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DOCUMENTANDO O PATRIMONIO MODERNO:

Informação e Visibilidade

GUEDES, Kaline Abrantes (1); TINEM, Nelci (2).

1. UNIPE. Departamento de Arquitetura e Urbanismo.


Rua Juiz Agrícola Montenegro, 105/1901, Miramar, João Pessoa, Paraíba, 58032-210.
kaline.abrantes@gmail.com

2. UFPB. Departamento de Arquitetura. PPGAU


Rua Tabelião José Ramalho Leite, 1531/101, Cabo Branco, João Pessoa, Paraíba, 58045-230.
ntinem@uol.com.br

RESUMO
As demandas espaciais e territoriais contemporâneas têm destruído grande parte do acervo da
arquitetura moderna na Paraíba, inclusive porque essas obras ainda não são alvo de reconhecimento
ou de políticas públicas para sua proteção. Já são contabilizados vários casos de demolição total, além
daqueles de abandono ou descaracterização, causados pelo desrespeito ao patrimônio edificado ou
pelo desconhecimento de sua relevância histórica, cultural ou arquitetônica. A documentação tem sido,
nesse sentido, uma importante ferramenta para o conhecimento e registro dessas obras modernas face
à crescente perda (total ou parcial) de vários dos exemplares no estado. A maior dificuldade na
proteção do moderno ainda é a falta de instrumentos que suportem as readaptações do território às
necessidades contemporâneas. A ideia principal dessa comunicação é dar visibilidade a essa
produção, organizando os registros já realizados em fichas Docomomo, modelo simplificado. A
inserção dessas informações de forma sistemática em fichas padrão permitirá um balanço das
atividades realizadas; a compilação dos dados possibilitará o esboço de um panorama geral do que foi
coletado e do que ainda precisa ser complementado, facilitando as análises quantitativas, qualitativas e
comparativas acerca do tema. E mais importante, facilitará a difusão das informações e dará
visibilidade a essa produção construída (e/ou demolida) e pesquisada.

Palavras-chave: Arquitetura Moderna, Paraíba, Documentação, Historiografia.


Dois episódios, em dois momentos distintos, incentivaram ações no sentido de preservar a
produção arquitetônica moderna na Paraíba: um em 1984, com a demolição de um exemplar
art déco e outro propriamente moderno: os edifícios do estúdio e dos transmissores da Radio
Tabajara, de autoria de Clodoaldo Gouveia, construídos entre 1932 e 1934, momento de
difusão dos meios de comunicação necessários como suporte ao governo Getúlio Vargas;
outro em 2005, com a demolição da residência Otacílio Campos, de autoria de Acácio Gil
Borsoi, construído em 1966.

O primeiro episódio causou certa comoção na classe média paraibana que considerava a
Radio Tabajara parte de sua história e cultura. Apesar dos protestos os edifícios foram
destruídos; entretanto o fato chamou a atenção de pesquisadores que começaram a olhar
para a produção arquitetônica local 1 . Apesar dessas primeiras pesquisas não terem a
arquitetura moderna como foco exclusivo, começam a apontar exemplares modernos
relevantes para a história da produção regional e nacional. Em 1987, a arquitetura moderna
torna-se protagonista no trabalho de conclusão de curso de Mércia Rocha intitulado
“Manifestações da Arquitetura Moderna em João Pessoa” e em 1998, em outro trabalho de
conclusão de curso, de autoria de Francisco Sales Trajano Filho, “Vanguarda e
Esquecimento: a obra de Clodoaldo Gouveia”.

A partir do segundo episódio, já havia em formação o grupo de pesquisa ‘Arquitetura Moderna


na Paraíba’, que iniciava investigações específicas sobre o tema 2 , como a questão das
residências unifamiliares e o processo de verticalização das cidades. Essas pesquisas
resultaram no registro e análise de inúmeras obras consideradas importantes para a memória
e para a história regional e nacional. Registros esses realizados a partir dos documentos
gráficos, fotográficos e escritos encontrados em diversos acervos, que somados aos
levantamentos das construções (pelo menos as existentes), resultaram em documentos que
subsidiaram outras pesquisas, outros levantamentos, pareceres das agências de proteção e
intervenções no patrimônio moderno.

