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a

1 edição
Matão, SP
2018

CASA EDITORA
0 CLARIM
U L T R A S S O M DA A L M A : ROTEIRO PARA A RENOVAÇÃO

C a p a e p r o j e t o gráfico: Equipe O Clarim


R e v i s ã o : Lúcia Helena Lahoz Morelli

Todos os direitos reservados


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FICHA CATALOG R Á F I C A

J o s é Luiz Condotta
U l t r a s s o m da a l m a : roteiro para a r e n o v a ç ã o
s
l e d i ç ã o : m a r ç o / 2 0 1 8 , 1 0 . 0 0 0 exemplares
M a t ã o / S P : Casa Editora 0 Clarim
208 p á g i n a s - 1 4 x 2 1 c m

ISBN-978-85-7357-168-4 CDD-133.9

í n d i c e para c a t á l o g o s i s t e m á t i c o :

133.9 Espiritismo
133.901 Filosofia e Teoria
133.91 Mediunidade
133.92 F e n ô m e n o s Físicos
133.93 F e n ô m e n o s Psíquicos

Impresso no Brasil
Presita en Brazilo
Agradecimentos

A G R A D E Ç O a acolhida carinhosa da Casa Editora O


Clarim aos meus artigos para a Revista Internacional de Espi-

ritismo e aos meus livros editados.


Nesta oportunidade, o especial agradecimento é para
a minha querida esposa Ana Virgínia, devotada companheira
de todas as horas de dor e alegria. É o anjo bom que me acom-
panha nesta caminhada terrestre, oferecendo-me o melhor de
si e com muito amor. Por isso, ajoelho-me diante do Pai agra-
decendo essa dádiva e peço-Lhe a possibilidade de continuar-
mos com as nossas almas unidas por toda a eternidade.
Prefácio

C O M M U I T A A L E G R I A , recebi do caro amigo-irmão a


grata incumbência de prefaciar o seu terceiro livro.
Imensa responsabilidade me move nesta augusta
oportunidade!
Este terceiro livro liga-se pelo fio do entendimento aos
seus dois primeiros trabalhos (Homem e Deus: construindo a
felicidade e Ansiedade, pânico e depressão), não só pelo con-
teúdo espírita-filosófico, mas por trazer conceitos clínicos,
frutos de uma vivência de 45 anos na atividade médica do
caro amigo autor.
Condotta, em momento algum, mesmo discursando
sobre temas eminentemente de natureza médica - portanto,
no âmbito da medicina oficial -, deixa de fazer sua profissão
de fé à Doutrina Espírita, de cujo bojo constrói seus coeren-
tes argumentos.
Não há dúvidas que ele consegue fazer um "ultras-
som" da alma, conduzindo-nos à compreensão dos intrica-
dos meandros do psiquismo humano. Além disso, revela as
consequências e os efeitos que essas reações possam causar
ao vaso físico.
Com muita criatividade o autor nos envolve, prepa-
rando-nos para o autoquestionamento, como se estivésse-
mos diante de um profissional produzindo a nossa anamnese.
Como bem esclarece, diante deste questionário a pessoa po-
derá fazer o autoexame, valendo-se dos esclarecimentos con-
tidos nesta preciosa obra.
Sem embargo, um "roteiro para a renovação"! Roteiro
seguro, alicerçado na experiência médico-profissional, soma-
da à visão clara, segura e espiritual dos conceitos da Doutri-
na Espírita.
Os sentimentos e as emoções elencados no corpo da
obra falam daquilo que o espírito humano se acha repleto,
evidenciando o nosso atual nível evolutivo, que deve ser cui-
dado para o correto alinhamento com as Leis Divinas.
Eis porque a obra em questão avulta o seu valor!
Despertar aqueles que ainda dormem sob o véu do
esquecimento, acordando-os para a descoberta do ser imor-
tal que somos, fazendo-nos refletir que somos "seres espiri-
tuais vivendo experiências humanas" a caminho de nossa
integral purificação.
Melhorando-nos, poderemos ser agentes de coopera-
ção para a melhoria de outros, instalando finalmente em nós
o amor ao próximo para a construção de um mundo melhor.
Aos leitores, desejo a todos "aquele abraço" (parte XII)!
Obrigado caro amigo, pela honrosa oportunidade.

Aristeu de Oliveira Lima


Sumário

Introdução 11

P A R T E I - C o n s i d e r a ç õ e s s o b r e a m e d i c i n a a t u a l e a do futuro 25

P A R T E II - P e s q u i s a s s o b r e a r e l a ç ã o r e l i g i ã o - r e l i g i o s i d a d e / s a ú d e 33

P A R T E III - U l t r a s s o m 41
1 - Ultrassom - E x a m e de i m a g e m da medicina 43
2 - " U l t r a s s o m da a l m a " 44

P A R T E IV - O p a c i e n t e 49
1 - História do p a c i e n t e 51
2 - E x a m e do psiquismo do p a c i e n t e 52
3 - V i s ã o do p a c i e n t e c o m o e s p í r i t o 54

P A R T E V - " U l t r a s s o m da a l m a " - E x a m e p s í q u i c o do
paciente-espirito 57

13
P A R T E VI - R o t e i r o p a r a a r e n o v a ç ã o - Q u e s t õ e s 63

1 - V o c ê a s s o c i a os s i n t o m a s c o m a l g u m a c o n t e c i m e n t o ou t r a u m a
o c o r r i d o s r e c e n t e m e n t e o u e m a l g u m t e m p o d a sua v i d a ? 66

2 - V o c ê t e m raiva? 66

3 - Tem ódio? 66
4 - Tem mágoa? 66
5 - V o c ê t e m culpa? 75
6 - Tem arrependimento? 75
7 - Tem remorso? 76

8 - Você tem medo? 78


9 - V o c ê t e m preconceito? 80
1 0 - V o c ê r e c e b e b e m a s críticas? 82
11 - V o c ê julga as pessoas? 84
12 - V o c ê se a c h a p e r f e c c i o n i s t a ? 87
13 - É rígido(a) c o m v o c ê e c o m os o u t r o s ? 89

14 - V o c ê é o r g u l h o s o ? 91
15 - V o c ê é e g o í s t a ? 92
16 - V o c ê é c a r i d o s o ( a ) ? 95
17 - V o c ê é gentil? 96
18 - V o c ê p e n s a m u i t o no p a s s a d o ? 97

19 - E no futuro? 97
2 0 - P e n s a m a i s n o p a s s a d o o u n o futuro? 97
21 - Está v i v e n d o b e m o p r e s e n t e ? 97
22 - V o c ê é m a i s materialista ou m a i s espiritualista? 101
23 - V o c ê é sincero(a)? 104
24 - V o c ê t e m esperança? 109
25 - V o c ê t e m alegria? 114

26 - V o c ê a m a ? 116
27 - Se sente amado(a)? 116
28 - Você mais ama ou mais se sente amado(a)? 116
29 - Acha q u e deveria a m a r mais? 116
30 - A c r e d i t a na f e l i c i d a d e ? 121
31 - V o c ê é feliz? 121
3 2 - 0 q u e l h e falta p a r a s e r feliz o u m a i s feliz? 121

14
33 - V o c ê gosta da vida? 125
34 - V o c ê g o s t a da sua p r o f i s s ã o ? 127
35 - V o c ê gosta de c o m a n d a r as situações? 130
36 - C o m o v o c ê recebe ordens? 131
37 - V o c ê acha q u e está s e m p r e certo? 132
38 - Você crê em Deus? 132
39 - V o c ê acredita q u e t e m corpo e alma? 136

40 - Acreditando q u e t e m corpo e alma, responda se os seus


sintomas t ê m origem no corpo ou na alma 136

P A R T E VII - D i n â m i c a d a t e r a p i a r e n o v a d o r a 139

C a s o s clínicos 142

Caso 1 142

Caso 2 150

P A R T E VIII - O b j e t i v o s d a t e r a p i a r e n o v a d o r a 157

PARTE IX - Por que estamos cheios de problemas? 163

Opinião alheia 169


A n o m i a e falta de o b j e t i v o s j 169
Na onda da maioria 170
Virtualidade 170

P A R T E X - Q u e m escolhe as nossas d o e n ç a s ? 173

P A R T E X I - Q u e m n ã o g o s t a r i a d e s e r feliz? 181

P A R T E XII - A q u e l e a b r a ç o ! 187

Exemplo 1 191
E x e m p l o II 192
E x e m p l o III 194

Bibliografia 197

15
Introdução

HÁ M A I S D E 25 ANOS venho trabalhando com os meus


pacientes de uma forma diferente das convencionais que
aprendi na minha vida acadêmica, na minha formação como
especialista em psiquiatria e como psicoterapeuta, inclusive
na área da terapia da regressão.
Não posso deixar de mencionar que muito aprendi
com a Doutrina Espírita e, em particular, com o Espírito An-
dré Luiz, psicografado por Chico Xavier em suas obras, come-
çando por esta citação:

A caridade e o estudo nobre, aféeo bom âni-

mo, o otimismo e o trabalho, a arte e a medita-

ção construtiva constituem temas renovadores,

17
cujo mérito não será lícito esquecer, na reabili-

tação das nossas ideias\

Entremeando os ensinamentos acadêmicos e os espíri-


tas (dimensões diferentes), considero ter conseguido renovar
parte das minhas ideias e das minhas crenças.
Desta forma, em momento algum olho e sinto os
meus pacientes como sendo somente um corpo em minha
presença. Procuro enxergá-los mais profundamente, como
querendo "ler" o que se passa em suas almas, porque acredi-
to que os sintomas que exteriorizam nada mais são do que os
reflexos delas. Lembro-me aqui de outra citação importante
de André Luiz:

(...) no futuro a medicina da alma absorverá

a medicina do corpo. Na atualidade da Terra

poderemos fornecer tratamento ao organismo

de carne. Semelhante tarefa dignifica a mis-

são do consolo, da instrução e do alívio. Mas,

no que concerne à cura real, somos forçados a

reconhecer que esta pertence exclusivamente

2
ao homem-espírito .

Não quero, não posso e nem devo menosprezar ou ne-


gligenciar tudo o que aprendi sobre as diversas escolas psico-
lógicas, mesmo porque não tenho condições para isso. Todas

1. C h i c o X a v i e r / A n d r é Luiz. Ação e Reação, p. 312.


2. C h i c o X a v i e r / A n d r é Luiz. Os mensageiros, p. 250.

18
elas, com as suas características metodológicas, procuram dar
a seus pacientes condições de alívio ou cura para seus sin-
tomas. Os métodos são diferentes, mas os objetivos são os
mesmos; até o tratamento psicofarmacológico (químico-me-
dicamentoso) tem esse intuito.
Muitas vezes, aplicando a terapia em que acredito, sin-
to que estou utilizando técnicas das mais diversas escolas de
orientação psicológica e, obviamente, os conhecimentos da
psiquiatria e da psicologia.
A única diferença entre as psicoterapias mais conhe-
cidas e renomadas e esta, motivo deste nosso livro, é a con-
sideração que esta tem com a parte espiritual do indivíduo.
Tenho em mente que isso é uma questão de lógica, pois qua-
se sempre (95% das vezes) os clientes, quando indagados, me
respondem serem constituídos de corpo e alma e 90% acham
que seus sintomas são provenientes dela. Uma vez que o pa-
ciente se autodefine dessa forma, é preciso tratá-lo como um
todo. Isso está de acordo com a definição de saúde: propor-
cionar o bem-estar biopsicossocial, que nada mais é do que o
bem-estar espiritual.
Não desconheço e acompanho de perto as recentes
descobertas da neurobiologia. Suas pesquisas e inovações são
extraordinárias, indicando a evolução das ciências médicas,
mas, para mim, param num ponto crucial, quando deixam de
responder a esta pergunta: quem comanda todo esse comple-
xo e enigmático órgão que é o cérebro? Em nada posso ser con-

19
trário às suas hipóteses e afirmações, mas quero saber onde
entra a alma, ou espírito encarnado, em todo esse processo.
A psicologia atribui toda a vida mentopsíquica a par-
tir do nascimento, e uma formação da personalidade a partir
desse ponto. A psiquiatria acha que todas as manifestações
psíquicas devem ser tratadas com medicamentos químicos. A
ciência espírita afirma que temos uma herança espiritual tra-
zida das outras vidas, e esse é também o meu ponto de vista,
levando em conta que somos espíritos.
Desta forma, sem desprezar nenhuma hipótese, ne-
nhuma teoria psicológica, nenhuma afirmação da neurociên-
cia e da psiquiatria, pratico o que me é intuitivamente o mais
crível - uma abordagem do paciente como possuidor de uma
alma, individual e imortal.
Muitos leitores, com certeza, devem estar achando es-
tranho o título desta obra - "Ultrassom da alma". Outros de-
vem estar curiosos para saber do que se trata. De imediato: é
um exame psíquico - procedimento feito durante a consulta
psiquiátrica quando o assistido manifesta as suas queixas e
exterioriza as suas emoções. A quase totalidade dos casos psi-
quiátricos é diagnosticada apenas com esse exame. Esse é o
conteúdo que pretendo desenvolver nesta obra, dando ênfase
ao exame psíquico com uma visão espiritualizada, o que cha-
mo de "ultrassom da alma" - uma analogia com o ultrassom
da medicina.
Quase todas as especialidades médicas requisitam exa-
mes que são específicos para cada área de atuação. O cardio-

20
logista, por exemplo, tem a seu alcance uma gama imensa de
exames subsidiários para checar o sistema circulatório, dando
especial atenção ao coração. Além dos exames laboratoriais,
requisita os de imagem para analisar esse órgão na sua estru-
tura e funcionamento. Detecta, assim, os mais diversos tipos
de lesões cardíacas que estão interferindo no bem-estar (saú-
de) do paciente.
E o psiquiatra? O que pode requisitar? Poucos exames,
haja vista não existir nenhum específico para "dosar" o grau
de ansiedade, de depressão, de fobia, de pânico e todos os
demais transtornos mentais. Os utilizados são as dosagens
de certos princípios ativos existentes nos medicamentos, para
verificar se tal fármaco está dentro de uma faixa de ação te-
rapêutica ou em nível tóxico. Quando, por exemplo, o médico
se defronta com uma crise emocional dissociativa, que pode
ser confundida com uma crise convulsiva (epilepsia), requisita
exames para diferenciar o diagnóstico - no caso, um eletroen-
cefalograma ou um exame de imagem para checar a condição
cerebral e direcionar o tratamento específico. Contudo, não é
comum o psiquiatra requisitar exames.
Os sintomas emocionais não são detectados por ne-
nhum aparelho de alta tecnologia. Por quê? São afetos (emo-
ções e sentimentos) desalinhados elaborados pelo espírito.
Sendo do espírito, não se pode mensurar com aparelhos ter-
restres o que se passa com ele.
O corpo, sendo matéria densa - luz coagulada, como
nos ensina o mentor André Luiz -, pode ficar à disposição da

21
ciência quando é submetido, alterado, manipulado e mensu-
rado; mas o espírito (luz não coagulada) não é matéria, não
tem peso, não tem cheiro, é invisível e inteligente. Desta for-
ma, o espírito, com vontade e inteligência próprias, não se
sujeita aos caprichos do cientista com seus métodos de pes-
quisa, sabidamente insuficientes para estudar e mensurar a
alma. Não podendo dominar o espírito, o meio mais fácil en-
contrado é refutá-lo, e, assim, a ciência materialista e mecani-
cista continua com o seu tom de onipotência.
As emoções são estudadas pela ciência como sendo se-
creções elaboradas pelo cérebro, bem como o pensamento e o
sentimento. Mas não explicam exatamente onde tudo isso se
inicia e se processa. Os estudos da neurociência são intensos
e profundos, procurando no cérebro as causas dos transtor-
nos emocionais. Na minha modesta opinião, não se encontra
algo no local onde ele não existe.
A ciência espírita, racional e lógica, refere o espírito
como o elaborador dos pensamentos e afetos. O homem glo-
3
bal (corpo e espírito) apresenta um complexo energético for-
mado por seus corpos. Um desses corpos é o corpo físico, que
nada mais é do que uma elaboração do espírito para poder
experienciar a vida na Terra. Como esse corpo é o visível e
mensurável - matéria densa própria deste mundo vibracional
-, a ciência o adotou para os seus estudos, deixando os outros
corpos sutis para quem quisesse estudá-los. Com isso, o para-
digma científico-materialista acabou por dividir o homem em
3. J o s é Luiz C o n d o t t a . Ansiedade, pânico e depressão, p. 47.

22
duas partes: uma visível (o corpo) e outra invisível (a alma ou
espírito encarnado).
Com essas explicações, já se deduz que todos os exa-
mes laboratoriais e de imagem que existem captam tudo da
matéria densa, da luz coagulada - o corpo físico. Mas o ho-
mem, sendo corpo e alma, como fica essa alma?
Sabemos, pelo estudo da Doutrina Espírita, que o
corpo é o reflexo da alma. Toda vibração da energia anímica
repercute no corpo físico. Portanto, os sintomas apresenta-
dos pelo corpo físico nada mais são que a desarmonia das
vibrações da alma. Explicando melhor: tal desarmonia (cau-
sa) modifica todo o quimismo e o fisiologismo do organismo
humano, desencadeando os sintomas (efeitos) exteriorizados
pelo corpo físico.
Todos os exames existentes para a detecção de uma
disfunção orgânica, bem como os fármacos (remédios) para
tratá-la, ficam restritos ao campo da matéria.
A ciência espírita respeita e aceita toda evolução da
ciência médica (e de todas as outras), dando-lhe o título de
ciência nobre. Sendo o homem corpo e alma, deve ele tratar o
seu corpo através da ciência médica terrena, com tudo o que
ela pode oferecer. Para a alma, fica a ajuda dos bons espíritos
(encarnados e desencarnados), a terapia espiritual e, princi-
palmente, a ação do próprio espírito.
Para a ciência médica, o psiquiatra é médico do corpo
ou da alma? A resposta é óbvia: é médico do corpo. Para a
ciência espírita, deve ser do corpo e da alma.

23
E o que acham os psiquiatras? Os psiquiatras afinados
com o paradigma materialista e reducionista responderão se-
rem médicos do corpo. Os psiquiatras com um estudo profun-
do sobre a alma, espiritualizados, certos da transcendentali-
dade do homem, responderão, com certeza, que são médicos
do corpo, mas, principalmente, da alma. Com isso, não estou
querendo dizer que os médicos e os psiquiatras devam ser
espíritas, mas espiritualizados.
Não tendo meios para mensurar as emoções, os psi-
quiatras se utilizam das queixas e do exame psíquico para
diagnosticar. É preciso notar que tudo é subjetivo, tanto o re-
lato (queixase sintomas) do assistido quanto o entendimento
do profissional em relação a tudo o que ouve.
O médico espiritualizado, olhando o paciente como es-
pírito e apurando o seu questionamento, pode fazer com que
o examinado exteriorize algumas de suas marcas escondidas
ou camufladas que estão lhe ocasionando os sintomas, bem
como muitas de suas virtudes que podem, por si mesmas, en-
frentar a situação aflitiva.

24
Nos Ú L T I M O S 50 ANOS, a medicina se modernizou e
evoluiu fantasticamente com as novas descobertas tecnológi-
cas; contudo, a relação médico-paciente, que era consistente,
se desgastou com a introdução da alta tecnologia.
Na década de 1970 e sobretudo no inicio dos anos 1980,
surgiram as máquinas que visavam à manutenção artificial
da vida, e acreditou-se que ninguém mais morreria.
Em seguida, as descobertas dos sofisticados exa-
mes de imagem, que a cada dia se aperfeiçoam, passaram
a possibilitar a detecção de ínfimos tumores, até mesmo
entre poucas células, levando a crer que ninguém mais
morreria de câncer. Mas não foi isso que aconteceu, nem
mesmo com os novos exames em que se observam os mar-
cadores tumorais.
A farmacologia também evoluiu assustadoramente
com as descobertas de novos fármacos (remédios), espe-
cialmente dos antibióticos de primeira linha; no entanto,
na maioria das vezes, nem eles conseguem livrar alguém
da morte quando a pessoa está infectada por uma bactéria
multirresistente.
No campo da psiquiatria, os novos fármacos, cada vez
mais sofisticados, apenas aliviam os estados aflitivos, mas
não os curam totalmente.
Isso nos leva à lógica de que a medicina baseada no
modelo materialista é indispensável para tratar do corpo fí-
sico, mas não das alterações da harmonia da alma, como os
pensamentos e os sentimentos.
Com estudos e pesquisas avançados, a medicina do
futuro será comandada por dispositivos, equipamentos por-
táteis baseados em smartphones, proporcionando o monito-
ramento e o compartilhamento de dados à distância como
auxiliares da prática médica. Segundo os pesquisadores, um
pouco mais adiante, também serão utilizados aplicativos de
inteligência artificial. Resta-nos saber como o paciente pas-
sará ao seu médico a intensidade de sua ansiedade, tristeza,
estresse, pânico, medo etc, enfim, de suas emoções. Os sinto-
mas da alma não podem ser aferidos pelos mais sofisticados
aparelhos desta dimensão.
Todas as revolucionárias descobertas da medicina de-
vem servir de ajuda ao médico para precisar o diagnóstico e
o planejamento do tratamento, mas em hipótese alguma de-
vem substituir a relação médico-paciente. Esse contato ener-

28
gético é insubstituível quando se quer tratar da pessoa como
um ser global constituído de corpo e espírito.
A medicina deve ser considerada uma ciência humana
com visão biológica. Isso parece ser lógico, por ela tratar de hu-
manos e o ser humano não poder ser dividido em corpo e alma,
devendo, portanto, ser tratado por inteiro em sua dimensão
biopsicossocial, na qual está inserida a sua transcendentalidade.
É óbvio também que cada um sente a sua doença,
qualquer que seja, a seu modo. O relato de sua história, essa
possibilidade de ser ouvido, de ser consolado e incentivado
pelo médico é um intercâmbio que não pode deixar de existir.
Em um estado de doença, não é fácil a pessoa se sentir como
uma máquina sem importância, sem poder extravasar seus
sentimentos e emoções.
Chamo a atenção de todos os profissionais da saúde
para que não negligenciem estas nossas palavras nem as con-
siderem fúteis e não adequadas ao mundo moderno. Saibam,
os que assim pensam, que o tempo e a posição de pacientes,
em que provavelmente todos um dia estarão, farão com que
se recordem destas considerações, quando, com certeza, de-
sejarão ser tratados como seres globais e não como máquinas,
como apenas mais um.
No futuro, a medicina dominará todos os pormenores
do corpo humano (isso ainda está muito distante), mas mes-
mo com esse domínio não será completa, pois não saberá o
que fazer com a parte transcendente do homem.

29
Os espiritualistas, especialmente os espíritas, acredi-
tam na evolução humanística da medicina e para um futuro
não muito distante.
Chico Xavier, na sua cristalina mediunidade, psicogra-
fa Emmanuel e vejam a sabedoria de suas palavras:

A medicina humana, compreendida e aplicada

dentro das suas finalidades superiores, consti-

tui uma nobre missão espiritual. O médico sin-

cero e honesto, amigo da verdade e dedicado

ao bem, é um apóstolo da Providência Divina,

da qual recebe a precisa assistência e inspira-

ção, sejam quais forem os princípios religiosos

por ele esposados na vida.

Para o homem da Terra, a saúde pode signifi-

car o equilíbrio perfeito dos órgãos materiais;

para o plano espiritual, todavia, a saúde é a

perfeita harmonia da alma, e para a sua ob-

tenção, muitas vezes, há necessidade da con-

tribuição preciosa das moléstias e deficiências

transitórias da Terra.

As chagas da alma se manifestam através do

envoltório humano. O corpo doente reflete o

panorama interior do espírito enfermo. A pa-

togenia é um conjunto de inferioridades do

aparelho psíquico.

30
E na alma que reside a fonte primária de to-

dos os recursos medicamentosos definitivos. A

assistência farmacêutica do mundo não pode

remover as causas transcendentes do caráter

mórbido dos indivíduos. O remédio eficaz está

4
na ação do próprio espirito enfermiço.

4. X a v i e r F . C . / E m m a n u e l . O Consolador, pp. 81-82.


E X I S T E M M U I T A S P E S Q U I S A S C I E N T Í F I C A S sobre a rela-

ção religião-religiosidade/saúde, e entre elas muitas contro-


vérsias, além das dificuldades quanto à apuração dos resulta-
dos, pelos métodos vigentes atuais.
Muitas pesquisas enfocam a religião, a espiritualidade
e a fé como aliadas de muitos pacientes para lidar com os
problemas da vida, o estresse e os transtornos emocionais.
Muitos denominam isso de coping, que quer dizer enfrenta-
mento. Em um desses trabalhos, as autoras Panzini e Bandei-
5
ra tratam do assunto e citam alguns pesquisadores e seus
resultados. Vejamos:

Newberg, da Universidade da Pensilvânia, jun-

tamente com outros cientistas estão descobrindo

5. P a n z i n i , R a q u e l G. e B a n d e i r a , Denise R. Revista de Psiquiatria Clínica


34, supl.1,2007, pp. 126-135.

