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Brasília, 14 a 18 de março de 2016 Nº 818

Data de divulgação: 31 de março de 2016


Este Informativo, elaborado a partir de notas tomadas nas sessões de julgamento
das Turmas e do Plenário, contém resumos não oficiais de decisões proferidas pelo
Tribunal. A fidelidade de tais resumos ao conteúdo efetivo das decisões, embora seja
uma das metas perseguidas neste trabalho, somente poderá ser aferida após a publicação
do acórdão no Diário da Justiça.

SUMÁRIO
Plenário
ED: procedimento de “impeachment” e recepção - 1
ED: procedimento de “impeachment” e recepção - 2
PSV: medida provisória e reedição - 2
Auxílio-alimentação e servidores inativos
Aposentadoria especial e servidor público
ADI: Tribunal de Contas estadual e vício de iniciativa
Repercussão Geral
ED: responsabilidade civil do Estado por ato ilícito e contrato administrativo
1ª Turma
Conflito de atribuição e fato novo
Previsão temporária de recursos e conflito federativo
Menor infrator e medida socioeducativa
2ª Turma
Pureza da droga e dosimetria da pena
Clipping do DJe
Transcrições
Senador da República - Cassação de Mandato - Controle Jurisdicional - Limites (MS 34064 MC-DF)
Inovações Legislativas

PLENÁRIO
ED: procedimento de “impeachment” e recepção - 1
Ao julgar embargos de declaração opostos ao acórdão em arguição de descumprimento de preceito
fundamental (ADPF) ajuizada em face de dispositivos da Lei 1.079/1950, em que o Supremo Tribunal
Federal decidira pela legitimidade constitucional do rito nela previsto para o processo de “impeachment”
de Presidente da República, o Plenário, por unanimidade, conheceu em parte dos embargos de declaração
e, na parte conhecida, por maioria, rejeitou o recurso. A Corte assentou que não teria havido omissão,
contradição ou obscuridade e enfatizou a inviabilidade de rejulgamento da causa. De início, rejeitou
assertiva no sentido de que no exame da medida cautelar na ADPF os Ministros do STF teriam deliberado
sobre questão do voto aberto sem conhecer o inteiro teor do art. 188, III, do Regimento Interno da Câmara
dos Deputados (RICD). Destacou que referida norma interna fora invocada não somente no voto condutor
do acórdão embargado, mas ao longo da tramitação de toda a ADPF. Lembrou que, ao pedir informações
à Câmara dos Deputados, tal casa legislativa tratara expressamente do referido preceito. Como se
afirmara na decisão embargada, a votação aberta seria a regra geral que decorreria dos princípios
democrático, representativo, republicano e da publicidade. Por isso, o escrutínio sigiloso somente poderia
ter lugar em hipóteses excepcionais e especificamente previstas. Dessa forma, o art. 188, III, do RICD
teria sido repetidamente enfrentado durante o julgamento pelos Ministros integrantes do STF, bem como
nas peças escritas e na sustentação oral. Por isso, não se poderia alegar omissão. Frisou que a decisão
majoritária do STF teria se fundado em premissa de fácil compreensão — a de manter na maior extensão
possível a jurisprudência, os precedentes, as práticas efetivas e os caminhos seguidos por ocasião do
“impeachment” do Presidente Fernando Collor, ocorrido em 1992. Ao adotar essa linha, o Tribunal teria
tomado decisões que foram percebidas ora como favoráveis ao governo — como no caso da invalidação
da comissão especial —, ora como contrária a ele — como a rejeição do quórum de dois terços para a
instauração do processo no Senado Federal. No mérito, as alegações de que o acórdão recorrido teria

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adotado premissas equivocadas também não se sustentariam, porque todos os pontos questionados pela
embargante teriam sido enfrentados pelo Colegiado na apreciação da medida cautelar em ADPF de forma
clara, coerente e fundamentada. Assim, ainda que o embargante discorde das conclusões alcançadas pelo
Tribunal, não poderia pretender revê-las por meio de embargos de declaração a pretexto de correção de
inexistentes vícios internos do acórdão proferido. O julgamento do acórdão embargado teria transcorrido
de maneira hígida e regular. Por fim, a Corte não conheceu do recurso quanto a questões paralelas
formuladas em tese e sem relação direta com o objeto da ADPF. Consignou não ser possível valer-se de
embargos de declaração para obter, em caráter consultivo o esclarecimento de dúvidas pelo Judiciário,
sob pena de desnaturar a essência da atividade jurisdicional. Vencidos os Ministros Dias Toffoli e Gilmar
Mendes, que acolhiam os embargos.
ADPF 378 ED/DF, rel. Min. Roberto Barroso, 16.3.2016. (ADPF-378)

ED: procedimento de “impeachment” e recepção - 2


O Ministro Dias Toffoli apontava a existência de contradição no acórdão recorrido no ponto em que
afirmada a impossibilidade de chapas avulsas para eleição da comissão especial. Seria da cultura da
Câmara dos Deputados a formação de candidaturas avulsas, dentro do limite de vagas de cada partido.Do
contrário, não seria caso de eleição, como expressamente consignado no acórdão. Destacava, ademais,
que o acórdão, ao estabelecer a possibilidade de o Senado Federal instaurar ou não o processo de
“impeachment”, acabava por diminuir a competência da Câmara dos Deputados, criando disparidade
entre as duas Casas do Congresso Nacional. Outrossim, o acórdão teria subtraído o conceito de liberdade
do voto — que se daria por meio do voto secreto — ao dizer que a eleição para a formação da comissão
teria que ter voto aberto. Acolhia, portanto, os embargos, com efeitos modificativos, para reformar o
acórdão embargado. O Gilmar Mendes, ao acompanhar a divergência, ressaltava a inexistência de unidade
e integridade no acórdão atacado.
ADPF 378 ED/DF, rel. Min. Roberto Barroso, 16.3.2016. (ADPF-378)

PSV: medida provisória e reedição - 2


O Plenário, em conclusão de julgamento e por maioria, acolheu proposta de edição de enunciado de
súmula vinculante, resultante da conversão do Enunciado 651 da Súmula do STF, com o seguinte teor: “A
medida provisória não apreciada pelo Congresso Nacional podia, até a EC 32/2001, ser reeditada dentro
do seu prazo de eficácia de trinta dias, mantidos os efeitos de lei desde a primeira edição” — v.
Informativo 806. A Corte ressaltou a existência de feitos ainda a discutir o tema. Assim, seria útil e
necessária a edição do verbete. Vencidos os Ministros Marco Aurélio e Teori Zavascki, que rejeitavam a
proposta, em razão do não atendimento, no caso, dos requisitos previstos na Constituição Federal (Art.
103-A, § 1º: “A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas,
acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública
que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica”).
PSV 93/DF, 17.3.2016. (PSV-93)

Auxílio-alimentação e servidores inativos


O Plenário acolheu proposta de edição de enunciado de súmula vinculante com o seguinte teor: “O
direito ao auxílio-alimentação não se estende aos servidores inativos”. Assim, tornou vinculante o
conteúdo do Verbete 680 da Súmula do STF.
PSV 100/DF, 17.3.2016. (PSV-100)

Aposentadoria especial e servidor público


O Plenário iniciou julgamento de proposta de revisão do teor do Enunciado 33 da Súmula
Vinculante: “Aplicam-se ao servidor público, no que couber, as regras do regime geral da previdência
social sobre aposentadoria especial de que trata o art. 40, § 4º, inciso III, da Constituição Federal, até a
edição de lei complementar”. No caso, o Procurador-Geral da República (PGR) postula que a redação do
enunciado também contemple a situação dos servidores públicos com deficiência, que são impedidos de
obter a aposentadoria especial em razão da mora na regulamentação do inciso I do § 4º do art. 40 da CF.
Sugere, portanto, a adoção da seguinte redação: “Aplicam-se ao servidor público, no que couber, as regras
do regime geral da previdência social sobre aposentadoria especial de que trata o artigo 40, § 4º, incisos I
e III, da Constituição Federal, até a edição de lei complementar específica”. O Ministro Ricardo
Lewandowski (Presidente) se manifestou pelo acolhimento da proposta, no que foi acompanhado pelo
Ministro Marco Aurélio. Afirmou que, à época da aprovação do Enunciado 33, observara-se que, com
relação ao inciso I do § 4º do art. 40 da CF, pertinente aos portadores de deficiência, não haveria ainda
processos suficientes para reconhecer-se uma jurisprudência consolidada. Agora, no entanto, existiria a
possibilidade de incluir na redação do verbete tal inciso I, porquanto a orientação jurisprudencial do STF

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teria se firmado no sentido de que também aos servidores públicos com deficiência deveriam ser
aplicadas analogicamente as regras do regime geral da previdência social. Em seguida, pediu vista dos
autos o Ministro Roberto Barroso.
PSV 118/DF, 17.3.2016. (PSV-118)

ADI: Tribunal de Contas estadual e vício de iniciativa


O Plenário, em julgamento conjunto, deferiu medidas acauteladoras para suspender a eficácia dos
artigos 1º a 9º e 11 a 20 da LC 666/2015 do Estado de Santa Catarina. A norma dispõe sobre competência
e organização do Tribunal de Contas estadual, bem assim sobre a estrutura do Ministério Público atuante
junto àquele órgão. O Colegiado assinalou que o projeto de lei, apresentado pelo Tribunal de Contas, fora
submetido à Assembleia Legislativa estadual, que incluíra 19 artigos a versar sobre objetos distintos do
veiculado no único dispositivo constante do texto original. Não se tratara de simples emenda, mas de
inclusão e de supressão de preceitos relacionados a questões estranhas à contida na proposição inicial, a
configurar aparente vício de iniciativa.
ADI 5442 MC/DF, rel. Min. Marco Aurélio, 17.3.2016. (ADI-5442)
ADI 5453 MC/SC, rel. Min. Marco Aurélio, 17.3.2016. (ADI-5453)

REPERCUSSÃO GERAL
ED: responsabilidade civil do Estado por ato ilícito e contrato administrativo
O Plenário iniciou o julgamento de embargos de declaração opostos de decisão proferida no RE
571.969/DF (DJe de 18.9.2014), na qual assentara-se que a União, na qualidade de contratante, possui
responsabilidade civil por prejuízos suportados por companhia aérea em decorrência de planos econômicos
existentes no período objeto da ação. Alega-se omissão quanto ao afastamento do instituto da preclusão acerca
da impugnação aos critérios utilizados na perícia para a aferição do desequilíbrio econômico-financeiro do
contrato de concessão. Sustenta-se, também, omissão sobre a prevalência do regime intervencionista do Estado
com relação ao instituto da responsabilidade objetiva. Argui-se ser contraditória a indicação do instituto da
desapropriação como exemplo de responsabilidade do Estado por ato ilícito, bem assim o próprio resultado do
julgamento, em face de conclusão do laudo pericial no sentido da ausência de nexo causal entre as medidas de
intervenção e o agravamento das dívidas da embargada. Por fim, afirma-se que a limitação de lucro excessivo
não configura dano indenizável. A Ministra Cármen Lúcia (relatora) desproveu os embargos. Aduziu que esse
instrumento processual não se presta para provocar reforma da decisão embargada, salvo nos pontos em que
haja omissão, contradição ou obscuridade (CPC, art. 535). No caso, todavia, não se pretende provocar
esclarecimento, mas modificar o conteúdo do julgado, para afastar a responsabilidade da União pelos danos
causados à embargada. A relatora entendeu que o acórdão impugnado enfrentara, devidamente, a questão
relativa ao reconhecimento da preclusão sobre a impugnação feita aos critérios utilizados na perícia para a
aferição do desequilíbrio econômico-financeiro do contrato de concessão. Ademais, fora enfatizado que o
afastamento da preclusão e, consequentemente, da intempestividade da peça apresentada pela União, é matéria
infraconstitucional, insuscetível de análise em sede de recurso extraordinário. De igual modo, incabível, nessa
via, o exame dos elementos afetos ao equilíbrio econômico-financeiro de contrato administrativo. Após os
votos dos Ministros Edson Fachin, Roberto Barroso, Rosa Weber e Marco Aurélio, nesse mesmo sentido, pediu
vista o Ministro Gilmar Mendes.
RE 571969 ED/DF, rel. Min. Cármen Lúcia, 17.3.2016. (RE-571969)

PRIMEIRA TURMA
Conflito de atribuição e fato novo
A Primeira Turma sobrestou o julgamento de agravo regimental em ação cível originária que trata de
conflito positivo de atribuições entre o Ministério Público Federal e o Ministério Público do Estado de São
Paulo relativamente a procedimentos investigatórios criminais com o escopo de apurar quem seria o
proprietário e se teria havido reformas em determinados imóveis. Na espécie, alega-se afronta aos princípios do
“non bis in idem” e do promotor natural, haja vista que referidos procedimentos investigatórios teriam igual
objeto e versariam sobre os mesmos fatos. A Ministra Rosa Weber (relatora) indeferira a liminar por entender
que não havia “seja pela ótica formal, seja pela material, elementos de convicção hábeis a justificar a concessão
..., neste juízo delibatório” (DJe de 7.3.2016). Contra essa decisão, fora interposto o presente agravo
regimental, em que se sustenta a ocorrência de fatos novos, configurados no oferecimento de denúncia por
parte do Ministério Público estadual e na decisão jurisdicional declinatória da competência da justiça estadual
para a federal. Segundo o agravante, tais fatos seriam aptos a ensejar a reconsideração da decisão monocrática

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ou a submissão do julgamento à Turma. O Colegiado reconheceu a existência de fato novo, consubstanciado na
remessa do procedimento formalmente existente na justiça estadual paulista para a justiça federal do Paraná.
Apontou que o juízo federal poderia vir a assentar não ter a respectiva competência e determinar o retorno do
inquérito, a desencadear um conflito negativo com o órgão paulista. Asseverou a necessidade de se aguardar o
crivo do Ministério Público Federal e do juízo criminal federal, ambos do Estado do Paraná.
ACO 2833 AgR/SP, rel. Min. Rosa Weber, 15.3.2015. (ACO-2833)

Previsão temporária de recursos e conflito federativo


A Segunda Turma deliberou afetar ao Plenário o julgamento de ação civil originária em que se discute a
previsão temporária de recursos a título de auxílio financeiro com o propósito de fomentar as importações no
âmbito estadual e municipal.
ACO 792/PR, rel. Min. Edson Fachin, 15.3.2016. (ACO-792)

Menor infrator e medida socioeducativa


O ato de internação do menor surge excepcional, apenas cabível quando atendidos os requisitos do art.
122 da Lei 8.069/1990 (“Art. 122. A medida de internação só poderá ser aplicada quando: I - tratar-se de ato
infracional cometido mediante grave ameaça ou violência à pessoa; II - por reiteração no cometimento de
outras infrações graves; III - por descumprimento reiterado e injustificável da medida anteriormente imposta”).
Com base nessa orientação, a Primeira Turma, por maioria, não conheceu da impetração, mas concedeu a
ordem, de ofício, para que ao paciente fosse fixada medida socioeducativa diversa da internação. Ainda por
maioria, o Colegiado indeferiu a extensão do “writ” ao corréu. Destacou que o ato atacado seria liminar
veiculada no STJ. No entanto, superou o óbice do Enunciado 691 da Súmula do STF (“Não compete ao
Supremo Tribunal Federal conhecer de ‘habeas corpus’ impetrado contra decisão do Relator que, em ‘habeas
corpus’ requerido a tribunal superior, indefere a liminar”). No mérito, salientou que a situação do paciente,
aliada às circunstâncias concretas — ausência de antecedentes criminais — envolveria especial sensibilidade, o
que conduziria à concessão da ordem. Pontuou que o menor de idade não teria condenação prévia e seu
envolvimento no delito de tráfico de maconha fora sem uso de violência e de baixa periculosidade. Assim,
ainda que por curto período, sua internação em um desses estabelecimentos educacionais seria mais gravosa do
que mantê-lo solto. Quanto ao corréu, a Turma registrou a impossibilidade de estender a ele os efeitos da
ordem, em virtude de seu histórico infracional. Vencido o Ministro Marco Aurélio (relator), que tornava
definitiva a liminar quanto ao paciente e substituía a medida socioeducativa de internação pela liberdade
assistida, nos termos dos artigos 118 e 119 da Lei 8.069/1990, com extensão ao corréu.
HC 125016/SP, red. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o acórdão Min. Roberto Barroso, 15.3.2016. (HC-125016)

SEGUNDA TURMA
Pureza da droga e dosimetria da pena
O grau de pureza da droga é irrelevante para fins de dosimetria da pena. Essa a conclusão da Segunda
Turma, que indeferiu a ordem em “habeas corpus” impetrado em favor de denunciado pela suposta prática do
crime descrito no art. 33, “caput”, c/c o art. 40, I e III, todos da Lei 11.343/2006. A defesa sustentava que
deveria ser realizado laudo pericial a aferir a pureza da droga apreendida, para que fosse possível verificar a
dimensão do perigo a que exposta a saúde pública, de modo que a reprimenda fosse proporcional à
potencialidade lesiva da conduta. A Turma entendeu ser desnecessário determinar a pureza do entorpecente. De
acordo com a lei, preponderam apenas a natureza e a quantidade da droga apreendida para o cálculo da
dosimetria da pena.
HC 132909/SP, rel. Min. Cármen Lúcia, 15.3.2016. (HC-132909)

Sessões Ordinárias Extraordinárias Julgamentos


Pleno 16.3.2016 17.3.2016 393
1ª Turma 15.3.2016 — 572
2ª Turma 15.3.2016 — 492

CLIPPING DO D JE
14 a 18 de março de 2016
Rcl N. 8.668-SP
RELATORA: MIN. CÁRMEN LÚCIA

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EMENTA: RECLAMAÇÃO. PRERROGATIVA PROFISSIONAL DE PRISÃO DOMICILIAR ONDE NÃO EXISTA SALA DE ESTADO
MAIOR. ALEGADA AFRONTA AO QUE DECIDIDO NO JULGAMENTO DA AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE 1.127.
EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE PELO CUMPRIMENTO DA PENA. PERDA SUPERVENIENTE DO OBJETO DA AÇÃO.
RECLAMAÇÃO PREJUDICADA.
*noticiado no Informativo 809
EMB. DECL. NO ARE N. 935.040-DF
RELATOR: MIN. ROBERTO BARROSO
EMENTA: DIREITO PENAL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO RECEBIDOS COMO AGRAVO REGIMENTAL.
INDEFERIMENTO DE PRODUÇÃO DE PROVAS. AUSÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL. CONTROVÉRSIA DECIDIDA COM
BASE NA LEGISLAