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A TELEVISÃO COMO RECURSO DIDÁTICO NO ENSINO-APRENDIZAGEM DE


GEOGRAFIA, A EXPERIÊNCIA DO PIBID GEOGRAFIA/CERES/UFRN.

Resumo

O presente artigo visa apresentar perspectivas sobre o uso da televisão como recurso ou
instrumento didático auxiliar no processo de ensino e aprendizagem da Geografia a partir de
experiências realizadas durante a execução do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à
Docência (PIBID) de Geografia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Centro de
Ensino Superior do Seridó (UFRN/CERES), na Escola Estadual Calpúrnia Caldas de
Amorim, no Município de Caicó/RN, e também de pesquisas bibliográficas realizadas em
fontes que abordam o tema em questão. A prática didática reflexiva desencadeada por ocasião
da docência nos permitiu descrever as experiências com o uso didático da televisão, bem
como investigar as estratégias utilizadas, os benefícios advindos, as dificuldades enfrentadas e
os resultados obtidos. Adotamos como metodologia o “caminho” da observação – descrição
(ou relato de experiência) – análise – argumentação, embasada em fontes bibliográficas
especializadas.

Palavras-chave: Televisão, Ensino de Geografia, PIBID.

Abstract

This article aims to present perspectives on the use of television as an educational tool and
resource assist in the teaching and learning of Geography from experiments performed during
the execution of Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID)
Geography, Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Centro de Ensino Superior do
Seridó (UFRN/CERES), in the Escola Estadual Calpúrnia Caldas de Amorim in the
Municipality of Caicó/RN, and also from literature searches conducted on sources that
address the topic in question. The reflective teaching practice unleashed upon the teaching
allowed us to describe the experiences with the use of educational television, as well as
investigating the strategies used, the benefits derived, the problems encountered and the
results obtained. We adopt the methodology as "the way" observation - description (or case
studies) - analysis - reasoning, based on specialized literature sources.

Keywords: TV, Geography Teaching, PIBID.


2

Introdução

Considerando que a televisão é um dos aparelhos eletrônicos mais populares do Brasil,


presente em 96,9% das residências dos brasileiros, segundo dados da Pesquisa Nacional de
Amostra Domiciliar realizada pelo IBGE em 2011, devido ao fato de que é um dos aparelhos
a que se tem mais fácil acesso, graças ao barateamento dos custos ocasionado pela produção
industrial em larga escala, e considerando também que faz parte do aparato tecnológico de
todas as escolas brasileiras, resolvemos escrever este trabalho a fim de compartilhar as
experiências que tivemos em sala de aula utilizando a tevê como bolsistas do Programa
Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID) da Universidade Federal do Rio
Grande do Norte em Caicó/RN e de apresentar formas didáticas de utilização deste recurso
tecnológico ou meio de comunicação de massa (MCM) de maior inserção social em nosso
país.

Existe vasta bibliografia que trata do uso da televisão e do vídeo nas escolas. Destacamos,
dentre tantos, os trabalhos que serviram de base para a elaboração deste artigo, qual sejam, os
livros “Mídias e Mediação Escolar: Pedagogia dos meios, participação e visibilidade” de
Maria Isabel Orofino 1, “Leituras dos meios de comunicação” de José Manoel Morán2,
“Formação de professores: interação Universidade – Escola no PIBID/UFRN, volume 4: a
fala dos atores de André Ferrer P. Martins e Marta Maria Castanho A. Pernambuco3 ; os
artigos eletrônicos “O ensino de geografia e o uso dos recursos didáticos e tecnológicos” de
Flaviana Moreira Calado4, “Vídeos são instrumentos de comunicação e de produção” de José

1
OROFINO, Maria Isabel. Mídias e Mediação Escolar: Pedagogia dos meios, participação e visibilidade. São
Paulo: Cortez: Instituto Paulo Freire, 2005. Recomendamos principalmente a leitura dos capítulos 2 e 3:
“Multimídia: linguagens híbridas em texto, imagem e som” e “O uso do vídeo em sala de aula como
metodologia participativa”.
2
MORÁN, José Manoel. Leituras dos meios de comunicação. São Paulo: Pancast, 1993.
3
MARTINS, André Ferrer P., PERNAMBUCO, Marta Maria Castanho A (orgs.). Formação de professores:
interação Universidade – Escola no PIBID/UFRN, volume 4: a fala dos atores. Natal: EDUFRN, 2013.
Recomendamos principalmente a leitura do capítulo 3: “Pibid-Geografia”.
4
CALADO, Flaviana Moreira. O ensino de geografia e o uso dos recursos didáticos e tecnológicos. In:
Revista Geosaberes, v. 3, n. 5, p.12-20, jan. / jun. 2012. Disponível em:
<http://www.geosaberes.ufc.br/seer/index.php/geosaberes/article/viewPDFInterstitial/159/pdf501>. Acesso em
07 mai. 2013.
3

Manoel Morán5; e o Programa de Formação continuada Mídias na Educação da Secretaria de


Educação a Distância (SEED) do MEC: Módulo básico TV e Vídeo.

Referencial Teórico

A televisão é uma invenção moderna, tendo surgido em meados da década de 1920, “(...) já
nasceu comercial. Inicialmente, as primeiras transmissões tratavam de vender aparelhos de
TV. Depois, a publicidade de toda sorte de produtos tomou conta da programação que servia
como pretexto para os próprios comerciais” (Programa de Formação Continuada Mídias na
Educação da Secretaria de Educação à Distância do MEC: Módulo Básico TV e Vídeo).
Nessa programação, com o passar do tempo, foram incrementadas “atrações” de
entretenimento e informação. No Brasil

“(...) as primeiras experiências de transmissão de imagem já haviam sido realizadas


por Roquete Pinto, no Rio de Janeiro. Mas o responsável pela inauguração do
primeiro canal de produção e transmissão de TV (...) foi Assis Chatteaubriand com a
TV Tupi Difusora, em São Paulo, em 18 de setembro de 1950 (...)” (OROFINO,
2005, p. 72).

Inicialmente a televisão era vista apenas como instrumento de entretenimento e informação, e


foi só com a implementação de programas junto às escolas públicas que visaram integrar
tecnologia e ensino é que ela passou a ser vista também como um meio para formar. Na
verdade,

“(...) o uso didático da televisão e do vídeo teve a sua raiz no cinema. Pouco tempo
após a sua invenção, filmes cinematográficos educativos começaram a ser usados
nas salas de aula (...). No início, o cinema era geralmente de caráter documental e
esse tipo de cinema se confundia com o cinema educativo, fora do Brasil (...). No
Brasil, estados como Rio de Janeiro, São Paulo, Rio Grande do Sul, Paraná realizam
as primeiras filmagens nessa modalidade. Os filmes realizados então eram de
curtíssima duração e exibidos em lugares improvisados. Data de 1910 o primeiro
filme de caráter expressamente educativo e já em 1929 foi instituído o uso do
cinema educativo em todas as escolas primárias do Rio de Janeiro, quando o acervo
nacional já contava com vários títulos produzidos dentro e fora do País”. (Programa

5
MORÁN, José Manoel. Vídeos são instrumentos de comunicação e de produção. Disponível em:
<http://portaldoprofessor.mec.gov.br/journalContent.action?editionId=16&categoryId=8&contentId=384>
Acesso em 07 mai. 2013.
4

de Formação Continuada Mídias na Educação da Secretaria de Educação à Distância


do MEC: Módulo Básico TV e Vídeo).

Os meios de comunicação em sua generalidade, a televisão em particular e escola tem


aproximações, embora seus papéis na sociedade sejam distintos. A televisão com seu grande
potencial de comunicação, serve de instrumento para transmissão cultural. Já a escola, apesar
de não centralizar mais a transmissão do saber e da cultura como fazia no passado, constitui-
se o lugar próprio da educação, sendo sua incumbência formar integralmente o aluno, na
infância, na adolescência e também na fase adulta. A televisão pode prestar um auxílio nesse
processo de ensino e aprendizagem, pois como diz Morán (2009):

“As linguagens da TV e do vídeo respondem à sensibilidade dos jovens e da grande


maioria da população adulta. São dinâmicas, dirigem-se antes à afetividade do que à
razão. As crianças e os jovens lêem o que pode visualizar, precisam ver para
compreender. Toda a sua fala é mais sensorial-visual do que racional e abstrata.
Lêem nas diversas telas que utilizam: da TV, do DVD, do celular, do computador,
dos games”.

Muitos consideram a televisão como ultrapassada, algo a ser desprezado ante as novas formas
de tecnologias mais dinâmicas, mas equivocam-se o que assim pensam, pois:

“O desenvolvimento rápido das tecnologias da comunicação e da informação tem


colocado à disposição da televisão novas possibilidades, oferecendo-lhe mais
oportunidades do que propriamente ameaças. É o caso das redes de satélites, por
exemplo, e da tecnologia digital. Como conseqüência, a televisão tem se tornado um
meio bastante popular e de alcance ampliado através dos anos, pela sua
característica de se conjugar a novas tecnologias”. (Programa de Formação
Continuada Mídias na Educação da Secretaria de Educação à Distância do MEC:
Módulo Básico TV e Vídeo).

Na verdade, ao invés de ultrapassada, atualmente “(...) a TV, enquanto sistema tecnológico,


atravessa grandes transformações e vive uma nova fase no seu desenvolvimento material,
tanto nos modos de difusão quanto de produção de linguagens” (OROFINO, 2005, p. 73).
Mas apesar disso Morán (1993, p. 3) afirma que:

“A escola desvaloriza a imagem e toma as linguagens audiovisuais como negativas


para o conhecimento. Ignora a televisão, o vídeo; exige somente o desenvolvimento
da escrita e do raciocínio lógico (...). Não se trata de opor os meios de comunicação
5

às técnicas convencionais da educação, mas de integrá-los, de aproximá-los para que


a educação seja um processo completo, rico, estimulante.”

É necessária, pois, uma mudança, ou melhor, uma transição do modelo de educação


tradicionalista que verificamos atualmente nas escolas para um modelo sócio-construtivista,
no qual sejam acrescentadas às “antigas” formas de ensinar e aprender os novos recursos e
metodologias que redimensionam e facilitam o processo de ensino-aprendizagem na
contemporaneidade.

Caminhando para o cerne do trabalho, estabelecendo um vínculo entre TV e Geografia,


podemos definir a televisão como um sistema eletrônico de reprodução de imagens e som de
forma instantânea. Pode-se afirmar que existe uma intrínseca relação entre a Geografia, a
imagem e o som, pois estudar Geografia ou fazer uma análise geográfica é também avaliar
criticamente a paisagem, ou seja, “tudo o que nós vemos, o que nossa visão alcança é a
paisagem. Esta pode ser definida como domínio do visível, aquilo que a vista abarca. É
formada não apenas de volumes mas também de cores, movimentos, odores, sons etc.”
(SANTOS, 2008, p. 67/68) [grifos nossos]. Assim estabelecemos a relação TV – Geografia,
pois que instrumento melhor que a televisão para nos fornecer ao mesmo tempo todos estes
aspectos da paisagem: cores, movimentos, sons? Como, por exemplo, os alunos serão capazes
de compreender com clareza a paisagem de países de clima frio do hemisfério norte, sem
verem imagens da mesma?

Desta forma, o uso da televisão ganha importância como recurso ou instrumento didático de
ensino e aprendizagem da Geografia. Mas apesar disso diz-nos Moreira (2012, p. 13):

“Assim como em todas as disciplinas na escola pública, também na Geografia,


percebe-se uma tendência à continuidade da utilização de métodos tradicionalistas
no processo ensino-aprendizagem. Apesar de as escolas gradualmente serem abertas
para as novas tecnologias (atualmente quase todas as escolas já têm laboratórios de
informática, TV, DVD players, parabólicas, etc.) o que se observa é que o uso
adequado das novas tecnologias não ocorre, o que prova que simplesmente
disponibilizar essas tecnologias na escola não é suficiente”.