35
que os diversos modos de devoções humanas têm

uma realidade biológica poderosa. Durante inten-

sa meditação ou prece, tanto o cérebro quanto o

corpo experimentam mudanças, mas ainda pouco

compreendidas. Referem ainda que a continuida-

de destes estudos é de extrema importância por-

que poderão trazer, com o tempo, informações

preciosas para se viver com mais saúde e plenitu-

de. (...). Koening (1998) define o c o p i n g (enfrenta-

mento do problema) como o uso de crenças e com-

portamentos religiosos para facilitar a resolução

dos problemas. (...). Wong McDonald e Gorsuch

(2000) diz ser o c o p i n g religioso o modo como o

indivíduo utiliza a sua fé para lidar com o estres-

se e as situações da vida. Ressalta que a fé pode

incluir religião, espiritualidade e crenças pessoais.

(...). Tix e Frazier (1998) definiram o coping como

a utilização de técnicas cognitivas-comportamen-

tais baseadas na religião.

Nota-se que a ciência começa a se preocupar com o


entrelaçamento saúde-espiritualidade e isso é um fato muito
positivo no mundo tecnológico.
No entanto, na maioria dos trabalhos científicos,
observei a falta de algumas definições que poderiam dei-
xá-los mais claros, como, por exemplo: o que são religião,
religiosidade, espiritualismo, espiritualidade e espiritista

36
ou espírita? De onde surgem os afetos (sentimentos e emo-
ções) e os pensamentos? O que são fé e esperança? Como
os próprios pesquisadores estão vendo a dualidade do ho-
mem? A alma foi levada em consideração? Como e por que
aparecem as situações estressantes? Qual o mecanismo na
ocorrência do estresse?
Outras vezes, querem demonstrar com termos novos
o que já foi demonstrado há muito tempo, procurando dar
uma conotação chamativa ao já conhecido, como o coping

(enfrentamento). Considerando os conceitos atribuídos a ele,


achamos que nada mais é do que aquilo que acontece nas
Casas Espíritas desde a fundação da primeira no mundo, na
França, por Kardec. Recebe o indivíduo o incentivo ao incre-
mento da fé em Deus para ajudar a resolver os dissabores e o
sofrimento da vida, e o mais importante: aprende o indivíduo
a desenvolver a fé raciocinada. Isso não é um verdadeiro co-
ping (enfrentamento) religioso?
Lendo diversos artigos e o mencionado, tive a impres-
são de que neles estão presentes os ensinamentos do Espírito
André Luiz em suas obras psicografadas pelo extraordinário
Chico Xavier, na década de 1950. Por isso, procurei comparar
e complementar apenas três argumentos dos pesquisadores
com as palavras de André Luiz. Vejamos:
1) Os autores citam inúmeras vezes o aparecimento
de situações estressantes, sem, contudo, defini-las. Rela-
cionam os estímulos exteriores como provocadores do es-
tresse. Mas o modo de encarar essas situações, sem dúvi-

37
da, depende da maturidade de cada um. Para isso André
Luiz ensina:

Cada alma estabelece para si mesma as circuns-

tâncias felizes ou infelizes em que se encontra,

conforme as ações que pratica, através dos seus

sentimentos, ideias e decisões na peregrinação

6
evolutiva . (...) A tentação é sempre uma sombra a

7
atormentar a vida, de dentro para fora .

2) Relatam os pesquisadores que no mecanismo do es-


tresse se encontra a resiliência, o modo como cada um enfren-
ta esse estado angustiante. Quando se tem alta resiliência,
tem-se um bom enfrentamento das situações estressantes.
Como já mencionamos, o enfrentamento depende da maturi-
dade espiritual. As palavras de André Luiz para isso:

O cérebro real é o aparelho dos mais complexos,

em que o EU reflete a vida. Através dele, sentem-

se os fenômenos exteriores segundo a capacidade

receptiva de cada um, que é determinada pela ex-

periência, por isto varia de criatura para criatura,

em virtude da multiplicidade das posições na es-

8
cala evolutiva .

6. C h i c o X a v i e r / A n d r é Luiz. Ação e Reação, p. 111.


7. Idem, p. 309.
8. C h i c o X a v i e r / A n d r é Luiz. No mundo maior, p. 76.

38
3) Referem os cientistas que o conhecimento é uma
maneira de enfrentar o estresse. Sem dúvida, necessitamos
do conhecimento, mas, principalmente, do autoconhecimen-
to. André Luiz complementa:

O conhecimento auxilia por fora, só o amor so-

9
corre por dentro .

9. Idem, p. 64.

39
1 - ULTRASSOM - Exame de imagem da medicina
Não queremos discutir exaustiva e profundamente so-
bre o ultrassom - exame de imagem muito requisitado pelos
médicos especialistas -, mesmo porque não temos condições
para isso. Queremos somente fazer uma analogia (compara-
ção) entre o ultrassom da medicina e o que chamamos de ul-
trassom da alma. Para que isso aconteça, temos que ter uma
ideia modesta sobre o nosso conhecido ultrassom.
O que é o ultrassom? É um som cujas ondas possuem
uma frequência acima do limite daquilo que o ser humano
pode ouvir. Para fins de obtenção de imagens (ultrassonogra-
fia), a frequência dessas ondas é altíssima.
Na medicina, a ultrassonografia ou ecografia é um mé-
todo de exame de imagem que utiliza essas ondas ultrassôni-
cas que, ao atravessarem os tecidos dos órgãos, retornam em
forma de ecos, fornecendo imagens instantâneas durante a

43 ......
sua realização, com o auxílio de um computador. É um méto-
do não invasivo - não agride o corpo físico.
Consiste em fazer deslizar sobre a pele (vide figura
abaixo), na região a ser examinada, um pequeno aparelho
chamado transdutor, que emite ondas sonoras de alta fre-
quência que são captadas de volta em forma de ecos respon-
sáveis pelas imagens visíveis no computador. Assim, o trans-
dutor emite o estímulo (ondas sonoras) e o computador capta
as imagens (efeitos fotográficos).

Aparelho de uttrassonografia (à esquerda) e transdutor

2 -"Ultrassom da alma"
Utilizamos esse termo em analogia com o ultras-
som da medicina que acabamos de comentar. É óbvio, caro
leitor, que é apenas uma comparação. Se a medicina com
o seu ultrassom pode captar as desordens do organismo
humano, achamos que precisamos de algo para captar as
desordens da alma. Não se trata de um aparelho de alta
tecnologia, mas de uma associação de ideias que podem

44
demonstrar as imperfeições anímicas, para que possam ser
analisadas e combatidas, proporcionando ao seu portador
um viver melhor.
O que chamamos de "ultrassom da alma" é realizado
durante o exame psíquico, ou melhor, é o próprio exame psí-
quico do assistido quando este emite a(s) sua(s) queixa(s). Fo-
cando nela(s), responderá perguntas referentes ao seu modo
de vida, às suas imperfeições e às suas virtudes. Analogamen-
te, o questionamento feito pelo profissional ao paciente seria
o transdutor do ultrassom (estímulo sonoro) e as suas respos-
tas seriam os efeitos emocionais exteriorizados e captados,
oferecendo uma noção de sua personalidade e de um conteú-
do mais profundo (vide figura abaixo).

Assistido (à esquerda): imagem de si, através das respos-


tas com grande conteúdo emocional. Transdutor: formula-
ção das questões e estímulos (mobilização de energia)

45
Podemos ainda fazer a seguinte analogia: o som da
voz do profissional estimula o sentido auditivo do paciente
com as questões, e tais estímulos chegam aos corpos sutis
do espírito, que imprimem uma resposta de volta com forte
carga emocional.
Tal questionamento tem como base perguntas sobre
seu modo de ser, a imagem que faz de si, seus sentimentos,
seus pensamentos e suas relações interpessoais. São pergun-
tas simples, mas, frequentemente, causam um impacto que
mobiliza grande quantidade de energia. Comumente, não são
feitas pela maioria dos profissionais.
Nesse processo, como referimos, ocorre uma mobi-
lização da energia anímica do assistido, podendo acarretar
um estado de alteração da consciência. Essa energia psico-
física e mentomagnética é exteriorizada com um imenso
conteúdo emocional, podendo aumentar cada vez mais na
sequência das perguntas e respostas. A emoção, o sentimen-
to e os pensamentos são energias que geram na alma im-
pulsos vibratórios. Vale lembrar que não se consegue forjar
um estado de espírito, pois não se pode fingir um padrão
vibratório da alma.
Quando o assistido se esquiva das respostas é por-
que ele sabe que não pode simular seu estado de espírito e
conscientemente forma uma barreira defensiva. Neste caso, a
mobilização energética é muito fraca e prejudica o resultado
esperado. É o que acontece na realização de um ultrassom
específico (da medicina) que necessita de preparos prévios
como intestinos vazios, bexiga cheia ou vazia, jejum etc, e
não existindo tais requisitos o resultado estará prejudicado.
Mesmo com pouca ou nenhuma mobilização energéti-
ca, o questionário é de grande valia para que o assistido refli-
ta, no decorrer de sua vida, sobre o seu conteúdo, assunto que
será discutido durante toda esta obra.
Para entender a energia citada: a energia psicofísica
é do corpo físico com o seu psiquismo - mundo material; e
mentomagnética é a energia sutil emitida pelo corpo mental
do espírito (mente), transformada pelo perispírito em eletro-
magnética. Essa energia faz parte de todo o complexo energé-
tico do homem global responsável pela garantia da ordem e
da segurança da vida.
O ultrassom recolhe dados do mundo da matéria, en-
quanto o "ultrassom da alma" trabalha com dados exteriori-
zados e verbalizados da própria concepção que o indivíduo
faz de si como espírito. Não podemos nos esquecer de que o
psiquismo humano (inferior) vive na terceira dimensão, for-
necendo as referências e as noções da realidade deste mundo;
a mente vive em outra dimensão - espiritual (superior) -, co-
mandando o psiquismo inferior que lhe pertence.

47
A P R O P O S T A D E S T E L I V R O não é ensinar medicina e
psiquiatria. No entanto, para que meu objetivo (ajudar o meu
semelhante) seja alcançado e bem entendido, alguns conhe-
cimentos médicos são necessários e serão explicados de um
modo bem simples e de fácil compreensão.

1 - História do paciente
10
Em meu livro anterior , no capítulo "O médico espí-
rita", reportei a importância da figura do médico diante do
cliente durante a entrevista médica; a necessidade de uma
anamnese ampla (coleta de dados da vida do paciente); a de-
monstração de interesse na ajuda que lhe é requisitada nesse
momento; a consideração pelo semelhante; e a observação do
assistido como corpo e espírito.

10. J o s é Luiz C o n d o t t a . Ansiedade, pânico e depressão, E d . O C l a r i m .

51
A história do paciente deve ser a mais completa possível
- desde a gravidez até os dias atuais, passando por infância, ado-
lescência, vida adulta e velhice, se for o caso. Enfim, todos os fa-
tos relevantes que possam ter ocasionado um trauma emocional,
erros de decisões, traumas físicos e cirurgias e como se processou
o enfrentamento diante de qualquer trauma ou situação difícil.
Não existem anamnese e exame psíquico padroniza-
dos, como não há um exame físico-padrão em nenhuma das
especialidades da medicina. Aqui, como dissemos, colocam-se
em prática a experiência e a vivência médica de cada profis-
sional. É bom ressaltar que esses exames citados estão cada
vez mais precários, menos frequentes e trocados pelos feitos
da alta tecnologia e pela credibilidade exagerada nos medica-
mentos. Isso dificulta a troca energética e interfere sobrema-
neira na relação médico-paciente.
Alguns pacientes já me relataram que muitas vezes se
sentiram como um objeto ou uma máquina diante de alguns
profissionais; logicamente, esses pacientes também sentiram
tais profissionais apenas como consertadores de máquinas,
pois não ocorreu nenhum intercâmbio positivo de energia
(sintonia, simpatia).

2 - Exame do psiquismo do paciente


É o exame feito durante a consulta psiquiátrica. O seu
objetivo é verificar as condições do psiquismo do paciente.
Apenas com o diálogo médico-paciente as alterações se apre-
sentam e o diagnóstico vai se delineando.

52
Durante esse exame são verificados: atenção, concen-
tração, sensopercepção, orientação, estado de consciência,
curso e conteúdo do pensamento, linguagem, inteligência,
conduta durante a entrevista, afetividade etc. Esse exame pro-
cura detectar as desordens do psiquismo relacionadas com os
sintomas exteriorizados ou referidos. A história do paciente
somada ao seu exame psíquico direciona o profissional para o
diagnóstico psiquiátrico.
O paciente que nos procura traz a sua problemática, e,
durante a entrevista, começamos a perceber sua personalida-
de, seus conflitos, seus objetivos de vida, sua fé e seu desejo
ou não de enveredar pela terapia que propomos, um trata-
mento psicológico-espiritual.
Os que não aceitam essa visão espiritual são tratados com
os recursos da medicina tradicional. Como simples exemplo:
a) História do paciente: perda de um ente querido, com
uma tristeza e outros sintomas depressivos, há meses (longo
tempo de luto);
b) Exame psíquico: intensa labilidade da afetividade,
porém com conservação das outras funções psíquicas;
c) Hipótese diagnostica: transtorno depressivo;
d) Conduta para o caso: tratamento farmacológico (me-
dicamentos) e outros, conforme a visão de cada profissional.
Nesse exemplo, toda ação do profissional se processa
de acordo com a ciência médica oficializada com os seus pa-
râmetros de pesquisa, levando em conta os sintomas (efeitos)
e as condições do psiquismo de superfície. A causa do esta-

53
do depressivo é atribuída à perda do ente querido. Não se
considera o homem como espírito, pois, se assim fosse, seria
necessário saber o porquê da não aceitação dessa perda e o
seu significado.

3 - Visão do paciente como espírito


Diante da opção pela terapia da renovação, diversos
passos devem ser seguidos e neles os pontos que devem ser
verificados e clareados (em destaque) pelo terapeuta durante
a captação da história, que chamamos de anamnese espiri-
tual. São eles:
1. Queixas, sinais e sintomas;
2. Fator(es) causador(es) da problemática atual. O
paciente atribui os sintomas a um fator que acha
ser o causador de seu sofrimento e sintomas;
3. Sua responsabilidade e aceitação (conivência)
no aparecimento do fator desencadeante - verifi-
cação do grau de humildade e reconhecimen-
to dos equívocos, culpa e arrependimento;
4. Objetivo(s) de vida a partir da problemática -
vislumbrar o caminho a percorrer para a sua
transformação;
5. Disposição para sanar ou aliviar o fator estres-
sor decorrente da problemática - verificação da
vontade;
6. Como foi sua vida até o momento e a capaci-
dade de mudar diante das diversas situações já

54
enfrentadas - verificação da rigidez, da infle-
xibilidade e da resistência a novas situações;
7. Como está Deus em sua vida - verificação da
fé e da submissão a um Ser Superior;
8. Se alega existir pessoa (ou várias) responsável
pelo seu sofrimento - verificação da dificulda-
de para admitir erros, falhas e equívocos e se
apresenta defesa que projeta suas imperfei-
ções em outros;
9. Revivência do início da problemática - verifica-
ção da participação no evento;
10. A necessidade de mudança diante do sofrimen-
to do momento - verificação da disponibilida-
de e da abertura para a espiritualidade.
Tendo em mãos essa visão da personalidade do indiví-
duo, o profissional pode dar início à terapia renovadora. In-
sistimos que o uso da fé raciocinada, independentemente de
religião e crença, é fundamental para lidar com os transtornos
emocionais e as doenças físicas.

55
E S S E E X A M E difere do exame psíquico clássico por não
ser puramente objetivo, por não ficar limitado à história e à
observação de um doente como se fosse um objeto. Está fun-
damentado na "penetração intersubjetiva entre o espírito do
11
observador e o espírito do paciente" . Aquele pretende en-
tender, e este, explicar, num intercâmbio afetivo-construtivo.
É um método mais compreensivo que complementa o exame
clássico, tradicional.
Meu desejo é que todos saibam que o exame psíquico
que será abordado pode ser feito por qualquer profissional,
mas o diferencial é que o próprio paciente poderá aplicá-lo
em si mesmo, desde que tenha uma vontade muito grande de
se renovar e ser sincero consigo mesmo nas respostas (roteiro
para a renovação, logo adiante), sem receio de saber ou de se

11. H e n r y Ey e P. B e r b a r d . Tratado de Psiquiatria, p. 79.

59
assustar com o que realmente é. Como sempre referimos, o
que se busca é a autocura.
Quando o indivíduo está perdido em preocupações,
estresse, medos e emoções desequilibradas, sempre necessita
de alguém que lhe abra a visão e indique-lhe um caminho
com saídas para esses estados aflitivos. É importante destacar
que o desfecho de sua melhora, ou até de sua cura, fica por
conta dele mesmo.
Em um estado de crise, com comprometimento do psi-
quismo pela problemática, o exercício da renovação fica con-
taminado pela labilidade psíquica comandada pela alterada
vibração da alma - daí o acompanhamento do psicoterapeuta
ser de grande valia e, na maioria das vezes, imprescindível.
Nesse exame psíquico que chamamos de"ultrassom da
alma", tendo em mãos a história do paciente, já temos condi-
ções de "sentir" a sua personalidade e a visão que está tendo
dos fatos que o afetam, demonstrados através de sintomas
desconfortantes. Com isso se pode estruturar as perguntas
mais importantes para cada caso consultado. Trata-se de uma
abordagem individual.
O questionamento feito diretamente ao paciente pro-
cura causar um impacto emocional, com mobilização da ener-
gia anímica, que será exteriorizada durante suas respostas.
Procura-se, assim, mapear o estado de espírito do paciente,
conscientizá-lo dos pontos desarmonizados e sugerir-lhe uma
adaptação, ou encontrar um melhor caminho para o alívio
dos sintomas reclamados.

60
Esse questionamento varia de acordo com a visão que
se tem do paciente-espirito e da experiência do profissional
que poderá aumentar ou diminuir o rol das questões. Deve-
mos, antes do início do questionamento, pedir ao paciente
que seja espontâneo e sincero consigo mesmo ao emitir suas
respostas. Com esse comando já se inicia a mobilização de
sua energia emocional, que pode quebrar a resistência que
porventura tenha para se revelar.
A sinceridade é um fator indispensável na terapia,
pois, se a pessoa é ciumenta e responde que não é, como ela
poderá trabalhar o ciúme que diz não ter? É provável que essa
imperfeição, mesmo não admitida, aparecerá durante a tera-
pia e poderá ser trabalhada.
Insisto em dizer que um indivíduo em condições psíqui-
cas razoáveis e com um certo grau de maturidade espiritual
pode aplicar em si mesmo as perguntas, e, ao respondê-las,
conhecer-se melhor e visualizar as possibilidades para sua re-
novação e evolução, aprendendo a enfrentar melhor os pro-
blemas que, com certeza, aparecerão durante sua existência. É
uma autoterapia. Não é fácil, mas é possível, desde que se te-
nha empenho, determinação e autossinceridade. O indivíduo
deve assumir a responsabilidade, pois, se teve a escolha para
criar o problema, é hora de outra escolha para solucioná-lo.

61
D E S T E PONTO em diante, o leitor terá um questioná-
rio geral - um roteiro para a renovação. Abordaremos as per-
guntas mais urgentes e necessárias, lembrando, porém, que o
número de questões é flexível, tanto para mais quanto para
menos, portanto variável para cada paciente. Muitas vezes,
conforme a problemática e a experiência do profissional, pou-
cas já são suficientes. Este exemplo de roteiro é composto de
40 perguntas.
Em seguida a cada pergunta, serão abordados esclare-
cimentos sobre os seus elementos. Logicamente, esses conhe-
cimentos não serão discutidos com os pacientes como estão
aqui descritos. São ferramentas aplicadas na terapia que pre-
tende orientar o paciente para o caminho da renovação, ou
seja, para novas atitudes diante do sofrimento surgido pela
dificuldade em mudar.
Quando o paciente já possui tais conhecimentos, o
entendimento do seu sofrimento é quase instantâneo e uma
eventual defesa para não aceitar a sua problemática pode ser
desfeita rapidamente. Salientamos que esses simples conheci-
mentos são importantes àqueles que desejam praticar a auto-
terapia. Nessa empreitada, por exemplo, o indivíduo respon-
dendo para si que tem mágoa, terá de saber e conhecer bem
o que é mágoa. Para isso, como dissemos, para cada pergunta
seguem os esclarecimentos do seu elemento. Eis as questões:

1 - Você associa os sintomas com algum aconteci-


mento ou trauma ocorridos recentemente ou em algum
tempo da sua vida?
Com esse esclarecimento, buscamos o cerne da proble-
mática. Uma vez definido, devemos mantê-lo "vivo" na mente
do assistido, repetindo-o de vez em quando. Na autoterapia, o
indivíduo está inteiramente voltado ao que lhe perturba.
A partir das questões seguintes, o ritmo das perguntas
deve ser mais rápido e as respostas devem se ater ao sim ou
não, ou apenas a poucas palavras, conforme a questão.

2 - Você tem raiva?


3 - Tem ódio?
4 - Tem mágoa?

As respostas mais comuns:"tenho raiva, mas não ódio";


"o que eu sinto não chega a ser ódio, mas mágoa"; "sim, tenho

66
muita mágoa"; "a mágoa me corrói"; "o ódio está acabando
comigo" etc. Dificilmente alguém responde não, e os que o
fazem não sabem quase nada sobre esses sentimentos.
Essas perguntas representam emoções e sentimentos
comuns (raiva, mágoa e ódio) prejudiciais às vidas dos seres
humanos - dificilmente alguém não os tem, em diferentes
graus. Sendo assim, reportaremos mínimos conhecimen-
tos sobre eles e algumas estratégias para enfrentá-los, caso
a pessoa aplique em si mesma o questionário. É obvio que
o indivíduo que recorre ao psicoterapeuta receberá deste as
explicações de apoio para o enfrentamento de sua problemá-
tica. Repetimos: são conhecimentos básicos necessários para
a dinâmica terapêutica.

12
Raiva, ódio e mágoa
Definir emoções e sentimentos não é uma tarefa fácil.
Isso, logicamente, acontece com a raiva e o ódio. É tão difícil
defini-los, que mesmo os indivíduos que os sentem não con-
seguem expressá-los adequadamente, e é por isso que exis-
tem inúmeras definições para eles.
Todas as emoções, tanto as negativas quanto as posi-
tivas, estão presentes no homem. A raiva é um exemplo ne-
gativo. E instintiva e tem como objetivo a autopreservação,
a defesa contra um estímulo agressor. É protetora, mas deve
ser muito bem extravasada e canalizada frente a esse estímu-

12. J o s é Luiz C o n d o t t a . " R a i v a , m á g o a e ódio". Artigo publicado na Revista


Internacional de Espiritismo, E d . O C l a r i m , abril/2016.

67
lo. Não deve ser, de forma alguma, armazenada além de um
limite, pois pode provocar diversos sintomas a seu portador.
Muitos acham que o ódio é um sentimento mais pro-
fundo que a raiva, e que a mágoa é uma raiva mais branda.
Conclui-se por esse raciocínio que estão numa mesma linha
de sentimentos e o que varia é a sua intensidade, conforme
mostra o esquema (a):

Mas será que é isso mesmo? Acreditamos que não. A


raiva é uma emoção (relaciona-se com a ideia que se faz do
estímulo, da situação) e o ódio é um sentimento (é o sentir
a ideia). Portanto, são diferentes. Podem estar interligados,
mas não são a mesma coisa. Alguns exemplos nos auxiliam
nesse entendimento:
1. Um grupo de pessoas se irmana contra outro
considerado inimigo, deflagrando ataques movi-

68
dos pelo ódio; comumente, essa situação termina
numa guerra, como assistimos atualmente em di-
versas partes do mundo.
2. Alguém sofre uma ofensa e guarda uma mágoa
do ofensor.
3. No trânsito, um cidadão dirigindo o seu auto-
móvel é fechado por outro. É acometido por inten-
sa emoção e muitas vezes ocorrem xingamentos,
como vemos rotineiramente e já pode ter aconte-
cido com qualquer um de nós.
Nos dois primeiros exemplos, o sentimento ocorreu
entre pessoas e, no terceiro, ocorreu numa situação estres-
sante. Neste último caso, não houve um direcionamento pes-
soa para pessoa. Na maioria das vezes, ninguém sabe quem
fechou ou foi fechado no trânsito. Em minutos a situação
pode ser esquecida. Nos outros dois exemplos, ocorreu um
sentimento de ódio de pessoa para pessoa. Assim, podemos
delinear o ódio e a mágoa dirigidos para um objeto-pessoa e
a raiva dirigida para situações. Por isso é comum ouvirmos:
está com ódio ou mágoa de quem? Está com raiva por que
ou do quê?
Em algum momento de nossas vidas, quase todos nós
já tivemos situações de raiva intensa (como o exemplo da si-
tuação no trânsito) e pode surgir a vontade de agredir o pró-
ximo, sem saber precisamente quem. Nesse mesmo exemplo,
se as pessoas envolvidas no acidente do trânsito se encon-
trarem para discutir o ocorrido, além da raiva (emoção) da

69 - - -
situação, pode ocorrer o sentimento de ódio daquele que se
sentiu ofendido contra o seu ofensor. Vejam: pessoa para pes-
soa - ódio. Comumente o que ocorre é isto: a emoção e depois
o sentimento; a raiva e depois o ódio.
A energia da raiva se dissipa quando a situação estres-
sante termina e tende a se enfraquecer mesmo que a situação
seja relembrada. Mesmo em grau extremo - o ataque de raiva
-, a explosão da força negativa tende a diminuir gradativa-
mente e, muitas vezes, horas depois, a pessoa nem se lembra
do que aconteceu. O ódio é uma força avassaladora, extrema-
mente negativa e dirigida a alguém. A imagem internalizada
desse alguém quando relembrada alimenta continuamente
essa força. O ódio pode se atenuar e se transformar em mágoa
crônica, mas, mesmo sendo uma força de pouca intensidade,
é perniciosa, mina a energia vital, provocando o desequilíbrio
energético da alma, o qual é repassado ao corpo físico, ge-
rando sintomas físicos e psíquicos. Cabe aqui aquela famosa
frase: "Sentir ódio é tomar um copo de veneno e querer que
o outro morra." Lembramos ainda do sentimento extremo do
ódio conhecido como ira, um dos sete pecados capitais da
Igreja Católica.

