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Licenciatura em Engenharia Civil

4º Ano – 2º Semestre
MECÂNICA DOS SOLOS 2
Ano lectivo 2001/2002

FOLHA DE EXERCÍCIOS Nº 4 – Fundações superficiais


Exercícios para resolução fora do âmbito das aulas teórico-práticas - no 8
Prazo para entrega do exercício resolvido até - 07/06/2002

1. Considere a fundação superficial representada na Figura 1, suposta de comprimento infinito, sob a acção
de uma carga vertical centrada. Calcule a capacidade de carga da fundação para as seguintes hipóteses:
i) nível freático à superfície do terreno;
ii) nível freático coincidente com a base da sapata;
iii) nível freático a 3,0m de profundidade;
iv) nível freático a 10,0m de profundidade.

Figura 1

2. A Figura 2 mostra um depósito cilíndrico de 24,0m de diâmetro fundado sobre um estrato de argila
ligeiramente sobreconsolidada de 12,0m de espessura e com o nível freático à superfície. O peso próprio
do depósito e o do material de enchimento equivalem a pressões uniformemente distribuídas na fundação
de, respectivamente, 10kPa e 90kPa.

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Figura 2
Tomando as características da argila incluídas na figura:

a) calcule o coeficiente de segurança global em relação à capacidade de carga imediatamente após o


primeiro enchimento do depósito;
b) usando coeficientes de segurança parciais, de acordo com o Eurocódigo 7, verifique a segurança em
relação à capacidade de carga imediatamente após o primeiro enchimento;
c) calcule o coeficiente de segurança global em relação à capacidade de carga a longo prazo;
d) estime o assentamento imediato do centro da fundação aquando do primeiro enchimento, supondo a
fundação flexível;
e) estime o assentamento imediato da fundação aquando do primeiro enchimento, supondo que a
fundação é constituída por uma laje da grande rigidez.

3. A Figura 3 representa o muro de suporte já estudado no exercício nº 7 da Folha de Exercícios nº 2.


Avalie a segurança em relação à rotura por falta de capacidade de carga do solo de fundação do muro
de suporte, aplicando o Eurocódigo 7. Admita que o comprimento do muro é infinito.

0,4 10º

γ = 24kN/m3
b

Aterro granular

γ = 20kN/m3
6,9 φ′ = 30º

Ia

1,20 0,8 10º

2,7

1,20
0,8 n.f.

δb = φ′
γ = 21kN/m3 a
Areia argilosa
compacta c′ = 10kPa
φ′ = 38º

Figura 3

NOTA: Repare que neste caso a altura de solo acima da base da fundação é, naturalmente, muito
diferente de cada um dos lados desta. Como compreenderá, o lado crítico em termos de capacidade de
carga da fundação é o lado da frente do muro de suporte. Desta forma, é aconselhável considerar na 2ª
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parcela da expressão de qult o valor da tensão vertical efectiva ao nível da base da fundação
correspondente àquele lado do muro. Para este efeito admita que a altura média de terras não será
inferior a 0,8m durante a vida útil da obra.
4. Considere o maciço representado na Figura 4 sobre o qual vai ser fundado um edifício com estrutura de
betão armado. Os valores dos parâmetros geotécnicos das diversas camadas do maciço indicados na
figura devem ser considerados valores característicos. O nível freático encontra-se a 2,0 m de
profundidade.
Pretende-se que analise o caso da sapata representada que vai estar submetida ao seguinte sistema de
forças:

 V = 1300kN  Vd = 1800 kN
 
valores característicos  H y = 120kN valores de cálculo  H yd = 160 kN
 M = 240 kN ⋅ m  M = 350kN ⋅ m
 x  xd

a) Com base nos resultados do ensaio SPT que são fornecidos, classifique quanto à compacidade as
areias 1 e 2.
b) Determine o coeficiente de segurança global em relação à rotura por falta de capacidade de carga do
maciço de fundação.
c) Utilizando coeficientes parciais de segurança de acordo com o Eurocódigo 7, verifique a segurança
em relação à capacidade de carga do maciço de fundação.
d) De modo expedito (isto é, sem proceder explicitamente ao cálculo das tensões induzidas no terreno
pela sapata e ao somatório das extensões verticais àquelas associadas), calcule um intervalo numérico
onde, na sua opinião, estará contido o assentamento imediato da sapata. Procure o intervalo mais
estreito possível e, se o entender, teça ainda considerações complementares acerca da maior ou
menor proximidade do assentamento em relação aos limites do intervalo apontado.
Considere, nesta alínea, apenas a carga vertical na sapata e com um valor de cálculo
Vd = 1580 kN. Adopte o coeficiente de Poisson que achar mais razoável.