O que falta para que os recursos tecnológicos sejam integrados ao processo de ensino-
aprendizagem, além da tão discutida supracitada transição do modelo de educação
tradicionalista para um sócio-construtivista, é instruir alunos e professores a utilizarem tais
6

meios de forma objetiva e proveitosa. É essa a nossa intenção neste artigo, com relação à
televisão.

Metodologia

Optamos, como metodologia, por descrever as nossas experiências de uso didático da


televisão como bolsistas do PIBID/UFRN, nas intervenções que realizamos na Escola
Estadual Professora Calpúrnia Caldas de Amorim, isto é, as estratégias utilizadas, os
benefícios advindos, as dificuldades enfrentadas e os resultados obtidos. Também realizamos
uma pesquisa sobre o tema em livros e artigos eletrônicos, buscando formas práticas de
utilização da TV no processo de ensino-aprendizagem da Geografia. Assim demos maior
relevância aos aspectos práticos do que aos teóricos. E por último fizemos uma breve análise
na grade de programação da TV Escola.

O que justifica essa nossa opção é que o objetivo principal do artigo não é refletir só no
campo teórico o uso da TV e do vídeo, mas sim apresentar de forma clara e prática o uso da
televisão e do vídeo como recurso didático que pode auxiliar no processo de ensino e
aprendizagem da Geografia, ou seja, é um auxílio direto e prático: como utilizar a TV no
cotidiano da sala de aula.

Adotamos, pois, o caminho da observação – descrição (ou relato de experiência) – análise –


argumentação, embasada nos fontes bibliográficas supracitadas.

Resultados

Relatando as nossas experiências ao mesmo tempo estamos sugerindo aos professores de


Geografia as mesmas atividades que realizamos.

No PIBID utilizamos a TV em várias oportunidades, tendo como objetivos: envolver e/ou


chamar a atenção dos alunos para um tema específico; suscitar uma discussão a respeito do
conteúdo do vídeo; construir conceitos; reforçar os conhecimentos já adquiridos pelos alunos
em sala de aula.
7

Em dois momentos utilizamos vídeos do Projeto DVD Escola do MEC: Quando tratamos do
tema “Diversidade Cultural”, no âmbito do ProEMI6 (Programa Ensino Médio Inovador)
exibimos o vídeo “Pluralidade Cultural”, que apresentava um panorama da diversidade
cultural no Brasil. De conteúdo dinâmico o referido vídeo, além de mostrar imagens que
retratam a riqueza da cultura brasileira, discutia o conceito de pluralidade cultural a partir da
concepção/opinião de especialistas no tema e contextualizava historicamente e
geograficamente as raízes da nossa cultura; em outro momento exibimos o vídeo de título
“Geografia”, que apresentava os aspectos humanos e físicos da Geografia de 21 localidades
no Brasil. Verificamos como resultado das exibições que os alunos conseguiram se concentrar
mais do que nos momentos de aula expositiva, que conseguiram compreender melhor os
conteúdos, o que refletiu em um melhor desempenho individual nas avaliações escritas e em
outros tipos de testes.

Imagem 01 – Alunos assistindo a vídeo exibido pelos bolsistas do PIBID. Fonte: arquivo do PIBID Geografia
UFRN/CERES/Caicó/RN.

Ainda discutindo/refletindo sobre diversidade cultural exibimos o documentário “O Povo


Brasileiro”7 do antropólogo brasileiro Darcy Ribeiro, que mostra as culturas matrizes ou

