso, será localizar a porção lesada e, com mínimo de movimentos da vítima,
imobilizar provisoriamente a fratura da forma que estiver encaminhando o acidentado para uma
avaliação ortopédica definitiva.

A mobilidade dos fragmentos ósseos, além de dolorosa, pode aumentar a lesão com rompimento
de vasos, nervos e até mesmo a pele, transformando uma fratura que era interna em externa.

III - LESÕES ARTICULARES

Toda vez que o local da pancada for uma articulação, como o joelho, cotovelo ou o tornozelo, pode
ocorrer um entorse ou uma luxação no local, que são tratados da mesma forma.

A conduta consiste na imediata imobilização da estrutura que deve permanecer em repouso e, se


possível, a um nível maior que o restante do corpo, além da colocação de gelo na região.

Tais medidas diminuirão a dor da vítima e o edema (inchaço) do local. Vale lembrar que, assim
como nas fraturas, as lesões nas articulações que deformarem a estrutura da região não devem
ser corrigidas e sim imobilizadas da forma que estão e encaminhadas ao serviço médico.

IV - MECANISMOS DE IMOBILIZAÇÃO:
Quase todas as lesões em articulações e ossos possuem como conduta a imobilização da
estrutura para a diminuição da dor da vítima, estabilização da ferida e para não aumentar o
problema.

Esta imobilização deve ser feita principalmente com estruturas rígidas como tábuas, canos, galhos,
palitos, papelão ou mesmo com a parte íntegra do corpo da vítima, como usar uma perna para
imobilizar a outra.
Como princípio geral, a imobilização deve abranger não somente o sítio da lesão, mas também
todos os lugares que se relacionem a ele na elaboração de algum movimento.

Serão vistas algumas técnicas de imobilização de fácil elaboração com materiais comuns.
Imobilização do pulso, antebraço e ombro.

As figuras a seguir dizem respeito a imobilização do antebraço e da mão que deve ser realizada
inicialmente com a estabilização do membro pela própria vítima, aproximando o antebraço ao
corpo enquanto se improvisa algum instrumento de sustentação.

 Um jornal dobrado, um pedaço de papelão ou uma tala de madeira podem ser utilizados.
 Este suporte deve ser colocado debaixo do antebraço e fixado com tiras de pano ou
material similar, sempre tomando cuidado para não apertar muito a estrutura. Estas tiras de
pano podem ser conseguidas se rasgando peças de roupa.
 Em seguida coloque um pedaço de pano dobrado de forma triangular debaixo do braço
machucado para simular uma tipóia.
 Levante o antebraço até a altura da mama e amarre a tipóia ao lado do pescoço para não
machucar a vítima. Caso tenha um alfinete, use-o para fechar a tipóia perto do cotovelo ou
apenas dê um nó neste local.
 Existindo também uma lesão no ombro pode-se conseguir uma boa imobilização do
mesmo passando-se uma tira larga de pano em torno da tipóia, prendendo o braço junto
ao tórax e assim limitando os movimentos do ombro.
 Agora a vítima pode ser transportada com segurança até o serviço médico onde terá os
cuidados definitivos

Imobilização de uma perna ou coxa

 No caso de lesões nas pernas, não se tendo uma tábua comprida que sirva de tala ou algo
semelhante pode-se conseguir uma boa imobilização com a utilização do outro membro.
 Inicie colocando 5 tiras de pano por baixo do joelho da vítima para posteriormente as
distribuir pela perna da vítima. Deve-se tomar cuidado para deixar o local da possível lesão
livre das tiras.
 Existindo uma toalha ou um cobertor no local, faça um rolo com ele e o coloque entre as
pernas do acidentado.
 Por fim amarre as tiras entre a pernas da vítima, distribuindo-as 2 delimitando a lesão, uma
próxima ao tornozelo, uma acima ou abaixo do joelho e a última superiormente na perna.

Imobilização do tornozelo

 Em lesões no tornozelo ou no pé utilize um cobertor enrolado juntamente com tiras para


imobilizar a região.
Hemorragias

A hemorragia é a perda de sangue, para o meio externo ou interno, por ruptura ou laceração de
vasos sangüíneos. Do ponto de vista anatômico, a hemorragia pode ser classificada em arterial,
venosa e capilar.

A hemorragia arterial é ocasionada pelo rompimento de uma artéria, apresenta-se em jatos e com
sangue de cor vermelho vivo, podendo conter bolhas, indicando que esse sangue é rico em
oxigênio.