Com esses conhecimentos, podemos dizer que a má-


goa, o ódio e a ira estão numa mesma linha de sentimento
e que variam conforme a intensidade. A raiva também pode
adquirir uma intensidade extrema, emoção que conhecemos
como "ataque de raiva". São linhas diferentes como mostra-
mos nos esquemas (b) e (c):

70
Temos consciência de que o ódio, como uma força ne-
gativa e avassaladora, se contrapõe ao sentimento amor, de
força positiva e indescritível. Estão na mesma linha de senti-
mento em sentidos opostos. Durante a vida, conforme o que
ela nos oferece e escolhemos, ficamos andando sobre essa
linha. Necessitamos de conhecimentos e de práticas saluta-
res para que nos aproximemos mais do amor. As dificuldades
para nos situarmos nessa posição positiva são por conta das
nossas deficiências, entendidas como imperfeições, principal-
mente o orgulho e o egoísmo, bloqueadoras da nossa chegada
ao amor - esquema (d).

71
Muitos perguntam se a raiva e o ódio devem ser trata-
dos. É claro que tudo que desarmoniza o homem (corpo-espí-
rito) deve ser tratado.
Um indivíduo constantemente raivoso, estressado,
pode apresentar os mesmos sintomas de um portador de
ódio ou de mágoa crônica. Aliás, a mágoa é um dos fato-
res mais encontrados nos estados depressivos. Os sintomas
mais frequentemente exteriorizados pelo corpo são: irrita-
ção, dificuldade de atenção e concentração, sono perturba-
do, uma gama de sintomas depressivos e de ansiedade. Note
que esses sintomas podem provocar problemas no trabalho
(desatenção e desconcentração), na vida familiar e social.
Muitas pessoas necessitam da ajuda de um profissional es-
pecializado e capacitado. O tratamento espiritual pode ser
de grande valia, pois traz conhecimentos sempre visando ao
equilíbrio corpo-espírito.
Lidar com a raiva e o ódio não é tarefa fácil. Geral-
mente as pessoas lidam com essa emoção e sentimento de
forma negativa, ou seja, explodem, perdem o controle de si, se
precipitam e perdem a razão. Outras vezes, abaixam a cabeça,
dizem amém a tudo e engolem muitos sapos. Nem tanto lá,
nem tanto cá - é preciso observar o equilíbrio.
A Doutrina Espírita é incisiva e direta ao recomendar
que todos devem lidar com a raiva e o ódio de modo positivo,
sem reprimir, sem explodir e sem se prejudicar. Como? Pode
alguém pensar que se trata de um milagre, mas não é. São
ensinamentos que, quando bem praticados, com certeza, ali-
viam a energia negativa presente nos afetos negativos. Alguns
passos para esse objetivo:
1. Externar os sentimentos e as emoções negativas
na hora certa (para não realimentar a força ne-
gativa), do jeito certo (com muita compreensão),
na medida certa (sem exaltação e agressividade) e
com a pessoa certa (o estímulo). Saber dizer não.
Muitas vezes, dizer não é cuidar de si, é enfrentar
o problema.
2. Pensar lógica e racionalmente se o estímulo (si-
tuação ou alguém) tem o valor real que a ele está
sendo dado. Pergunte a si: vale a pena perturbar a
minha saúde física e psíquica por esse estímulo?
Qual o valor que estou dando ao meu bem-estar?
3. Desapegar-se do passado que traz raiva, mágoa
e sentimento de vingança.
4. Mudanças dos padrões de pensamento para
admitir que ninguém é vítima de ninguém e sim
da própria constituição espiritual.
5. Identificar a origem dos sentimentos negativos,
isto é, os estímulos prejudiciais, para poder admi-
nistrá-los melhor.
Note que na raiva, na mágoa e no ódio, a força nega-
tiva presente gira em circuito fechado de pensamentos, emo-
ções e sentimentos (auto-obsessão), prejudicando o equilíbrio
energético do ser humano. Nessa condição o campo fica pro-
pício a influências externas, os obsessores.

73
A Doutrina Espírita, através de sua vasta literatura,
nos presenteia com conselhos maravilhosos dos mentores
espirituais para combatermos as emoções e os sentimentos
3
negativos. Vejamos alguns do mentor André Luiz' , pela cris-
talina mediunidade de Chico Xavier:

Cada pessoa vê os problemas da vida em ân-

gulo diferente. Dê aos outros a liberdade de

pensar, tanto quanto você é livre para pensar

como deseja.

Respeitemos a opinião do inimigo, porque é

possível que seja ele portador de verdades que

ainda desconhecemos, até mesmo em relação

a nós.

Reconheçamos o fato de que, muitas vezes,

chegamos a odiar simplesmente porque a pes-

soa não adota os nossos pontos de vista.

A crítica dos outros só poderá trazer-lhe pre-

juízo se você consentir.

Se alguém feriu você, perdoe imediatamente,

frustrando o mal no nascedouro.

A melhor maneira de aprender a desculpar os

erros alheios é reconhecer que também somos

humanos capazes de errar, talvez mais desas-

tradamente que os outros.

13. C h i c o X a v i e r / A n d r é Luiz. Sinal Verde, pp. 36-37 e 56.

74
O adversário em que você julga encontrar um

modelo de perversidade, talvez seja um doente

necessitando de compreensão.

Quanto mais avança a ciência médica, mais

compreende que o ódio em forma de vingança,

condenação, ressentimento, inveja ou hostilida-

de está na raiz de numerosas doenças e que o

único remédio eficaz contra semelhantes cala-

midades da alma é o perdão no veículo do amor.

O estudo da Física Quântica oferece conhecimentos


sobre o entrelaçamento de partículas que, mesmo separadas
por distâncias enormes, se correspondem quando uma delas é
estimulada. Quando duas pessoas se amam ou se odeiam, ou
apresentam sentimentos ambíguos, causam entre si uma sin-
tonia e se conectam, sem as variantes tempo e espaço. Ocorre
entre elas uma ressonância, troca de informações (formas-
-pensamento, como ensinou André Luiz no livro Evolução em

dois mundos).

E bom lembrar que, quando as pessoas estão implica-


das nesses sentimentos, uma não sai da "cabeça" (mente) da
outra, como dizem. Os seus padrões vibracionais da alma e
do corpo sofrem alterações negativas se ligadas pelo ódio e
muito positivas se conectadas pelo amor.

5 - Você tem culpa?


6 - Tem arrependimento?

75
7 - Tem remorso?

As perguntas 5, 6 e 7 (culpa, arrependimento e remor-


so) objetivam esclarecer esses sentimentos negativos, pertur-
badores, maléficos para a alma. Induzem a uma corrente de
pensamentos em circuito fechado, que rumina e desgasta,
produzindo a desarmonia energética da alma, até o ponto
em que passa a ser sentida pelo corpo físico e começam a
aparecer os sintomas físicos e emocionais. Muitos não têm
ideia do estrago feito pela culpa no estado emocional dos
seres humanos.
O homem utiliza muitas defesas psicológicas para se
defender da ansiedade, uma expectativa da ocorrência de um
evento futuro. Essas mesmas defesas são empregadas para
reduzir o sentimento de culpa. A mais utilizada é a repara-
ção - a tentativa de reduzir a culpa do dano que imagina ter
cometido. Comumente, a culpa está associada com o pavor
da punição pela consciência que acusa a infração cometida
de um preceito moral.
A culpa aparece quando, conscientemente, se foge da
lei universal, através de atos negativos, pensamentos malé-
ficos, erros e omissões praticados contra alguém ou alguma
coisa, que poderiam ser evitados e deliberadamente não fo-
ram. Muitas vezes, o conteúdo emocional é desproporcional
ao evento para quem analisa, mas não para quem o sente.
A culpa gera o arrependimento, que se torna fixo na
mente, como pensamentos amargos e ruminantes.

----- 7 6
O remorso originado do sentimento de culpa e arre-
pendimento impõe brechas de sombras aos tecidos sutis da
alma, que expele uma corrente energética nociva, provocando
desarmonia psíquica. Esses sentimentos negativos produzem
uma autocrítica rigorosa e, consequentemente, a autopunição
e em seguida a autocondenação. Nesse estado o indivíduo co-
meça a exteriorizar fortes sintomas de um desequilíbrio emo-
cional, principalmente sintomas depressivos.

Para que tudo isso fique bem entendido, no gráfico aci-


ma procuramos explicar a gênese desse desequilíbrio a partir do
equívoco, do erro. Observe que o equívoco praticado leva à culpa.
Esta leva ao arrependimento, que também é censurado pela cons-

77
ciência, que coloca o indivíduo entre duas escolhas, conforme a
sua evolução: ou o remorso (um arrependimento mal-entendido),
com autopunição e condenação - fatores desencadeantes das
doenças -, ou uma reparação, tendo-a como um recomeço, com
ações positivas e intenção de não repetir o mesmo equívoco.
Um ensinamento importante de Emmanuel nos ajuda
em um momento de arrependimento e remorso:

O remorso é a força do arrependimento e este é

a energia que precede o esforço regenerador, a

fim de retificar os desvios e renovar os valores

u
maiores, na jornada para Deus .

8 - Você tem medo?


Supondo-se que a resposta seja sim - a mais frequente,
90% dos casos -, num segundo momento perguntamos: medo
do quê? Temos as mais diferentes respostas, mas precisamos
saber e entender o medo.
O medo é um estado afetivo suscitado pela consciência
do perigo. É uma reação emocional diante de algum estímulo
físico ou mental que gera uma resposta de alerta no organis-
mo. Esses estímulos, mesmo sendo reais, são interpretados
pelo indivíduo que exterioriza o medo com a intensidade que
depende dessa interpretação. Além disso, essa interpretação
pode conter uma imaginação fértil e comprometedora, au-
mentando e alimentando o medo.

14. C h i c o X a v i e r / E m m a n u e l . Palavras de Emmanuel, p. 177.

78
Para a neurologia, o medo aparece quando ocorre a
ativação de algumas estruturas cerebrais, dentre elas o locus

coeruleus Dessa forma, só se pode entender que o medo se


encontra no cérebro.
Para a psicologia, o medo é um estado afetivo e emo-
cional necessário para o organismo se adaptar ao meio. Com
razão, os medos dentro de limites normais são protetores e
empurram o homem para a evolução. O medo de caminhar
sozinho por uma rua escura, erma, só pode ser protetor e pro-
filático a algum acontecimento indesejado. Um medo despro-
porcional, por outro lado, pode desarmonizar o psiquismo,
como o medo excessivo da morte.
A resposta dada pelo paciente pode incluir algum
medo específico, caracterizado pela clínica psiquiátrica como
fobia. São várias as fobias específicas; as mais comuns: medo
de lugares fechados (claustrofobia); medo de lugares abertos
(agorafobia); medo de altura (acrofobia); medo de pessoas es-
trangeiras (xenofobia); medo de conviver com os semelhantes
(fobia social); medo do futuro; medo de ficar sem companhia
(relacionado à solidão); medo de um revés financeiro; medo
da morte e outras.
Do ponto de vista espírita, o medo, sendo um estado
afetivo-emocional, consequentemente, é um sentimento do
espírito, pois os afetos (emoções e sentimentos) são patrimô-
nio dele.

15. M a r c o A n d r é M e z z a s a l m a e outros. " N e u r o a n a t o m i a do Transtorno do


Pânico".

79
A ciência espírita não discorda de nenhuma teoria da
ciência terrena, apenas refere que a causa está no espírito que
age sobre o corpo, ativando o cérebro (locus coeruleus, con-
forme a neurociência) e exteriorizando o medo em diversas
intensidades, podendo ser protetor conforme a psicologia.

9 - Você tem preconceito?


Todas as imperfeições que trazemos das nossas exis-
tências pretéritas estão aderidas fortemente em nossas almas
e necessitamos de muito trabalho, persistência e, às vezes, so-
frimento para que possamos eliminá-las ou, pelo menos, ame-
nizá-las. São heranças espirituais. O preconceito é uma delas.
Por preconceito entendemos uma ideia preconcebida.
Uma suspeita, uma intolerância ou uma aversão a outras
raças, credos, religiões, comportamentos etc. Deparamos a
todo momento com pessoas preconceituosas, mas não pode-
mos nos esquecer de que também nos encontramos com ou-
tras muitas orgulhosas, egoístas, prepotentes e materialis-
tas. Assim, diversos conceitos estão sujeitos a interpretações
restritivas, em razão das desigualdades morais, intelectuais,
emocionais e psíquicas. Colocando o preconceito no crivo da
Lei de Deus, surge um modo para nos guiar quando somos
tachados de preconceituosos. Essa lei deve ser entendida,
como nos ensina Kardec, como a lei natural:

É a única verdadeira para a felicidade do ho-

mem. Indica-lhe que o que deve fazer ou deixar

80
de fazer e ele só é infeliz quando dela se afasta

(...) se acha contida toda no preceito do amor

ao próximo

O conhecimento e o entendimento da relação entre


a lei humana e a lei de Deus fazem com que se aprimore
o discernimento e melhore o juízo do que realmente é um
preconceito. Com isso, estamos querendo dizer que nem
tudo que é catalogado como preconceito verdadeiramente
o é. Esse conhecimento é de extrema importância. Muitas
vezes, um indivíduo está preso nas amarras da culpa por
achar que cometeu um ato preconceituoso contra alguém
ou alguma situação. Mesmo tendo passado o fato, consi-
derado preconceituoso, pelo crivo de sua consciência, pelo
crivo do bem e do mal, a culpa pode aparecer. Isso é comum
na prática médica.
Como relatamos há pouco, a pessoa deve agir, no
momento, de acordo com o entendimento que tem das leis.
Esse entendimento deve ser dinâmico, pois sempre se tem o
que aprender quanto mais se vive e se estuda, e os conceitos
também se modificam dentro de cada ser. Hoje se pensa e se
julga de um modo, amanhã de outro - é a evolução. O que
não se deve fazer é entrar em conflito com outras pessoas
que pensam diferentemente sobre determinados assuntos e
comportamentos, gerando uma discussão que pode levar ao
incremento da culpa.

16. A l l a n K a r d e c . O Livro dos Espíritos, p. 256.

81
Quando você conscientemente praticou um ato pre-
conceituoso, pare, reflita, estude e procure mudar. A culpa do
ato deve servir para a mudança e deve durar o menos possí-
vel. Quando for tachado de preconceituoso, utilize o mesmo
mecanismo e tire a própria conclusão (de acordo com as leis).
Como dissemos, nem tudo o que é apontado como preconcei-
to necessariamente o é. Não vale a pena se atritar com nin-
guém por ideias incompatíveis.

10 - Você recebe bem as críticas?


Não.
Essa é a resposta dada por dois terços dos pacientes.
Crítica significa uma apreciação minuciosa, que pode
ser favorável ou não, de algo, de alguma situação, de certo
comportamento etc. Pode ser um elogio, uma amabilidade,
um galanteio, mas pode ser uma recriminação ou até mesmo
uma maledicência.
Sempre é bom lembrar que a crítica faz parte da vida
cotidiana do ser humano em qualquer contexto; mesmo
quando está só, dependendo de sua maturidade, ele pode se
autocriticar. Portanto, todos criticam e são criticados. Cada
um deve saber como fazer e como receber as críticas, para que
não se crie um campo mentopsíquico negativo.
A reação das pessoas ao receber uma crítica, em geral,
não é muito positiva. Quando a crítica é considerada destru-
tiva, dificilmente ela é aceita, mexe com o ego de forma nega-
tiva e muitas vezes é vista como ofensa. As críticas conside-

82
radas construtivas, estas sim, são bem mais aceitas e, como
dizem, "massageiam" o ego. Ambas, além de excitarem o ego,
estimulam também a alma.
As chamadas críticas destrutivas, na maioria das vezes,
são feitas de maneira rude e direta, sem qualquer delicadeza
por parte do crítico, mas também podem ser expostas com
sutileza e cortesia. Se as entende como ofensa, o criticado
pode desencadear um estado de raiva e de ódio, quase sem-
pre acompanhado por um sentimento de vingança. Portanto,
tais críticas são cheias de informações negativas que podem
comprometer o comportamento, a motivação, a autoestima e
o psiquismo de quem as recebe. Aqueles que não as recebem
bem sofrem, o que configura um bom motivo para o desenca-
deamento de transtornos emocionais.
As críticas construtivas são aquelas apontadas como
positivas - elogios e aceitação a respeito de uma ação da
pessoa em determinada situação, provocando-lhe bem-estar,
um sentimento de alegria por ter desempenhado satisfatoria-
mente o seu papel naquele contexto específico. Essas críticas
devem ser bem refletidas, pois podem envaidecer.
A aceitação das críticas deve ser positiva, mas isso
depende da maturidade espiritual que se reflete no controle
emocional do indivíduo.
Não existem críticas negativas e críticas positivas,
como se denominam, na medida em que as críticas são sem-
pre reconstrutivas. As chamadas destrutivas devem ser muito
bem analisadas e refletidas por quem as recebe. Elas podem

83
ressaltar pontos fracos da personalidade e do modo de agir
do criticado que precisam mesmo ser revistos. As construti-
vas sendo positivas também merecem atenção e devem fun-
cionar como estímulos, objetivando a elevação da pessoa a
um patamar ainda mais adequado ao que essas críticas con-
têm de bom. Portanto, tanto uma como outra são recons-
trutivas. Reconstroem o desempenho, retirando o indivíduo
da estática. Uma para corrigir, realinhar os pontos fracos e
provocar o amadurecimento; a outra para incrementar e fa-
zer com que o indivíduo tente melhorar ainda mais, em um
movimento dinâmico e ascendente. Emmanuel esclarece que

O "sim" pode ser muito agradável em todas as

situações, todavia o "não", em determinados

setores da luta humana, é mais construtivo 17.

Não podemos nos esquecer de que a pessoa crítica, na


maioria das vezes, esconde por trás dessa ação outros sentimen-
tos negativos, como a inveja, o ciúme, a raiva, a inferioridade, o
julgamento negativo etc, que interferem, sobremaneira, na sua
emoção e na sua vida de relação. Isso será visto mais adiante.

11 - Você julga as pessoas?


É um complemento da pergunta anterior, pois quem
julga algo, só o faz depois de sua avaliação crítica. Como fazer
uma crítica e julgar é que são elas...

17. C h i c o X a v i e r / E m m a n u e l . Palavras de Emmanuel, p. 180.

84
O ser humano, ainda em fase de amadurecimento es-
piritual, deixa-se contaminar pelos desejos do ego, o grande
entrave para sua maturidade. O imaturo julga muito e não
sabe muito bem discernir.
Vejam estas palavras de Emmanuel:

Entre julgar e discernir, há sempre grande

distância. O ato de julgar pertence à autori-

dade divina, porém, o direito da análise está

instituído a todos os Espíritos, de modo que,

discernindo o bem do mal, o erro e a verdade,

possam as criaturas traçar as diretrizes do seu

melhor caminho para Deus.™

Julgar os outros é algo muito comum e ser julgado


também o é; desse modo, constantemente, todos julgam e to-
dos são julgados, sem que isso possa ser evitado.
O homem que considera sua visão como a única válida
fica impedido de ir além, de compreender outras perspectivas,
e julga tudo dentro de sua limitação. Esquece que nem sem-
pre tem razão e que a sua maneira de pensar não é sempre a
mais correta. Geralmente quando fazemos um julgamento é
quase impossível que tenhamos todas as informações e o his-
tórico necessários para tal, contaminando-o com nossa crítica
e o limitado discernimento que possuímos. Emmanuel escla-
rece magnificamente:

85
Quando somos julgados, no nosso entender, de forma
equivocada, não gostamos disso e sempre apresentamos argu-
mentos, considerando-nos injustiçados. Por quê? Porque quere-
mos que o nosso julgador conheça toda a nossa história, para so-
mente depois julgar, em vez de ficar na superficialidade dos fatos.
Quando julgamos, também nós queremos fazer valer
o nosso julgamento, feito com base apenas em nossa visão e
sem muito conhecer a respeito de quem está sendo julgado.
Queremos, na verdade, que todos vejam o mundo como nós o
vemos. Não devemos nos esquecer de que o ato que hoje jul-
gamos de forma negativa, poderemos vir a praticar amanhã.
Aqui, vale o dito: "Nunca diga que dessa água não beberei."
Para que comece a abrir sua mente e a julgar menos,
o indivíduo deve, de imediato, refletir e discernir melhor, ser
mais compreensivo, tolerante, respeitoso e amoroso. A boa
receita, como sempre, está nos ensinamentos de Jesus: "Faça
aos outros o que quer que os outros façam para você" - colo-
que-se sempre no lugar do outro.
O que realmente um indivíduo deseja com o seu jul-
gamento? Várias coisas: que só seja correta a maneira como

86
ele pensa; que o outro veja o mundo como ele; que não sejam
aceitáveis diferenças de pensamento e sentimento; ser melhor
que os outros, demonstrando uma ação egoísta. Ao julgar, a
pessoa se define, mostra-se como realmente é.
Atentem para o saber do grande escritor Paulo Coelho:

Nunca podemos julgar a vida dos outros, por-

que cada um sabe da sua própria dor e da sua

própria renúncia. Uma coisa é você achar que

está no caminho certo, outra é achar que o seu

20
caminho é o único.

O que pode causar um julgamento? Um dano muito gran-


de para quem o recebe, em todos os sentidos. Se houver necessi-
dade de julgar ou de analisar, faça-o de forma delicada, sempre
pensando no bem. Lembremo-nos do sofrimento que tivemos
quando fomos julgados em vez de analisados. Julgar dói, pois po-
demos estar fazendo o mal, e ser julgado também dói, pela in-
compreensão e o desamor. Não devemos julgar, o que é quase im-
possível na nossa atual evolução, mas julguemos cada vez menos.

12 - Você se acha perfeccionista?


Perfeccionismo é a tendência a obstinar-se em fazer to-
das as coisas com perfeição.
É um traço da personalidade que pode causar efeitos
positivos, uma saudável vibração da alma, levando os indiví-

87
duos a um estado feliz. Tais perfeccionistas são pessoas que
estão buscando a perfeição, sem que isso afete a sua vida psí-
quica, e se sentem bem com essa busca. Tendem sempre a
desempenhar bem as suas tarefas. A psicologia chama esse
tipo de perfeccionista de normal ou positivo.

