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Fichamento: História da Civilização Ocidental Moderna

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6. O NOVO IMPERIALISMO

1 – O tipo de imperialismo alimentado pela Revolução Comercial entrou em vias de extinção,


muito por causa da decadência do mercantilismo, bem como pelo interesse no desenvolvimento
interno que acompanhou as primeiras fases da Revolução Industrial. Foi a partir de 1870 que essa
atividade se renovou com maior vigor e em escala mais ampla.

2 – Enquanto a luta pelo império durante a Revolução Comercial se limitava mormente ao


Hemisfério Ocidental e às ilhas tropicais, os teatros principais do imperialismo, a partir de 1870,
foram a África e a Ásia.

3 – O novo imperialismo agia em benefício dos cidadãos ricos da metrópole, proporcionando


saída às suas mercadorias e oportunidades de emprego para o seu capital excedente. Os novos
imperialistas buscavam avidamente territórios ricos em ferro, cobre, manganês, petróleo e trigo.
A aquisição de colônias para abrigar o excesso de população das novas metrópoles era
encorajado.

4 – Os maiores fatores do ressurgimento do imperialismo após 1870 são encontrados na Segunda


Revolução Industrial. A industrialização determinou extensa competição por mercados e por
novas fontes de matéria-prima; o governo da maioria dos países acabou cedendo à pressão dos
capitalistas que reclamavam tarifas protetoras, resultando num aumento da produção e
consequente procura por novas colônias como mercados de escoamento para os produtos que a
metrópole não podia consumir.

5 – Nada contribuiu tanto para estimular o imperialismo das potências europeias do que o receio
de perderem em breve os seus mercados costumeiros dos países vizinhos e da América – devido
as tarifas protetoras dos países europeus e crescente protecionismo norte-americano à entrada
de produtos estrangeiros.

6 – Nem todos os motivos foram econômicos. Durante aquele período, a população de algumas
nações industrializadas começou a crescer em demasia; daí desejarem os governos a posse de
novos territórios em que pudesse ser instalado o excesso de habitantes. Por fim, o novo
imperialismo foi também produto do nacionalismo e do desenvolvimento de um amplo programa
de atividades apostólicas por parte das igrejas da Europa e da América.
7 – O início da disputa pelo território africano surge com Leopoldo II, rei da Bélgica. Em 1876, ele
toma posse do rico território do rio Congo e conservou-o praticamente sob o seu domínio pessoal
até 1908, quando o vendeu ao governo belga. Pouco depois, a Inglaterra e a França começaram
a mostrar um interesse mais profundo que nunca pelo desmembramento da África.

8 – A Inglaterra estabeleceu um protetorado no Egito por volta 1882 e subsequentemente


apossou-se do Sudão, da região atualmente conhecida como Zimbábue (Rodésia), de Uganda e
da África Oriental inglesa1 a título de colônias.

OBS: Em 1902, ao cabo de 3 anos de guerra, os ingleses conquistaram as repúblicas dos boeres,
que em 1909 foram anexadas à Colônia do Cabo e a Natal para formar o domínio da África do Sul,
com governo próprio.

9 – Os planos da França em relação ao território africano já vinham de 1830, quando o país


estabeleceu o controle sobre alguns portos argelinos. Em 1857 os franceses conquistaram e
anexaram o resto da Argélia. Mas apenas em 1881 é que se inicia a formulação de um império
francês2 na África. Nesse ano ocuparam a Tunísia e a partir de então instalaram-se
progressivamente no Saara, no Congo Francês, na Guiné Francesa, no Senegal e no Daomé (atual
Benim).

10 – Em 1905 quase todos os melhores territórios da África encontravam-se monopolizados pelos


belgas, franceses e ingleses.

11 – A entrada da Alemanha e da Itália na competição pelas colônias africanas foi retardada pela
complexidade de seus problemas internos. Ambas haviam enfrentado longas campanhas de
unificação.

12 – Na Alemanha, Bismarck inicialmente não possuía muito interesse nas possessões africanas,
pois ambicionava consolidar seu império domestico e manter a posição de liderança que a
Alemanha conquistara nos negócios da Europa continental. No entanto acabou sendo convencido
pelos comerciantes, industriais e magnatas da navegação a entrar na corrida pelo império

1
A África Oriental Britânica situava-se na África Oriental, na área que hoje corresponde
aproximadamente ao Quênia, às margens do Oceano Índico, entre Uganda e o vale do Rift. Permaneceu
como protetorado até 1920, quando se tornou a colônia do Quênia.
2
A África Ocidental Francesa foi uma federação de oito territórios franceses na África: Mauritânia,
Senegal, Sudão Francês (atual Mali), Guiné, Costa do Marfim, Níger, Alto Volta (atual Burkina Faso) e
Daomé (atual Benim).
africano. Em 1884 proclamou o protetorado alemão sobre o Sudoeste Africano, apossando-se da
África Oriental Alemã3, e as regiões atuais do Togo, além de Camarões.