A hemorragia venosa é ocasionada pelo rompimento de uma veia, apresenta-se em filete e com a
presença de sangue vermelho escuro.

A hemorragia capilar é a hemorragia causada pelo rompimento de capilares sangüíneos, o


exemplo mais comum desse tipo de hemorragia é a escoriação.

As hemorragias também podem ser divididas do ponto de vista clínico em:

Hemorragias externas: caracteriza-se pelo extravasamento de sangue para fora do corpo.

Hemorragias internas: São mais difíceis de serem diagnosticadas pelo socorrista, porque se
apresentam de forma mais subjetiva, não exteriorizando o sangue. São ocasionadas por rupturas
internas, decorrente de traumas, nos órgãos em seus respectivos sistemas. São comuns em
acidentes automobilísticos e em acidentes de quedas de grandes alturas.

Hemorragias mistas: é quando uma vítima apresenta os dois tipos de hemorragia.

Sinais e Sintomas:

 Pulso fraco (bradisfigmia).


 Vítima queixa-se de sede.
 Suor pegajoso e frio.
 Pele cianótica.
 Lábios e dedos cianóticos.
 Torpor e obinubilação.
 Desmaio.
 Queda da Tensão Arterial.
Hemostasia: É o conjunto ou qualquer manobra que vise conter a hemorragia. A hemostasia
temporária é a hemostasia para conter a hemorragia em nível de primeiros socorros. Dentre essas
técnicas para conter a hemorragia, podemos citar:

1. Compressão Direta: É também conhecida como tamponamento. Funciona fazendo-se pressão


direta (em cima do ferimento), utilizando-se uma gaze ou pano limpo. É importante não se retirar a
gaze, mesmo que essa fique encharcada de sangue, para permitir a cicatrização desse ferimento.

2. Compressão Indireta: Para ser realizada depende da identificação correta do tipo de


hemorragia (se a hemorragia é arterial, venosa ou capilar). Consiste em comprimir o vaso num
local acima do ferimento a fim de impedir uma maior perda de sangue. Não é muito aconselhada
porque o socorrista precisa identificar o tipo de vaso lesado e, do ponto de vista anatômico, o tipo
de hemorragia.

3. Torniquete: Seu uso só é justificado em última estância, em casos de amputação traumática e


esmagamento de membros. Deve ser realizada com muita cautela e atenção. Faz-se o torniquete
envolvendo o membro afetado com uma bandagem de 10 cm ou com tiras de pano, amarrando-se
junto com um graveto ou com uma caneta de tal forma que esta sirva como uma válvula para
aliviar ou diminuir a pressão. É preciso tomar cuidado com a perfusão sangüínea, por isso é
essencial que a cada 12 minutos o torniquete seja afrouxado.

Procedimentos Básicos para PS em Hemorragias:

 Deitar a vítima.
 Colocar a cabeça da vítima mais baixa que o corpo.
 Elevar os membros inferiores.
 Folgar as roupas.
 Não fornecer líquidos.

Caso a hemorragia ocorra num membro como braço ou perna, deve-se procurar fazer a elevação
do mesmo. Alguns Tipos Especiais de Hemorragia:

Epistaxe: é o sangramento provocado por rompimento de vasos do nariz. Deve-se acalmar a


vítima, pedir para que a mesma abaixe a cabeça e respire pela boca. Pode-se fazer aplicação de
gelo, envolvido em pano em torno do nariz. Caso a hemorragia continue, pode-se utilizar uma
camisinha e um pedaço de esponja para tamponar o ferimento da seguinte forma: pega-se um
pedaço de esponja e coloca-se esse pedaço dentro do preservativo, em seguida procura-se
introduzir o conjunto dentro da narina que esteja sangrando. Feito isso, leva-se a vítima ao serviço
médico mais próximo.

Hematêmese: é o extravasamento de sangue proveniente do estômago, utilizando-se o esôfago e


em forma de vômitos. Pode vir acompanhado de alimentos e o sangue apresenta cor escura. O
socorrista deve procurar lateralizar a cabeça da vítima, caso NÃO haja suspeita de lesão na coluna
cervical, a fim de que a vítima não aspire o sangue ou os restos de alimentos regurgitados. Se
houver suspeita de lesão cervical e hematêmese, deve-se lateralizar a vítima em bloco. Procure
ajuda médica.

