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Impacto da Depressão

• Estimativas de prevalência na população em 12


meses é de 6,6% e na vida de 16,2%.
• Afeta 450 milhões de pessoas em todo o mundo.
• mulheres/ homens = 2:1 (diferença tem início na
adolescência).
• Início em qualquer idade, mas o período de
maior incidência é dos 25 aos 30 anos e de
prevalência dos 30 aos 44 anos.
• 0,4 a 2,5% das crianças e adolescentes.
Kessler et al., 2003
• Na última década os casos de depressão
aumentaram 20% segundo a OMS.
• Maior causa de incapacidade no mundo.
• Nos países desenvolvidos apenas 50% das
pessoas são diagnosticadas com depressão.
Nos pais em desenvolvimento esse número é
de 20%.
• 800 000 pessoas cometem suicídio por ano
em todo mundo.
• Segundo a Previdência Social os gastos do INSS
(Instituto Nacional do Seguro Social) giram em
torno de R$ 200 milhões em pagamentos de
benefícios anuais para pacientes com
transtornos mentais.
• Depressão e ansiedade custam 1 trilhão de
dólares à economia mundial .
Diagnóstico
Episódio depressivo maior
Positivo
Negativo

Episódio
depressivo
DSM - V
Diferentemente do DSM-IV, este capítulo
"Transtornos Depressivos" foi separado do capítulo
anterior "Transtornos Bipolares e Transtornos
Relacionados". A característica comum desses
transtornos é a presença de humor triste, vazio ou
irritável, acompanhado de alterações somáticas e
cognitivas que afetam significativamente a
capacidade de funcionamento do indivíduo. O que
difere entre eles são os aspectos de duração,
momento ou etiologia presumida.
Transtorno Depressivo Maior

• Critérios Diagnósticos
• A. Cinco (ou mais) dos seguintes sintomas
estiveram presentes durante o mesmo
período de duas semanas e representam uma
mudança em relação ao funcionamento
anterior; pelo menos um dos sintomas é:
(1) humor deprimido ou
(2) perda de interesse ou prazer.
Nota: Não incluir sintomas nitidamente devidos a outra condição médica.

1. Humor deprimido na maior parte do dia, quase todos os dias, conforme indicado por relato subjetivo
(p. ex., sente-se triste, vazio, sem esperança) ou por observação feita por outras pessoas (p. ex., parece
choroso). (Nota: Em crianças e adolescentes, pode ser humor irritável.)
2. Acentuada diminuição do interesse ou prazer em todas ou quase todas as atividades na maior parte
do dia, quase todos os dias (indicada por relato subjetivo ou observação feita por outras pessoas).
3. Perda ou ganho significativo de peso sem estar fazendo dieta (p. ex., uma alteração de mais de 5%
do peso corporal em um mês), ou redução ou aumento do apetite quase todos os dias. (Nota: Em
crianças, considerar o insucesso em obter o ganho de peso esperado.)
4. Insônia ou hipersonia quase todos os dias.
5. Agitação ou retardo psicomotor quase todos os dias (observáveis por outras pessoas, não
meramente sensações subjetivas de inquietação ou de estar mais lento).
6. Fadiga ou perda de energia quase todos os dias.
7. Sentimentos de inutilidade ou culpa excessiva ou inapropriada (que podem ser delirantes) quase
todos os dias (não meramente autorrecriminação ou culpa por estar doente).
8. Capacidade diminuída para pensar ou se concentrar, ou indecisão, quase todos os dias (por relato
subjetivo ou observação feita por outras pessoas).
9. Pensamentos recorrentes de morte (não somente medo de morrer), ideação suicida recorrente sem
um plano específico, uma tentativa de suicídio ou plano específico para cometer suicídio.
B. Os sintomas causam sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento social,
profissional ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo.
C. O episódio não é atribuível aos efeitos fisiológicos de uma substância ou a outra condição médica.
Nota: Os Critérios A-C representam um episódio depressivo maior.
Nota: Respostas a uma perda significativa (p. ex., luto, ruína financeira, perdas por um desastre natural,
uma doença médica grave ou incapacidade) podem incluir os sentimentos de tristeza intensos,
ruminação acerca da perda, insônia, falta de apetite e perda de peso observados no Critério A, que
podem se assemelhar a um episódio depressivo. Embora tais sintomas possam ser entendidos ou
considerados apropriados à perda, a presença de um episódio depressivo maior, além da resposta
normal a uma perda significativa, também deve ser cuidadosamente considerada. Essa decisão requer
inevitavelmente o exercício do julgamento clínico baseado na história do indivíduo e nas normas
culturais para a expressão de sofrimento no contexto de uma perda.*
D. A ocorrência do episódio depressivo maior não é mais bem explicada por transtorno esquizoafetivo,
esquizofrenia, transtorno esquizofreniforme, transtorno delirante, outro transtorno do espectro da
esquizofrenia e outro transtorno psicótico especificado ou transtorno da esquizofrenia e outro
transtorno psicótico não especificado.
E. Nunca houve um episódio maníaco ou um episódio hipomaníaco.
Nota: Essa exclusão não se aplica se todos os episódios do tipo maníaco ou do tipo hipomaníaco são
induzidos por substância ou são atribuíveis aos efeitos psicológicos de outra condição médica.
Procedimentos para Codificação e Registro
Depressão maior