Contudo, esse traço da personalidade pode ser muito


negativo e funcionar como um entrave para o desenvolvi-
mento da pessoa como espírito. Os perfeccionistas nega-
tivos ou neuróticos apresentam características marcantes:
nunca estão satisfeitos com nada do que fazem, com os
seus esforços e com os resultados alcançados quando al-
mejam um objetivo. São muito críticos consigo e com os
outros, fazendo com que não recebam bem as críticas que
lhes são dirigidas.
Uma marca importante dos perfeccionistas é o medo
de errar. Esse medo é responsável pela repetição e a revisão
constantes do trabalho que estão realizando, fiscalizando
se existe erro ou defeito. Em excesso, isso pode ser carac-
terizado como um sinal de transtorno obsessivo-compul-
sivo. Quando de fato ocorre um equívoco de sua parte, ou
quando alguém lhe mostra um erro seu, o perfeccionista
sofre, culpa-se e condena-se, tem sua autoestima abalada
e sua confiança solapada, o que pode abrir caminho para
a depressão.
O perfeccionista quer sempre ser perfeito em tudo, e
isso exige uma grande carga emocional e física, por ele estar
sempre em busca da excelência. Sai pelo mundo querendo ver

88
tudo perfeito, e a perfeição é algo que muito raramente ou
nunca se encontra; dessa forma, ocorre-lhe a frustração, fa-
zendo com que incorra na crítica e no julgamento das pessoas
e coisas - para ele, imperfeitas.
Encontramos em nossa vida profissional essa marca
deteriorando as relações interpessoais, principalmente no
relacionamento familiar entre os cônjuges e entre estes e
seus filhos. Com relação ao casal, quando um começa a que-
rer que o outro seja perfeito, a situação é desastrosa e o
desgaste da relação se acelera. Esse é um ponto importante
no atendimento de um perfeccionista. Os pais, ou um deles,
exigem a perfeição do filho, querendo sempre que ele seja o
melhor, o que gera sérios conflitos em todos os envolvidos.
A grande expectativa depositada no filho pode lhe acarretar
sentimentos negativos, como a insegurança, a baixa autoes-
tima, o medo, a raiva e tantos outros; nos pais, a frustração
e a insegurança. Isso ocorre em qualquer contexto no qual
atue o perfeccionista negativo.
Os leitores podem imaginar como é viver com um per-
feccionista, ainda mais sendo do tipo negativo. É por isso que
essa questão está presente em nosso questionário, já que esse
traço da personalidade deve ser muito bem trabalhado.

13 - É rígido(a) com você e com os outros?


A rigidez - inflexibilidade - é assaz oportuna e é
frequente o encontro com personalidades com essa ca-
racterística. O inflexível é conhecido como uma pessoa de

89
"mente fechada", que se acomoda em suas ideias e em seus
próprios esquemas mentais. É uma marca que necessita de
reparos por ser responsável pela limitação da ação do espí-
rito que anseia por novos desafios para se expandir e com
isso evoluir.
A pessoa rígida tem consciência de suas potencialida-
des e sabe que pode se expandir, mas sente medo de ações
novas que não estão dentro dos padrões que formaram toda a
sua rigidez. Com isso, sofre e se sente amarrada com as cons-
tantes regras que se impõe através de seu padrão mental e
de comportamento. Considerando o seu padrão como o mais
correto, presa a ele, reprime as emoções e tem uma enorme
dificuldade para solucionar seus conflitos.
Costumeiramente, a pessoa rígida tende ao perfeccio-
nismo, à teimosia e a ser muito crítica em relação àqueles que
buscam a evolução através de ações novas, com abordagens
baseadas em diferentes perspectivas e, muitas vezes, arris-
cadas. O inflexível tem uma grande resistência à mudança.
Enfim, torna-se uma pessoa com dificuldades imensas para
interagir no meio em que atua. Conviver com criaturas seve-
ramente rígidas que estão sempre com a razão e que jamais
transgridem não é fácil, e os relacionamentos podem ser des-
gastantes e inconvenientes.
Devemos ficar atentos a esse traço da personalidade
que pode estar dentro de nós. Quanto mais aceitarmos a le-
veza e a naturalidade da vida, fora e dentro de nós, mais nos
distanciaremos da rigidez.

...... 9 0
A flexibilidade é uma marca dos seguros de si mesmos,
dos espíritos conscientes dessa virtude, que não interpretam
a concessão como um ato de fraqueza.

14 - Você é orgulhoso?
Essa imperfeição está presente em todos nós, varian-
do em intensidade. No orgulho, intrinsecamente, estão conti-
das quase todas as outras imperfeições que são alvo do nosso
questionário, como a vaidade, a arrogância, o egoísmo etc.
O orgulho pode ter uma conotação positiva, pode ser
um sentimento positivo, quando se refere à dignidade própria
ou em relação a uma outra pessoa. Por exemplo: o pai se diz
orgulhoso do empenho que o filho fez para se diplomar com
méritos; e eu me sinto orgulhoso por me destacar e ser reco-
nhecido em alguma atividade profissional.
Contudo, o orgulho tem uma conotação pejorativa
quando se refere a um excesso de entusiasmo que o indivíduo
sente em relação a si mesmo, acreditando que suas qualida-
des, seu comportamento e suas ações são os melhores e com
isso negligenciando o próximo. Assim, mostra-se arrogante,
vaidoso, soberbo, presunçoso e, não raras vezes, insuportável
na convivência com os demais.
Algumas características são marcantes no orgulhoso.
Dificilmente reconhece seus erros ou aceita críticas. Não é co-
mum pedir ajuda, com receio de se humilhar, e menos comum
ainda é pedir perdão. Tende a ser independente em tudo, por-
que qualquer dependência lhe parece humilhante e não gosta

91 .....
disso. A maioria dos orgulhosos opina sobre tudo e deseja que
suas opiniões sejam sempre aceitas porque são as corretas.
Os ensinamentos de Kardec são expressivos:

Qual o maior obstáculo ao progresso? O or-

gulho e o egoísmo. Quero falar do progresso

moral, porque o progresso intelectual caminha

sempre e, à primeira vista, parece dar a esses

vícios um redobramento de atividade."

Com isso, quis alertar o homem quando refere ser:

A inteligência rica de méritos, mas com a con-

dição de ser bem empregada; muitos fazem

dela um instrumento de orgulho e perdição

para si mesmos. O homem abusa da inteligên-

cia como de todas as faculdades e, entretanto,

não lhe faltam lições para adverti-lo de que

uma poderosa mão pode retirar aquilo que ela

22
mesma lhe deu.

15 - Você é egoísta?
O orgulho e o egoísmo quase sempre estão associados.
Quando perguntamos aos entrevistados se são egoís-
tas, mais da metade responde não. Uma porcentagem diz-se

2 1 . A l l a n K a r d e c . O Livro dos Espíritos, p. 305.


22. A l l a n K a r d e c . O Evangelho segundo o Espiritismo, p. 112.

92
pouco egoísta e poucos concordam que são egoístas. Admitir
ser orgulhoso e egoísta não é fácil para ninguém.
O que devemos entender por egoísmo? Quase sem-
pre o egoísta é uma pessoa portadora de um ego rígido, com
grande dificuldade para se flexibilizar diante de tudo. Dessa
rigidez ocorre um excesso de atenção dada a si próprio - o
egoísmo. Também pode ocorrer o egocentrismo, ou seja, a dis-
posição do espírito de um indivíduo centrado sobre si próprio.

Um ego olhando só para si, desejando e querendo

tudo para si, adoecido, rígido, equivocado, guiado

e obedecendo aos instintos primários, fica preso

aos prazeres e satisfações do momento e deixa de

notar a imensidão social na qual está inserido.

Quer o mundo e todos girando em torno de si, de

23
acordo com as suas conveniências.

24
Segundo o D S M :

A pessoa egoísta apresenta características de

uma personalidade narcisista: valoriza de-

mais a sua própria importância; tem ideias

e fantasias nas quais sempre se encontra em

superioridade; acha-se especial e sempre me-

lhor que as outras; não se preocupa com os

23. J o s é Luiz Condotta. Homem e Deus construindo a felicidade, p. 90.


a
24. D S M - IV (Diagnost and statistical - Manual of Mental Desorders), 4
ed., 1994.

93
sentimentos e necessidades do seu próximo;

quer tirar vantagens em todas as situações;

acredita ser alvo de inveja alheia; faz de tudo

para ter a admiração de todos; atitudes arro-

gantes e insolentes.

Achamos que o egoísta tem uma reduzida capacida-


de de amar. São espíritos que ainda não desenvolveram sa-
tisfatoriamente as virtudes anímicas na escalada evolutiva
e nesta vida trazem imperfeições gravadas no seu campo
psíquico. Quando estudamos as demais imperfeições, veri-
ficamos que no fundo de todas está o egoísmo, a verdadeira
chaga da sociedade.
25
Kardec nos ensinou que

(...) de todas as imperfeições dos seres huma-

nos, o egoísmo é a pior, é a fonte de todos os

vícios, como a caridade é a fonte de todas as

virtudes. Destruir um e desenvolver o outro, tal

deve ser o objetivo de todos os esforços do ho-

mem, se quer assegurar a sua felicidade neste

mundo, tanto quanto no futuro.

Consciente do seu egoísmo, a pessoa sofre e sabe que


pode fazer o outro sofrer, mesmo assim a humildade não lhe
interessa, porque a força egoica é mais forte que a força aní-
mica da virtude. Emperrada nesse circuito, pode, com o tem-

25. A l l a n K a r d e c . O Livro dos Espíritos, questões 913 a 917.


po, ter um desequilíbrio incontrolável de forças a se expressar
no seu psiquismo e exteriorizar sintomas perturbadores no
campo físico e emocional.

16 - Você é caridoso(a)?
Passemos à caridade, por sinal a primeira pergunta so-
bre uma virtude.
A caridade é uma virtude, se não a maior, porque po-
demos entendê-la repleta de amor. As virtudes são as dispo-
sições benéficas da alma e visam sempre fazer o bem. A alma
equilibrada, ao emiti-las, comanda os atos humanos, orde-
nando e equilibrando as paixões, e guia os homens segundo
sua razão e sua fé.
Segundo os dicionários, a caridade é um sentimento
ou uma ação altruísta de ajuda a alguém sem busca de qual-
quer recompensa. Sua prática demonstra que o portador pos-
sui uma elevada moral e maturidade espiritual, pois respeita
o seu próximo como a si mesmo. "Consideremo-nos uns aos
26
outros para nos estimularmos à caridade e às boas obras."
No sentido teológico, trata-se de uma relação verda-
deira com Deus, e nessa relação vivencia-se o amor do jeito
do Pai.
Os programas do bem da vida humana apresentam di-
versas vestiduras, mas se conjugam e se complementam para
representar a virtude única.

26. A Bíblia Sagrada. P a u l o - H e b r e u s , 10:24.

95
Ao nos atentarmos à definição de caridade, observa-
mos a frase: "sem busca de qualquer recompensa." Isso é de-
veras importante, pois quando uma retribuição é esperada e
não vem, o indivíduo tende a se magoar e a se sentir vítima
da ingratidão alheia.
A pessoa caridosa, mesmo em estado emocional alte-
rado, tem muitos pontos a seu favor na sua transformação
íntima; basta alinhar ou balancear as suas imperfeições com
essa magnífica virtude.
Essa pergunta feita durante a terapia costuma rece-
ber as mais diferentes respostas, quase sempre seguidas de
inúmeras justificativas. A maioria reconhece que "poderia ser
mais caridoso(a)", poucas afirmam que sim, são caridosas, e
há aquelas que respondem "não".

17 - Você é gentil?
A gentileza, uma outra virtude, quando presente no
paciente, também é um ponto positivo para sua renovação.
Quando falamos de gentileza, estamos automatica-
mente nos referindo a cordialidade e demonstração de nobre-
za em relação aos outros, tanto em relação a cuidados quanto
a interesse por seus problemas.
Essa pergunta é formulada porque a gentileza no mun-
do moderno pouco existe. Verificamos no nosso dia a dia mui-
to mais ações de falta de gentileza do que atos de respeito e
compaixão. As pessoas estão mais ligadas em seus problemas
e nos celulares do que no seu próximo e na natureza.

96
Embora a gentileza seja demonstrada por meio de atos
gentis, ela é um sentimento e como tal pertence ao espírito.
Flui da alma e faz bem para quem a recebe e para quem a pra-
tica. Imagine, caro leitor, como seria o mundo se todos fossem
um pouquinho gentis.

18 - Você pensa muito no passado?


19 - E no futuro?
20 - Pensa mais no passado ou no futuro?
21 - Está vivendo bem o presente?

Os elementos das perguntas 18,19, 20 e 21 serão explica-


das em conjunto. Trata-se do passado, do presente e do futuro.
Compreender o passado, viver bem o presente e pers-
pectivar o futuro são preocupações de todos os seres humanos.
Vivendo na terceira dimensão, passado, presente e fu-
turo são medidas e só têm sentido para a visão do homem,
já que o seu cérebro não consegue captar eventos fora dos
referenciais tempo e espaço; mas, para a eternidade, o tempo
se resume a um eterno presente.
27
Kardec ensina que existe um tempo no mundo es-
piritual e existe um tempo aqui na Terra que o homem con-
vencionou para que possa agir e se dirigir no planeta em que
atua. O espírito vive esses dois tempos, e nós, como somos
espíritos, vivemos esses dois tempos, pois é clara a nossa vo-
cação de eternidade.

97
Sendo espíritos encarnados, nós temos gravadas todas
as nossas existências (passado) que dão suporte às nossas
personalidades (presente) e conjecturamos acontecimentos
que estão por vir (futuro). Portanto, trazemos em nós, perma-
nentemente, o passado, o presente e o futuro.
Quanto ao passado, é comum se referir a um passado
recente (acontecimentos mais recentes) e a um passado re-
moto (acontecimentos ocorridos há algum tempo e mesmo
em outras vidas). Seja recente ou remoto, é um tempo que foi
vivido, experienciado, mas que já se foi. É importante como
um guia na construção do presente, quando temos a possibi-
lidade de renová-lo, se quisermos, para melhor, mas não volta
jamais como foi.
É interessante notar que a pessoa saudosista, perdida
nas brumas de um passado que é feito só de lembranças, pode
sofrer de duas maneiras: recordando um passado que foi gra-
tificante e que hoje não é tão bom, o que lhe traz fortes emo-
ções, como saudade e sentimento de decadência; ou rememo-
rando um passado ruim, de sofrimento, traumas e frustrações,
que a faz sofrer com lembranças amargas dos traumas e das
dificuldades, mesmo que seu presente seja melhor. Em ambas
as situações, verifica-se o passado interferindo diretamente
no presente, ou seja, o tempo pretérito sendo vivenciado no
tempo corrente, com o indivíduo ainda enroscado no passado
e retardando sua evolução.
Quanto ao presente, com certeza é o único tempo que
temos como encarnados, pois o passado já se foi e o futuro é

98
um tempo imaginário. Contudo, é no presente que temos to-
das as oportunidades de evolução espiritual ao reformarmos
o nosso passado e recheá-lo de novas investidas e conquistas,
imaginando um futuro promissor.
O passado é parte integrante do ser humano, queira-
mos ou não. O discernimento e a responsabilidade no mo-
mento presente são resultantes de todas as escolhas feitas até
então. Muitas vezes são suficientes alguns minutos para um
êxito e ao rechaçá-los podemos fracassar.
Quanto ao futuro, é um tempo que não existe. É ima-
ginário. É um tempo que não foi vivido. Os futuristas sonha-
dores com as possibilidades vindouras, quiméricas às vezes,
deixam de aproveitar o presente, o único tempo que lhes per-
tence, ou seja, deixam as fantasias roubarem um bom tempo
da vivência presente.
Na vida prática, somos presente, passado e futuro em suas
devidas proporções, como explicaremos com os gráficos abaixo:

Muitos pesquisadores acreditam que a vida humana


deve se ater 70% ao presente, 20% ao passado e apenas 10%
ao futuro. Dizem ser um bom equilíbrio, como ilustrado no
esquema (a).
Quando aumentamos a vivência no passado, como
mostrado no esquema (b), logicamente ocorre uma interfe-

99
rência para menos no presente. Essa condição deixa o indiví-
duo com muitas lembranças passadas, pois, essa interferência
sendo aumentada, ele passa a viver do passado, condição pro-
pícia para o aparecimento dos sintomas depressivos.

Quando é o futuro que invade o presente (c), notamos


nitidamente essa interferência.

ESQUEMA (O

Se o indivíduo pensa muito no futuro, preocupando-se


excessivamente com o que poderá acontecer, imaginando e
fantasiando, ele é tomado de uma expectativa muito grande
e, consequentemente, de uma ansiedade que pode ser de di-
versos graus.

No esquema (d), o passado e o futuro se intensificam


e a vivência no presente é reduzida. Tal condição propicia sin-
tomas depressivos (passado) e sintomas ansiosos de grande
expectativa (futuro), conjunta ou alternadamente.

100
Nas condições mostradas nos gráficos (b), (c) e (d),
ocorrem desgastes de energia psíquica na tentativa de man-
ter o equilíbrio mostrado no gráfico (a). Os sintomas exterio-
rizados são sinais desses desgastes, mostrando onde se deve
renovar para retomar o equilíbrio emocional.
Ao questionarmos: "Você é preso ao passado?", quan-
do a resposta é sim, devemos pesquisar o que se encontra
nesse passado. Geralmente são mágoas, revolta, culpa, ar-
rependimento e remorso. Nova pergunta: "Você é preso ao
futuro?". Se positiva a resposta, a expectativa e a ansiedade
são intensas e, muitas vezes, isso esconde o desejo de fugir
do passado e do presente para um tempo em que anseios e
desejos serão satisfeitos.
Outra questão: "Você vive bem o presente?". Quan-
do presos em outros tempos, geralmente os indivíduos res-
pondem não. As respostas são diversas, mas é comum ouvir:
"Mesmo o passado ou o futuro me atormentando, consigo
viver bem o presente." Todas essas respostas já mostram um
direcionamento para a intervenção psicoterápica.

22 - Você é mais materialista ou mais espiritualista?


Quando indagamos as pessoas sobre sua posição a res-
peito do materialismo e do espiritualismo, notamos que mui-
tas delas têm dúvidas sobre seus significados e com isso suas
respostas são imprecisas.
Materialismo, uma corrente filosófica de pensamento,
surgiu em oposição ao espiritualismo e considera a matéria

101
como única e real. Com isso quer explicar os fenômenos da
realidade a partir de condições concretas e materiais. Afir-
mando a primazia da matéria sobre o espírito, segue em exata
direção oposta ao idealismo, à metafísica e ao espiritualismo.
Assim sendo, o pensamento seria uma manifestação da maté-
ria (cérebro), e a consciência, embora imaterial, estaria corre-
lacionada com os fenômenos de origem material.
Espiritualismo, denominação comum a várias correntes
religiosas e filosóficas, tem como fundamento a afirmação da
existência do espírito, o elemento fundamental da realidade.
Portanto, é o contrário do materialismo, que só admite a maté-
ria. Além de afirmar a existência da alma, distinta da matéria,
como razão absoluta de ser da vida e do pensamento, reconhece
a existência de Deus, a imortalidade da alma e os valores espi-
rituais e morais que sustentam a atividade racional do homem.
Não devemos confundir espiritualismo com Espiritis-
mo. Todo espírita é espiritualista, mas nem todo espiritualista
é espírita.

O espiritualismo é o oposto do materialismo;

quem crê haver em si outra coisa que a matéria

é espiritualista, mas não se segue daí que crê

na existência dos espíritos e nas suas comuni-

9.
cações com o mundo visível, o espírita?

Interessante a questão 147 de O Livro dos Espíritos:

102
Por que os anatomistas, os fisiologistas e, em

geral, os que se aprofundam nas Ciências Na-

turais são frequentemente levados ao mate-

rialismo? - O fisiologista refere tudo ao que

vê. Orgulho dos homens que tudo crêem saber,

não admitindo que alguma coisa possa ultra-

passar o seu entendimento. Sua própria ciência

os torna presunçosos. Pensam que a Natureza

29
nada lhes pode ocultar.

Desfeitas as dúvidas, a pergunta do questionário da


terapia é a seguinte: "Você é mais espiritualista ou materia-
lista?". Nessa questão, atentem para a palavra mais: você é
mais isso ou aquilo? Entendemos que as pessoas, quase sem-
pre, são as duas coisas, mas tendem mais a uma delas. Di-
ficilmente encontramos alguém puramente espiritualista ou
francamente materialista. A resposta a essa questão precisa
ser muito bem avaliada. É comum um indivíduo muito mais
materialista responder ser espiritualista por diversas razões.
A principal é que sente um certo desconforto em reconhecer
que é materialista, pois, conscientemente, sabe o que repre-
senta essa condição pelo que conhece e aprendeu sobre isso.
É um sentimento dúbio, na medida em que a pessoa se reco-
nhece e age como materialista, mas, para si, paira a dúvida.
Alguns respondem que são totalmente materialistas; outros,
como dissemos, respondem que são as duas coisas, com ten-

29. Idem, p. 94.

103
dência para uma ou para outra condição - essa é a resposta
mais comum. O objetivo dessa pergunta é realmente saber
como vai Deus na vida das pessoas.
A aceitação das imperfeições, logicamente, é melhor
naqueles que se dizem mais espiritualistas e a terapia é mais
trabalhosa nos que se rotulam materialistas.

23 - Você é sincero(a)?
30
No artigo sobre a sinceridade , procurei, de modo bem
simples, resumir o meu entendimento sobre essa virtude. Vejamos:
Sinceridade é a qualidade, o estado ou a condição do
que é sincero; franqueza, lisura de caráter. É uma virtude. Por-
tanto, é da alma.
Quando crianças, aprendemos que a sinceridade é uma
virtude que necessitamos praticar, falando sempre a verdade.
Sem dúvida, ser sincero é ser verdadeiro e honesto.
No entanto, segundo muitos estudiosos, a aplicação
da sinceridade está inserida na cultura e é valorizada depen-
dendo de cada povo. Nos países asiáticos, por exemplo, ela é
muito valorizada, mas nem tanto em nosso país. Lá, a since-
ridade utilizada entre colegas sobre a atuação de cada um no
trabalho é muito bem-aceita. Aqui, ela é vista como um fator
de pressão ou de estresse. O fato de a sinceridade não ser
muito bem-vista em nossa cultura evidencia o quanto temos

30. J o s é Luiz C o n d o t t a . " S e r sincero ou n ã o ? E i s a questão". Revista Interna-


cional de Espiritismo, maio/2017.

104
que aprender a respeito da importância de enaltecer a verda-
de em nosso dia a dia.
Muitas pesquisas mostram que o ser humano é muito
mais sincero quando se utiliza da escrita do que quando fala.
Algumas delas citam que o homem é mais verdadeiro nas re-
des sociais (mundo virtual) do que quando participa das rela-
ções sociais do mundo real.
O limite entre sinceridade e grosseria deve ser muito
bem refletido e para tanto deve-se levar em conta a conhe-
cida máxima do Mestre: fazer ao outro o que gostaria que
lhe fizesse. Assim, o sincero verdadeiro é aquele que aceita a
sinceridade de volta.
Como saber a melhor maneira de utilizar a sincerida-
de? Devemos ser sinceros em todas as ocasiões? Elaboramos
um pequeno roteiro de orientação para colocar em prática
essa virtude.
1. A dose de sinceridade deve se adequar a cada
situação. É como um medicamento que deve ser
utilizado de acordo com o prescrito - um excesso
pode ocasionar sérios inconvenientes e uma super-
dosagem pode ser ainda pior.
2. Em cada situação, observar muito bem com
quem se está lidando. Procurar "sentir" a sensi-
bilidade da pessoa que vai receber a sinceridade.
Como ela vai reagir àquilo que vai ouvir. Isso pode
evitar atritos e dissabores.

105
3. Ter rapidez no momento de decidir entre ser
ou não ser sincero num determinado momento.
Às vezes, omitir temporariamente a verdade é a
melhor opção, reservando a sinceridade para uma
ocasião mais favorável.
4. Lembrar sempre que, mesmo as palavras since-
ras, em determinados momentos - com os ânimos
exaltados, por exemplo -, podem machucar, ma-
goar, criar inimizades e outros sérios transtornos
emocionais. Há ocasiões em que é melhor ficar ca-
lado, isto é, saber engolir a sinceridade em silêncio.
Isso também é uma virtude.
5. Nunca achar que em palavras sinceras sem-
pre está a verdade absoluta. Ninguém é dono
da verdade. A maior sinceridade é ser sincero
consigo mesmo.
6. Selecionar o uso da sinceridade e praticá-la para
poder ajudar, harmonizar, positivar e equilibrar
quem e o que quer que seja.
7. Colocar-se na posição do outro antes de expres-
sar o que pensa.
8. Se a sinceridade for aplicada, isso deve ser feito
de modo delicado e educado. É importante filtrar
e ter tato na hora de expor uma opinião. Nunca se
esquecer de que as palavras acarretam consequên-
cias e as pessoas têm sentimentos.