Hemoptise: é a saída de sangue pelas vias respiratórias, o sangue pode vir em golfadas,
apresentando-se em cor vermelho vivo. Deve-se lateralizar a cabeça da vítima ou a vítima em
bloco, evitando que ela aspire o sangue para os pulmões. Procure ajuda médica.

Exposição de vísceras: ocorrência muito comum em acidentes automobilísticos. É importante


manter e não tocar nas vísceras, muito menos pressioná-las para dentro do ferimento. O socorrista
deve colocar uma compressa limpa, umedecida em soro fisiológico ou água, em cima dessa ferida
e encaminhar à vítima ao socorro médico. Procurar transportar a vítima em decúbito dorsal e em
uma prancha ou maca. É importante prevenir o estado de choque nessas vítimas, principalmente o
choque hipovolêmico (choque por perda demasiada de sangue). Por isso, é importante fazer a
hemostasia o mais rápido possível.

PARTO DE EMERGÊNCIA

O parto é um ato natural, por isso a parturiente deve ser conscientizada do fato e deve-se procurar
acalmá-la. Chame ou localize um médico. Providencie transporte para o hospital mais próximo.

Mas, caso o socorrista não consiga localizar um médico e tenha de realizar um parto de urgência,
deve seguir as seguintes condutas em Primeiros Socorros:

 Afaste curiosos e pessoas do local.


 O socorrista deve ter paciência e deve evitar agir impulsivamente.
 O socorrista tem de lavar bem as mãos e os braços com sabão ou anti-séptico.
 Procurar manter a área limpa ao redor da parturiente, colocando lençóis e plásticos.
 Durante o parto, procure amparar o tronco e cabeça da criança que nasce.
 Após a completa saída do bebê, procure protegê-lo, evitando locais sujos e úmidos.
 Cubra o bebê e mãe para mantê-los aquecidos.
 Mantenha o bebê com a cabeça, sutilmente, mais baixa que o tronco quando colocá-lo
deitado sobre o abdômen da mãe.
 Observe se o bebê está respirando, limpe cuidadosamente a boca e nariz. Coloque-o de
cabeça para baixo, com o intuito de facilitar a saída de secreções. Se o bebê não respirar,
aplique a respiração boca-boca-nariz.
 Ferva ou flambe uma tesoura e limpe-a com álcool. Faça o mesmo com o barbante ou
linha grossa.
 Amarre o barbante em torno do cordão umbilical bem apertado, a cerca de 5 cm do bebê
para interromper a circulação sangüínea. Amarre, então, um outro barbante em volta do
cordão umbilical, a cerca de 10 cm do bebê, ou deve haver uma distância entre ambos de
5 cm.
 Corte o cordão umbilical, entre os dois barbantes, usando a tesoura limpa. As
extremidades do cordão não devem sangrar.
 Não puxe a placenta. Deixe que ela seja expelida por si só.
 Não jogue fora a placenta e outros resíduos do parto, principalmente caso a criança tenha
nascido morta.
 Coloque a placenta num saco plástico e leve mãe, bebê e placenta ao hospital o mais
rápido possível.

QUEIMADURAS

A pele é a nossa barreira natural de proteção contra os mais variados agentes agressores, como
microorganismo, agentes físicos e químicos.

Além disso, a pele é o órgão mais extenso do corpo humano e é muito importante no controle da
temperatura e retenção de líquidos.
A definição de queimadura é bem ampla, porém, basicamente, é a lesão causada pela
ação direta ou indireta produzida pelo calor no corpo.

A sua manifestação varia desde uma pequena bolha (flictena) até formas mais graves
capazes de desencadear respostas sistêmicas proporcionais à gravidade da lesão e sua
respectiva extensão.

AS QUEIMADURAS SÃO CLASSIFICADAS DE ACORDO COM:

 o agente causal
 a profundidade
 a extensão (área corpórea atingida)

De acordo com o agente causador, a queimadura pode ser:

1. TÉRMICA (provocada por calor, líquidos quentes, objetos aquecidos, vapor).

2. QUÍMICA (provocada por ácidos e bases).

2. ELÉTRICA (quando provocada por raios e corrente elétricas).

3. POR RADIAÇÃO (quando provocada por radiação nuclear).

Para se classificar a queimadura de acordo com a sua extensão existem vários métodos, porém
seu aprendizado requer muita prática. Para o socorrista é suficiente observar que quanto maior a
extensão da queimadura maior risco de vida vítima estará correndo.