De um modo geral, esses registros, públicos ou privados, relatam parte desse momento
incontestável de transformação do pensamento, da forma e da função na arquitetura e sua
repercussão no solo paraibano. Arquitetos reconhecidos no cenário nacional e internacional,
como Acácio Gil Borsoi, Sérgio Bernardes e Vital Brazil, somados a profissionais locais, como

1
Destacam-se, nesse primeiro momento, as pesquisas de Costa (1987), Moura Filha (1985), Tinem (1987/2006).
2
Merecem destaque as pesquisas de Pereira (2008), Chaves (2008), Queiroz & Rocha (2007), Almeida (2007),
Costa (2008), Araújo (2010), Xavier (2011), entre outros.

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Belo Horizonte, de 12 a 14 de novembro de 2013
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Mário de Lascio, Glauco Campelo e Carneiro da Cunha, são os atores nessa nova trama de
ideias e obras que se estabelece.

As demandas espaciais e territoriais contemporâneas, todavia, tem destruído grande parte


desse acervo que ainda não é alvo de reconhecimento ou de políticas públicas para sua
proteção. Já são contabilizados casos de demolição total como a Rádio Tabajara, as
residências Otacílio Campos e Loureiro Celino e o Iate Clube, entre outros, além daqueles
abandonados ou vilipendiados em desrespeito ao patrimônio edificado, muitas vezes pelo
desconhecimento de sua relevância histórica, cultural ou arquitetônica. A documentação tem
sido, nesse sentido, uma importante ferramenta para o conhecimento e registro dessas obras
modernas face à descaracterização ou perda (total ou parcial) de vários dos exemplares
identificados nas pesquisas anteriormente citadas. A maior dificuldade na proteção do
moderno ainda é a falta de instrumentos que suportem as readaptações do território às
necessidades contemporâneas.

A ideia principal dessa comunicação é dar visibilidade a essa produção, organizando os


registros já realizados nas fichas do Docomomo, a partir do modelo simplificado. As formas de
registro dessas obras foram variadas e nem sempre seguiram um modelo padrão, os
instrumentos utilizados dependiam do objetivo a ser alcançado: podiam ser trabalhos de
conclusão de curso, pequenos trabalhos de pesquisa, dissertações, teses e similares. A
inserção dessas informações de forma sistemática em fichas padrão permitirá um balanço das
atividades realizadas; a compilação dos dados possibilitará o esboço de um panorama geral
do que foi coletado e do que ainda precisa ser complementado, facilitando as análises
quantitativas, qualitativas e comparativas acerca do tema. E mais importante, facilitará a
difusão das informações e dará visibilidade a essa produção construída (e/ou demolida) e
pesquisada.

Sistematização em fichas

A sistematização dos diversos trabalhos realizados nesse período em fichas com base no
modelo simplificado do Docomomo proporcionou um balanço do que havia sido produzido e
do que merecia ainda ser registrado e abriu perspectivas de novas avaliações e especulações
sobre o tema. Para tanto, o primeiro passo foi a adaptação da ficha padrão aos objetivos
desejados, que contemplasse os diversos tipos de registros e fosse de fácil leitura,
assimilação e visualização. As obras foram classificadas por atividades (clubes, sedes
bancárias, residências unifamiliares, edifícios residenciais, edifícios comerciais, espaços de
cultura e arte, terminais viários, instituições públicas, mercados, entre outros) e cada uma
dessas atividades recebeu uma cor distinta no cabeçalho da ficha.
Foram adotados os mesmos campos e subcampos elencados no modelo simplificado das
fichas do Docomomo, acrescidos de outros considerados necessários ao acompanhamento
da pesquisa como, por exemplo, o tipo e qualidade das informações existentes (texto,
desenhos, plantas, cortes, perspectivas, maquetes físicas ou digitais, fotos, entre outros).
Esse campo permite, de imediato, a visualização do material disponível e a avaliação do
potencial de cada registro, facilitando ao pesquisador o planejamento de sua pesquisa.