106
9. Ser sincero demais pode atrair simpatizantes
pelo fato de se estar exercitando uma virtude da
alma, mas também antipatizantes se essa franque-
za for exagerada.
10. Lembrar que a vida não é um tribunal em que
existe a obrigação de ser sempre sincero e franco,
sem antes pensar nas consequências que isso pode
acarretar, muitas vezes sem necessidade.
11. Nos momentos em que, mesmo sendo difícil, a
sinceridade e a verdade devam ser aplicadas para
o bem, não se preocupar com as respostas e a re-
volta da pessoa que as recebe. Com o passar do
tempo, ela refletirá e provavelmente entenderá e
aceitará a sua ação.
Na vida, em alguns contextos, a sinceridade bem apli-
cada é a base da confiança, elemento fundamental no equilí-
brio das relações. Vejamos alguns exemplos:
1. Na relação amorosa, no casamento, por exem-
plo, a franqueza deve existir desde o primeiro en-
contro. Não ter medo de se expor, de dizer quem
realmente é, do que gosta, das necessidades e
dos limites que possui. Isso é demostrar sinceri-
dade e honestidade.
2. No trabalho, convivendo com muitas pessoas,
a prioridade tem que ser a harmonia do ambien-
te visando ao crescimento profissional de todos.
As palavras rudes, a franqueza e a crítica só de-

107
vem ser utilizadas com esse objetivo. Vigiar mui-
to bem a exposição de opiniões para não quebrar
a harmonia.
3. Nas relações sociais com amigos, parentes, vi-
zinhos, clientes, enfim, nas interações cotidianas,
a sinceridade deve ser revestida de generosidade,
compreensão e educação, evitando o seu excesso e
com isso a antipatia.
Como vimos, a sinceridade é uma virtude, uma ener-
gia anímica que deve ser muito bem canalizada e direcio-
nada para que atinja o seu objetivo que é o bem. Se essa
força energética for acionada por um impulso momentâneo
de um estímulo exterior ou mesmo do instinto, sem uma
censura e o uso do bom senso, pode se exteriorizar como
uma rudeza, uma grosseria e acarretar sérios aborrecimen-
tos. Essa mesma força anímica é a utilizada na construção
da autossinceridade.
A clara consciência e percepção em relação ao que
você é, ao que você quer, ao fato de que cada um é um, de
que a sua verdade não é a mais pura verdade, a compreensão
de que a vida é comum e ninguém é mais do que ninguém -

tudo isso representa indícios de que a sinceridade consigo


mesmo está evoluindo. Importante mesmo é fazer tudo com
amor sincero.
Não podemos encerrar este tópico sem antes lembrar
uma frase maravilhosa de Shakespeare: "Seja sincero consigo
mesmo e o será com todo mundo." Eis a questão!

----- 108
24 - Você tem esperança?
A esperança de cada um está baseada em seu arquivo
passado, no modo de vida que leva hoje e em tudo o que é e
que possui. A esperança deve estar centrada não apenas no
contexto da vida material da pessoa, mas, principalmente, no
que ela pretende ser em termos espirituais. Ligada à confian-
ça, à fé e à calma, a esperança pode ser considerada um fator
muito importante no equilíbrio das vibrações da alma e, com
isso, na saúde física e emocional. Reportamos em um artigo
publicado pela Revista Internacional de Espiritismo, o qual re-
passamos aos leitores, essa propriedade da esperança.

31
Esperança é saúde
Esperança, no dicionário, tem o significado de expec-
tativa, ato de esperar aquilo que se deseja, ou ainda fé em
conseguir algo desejado. Trata-se de uma emoção. Uma cren-
ça emocional que conta com a possibilidade de alcançar um
resultado positivo relacionado com as mais diversas circuns-
tâncias da vida pessoal, mesmo que tudo indique o contrário.
De acordo com a Bíblia, esperança, fé e caridade
(amor) são as três virtudes teologais. Note-se que no contexto
religioso a fé e a esperança são virtudes distintas. Podemos
clarear essa afirmação levando em conta que a esperança ex-
teriorizada por alguém sempre se relaciona com alguma coisa
de cunho pessoal, quase sempre envolvendo a matéria; já a fé
é um sentimento de crença total em algo, ainda que não haja
3 1 . " E s p e r a n ç a é s a ú d e " . Revista Internacional de Espiritismo, fevereiro/2016.

109
nenhum tipo de evidência que comprove a sua veracidade.
Como exemplos: ter esperança de se curar de uma doença, de
ficar rico, de galgar um posto superior no trabalho; ter fé na
existência de Deus e nos seus valores absolutos, ter fé nos en-
sinamentos de Jesus. Porém a fé e a esperança se confundem
ao admitirem em suas concepções o sentimento da confiança,
da crença e da credibilidade. Portanto, relacionam-se entre si
e podemos verificar isso em milhares de passagens da Bíblia,
como: "A fé é a certeza de coisas que se esperam, a convicção
de fatos que se não veem" (Hebreus 11:1).
Na Doutrina Espírita, encontramos inúmeras referên-
cias que nos fazem entender que entre a fé e a esperança
existem diferenças, como: "Nem todos conseguem, por en-
quanto, o voo sublime da fé, mas a força da esperança é te-
souro comum (...). Nem todos podem oferecer a lição espi-
ritual, mas ninguém na Terra está impedido de espalhar os
32
benefícios da esperança."
A esperança muitas vezes é confundida com o oti-
mismo, mas também são diferentes. A esperança é um sen-
timento complexo e profundo, a expectativa de alcançar
resultados positivos naquilo que se almeja. O otimismo é
a forma de encarar as coisas pelo lado positivo, achando
que tudo vai dar certo, que tudo terá um desfecho favo-
rável, sendo que na prática não é bem assim que as coisas
costumam ocorrer. Precisamos ter cautela em nosso otimis-
mo, pois seu exagero destituído de razão pode acarretar
32. C h i c o X a v i e r / E m m a n u e l . Vinha de Luz, p. 163.

110
sérias frustrações e perturbações. Em tudo deve existir o
equilíbrio. Esperança é ter uma meta e saber que, mesmo
ocorrendo dificuldades, é possível encontrar uma solução
para sua concretização. Envolve outras virtudes, como a pa-
ciência, a perseverança, a confiança e a fé. O otimismo é
limitado no tempo; a esperança é eterna, é divina. Podemos
até dizer que o otimismo é uma parte da esperança que
nela pode se transformar, ao passo que o pessimismo pode
tornar-se desesperança.
Relacionando a esperança com a saúde, informamos
que, desde a década de 1950, pesquisadores, médicos e psicó-
logos têm demonstrado grande interesse no estudo da espe-
rança, observando o imenso potencial de cura que esse senti-
mento proporciona.
33
O psicólogo Snyder , na década de 1990, intensificou
as pesquisas sobre a esperança. Esclarece que a esperança é
uma ideia motivacional que possibilita ao indivíduo vislum-
brar resultados positivos nos diversos contextos da vida, ela-
borar metas, desenvolver estratégias de adaptação e se moti-
var para conseguir alcançar seus objetivos. Snyder elaborou
uma escala da esperança, segundo a qual os indivíduos com
"alta esperança" (com muita esperança) traçam objetivos com
caminhos alternativos caso encontrem obstáculos para che-
gar ao que almejam. São portadores de mais autoestima, cui-
dam melhor da saúde física, são estimulados ao sentimento
de fraternidade e procuram amar sempre mais. Em relação a
33. C. S. Snyder. The Psychology of hope (sem tradução para o português).

111
idosos mais esperançosos, o psicólogo observou que estes se
mostravam agradáveis, simpáticos, mais alegres e enfrenta-
vam melhor as suas limitações.
34
Na virada do século, o psicólogo Anthony Scioli ,
do Keene State College de New Hampshire, EUA, estudioso
da esperança, fez várias observações importantes. Afirmou
que a esperança tem suas raízes no Eu mais profundo, e é
uma habilidade que pode ser adquirida. Scioli reconhece a
essência espiritual que existe por trás da esperança, e afirma
que ela está associada a outras virtudes como a gratidão, a
humildade, a paciência, a perseverança, a fé e a caridade.
Segundo esse psicólogo, a esperança reflete a conexão men-
te-corpo, interferindo, assim, no sistema imunológico e na
saúde em geral.
A Doutrina Espírita só tem que concordar com tais
pesquisas, pois é evidente a consideração da parte espiritu-
al do homem, sendo ele um ser global. A Doutrina também
considera a esperança como um fator fundamental à saúde
global e à evolução espiritual. Quando Scioli refere a espe-
rança como um fator que reflete a conexão mente-corpo e
que interfere na saúde em geral, entendemos, pelos conhe-
cimentos espíritas, que a mente, que é do espírito, comanda
toda a fisiologia do organismo físico. Desta forma, todas as
virtudes e os bons sentimentos, e não apenas a esperança,

34. A. S c i o l i e H. B i l l e r . Hope in the Age of Anxiety ( s e m tradução para o


português).

112
quando bem aplicados, proporcionam estados felizes da alma
e, consequentemente, mais saúde global.
Como a esperança é um sentimento individual, cada um
a tem a seu modo. Não existe nenhuma receita para adquiri-la.
Contudo, sabe-se que todos somos portadores dessa virtude
em potencial, bastando cultivá-la. Podemos, no entanto, ofere-
cer algumas regras para esse desenvolvimento.
Primeiramente, de acordo com a razão, selecione os
seus desejos e as suas prioridades. Estabeleça os objetivos
para eles. Crie mentalmente os caminhos para cada objeti-
vo, lembrando sempre das dificuldades e dos obstáculos que
podem ocorrer. Se de fato ocorrerem, procure novos atalhos.
Não se culpe e veja isso como desafio. Crie imagens mentais
positivas e tenha a consciência da própria força, lembrando
sempre que a luta é propulsora para chegar ao alvo. Caso en-
contre muita adversidade no caminho, alivie-se redefinindo
o objetivo. Tudo isso fortalece o modo de pensar, revigora as
forças, melhora a autoestima; quando o indivíduo sente pra-
zer em lutar por aquilo que deseja, torna-se mais otimista,
mais esperançoso, mais paciente, mais amoroso e, por que
não, adquire mais fé.
Aqueles que possuem esperança têm maior probabi-
lidade de se darem bem na vida, convivem melhor com os
semelhantes e se adaptam melhor a qualquer situação.
Segundo as conclusões da pesquisa referida acima,
a esperança, no nível fisiológico, pode ajudar a equilibrar o
sistema nervoso, os hormônios, o sistema imunológico, a as-

113
segurar níveis apropriados de neurotransmissores, enfim, a
viver com mais saúde no físico. Acrescentamos: a esperança
assegura o equilíbrio energético corpo-espírito, promovendo
bons pensamentos e sentimentos, trazendo a alegria e a paz.
A esperança é um dom do espírito. Juntamente com a
fé, age como calmante que a natureza divina concedeu a seus
filhos da Terra.

25 - Você tem alegria?


Devemos entender bem o que é a alegria.
De acordo com sua clássica definição, que encontra-
mos nos dicionários, trata-se de um sentimento de conten-
tamento, de prazer de viver, de júbilo, satisfação e exultação.
Mas qual a sua origem? Definida como sentimento, e
este sendo uma elaboração da alma, a alegria só pode ser um
estado feliz da alma.
A alegria é entendida de inúmeras maneiras. Os mate-
rialistas dizem que a alegria obedece a mecanismos bioquími-
cos do organismo. Alegam que as endorfinas são responsáveis
pelo estado de contentamento. São secretadas pelo organismo
de forma regular, mas existem fatores que colaboram para o
seu aumento, como alguns alimentos, atividade sexual, exer-
cícios físicos, fazer coisas prazerosas etc., provocando estados
felizes e alegria. Assim sendo, tais estados são dados como
originados no corpo físico.
Os espiritualistas acreditam na alma e que esta tem
um papel fundamental na alegria como um sentimento de

114
plenitude e satisfação interior. Quando recebemos algo po-
sitivo, como um presente, uma boa notícia, uma aprova-
ção pelo nosso trabalho, uma prova de estima de alguém,
respondemos com uma paz de espírito, resultante de uma
vibração positiva da alma. Como não existem duas almas
iguais, a alegria é eminentemente pessoal, cada um a sente
a seu modo.
Não discordando da hipótese materialista, a vibração
da alma atinge o organismo humano e estimula a secreção
das endorfinas. É o transcendente (extrafísico) comandando
o corpo físico.
No mundo, não necessitamos de muito para nos sen-
tirmos alegres: uma roda de amigos, um jantar de confraterni-
zação, a vitória do time do coração, uma viagem etc. Contudo,
devemos entender que esses são momentos de alegria transi-
tórios, de curta duração, efêmeros. São importantes para as
nossas vidas, por isso os buscamos constantemente, mas não
nos esqueçamos de que muitas vezes não os encontraremos
e poderemos nos frustrar, ou algum estímulo muito negativo
(trauma, frustração, estresse) poderá anular a ação do positi-
vo e então cairemos na tristeza. Por isso muitos respondem
não à pergunta: "Você tem alegria?".
A espiritualidade nos conduz a uma visão mais ampla
da alegria quanto a sua duração. Ela deve ser duradoura. Va-
mos adquirindo a alegria ao longo da vida com o nosso ama-
durecimento. Torna-se duradoura quando conseguimos sus-
tentá-la através do conhecimento e do entendimento da vida.

115
Quando colocamos Deus em nossa caminhada, torna-
-se quase impossível não sentirmos alegria ao evocarmos o
amor que Ele tem por nós. É o autêntico estímulo para a nossa
alegria. Se Deus está em nós, é dentro de nós que temos que
buscar a alegria duradoura e não no mundo exterior. A alegria
se torna cada vez mais sustentada quando encontrarmos o
verdadeiro sentido de nossa existência. Lembremos o filósofo
Sócrates: "A alegria da alma constitui os belos dias da vida,
seja qual for a época."

26 - Você ama?
27 - Se sente amado(a)?
28 - Você mais ama ou mais se sente amado(a)?
29 - Acha que deveria amar mais?

São questões sobre o amor e serão descritas em conjunto.


Falar do amor, caro leitor, não é tarefa fácil. É abran-
gente, inesgotável e intrigante. Discutiremos algumas coisas
essenciais para cultivarmos esse sentimento e assim vivermos
melhor os nossos dias, as nossas vidas.
Existem inúmeras definições de amor; diante dessa
diversidade, muitos filósofos e pesquisadores se dividem na
possibilidade de uma conceituação única que poderia abran-
ger todos os seus conceitos.
As definições mais comuns são as encontradas nos di-
cionários e não fogem do relacionamento entre pessoas. Algu-
mas: dedicação absoluta de um ser a outro; sentimento dita-

116
do pelos laços de família; sentimento forte e ardente de uma
pessoa por outra; e outras nas quais se encontra a atração
física. Como podemos notar, os conceitos de amor envolvem,
de modo geral, a formação de um vínculo emocional com al-
guém ou com algum objeto, que, para ser mantido, necessita
de estímulos sensoriais e psicológicos.
Para as ciências biológicas, trata-se de um instinto, tal
como a fome e a sede, regulado e influenciado pelos hormô-
nios e neurotransmissores. O amor é explicado pelo quimismo
do organismo, resultado da ação de diversas substâncias quí-
micas como a adrenalina, a dopamina, a ocitocina e outras.
Isso é conhecido como a "química do amor" - reações que
ocorrem nas pessoas quando sentem afinidade e se envolvem
com outras. É comum ouvir: "Rolou uma química entre eles",
e, a partir de uma sintonia, de uma atração, são criados os
pensamentos e os sentimentos de carinho e afeto.
Para a psicologia, o amor é um fenômeno social e cul-
tural. As pessoas amam conforme o seu modo de pensar e a
sua concepção sobre o que é o amor.
Desses conceitos, sem o evidente reconhecimento da
participação da alma, surgem as características, as formas do
amor: físico (atração física); interesseiro (interesse por algu-
ma coisa do outro que satisfaz o seu ego); platônico (alheio a
interesses ou prazeres); prático (amor que visa ao próprio bem
e espera sempre algo em troca); amizade (confiança mútua);
materno (altruísmo, generosidade, dedicação total); a Deus; à
vida etc.

117
Nessas explicações, muitos espiritualistas e espíritas já
vislumbram algo mais profundo. O que é sintonia? Como ela
se dá? Qual a origem e como são elaborados os pensamen-
tos e os sentimentos? A sintonia é promovida pela vibração
anímica (da alma) que entrará em ação nos encontros das
criaturas. Fazendo parte da constituição humana, a alma é a
elaboradora das emoções e dos pensamentos, e não o cérebro
como afirma a ciência materialista.
Entendemos, como espiritualistas e espíritas que so-
mos, que o amor não se define. É cultivado, sentido, vivido e
deve ser doado. Elbert Hubbard - filósofo americano - referiu
que, quanto mais damos amor, mais amor temos dentro de
nós para dar. Para um dos maiores filósofos gregos - Aristóte-
les -, o verdadeiro amor significa que duas pessoas têm uma
conexão única, como se fossem uma só.
As perguntas repetidas abaixo visam situar a pessoa
em relação ao sentimento mais nobre e importante do ser hu-
mano - o amor. Como está sendo doado, recebido e canaliza-
do em seu íntimo.
Você ama? - Quando se ama, a alma vibra propor-
cionando um estado de contentamento que é repassado ao
corpo físico, e este responde com um bom fisiologismo. O
outro que receberá essa energia fabulosa se sentirá muito
bem, amado. No tratamento da renovação, o indivíduo deve
ser incentivado a amar cada vez mais, independentemente
de qualquer coisa, de modo que nada possa afetar esse flu-
xo energético.

118
A capacidade de amar depende do nível em que se si-
tua a criatura. Quando utiliza o nível superior de sua persona-
lidade, torna-se mais humana e madura, conseguindo abdicar
de muitas satisfações pessoais para beneficiar a quem ama e
vendo nisso sua própria satisfação, alegria e autoamor.
Sente-se amado(a)?- Logicamente, quando a pessoa diz
não se sentir amada, é porque, nesse sentir, não existe fonte
de energia amorosa que lhe seja direcionada, e isso pode ser
frustrante. É preciso verificar se ela não se sente amada por
ninguém ou pela fonte que ansiosamente deseja, ou, ainda,
se ela sempre acha pouco o que recebe para sua satisfação. O
alvo terapêutico nesse caso é a canalização do amor. São belas
as palavras de Emmanuel que nos ensinam:

Enquanto nos demoramos na escura fase do

apego exclusivo a nós mesmos, encarceramo-nos

no egoísmo e exigimos que os outros nos amem.

Nesse passo infeliz, não sabemos querer a nós

próprios, tomando os semelhantes por instru-

35
mentos de nossa satisfação.

Você mais ama ou mais se sente amado(a)? - Quanto


mais a pessoa ama, independentemente de ser amada, me-
lhor. Está sabendo canalizar e doar o sentimento, autoaman-
do-se mais, e, com certeza, receberá esse amor de volta.

35. C h i c o X a v i e r / E m m a n u e l . Fonte Viva, p. 359.

119
Há pessoas que dizem que não amam, não se amam
e não se sentem amadas. São tristes, vazias e carentes. No-
toriamente, existe, nesse tipo de indivíduo, uma dificuldade
para dar e receber amor, ou seja, um visível bloqueio para
canalizá-lo causado por uma repressão dos afetos, por receio
de não ser correspondido em seus anseios, ou por orgulho e
egoísmo, enfim, por medo de sofrer por amor. A"ausência" de
amor pode abrir caminho para a amargura e a desconfiança.
Essa repressão deve ser combatida e entendida para que o
amor possa jorrar com toda a sua intensidade, pois ele existe
em todos nós.
Acha que deveria amar mais? - A resposta mais co-
mum é sim - 90% dos casos. Ouvindo os argumentos para
essa resposta, verificamos os impedimentos para que isso
ocorra, como uma repressão na canalização do amor, receio
de não ser correspondido, medo de se humilhar e outros. De-
vemos saber que estamos aqui na Terra para aprender a amar
cada vez mais, e esse é um dos motivos da reencarnação, fato
incontestável ensinado muito bem pela Doutrina Espírita.
Diante dessa condição, podemos avaliar o quanto ainda ne-
cessitamos evoluir.
O mundo progride fantasticamente na matéria, forne-
cendo descobertas maravilhosas, mas os homens ainda não
sabem amar como deveriam. Não conhecem o poder desse
sentimento em suas vidas. Estamos aqui para aprender a
amar e sermos amados. Esse é maior propósito para as nos-
sas vidas.

120
O amor é o melhor remédio para todos os males da
humanidade e não devemos duvidar disso. Quando vivido in-
tensamente, como nos ensina Jesus, o amor alivia a dor e nos
faz sentir mais leves. Platão ensinou:"Ao toque de amor, todas
as pessoas se tornam poetas."
O ponto crucial do roteiro da renovação é o amor.
Com ele, o mais eficaz medicamento que existe, consegui-
mos lapidar todas as nossas imperfeições tornando-as mais
brandas e compreendidas.
A Doutrina Espírita é fantástica quando ensina sobre
o amor e a caridade, ambos disseminados em toda a obra
kardequiana baseada que é no Evangelho de Jesus, o mestre
amado que nos ama incondicionalmente.
Jesus nos deu um resumo do amar e ser amado: "Ama-
rás a ti mesmo como ao teu próximo." Isso nos faz entender
que a pessoa deve aprender cada vez mais a amar a si mesma
para poder amar seu semelhante. Amar a si e amar seu seme-
lhante são conceitos análogos, idênticos.
A consciente falta de amor desencadeia variações de
humor, ansiedade e depressão, entre outros transtornos. Por
outro lado, o amor vivenciado como se deve propicia vibra-
ções anímicas positivas que abastecem o corpo físico, dando-
-Ihe mais saúde física e emocional.

30 - Acredita na felicidade?
31 - Você é feliz?
32 - O que lhe falta para ser feliz ou mais feliz?
A felicidade também é um assunto deveras difícil de
analisar, aliás como todos os citados, na medida em que todos
são sentimentos e são da alma.
Muitos, em crise emocional, respondem não acreditar
na felicidade; outros acreditam, mas acham que nunca a ex-
perimentaram; e há ainda aqueles que, independentemente
do que lhes esteja ou não acontecendo, simplesmente não
acreditam na existência da felicidade.
O estudo do espírito não se sujeita aos critérios de
pesquisas materialistas e mecanicistas. A ciência espírita não
aceita a tese de que os seres humanos são todos iguais, colo-
cando-os nos mesmos parâmetros de "normalidade" ou "anor-
malidade", como faz a ciência do corpo. Não existem dois cor-
pos iguais e muito menos dois espíritos iguais. Para o corpo,
tem-se os aparelhos para aferir tais parâmetros, mas para a
alma isso não existe. Os pensamentos e os afetos (sentimen-
tos e emoções) são imensuráveis e incomparáveis, como o es-
tado de felicidade de que ora tratamos.
O estado feliz pode ser considerado como uma crise de
alegria quando nossos desejos são satisfeitos, proporcionan-
do-nos uma sensação de bem-estar e uma convicção de que
tudo é muito real e verdadeiro. Mas isso é felicidade? Não. É o
estado de contentamento que foi confundido com a felicida-
de. A prova disso é que, com o passar do tempo, toda aquela
alegria já não é tão gratificante e outros interesses e desejos
são acionados. Enquanto estes não são satisfeitos, permane-
cem a dúvida e a expectativa (ansiedade).

122
Ouve-se muito falar que a felicidade não é deste mun-
do e ninguém melhor para nos esclarecer do que Kardec:"Está
demonstrado, por uma experiência multissecular, que este
globo excepcionalmente reúne condições necessária à felici-
36
dade completa do indivíduo."
Fica evidente que o estado de contentamento foi to-
mado como felicidade e até podemos considerá-lo como uma
felicidade relativa, porém efêmera, com algum tempo de in-
tensa satisfação, no entanto incompleta, na medida em que
temos consciência de que tudo pode terminar.
Não queremos contestar os momentos de alegria e fe-
licidade relativa que conseguimos; porém, precisamos estar
cônscios de que não são perpétuos e necessitamos estar fortes
e preparados para reagir adequadamente quando eles enfra-
quecerem ou terminarem. Tudo é relativo e finito, só o absolu-
37
to é imutável, verdadeiro e infinito. Kardec afirma:

Antes de atingir o grau supremo da evolução,

gozam de felicidade relativa ao seu adian-

tamento; Deus fez da felicidade o prêmio do

trabalho e não de favoritismo, para que cada

qual tivesse o seu mérito. A felicidade existe

no mundo quando há predominância do bem

sobre o mal e a predominância do bem é o pro-

gresso moral dos espíritos. O progresso intelec-

36. A l l a n K a r d e c . O Evangelho segundo o Espiritismo, p. 84.


37. A l l a n K a r d e c . O Céu e o Inferno, c a p s . II e I I I .

123........
tual não basta, pois com a inteligência pode-se

fazer o mal.

Contudo, podemos e devemos correr atrás da felicida-


de que está a nosso alcance, a relativa, a única deste mundo.
É conseguida quanto mais nos aproximamos das leis divinas,
queiramos ou não.
Você é feliz? - No momento da consulta, o indivíduo
apresenta um desequilíbrio emocional, motivo pelo qual pro-
curou ajuda, e, geralmente, a resposta a essa pergunta é não,
argumentando que seu estado de sofrimento é decorrente dos
estímulos negativos que a vida está lhe impondo e que consti-
tuem o núcleo desarmonizado que demonstra com os sintomas.
Outros, um pouco mais espiritualizados e resistentes
ao sofrimento, respondem que, apesar de toda a crise emo-
cional que estão atravessando, não se consideram infelizes e
reconhecem que podem melhorar.
Alguns se acham muitos infelizes e vítimas do mundo.
Não reconhecem que tudo o que acontece é produto de nossa
alma enferma, que está dentro e não fora de nós.
O que lhe falta para ser feliz ou mais feliz? - Também
existem argumentos de toda espécie. Muitos, pendendo para
o lado materialista, associam a felicidade à satisfação de de-
sejos relacionados com a matéria; outros relatam que querem
paz, e alguns, que desejam as duas coisas.
Todas essas respostas contêm elementos a serem tra-
balhados e clarificados.

