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ARISTÓTELES. Poética. In: Aristóteles: vida e obra. São Paulo: Nova Cultural, 1999, p.

37-75 (Coleção Os
Pensadores).

Fichamento

I
 Aristóteles se propõe a falar sobre a poesia: natureza, espécies, características, modo das fábulas,
divisões...

 Existem várias formas de imitação: epopéia, o poema de cunho trágico, o ditirambo, a arte de quem toca
flauta e cítara. Diferem umas das outras em três aspectos: imitam por modos diferentes, ou por objetos
diferentes, ou por meios diferentes.

 Todas realizam a imitação pelo ritmo, pela linguagem e pela melodia, de modo separado ou combinado.
A arte composta de palavras, metrificadas ou sem ritmo, não tinha nome.

 Segundo o metro que usam, os poetas denominam-se elegíacos e épicos. À época, quem fizesse
imitação combinando versos, poderia ser chamado de poeta.

 Quanto aos meios de imitação, as artes diferem no uso de parte ou de todos os meios – ritmo, canto e
metro.

II
 Quanto ao objeto, os imitadores imitam pessoas em ação: homens melhores, piores ou iguais a nós.

 A tragédia procura imitar os homens superiores; a comédia, inferiores ao que realmente são.

III
 Terceira diferença: a maneira como as artes representam a imitação. Um poeta pode, pelos mesmos
meios, imitar os mesmos objetos, seja narrando-os – quer assumindo a personalidade de outro
personagem, como fez Homero, quer na primeira pessoa, sem mudá-la –, seja permitindo que as
personagens ajam elas mesmas.

 Essas que imitam pessoas em ação, agindo e executando coisas, por isso mesmo, recebem o nome de
drama, como querem alguns.

IV
Origem da poesia
 Duas causas naturais parecem dar origem à poesia: ao homem é natural imitar desde criança; todos
sentem prazer em imitar.
 A poesia assumiu formas diversas: alguns imitam as ações nobres e as das mais nobres personagens;
outros fazem imitações desprezíveis, compondo vitupérios enquanto aqueles compõem hinos e
encômios.

V
Comédia; tragédia; epopéia
 A comédia, como dissemos, é imitação de gentes inferiores; mas não em relação a todo tipo de vício e
sim quanto à parte em que o cômico é grotesco é um defeito, embora ingênuo e sem dor; isso o prova a
máscara cômica horrenda e desconforme, mas sem expressão de dor. A comédia, no princípio, não era
estimada.

 A poesia épica e a tragédia somente concordaram por ser, ambas, imitação em versos de homens
superiores; a diferença está em que a epopéia tem metro uniforme e forma narrativa. Também na
extensão existe diferença; a tragédia, tanto possível, procura caber dentro de uma revolução do sol ou
ultrapassá-la um pouco; na epopéia, a duração não tem limitações, e nisso ambas diferem. No entanto
no começo, o tempo de tragédia era ilimitado, como sucedia também nas epopéias.

VI
Tragédia: definição, linguagem adornada, finalidade, aspecto cênico, canto, falas, fábulas,
caracteres, idéias, espetáculo

 A tragédia é a representação de uma ação elevada, de alguma extensão e completa, em linguagem


adornada, distribuídos os adornos por todas as partes, com atores atuando e não narrando; e que,
despertando a piedade e temor, tem por resultado a catarse dessas emoções.

 Linguagem adornada é a que tem ritmo, harmonia e canto; e o distribuir-se os adornos por todas as
partes significa que algumas são dotadas apenas de verso, enquanto outras servem-se também do
canto.

 A imitação, sendo feita por atores, torna necessariamente o aspecto cênico parte primeira da tragédia;
em seguida, vêm o canto e as falas, porque esses elementos com que os personagens efetuam a
imitação. Por falas entendo o conjunto dos versos; por canto, aquilo cujo sentido é claro a todos.

 Como a tragédia é a imitação de uma ação, realizada pela atuação dos personagens, os quais se
diferenciam pelo caráter e pelas idéias (porque qualificamos as ações com base nas diferenças de
caráter e idéias), segue-se que são duas as causas naturais das ações: idéias e caráter. E dessas ações
se origina a boa ou má fortuna das pessoas. A fábula é imitação da ação. Chamo fábula a reunião das
ações; por caráter entendo aquilo que nos leva a dizer que as personagens possuem tais personagens
dizem para manifestar seu pensamento.