Quanto a profundidade da queimadura (número de camadas de pele atingidas):

1. PRIMEIRO GRAU: atinge somente a epiderme Nessa queimadura, a pele apresenta-se em


hiperemia (avermelhada), edemaciada (inchada) e há ardor no local dessa queimadura.

2. SEGUNDO GRAU: Atinge a epiderme estendo-se até a derme. Caracteriza-se pela presença
das flictenas (bolhas). A vítima também apresenta dor local intensa, hiperemia e pele edemaciada.

3. TERCEIRO GRAU: Atinge todas as camadas da pele e hipoderme. É considerada grave, pois
pode provocar lesões que vão desde músculos até ossos. Caracteriza-se por apresentar coloração
escura ou esbranquiçada, uma lesão seca, dura e indolor.

OBS: a queimadura não é obrigatoriamente uniforme! Podem ocorrer nos diversos graus e ao
mesmo tempo.

PRIMEIROS SOCORROS EM QUEIMADURAS:

 Interrompa imediatamente o efeito do calor


(utilize água fria, não use água gelada, ou utilize
um lençol para apagar as chamas no corpo da
vítima).
 Em caso de acidentes com queimaduras promovidas por corrente elétrica, não toque na
vítima até que se desligue a energia. Tome cuidado com os fios soltos e água no chão.
 Para vítimas de corrente elétrica, observe se há parada respiratória, em caso afirmativo
proceda com a respiração de socorro. Transporte imediatamente a vítima para o hospital.
 Faça a avaliação primária da vítima. Identifique qual o tipo, grau e extensão da
queimadura.

A queimadura é uma lesão estéril, por isso tenha cuidado ao manuseá-la e evite ao máximo
contaminá-la.

Retire pulseiras, jóias, relógios, roupas que não estejam grudadas na pele da vítima.

 Caso a queimadura seja de 1º grau, retire a pessoa do sol, utilize substâncias refrescantes
como produtos para aliviar a dor e faça a administração por via oral de líquidos.
 Caso a queimadura seja de 2º ou de 3º graus, lembre-se de cobrir a área queimada com
gazes molhadas em soro fisiológico ou água limpa.
 Mantenha o curativo molhado usando recipientes de soro ou água limpa até levar a vítima
ao hospital.
 NÃO fure as flictenas (bolhas)!
 NÃO utilize manteiga, creme dental, manteiga, gelo, óleo, banha, café na queimadura.
 Remova a pessoa para o hospital caso a queimadura seja muito extensa, ou seja, de 2º ou
3º graus.

Mais do que prestar primeiros socorros em queimaduras é importante prevenir tais acidentes,
principalmente nas épocas de festas populares e festejos juninos, épocas nas quais é evidenciado
um aumento na incidência do número de queimados.
REANIMAÇÃO CARDIO-RESPIRATÓRIA

A parada cardíaca constitui-se numa situação na qual se constata a ausência de batimentos do


coração.

A parada cardíaca possui várias causas, dentre as mais comuns cita-se o infarto, o choque elétrico,
overdose de drogas. Caso o socorrista NÃO constate presença de pulso na vítima ou falta de
batimentos cardíacos, ele deve suspeitar de parada cardíaca. Então:

 Ausência de pulso = parada cardíaca.


 O pulso a ser tomado é o carotídeo, que é checado à altura do pescoço.

Sintomas de uma vítima em PCR:

 Falta ou debilidade de pulsação.


 Dilatação das pupilas (midríase).
 Ausência de batimentos cardíacos (que podem ser checados encostando o ouvido do
socorrista abaixo das papilas mamárias da vítima).
 Insuficiência respiratória

Massagem cardíaca:

Verifica-se o pulso da vítima através da palpação digital do pulso carotídeo. Estando esse ausente
deve-se realizar a massagem, que consiste na aplicação de uma pressão sobre o tórax da vítima
contra uma superfície rígida e resistente, o que provocará uma compressão do coração entre o
esterno e a coluna dorsal, e um aumento da pressão intratorácica, provocando o esvaziamento
ativo e enchimento passivo das cavidades do coração, fazendo o sangue circular por todo o
organismo.