Episódio depressivo único


Depressão maior

Episódios recorrentes
Depressão maior

Depressão dupla
Procedimentos para Codificação e
Registro
Especificar se:
Em remissão parcial: Presença de sintomas do episódio depressivo maior imediatamente anterior, mas
não são satisfeitos todos os critérios ou existe um período de menos de dois meses sem sintomas
significativos de um episódio depressivo maior após o término desse episódio.
Em remissão completa: Durante os últimos dois meses, nenhum sinal ou sintoma significativo da
perturbação esteve presente.
Especificar a gravidade atual:
A gravidade está baseada no número de sintomas dos critérios, em sua gravidade e no grau de in-
capacitação funcional.
Leve: Caso ocorram, são poucos os sintomas presentes além daqueles necessários para fazer o
diagnóstico, a intensidade dos sintomas causa sofrimento, mas é manejável, e os sintomas resultam em
pouco prejuízo no funcionamento social ou profissional.
Moderada: O número de sintomas, sua intensidade e/ou o prejuízo funcional estão entre aqueles
especificados para “leve” e “grave”.
Grave: O número de sintomas está substancialmente além do requerido para fazer o diagnóstico, sua
intensidade causa grave sofrimento e não é manejável, e os sintomas interferem acentuadamente no
funcionamento social e profissional.
Diagnóstico Diferencial
Episódios maníacos com humor irritável ou episódios mistos. Episódios depressivos
maiores com humor irritável proeminente podem ser difíceis de distinguir de
episódios maníacos com humor irritável ou de episódios mistos. Essa distinção requer
uma criteriosa avaliação clínica da presença de sintomas maníacos.
Transtorno do humor devido a outra condição médica. Episódio depressivo maior é o
diagnóstico apropriado se a perturbação do humor não for considerada, com base na
história individual, no exame físico e em achados laboratoriais, conseqüência
fisiopatológica direta de uma condição médica específica (p. ex., esclerose múltipla,
AVC, hipotireoidismo).
Transtorno depressivo ou bipolar induzido por substância/medicamento. Este
transtorno e distinguido do transtorno depressivo maior pelo fato de que uma
substância (p. ex., uma droga de abuso, um medicamento, uma toxina) parece estar
etiologicamente relacionada à perturbação do humor. Por exemplo, o humor
depressivo que ocorre apenas no contexto da abstinência de cocaína seria
diagnosticado como transtorno depressivo induzido por cocaína.
Diagnóstico Diferencial
Transtorno de déficit de atenção/hiperatividade. A distratibilidade e a baixa
tolerância à frustração podem ocorrer tanto em um transtorno de déficit de
atenção/hiperatividade quanto em um episódio depressivo maior; caso sejam
satisfeitos os critérios para ambos, o TDAH pode ser diagnosticado em conjunto com
transtorno de humor. Entretanto, o clínico deve ter cautela para não superdiagnosticar
um episódio depressivo maior nas crianças com transtorno de déficit de
atenção/hiperatividade cuja perturbação no humor se caracteriza mais por
irritabilidade do que por tristeza ou perda de interesse.
Transtorno de adaptação com humor deprimido. Um episódio depressivo maior que
ocorre em resposta a um estressor psicossocial é diferenciado do transtorno de
adaptação com humor deprimido pelo fato de que no transtorno de adaptação não
são satisfeitos todos os critérios para um episódio depressivo maior.
Tristeza. Por fim, períodos de tristeza são aspectos inerentes à experiência humana.
Esses períodos não devem ser diagnosticados como um episódio depressivo maior, a
menos que sejam satisfeitos os critérios de gravidade (i.e., cinco dos nove sintomas),
duração (i.e., na maior parte do dia, quase todos os dias, por pelo menos duas
semanas) e sofrimento ou prejuízo clinicamente significativos. O diagnóstico de outro
transtorno depressivo especificado pode aplicar-se a apresentações de humor
deprimido com prejuízo clinicamente significativo que não satisfazem os critérios de
duração ou gravidade.
Depressão melancólica:

- Perda intensa de prazer;


- Vivencia distinta do estado do humor;
- Falta de reatividade a estímulos positivos;
- Insônia terminal;
- Culpa excessiva;
- Anorexia;
- Lentificação psicomotora;
- Sintomas piores pela manhã;
Depressão atípica:

- Hipersensibilidade a rejeição
interpessoal;
- Hipersonia;
- Hiperfagia;
- Sensação de chumbo em membros;
- Agitação;
Depressão pós-parto:

• Quadro depressivo de início após o


parto;
• ≠ do blues pós-parto:
− Mais intenso;
− Prejuízo da relação mãe - filho;
Depressão catatônica:

- Lentificação psicomotora extrema;


- Estupor;
- Negativismo ativo / passivo;
- Rigidez cérea;
- Comportamento motor aberrante;
Historia Natural
Doença crônica de caráter episódico
- Quadros recorrentes;
- Pode ter “remissão espontânea”
- Risco de sintomas residuais;
- Déficits cognitivos;
- Prejuízo funcional mesmo em pacientes
em remissão;
Prognóstico
• Grande nº de “dias de vida perdidos”
• Pior qualidade de vida;
• Menor renda;
• Mortalidade precoce;
• Risco aumentado de síndromes
demenciais;
Transtorno Depressivo Maior
• Duração média: 6 a 9 meses (episódio não-
complicado);
• Pode ter remissão espontânea;
• Alto risco de recorrência se não tratado:
- 1º episódio: ~ 20% risco de recorrência
- 2º episódio: ~ 50% risco de recorrência
- 3 ou mais episódios: ~ 80% risco de recorrência;
Transtorno Depressivo Maior
“Riscos” dos episódios recorrentes
- Cronicidade;
- Refratariedade;
- “Acúmulo” de prejuízo funcional;
- Risco aumentado de morbimortalidade
- Déficits cognitivos;
Transtorno Depressivo Maior
Persistência de sintomas residuais
- Prejuízos funcionais;
- ⇑ risco de recaída e recorrência de
episódio depressivo;
- Maior risco de déficits cognitivos;
- Risco de “depressão dupla”;
- Maior morbi-mortalidade;
Transtorno Depressivo Maior