As dificuldades encontradas no preenchimento das fichas estão, em geral, relacionadas,


principalmente, à variedade de tipos e formas de catalogação desses registros, à
sobreposição de arquivos, à quantidade de obras estudadas e, obviamente a não
sistematização prévia dos dados existentes. Em que pesem essas dificuldades, os resultados
que começam a aparecer revelam a riqueza das contribuições possíveis a partir desses
registros, através do mapeamento do acervo da arquitetura moderna.

Para agilizar o processo de preenchimento das fichas foi necessário, antes de tudo, organizar
e padronizar as informações disponíveis sobre as obras registradas nos trabalhos
anteriormente realizados. Cada obra foi nomeada, classificada por atividade, datada e,
quando possível, revelada a autoria (título, atividade, data e autoria), segundo um padrão
pré-estabelecido. A obra, dependendo do trabalho original, pode conter informações como:
fotografias antigas e/ou atuais, imagens do projeto original, redesenhos bidimensionais,
modelos tridimensionais, apresentações em power point, documentos escritos, animações,
entre outros.

Além da organização das informações sobre as obras já registradas, foram listadas as obras
modernas de relevância arquitetônica que mereciam e ainda não haviam sido alvo de
registro/catalogação, colocando-as em pauta para uma futura realização.

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Figura 01: Modelo parcial elaborado para a ficha de documentação da arquitetura moderna na Paraíba.

Fonte: Elaborado pelas autoras (2013)


Figura 02: Modelo parcial elaborado para a ficha de documentação da arquitetura moderna na Paraíba.

Fonte: Elaborado pelas autoras (2013)

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Elaboração do quadro-síntese

A partir da sistematização das informações sobre as obras, que gerariam as fichas


Docomomo, foi possível a elaboração de um quadro-síntese, com o registro dessas
informações (ver quadro 01). Nesse quadro, além da descrição da obra, autoria e data do
projeto foram inseridos dados como: localização e situação atual do levantamento. Esse
quadro possibilitou uma visualização sistematizada do acervo disponível, bem como das
lacunas ainda existentes e que necessitam de preenchimento, ou seja, que poderiam ser
objeto de novos trabalhos de pesquisa e documentação, evitando sobreposições
desnecessárias.

No quadro-síntese, aparecem obras importantes ainda não catalogadas, em que a falta de


registro é destacada, vislumbrando futuras pesquisas e consequente atualização do quadro.

O quadro síntese foi alimentado por informações recolhidas nos trabalhos desenvolvidos por
pesquisadores vinculados ao Laboratório de Pesquisa Projeto e Memória (LPPM) da UFPB,
seja através das disciplinas de graduação e pós-graduação, seja através de teses e
dissertações, seja através de artigos em periódicos, em eventos ou em livros.

Quadro 01: QUADRO-SÍNTESE PARCIAL de catalogação da Arquitetura Moderna da Paraíba.


