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“Vá para Cuba”

Luis Ángel Domingues Tamayo

31 anos

23 de janeiro

Formação em Cuba - por província - Holguin

Médico Clínico Geral - Médico Básico (em CUBA) - Formado em 2014 - 2


anos de
especialização em Medicina Geral Integral.

“A medicina é uma beleza. É uma das profissões mais lindas que tem no
mundo todo. Pois é humanitário e humilde. É a mais importante de todas,
pois está salvando, protegendo, evitando e ajudando as pessoas.”

Motivação para vir para Brasil:

“É simples: meus país, além de ser um país muito pequeno, é um país onde
existe muita moral. Cuba tem uma das melhores medicinas do mundo. Cuba
é um país muito cooperativo, ele gosta de ajudar os outros países do
mundo. Eu me formei de graça lá, minha saúde é de graça lá. Eu não posso
ser ingrato com meu país. A gratitude antes de tudo, assim decidi.”

Foi avisado apenas em Brasília que seria encaminhado para o Cedro -


Ceará, no nordeste do Brasil, interior.

Sobre Cedro:

“Cedro foi minha segunda casa. Eu felizmente conheci muitas pessoas.


Gostei de Cedro porque além de ser uma cidade pequena, a população de
Cedro é muita acolhedora, hospitaleira, fui muito bem recebido.”

Acesso da população à saúde em Cedro:

“Boa parte da população é agricultor, além de existir muitas pessoas


pobres, e estas não têm acesso a uma clínica particular. Gostei do sistema
de saúde aqui porque possibilita que muitas dessas pessoas tenham mais
facilidade de acesso à saúde. Existe também o fácil acesso ao transporte
público, disponibilizado pela prefeitura e pela secretaria para as pessoas da
zona rural, gerando então facilidade para que as pessoas do campo tenham
acesso também. Essa é a melhor parte para mim: como isso ajuda a
população pobre.”

Sobre os Mais Médicos:

“É a coisa mais bonita que pode surgir para o Brasil. Brasil é um país muito
grande, mas carente de médicos dedicados a sua profissão, dedicados ao
seu povo. Esse programa, então, deu uma ajuda muito grande,
principalmente para a população mais carente. Pois não é qualquer pessoa
que aceita ir, por exemplo, para o Amazonas. Nós somos um dos médicos
mais corajosos nesse sentido, só de fazer isso: se deslocar de Cuba para cá,
só para prestar serviços.”

Sobre o desconto por parte do governo em seu salário:

“Antes de vir para o Brasil, nós, médicos cubanos, fomos reunidos. Nenhum
de nós veio para cá enganado, todos nós sabíamos o dinheiro que o Brasil
iria pagar por cada um de nós. Nós assinamos o contrato sabendo todo o
dinheiro que ficaria lá em Cuba. Porém, veja: eu me formei de graça, minha
saúde é de graça, tudo para mim lá em Cuba é de graça. Por isso eu assinei o
contrato de olhos fechados, ninguém me obrigou a assinar o contrato, eu
assinei porque eu quis, com total segurança e convicção.”

Ficaria no Brasil se pudesse? Por quê?

“Se eu pudesse ficaria no Brasil colaborando com o país, pois eu sei da


necessidade existente aqui no país no que se refere a falta de médicos.
Inclusive, se eu fosse trabalhar aqui no Brasil, eu trabalharia sem sombra
de dúvidas no SUS.”

Atitude de Cuba com o rompimento:

“Eu achei bom, pois como eu já disse, Cuba é um país que tem moral. Cuba
não rompeu porque quis, rompeu porque não pode deixar se abater por
ninguém, não pode deixar que chegue qualquer um que fale e faça o que
quiser. Antes de você falar de lá, você tem que conhecer lá. Você tem que
ver a fundo como funciona Cuba, antes de falar mal.
Também não gostei, por exemplo, do que falaram de nós, quando nos
rebaixaram duvidando do nosso conhecimento e capacidade”

Mensagem para Cedro:

“Meu coração fica doído demais. Eu gosto do Brasil, gosto de Cedro. Eu fico
muito triste. A necessidade vai aumentar, mas espero de coração que seja
superada.”

Cedro-CE, 27/11/2018
Pedro Henrique Neves

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