124
33 - Você gosta da vida?
Notem que os nossos temas são de grande amplitude
e de enorme complexidade. O assunto vida não foge a essa
regra. Procuramos em algumas linhas colocar pontos impor-
tantes à compreensão dessa maravilhosa obra de Deus.
Para a ciência oficial, vida seria nossa matéria (corpo)
em ação. Toda atividade decorreria das condições biológicas
do organismo e responderia pelo estado de vida desse corpo.
Crendo na alma, nós, os espiritualistas, damos a esta
o papel fundamental de animar a matéria para que ela tenha
vida. É a força vital. É a vida em si. Isso nos leva a considerar
que não existe corpo com vida sem a presença do espírito.
O espírito sendo tudo na vida corporal, e a vontade
sendo um de seus atributos, temos que imprimir uma força a
essa vontade para que possamos dar um sentido para a vida.
Essa é a necessidade mais urgente de toda a humanidade.
A pessoa que procura o profissional pedindo ajuda
sabe, consciente ou inconscientemente, que seus sintomas
desconfortantes devem ter outras explicações além daquelas
que visam só ao corpo. A questão está em admitir essa reali-
dade, mas a terapia renovadora é perseverante.
Aqueles que consideram os estímulos exteriores (mun-
do da matéria em que vivemos) como primordiais nas suas vi-
vências têm maior possibilidade de sofrer ante as vicissitudes
que a vida lhes impõe. São vazios, com tendência à depressão.
Os que priorizam os estímulos internos, de seus espíritos, de

125
seus Eus profundos, vislumbram algum sentido para suas vi-
das e reagem melhor aos estímulos negativos do mundo.
Você gosta da vida? - A maioria responde que gosta
da vida, mas, em face do momento crítico que atravessa,
tem suas dúvidas, pois não se sente bem. Outros dizem se
sentir cansados da vida que levam, sem perspectivas e cheia
de rotinas. Os desesperados, em crise emocional intensa,
respondem que não gostam da vida, e alguns até referem
vontade de morrer e dizem pedir a morte a Deus. Os mais
espiritualizados afirmam gostar muito de viver e, mesmo em
crise, garantem que nunca pensaram em desistir de lutar ou
em morrer.
É interessante o fato de alguns desesperados quere-
rem refazer a resposta na segunda sessão da terapia - "Eu
não pensei muito para responder; não me expressei bem; eu
não quero morrer; só disse aquilo porque vivencio uma crise
desesperadora etc". Isso já é um bom sinal.
Salientamos que o modo como o indivíduo vê a vida
está relacionado com a maneira como se sente intimamente.
Em um momento de crise e sofrimento, a vida é vista como di-
fícil e amarga. Ao encarar a crise como passageira e alimentar
a esperança de melhores dias, a pessoa obtém uma vitória no
enfrentamento dos problemas cotidianos e na busca de novas
possibilidades e conquistas. Ao sentir-se derrotada, as coisas
tornam-se mais árduas e penosas. Focalizando-se só na crise,
não vislumbra uma saída para ela. Não conseguindo enxergar
as coisas maravilhosas da vida, o indivíduo se enfraquece, o

126
que pode afetar o seu enfrentamento diante de novos proble-
mas que com certeza surgirão em sua caminhada.
Com seu roteiro, a terapia renovadora tem uma pro-
posta clara para que o paciente consiga trilhar o caminho da
maturidade e dar um sentido a sua vida, após o restabeleci-
mento de seu equilíbrio energético psicomental. Em harmonia,
a vida flui de forma natural e deve ser experienciada de modo
leve e com discernimento, sem, no entanto, se esquecer das
responsabilidades diante dos estímulos do mundo exterior.

34 - Você gosta da sua profissão?


É importante tal questionamento para verificar o grau
de insatisfação da pessoa com aquilo que está realizando pro-
fissionalmente.
As respostas a essa questão são as mais variadas pos-
síveis como: gosto; gostava muito, mas agora não gosto mais;
gosto do meu trabalho, mas não gosto do local onde é reali-
zado; não gosto; não é o que eu queria para mim; não suporto
fazer o que eu não gosto; estou ficando doente por causa da
minha profissão etc.
Conforme a resposta, detecta-se facilmente o grau de
insatisfação ou mesmo de estresse em que a pessoa se encon-
tra, e, não raramente, essa é a causa de toda a sua problemática.
O mundo moderno, com sua quantidade enorme de
informações, é um forte indutor na escolha da profissão. O
jovem, com a sua maturidade incompleta, acaba escolhendo
uma determinada área na qual quer se aplicar pelos mais di-

127
versos motivos e, na maioria das vezes, sem vocação. Atendi
uma jovem de 17 anos que optara pela faculdade de vete-
rinária por amar o seu cão. Indagada sobre outros animais,
declarou não gostar muito de bichos. Outra me disse que faria
medicina por achar a profissão bonita e rendosa, mas acha-
va que não se daria bem operando ou ficando todo o tempo
examinando pessoas doentes. Sem grandes comentários para
os dois exemplos, apenas como suposição, qual resposta essas
duas jovens dariam no roteiro da renovação se questionadas
se gostavam de sua profissão?
Nem todos têm a oportunidade de escolher a profis-
são, muito menos aqueles com menor poder aquisitivo, que
precisam trabalhar desde muito cedo para ajudar no sustento
da família. Por incrível que pareça, a maioria dessas pessoas
suporta mais o estresse no trabalho e não sente que não gosta
do que faz. Por quê? A necessidade premente do seu sustento
material e, muitas vezes, a existência de outras pessoas de-
pendendo do seu trabalho para viver exigem sacrifício, en-
tendimento e compreensão, importantes na configuração da
maturidade espiritual. Nessas condições, vislumbram pers-
pectivas de mudança (outras saídas), colocam outros objeti-
vos em suas vidas e mantêm a esperança de que conseguirão
atingi-los. Cultivam a paciência, a fé e a resignação.
Os que têm possibilidade de escolher a profissão livre-
mente devem procurar seguir a orientação de adultos expe-
rientes e se informarem muito bem sobre as carreiras que lhes
interessam; contudo, todo jovem deve saber que o elemento

128
primordial na escolha de uma profissão é se perguntar "quem
sou eu?", ou seja, é o autoconhecimento. Deve se voltar para si
mesmo, conhecer seus gostos, suas habilidades, seus interes-
ses e seus valores, procurando associar esses dados à carreira
escolhida. Esse alinhamento é importante, pois, por meio dele
o jovem estará associando o seu íntimo àquilo que a profissão
tem para lhe oferecer, distanciando-se, assim, de um futuro
estresse profissional. Se, por exemplo, o jovem escolhe a me-
dicina dizendo ser essa sua vocação, mas não está disposto a
sacrificar todo o seu tempo dedicando-se a ela, é melhor que
opte por outra profissão que lhe exija menos abnegação.
Insistimos que para escolher uma profissão é neces-
sário se conhecer (vocação), ter informações precisas sobre
a carreira escolhida e a possível adaptação que o exercício
dessa profissão exige. A adaptação, na verdade, é um fator
importante não só no exercício de qualquer profissão, mas
em todas as situações da vida. A desadaptação em qualquer
contexto é fonte de estresse, ansiedade e depressão.
Aquele que não gosta da profissão que exerce deve
procurar uma melhor adaptação enquanto precisar exercê-la.
Pode construir saídas para a situação, como a mudança profis-
sional, por exemplo, mas isso quase sempre leva algum tempo.
Para qualquer objetivo que se queira alcançar são necessários
o trabalho mental, a paciência, a perseverança e a esperança.
A adaptação é imprescindível às pessoas que apresen-
tam dificuldades no enfrentamento da profissão ou nos locais
em que elas são exercidas.

129
35 - Você gosta de comandar as situações?
Muitos indivíduos gostam de comandar (controlar) os
outros com sua vontade e sua verdade e frequentemente de-
monstram austeridade e rigidez. O controlador quer que tudo
saia conforme o seu modo de ver e acha que sempre é o certo.
A pessoa controladora costuma invadir a privacidade
alheia, e essa falta de limites pode acarretar consequências
desastrosas para si mesma e para o outro. Tem um forte sen-
timento de onipotência, achando-se o máximo, e apresenta
medo do novo, fazendo tudo de acordo com sua implacável
rotina.Tenta manter uma boa autoimagem e demonstrar uma
suposta força no enfrentamento da vida, escondendo, na ver-
dade, um grande receio de não ser respeitada se agir de forma
diferente da que está acostumada. Geralmente não gosta de
situações nas quais é submetida a regras e de lugares onde
deve praticar obediência e cumprir ordens. Enfim, falta-lhe
uma adequada adaptação, tão necessária ao bem viver.
Por que são muitos os controladores? Por que apresen-
tam enorme dificuldade para admitir que são assim? No fun-
do, são frágeis, inseguros e utilizam uma reação (formação re-
ativa, para a psicanálise) contrária à maneira como realmente
se sentem e são. Além desse mecanismo de defesa, outro é
utilizado, a negação, recusando-se a admitir o sofrimento que
impõem ao outro.
Diante do exposto, é muito difícil conviver com uma
pessoa autoritária e controladora em qualquer que seja o
contexto: no casamento, na família, no trabalho etc. O con-

130
trolador também sofre pelas reações do outro quando este
não aceita seu controle, e dessas divergências podem surgir
sintomas angustiantes também para ele.
A renovação pede mudanças nas atitudes e no modo
de ser, mas não é fácil o controlador abrir mão dessa condição
de poder sem um trabalho árduo de conscientização.

36 - Como você recebe ordens?


Temos a convicção de que ninguém gosta de receber
ordens. Algumas ordens, quando dadas de forma educada,
com intenção de não humilhar ninguém e visivelmente volta-
das para o bem, até que são bem-aceitas. Logicamente, as or-
dens com características pejorativas são rechaçadas e podem
causar danos a relacionamentos de qualquer natureza.
As pessoas controladoras, mencionadas anteriormen-
te, não gostam de receber nenhum tipo de ordem, bem como
as portadoras de um forte orgulho ou de egoísmo.
Quando temos uma boa capacidade de adaptação, an-
tes de nos irritarmos com as ordens, procuramos analisá-las
e entendê-las para que não nos ocorra um desgaste psíquico
gerado por incompreensão e raiva.
Deve-se entender, e muito bem, que na maioria das
vezes o recebimento de ordens faz parte do contexto. Em uma
repartição pública ou sob o comando de um chefe, logicamen-
te surgirão as ordens, e saber acatá-las ajuda a vida psíquica
e o amadurecimento espiritual. A adaptação é imprescindível
em todos os setores da vida.

131
Você gosta de dar ordens?- A maioria responde que sim,
principalmente os controladores. Como dissemos, existem as
ordens para o bem e as outras. Sendo para o bem, é aceitável
que se dêem ordens, mas elas devem ser evitadas sempre que
possível, pois não se sabe como o outro as receberá. Poderão
criar atritos. Isso é muito frequente entre pais e filhos.

37 - Você acha que está sempre certo?


Essa pergunta é feita para confirmar outras questões
já formuladas, como: É controlador? Gosta de dar ordens?
Somente a sua verdade é a que deve ser respeitada? É orgu-
lhoso? É egoísta?

38 - Você crê em Deus?


É uma questão interessante. Mas o que é acreditar em
Deus?
Primeiramente, temos que ter uma ideia daquilo em
que cremos, no caso, de Deus. Muitos questionam quem é
Deus. Na nossa modesta opinião, Kardec é quem mais traz
elementos para essa compreensão. Entendemos que em suas
elaborações há um misto de pensamentos de grandes filóso-
fos, cientistas e pesquisadores espiritualistas de todas as épo-
cas que conduzem para a direção de um Criador do Universo.
Kardec inicia suas explicações sobre Deus de um modo
inteligente. Ao perguntar aos espíritos superiores o queé Deus
e não quem é Deus, elimina a ideia que se possa fazer de um
Deus personificado associado com alguma imagem humana,

132
aquele"homem" que criou o mundo em seis dias e descansou
38
no sétimo. Em O Livro dos Espíritos (recomendamos aos lei-
tores a leitura do livro primeiro - " A s Causas Primeiras" - cap.
I: "Deus"), o mestre lionês recebe dos espíritos as respostas
sobre o Criador:

7. O que é Deus? - É a inteligência suprema,

causa primeira de todas as coisas.

3. Deus é o infinito? - Definição incompleta.

Pobreza da linguagem dos homens, que é insu-

ficiente para definir as coisas que estão acima

da sua inteligência.

4. Onde se pode encontrara prova da existência

de Deus? - Num axioma que aplicais às vossas

ciências; não há efeito sem causa. Procurai a

causa de tudo o que não é obra do homem e

vossa razão vos responderá. Para crer em Deus

basta lançar os olhos sobre as obras da criação.

O Universo existe; ele tem, pois, uma causa.

Duvidar da existência de Deus seria negar que

todo efeito tem uma causa, e adiantar que o

nada pôde fazer alguma coisa.

Essas três respostas oferecem apenas uma noção do


que seja uma inteligência suprema, inconcebível para a men-
te humana, mas contentemo-nos com este entendimento: ne-

38. A l l a n K a r d e c . O Livro dos Espíritos, p. 45.

133
nhum ser humano, por mais inteligente que seja, consegue
criar o que a Natureza produz. Eis a inteligência superior à
dos homens, a suprema, a causa primária de todas as coisas.
Tendo apenas essa noção do que é Deus podemos questionar
sobre a nossa crença Nele. É um tema amplo e complexo que
foge do objetivo desta obra.
Na terapia, apenas queremos saber se o paciente crê
ou não em Deus e, em caso afirmativo, como Ele participa
dos momentos da sua vida. Quase 100% das pessoas respon-
dem crer em Deus, e observamos as mais diversas maneiras,
pensamentos e ideias relacionados a essa crença. Ouve-se
muito que cada um crê a seu modo e isso é uma grande ver-
dade constatada.
De qualquer maneira, crendo em Deus, a pessoa pode
se utilizar dessa crença para enfrentar os seus problemas e os
sintomas deles decorrentes. Contudo, essa religiosidade deve
ser muito bem entendida, e a comunhão com Deus deve ser a
mais harmônica possível, o que não é comum. Vejamos alguns
modos dessa comunhão:
1. O paciente acha que pode ser mais ativo do que
Deus nas resoluções dos problemas que o afligem,
o que é impossível, pois Deus é mais ativo que
todos os homens juntos. É a força mais poderosa
do Universo.
2. A pessoa espera passivamente que Deus solu-
cione os seus problemas, outorgando-Lhe toda a
responsabilidade, ou renuncia à sua vontade em
favor da vontade de Deus. Nesses casos não existe
a possibilidade de deixar para Deus a responsabi-
lidade de solucionar os seus problemas (renúncia
da própria vontade) nem de influenciar a Sua von-
tade para isso. É oportuna a pergunta: onde estão
a participação e a responsabilidade da pessoa no
aparecimento do seu sofrimento e, consequente-
mente, dos seus sintomas?
3. Nas suas preces, o indivíduo tenta influenciar a
vontade de Deus mediante pedidos de uma divi-
na intervenção. Nessas súplicas, a coisa fica ain-
da mais complicada, na medida em que a pessoa
parece querer brincar com Deus, rogando, fazen-
do solicitações de todos os tipos e, muitas vezes,
as famosas promessas, querendo interferir na Sua
infinita e justa vontade, na Sua sabedoria e no
Seu amor.
4. O indivíduo e Deus caminhando juntos - cola-
boração mútua -, havendo a corresponsabilidade
na resolução dos problemas. Essa é a melhor ma-
neira de lidar com as dificuldades: o Criador e a
criatura como ativos na renovação. A criatura pro-
picia o campo da luta e da fé, para que o Criador
semeie a luz para clarear o caminho que deverá
ser seguido na resolução dos problemas. Podemos
chamar a colaboração aqui citada de "abertura da
criatura para o Criador".

135
A terapia renovadora procura mostrar ao indivíduo o
benefício de se abrir para o Criador. Este talvez seja o alvo
mais importante de todo o processo psicoterápico - Criador e
criatura em harmonia.

39 - Você acredita que tem corpo e alma?


A quase totalidade (99%) responde afirmativamente.
Alguns (espíritas) possuem conhecimentos sobre a alma e
acreditam na reencarnação. Outros (espiritualistas) acham-se
possuidores da alma, mas não crêem na reencarnação e na
existência da vida no além. Um por cento não acredita ser o
homem constituído de corpo e alma; aceita apenas o corpo e
que tudo é proveniente da matéria, recusando a possibilidade
da existência do espírito.

40 - Acreditando que tem corpo e alma, responda


se os seus sintomas têm origem no corpo ou na alma
Em relação a essa questão, 90% respondem que o so-
frimento manifestado através dos sintomas emocionais e físi-
cos tem origem na alma. Não sabem muito bem explicar como
isso ocorre, mas, categoricamente, afirmam haver o comando
da alma em todo o processo. Muitos pedem mais informações
sobre isso e gostam de ouvir explicações sobre o complexo
39
energético do homem global (corpo-espírito) .

39. J o s é Luiz Condotta. Ansiedade, pânico e depressão. Parte I - "O h o m e m


global".

136
Aos crédulos sem muitos conhecimentos e aos des-
crentes dessa condição global do homem, o nosso argumento
para essa realidade se baseia na ciência materialista. Pergun-
tamos a eles quais os exames existentes na ciência médica
(laboratoriais e de imagem) que podem dosar a ansiedade, a
depressão, o estresse etc. Nenhum, porque esses exames só
verificam o que é do corpo. Não existe nenhum método para
averiguar a alma. Deduz-se que a vibração da alma só pode
ser verificada através dos sintomas físicos e emocionais exte-
riorizados pelo corpo, e é isso que pretendemos verificar com
o roteiro da renovação. Repetimos: é impossível mascarar a
exteriorização da vibração da alma.
***

Ao término deste capítulo - as questões do roteiro da


renovação - temos a quase certeza que cada leitor, utilizan-
do-se da autossinceridade e da vontade de se autoconhecer,
sabe dizer os alvos que precisam ser lapidados para o início de
uma transformação. Conscientemente sabe onde precisa se
alinhar para equilibrar a energia do complexo corpo-espírito,
equilíbrio necessário para melhor saúde global.
Muitas vezes, mesmo conhecendo esses pontos fra-
cos (imperfeições), o homem-espírito tem uma dificulda-
de enorme para atacá-los e modificá-los, por uma rebeldia
do espírito em evolução, talvez por medo de uma situação
nova e com isso acaba sempre voltando e se acomodando
no seu costumeiro padrão mental. As crises existenciais, as
doenças físicas e emocionais, quase sempre, são estados

137
oriundos dessa rebeldia e surgem como um alerta convida-
tivo à transformação.
Essa rebeldia deve ser bem entendida. Um espírito en-
raizado em seu orgulho tem receio de combatê-lo por achar
que a pratica da humildade o fará mais fraco e submisso aos
outros. Essa situação não o agrada, continua se rebelando e
atrasando a sua evolução. Esse padrão mental estático é o
alvo da terapia renovadora, onde se procura dinamizá-lo ao
incentivar o paciente a não ter receio das situações novas e
das transformações a serem conquistadas.

138
Q U A N D O E S T U D A M O S as terapias psicológicas e treina-
mos a sua prática - a sua dinâmica - o instrutor nos fornece
inúmeros quesitos para serem aplicados, enfatizando os mais
importantes e que não devem ser esquecidos, para que tudo
transcorra bem durante o atendimento ao cliente.
Isso não é tão simples como parece, porque estamos
lidando com pessoas. Na terapia renovadora, considerando o
cliente como uma pessoa/espírito, o terapeuta sente o mesmo
tipo de dificuldade na medida em que não encontra duas pes-
soas iguais, simplesmente porque não existem dois espíritos
iguais. Na minha prática com a terapia, não me lembro de
ficar preso ao roteiro da renovação (questões) e aplicá-lo sem-
pre da mesma forma nos pacientes. Cada um tem a sua his-
tória, e mesmo, supostamente, que duas pessoas apresentem
histórias idênticas, o modo de cada uma encarar a problemá-

141
tica é diferente. É por isso que o roteiro é dinâmico e pode ser
restringido ou ampliado quanto ao número de perguntas.
Apresentamos a seguir dois casos clínicos com o obje-
tivo de demonstrar a dinâmica da terapia da renovação. Logi-
camente, a apresentação de cada um deles é sucinta, mas es-
clarecedora. São casos verídicos, que foram gravados e agora
transcritos nesta obra.

Casos clínicos

Caso 1
Uma senhora de 50 anos de idade, casada havia 30
anos, apresentou-se à consulta com as seguintes queixas: tris-
teza, ansiedade, crises frequentes de choro, pouco ânimo para
viver, insónia, falta de vontade de fazer muitas coisas que
costumavam lhe dar prazer, cansaço fácil, dores pelo corpo,
desesperança quanto ao futuro, afastamento dos familiares,
desilusão. Como esse quadro sintomático já perdurava por
alguns meses, resolvera pedir ajuda.
Pedimos que relatasse sua história e procurasse asso-
ciá-la aos seus sintomas.
Referiu que seu casamento, em sua opinião, era um pou-
co monótono, mas o considerava bom, sem desavenças na fa-
mília. Tinha dois filhos casados. Havia dois anos, durante uma
discussão com o marido, este a criticara duramente; ele lhe dis-
sera ser ela uma castradora, insensível, egoísta, pouco amorosa,
e revelara que já começava a perder o desejo sexual por ela. Ela

142
jamais imaginara que o marido fosse capaz de lhe dizer aquelas
coisas tão magoantes; a partir daí, não se sentira mais a mesma
e os sintomas, lentamente, haviam começado a aparecer.
Ao analisarmos seu psiquismo, constatamos labilidade
de humor, ansiedade e muita tensão e tristeza ao expor sua
história, quando chegou mesmo a chorar. As demais funções
psíquicas estavam razoavelmente conservadas.
Para a medicina tradicional, tratar-se-ia de um qua-
dro depressivo causado pelos fatos da história da paciente,
e o tratamento seria direcionado para a bioquímica cerebral,
com antidepressivo e ansiolítico. Não há dúvida de que essa
medicação provocaria uma melhora muito grande, até com
possibilidade de remissão dos sintomas. Mas, e se ocorresse
outra situação de conflito, como ela reagiria?
Note que nossa preocupação era ajudá-la a encarar
os fatos atuais e os que porventura aparecessem. Estávamos
preocupados com o seu autoconhecimento, a sua transforma-
ção e o seu bem-estar.
Explicamos a nossa linha de atuação e ela concordou
em se submeter à terapia e, consequentemente, em realizar o
"ultrassom da alma".
Primeira pergunta: A senhora associa os sintomas
com que fatos negativos da vida? Imediatamente, ela caiu em
prantos. Houve uma grande mobilização energética e a res-
posta foi instantânea: O meu casamento. (Esse é o foco da pro-
blemática e o questionamento deve ser direcionado sempre
de acordo com ele.)

143
Pedimos a ela que mantivesse em mente esse foco e
que fosse sincera consigo mesma nas respostas às perguntas
que lhe seriam formuladas. As respostas deveriam, primeira-
mente, se ater a sim ou não, ou a pouquíssimas palavras. As
respostas da paciente seguem em destaque:

A senhora tem mágoa? Sim.


Tem culpa? Sim.
Tem arrependimento? Sim.
É rígida com os outros? Sim.
É perfeccionista? Sim.
Gosta de comandar as pessoas? Sim.
É orgulhosa? Não sei.
É egoísta? Não sei.
Perdoa facilmente? Não.
Recebe bem críticas? Não.
Julga as pessoas? Sim.
Lembra muito do passado? Sim.
Pensa muito no futuro? Sim.
Tem medo? Sim.
É leal e honesta? Procuro ser.
É caridosa? Poderia ser mais.
Considera-se feliz? Não, nestes dois últimos anos.
Tem alegria? Não.
Ama? Sim.
Sente-se amada? Sim.

144
Mais ama ou mais se sente amada? Sempre me senti
mais amada.
Poderia dizer alguma coisa que fez na vida e não faria
novamente? Seria menos enérgica comigo e com os outros. Dei-
xaria de achar que estou sempre com a razão.
Acredita em Deus? Sim.
Acredita que tem alma? Sim.
No seu ponto de vista, o seu sofrimento tem origem no
corpo ou na alma? Na alma, sem dúvida.