Se não tratada adequadamente


• Maior risco de cronicidade;
• Maior risco de refratariedade;
• Maior risco de recorrência;
− Redução do intervalo entre
episódios;
Exames complementares
Importância:
• Elevada prevalência de comorbidades clínicas;
• Exclusão de causas secundárias;
Sinais de alerta para organicidade:
• Apresentação atípica;
• Evolução atípica;
• Resposta insatisfatória aos tratamentos;
• Efeitos colaterais paradoxais;
Exames Complementares
• Exames laboratoriais:
- Hemograma;
- Glicemia;
- Colesterol total e frações;
- F. renal;
- F. hepática;
- Neuroinfecção (HIV, Sífilis);
- Vitamina B12 e Vitamina D
- Cortisol
• ECG;
• Outros exames de acordo com indicação clínica;
Etiologia

Multifatorial:
Dependente da interação entre fatores

Psicológicos Sociais

Biológicos / Genéticos
Etiologia
Modelo Estresse - Diátese

“Na presença de fatores de vulnerabilidade


(“diátese”) a presença de fatores estressores
(biológicos, psicológicos e sociais) podem
desencadear processos que vão determinar o
surgimento de quadros depressivos”
Neurobiologia da Depressão
Genética
• “Famílias depressivas”;
• ∄ de um gene causador:
- Doença poligênica;
- Interação gene - ambiente;
• Polimorfismos mais associados:
- Transportador de 5-HT;
- Rc de 5-HT;
- BDNF (Brain-derived neurotrophic factor) ;
- Rc de corticoesteroides
Hipótese monoaminérgica

Neurotransmissores
Monoaminérgicos,
particularmente
noradrenalina (NA) e
serotonina (5-HT)
(Shildkraut, 1965, Coopen 1967).

• “Hipoatividade elétrica no córtex pré-frontal dorso lateral dominante (normalmente do lado


esquerdo) “
Hipótese monoaminérgica
Serotonina
- Humor Deprimido; Noradrenalina Dopamina
- Ansiedade; - Sintomas físicos - Anergia
- Ataques de pânico; - Apatia;
- Atenção diminuída;
- Fobias;
- Alt. Hábitos Alimentares; - Redução da capacidade - Redução do interesse;
- Impulsividade; de concentração;
- Redução da motivação;
- Tristeza ; - Lentificação
- choro facil; psicomotora; - Compulsão alimentar;
- Dificuldade de tomar
decisão - Fadigabilidade; - Alteração da libido;
- Pensamentos negativos e
ruminativos - Dores;

- Alteração de memória;
Difunção do Eixo Hipotalâmico-Pituitário-
Adrenal (HPA)
Disfunção do Eixo HPA
• Associação entre hipercortisolemia e
depressão:
- Doença de Cushing;
- Uso de corticóide;
• Em pacientes deprimidos:
- Não supressão do eixo HPA( hipotalâmico-
pituitário-adrenal);
- Hipercortisolemia matutina;
Disfunção do Eixo HPA
↑ cortisol:
- Redução do volume hipocampal;
- Redução da plasticidade neuronal;
- Redução de neurogênese;
- Déficits cognitivos;

➡Alterações presentes em pacientes


deprimidos;
Disfunção do Eixo HPA
• Tratamento antidepressivo normaliza a
função do eixo HPA;

• Persistência de disfunção do eixo HPA é


um importante preditor de recorrência /
recaída de sintomas depressivos;
Escala de Hamilton para avaliação da
depressão
Tratamento da depressão
• Psicoeducação

• Psicoterapia (individual, grupo, familiar, etc)

• Reabilitação e promotores de autonomia

• Tratamentos biológicos
Psicoterapia
• Deve ser sempre considerada em todos pctes;
- Farmaco + Psicoterapia = resultados
superiores;
• Pode ser 1ª escolha:
- Quadros leves;
- Contra-indicação a medicação;
- Preferência do pcte;
• Útil em todas as fases do tto;
Tratamento da depressão
• Psicoeducação

• Psicoterapia (individual, grupo, familiar, etc)

• Reabilitação e promotores de autonomia

• Tratamentos biológicos
Tratamentos biológicos
• Farmacológicos: Alopáticos, homeopáticos,
fitoterápicos, vitaminas, florais, minerais, placebo
e etc.