Realize a massagem cardíaca:

 Coloque a vítima em decúbito dorsal, sobre uma superfície dura e plana. O ponto certo
para a realização da massagem é encontrado da seguinte forma:
 Localize o apêndice xifóide percorrendo o rebordo costal e dois dedos acima deste,
coloque a palma de sua mão e no dorso dela a sua mão de dominância. Os dedos das
mãos devem ficar entrelaçados.
 No bebê deve-se realizar esta manobra na região intermamilar, e sua realização é feita
apenas com o 3o e o 4o dedos apenas.
 Deve-se realizar a massagem com os braços esticados e com o peso do corpo voltado
contra a vítima.
 Os cotovelos do socorrista devem ficar estendidos durante a realização da manobra de
reanimação.
 Faça a compressão com certo vigor a fim de abaixar o esterno numa depressão de
aproximadamente 5 cm.
 O TEMPO DE DESCOMPRESSÃO E DE COMPRESSÃO É O MESMO!!

Cuidados Especiais:

 Com crianças: use apenas uma das mãos, procure realizar a manobra exercendo menor
força que na massagem cardíaca para adultos.
 Com bebês: Utilize apenas 2 dedos (o dedo médio e o anular) para realizar a manobra, ao
invés das duas mãos. A compressão deve ser feita na região intermamilar.
 Com pessoas idosas: segue as mesmas normas que a massagem cardíaca para adultos,
porém vale a ressalva que se deve fazer menos força, a fim de não fraturar nenhuma
costela.

Vias aéreas:

 Ao encontrar a vítima avalie o nível de consciência em que se encontra. Se não conseguir


despertá-la, posicione-a adequadamente (decúbito dorsal), atentando para possíveis
lesões cervicais.
 Estando inconsciente, há falta do tônus muscular e a língua juntamente com a epiglote
caem para trás, obstruindo a faringe e a laringe. Faz-se então a extensão da região
cervical. Assim, consegue-se abrir as vias aéreas. No bebê de menos de um ano esta
extensão deve ser bastante discreta.
 Caso a vítima apresente lesões no pescoço ou haja suspeita de trauma cervical, puxe a
mandíbula para frente, mantendo seus cotovelos apoiados na superfície em que a vítima
deve estar deitada.
 Verifique se há respiração. Inspecione a boca e a garganta da vítima e verifique se há
material estranho (vômito, outros líquidos, alimentares, brinquedos, etc) obstruindo as vias
aéreas.
 Deve-se retirar o que se encontrar com o dedo indicador e médio ou, caso o material
estranho seja líquido, pode-se envolver o dedo indicador com um lenço.
 Segure a língua e o queixo da vítima entre o seu polegar e os outros dedos, levantando a
mandíbula. Com a outra mão, retira-se o corpo estranho.

Respiração:

 Deve-se verificar se houve retorno da respiração. O socorrista deve se aproximar do rosto


da vítima com o olhar voltado para o tórax da mesma. Desta forma, tenta-se ver, ouvir e
sentir a respiração. Sente-se o ar expirado, ouve-se a respiração e observa-se se o tórax
da vítima se expande e rebaixa, realizando os movimentos respiratórios.
 Muitas vezes após a desobstrução das vias aéreas a vítima volta a respirar
espontaneamente, não havendo necessidade da realização de outras manobras. Nestes
casos, é imprescindível que se mantenha uma observação cuidadosa até a chegada do
serviço de emergência ou até a recuperação total.
 Caso a vítima não recupere a respiração espontânea, deve-se iniciar a respiração artificial.

A RESPIRAÇÃO ARTIFICIAL

O ar atmosférico é uma mistura gasosa que apresenta 21% de oxigênio em sua composição. Em
cada movimento respiratório, gastamos cerca de 4% desse total, restando, portanto, 17% expirado,
que são suficientes para suprir as necessidades momentâneas da vítima, se insuflado em seus
pulmões. Ao realizar a respiração artificial, deve-se observar se há expansão do tórax, e só se
deve reinsuflar caso haja expiração do ar.

Há três tipos de respiração artificial:

1. Respiração boca- a- boca.

É a mais eficiente, usada em adulto ou criança grande. Deve-se fazer obstrução digital do nariz
para não haver escape de ar.
2. Respiração boca-nariz.

Técnica recomendada quando não se consegue praticar a anterior, como por exemplo, em casos
de traumas de mandíbula.