Note que, em face da história relatada pela pacien-


te, apenas essas questões foram suficientes, embora mais
algumas pudessem ser colocadas no decorrer da entrevista
para o caso ficar mais bem esclarecido, sempre levando em
conta o foco da problemática. O leitor já deve ter percebi-
do que as perguntas surgem de acordo com o que pede a
história narrada.
Terminado o rol de questões que achamos conveniente
para o caso, já pudemos vislumbrar a personalidade, as im-
perfeições e as virtudes desse espírito/paciente. Isso se confir-
mou com a complementação das respostas dadas:

Sente mágoa de quem? Sempre senti muita mágoa


dos meus pais por serem rígidos, dos meus irmãos que se
distanciaram de mim; mas a mágoa que sinto do meu marido
é indescritível.

145
E a culpa que referiu sentir? Quando respondi me sentir
culpada... é porque eu nunca tinha pensado nisso, mas agora
me vem à mente que eu poderia ser mais meiga, amorosa. Ele é
muito bom... Ele é carente, foi criado sem a mãe. Acho ser essa
a minha culpa. Eu amo o meu marido.
E o arrependimento que diz ter? É isso, doutor, eu pode-
ria ter sido melhor, me arrependo por não ter sido.
Por que é tão rígida? Não sei, mas sou. Acho que os
meus pais me ensinaram isso. Acho que o meu marido se en-
cheu com isso. Acredito que os meus filhos também não gos-
tam disso. Eu quero comandar tudo. Eu quero sempre ter razão
em tudo.
Não gosta de ser criticada? Não. Não gosto, me sinto
mal.
Mas julga e critica os outros? Eu não gosto de fazer isso,
mas faço rotineiramente.
Disse não saber se é orgulhosa e egoísta... E aí, já sabe?
Pelo que respondi, eu acho que sou, e muito, não é?
Tem dificuldade para perdoar por quê? Acho que... Pois
é, doutor, acho que pelo orgulho.
Por que disse lembrar muito do passado? Quero sentir
os momentos felizes que tive com o meu marido, mas sofro mui-
to quando vejo que tudo isso acabou... [crise de choro]
E como vê o futuro? Tenho medo que o meu marido me
deixe e eu fique sozinha. Tenho medo que os meus filhos se dis-
tanciem de mim pelo jeito que sou. As minhas noras me acham
arrogante e "mandona". Esse é o meu medo, doutor.

146
Não se sente feliz? Como poderia me sentir feliz com

esses pensamentos, com essas dúvidas e com esses medos? Não

tenho alegria.

Como é o seu amor, como a senhora ama? Eu tenho um

amor enorme pela minha família, mas pouco demonstro isso

[choro] e acho que é isso que o meu marido queria que eu de-

monstrasse. Eu não sei amar, mas não faço por mal. Se eu pu-

desse voltar atrás, eu faria tudo diferente.

Disse acreditar em Deus. Como anda a sua relação


com Deus? Espero que Ele tire a minha aflição. A minha alma

está muito ferida. Eu perdi o gosto de viver. Às vezes acho que

Ele não se lembra de mim.

Nessa primeira consulta delineamos o perfil do psi-


quismo e da mente da cliente. Os pontos a serem trabalhados
estavam evidentes. Pedimos a ela que refletisse sobre o que
respondera e retornasse dentro de um mês.
Prescrevemos na ocasião um antidepressivo e um an-
siolítico em baixa dosagem e explicamos sobre essa maravi-
lhosa ajuda, acentuando, porém, que a melhora ou o desa-
parecimento daquilo que ela chamava de aflição dependeria
do seu entendimento como pessoa e das mudanças de com-
portamento que poderia realizar em sua vida visando a um
satisfatório estado emocional.
Após 28 dias, a cliente retornou relatando uma melho-
ra dos sintomas que atribuía aos medicamentos, mas referin-
do também a pequenas mudanças em relação ao marido e aos
filhos. Estava dormindo melhor e seu humor começara a se
estabilizar. Retornamos ao roteiro da renovação respondido
por ela.

Como vai a sua culpa? Parece-me que ficou escondida,


mas, quando penso nas palavras do meu marido, sinto um des-
conforto, mas não choro mais. Acho que está melhorando.
O que espera do seu marido? Que o meu marido
peça perdão.
O seu marido disse-lhe palavras rudes, mas a senho-
ra nunca o magoou? Eu acho que sim, e muito, com o meu
modo de ser. Ele... Então o senhor acha que eu é quem devo
pedir perdão?
Isso é uma decisão sua. Deve refletir e fazer o que
achar melhor. Eu vou pensar muito nisso.
A senhora abraça o seu marido, os seus filhos, as suas
noras? A senhora assiste à TV ao lado do seu marido? Chama-
-o para fazerem juntos uma prece? Abraço muito pouco o meu
marido e os outros. Nunca fiz uma prece com ele. Ele assiste à
TV no quarto e eu na sala.

Em seguida, explicamos sobre o orgulho, a inseguran-


ça das pessoas controladoras, a dificuldade para canalizar o
amor, os medos, a ajuda que Deus oferece desde que façamos
a nossa parte (tudo de acordo com o que explicamos em cada
questão do roteiro da renovação).

148
Mantivemos a mesma prescrição medicamentosa e pe-
dimos, como receita (esta não se avia em farmácia), que ela
procurasse se aproximar mais do marido e o abraçasse mais
frequentemente, o que seria uma forma de pedir-lhe perdão.
Sugerimos que retornasse em um mês.
Nessa nova consulta, sua aparência estava ótima; sor-
ridente, transmitia-me certo contentamento.
Contou-me que tivera uma conversa com o marido, na
qual ele pedira perdão pelas palavras ditas que tanto a ha-
viam ofendido. No entanto, ela assumira a culpa por toda a
situação e pedira perdão ao esposo. Os dois haviam se abra-
çado e falado em mudança no modo de viver. Tinham, então,
se aproximado mais dos filhos, começado a passear mais e já
haviam programado uma viagem.
Ela tinha clara consciência de suas imperfeições que
precisavam ser lapidadas e modificadas: orgulho, egoísmo,
controle sobre as pessoas, rancor excessivo, dificuldade de
perdoar e compreender mais o próximo, medo de errar e de
perder e, principalmente, de exteriorizar o seu amor.
Sem dúvida, trata-se de um trabalho árduo, sofrido,
mas a paciente me garantiu que está disposta a tudo para se
sentir bem consigo e com sua família.
Neste ponto, poderemos ajudá-la e orientá-la, mas al-
cançar ou não o seu objetivo de vida é algo que dependerá
somente dela.

149
Caso 2
Foi atendida pela primeira vez há quatro anos. Trata-se
do caso de uma jovem senhora de 36 anos, casada havia 15
anos, com dois filhos, que trabalhava como gerente de uma
loja de calçados, era católica não praticante e dizia acreditar
muito em Deus.
O resumo de sua história é o seguinte: vivera bem com
o marido por oito anos, depois soubera de suas traições e
isso afetara intensamente a convivência dos dois. Os filhos,
na ocasião com 12 e 10 anos, ignoravam os fatos. Seis meses
antes daquela primeira consulta, o marido deixara a casa e
fora morar com uma mulher de 20 anos de idade. A paciente
não se conformava com esse fato; seus pensamentos rumi-
nantes provocavam-lhe intensa ansiedade. Não dormia bem,
sentia-se sufocada por um nó na garganta, não conseguia se
concentrar no trabalho, tornara-se desatenta, nada lhe satis-
fazia, ficara sem paciência com os filhos, chorava facilmente
e alimentava uma mágoa muito intensa do marido, não sen-
tindo o menor prazer nas coisas que fazia. Resolvera, então,
pedir ajuda por achar que os sintomas estavam se agravando.
Pelo exame psíquico ficaram evidentes a ansiedade, a
tristeza, a distraibilidade e a labilidade de humor.
Ao exame psicoespiritual também eram evidentes a
intensa mágoa, a desesperança, a frustração, a insegurança
e o medo.
Explicamos a nossa linha de atuação e demos início ao
roteiro da renovação - respostas da paciente em destaque:

150
A que atribui os seus sintomas? À atitude do meu ex-
-marido - ao modo como ele me deixou. (Esse é o foco da pro-
blemática.) Pedimos que se mantivesse com esse foco em sua
mente ("ao modo como ele me deixou").
Tem raiva, mágoa ou ódio? Sim.
Tem culpa? Sim.
Tem arrependimento? Sim.
Tem medo? Sim.
Pensa muito no passado? Sim.
Pensa no futuro? Muito.
Tem medo do futuro? Sim.
Pensa mais no passado ou no futuro? Mais no futuro.
É orgulhosa? Sim, um pouco.
É egoísta? Sim, um pouco.
É preconceituosa? Um pouco.
Como se vê na condição de uma mulher separada?
Horrível.
É sincera? Às vezes.
Recebe bem críticas? Não.
Julga as pessoas? Sim.
É mais materialista ou espiritualista? Não sei.
Gosta de comandar ou controlar as pessoas? Um pouco.
Recebe bem as ordens de outras pessoas? Com difi-
culdade.
Você ama? Sim.
Sente-se amada? Só pelos meus filhos.
Mais ama ou mais se sente amada? Não sei.

151
Gosta do seu trabalho? Mais ou menos.
É feliz? Não mais.
Gosta da vida? Gostava muito, agora menos.
Ainda ama o seu marido? Não sei... Acho que não.
O que você fez e não faria novamente em sua vida?
Não me casaria e assim não passaria por esta humilhação.
Acredita em Deus? Muito.
Os problemas que me referiu têm origem no seu corpo
ou na sua alma? Acho que tudo é da alma. Meu marido feriu a
minha alma.

Nessa primeira consulta tentamos explicar à paciente,


muito sucintamente, a sua desarmonia anímica causada por
seu rancor, sua mágoa, fazendo seu corpo sofrer. Como estava
muito ansiosa e piorou após responder às questões, apenas a
medicamos com os fármacos específicos e pedimos que retor-
nasse após duas semanas.
Diante de sua enorme desarmonia, aventamos duas
hipóteses para essa situação: ela não soubera aceitar a perda
do marido (visto como sua propriedade); ou não aceitara ser
"passada para trás", perdendo o comando da situação.
Com base nas respostas da cliente, pretendo que os
leitores raciocinem comigo. Ela foi traída diversas vezes, mas
mantinha o marido a seu lado, embora a situação matrimo-
nial não fosse satisfatória. Adoeceu quando o marido a dei-
xou, perdendo o controle sobre ele. Foi "passada para trás",
perdendo-o para outra mulher. Qual é o fator mais impor-

152
tante? Perder o marido ou ser trocada por outra? Analisemos
as respostas. Ao ser perguntada se ainda amava o marido,
demonstrou dúvida ("Acho que não"). Quando instada a res-
ponder como se via na condição de uma mulher separada,
"Horrível" foi sua resposta, a qual está associada a outras
quando referiu ser um pouco preconceituosa, não receber
bem críticas, julgar as pessoas e ser um pouco orgulhosa e
egoísta. O medo do futuro (não apresentava quando estava
ao lado do marido, mesmo com um casamento sofrível) surge
com a perda do controle da situação, tanto é que o futuro
passa a se mostrar uma ideia ruminante em sua mente. Tudo
isso certamente precisaria ser muito bem esclarecido duran-
te o tratamento.
Na segunda consulta, observamos a ocorrência de uma
pequena melhora em sua ansiedade e em seu humor.
Começamos a trabalhar a sua mágoa, a sua culpa e o
arrependimento que admitira sentir, ao responder às ques-
tões do roteiro da renovação. Lembrando mais uma vez que
sempre é possível elaborar outras questões que se façam ne-
cessárias para clarear bem a situação.

Você sente culpa e arrependimento do quê? Em muitos


momentos, não dei a atenção que devia ao meu marido, chegan-
do a afetar a nossa vida íntima. Depois, as traições. Não conse-
gui perdoá-lo por suas traições.
Diante de uma vida cheia de insatisfações, por que
mantinha o casamento? Por medo do futuro, do seu apoio fi-

153
nanceiro, de não conseguir criar meus filhos, do sofrimento que
a separação poderia causar aos meus filhos. Receio de enfren-
tar a sociedade e a família como uma mulher separada. Não
consegui perdoá-lo e deu no que deu. Eu me arrependo por não
ter sido mais compreensiva e tentado reconquistá-lo enquanto
era tempo.
Você aceitaria o seu marido de volta? Acho que não...
A mágoa é muito forte. Não adiantaria, porque o estrago já
foi feito.
O que você sente pela mulher com quem seu marido
foi viver? Muito ódio. Ela me destruiu.
Você a conhece? Sim, eu a vi uma vez.
Sabe das qualidades dela? Não.
Acha que o seu marido ainda ama você? Às vezes acho
que sim.
Aceitaria ele de volta? Já me perguntou. Acho que não.
Como gostaria que seu marido se portasse caso fosse
você a traidora? Nunca pensei nisso.
Pense agora. Gostaria de ser perdoada? Acho que sim.
Está mais preocupada com o seu marido, com a situa-
ção de separada ou com a situação financeira? O meu marido
está muito bem com a sua garotinha... Confesso que não me
aceito como uma mulher separada. Eu sempre discriminei isso.
Mas o que mais me preocupa é se ele vai cumprir com o combi-
nado referente à parte financeira.
E se ele cumprir com o combinado? Menos mal... Ele
que faça o que quiser da sua vida.

154
Nesse ponto, os leitores já perceberam que essa pa-
ciente apresentava uma enorme dificuldade para canalizar
o amor, demonstrando claramente seu egocentrismo (centro
da separação - preocupada mais com o seu sofrimento), sua
grande inquietação em relação à parte material, à opinião
alheia, uma forte resistência a se renovar e, principalmente, a
se perdoar.
Quanto a sua preocupação com o lado material, quere-
mos esclarecer que, embora esse seja um aspecto importante
da vida, e ainda mais quando existem filhos a educar, a mente
não pode ficar centrada só nisso, pois impede outras visões da
situação que terá de enfrentar, queira ou não.
Foi um trabalho muito árduo o alinhamento energéti-
co dessa paciente, visto ela ser muito resistente a mudanças
por conta de seu orgulho, principalmente quando o assunto
era o amor. Ela está em tratamento há quase quatro anos.
Encontra-se bem melhor, praticamente como era antes da
crise existencial. Aceitou-se como uma mulher divorciada e
seu marido cumpriu todas as formalidades de cunho mate-
rial. Concluiu que nunca amou o ex-esposo e que sustentou
aquele casamento por muitas conveniências. Nesse tempo de
tratamento, começou a namorar, mas depois de seis meses
de relacionamento terminou o namoro por perceber que não
o amava. Considera que está bem sozinha e que não lhe falta
nada, pois a parte financeira é satisfatória.
Continuamos a orientá-la, espaçadamente, pois ad-
quiriu um melhor autoconhecimento e, com isso, evoluiu,

155
tornando-se mais forte emocionalmente e desempenhando
um melhor enfrentamento de seus problemas, embora ainda
sinta dificuldade para canalizar o amor e continue um pouco
presa à parte material.
***

Quero chamar a atenção dos leitores para esses ca-


sos discutidos. Em ambos são relatadas situações difíceis no
casamento, mas cada paciente apresenta uma visão de sua
problemática de acordo com seu autoconhecimento, sua res-
ponsabilidade e sua aceitação de ser o que é.
No primeiro caso, a paciente se reconheceu uma pessoa
rígida e controladora, necessitada de grande transformação
e com dificuldade para canalizar o amor. Mesmo consciente
do trabalho árduo para se renovar, demonstrou vontade e es-
perança. Colocou a união e a paz na família como elemento
primordial e indispensável para um viver melhor.
No segundo caso, é nítida a falta de clareza de um sen-
tido de vida, de um objetivo a ser alcançado. Isso será possível
com a consciência que deve ter do seu egocentrismo, da re-
pressão do amor, da visão de si como espírito e com um maior
desprendimento da parte material.

156
C O N V I V E N D O C O M PESSOAS que lutam para resolver ou
sanar os seus problemas, o psicoterapeuta tem o privilégio,
às vezes árduo, de lhes indicar os caminhos mais apropriados
para as suas transformações. Na minha vivência profissional,
estou convicto de que toda problemática é derivada da ce-
gueira do homem com respeito a si mesmo, que o impede de
encontrar valores mais nobres e objetivos de vida mais defi-
nidos. Os profissionais cuidadores dos sofredores da emoção
devem ficar profundamente gratos pelo que aprendem com
os seus pacientes sobre o valor da vida.
Tenho também a convicção de que a raiz da doença
está diretamente ligada à perda do valor em si, que represen-
ta a perda da dignidade. Para readquiri-la é necessário um
trabalho mental, e devemos insistir com cada paciente mos-
trando-lhe que, embora seja difícil, não é impossível. Deve-

159
mos fazê-lo se aventurar na descoberta de si mesmo e se amar
intensamente com tudo o que é.
No nosso mundo moderno, os diagnósticos são mui-
tos e tidos, quase sempre, como sombrios, o que difere de
nossa conceituação, assim como os prognósticos (evolução
da doença) que podem se tornar mais brandos se a pessoa
realmente quiser se transformar. Nesse mister, devemos cla-
rear um caminho para o paciente dizendo-lhe que não há
outra escolha a não ser seguir em frente, avançar para algo
mais enobrecedor.
A terapia da renovação ou renovadora pede que a pes-
soa seja sincera consigo mesma para poder iniciar o caminho
do autoconhecimento e alcançar a autoconsciência que im-
plica lutas e conflitos. Ao se conscientizar das suas deficiên-
cias e virtudes, experiência o sentir-se como é e vislumbra o
que realmente quer da vida. Percebe a cadeia de imperfei-
ções em que está presa e os elos a serem rompidos para que
dela se liberte.
Quanto à autoconsciência, todos nós a temos e pode-
mos chamá-la de autoconsciência comum. Nela, a pessoa pode
distinguir os seus defeitos e as suas qualidades, alinhando-os
conforme a vida exige e tomando decisões com certa respon-
sabilidade. Tudo isso se observa em uma pessoa tida como
"normal", mas o nosso enfoque é a pessoa que procura ajuda
por se sentir insegura e com uma problemática angustiante.
A terapia procura encaminhar o indivíduo, num pri-
meiro momento, para essa autoconsciência comum, mas o

160
objetivo maior é levá-lo a um estágio consciencial mais pro-
fundo, a consciência transcendente. Procura-se com ela o de-
senvolvimento da intuição, da criação de ideias e com isso
uma maior rapidez na solução dos problemas. Muitas escolas
psicológicas denominam essa consciência de criativa, um ter-
mo bem empregado e preciso. Criar pode ser entendido como
desorganizar o que está construído e reconstruí-lo de uma
outra forma. Se existe algum problema estruturado trazendo
sofrimento, deve-se desorganizar essa situação e reconstruí-la
de um outro modo utilizando a criatividade. Isso deve acon-
tecer de modo intenso com os inadequados hábitos e rotinas
enraizados no modo de viver. Todos nós temos condições para
isso, mas a força de vontade deve ser constante.
Sabemos que atingir definitivamente esse estágio, essa
transcendentalidade, é difícil (nós nos tornaríamos santos),
mas pretendemos que a pessoa o alcance ao menos por al-
guns momentos, quando poderá observar as verdades não
embaçadas por suas imperfeições e clareadas pelas virtudes
de sua alma, como estes exemplos: fazer aos outros o que quer
para si e amar o próximo sem interesse da recompensa. Ape-
nas com esses vislumbres e a sensação magnífica produzida
por eles, o indivíduo perceberá as mudanças no seu compor-
tamento e nas suas ações.
Nesse caminho, o indivíduo irá se sentir mais segu-
ro, mais confiante, mais conhecedor de si e, infalivelmente,
com elevada autoestima. Saberá que só tem a possibilidade
de cair aquele que caminha. Os que ficam parados, acomo-

161
dados, são aqueles já caídos com medo de se levantar e con-
tinuar a jornada, pois sabem que poderão se equivocar ou
repetir algum erro e cair novamente. O erro só acontece para
aquele que tenta seguir adiante, bem como o acerto, portan-
to ninguém deve ter medo de errar e parar no caminho. Deve
caminhar sempre.
Resumindo: na terapia renovadora - abordagem espi-
ritual - pretende-se esclarecer o paciente acerca de sua natu-
reza corpo-espírito, enfatizando a sua alma, para que consiga
obter uma visão mais profunda e renovada sobre si mesmo,
sobre a vida e o sentido que se deve nela imprimir. Isso pro-
porciona uma melhor harmonia do corpo mental, cujo equilí-
brio se reflete no estado de saúde.

162
C O M B A S E NOS E S T U D O S que temos feito e em nossa
prática profissional, concluímos que o problema crucial da
humanidade é o vazio existencial.
Na área médico-psicológica, dizem que a doença do sé-
culo passado e deste que adentramos é a depressão, seguida de
outros transtornos emocionais. Estudando-os, verificamos que
em todos eles se encontra o vazio que afeta uma grande parcela
da humanidade. Essa massa humana não sabe muito bem o que
quer e o que sente. Não tem ideia dos seus desejos e das suas
necessidades espirituais, sentindo-se, assim, impotente e vazia.
Quase sempre essa sensação de vazio acompanha a solidão, sen-
do, o vazio e a solidão, tomados erroneamente um pelo outro.
Explicamos melhor sobre esse tema em nosso artigo
40
intitulado "Vazio existencial" .

40. J o s é Luiz C o n d o t t a . "Vazio existencial". Revista Internacional de Espiri-


tismo, março/2017.

165
Uma queixa frequente entre os pacientes examinados
é a sensação de vazio. Ela é verbalizada de inúmeras manei-
ras; raramente encontramos dois relatos iguais, embora algu-
mas características desse estado apareçam com frequência.
Muitos autores e pesquisadores chamam esse estado
de vazio existencial. Entendemos, contudo, que qualquer ou-
tro transtorno emocional também faz parte da existência do
espírito, portanto é também existencial.
Não existe consenso, na ciência oficial, quanto à(s) cau-
sa(s) desse terrível sentimento. As pesquisas científicas indi-
cam que o vazio surge diante de inúmeras situações negativas
da vida humana. Uma frustração; uma imaginada condição
de vida que, conscientemente, o indivíduo sabe ser difícil atin-
gir; a falta de um sentimento de reconhecimento e de amor
de alguém ou de algumas pessoas; uma família que não vai
bem; dificuldades com parentes e filhos; entraves amorosos
e conjugais são alguns dos motivos que os pacientes alegam
para justificar o vazio existencial.
A ciência espírita acompanha a ciência oficial endos-
sando suas descobertas e explicações, mas a complementa
apontando o espírito como parte do homem global, quando
afirma que a quase totalidade das causas das doenças emo-
cionais está nele contida. Não é diferente para o sentimento
de vazio.
Como seres ainda incompletos devemos entender, ob-
viamente, que não somos completos, plenos, e por isso temos
um vazio a preencher. Portanto, todos os humanos trazem

166
um vazio inato que deve ser constantemente preenchido e
cada um o faz conforme o seu estágio evolutivo, com senti-
mentos oriundos de suas vontades, escolhas, de seus conhe-
cimentos e discernimento. É por isso que verificamos o vazio
com diversas características e em diferentes proporções. En-
fatizamos que todos possuem no espírito as potencialidades
benéficas necessárias para se adequarem a esse estado. Deus
dá a cada um, no estágio em que se encontra, o que precisa
para sua evolução.
Na prática médica, o vazio faz parte dos mais diver-
sos transtornos emocionais. Analisando durante décadas esse
sentimento, modestamente, podemos afirmar que um dos
grandes problemas do homem é não saber o que realmente
quer e tampouco expressar o que sente. O vazio costuma ser
verbalizado pelo cliente, ao exame psíquico, como um descon-
forto intenso, ou uma agonia duradoura, e quase sempre o
indivíduo aponta para seu peito ao referi-lo. Concluímos que
o vazio é um sentimento e como tal pertence ao espírito, que
o repassa ao corpo físico, e este o exterioriza como sintomas
emocionais e físicos.
Ao examinarmos as histórias de vida das pessoas que
conscientemente se declaram sofredoras desse vazio, nitida-
mente notamos a enorme dificuldade que sentem para agir
como espíritos que são e para perceber que estão em contí-
nua evolução. Por meio de suas queixas emocionais, verifica-
mos a fragilidade de suas personalidades, a dificuldade para
dirigir suas existências e o fraco poder de adaptação diante

167
de preocupações, frustrações e estresse. Comumente, surgem
o desespero, o sentimento de inutilidade, a autodepreciação
e a negligência da poderosa força anímica que possuem para
lutar pelo saber querer e sentir. Os que buscam essa força
interna (comum a todos) investem na perseverança, na pa-
ciência, na compreensão e no amor e sentem-se melhor com
o decorrer do tempo. No entanto, como a aquisição de tais
atributos requer um trabalho árduo, ou seja, como os sinto-
mas não são solucionados de imediato, os sofredores imedia-
tistas, na ânsia da melhora, lançam mão de elementos que
consideram eficazes para o preenchimento do vazio.
Os elementos supostamente salvadores e curado-
res mais comuns observados são: posse de bens materiais
(podendo chegar à compulsão para comprar), viagens fre-
quentes, procura por divertimentos de toda ordem, exces-
so de comida (compulsão alimentar), uso de drogas de toda
espécie (dependência química), escolha de companhias de
pessoas desajustadas, e outros. Observamos que são com-
portamentos que atacam o vazio de fora para dentro. Em um
primeiro momento, esses elementos até podem preenchê-lo
e alguns consideram-no sanado; no entanto, como se trata
de medidas paliativas, o sentimento de vazio logo retorna. A
tendência, então, é que a pessoa repita esse modelo de com-
portamento constantemente, e, em não tendo as respostas
esperadas, ao vazio acabam se somando outros sintomas.
As pessoas referem-se ocas, medrosas, frustradas, ansiosas,
deprimidas e inseguras.