13 – A Itália estabeleceu-se na África a partir de 1888, inicialmente em parte da Somália, e dali


tentaram reduzir a um protetorado na região da Abissínia (atual Etiópia e Eritreia). Porém, as
forças italianas foram massacradas pelos abissínios no ano de 1896, fazendo a Itália recuar da
região até 1935. Suas únicas aquisições importantes nos períodos entre 1896 e 1914 foram Trípoli
e a Cirenaica, que conquistou dos turcos em 1912 e uniu sob a nova denominação de Líbia.

14 – As potências europeias também começavam a demarcar novas concessões no continente


asiático. Desde antes de 1870, algumas nações europeias haviam se empenhado em aventuras
de conquista territorial no Oriente.

1582 – Rússia havia atravessado os Urais e alcançado, em menos de um século,o Pacífico;

1763 – Os ingleses expulsam os franceses da posse da Índia, convertendo em 1858, em possessão


da coroa britânica;

Em consequência da guerra do Ópio (1842), a Inglaterra forçou os chineses a ceder Hong Kong, e
poucos anos depois os franceses estabeleceram um protetorado na Indochina.

1858 – A Rússia tomou posse de todo o território ao norte do rio Amur e fundou a cidade de
Vladivostok.4

15 – Só por volta de 1880 que as principais nações industrializadas começaram a pensar na divisão
de toda a Ásia em colônias e esferas de influência. A mais desejada era certamente o Império
Chinês.

16 – Pode-se dizer que a Inglaterra iniciou as atividades com a anexação da Birmânia, em 1885.
Entre 1894-1895, travou-se a primeira guerra sino-japonesa, que resultou na obtenção por parte
do Japão da ilha de Formosa e a Coreia. Em 1897, a Alemanha apossou-se da baía de Jiaozhou.

17 – Parecia estar a independência da China fadada a rápida extinção. Entre os dois séculos, o
imperialismo na China foi detido por três acontecimentos extraordinários.

3
A África Oriental Alemã incluía os territórios posteriormente conhecidos como Tanganica (a porção
continental do que é hoje a Tanzânia), Burundi e Ruanda.

4
O território sobre o qual se localiza a atual Vladivostok fez parte de diversas nações, como os balhaes,
os jurchens, o Império Mongol e a China, antes que a Rússia adquirisse toda a chamada Província
Marítima e a ilha de Sacalina, através do Tratado de Aigun (1858). A China, que havia acabado de ser
derrotada pelos britânicos na Guerra do Ópio, não foi capaz de manter a região.
18 – O primeiro e menos importante foi a proclamação da política de “porta aberta” pelos Estados
Unidos, em 1898, que infundiu nos chineses a esperança de um apoio estadunidense contra as
agressões imperialistas, embora essa política fosse mais uma expressão vazia aos olhos de outros
governos.

19 – O segundo acontecimento foi uma manifestação de violenta resistência por parte dos
próprios chineses. Em 1900, a Sociedade dos Punhos Unidos (Boxers) organizou um movimento
para expulsar do país os “diabos estrangeiros”. Embora o governo chinês lhe prestasse apoio, a
revolta foi dominada por uma força expedicionária composta de ingleses, russos, franceses,
japoneses, alemães e americanos.

20 – A terceira e mais importante causa do declínio temporário do imperialismo na China foi a


rivalidade entre os próprios imperialistas. A desconfiança tornou-se particularmente aguda entre
Inglaterra, Rússia, Alemanha e Japão. Uma aliança foi formada em 1902 entre ingleses e
japoneses para se protegerem contra os abusos dos russos e dos alemães em certas áreas que
esperavam desenvolver. Quando, em 1904, se tornou evidente que a Rússia pretendia anexar a
Manchúria, os japoneses declaram guerra. O conflito terminou no ano seguinte com a vitória do
Japão e entrega do Porto de Artur por parte da Rússia ao Japão, além do reconhecimento da
supremacia japonesa na Coreia.

21 – Em 1912 recomeçaram as mesmas atividades imperialistas quando a Inglaterra conclamou


o direito de soberania no Tibete. No ano seguinte a Rússia estabeleceu um protetorado sobre a
enorme província da Mongólia Exterior.

PAROU NA PAGINA 756.