6
O Programa Ensino Médio Inovador, integra as ações do Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), como
estratégia do Governo Federal para induzir a reestruturação dos currículos do Ensino Médio. O objetivo é apoiar
e fortalecer o desenvolvimento de propostas curriculares inovadoras nas Escolas de Ensino Médio, ampliando o
tempo dos estudantes na escola e buscando garantir a formação integral com a inserção de atividades que tornem
o currículo mais dinâmico. Nós, bolsistas do PIBID Geografia UFRN/CERES/Caicó, auxiliamos a nossa
professora supervisora nas atividades deste Programa.
7
Disponível na internet nos seguintes endereços eletrônicos: <www.youtube.com/watch?v=2gqz4BHYcck>;
<www.youtube.com/watch?v=qaqL7ZgrBo0>; <www.youtube.com/watch?v=llgw7FbAS0U>;
<www.youtube.com/watch?v=jCH1rSqRWxk>; <www.youtube.com/watch?v=j0scgAlCAxA>;
<www.youtube.com/watch?v=fLg-5xeOYWU>; <www.youtube.com/watch?v=WplxiizHDLU>;
<www.youtube.com/watch?v=nGM_cnzkQeQ>; <www.youtube.com/watch?v=9NJySGanB2k>.
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fundadoras da grande cultura brasileira. Isso possibilitou que os alunos pudessem ter uma
visão mais ampla das origens culturais de nosso povo. Aprofundamos o tema dos vídeos com
dinâmicas de integração, como a que pedimos que os alunos tentassem descobrir de qual
matriz cultural deriva alguns dos instrumentos, vestimentas, alimentos e costumes que temos
atualmente. Também procuramos mostrar que algumas manifestações culturais dos
primórdios da colonização do Brasil permanecem vivas até hoje por meio de tradições,
desenvolvendo um trabalho sobre o grupo dos “negros do Rosário”, que é um movimento
cultural derivante da matriz negra que ainda sobrevive em nossa região do Seridó potiguar.

Imagem 02 – Dinâmica realizada pelos bolsistas do PIBID no ProEMI, como forma de aprofundar a exibição do
documentário “O Povo Brasileiro”. Fonte: arquivo do PIBID Geografia UFRN/CERES/Caicó/RN.

Também utilizamos vários outros tipos de vídeo sempre como complemento das aulas
expositivas, como forma de reforçar os conhecimentos já adquiridos pelos alunos. Por
exemplo, quando tratamos do assunto “Evolução da Terra e fenômenos geológicos” exibimos
um vídeo sucinto sobre o processo da deriva continental8, que, segundo o relato dos próprios
alunos, os ajudou na compreensão do conteúdo. É importante salientar, até como forma de
recomendação para quem quiser fazer o mesmo, que as nossas escolhas eram sempre por
vídeos sucintos, isto é, de pouca duração e com conteúdo objetivo, tendo em vista, por
experiência própria (de alunos que fomos e de professores em formação que somos) que os
vídeos longos enfadam, cansam os alunos e acabam por produzir neles o efeito contrário ao
desejado, ou seja, ao invés de aprenderem e “fixarem” o conteúdo, acabam por achar o
assunto “chato”. Além disso, não teria sentido exibir um vídeo longo abordando todo o

8
Disponível em: <www.youtube.com/watch?v=dHP7PgFo9cg>.
9

conteúdo apresentado novamente, uma vez que já o havíamos apresentado anteriormente e


discutido com os alunos no momento expositivo da aula.

Imagem 03 – Momento expositivo de uma aula. Fonte: arquivo do PIBID Geografia UFRN/CERES/Caicó/RN.

Vale ressaltar que junto com os vídeos complementávamos a abordagem dos conteúdos com
apresentações em Power Point e Prezi e atividades/exercícios de revisão e memorização9,
além das tradicionais explicações expositivas e da leitura do livro didático, que auxiliavam
sobremaneira no processo de ensino-aprendizagem e foram de fundamental importância na
dinâmica das aulas. Aconselhamos a todos que querem integrar a TV e o vídeo ao seu
processo de ensino que façam o mesmo.

Prosseguindo com a explanação apresentaremos agora algumas formas de utilização da


televisão como recurso didático, resultantes da nossa pesquisa bibliográfica.

Primeiramente, achamos muito interessante os relatos feitos pelos bolsistas do PIBID


Geografia/UFRN de Natal/RN no livro Formação de professores: interação Universidade –
Escola no PIBID/UFRN, volume 4: a fala dos atores, no capítulo 3.4: Um pouco do mundo
cabe nas mãos: Reflexões das práticas do Grupo Filmes e Debates no Floca. Nesse texto os
bolsistas relataram as suas experiências no desenvolvimento de um projeto intitulado “Grupo
Filmes e Debates” na Escola Estadual Desembargador Floriano Cavalcanti (FLOCA), situada
na zona sul de Natal.

