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Envelhecimento demográfico e a protecção do idoso em Angola

A actual condição dos isdosos em Angola é degradante, disse o sociólogo e


pesquisador Marcelino Pintinho para quem o envelhecimento em Angola é um caso
precário e degradante, em parte devido a factores conjunturais ligados à qualidade de
vida.

«Envelhecer em Angola não é fácil. A questão do envelhecimento é um flagelo.


Em Angola morre-se muito», disse o investigador para quem Angola é dos países que em
termos de envelhecimento não se consegue viver com dignidade.

Os dados do censo atentam que a população total de Angola é estimada em cerca


de 27 milhões. Deste número apenas 2, 4 porcento é idosa, o que representa
aproximadamente 624 mil pessoas. Uma situação que Marcelino Pintinho considera
triste, já que está ligada a qualidade de vida em Angola.

A construção de medidas que promovam um desenvolvimento activo passa


também pela criação de disposições legais que defendam os direitos dos idosos.

Aliada à qualidade de vida está também a ausência de definição de políticas


sociais claras e eficazes em prol das pessoas na terceira idade. Marcelino Pintinho olha
para deficiência de médicos especialistas para a terceira idade e da ausência de subsídios
para estes como sendo a mais clara evidência da despreocupação de quem de direito.

«Precisamos identificar outro tipo de políticas, é preciso definir um subsídio


voltado aos idosos” disse.

“É necessário rever o marco legal, as leis que garantem a proteccção das pessoas
idosas», acrescentou o sociólogo que defende também por outro lado da importância dos
serviços de geretrias nos hospitais;

Apesar da deficiência de lesgislação específica de defesa e protecção dos idosos,


António Santos Coordenador de Programas da AASTI, Associação de Amizade e
Solidariedade a Pessoa da Terceira Idade, refere que o mais grave é ineficácia dos
instrumentos jurídicos.

“Por exemplo a questão dos subsídios. Há uma grande maioria das pessoas da
terceira idade no nosso país que não recebem qualquer avença do Estado», disse.

Muitas são as famílias que abandonam os seus parentes da terceira idade nos lares
de acolhimento. Estes são deixados à sua sorte sem direito a visita. O também docente
universitário Marcelino Pintinho ressalta a má concepção que a sociedade angolana tem
dos idosos.

«Falta-nos coragem para analisarmos algumas situações», explicou o sociólogo


que apontou alguma falta de socialização e sentimento de humanidade dos jovens em
relação ao seu dever moral para com os mais velhos.
«Deve haver sensibilidade de outras esferas e de outras unidades relativamente a
esta temática, pois, o envelhecimento hoje acaba por ser um problema de saúde pública»,
disse.

Um trabalho de sensibilização das famílias é importante, já que é o pilar da


sociedade, diz António Santos Assistente Social e Coordenador do sector de Programas
da AASTI.

«É preciso dar suporte para que os idosos fiquem agarrados a estrutura da família
o que não teria necesssidade de irem aos lares da terceira idade», defendeu.

Neste sentido, a existência de centros de dia, local onde os idosos se podem juntar
para aprender, distrair-se e produzir, teria dado uma melhor resposta a situação.

Os jovens angolanos, segundo o nosso interlocutor, vêm os idosos como


obstáculos, daí fazerem tudo para denigrir a sua pessoa e acelerar o seu processo de
envelhecimento, o que muitas vezes resulta na morte “prematura”.

«Fazem tudo para denigrir a sua posição, irritarem, inclusive querem que ele
desapareça fisicamente para poderem herdar os seus bens”, lamentou.

Por fim, Marcelino Pintinho critica os actuais modelos de socialização da


sociedade angolana, apelando por mais atenção aos idosos. Esta atenção passa também
pela resolução das políticas sociais.

«Temos hoje um défice em Angola que é a literatura voltada a sexualidade na


terceira idade», explicou o especialista quando questionado sobre os problemas actuais
das pessoas na terceira idade.

Sobre o envelhecimento populacional em Angola, a informação vem expressa


num documento com os resultados definitivos do censo geral da população e habitação
2014, realizado pelo Instituto Nacional de Estatística.

Segundo o relatório, as províncias de Cabinda, Luanda e Bié apresentam os


menores índices de envelhecimento do país, cada um com valores inferiores a 4 porcento.

Refere igualmente que as províncias do Cunene e Bengo, detêm o maior índice,


apresentando valores superiores a 7.

De acordo com o documento, o índice de envelhecimento representa o quociente


entre a população com 65 anos ou mais anos e a população com 0-14 anos.

O Recenseamento Geral da população e habitação realizou-se de 16 a 31 de Maio


de 2014, denominado “Censo 2014”, a luz da Lei 3/11 de 14 de Janeiro, da Lei do Sistema
Estatístico Nacional, a nível do território nacional
Estima-se que Angola tenha cerca de 17 milhões de habitantes.

Quatro por cento destes habitantes são idosos, de acordo com o ministério da
Reinserção Social. O equivalente a pouco mais de meio milhão (680 mil) mas que o
Governo não consegue prestar assistência social.

Gente que teve envelhecimento precoce devido aos efeitos da guerra civil de cerca
de três décadas, como reconhece o relatório da instituição.

O MINARS recomendou, por isso, um estudo para obter dados fiáveis sobre a
situação sócio-económica desta franja da população.

Dentre os principais problemas que afectam o idoso em Angola, o documento cita


a fragilidade dos serviços de saúde, água potável e equipamentos específicos.