 São seis os elementos que constituem, necessariamente, a qualidade da tragédia, a saber: fábula,
caracteres, falas, idéias, espetáculo e canto.
 Quanto aos meios da imitação, são dois; o modo como se imita é apenas um; os objetos imitados são
tr6es, e além dessas partes não há outra. De todos esses elementos, podemos dizer, muitos poetas se
valeram, pois toda tragédia envolve espetáculo, caracteres, fábulas, falas, canto e idéias.

 O mais importante é a maneira como se dispõem as ações, uma vez que a tragédia não é imitação de
pessoas e sim de ações, da vida, da felicidade, da desventura; mas felicidade e desventura estão
presentes na ação, e a finalidade da vida é uma ação, não uma qualidade. Os homens possuem
diferentes qualidades, de acordo com o caráter, mas são felizes ou infelizes de acordo com as ações que
praticam. Assim, segue-se que as personagens, na tragédia, não agem para imitar os caracteres, mas
para adquirem os caracteres para realizar as ações. As ações a narrativa constituem a finalidade da
tragédia e, tudo, a finalidade é o que mais importa.

 Os principais meios pelos quais a tragédia fascina as platéias fazem parte da fábula, ou seja, as
peripécias e os reconhecimentos. Também se mostra a superioridade do enredo no fato de que se
conseguem melhores efeitos na fala e nos caracteres, mais do que na ordenação das ações.

 A fábula é, pois, o princípio e, por assim dizer, a alma da tragédia; em segundo lugar vêm os caracteres.
A tragédia é, portanto, a imitação de uma ação, e acima de tudo, em vista dela, a imitação de pessoas
agindo.

 Em terceiro lugar, na poesia trágica, vêm as idéias, que nada mais são do que a capacidade de dizer,
sobre determinado assunto, aquilo que lhe é inerente e conveniente. Orientam as idéias, na eloqüência,
a política e a oratória.

 Caráter é aquilo que revela determinada deliberação; ou, em situações dúbias, a escolha que se faz ou
que se evita. Por esse motivo, falta caráter às falas da personagem quando esta não revela a finalidade
que se quer obter ou recusar.

 Idéias são aquilo em que se demonstra que alguma coisa é ou não é, ou que expressa algo genérico.

 O quarto elemento literário é a fala: expressão das idéias por meio de palavras, o que pode ser feito em
versos ou em prosa.

 O canto é o principal dos adornos.

 A parte cênica, embora emocionante, é a menos artística e a menos afeita à poesia. O efeito da tragédia
se manifesta mesmo sem representação e sem atores; ademais, para a encenação de um espetáculo
agradável, contribui mais o cenógrafo do que o poeta.

VII
A organização do enredo
O arranjo dos atos, na tragédia, é o elemento mais importante.

 Os enredos bem constituídos, não devem começar nem terminar num ponto qualquer, ao acaso, mas
servi-se dos princípios referidos.

 O belo, seja num vivente, seja em qualquer coisa composta de partes, precisa ter ordenadas essas
partes, as quais igualmente devem ter certa magnitude, não uma qualquer. A beleza reside na
magnitude e na ordem.

 As fábulas precisam ter uma extensão que a memória possa aprender por inteiro.

IX. Diferenças entre o poeta e o historiador, fábulas episódicas medíocres, pois inverossímeis.

O Poeta conta, em sua obra, não o que aconteceu e sim as coisas quais poderiam vir acontecer,
e que sejam possíveis tanto da perspectiva da verossimilhança como da necessidade. O historiador e o
poeta não se distinguem por escrever em versos ou prosa; caso as obras de Heródoto fossem postas em
metros, não deixaria de ser história; a diferença é que um relata os acontecimentos que de fato sucederam,
enquanto o outro fala das coisas que poderiam suceder. E é por esse motivo que a poesia contém mais
filosofia e circunspecção do que história; a primeira trata das coisas universais, enquanto a segunda cuida
do particular. Entendo que tratar de coisas universais significa atribuir a alguém idéias e atos que, por
necessidade e verossimilhança, a natureza desse alguém exige; a poesia, desse modo, visa ao universal,
mesmo quando dá nomes a suas personagens. Quanto a relatar o particular, ao contrário, é aquilo que
Alcibíades fez, ou aquilo que fizeram a ele.
Entre as fábulas e as ações simples, as episódicas são as menos significativas. Por episódicas
entendo as fábulas cujos episódios se relacionam uns aos outros sem verossimilhança nem necessidade.
São assim as obras dos poetas medíocres, por incompetência.

X. Fábulas simples e complexa, a questão da verossimilhança interna

A peripécia e o reconhecimento, no entanto, devem decorrer da estrutura interna da fábula, de


tal forma que venham a se originar, por necessidade ou por verossimilhança, dos acontecimentos que
antecederam; porque é muito diferente acontecer uma coisa por causa de outra e acontecer uma coisa
depois da outra.

XI. Partes da Fábula: Peripécia, Reconhecimento, Catástrofe

Peripécia é a alteração das ações, em sentido contrário, e essa inversão deve acontecer,
repetimos, segundo a verossimilhança ou a necessidade. Tal sucede no Édipo: o mensageiro que tinha o
propósito de sossegá-lo e de libertá-lo do temor originado de suas relações com a mãe, ao revelar quem era
Édipo, fez o contrário.
O reconhecimento ao acontecimento, indica-o a própria palavra, é a passagem do
desconhecimento ao conhecimento; tal passagem é feita para amizade ou ódio dos personagens,
destinados à ventura ou infortúnio.
Essas são as duas partes da fábula: a peripécia e o reconhecimento. Há uma terceira, a
catástrofe. As duas primeiras, já vimos. A catástrofe é uma ação de que resultam danos e sofrimentos,
como ocorre com as mortes em cena, as dores lancinantes, os ferimentos e demais ocorrências
semelhantes.

XII. Elementos da tragédia, quanto à extensão e à divisão das ações: Prólogo, Episódio, Êxodo,
Canto coral.

Quanto à extensão e à divisão das ações em seções são partes da tragédia: prólogo, episódio,
êxodo, canto coral
Prólogo é a parte completa da tragédia que antecede a entrada do coro;
Episódio, a parte completa encontrada ente dois corais;
Êxodo, a parte completa depois da qual não se segue canto do coro;
Canto coral, o párodo é o primeiro entoar do coro;

XIII. A fábula bem feita

Não cabe apresenta homens muito bons passando de venturosos a desventurados, nem homens
muitos maus passando da desventura à felicidade.
Tampouco se há de mostrar o homem perverso lançar-se da ventura ao infortúnio;
A fábula bem feita é necessariamente simples, nela, não se deve passar do infortúnio à
felicidade; ao contrário, deve-se ir da felicidade ao infortúnio; não por maldade e sim por algum erro do
personagem.

XIV. Sentimentos de terror e pena

Os sentimentos de terror e pena, à vezes, decorrem do espetáculo cênico; em outras ocasiões,


porém, vêm do ordenamento que se dá as ações e este é o melhor modo, mais próprio do poeta. Pois a
fábula deve ser constituída de tal maneira que as pessoas que a ouvirem possam, mesmo sem nada ver
aterrorizar-se e sentir piedade, como acontecerá com quem escutar a história de Édipo.

XV. Bondade, Adequação, Semelhança, Coerência

Quatro pontos devem ser visados quando se trata dos caracteres.


Incoerente com coerência.
Os poetas; ao imitar personagens fracos ou temperamentos forte, providos de outros defeitos de
caráter, devem eleve-los mas sem permitir que sejam o que não são.
XVI. Tipos de reconhecimento

O primeiro é o menos artístico, se dá por meios de sinais.


Os reconhecimentos forjados pelo poeta, e que por isso não são artísticos, v6em em segundo
lugar;
O terceiro tipo de reconhecimento é produzido pela memória;
O quanto tipo utiliza-se de silogismos;
Também há o reconhecimento construído num paralogismo da platéia.

XVII. O que deve fazer o poeta em relação às ações e às falas das personagens.

Quando o poeta está ordenando as ações e compondo as falas dos personagens, deve agir, o
mais possível, como os estivesse vendo diante dos olhos, como se estivesse assistindo a tudo quanto se
passa e se passará no drama.
Também deve o poeta, tanto quanto possível, reproduzir os gestos dos personagens.
Os argumentos, devem ter esboçado suas linhas gerais antes que se os divida em episódios e
se os desenvolva adequadamente.
Depois de esboçadas essas linhas gerais, e dados os nomes aos personagens,desenvolvem-se
os episódios.
Os episódios, nos dramas, devem ser breves; é diferente do que sucede na epopéia, que se
estende por causa deles.