STATUS LEVANTAMENTO

NO DESCRIÇÃO ANO AUTOR PROJETO CLASSIF. ENDEREÇO CIDADE

FOTO

DOC

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2D
3D
1. Clube Cabo Branco 1956 Acácio Gil Borsói Clube R. Cel. Souza Lemos, 167, Miramar JPA
2. Clube Astrea 1963 Mário Di Láscio Clube Av. Mons. Walfredo Leal, 146, Tambiá JPA
3. Clube Iate Clube da Paraíba 1966 Acácio Gil Borsói Clube Av. Argemiro de Figueiredo, 5059, Bessa JPA
4. Clube AABB Stuckert Fialho Clube Av. Dom. Pedro II, 1290, Centro JPA
5. Banco da Lavoura 1962 Álvaro Vital Brazil Banco Av. General Osório, 415, Centro JPA
6. Banco do Nordeste Liberal de Castro Banco Rua Gama Melo, 37, Varadouro JPA
7. Banco do Brasil (Varadouro) Firmino Saldanha Banco Rua Gama Melo, 71, Varadouro JPA
8. Banco do Brasil (Praça 1817) 1973 Banco R. Mazimiano Chaves, 139, Centro JPA
9. Banco Real Acácio Gil Borsói Banco Av. Maciel Pinheiro, , Varadouro JPA
10. Hotel Tambaú 1968 Sérgio Bernardes Hotel Av. Almirante Tamandaré, 229, Tambaú JPA
11. Hotel Bruxaxá Carneiro da Cunha Hotel R. Floriano Peixoto, s/n, Centro ARE
12. Terminal Aer. Castro Pinto 1980 Sérgio Bernardes Aeroporto Jardim Aeroporto BAY
13. Terminal Rod. Severino Camelo 1974 G. Campelo/ L. Pinho Rodoviária R. Francisco Londres, s/n, Varadouro JPA
14. Terminal Rod. Arg. de Figueiredo 1983 Emerson Monteiro Rodoviária R. Profa Eutécia Vital Ribeiro, s/n, Catolé CGE
15. Terminal Ferroviário (CBTU) Ferroviária Av. Sanhauá, 288, Varadouro JPA
16. Estúdio e Estação Rádio Tabajara 1932 Clodoaldo Gouveia Rádio JPA
17. Museu Assis Chateaubriand 1967 Renato Azevedo Cultural R. Baraúnas, 351, Bodocongó CGE
18. Espaço Cultural José Lins do Rego 1982 Sérgio Bernardes Cultural Av. Abdias G. de Almeida, 800, Tambauzinho JPA
19. Teatro Munic. Severino Cabral 1963 Geraldino Duda Cultural Av. Mal. Floriano Peixoto, Centro CGE
20. Cassino da Lagoa João Correia Lima Cultural Parque Solon de Lucena, s/n, Centro JPA
21. Mercado Central 1948 Antonio Baltar Mercado Av. Dom Pedro II, s/n, Centro JPA
22. Mercado Cruz das Armas 196? Mercado Av. Cruz das Armas, s/n, Cruz das Armas JPA
23. Assembleia Legislativa Tertuliano Dionísio Institucional Praça João Pessoa, , Centro JPA
24. Biblioteca Central UFPB 1978 José Galbinsky Institucional Cidade Universitária, s/n, Campus I JPA
25. Capitania dos Portos Hermeneg. Di Lascio Institucional R. Barão do Triunfo, 372, Varadouro JPA
26. Centro Administrativo Estadual 1973 Tertuliano Dionísio Institucional Av. Dr. João da Mata, s/n, Jaguaribe JPA
27. Centro de Tecnologia UFPB Stuckert Fialho Institucional Cidade Universitária, s/n,Campus I JPA
28. DER 1968 Stuckert Fialho Institucional Av. Min. José A. de Almeira, 280 , Torre JPA
29. Escola de Enfermagem (RUF) Institucional R. Diogo Velho, 114, Centro JPA
30. Hospital Napoleão Laureano Institucional Av. Cap. José Pessoa, 1140 - Jaguaribe JPA
31. Hospital Universitário UFPB Stuckert Fialho Institucional Cidade Universitária, Campus I JPA
32. Liceu Paraibano 1936 Clodoaldo Gouveia Institucional Av. Getúlio Vargas, s/n, Centro JPA
33. Manicômio Judiciário J. Moreira Institucional Av. Dom Pedro II, 1826 - Centro JPA