- 168
Existem inúmeros complicadores psicológicos que ali-
mentam o sentimento de vazio e que necessitam de grande
atenção. Alguns deles:

Opinião alheia
Sempre trazemos na bagagem espiritual as necessida-
des do espírito ávido para evoluir e se preencher com o bem. É
a força espiritual. O espírito contará também com a bagagem
cultural do meio em que se encontra encarnado, com as suas
tradições peculiares, os postulados que carrega dessa cultura
e da família, a religiosidade, os valores segundo as leis mo-
rais etc. A confusão começa quando tudo isso é deixado de
lado por ser tachado de autoridade exagerada, que é trocada
por uma autoridade ainda mais cruel, a autoridade da opinião
alheia. Essa opinião abala o indivíduo que se preocupa com o
que os outros pensam dele, sem se importar com os valores
inatos e adquiridos com os quais construiu ou ainda constrói
a sua personalidade.

Anomia e falta de objetivos


Muitos são os portadores da falta de objetivos e da per-
da de identidade (anomia), esta última incitada pelas intensas
e aceleradas transformações do mundo moderno que pouco,
ou quase nada, preenchem os valores anteriores demolidos.
Dando prioridade aos outros em detrimento da sua individu-
alidade, chega o momento em que o indivíduo não sabe mais
se ele é os outros ou ele mesmo, alimentando assim o seu vazio.

169
Na onda da maioria
Esse processo de o indivíduo embarcar na onda dos
outros para estar bem com a maioria no meio social em que
vive provoca a repressão dos seus instintos e dons benéficos
por discordância das opiniões alheias, o que alimenta o vazio.
Em outras palavras, a vazão dos seus instintos e dons, gra-
dativamente, preencheria o espaço da sua própria realidade,
enquanto as opiniões alheias não têm essa condição, são pos-
tiças, superficiais e não são percebidas como partes da sua in-
dividualidade. Desse modo, quando se busca intimamente, o
indivíduo nada vê de seu, apenas um vazio. Portanto, não nos
influenciemos pelas emoções, atitudes e feitos alheios. Nos-
sas ações devem nascer do nosso próprio íntimo, dos nossos
dons e inspirações e esse é o convite para caminharmos sobre
as nossas próprias pernas.

Virtualidade
Na atualidade, muitos caminham apoiando-se na vir-
tualidade, nas comunicações sem o intercâmbio energético
direto, indivíduo a indivíduo, inexistindo a verdadeira afetivi-
dade da convivência, do contato, do calor humano. A virtuali-
dade é dona das fantasias e vivências, muitas vezes impossí-
veis, acarretando ao indivíduo frustrações, insegurança, medo
e baixa autoestima, colaborando para o vazio existencial. O
espírito reencarna para aprender, ensinar, amar e evoluir e,
para isso, deve conviver com o seu próximo de modo real.

170
Quando se percebem vazias, as pessoas comumente
exteriorizam sintomas de ansiedade e depressão. Não con-
seguem enxergar nada de bom na vida, não sabem por que
vivem, não se sentem úteis, mesmo cercadas de coisas boas,
amadas pela família e pelos amigos e sem nenhum proble-
ma realmente destoante. Muitas referem esse vazio como um
sentimento de solidão, de tédio, de amargura.
Quando reportamos que trazemos um vazio inato não
queremos dizer com isso que devemos ficar estáticos e deixar
as coisas acontecerem, achando que tudo é fatalismo e carma.
Lembremo-nos sempre de que estamos onde de fato devería-
mos estar e que, portanto, devemos lutar e vencer mais essa
etapa para o bem de nossa própria evolução, apesar de todo o
conflito existente entre as forças do nosso íntimo e as forças
externas deste mundo.
Não temos dúvidas de que o vazio é um sentimento e,
portanto, é do espírito. Para preenchê-lo temos que buscar,
em nossas almas, sentimentos positivos e dentre estes o mais
importante é o amor em todas as suas formas. É o melhor
medicamento para a cura de qualquer doença, inclusive do
vazio existencial.

171
T O D O E S P Í R I T O , ao reencarnar, escolheu para si o ne-
cessário para evoluir na sua caminhada purificadora rumo à
perfeição. Traz na sua linha do destino as metas (provas e ex-
piações) a serem cumpridas, e, quando estas são superadas,
42
ele avança em sua escala evolutiva. André Luiz esclarece
que, no plano reencarnatório, o espírito prevê a forma física, a
paisagem doméstica, o ambiente social, o concurso materno,
bem como as principais dificuldades a serem vencidas. Tra-
ta-se de um plano construtivo e não de um fatalismo. Não
existe um destino fixo e sim flexível, pois todos reencarnam
com independência relativa.
O espírito reencarnante traz consigo a somatória de
todos os seus reflexos bons ou não, colhidos através do tempo
(herança espiritual), e que agora farão parte do molde espi-

a
42. C h i c o X a v i e r / A n d r é Luiz. Missionários da Luz. 4 1 e d . , c a p . 13, " R e e n -
carnação".

175
ritual fornecido à formação e à estruturação do corpo físico,
quando a este se ajusta célula a célula, organizando todo o
seu desenvolvimento e comandando o seu fisiologismo. É a
herança espiritual que comanda a herança genética.
A mente (espírito) age sobre o meio interno do ci-
toplasma da célula influindo na configuração genética do
reencarnante, fornecendo ao corpo todas as suas caracte-
rísticas, que nada mais são que os reflexos do estado do
seu espírito. Portanto, da mente comandante originam-se
as energias espirituais que chegam aos trilhões de células
do organismo físico que, quando perturbadas, emitem raios
magnéticos de alto poder destrutivo provocando alterações
no fisiologismo físico: as doenças.
A própria consciência do espírito faz com que escolha
aquilo que poderá suportar e cumprir no traçado do destino
que seguirá ao reencarnar. É a conta do destino criada por ele
mesmo, como ensina André Luiz. É o espírito que terá que
enfrentar as consequências de seus próprios atos.
Entre essas escolhas estão as propensões a doenças de
todos os tipos, conforme a necessidade para a sua evolução.
O espírito pode estar predeterminado a ter uma doença, mas
não necessariamente a terá. Existem inúmeros fatores para
que isso não ocorra durante a sua atual vida na Terra, uma
vez que o traçado do destino não é absoluto e pode ser alte-
rado conforme o trabalho no bem, pois a postura moral clara
e correta interfere em todas as funções celulares através da
harmonia das vibrações da alma.

176
Diante das escolhas, o homem-espírito pode aliviar as
suas provas tornando a passagem na Terra mais prazerosa e
extasiante, dando à vida um sabor agradável. Por outro lado,
ao se contaminar em excesso com as tentações da matéria,
certamente haverá alterações em suas condutas sadias e com
isso poderá sentir a dor e o sofrimento, deixando à vida o
sabor da amargura. Tudo nos leva a crer que o homem não
utiliza adequadamente os atributos do seu espírito, em espe-
cial o livre-arbítrio. Consequentemente quase nunca escolhe
o melhor para si. Disso poderão advir o sofrimento, as dores e
43
as doenças. É bom sempre lembrar do Apóstolo Paulo : "Tudo
o que o homem semeia, colherá."
Quem escolhe as nossas doenças? A resposta é óbvia:
somos nós mesmos. Como? Quando elaboramos a programa-
ção reencarnatória, quando praticamos ações inadequadas
nesta nova vida corporal ou, ainda, por meio de uma associa-
ção dessas duas possibilidades.
As Leis da Natureza, elaboradas com absoluta perfei-
ção, nos mostram que, para recebermos alguma coisa, seja
o que for, precisamos merecê-la. Cada um de nós sofre pela
própria evolução conquistada durante toda a existência. Nes-
te momento estamos tendo o que merecemos. O corpo físico,
sendo o veículo de expressão do espírito, exterioriza o equi-
líbrio ou a desarmonia vibracional no mundo da matéria, no
plano inferior da evolução. Dessa forma, fica claro que o nível

177
evolutivo ainda a desejar dos seres humanos é o responsável
pelo sofrimento e pela dor e, quase sempre, está ligado às
mais diferentes doenças.
É interessante notar que, quando se busca a causa pri-
mordial dos sofrimentos de qualquer espécie, direta ou indi-
retamente, chega-se, invariavelmente, ao espírito. Como nos
lembra Chico Xavier, "ninguém poderá dizer que toda enfer-
midade, a rigor, esteja vinculada aos processos de elaboração
mental, mas todos podemos garantir que os processos de ela-
boração da vida mental guardam positiva influenciação sobre
44
todas as doenças" .
Comumente observamos que uma dor moral, uma má-
goa, uma preocupação intensa, um estresse no trabalho podem
trazer sintomas físicos como dores musculares, falta de apeti-
te, cansaço fácil, insónia etc. Todos esses estados angustiantes
provocam excitações nas vibrações do espírito que repercu-
tem, via centros nervosos, no organismo humano. Podemos
dizer que todos os transtornos emocionais acabam afetando
o corpo físico, que exterioriza os sintomas referentes ao dese-
quilíbrio dessas vibrações. Em sentido inverso, uma lesão ou
qualquer alteração funcional do corpo físico é transmitida, via
sistema nervoso, ao corpo astral (perispírito) proporcionando
alterações em suas vibrações que serão sentidas no organismo.
Devemos entender que nem todos os estados de doen-
ça são fruto das experiências remotas (vidas passadas); con-

178
tudo, esse passado reflete o estado do espírito em nova vida.
Existem estados que são gerados pela conduta atual do ho-
mem-espírito quando age comandado por suas imperfeições,
como o orgulho, o egoísmo, a vaidade, o desamor etc. Seja
qual for o caso, o espírito, com o seu corpo sutil, está sempre
envolvido nas manifestações das doenças através de seu de-
sequilíbrio energético.
As doenças congênitas, muito estudadas pela ciência
espírita, são efeitos físicos dolorosos com muito sofrimen-
to, proporcionando ao espírito uma enorme contensão em
suas ações presentes, decorrente das lesões de seu corpo
astral em vidas anteriores, quando abusou do dom da vida,
contrariando as leis maiores. São exemplos de graves lesões
perispirituais o suicídio, a Síndrome de Down, a paralisia
cerebral, a oligofrenia (deficiência mental), os desvios de
caráter e de personalidade, as dependências químicas, os
distúrbios sexuais e muitas outras enfermidades. Diante da
consciência em débito, o espírito escolhe o mais necessário
para sua evolução.
Aproveitando a oportunidade, perguntamos: quem es-
colhe as nossas curas? Também é óbvia a resposta: nós mes-
mos. Como? Interagindo com Deus e procurando seguir as
suas leis. Com isso, estamos cuidando das nossas imperfei-
ções e corrigindo os nossos equívocos, na busca da cura das
feridas que infligimos a nós mesmos e aos outros. Estamos
procurando o equilíbrio das vibrações de nossa alma. Estamos
buscando a saúde.

179
Q U E M NÃO GOSTARIA de ser feliz?Todos nós, com certeza.
O homem/espírito busca incessantemente a felicidade
aqui na Terra, embora relativa, e deve saber que ela depende
só de si. O seu livre-arbítrio lhe dá certa possibilidade de es-
colher o caminho para essa realização. No entanto, deve saber
também que as más escolhas resultam em estados aflitivos,
com dores e sofrimentos. As doenças, muitas vezes, são resul-
tado dessas más escolhas. As escolhas positivas, ao contrário,
proporcionam um estado mais saudável, com mais disposição
para lutar e enfrentar as vicissitudes da vida, levando o ho-
mem em direção à felicidade.
Quando questionamos a pessoa sobre o medo, uma
resposta frequente é que seu maior medo é o de ter uma
doença. O necessário esclarecimento sobre isso deve ser
passado ao paciente. Devemos alertá-lo para o fato de que
esse medo é extremamente maléfico, é um pensamento

183
ruminante que interfere sobremaneira nas funções do psi-
quismo, prejudicando o desenrolar da vida e a construção
da felicidade. Muitas vezes, as doenças imaginadas que po-
derão surgir no futuro são fruto de uma mente em desali-
nho, e, outras vezes, sem que se perceba, tem-se estados
desarmônicos do fisiologismo do corpo físico (doenças) que
são curados por si sós (para os espíritas, com a ajuda dos
espíritos protetores).
Atendemos pessoas que, embora estejam bem fisica-
mente, sentem um medo intenso de contrair uma doença,
imaginando o tempo todo o que irá acontecer com sua saúde
no futuro (ideia fixa = auto-obsessão). Fazem diversos exames
médicos, tomam uma infinidade de medicamentos, achando
que essas atitudes estão lhes protegendo de algum mal e sal-
vando suas vidas. Isso nada mais é que o medo de morrer,
pois essas pessoas ligam o estado de doença à morte. Agindo
dessa forma, alimentando esse tipo de pensamento, elas não
apreciam a vida, passam a maior parte do tempo gerencian-
do-a, como se isso fosse possível.
Encontramos na literatura inúmeros conselhos para
ter uma boa vida e podem considerar mais este. Na verda-
de, não se trata bem de um conselho, mas de explicações
visando possibilitar uma vida mais simples e mais próxima
do natural. Não fazemos só o que gostamos, mas é impor-
tante que nos dediquemos com amor àquilo que gostamos
de fazer e que procuremos entender o porquê de fazermos
o que não gostamos. As preocupações que o mundo terres-

184
tre exige devem ser mínimas, porém são necessárias para
os nossos espíritos em evolução. Façamos tudo com mode-
ração procurando o equilíbrio corpo-alma. A vida deve ser
vivida naturalmente, deve fluir juntamente com a alegria e
o amor.
N A T E R A P I A R E N O V A D O R A , a história de vida do pa-
ciente, seu exame psíquico e o"ultrassom da alma" mapeiam,
como dissemos, a personalidade e o estado de espírito do in-
divíduo. Intuitivamente, o terapeuta pode lhe indicar algum
caminho para aliviar as aflições angustiantes, decorrentes da
problemática relatada. São inúmeras as possibilidades e uma
delas é muito simples - o abraço.
São histórias em que fica nitidamente observada a falta
desse gesto simples e muito representativo para a vida psíquica,
capaz de quebrar fortes detritos mentais acumulados. Para escla-
46
recer melhor este tema, transcrevemos o artigo "Aquele abraço" :
Abraçar tem inúmeros significados, como: cingir com
os braços, compreender, estender-se a, admitir, aceitar, cercar
etc. Abraço é a ação de abraçar.

189
Verificamos que um animal abraça o seu semelhante
demonstrando proteção e igualdade; uma planta trepadeira
abraça o tronco de uma árvore como apoio para se desen-
volver melhor e mostrar a sua exuberância. São exemplos de
abraços que ocorrem nos reinos da natureza. É aceitar o ou-
tro. Podemos também abraçar uma árvore ou um animal por
tudo o que nos representam e como agradecimento ao Cria-
dor que nos oferece a magnífica natureza.
Mas o nosso propósito é discorrer sobre o abraço entre
os humanos. O abraço sincero é uma demonstração de afe-
to de uma pessoa para outra, embora existam abraços entre
duas pessoas com o sentido apenas de cumprir uma obriga-
ção social, uma formalidade, sem, contudo, existir sincerida-
de no ato. Existe também o abraço dado ao término de uma
mensagem, em uma despedida, numa situação de medo e in-
segurança, no namoro, no sexo, em um momento de alegria
ou de tristeza etc.
O abraço sincero é aquele no qual estão inseridos o ca-
rinho, o amor, a compaixão, a saudade, a vontade de abraçar
por ser bom. Porém, quero me ater àquele abraço que está fa-
zendo falta. Inúmeros indivíduos sentem falta de um abraço,
outros querem abraçar e não sabem como, alguns desejam ser
abraçados, mas fogem desse contato e há ainda aqueles que
querem o abraço e enxergam nesse ato a oportunidade de um
recomeço com os seus desafetos. Esses gestos são importan-
tes em face dos desequilíbrios emocionais, como a prática psi-
quiátrica nos tem demonstrado. Nada melhor do que exem-

190
plos para ilustrar melhor o que estou querendo dizer e expor o
bem que os abraços fazem ao psiquismo humano, para a alma
e para um bom viver.

Exemplo I
Um senhor de 61 anos me relatou que deixara o lar,
numa cidade distante, após uma briga com o genitor. Tinha
na época desse fato apenas 17 anos. Nunca mais eles haviam
se encontrado. Ele nada soubera a respeito do pai (a mãe já
havia falecido) e dos irmãos naqueles 44 anos decorridos. Ca-
sara-se e tivera três filhos, agora adultos. Por incompatibili-
dade de opiniões, haviam surgido, em determinado momen-
to, sérias desavenças entre ele e os filhos, o que o remetia a
seu passado, quando se recordava do equívoco praticado e
sentia arrependimento. Imaginando por diversas vezes que
também seria abandonado por um dos filhos, passara a expe-
rimentar um grande sofrimento com essa hipótese, entrando
em um quadro depressivo, com mudança de comportamento,
apatia e tristeza profunda. Em seis meses, havia emagrecido
25 quilos.
Passara por diversos médicos e psicólogos; chegando
ao meu consultório, foi logo dizendo: "O senhor é a minha
última esperança." Na vida profissional, a coisa mais difícil
é quando ouvimos essa frase que nos coloca em xeque. Na
entrevista, o homem informou que se consultara com mais de
20 médicos e já fizera uso de inúmeros antidepressivos e an-
siolíticos, não sentindo melhora com nenhum deles. Naquele

191 -
momento, eu não via o que a medicina podia fazer para aque-
la alma em sofrimento. Apelei aos conhecimentos espíritas e
disse-lhe: "A medicina tem os seus limites e talvez não possa
fazer nada para dar-lhe aquilo que deseja, que é a alegria e a
paz. A única pessoa que realmente pode curá-lo é você mes-
mo. A receita é simples: procure o seu pai e o abrace, diga que
o ama. Faça isso e só depois volte aqui. Quanto aos medica-
mentos, continue com os que está usando."
Passaram-se quatro meses e aquele senhor reaparece,
irreconhecível; recuperara 18 quilos e seu semblante era de
alegria e tranquilidade. Relatou que não tinha sido fácil loca-
lizar o pai, que se mudara diversas vezes de cidade. Ao final-
mente encontrá-lo, abraçara-o e beijara-o muitas vezes. Des-
creveu a cena emocionadíssimo e referiu que, quando abra-
çado ao pai, sentira como que uma força (termo que usou)
saindo de seu corpo; disse-me que, a partir daquele momento,
passara a desejar tão somente amá-lo e ampará-lo, tanto que
o trouxera para junto de si e passara a se sentir outra pessoa.
Deixara de usar os medicamentos. Relatou-me que seu obje-
tivo maior agora era aproveitar o recomeço daquela relação e
se responsabilizar pela qualidade de vida do pai idoso e dar-
-Ihe muito amor.

Exemplo II
Uma linda jovem sentia-se infeliz com a convivência
com o pai e a distância que mantinha em relação a ele. Admi-
rava-o, amava-o, mas ele era muito "seco", de pouca conversa;

192
a moça sabia, no entanto, que ele tivera uma vida muito di-
fícil, com muita falta de carinho. A jovem paciente começa-
ra um namoro que não fora aprovado pelo pai, o que fizera
com que a distância entre ela e seu genitor aumentasse ain-
da mais. Isso a perturbara de tal forma que começara a ter
frequentes crises de choro, a sentir desespero e a perceber
mudanças substantivas em seu comportamento no trabalho e
na faculdade, que frequentava à noite. Procurara um médico
generalista, que a medicara com um antidepressivo comum e
pedira que consultasse um psiquiatra. Foi quando me procu-
rou. Conversamos três vezes num período de dois meses.
Na primeira consulta, já lhe sugeri que "quebrasse o
gelo" com o pai, que o procurasse e lhe desse um abraço. Na
segunda, retornou sem ter conseguido fazer o que lhe fora
sugerido. Na terceira, contou-me que o pai tivera um mal sú-
bito e precisara ser socorrido por ela, que se encontrava so-
zinha em casa naquele momento. Durante sua remoção para
ò hospital, com medo do que poderia acontecer e chorando,
abraçara-o e o pai lhe retribuíra o abraço dizendo: "Era isso
que eu estava desejando a minha vida toda." Descreveu aque-
le momento de intensa emoção e acrescentou estas palavras:
"Naquela hora senti algo indescritível tomando todo o meu
corpo." A partir daquela data, ela e o pai haviam começado a
se abraçar todos os dias quando ela saía para o trabalho. Seu
comportamento mudara, tornara-se mais alegre, deixara de
usar os medicamentos e vinha observando claramente altera-
ções positivas em si e em seu pai.

193
Exemplo I I I
Um jovem me procurou contando que sempre sentira
uma enorme mágoa do patrão, que não o tratava bem, embo-
ra lhe garantisse o emprego e o salário com que sobrevivia.
Quando acometido de intensa raiva, chegara a desejar todo
o mal possível àquele homem. Certo dia, o patrão sofrera um
acidente automobilístico e ficara em estado gravíssimo. Foi
quando seus sintomas haviam começado a aparecer: deixara
de dormir adequadamente, seus pensamentos haviam se tor-
nado fixos no arrependimento e no remorso por ter desejado
tanto mal ao próximo, passara a ter momentos de forte an-
siedade, taquicardia e crises de choro. Inicialmente, comba-
temos aqueles sintomas com os medicamentos apropriados,
mas sugeri-lhe também que visitasse o patrão no hospital fre-
quentemente. Essas visitas lhe tinham, de fato, proporciona-
do um certo conforto, mas ainda sentia remorso.
Com o passar das semanas, o patrão se restabelece-
ra e ficara fora de perigo, embora continuasse hospitalizado.
O jovem contou-me que se sentia aliviado, que seu remorso
estava bem mais brando, mas ainda se culpava por aqueles
momentos de ódio. Sugeri-lhe que, numa futura visita, ten-
tasse abraçar o patrão e admitisse a ele que muito lhe devia e
que lhe era muito grato. Assim o fez. Aquele abraço o retirou
da angústia e do autocastigo. A partir desse episódio, suas
emoções se equilibraram. Não sentia mais o remorso, nem a
culpa. O patrão voltou ao comando e novas situações difíceis

194
apareceram, mas o rapaz conseguia não se enraivecer e tenta-
va compreender que cada um tem o seu modo de ser.
***

Nesses exemplos, o simples gesto do abraço foi sufi-


ciente para o início do restabelecimento do equilíbrio emo-
cional das pessoas envolvidas. Interessante notar que, no
primeiro caso, o abraço produziu uma sensação de saída de
uma força, um peso, algo negativo que o paciente nutria havia
anos - a mágoa e o remorso. No segundo exemplo, a jovem,
ao abraçar o pai, sentiu uma força tomar conta do seu corpo.
Deduzimos ser algo positivo, o amor represado, que eclodiu e
veio preencher o vazio que sentia na difícil convivência com
o seu genitor.
Esses abraços relatados são aqueles que fazem falta.
São autênticos, terapêuticos, curativos, energizantes, capazes
das mais lindas transformações, como observamos nas histó-
rias relatadas. Não avaliamos nenhuma alteração no quimis-
mo do corpo diante do observado, mas constatamos tais trans-
formações que são da alma, e não existem meios modernos
para aferi-la. Contudo, essas observações estão inteiramente
em acordo com algumas pesquisas que vêm sendo realizadas
por cientistas de todo o mundo, como mostramos a seguir.
A neurociência diz que o abraço é processado pelo
cérebro como uma recompensa, e tem um impacto sobre o
psiquismo humano, fazendo com que experimentemos uma
sensação de alegria, felicidade e bem-estar.

195
A ciência também admite que o abraço é um gatilho para
o cérebro produzir mais ocitocina - o chamado hormônio do
amor - enviada para circulação sanguínea através da hipófise.
O pesquisador Sheldon Cohen, da Carnegie Mellon
University, dos Estados Unidos, comprovou que o abraço pro-
tege dos efeitos do estresse, da depressão e da ansiedade (arti-
go publicado na revista científica Psychological Science, 2014).
Portanto, fiquemos atentos! Analisemos as nossas
vidas, procuremos em nós um possível vazio carente de um
abraço e saibamos que podemos preencher a carência afetiva
de um semelhante apenas com um forte abraço. Lembremos
sempre que o abraço sincero e amigo deve fazer parte das
nossas vidas.
Aos queridos leitores amigos, aquele abraço!

196
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