• ECT: eletroconvulsoterapia

• EMT: Estimulação Magnética Transcraniana

• Psicocirurgias: abertas, gama-knife e etc.


Prescrição
• Todos os antidepressivos são prescritos em
receita com retenção na farmácia (controle
especial).
Hipótese monoaminérgica
Serotonina
- Humor Deprimido; Noradrenalina Dopamina
- Ansiedade; - Sintomas físicos - Anergia
- Ataques de pânico; - Apatia;
- Atenção diminuída;
- Fobias;
- Alt. Hábitos Alimentares; - Redução da capacidade - Redução do interesse;
- Impulsividade; de concentração;
- Redução da motivação;
- Tristeza ; - Lentificação
- choro facil; psicomotora; - Compulsão alimentar;
- Dificuldade de tomar
decisão - Fadigabilidade; - Alteração da libido;
- Pensamentos negativos e
ruminativos - Dores;

- Alteração de memória;
Fases do Tratamento
• Aguda: 1 a 3 meses
- Resposta antidepressiva ⇒ remissão;
• Continuação: 6 a 9 meses;
- Tratamento de sintomas residuais;
- Prevenção de recaída sintomática;
- Instituição de medidas de longo-prazo;
• Manutenção: > 1 ano;
- Prevenção de recaída e recorrência;
- Instituição de medidas de longo-prazo;
Depressão - recorrência

Primeiro
episódio1,2 >50%

Segundo
episódio2
≈70%

Terceiro
episódio2,3 80%-90%

0 20 40 60 80 100
Risco de recorrência (%) após recuperação*

*Pacientes seguidos de 3 a 15 anos após a recuperação de episódios prévios.


1. Judd LL, et al. Am J Psychiatry. 2000;157:1501-1504.
2. Mueller TI, et al. Am J Psychiatry. 1999;156:1000-1006.
3. Frank E, et al. Arch Gen Psychiatry. 1990;47:1093-1099.
Objetivo do tratamento

• Remissão completa do quadro;