34. Reitoria UFPB Acácio Gil Borsói Institucional Cidade Universitária, s/n, Campus I JPA
35. Restaurante&Centro de Vivência Armando Carvalho Institucional Cidade Universitária, s/n, Campus I JPA
36. Secretaria das Finanças 1932 Clodoaldo Gouveia Institucional R. Gama e Melo, 19, Varadouro JPA
37. Edififício 18 Andares (Ep. Pessoa) 1958 Ulisses Burlamaqui Edifício R. General Osório, , Centro JPA
38. Edifício Antiga Reitoria 1963 Stuckert Fialho Edifício Av. Getúlio Vargas, 47, Centro JPA
39. Edifício Beira Mar 1967 Walter Vinagre Edifício Av. Cabo Branco, 2204, Cabo Branco JPA
40. Edifício Borborema 1962 Const. Unaldo Cruz Edifício Av. Cabo Branco, 1758 , Cabo Branco JPA
41. Edifício Cadeno e NSa Lourdes 1969 Delfim Amorim Edifício Av. João Machado, , Centro JPA
42. Edifício Caricé 1967 Romildo M. de Almeida Edifício Av. Getúlio Vargas, 109, Centro JPA
43. Edifício Duarte da Silveira 1950 Clodoaldo Gouveia Edifício Praça Vidal de Negreiros, , Centro JPA
44. Edifício INSS (Centro) 1966 Adauto Ferreira Edifício R. Barão do Abiaí, 73, Centro JPA
45. Edifício INSS (Varadouro) Edifício R. Barão do Triunfo, 307 , Varadouro JPA
46. Edifício IPASE 1949 Benedicto de Barros Edifício Av. Guedes Pereira, , Centro JPA
47. Edifício João Marques de Almeida 1965 Romildo M. de Almeida Edifício Av. cabo Branco JPA
48. Edifício Manoel Pires 1974 Carneiro da Cunha Edifício Parque Solon de Lucena, 205, Centro JPA
49. Edifício Paraná 1968 Paschoalino Magnavita Edifício Av. Padre Meira, 35, Centro JPA
50. Edifício Santa Rita 1968 Edifício Av. Getúlio Vargas, 90, Centro JPA
51. Edifício Santo Antônio 1959 Constr. Ausonia Edifício Av. Almirante Tamandaré, , Tambaú JPA
52. Edifício São Marcos 1968 Mário Di Láscio Edifício Av. Alm. Tamandaré, 380, Tambaú JPA
53. Edifício FIEP C. Silveira & A. Gama Edifício CGE
54. Residência Angela Miranda Mário Di Láscio Residência Av. Getúlio Vargas, 137, Centro JPA
55. Residência Antônio Diniz Geraldino Duda Residência R. Cel. Salvino de Figueiredo, , Centro CGE
56. Residência Antônio de Padua 1966 Acácio Gil Borsói Residência R. Giácomo Porto, 120, Miramar JPA
57. Residência Antonio José Amaral 1974 José&Berenice Amaral Residência R. Marcionila Conceição, , Cabo Branco JPA
58. Residência Austregesilo de Freitas 1958 Acácio Gil Borsói Residência Av. Cabo Branco, 2332, Cabo Branco JPA
59. Residência Cassiano R. Coutinho 1956 Acácio Gil Borsói Residência Av. Pres. Epitácio Pessoa, 1090, Torre JPA
60. Residência COSIBRA 1974 Homero Almeida Leite Residência Av. Cabo Branco, 2600, Cabo Branco JPA
61. Residência Cultura Inglesa 196? Carneiro da Cunha Residência Av. Pres. Epitácio Pessoa, , Brisamar JPA
62. Residência Creusa Pires C. Cunha & M. Láscio Residência Av. Pres. Epitácio Pessoa, , Miramar JPA
63. Residência Dagberto Gonçalves 1962 Lynaldo Cavalcante Residência R. Desembargador Trindade, 179, Centro CGE
64. Residência Damião Leite 1978 Tertuliano Dionisio Residência R. Manoel B. Cavalcanti, 47, Manaíra JPA
65. Residência Daniel Guimarães 1960 Geraldino Duda Residência R. João Machado, 398, Prata CGE
66. Residência Edisio Souto 1978 A. Muniz. & A. Carvalho Residência R. Osiris de Belli, 80, Cabo Branco JPA