XVIII. A tragédia tem: enredo e desfecho

Toda tragédia se compõe de um enredo e de um desfecho.


O Enredo é tudo aquilo que vai do início da tragédia até o ponto em que se dá a mudança que
leva a felicidade ou ao infortúnio; quanto ao desfecho, vai do começo da mudança ao final da peça.
São quatro tipos de tragédia:
_a complexa;
_a catastrófica;
_a de caracteres;
_as episódicas,
É preciso evitar dar à tragédia a forma da epopéia (chamo assim a composição que contém uma
multiplicidade de fábulas); isso sucederia se um poeta resolvesse colocar numa única tragédia toda a
fabulação da Ilíada. Na epopéia, a extensão própria ao gênero admite que as partes se desenvolvam de
maneira apropriada; na tragédia, ao contrário , esse procedimento ficaria muito aquém da expectativa.

XIX. Idéias e Linguagem

O assunto das idéias é mais próprio da retórica. Elas incluem os resultados produzidos pelo uso
da palavra e se dividem em demonstrar, refutar e suscitar emoções como compaixão, terror, raiva e outras,
semelhantes, além de valorizar e desvalorizar as coisas.
No que tange à linguagem, há um aspecto dela, a variedade, de que devem o autor e os
especialistas da matéria ter conhecimento. Estamos nos referindo a distinguir uma ordem, uma suplica, um
esclarecimento, uma ameaça, uma pergunta e outras semelhantes.

XX. Partes da Linguagem

São as seguintes as partes da linguagem: letra, sílaba, conectivo, articulação, nome, verbo,
artigo, flexão, frase (o capitulo XX, assim como partes do XXI e o XXII, relacionam-se apenas à língua grega
antiga.)
Letras
Dividem-se as letras em vogais, semivogais e mudas:
Sílaba;
Conectivo;
Nome;
Verbo;
Flexão;
Frase;

XXI

Os nomes podem ser simples e duplos. Existem também nomes triplos, quádruplos e múltiplos.
Cada nome ou é corrente, ou estrangeiro, ou metafórico, ou ornamental, ou inventada, ou
alongado, ou abreviado, ou modificado.
Metáfora é a transferência do nome de uma coisa para outra, ou do gênero para a espécie, ou
da espécie para o gênero, ou de uma espécie para outra, ou por analogia.
Em si, os nome são masculinos, femininos ou neutros.

XXII.

Clara e vulgar é a linguagem formada pelas palavras correntes, como a poesia de Cleofonte e de
Estênelo. Nobre e elevada é a que emprega termos raros. Denonimo termos raros e metafóricos, os
alongados, e todos os que fogem aos de uso corrente.
Quando, porém, a composição inteira é formada por palavra assim, instala-se o enigma, ou
barbarismo. No primeiro caso está o texto constituído apenas de metáforas; no segundo, aquele composto
unicamente por palavras estrangeiras.
Retiram da linguagem o caráter vulgar, elevando-a acima do comum, a metáfora, o adorno, as
palavras estrangeiras; os termos correntes, por sua vez propocionam-lhe clareza.
A moderação é necessária, igualmente, em todos os aspectos da linguagem; utilizar, sem
propósito, metáforas, termos estrangeiros e outros adornos causaria, a um discurso, o mesmo resultado que
se obteria caso se o fizesse cômico.
Deve-se tomar com o uso de metáforas, uma vez que estas não se aprendem, ao contrário,
indicam dom natural; servi-se de belas metáforas é saber distinguir as semelhanças.
XXIII. Epopéia

N a imitação narrativa em verso, as fábulas, tal como acontece na tragédia, devem apresentar
estrutura dramática; devem compor-se de uma única ação, inteira e completa, com começo, meio e fim.
A estrutura da poesia épica deve diferenciar-se daquela das narrativas históricas; estas mostram
não uma ação única mas um tempo único e nele se contam todos os fatos acontecidos a uma ou várias
pessoas; e esses fatos ligam-se de maneira apenas causal.