3. Respiração boca-a-boca-nariz:

Utilizada em bebês. Para que a respiração artificial tenha sucesso, deve-se observar a quantidade
de ar expirada, que deve ser suficiente para expandir o tórax. Em bebês insufla-se apenas com o
ar contido nas bochechas. Caso contrário, o socorrista pode causar um barotrauma.
O tempo da insuflação é rápido: um e meio a dois segundos em adultos e cerca de um e meio
segundos em crianças

COORDENANDO AS MANOBRAS DE RESPIRAÇÃO ARTIFICIAL E MASSAGEM CARDÍACA.


COM UM SOCORRISTA

 Alternam-se duas insuflações torácicas com 15 compressões, na criança maior que oito
anos e no adulto. A contagem deve ser realizada contando-se alto: 1 e 2 e 3...
 Depois de quatro ciclos, avalia-se o pulso.
 Na criança menor de oito anos e no bebê, alterna-se uma insuflação com cinco
compressões e reavalia-se o pulso a cada dez ciclos.

COM DOIS SOCORRISTAS:

 Os socorristas alternam as manobras. O que estiver fazendo esforço físico será substituído
ao se cansar.
 Alterna-se 1 insuflação com 5 compressões.
 Ao desejar realizar a troca, o socorrista que estiver fazendo a massagem, conta em voz
alta e diz, 1 e 2 e troca e 4 ...assim, o socorrista que estiver insuflando realiza mais uma
vez e se desloca para junto do tórax da vítima.

QUANDO PARAR AS MANOBRAS:

1.Quando houver resposta às manobras, retornando os batimentos cardíacos e a respiração.

2.Ao entregar a vítima ao serviço de emergência, e a uma equipe médica.

3. Caso o socorrista chegue à exaustão total.

COMPLICAÇÕES:

Minimizados na realização correta da reanimação cárdio-respiratória. Mesmo assim pode haver


fratura de costela. Raramente pode ocorrer fratura de esterno, pneumotórax, hemotórax, contusões
pulmonares, lacerações do fígado e baço, embolia gordurosa e outros menos freqüentes.

TRANSMISSÃO DE DOENÇAS:

É rara a transmissão de doenças através da realização do RCP. As mais preocupantes são a AIDS
e a Hepatite B, ainda assim, comprovou-se que a quantidade de vírus contida na saliva não é
suficiente para transmissão dessas doenças. Deve-se atentar para o fato de que é muito freqüente
em acidentes haver exposição de sangue, e aí sim pode haver a transmissão.

TRANSPORTE DE FERIDOS

CONCEITO

Remoção da vítima de um local perigoso para um seguro e deve ser feito por pessoas treinadas e
em algumas situações com equipamentos especiais.

INDICAÇÕES:

 Vítimas inconscientes.
 Vítimas com queimaduras grandes.
 Hemorrágicos.
 Envenenados.
 Chocados.
 Vítimas sob suspeita de fraturas, luxações e entorses.

CUIDADOS:

 Tem que verificar o que é mais grave no momento;


 Observar os sinais vitais;
 Controlar hemorragia;
 Imobilizar (se houver suspeita de fratura);
 Evitar ou controlar estado de choque;
 Manter o corpo da vítima em linha reta;
 Cada parte do corpo deve ser apoiada;
 Em caso de suspeita de envenenamento, não deixar a vítima andar;

TIPOS DE TRANSPORTE

De apoio:
Auxiliar na locomoção, pode ser com um ou dois socorristas. Para longas distâncias. Indicado para
casos de luxações, entorses, fraturas de membros inferiores (sem hemorragia). Não é indicado
para envenenados.

Lua-de-mel:
Faz-se carregando a vítima, como noivos. Para longas distâncias. Indicado para transporte de
pessoas inconscientes sem suspeita de lesão da coluna.

Pegada de Bombeiro:

Indicado para remoção de vítimas com dificuldade de movimentação ou inconscientes. Contra


indicado para suspeita de lesão de colunas. Deve ser realizado por pessoas treinadas, pois pode
machucar a vítima.

Pegada pelas extremidades:

É o transporte utilizado com dois socorristas.

O socorrista que apoiará o tórax da vítima passa os seus braços por baixo da mesma e cruza-o
sobre o peito da vítima. As costas da vítima deve estar em contato com o peito do socorrista. O
outro socorrista irá ajoelhar-se, colocar as pernas da vítima sobre as suas, abraçar as pernas da
vítima e se levantar.