67. Residência Emília Dantas 1962 Geraldino Duda Residência Rua Vila Nova da Rainha, 384, Centro CGE
68. Residência Epitácio Pessoa (3869) Residência Av. Epitácio Pessoa, 3869, Miramar JPA
69. Residência Flávio R. Coutinho 1954 Ferreira & Juca Residência Av. Cabo Branco, 1314, Cabo Branco JPA
70. Residência Gilson E. Guedes 1974 Mário Di Láscio Residência Av. Cabo Branco, 4500, Cabo Branco JPA
71. Residência Heleno Sabino Geraldino Duda Residência R. M. Leitão x R. Independência,, S. José CGE
72. Residência Hermes Pessoa 1957 Eng. Dr. Pontes Residência Av. Cabo Branco, 3089, Cabo Branco JPA
73. Residência João Cavalcanti Mário Di Lascio Residência R. Francisca Moura, 263, Torre JPA
74. Residência João Lavieri 1982 Armando Carvalho Residência Av. Buarque, 170, Cabo Branco JPA
75. Residência Jorge R. Coutinho 1965 Carneiro da Cunha Residência Av. Almirante Tamandaré, 900, Tambaú JPA
76. Residência José Barbosa Maia 196? Tertuliano Dionisio Residência R. Agamenon Magalhães, , Alto Branco CGE
77. Residência José W. R. Coutinho 1974 Carneiro da Cunha Residência Av. Cabo Branco, , Cabo Branco JPA
78. Residência Juvêncio de A. Filho 1977 Carneiro da Cunha Residência Av. Manoel Morais, , Manaíra JPA
79. Residência Loureiro Celino 1957 Augusto Reynaldo Residência CGE
80. Residência Luis Carlos Carvalho 1976 José&Berenice Amaral Residência Av. Guarabira, 171, Manaíra JPA
81. Residência Luiz Carrilho 1960 Dionísio Lins Residência Av. João Maurício, , Manaíra JPA
82. Residência Luiz Regis 1975 José&Berenice Amaral Residência R. Maestro Osvaldo E. Costa, , Estados JPA
83. Residência Luiz Salvio G. Dantas 1974 Maria Grasiela Dantas Residência R. Edvaldo B. Cavalcante, 773, C. Branco JPA
84. Residência Major A. L. Fernandes 1974 Maria Grasiela Dantas Residência Av. Cabo Branco, 3804, Cabo Branco JPA
85. Residência Maria Stella Ramos 1973 João Carmello Mello Residência Av. Cabo Branco, 2810, Cabo Branco JPA
86. Residência Mário Faraco 1967 Mário Di Láscio Residência Av. João Maurício, 405, Manaíra JPA
87. Residência Otacílio Campos 1968 Acácio Gil Borsói Residência Av. Epitácio Pessoa, , Tambauzinho JPA
88. Residência Pedro A. Carvalho 1972 Mário Di Láscio Residência Rua Frutuoso Dantas, 390, Cabo Branco JPA
89. Residência Pompeu Maroja 1955 Acácio Gil Borsói Residência R. Diogo Velho, 306, Centro JPA
90. Residência Potengi H. de Lucena 1976 José&Berenice Amaral Residência Av. Umbuzeiro, 383, Manaíra JPA
91. Residência Rainha da Paz 1957 Acácio Gil Borsói Residência Av. Epitácio Pessoa, , Estados JPA
92. Residência Romualdo Urtiga 1978 Amaro Muniz Residência R. Cônego Luiz Gonzaga, 155, Estados JPA
93. Residência Ronald Queiroz 1974 Carneiro da Cunha Residência Av. Cabo Branco, , Cabo Branco JPA
94. Residência Vieira Silva 195? Augusto Reynaldo Residência R. Raimundo Alves, 109, Centro CGE
95. Residência Waldomiro R. Coutinho 1974 Carneiro da Cunha Residência Av. Cabo Branco, 3160, Cabo Branco JPA
96. Residência 558 Residência Av. Almirante Tamandaré, 558, Tambaú JPA
97. Residência João Cavalcanti Mário Di Lascio Residência R. Francisca Moura, 263, Torre JPA
98. Residência 890 (Rui Carneiro) Mário Di Lascio Residência Av. Senador Rui Carneiro, 890, Miramar JPA