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0.0

B x (L)
B = 1,8m
Aterro L = 2,7m
γ = 18kN/m 3 -2.0
(y) x
γ = 19kN/m3 z
Areia 1 N60 = 10
φ ' = 33º
E = 14MPa
-6,5

γ = 21kN/m 3
Areia 2 N60 = 30
φ ' = 40º
E = 45MPa
-11.0

Granito alterado

Figura 4

5. A Figura 5 representa a fundação de um pilar de um viaduto, sujeita ao seguinte sistema de forças no seu
centro de gravidade:

i) Estado Limite Último: Vd = 3200 kN; Md = 2400 kN.m; Hd = 240 kN;


ii) Estado Limite de Utilização: Vd = 2600 kN; Md = 800 kN.m; Hd = 80 kN.
Na mesma figura encontram-se ainda representados os resultados (N 60) de um ensaio SPT.
a) Classifique o estrato de areia quanto à compacidade e estime o ângulo de atrito respectivo. Tenha
em atenção que durante a realização do ensaio SPT a superfície do terreno e o nível freático se
encontravam nas posições indicadas na figura.
b) Utilizando coeficientes parciais de segurança, de acordo com o Eurocódigo 7, dimensione uma
sapata rectangular (L=1,5×B) com a maior dimensão disposta segundo a direcção longitudinal, de
modo a que se verifique a segurança em relação à capacidade de carga do terreno da fundação.
Tome o nível freático na posição indicada na figura, isto é, coincidente com a base da sapata.
c) Com a dimensão determinada em b) (se não resolveu considere B= 2,0 m), estime o assentamento
imediato da sapata, suposta rígida, considerando apenas a carga vertical indicada em ii). Considere o
estrato arenoso dividido em quatro camadas e estime os incrementos das tensões induzidas no
terreno pela sapata, de acordo com os elementos da Figura 6, determinados para um coeficiente de
Poisson igual a 0,3.

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Superfície do terreno inicial

L=1,5B ( ×B)
7,25
Vd

1,0m
Md Hd
42
0,75
Areia média 1,50
1
46 γ = 20 kN/m3
=
47 D50 =0,2 mm
2 =
51
= 12,0m
53
3 =
54
=
59
4 1,50
58

Basalto alterado

Figura 5

(x=0 / y=0)
z/l Kz Kx Ky
0,0 0,250 0,188 0,212
y l
0,2 0,247 0,130 0,128
0,4 0,231 0,084 0,067
0,5 0,218 0,065 0,046
0,6 0,204 0,050 0,032 ∆qs
0,8 0,173 0,029 0,014 b
1,0 0,145 0,016 0,005
1,2 0,121 0,009 0,001 x
1,4 0,101 0,005 0,000
1,5 0,092 0,003 0,000 z
1,6 0,085 0,002 0,000 ∆σz
1,8 0,072 0,000 0,000 ∆σ z = kz. ∆qs
2,0 0,061 0,000 0,000
2,5 0,043 0,000 0,000 ∆σy ∆σx ∆σx = kx . ∆qs
3,0 0,031 0,000 0,000
4,0 0,019 0,000 0,000 z ∆σ y = ky. ∆qs
5,0 0,012 0,000 0,000
10,0 0,003 0,000 0,000

Figura 6

6. Num terreno situado num vale aluvionar do litoral do nosso país pretende construir-se as instalações de
uma companhia distribuidora de combustíveis líquidos. Essas instalações, ocupando toda a área
disponível, envolverão a construção de diversos depósitos cilíndricos de grande diâmetro (até 30,0m)

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com paredes metálicas e de dois edifícios de apoio (para escritórios, cantina, etc.) com 3 pisos e
estrutura de betão armado.
As Figuras 7 e 8 ilustram resultados de ensaios “in situ” executados em dois locais A e B da área a
ocupar.

Figura 7 (Local A)

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Figura 8 (Local B)

a) Qual é o ensaio a que se referem as figuras e qual é o significado físico das grandezas representadas?
b) Em função dos resultados apresentados, descreva em termos qualitativos o terreno em cada um dos
locais A e B, procurando usar a informação fornecida pelos ensaios da forma mais completa que
entender.
c) Pretendendo-se, tanto quanto possível, que os edifícios sejam fundados em sapatas, qual dos locais A
e B escolheria para implantação dos mesmos?
d) Das três grandezas mostradas nas figuras, qual é a mais útil para a estimativa dos parâmetros de
resistência e de deformabilidade necessários para o dimensionamento das fundações dos edifícios?
De que modo é que podem ser obtidos tais parâmetros: por via teórica ou por meio de correlações
empíricas?

7. Considere uma estrutura de betão armado (com 18 m de largura e 36 m de comprimento) fundada numa
laje de grande rigidez a 5,0 m de profundidade, como mostra a Figura 9. Na mesma figura mostra-se a
sucessão de estratos sobrejacentes ao firme granítico e a evolução em profundidade da resistência de
ponta do CPT, que pode ser considerada representativa do maciço que vai condicionar o comportamento
da fundação. Admita o solo acima do nível freático saturado por capilaridade. É o seguinte o sistema de
forças aplicadas no centro de gravidade da fundação:

V = 225.000 kN; Mx = 207.000 kN⋅m; My = 162.000 kN⋅m; Hx = 45.000 kN.

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18 m (x 36 m)

0,0
5 10 15 20 qc (MPa)
-2,0 (N.F.)
ATERRO
γ = 18,0 kN/m3 -5,0

AREIA 1
γ = 19,0 kN/m3
-14,0

AREIA 2
γ = 20,5 kN/m3 -17,0

SOLO RESIDUAL
γ = 20,0 kN/m3
c' = 5 kPa
-26,0

GRANITO
ALTERADO
z
Figura 9

a) Determine um intervalo numérico, o mais estreito possível, para o coeficiente de segurança global em
relação à rotura do maciço de fundação.
b) De modo expedito, determine um intervalo numérico, o mais estreito possível, para o assentamento
imediato da fundação, suposta infinitamente rígida. Justifique as opções tomadas e considere apenas a
carga vertical com um valor de cálculo de 165.000 kN.
c) Considerando a mesma carga da alínea anterior, calcule o valor do assentamento imediato da
fundação através do somatório das deformações verticais induzidas pela estrutura. Para o cálculo das
tensões incrementais utilize a Figura 10.

(x=0 / y=0)
z/l Kz Kx Ky
0,0 0,250 0,288 0,197 y l
0,2 0,249 0,168 0,164
0,4 0,244 0,116 0,132
0,5 0,239 0,095 0,118
0,6 0,233 0,077 0,104
∆qs
b
0,8 0,218 0,050 0,081
1,0 0,200 0,031 0,063
1,2 0,182 0,020 0,048 x
1,4 0,164 0,012 0,037 z
1,5 0,156 0,010 0,032 ∆σz
1,6 0,148 0,007 0,028 ∆σ z = kz. ∆qs
1,8 0,133 0,005 0,021
2,0 0,120 0,002 0,016 ∆σy ∆σx ∆σx = kx . ∆qs
2,5 0,093 0,000 0,008
3,0 0,073 0,000 0,004
z ∆σ y = ky. ∆qs
4,0 0,048 0,000 0,000
5,0 0,033 0,000 0,000
10,0 0,009 0,000 0,000

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Figura 10

8. Considere o maciço representado na Figura 11 sobre o qual vai ser fundado um edifício de habitação com
estrutura de betão armado. O nível freático encontra-se a 2,0m de profundidade. Sobre amostras
recolhidas a 4,0m de profundidade efectuaram-se ensaios de laboratório que permitiram obter os
parâmetros geotécnicos, para a areia, representados na mesma figura.
A sapata representada estará submetida ao seguinte sistema de forças:

 V = 1100kN  V = 1500kN
 
Valores característicos  H x = 110 kN Valores de cálculo  H x = 150kN
 M = 180 kN.m  M = 250kN.m
 y  y

a) Com base nos valores de SPT representados verifique se a areia apresenta a mesma compacidade
para toda a sua possança. Classifique a areia quanto à sua compacidade.
b) Utilizando coeficientes de segurança parciais de acordo com o Eurocódigo 7, verifique a segurança
em relação à capacide de carga do maciço de fundação (Utilize as expressões propostas por Vesíc
para o cálculo dos factores correctivos devidos à inclinação de carga).
c) Considerando o estrato arenoso dividido em quatro camadas (tal como indicado na Figura 11),
determine o assentamento imediato da sapata, suposta rígida, considerando apenas a carga vertical
correspondente aos valores característicos. Estime os incrementos de tensão induzidos no terreno
pela sapata com o auxílio da Figura 12 e considere o coeficiente de Poisson do solo igual a 0,3.
d) Imagine que 5,0m ao lado da sapata analisada se pretende construir uma outra, quadrada, e com
lados iguais a 1,5m. A tensão transmitida pela base de ambas as sapatas é idêntica. Avalie de forma
expedita se poderão surgir problemas estruturais devidos a assentamentos diferenciais, sabendo que
não se deseja qualquer fissuração do revestimento do edifício.

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B
NSPT = N60

L
2.0x2.0
Aterro

2.00
γ =18kN/m 3 x

∆q
x s
(y)

1.00
y
z 10
Areia média ∆σx =k x ∆ q s
∆σ y

1.00
∆σ z
γ =20kN/m 3 ∆σy =k y ∆ q s
∆σx ∆σz =k z ∆ q s
φ' =33°

1.00
D50 =0.2mm
10 z

1.00
z/B kz kx ky

1.00
0,5 0,928 0,300 0,300
30
1,5 0,484 0,020 0,020
1.00 2,5 0,240 0,000 0,000
3,5 0,096 0,000 0,000
1.00

32
1.00

Granito alterado

Figura 11 Figura 12

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