De arrasto:

Para curtas distâncias. Há várias formas de transporte de arrasto como usando lençol ou pelos
braços. Indicado para vítimas com suspeita de lesão da coluna. Deve-se manter a cabeça da
vítima imóvel durante o transporte.

De cadeira:

Faz-se com a vítima sentada na cadeira. Deve ser realizado por duas pessoas. Retirada de vítimas
de locais onde seja inviável o transporte de arrasto, dentre outros.
Em bloco:

Utilizado por três ou quatro socorristas. A vítima é transportada em bloco evitando ao máximo
movimentos na coluna. Os socorristas devem estar atentos ao caminhar para não tropeçarem um
no outro. A direção do transporte é na dos pés da vítima.

Pegada Larga:

Os socorristas seguram os antebraços um do outro

A vítima cai sobre os braços dos socorristas

Os braços da vítima deverão passar por trás do pescoço dos socorristas.


Cabaleiro:

Três ou quatro socorristas. Indicado para posicionamento da maca sob a vítima ou para remoção
de um acidentado quando este está sob outro. É o único transporte onde o socorrista fica sobre a
vítima.

Transporte de vítimas em maca:

Deve ser utilizado em situações nas qual a vítima precisará ser deslocada para um local mais
seguro ou em locais sem possibilidade de chegada de socorro adequado. Devem se disponibilizar
quatro ou mais socorristas.

Pode ser utilizada uma maca de madeira ou de material de estrutura similar, ou pode-se ainda
improvisar uma maca a partir de outros materiais. Pode-se, por exemplo, retirar a porta de um
cômodo e utilizá-lo para transportar a vítima ou pode-se utilizar lençóis e/ou casacos e com cabos
de madeira improvisar uma maca. O mais importante é compreender que a maca objetiva
promover o transporte da vítima em uma superfície estável, a qual apóie todo seu corpo e
possibilite o transporte da mesma em um mesmo plano.

É importante que antes de se realizar o transporte da vítima em maca, um dos socorristas teste a
maca, a fim de se checar se a mesma conseguirá suportar o peso da vítima.

Atenção especial para vítimas inconscientes: elas devem ser fixadas à maca para evitar, que
durante o transporte, elas caiam e agravem as lesões.

Após acomodar a vítima na maca, os socorristas devem andar de maneira conjunta, arrumando o
passo, para impedir que um deles ande com o passo mais rápido ou mais lento e dificulte o
transporte.
Quando o terreno for plano, conduzir a vítima com os pés para diante, preservando a cabeça de
possíveis choques.

Quando o terreno for íngreme, a maca deve ser mantida de preferência em posição horizontal, a
menos que o socorrista não tenha condições físicas de fazê-lo.

CORPOS ESTRANHOS

Olho

Os olhos são áreas corpóreas muito sensíveis, sendo necessário muito cuidado com todo tipo de
ocorrência que possa lesá-los. Por isso, a existência de corpos estranhos nesta região deve ser
tratada com muita cautela e atenção, fazendo uso de algumas técnicas muito simples. Estas,
quando não conseguem retirar o elemento lesivo, buscam estabiliza-lo de forma que ele não possa
agravar ainda mais a situação.

Para o uso correto das técnicas é importante diferenciar qual a relação entre estes corpos e o(s)
olho(s) afetado(s). Deste ponto de vista, os corpos estranhos no olho podem ser classificados em
móveis e fixos.

Os móveis são principalmente ciscos e cílios, mas podem ser também líquidos como ácidos, bases
e outras substâncias químicas ou mesmo seres vivos como insetos. Assim sendo, a melhor forma
para sua retirada é a lavagem com água corrente no sentido de medial para lateral (do nariz para
orelha) por aproximadamente 15 minutos. Se o corpo estranho estiver debaixo da pálpebra, poderá
ser utilizada a manobra de eversão palpebral a qual exporá a mucosa da mesma. Com a mucosa
exposta será feita a tentativa de pescar este corpo estranho com uma gaze umidecida em água ou
soro fisiológico.
Os fixos são considerados uns dos tipos mais lesivos de corpos estranhos no olho devido ao fato
de perfurarem o globo ocular. Podem ser pequenas limalhas de ferro e farpas de madeira ou
mesmo objetos maiores como facas, espetos de churrasco e muitos outros.