Demolido Obs - É importante salientar que ainda não foram registrados nesse quadro residências unifamiliares e edifícios altos (residenciais, institucionais, comerciais e
mistos), inventariados em trabalhos específicos, assim como edifícios da UFPB e UFCG, fruto de pesquisas específicas
Fonte: Elaborado pelas autoras (2013)

Mapeamento das obras

No processo de preenchimento das fichas Docomomo observou-se que, apesar das obras
trazerem mapas de localização individual, havia necessidade de localizar e visualizar o
conjunto das obras, trazendo outro tipo de informação sobre a difusão da arquitetura moderna
na trama urbana, permitindo especulações sobre a relação arquitetura e cidade, comparações

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entre implantações diferentes, conforme o traçado do bairro e tamanho do lote, entre nível de
renda e proposta formal e considerações gerais sobre as obras modernas na ocupação do
território paraibano, principalmente nas cidades de João Pessoa e Campina Grande, que
concentram a maior parte dessa produção no estado.

Figura 03: Planta de João Pessoa com mapeamento inicial da arquitetura moderna.

Fonte: PMJP, adaptado pelas autoras (2013).

Paralelamente ao preenchimento das fichas, as obras foram sendo localizadas no mapa,


gerando as informações mais gerais comentadas acima. Para a elaboração do mapa foi
adotada a mesma lógica de classificação por atividades e cores para uma melhor
visualização, compreensão e análise das informações. Como parte do processo, foram
mapeadas ainda as obras demolidas ou seriamente descaracterizadas. Esses dados quando
comparados e analisados em conjunto revelarão e ajudarão a entender, pelo menos em parte,
as razões desse aparente descaso com o patrimônio moderno e inabilidade dos profissionais
da área em atender as demandas territoriais contemporâneas. O mapeamento pode
proporcionar o debate sobre essa e outras questões, especulações e novos estudos.

Resultados Parciais

Em uma primeira avaliação do acervo moderno na Paraíba, visto através do quadro síntese, é
gritante a absoluta hegemonia das residências unifamilares – as “casas modernas” foram
responsáveis pela difusão da “nova arquitetura” a partir dos anos 1950. É o tipo mais
contemplado com registros, em virtude da sua utilização como objeto empírico nos exercícios
das disciplinas de graduação e pós, nas pesquisas de iniciação cientifica, nos estágios
supervisionados, nos inventários dos trabalhos de conclusão de curso, dissertações e teses.

Os terminais viários e os espaços de cultura e arte também foram razoavelmente


contemplados, eles protagonizam, talvez, os espaços de criação mais audazes, com maior
liberdade de expressão, manipulando, na maioria das vezes, terrenos de medidas mais
amplas, em locais privilegiados e, às vezes, envolvendo concursos públicos.

Dos cinco bancos listados, apenas o da lavoura, de autoria de Vital Brasil, foi registrado,
mesmo assim com muitos senões: por medidas de segurança, em geral, não é possível fazer
o levantamento das agências bancárias. Quando não há registro do projeto, como é o caso do
Banco do Nordeste, de Liberal de Castro & Gerhard Bormann (cujo projeto foi publicado na
revista AU), o levantamento fica prejudicado.

Dentre os clubes registrados, só sobrevive o Esporte Clube Cabo Branco, os demais já foram
abandonados (Clube ASTREA), reutilizados (Associação Atlética do Banco do Brasil
substituído pela sede social do Conselho Regional de Medicina da Paraíba) ou demolidos
(Iate Clube da Paraíba e Clube do Serviço Social do Comércio). Os clubes localizados no
centro da cidade foram os primeiros a “desaparecer”, certamente pela pressão das demandas
contemporâneas, pelos novos usos e costumes que tornaram as atividades de socialização
dos clubes obsoletas e pela formação de novas centralidades que provocou o distanciamento
das áreas residenciais.