• Prevenção de recaídas e recorrências;
• Recuperação funcional completa;
- Psicodinâmico;
- Social;
- Laboral;
Leandro Nogueira de Souza
Contatos
99945 6700
leandro@lenog.com.br
www.lenog.com.br
Caso clínico 1
• Dados de Identificação:
M.C.P.G, feminino, 22 anos, branca, solteira, dextra, natural de Vila Velha (Espírito Santo),
residente de Foz do Iguaçu-PR, estudante de Engenharia Química, religião luterana.
• Queixa Principal: Desânimo com a vida e com os estudos.
• História da Doença Atual:
Paciente relata que começou a “perder a vontade” (SIC) de realizar atividades corriqueiras,
bem como acadêmicas no início de 2016 com o início do semestre acadêmico. M.C.P.G. possuía
crises de desânimo e anedonia frequentes, durantes as quais não podia realizar atividades
domésticas simples como varrer a casa, bem como não sentia vontade e tão pouco prazer ao
estudar – atividade anteriormente muito prazerosa segundo relata. Em função destas crises
afetarem seus estudos, M.C.P.G. começou a fazer uso de Cloridrato de Metilfenidato por conta
própria - conseguiu o medicamento com um amigo (SIC) -, de forma a “ignorar” suas crises e se
forçar a continuar estudando.
Apesar de o Metilfenidato fazer com que a paciente estudasse, apesar das crises de
anedonia e desânimo, as crises ficavam piores com o uso da droga. Durante a faixa terapêutica
desta droga, M.C.P.G. sentia-se muito estressada e, após isto, a paciente sentia-se incapaz de
fazer qualquer coisa, novamente, além de profundo sentimento de tristeza. M.C.P.G. conseguiu
com dificuldades terminar o semestre letivo. Durante o término daquele semestre, a paciente
começou a ter ideações suicidadas. A paciente pensou em suicidar-se tomando toda a cartela de
Metilfenidato. Não consumou o fato, porém os pensamentos suicidadas eram recorrentes.
Sobre o período de férias relatou que foram tranquilas apesar de
algumas crises de tristeza, e pode descansar dos assuntos acadêmicos (sua
família não tem ciência sobre o uso do metilfenidato).
No início do semestre acadêmico (2016.2), diferente do que de
costume, a paciente já se sentia exausta, “sem forças” (SIC) para estudar, com
grande tristeza e sem vontade de viver. Para a paciente, apenas a morte traria
alívio ao sofrimento. No início do mês de agosto, as amigas de M.C.P.G levaram
ela à psicóloga da Universidade (cuja psicoterapia não aderiu, foi em apenas uma
consulta) e para um psiquiatra amiga delas. Na primeira consulta já foi receitado o
Cloridrato de Excitalopram (10mg) e Remilev, tendo melhora dos sintomas em
cerca de 3 semanas após o início do tratamento medicamentoso. No entanto, 1
mês e meio após o início da farmacopsicoterapia, a paciente voltou a ter crises
recorrentes de anedonia e tristeza profunda. Algumas semanas depois a ideação
suicida voltou a acontecer. Como a paciente já estava se sentido inapta aos
estudos novamente e com pensamentos distorcidos em relação à vida, ela
resolveu aumentar por conta própria a dosagem do Escitalopram de 10mg para
15mg.
Uma semana depois conseguu conversar com sua psiquiatra que então
elevou a dose do Escitalopram para 20mg. Desde então, as crises de tristeza e
anedonia ocorrem com menos frequência sendo cerca de 2 a 3 vezes por mês –
anteriormente eram quase diárias – e as ideações suicidas pararam de ocorrer. A
psiquiatra da paciente encaminhou M.C.P.G. à psicoterapia. Ainda aguarda o início
do psicoterapia junto ao tratamento farmacológico.
• História Médica Pregressa: Paciente portador de Ambliopia esquerda, hipermetropia e
estigmatismo, ambos bioculares. Fez uso de Metilfenidato há 9 anos para tratar Transtorno
de Défcit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) com neurologista. Relata frequentes crises de
cefaleia – cerca de 2 por semana. Consultou-se com neurologista há 7 anos para investigar
sobre as cefaleias. Tomografias da época foram normais. Em julho de 2015 consultou-se com
cardiologista para estudar sobre palpitação. O Ecg acusou repolarização ventricular precoce
demais exames foram pedidos, aguarda resultado.

• Hábitos de Vida: Etilismo social – algumas cervejas em festas uma vez por mês - , nega
tabagismo ou uso de drogas ilícitas. Faz academia de musculação 2-3 vezes por semana. Boa
qualidade do sono antes das crises. Atualmente têm acordado no meio da noite e não
conseguido dormir mais. Relata que a alimentação é relativamente saudável, sem muitas
frituras e sem refrigerante. No entanto considera-se viciada em chocolate tendo um consumo
de cerca de uma barra e meia por semana. Faz uso de Ginseng comprimido a cada dois dias e
omega 3 (2 vezes por dia).
• História Familiar: Avó paterna faz tratamento de depressão com fluxetina
há vários anos, além de ser portadora de hipertensão e diabetes melitus
tipo 2. Avô materno trata estresse e crises de raiva com Rivotril, além de
possuir hipertensão, hipertrigliceridemia e diminuição da função renal.
Avó materna morreu com cerca de 40 anos com Ca de mama. Avô
materno morreu de coma cetoacidótico por DM2. Pai, obeso mórbido, faz
tratamento para hipertensão, DM2, hipercolesterolemia e
hipertrigliceridemia, ia fazer tratamento para ansiedade com fluxetina,
mas recusou-se a tomar o remédio e possuiu artrose nos joelhos –
diagnosticado como uma doença laboral e não pela obesidade devida a
localização da lesão. Pai é representante comercial e dirige várias horas
por dia durante vários anos -, segundo a paciente, as vezes o pai possui
crises de fúria. Sobre a mãe, a paciente não possuiu nada a relatar,
somente que as vezes ela está muito estressada. Sobre o irmão, crê que
ele também sofre de depressão pois as vezes percebe que o irmão está
muito desanimado. Nada a declarar sobre os tios paternos. Um tio
materno faleceu de parada cardiorrespiratória, sofria de asma, bronquite
e enfisema pulmonar etambém era portador de esquizofrenia.
Exame Psicopatológico