XXIV. Características (Epopéia)

A epopéia deve ter as mesmas espécies da tragédia: simples, complexa, de caracteres,


catastrófica. Quanto as componentes excetuando a melopéia e o estáculo cênico são os mesmos. Também
são exigidos peripécias, desgraças e reconhecimentos, bem com beleza nas idéias e nas falas. Esse
componente, Homero utilizou apropriadamente. Ilíada, por exemplo, é episódica e catastrófica; já a Odisséia
é complexa toda de reconhecimentos e de caracteres.
A epopéia e a tragédia diferenciam-se quanto à extensão e à métrica.
Ao contrário da tragédia – em que se desenvolve somente uma cena, porque não há como
mostrar muitas partes da ação a um só tempo – ,a epopéia permite, como narrativa, o desenrolar de
diversas ações da mesma época.
A experiência mostra que o único metro apropriado à epopéia é o heróico. É o heróico o mais
solene e amplo, e por esse motivo acolhe melhor as palavras raras e as metáforas.
Digno de louvores por vários outros motivos, Homero o é, igualmente, por ser o único a conhecer
o que deve fazer o poeta. Este deve falar o mínimo possível em seu nome, pois se não deixa de ser um
imitador.
Nas tragédias, o maravilhoso ocupa posto importante; mas o irracional, origem do maravilhoso, é
plausível na epopéia porque não se ver o ator .

XXV. Problemas e Soluções

O poeta é um imitador. E imita necessariamente por um dos três modos: as coisas, tal como
eram ou como são; tal como os outros dizem que são, ou que parecem, tal como deveriam ser. Expressa
essas coisas por meios de um discurso que consiste de metáforas e vocábulos estrangeiros, e faz muitas
modificações nas palavras, pois que aos poetas tal consentimos.
Em primeiro lugar, tratemos das críticas à arte mesma. Se o poema apresenta impossíveis ,
houve erro; mas ao autor se lhe desculpas se o objetivo da poesia foi alcançado e se tornou mais vívida a
impressão causada por essa ou por outra parte do poema .
Caso se possa chegar ao objetivo de maneira tão ou mais apropriada, sem contrariar as regras
da arte, o erro é injustificável, porquanto seria possível não cometer erro algum
Outro aspecto consiste na categoria do erro: se fere os princípios da arte ou de outro campo.
Desconhecer que a corça não tem galhos é menos grave do que representá-la de maneira não-artística.
Ao avaliar se algum personagem disse ou fez alguma coisa bem ou não, devemos levar em
conta não apenas se é elevada ou vulgar, de per si, a palavra ou a ação; há também que considerar quem
fala ou age, a quem, quando, como, por quem ou para quê, se em função de obter beneficio maior ou
prevenir mal maior.
Avaliar a linguagem;
Metáforas;
Entonação
Ambigüidade;
Empregos da língua
Quando uma palavra envolve uma contradição, é importante quantos sentidos pode ela ter na
frase.
Ao impossível se deve considerar, ou em relação ao efeito poético, ou à melhoria, ou à opinião
comum.
Quanto à poesia, o impossível convincente tem preferência ao possível que não convence.
As críticas são de cinco espécies: impossibilidade, irracionalidade, maldade, contradição e
violação às regras da arte.

XXVI. Qual a melhor imitação? Tragédia ou Epopéia?

Qual a melhor imitação, a épica ou a trágica?


Ora, se a menos vulgar é a melhor, e se tem por objetivo a melhor platéia, é evidente que a
vulgar imita com vista a agradar à multidão. Diante de espectadores incultos, e para que compreendam a
representação, fazem os autores todo tipo de movimentos. Desse modo, teria a tragédia o defeito que
imputam, aos atores mas novos, os antigos. Assim como os atores ordinários estão para os melhores, está
o drama para a epopéia. Esta, argumenta-se, visa a platéias superiores, as quais dispensam a gesticulação;
aos toscos destina-se a tragédia, que, por vulgar, evidentemente é inferior.
Tal crítica, em primeiro lugar, é feita ao desempenho dos atores, não à arte do poeta. A tragédia
alcança seu objetivo, tal como ocorre com a epopéia, mesmos sem movimentos, pois bastaria fazer-lhe a
leitura para que se lhe destacassem as qualidades.
A tragédia é superior porque, além de todos os méritos da epopéia (chega a valer-se do metro
épico), conta também com a música e o espetáculo cênico partes que lhe aumentam o prazer peculiar. De
mais a mais, apresenta qualidades tanto quando lida como quando encadeada. Revela, ainda, o mérito de
imitar plenamente numa extensão menor (o condensado agrada mais do que o diluído em longo período).
Também é menos unitária a imitação das epopéias (prova-o o fato de que se extraem de qualquer delas
várias tragédias)

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