O Iate Clube foi demolido e será substituído por um uso certamente mais rentável, um edifício
de apartamentos de luxo, que tem público certo naquela região da orla marítima. O mesmo
aconteceu com a Associação Atlética do Banco do Estado, depois que o banco “fechou as
portas”.

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O Clube Cabo Branco conseguiu não ser leiloado para pagar suas dívidas, recorrendo a uma
solução alternativa, a terceirização de suas dependências para treinamento esportivo de
várias modalidades, principalmente aquelas vinculadas à natação. A proximidade do clube
das áreas residenciais provavelmente auxiliou na sua manutenção.

As edificações de uso bancário elencados localizam-se entre o Varadouro (na Cidade Baixa) e
o Centro (Cidade Alta), que no momento de sua construção representavam o centro financeiro
da cidade de João Pessoa. Em sua maioria continuam com o “invólucro” inalterado, as
alterações/adaptações às novas demandas/tecnologias se deram nos espaços internos,
certamente projetados com flexibilidade para tais modificações, o que justifica a permanência
e vitalidade dessas agências.

***

O trabalho está em processo, mas a organização e padronização dos registros em fichas, a


elaboração de um quadro-síntese e o mapeamento das obras (os três principais produtos da
pesquisa) já dá mostras de que irão possibilitar a visualização, análise e comparação dos
dados, podendo inclusive gerar fichas comparativas a partir de critérios os mais diversos
(tipologia, autoria, periodização, utilização de materiais e técnicas, entre outros). As variadas
formas e recortes temporais/espaciais dos trabalhos originais – cada um atendendo a seu
objetivo específico – apesar de serem interessantes exatamente pela diversidade como os
dados são tratados, não possibilitavam o estudo do acervo moderno como um todo e
dificultavam a análise/comparação entre os exemplares de épocas ou lugares distintos.

A sistematização desses registros tem por objetivo permitir a compreensão do acervo


moderno na Paraíba, mas tem também como alvo dar visibilidade a esse patrimônio, dando
ampla divulgação a essa produção, não só a pesquisadores e candidatos a pesquisadores,
mas a população em geral interessada em sua história. Para além do inventário, o interesse é
que o material produzido possa ser divulgado, como inclusive já tem acontecido com outras
pesquisas do laboratório, seja através do site do LPPM, ou de outros meios de comunicação.

O preenchimento da ficha mínima do Docomomo para as obras modernas na Paraíba é o


instrumento que, através da avaliação dos registros, sua classificação por atividades e seu
mapeamento na malha urbana, vai permitir entender essa produção enquanto conjunto e vai
possibilitar interpretações diversas, sob distintas óticas, sobre ou em torno a esse tema.

O levantamento em mapa da localização dessas obras modernas, classificadas por atividades


mostra (1) a localização/concentração das obras no estado e nas cidades, (2) as atividades
contempladas no processo de modernização e (3) a importância dessa produção no conjunto
construído. Tem ainda produtos adicionais, como (4) a situação dos levantamentos de todas
essas obras, (5) a elaboração de fichas Docomomo para cada uma das edificações e (6) a
listagem das obras que ainda precisam ser levantadas/estudadas.

O uso dessa forma de registro extrapola a sua função como inventário, ela interessa como
formação e informação a respeito desse momento da história da cidade, da cultura e inclusive
da arquitetura. Interessa tanto a pesquisadores, alunos e professores, como ao cidadão
comum atento a história e ansioso por fazer parte da construção da memória da cidade.
Interessa aqueles que estão preocupados com a formação de profissionais que tenham
condições de intervir na sua área de atuação. Interessa aqueles que trabalham diretamente
com conservação e restauração de edifícios e sítios protegidos (ou que deveriam ser).

Assim considerando as contribuições possibilitadas por este tipo de trabalho, dar visibilidade
aos exemplares, objeto desse inventário, é o alvo que se busca atingir.

Referências

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3º SEMINÁRIO IBERO-AMERICANO ARQUITETURA E DOCUMENTAÇÃO


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