• Atitude geral: Aparenta irritado e exausto, com sinais de desregulação de


sono;
• Atitude expressa em palavras: Fala rápido e apenas quando solicitada, sem
afasias ou disartrias;
• Pensamento: Lentificado, porém com conteúdos coerentes;
• Consciência: Preservada;
• Orientação: Capaz de responder bem questões simples;
• Memória: Relata dificuldades de memorização desde o início das crises.
Ao exame, apresentou média dificuldade.
• Sensopercepção: Paciente não relata alterações;
• Inteligência: Dificuldade de compreensão e elaboração de ideias em
função memória muito afetada.
• Afetividade e Humor: Afetividade diminuída e humor depressivo;
• Vontade e Psicomotricidade: Capacidade de expressar seus desejos
diminuída e atividade psicomotora diminuida;
• Noção do Estado Mórbido: Presente;
• Planos para o Futuro: Voltar a estudar.
Qual o diagnostico ?
CID 10 – F33.2 Transtorno depressivo
recorrente, episódio atual grave sem sintomas
psicóticos
Caso Clínico 2
• Identificação: JTM, 35 anos, caucasiano, solteiro, controlador de
vôo, natural e procedente de São Paulo.

• QP: “Estou muito deprimido”

• HDA: Paciente refere que há seis meses iniciou quadro de humor


deprimido e preocupação excessiva, na maior parte do tempo,
durante todos os dias, de modo que vem prejudicando suas
atividades diárias, principalmente no trabalho, onde necessita estar
sempre em estado de alerta constante. Relata que acorda, vai
trabalhar, volta para casa, assiste televisão e vai dormir, pois perdeu
o interesse no que considerava prazeiroso fazer, tendendo a se
isolar-se socialmente. Apresenta também insônia terminal, fadiga,
aumento de apetite (aumento do peso 10 kg em dois meses), ideia
de desvalia. Nega ideação suicida.
• HMP: Tabagista, fuma 1 carteira e meia por dia há 10 anos. Nega cirurgias prévia e
outras comorbidades.

• HMF: Mãe com TDM e HAS; Pai faleceu com 52 anos por câncer de pulmão.

• ISDAS: Nega outros sintomas


• Exame Físico:
• BEG, LOC, MUC, AAA.
• Peso: 75 kg Estatura: 1,70 m. IMC: 25 kg/m2.
• FC: 78 bpm. FR: 16 irpm. PA: 120 x 80 mmHg.
• AC: RCR, 2T, BNF, ausência de sopros e estalidos
• AP: MV+ bilateralmente, S/RA
• Abdome: flácido, indolor a palpação, ausência de visceromegalias
• MMII: sem edema, pulsos amplos e simétricos

Qual o diagnostico ????


Caso Clínico 3
J, sexo feminino, 35 anos, casada, sem filhos.
Há cerca de 2 meses sentindo-se angustiada, mais
desmotivada no trabalho após ser preterida em
uma promoção. Não está dormindo bem e algumas
noites acorda com o sentimento de que não vai ter
dinheiro para suas obrigações financeiras. Sente-se
muito cansada e não quer mais ir ao happy-hour
habitual da empresa.
Porem nega sentir-se triste e acha que a sua
situação na empresa vai melhorar. Sem alterações
do apetite.