9
Algumas destas atividades/exercícios e apresentações no Power Point e Prezi podem ser baixadas para
visualização na nossa página do PIBID Geografia UFRN/CERES/Caicó, no seguinte endereço eletrônico:
<http://www.pibid.ufrn.br/subprojeto/geografia_caico/documentos.php?c=2>.
10

Os pibidianos relataram que criaram tal grupo “(...) com o intuito de levar para a escola uma
forma diferenciada de introduzir os conteúdos dos Parâmetros Curriculares Nacionais
(PCNs)” (MARTINS e PERNAMBUCO, 2013, p.139). Eles levaram para a sala de aula uma
diversidade de filmes que apresentam algum conteúdo geográfico “(...) com a finalidade de
fomentar discussões entre os alunos, abordando o seu ponto de vista sobre os temas,
especialmente aqueles que interferem em sua realidade” (MARTINS e PERNAMBUCO,
2013, p.139). Um fator interessante ressaltado pelos bolsistas é que procuraram considerar
“(...) os conhecimentos prévios dos estudantes, uma vez que todas as ações foram pensadas a
partir da construção de saberes junto com eles, tendo em vista as suas experiências
cotidianas” (MARTINS e PERNAMBUCO, 2013, p.140). Esse aspecto é importantíssimo
tendo em vista que muitas ações planejadas com a TV e o vídeo não obtêm êxito em sua
consecução porque não levam em consideração aquilo que o aluno já aprendeu.

Com essa dinâmica os pibidianos conseguiram abordar temas centrais da Geografia tais como
Globalização, Regionalização (do Brasil e do Rio Grande do Norte) e Fontes de energia,
aliando a linguagem do vídeo, com a música e com a discussão de textos, científicos e
jornalísticos. Por exemplo, quando trataram do tema Globalização

“(...) o grupo experimentou uma possível quebra de paradigmas por parte dos
alunos acerca do tema trabalhado. Para o desenvolvimento da atividade, o grupo
utilizou recursos audiovisuais tais como vídeos de comerciais televisivos sobre uma
operadora de telefonia móvel que tem como lema Viver sem Fronteiras; a música
Globalização: delírio do dragão, do grupo tribo de Jah, e uma matéria que estava em
pauta nas mídias sobre primavera árabe. como aporte teórico utilizou-se a teoria
desenvolvida pelo geógrafo Milton Santos, em seu livro Por uma outra
globalização”. (MARTINS e PERNAMBUCO, 2013, p. 141).

Dando continuidade a reflexão, apresentamos um pensamento ou teoria de José Carlos Morán


que, discorrendo sobre formas inadequadas da utilização do vídeo, apresenta os seguintes
erros cometidos por professores, que impedem que este recurso seja bem utilizado:

“Vídeo-tapa buraco: colocar vídeo quando há um problema inesperado, como


ausência do professor. Usar este expediente eventualmente pode ser útil, mas se for
feito com frequência, desvaloriza o uso do vídeo e o associa - na cabeça do aluno - a
não ter aula. Vídeo-enrolação: exibir um vídeo sem muita ligação com a matéria. O
aluno percebe que o vídeo é usado como forma de camuflar a aula. Pode concordar
na hora, mas percebe o mau uso. Vídeo-deslumbramento: O professor que acaba de
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descobrir a facilidades de baixar vídeos da Internet costuma empolgar-se e exibi-los


em todas as aulas, esquecendo outras dinâmicas mais pertinentes. O uso exagerado
do vídeo diminui a sua eficácia e empobrece as aulas. Vídeo-perfeição: Existem
professores que questionam todos os vídeos possíveis porque possuem erros de
informação ou estéticos (qualidade). Os vídeos que apresentam conceitos
problemáticos podem ser usados para uma análise mais aprofundada a partir da sua
descoberta, problematizando-os. Só exibição: não é satisfatório, didaticamente,
exibir os vídeos sem discuti-los, sem integrá-lo com os assuntos das aulas, sem rever
alguns momentos mais importantes”. (MORÁN, 2009).