A retirada destes materiais deve ser realizada a nível hospitalar, visto que podem ocasionar
hemorragias profusas além de outras lesões em estruturas vizinhas. O atendimento de primeiros
socorros, nestes casos, limita-se a simples fixação do objeto e oclusão do olho cotralateral como
prevenção ao agravamento das lesões já referidas.

A fixação do objeto é feita através de um curativo oclusivo não compressivo cuja forma vai
depender do tamanho do objeto. Também aqui será exigido o bom senso do socorrista, pois terá
que adequar os recursos que dispõe a situação que lhe é apresentada. Para este tipo de curativo
pode ser utilizada gaze e até mesmo um copo plástico previamente perfurado no fundo.
Fixado o corpo estranho, a oclusão do olho contralateral deve ser feita por causa dos movimentos
conjugados dos olhos visando também neste caso evitar o agravamento das lesões já existentes.

Nariz

As cavidades nasais são locais de ocorrência muito comum de corpos estranhos em crianças. Aí
podem ser encontrados os mais diferentes objetos como pequenos brinquedos, grãos de cereais
ou qualquer objeto que caiba nesta cavidade.

Neste caso a grande preocupação é evitar que estes corpos desloquem-se para o interior e,
através da nasofaringe, venham a se alojar na via digestiva ou na aérea. O primeiro passo é ocluir
as vias nasais, para evitar sua utilização durante a respiração.

Depois, se a pessoa for um adulto, deve-se pedir a ela para assoar o nariz na tentativa de que o ar
consiga deslocar o objeto. Se for uma criança, deve-se tomar cuidado na utilização desta manobra,
pois ela pode não por o ar para fora e sim para dentro agravando mais a situação.

Retirado ou não o corpo estranho, a pessoa deve ser encaminhada para o hospital para uma
avaliação da extensão da lesão.

OBS.: Nunca introduzir pinças ou qualquer outro objeto na cavidade nasal devido ao riso de
empurrar o corpo estranho mais para o interior ou ferir a mucosa da mesma.

Ouvido

Os ouvidos, assim como os olhos, são locais muito sensíveis e, portanto passíveis de lesões
capazes de levar a perda do sentido dos quais são veículo. Desta forma, prevenir o agravamento
das lesões nesta área se faz muito importante.

Para realizar qualquer tipo de manobra de primeiros socorros, torna-se necessário, em primeiro
lugar, conseguir reconhecer com qual tipo de corpo estranho se está lidando. Esta classificação
começa diferenciando corpos estranhos fixos e móveis, sendo que os fixos resumem-se a todos os
objetos perfuro cortantes capazes de perfurar a região podem ser palitos de churrasco, facas e
outros. Os móveis podem ser insetos, pequenos brinquedos, cereais e sementes.
Nos casos de corpos fixos a remoção só deve ser feita a nível hospitalar, fazendo-se assim a sua
fixação com curativos oclusivos e não compressivos. Esta fixação tem a finalidade de evitar a
ampliação das lesões e o agravamento da situação.

Com corpos móveis a diferenciação dos seus tipos é imprescindível para que se adotem as
medidas corretas.

Se for um inseto, a conduta indicada é a colocação de 3 ou 4 gotas de óleo (de preferência


mineral) dentro do conduto auditivo. Este óleo imobilizará o inseto. Depois, deve-se retificar este
conduto através de uma tração para trás, para cima e para fora, fazendo os movimentos típicos de
quem tira água dos ouvidos (inclinando a cabeça para o lado afetado e pulando).

No caso de corpos estranhos inanimados a manobra indicada é lançar um pequeno jato de água
na direção da parede posterior do conduto auditivo causando um turbilhonamento que deve ser
capaz de fazer o corpo sair ou, ao menos, desloca-lo facilitando a sua remoção. Se este corpo
inanimado for uma semente intumescente ou um cereal, ao invés de água - que proporcionará um
aumento de volume do corpo - deve ser utilizado álcool, pois o mesmo fará a desidratação deste
tipo de objeto, facilitando sua retirada.
Conseguindo ou não retirar o corpo estranho faz-se importante encaminhar a vítima para o hospital
para, pelo menos, uma verificação da extensão das lesões causadas pelo mesmo.

OBS.: Nunca introduzir pinças ou qualquer outro objeto no conduto auditivo devido ao risco
de empurrar o corpo estranho para o interior ou agravar as lesões mesmo.