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NASCIMENTO, Adão Carlos. A Bíblia é nossa testemunha.

São Paulo:
Editora Cultura Cristã, 1998.

PECADO E CASTIGO

Se analisarmos algumas palavras gregas usadas pelos escritores do


Novo Testamento para designar o pecado, fica mais fácil compreender a
sua extensão e abrangência. Veja algumas destas palavras: hamartia
(Rm 5.12; Tg 2.9; IJo 1.7) significa errar o alvo, paraptoma (Rm 5.15-
18; 2Co 5.19; Ef 2.1) significa escorregar ou cair, desviar da verdade e
da justiça; adikia (Rm 9.14; ICo 13.6; 1Jo 5.17) significa injustiça;
parabasis (Rm 2.23; G1 3.19; Hb 2.2) significa transgressão, ato de
passar além da linha; anomia (1Jo 3.4) significa desobediência e
desrespeito à lei (NASCIMENTO, 1998, p. 42).

Podemos afirmar, portanto, que o pecado consiste em errar o alvo da


vida, não ser o que devia ou poderia ser, desviar-se da verdade e da
justiça, praticar a injustiça, ultrapassar a linha que limita os nossos
direitos e liberdade, desobedecer e desrespeitar as leis. Mas, como o
pecado sempre tem relação com Deus e sua vontade, podemos dizer que
pecar é ser, pensar, falar, desejar ou fazer o que desagrada a Deus
(NASCIMENTO, 1998, p. 42).

O homem trata o pecado levianamente, mas Deus o trata de modo


severo. O pecado é uma violação da justiça de Deus e um insulto à sua
santidade. Por isso Deus o castiga nesta vida e na futura. “O pecado é a
desgraça do homem. Todo o seu sofrimento e miséria são devidos ao
pecado. O pecado é a causa básica das dores, perdas, angústias de
coração e frustrações.”1 (NASCIMENTO, 1998, p. 42).

Cada pecado recebe ajusta punição. Podemos ver na Bíblia Sagrada


castigos naturais e disciplinares. Mas nenhum pecado fica impune. Os
castigos naturais consistem em consequências diretas das faltas
cometidas. “Aquilo que o homem semear, isso também ceifará’' (G16.7).
Cada homem colhe os frutos do seu pecado. O preguiçoso passa
privações. O mentiroso cai em total descrédito e, muitas vezes, paga
caro por suas mentiras. A lei de causa e efeito aplica-se também aos
pecados cometidos por nós. Mesmo que a pessoa tenha sido agraciada
com o arrependimento e o perdão divino, ainda assim sofrerá as
consequências naturais de seu pecado. Mas há, também, os castigos
disciplinares, que são impostos diretamente por Deus. Quando tais
castigos são aplicados aos crentes, o objetivo é discipliná-los para que
eles abandonem o pecado e se voltem para o Senhor. Podemos citar
como exemplo o caso de Himeneu e Alexandre, os quais, “tendo
rejeitado a boa consciência, vieram a naufragar na fé ”, pelo que o
apóstolo Paulo os entregou “a Satanás, para serem castigados, a fim de
não mais blasfemarem” (lTm 1.19,20). Quando os castigos disciplinares

1 Manford George Gutzke, Palavras Chaves da Fé Cristã, p. 57


são aplicados aos ímpios, o objetivo é refrear o mal. O castigo na vida
futura consiste no sofrimento eterno no inferno. Jesus pintou esse lugar
de tormento com cores vivas, quando falou sobre ele ao povo. O Mestre
não deu muitos detalhes, mas deixou claro que o inferno é um lugar de
terríveis sofrimentos. Jesus o chamou de inferno de fogo (Mt 5.22;
18.9), fogo eterno (Mt 18.8,25.41), castigo eterno (Mt 25.46) e fogo
inextinguível, que nunca se apaga (Mc 9.43,44) (NASCIMENTO, 1998,
p. 43).

A entrada do pecado no mundo afetou o homem todo e o impossibilitou


de funcionar propriamente na sua tríplice capacidade de profeta,
sacerdote e rei (NASCIMENTO, 1998, p. 91). Louis Berkhof, Manual de
Doutrina Cristã, p. 183