Para este autor algumas atividades mais adequadas seriam:

“(...) introduzir um assunto, complementar informações; provocar discussões,


trabalhos de grupo para discussão, debates; levantamento de sugestões do grupo,
estudo dirigido para verificação da compreensão e da habilidade de transferir
conhecimentos recebidos para novas situações (projetos); alunos protagonistas,
fazendo trabalhos em vídeo, apresentando-os para a classe e divulgando-os na
página web da escola”. (MORÁN, 2009)

Concluindo a parte de resultados de nosso artigo, nós fizemos uma breve análise da grade de
programação da TV Escola, com o objetivo de identificar e indicar programas que tenham
“conteúdo geográfico” ou versem sobre temas relacionados com a Geografia, ajudando desta
forma também aos alunos a aprenderem Geografia fora da escola. Na TV Escola indicamos os
documentários que são apresentados constantemente, de qualidade classificável como regular
e boa, eles apresentam temas diretamente ligados à Geografia, e mesmo aqueles que não são
diretamente ligados, mas abordam os temas Meio Ambiente, Educação Ambiental, Biologia,
História e Economia também podem auxiliar no entendimento da Geografia.

Considerações Finais

O trabalho consistiu em apresentar o uso da TV como recurso didático que pode auxiliar no
processo de ensino e aprendizagem da Geografia. Procurou-se apresentar o uso da televisão
como recurso didático no processo de aprendizagem dos alunos, onde tivemos como
objetivos: envolver e/ou chamar a atenção dos alunos para um tema específico; suscitar uma
discussão a respeito do conteúdo do vídeo; construir conceitos; reforçar os conhecimentos já
adquiridos pelos alunos em sala de aula.
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Apesar de todos os resultados obtidos, inúmeras foram as dificuldades encontradas na


realização desta inovação de ensino/aprendizagem, pois o fato de sermos inexperientes no uso
do recurso limitou o desenvolvimento nessas ações. Em outra direção, esse fato exigiu um
maior empenho e dedicação na aplicação dos vídeos e do uso da TV na sala de aula.

Nosso trabalho pode parecer apresentar ideias óbvias ou demasiadamente simples, mas
acreditamos prestar um contributo aos estudos, como uma introdução, principalmente para
quem iniciou agora nas suas reflexões a respeito do tema de nosso artigo.

Referências

CALADO, Flaviana Moreira. O ensino de geografia e o uso dos recursos didáticos e


tecnológicos. In: Revista Geosaberes, v. 3, n. 5, p.12-20, jan. / jun. 2012. Disponível em:
<http://www.geosaberes.ufc.br/seer/index.php/geosaberes/article/viewPDFInterstitial/159/pdf
501>. Acesso em 07 mai. 2013.

MARTINS, André Ferrer P., PERNAMBUCO, Marta Maria Castanho A (orgs.). Formação
de professores: interação Universidade – Escola no PIBID/UFRN, volume 4: a fala dos
atores. Natal: EDUFRN, 2013.

MORÁN, José Manoel. Leituras dos meios de comunicação. São Paulo: Pancast, 1993.

MORÁN, José Manoel. Vídeos são instrumentos de comunicação e de produção.


Disponível em:
<http://portaldoprofessor.mec.gov.br/journalContent.action?editionId=16&categoryId=8&con
tentId=384> Acesso em 07 mai. 2013.

OROFINO, Maria Isabel. Mídias e Mediação Escolar: Pedagogia dos meios, participação
e visibilidade. São Paulo: Cortez: Instituto Paulo Freire, 2005.

PROGRAMA DE FORMAÇÃO CONTINUADA MÍDIAS NA EDUCAÇÃO. Módulo


básico TV e Vídeo. SECRETARIA DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA (SEED), MEC.

SANTOS, Milton. Paisagem e Espaço. In: SANTOS, Milton. Metamorfoses do Espaço


Habitado: Fundamentos teóricos e metodológicos da geografia. São Paulo: EDUSP, 2008. p.
67-81.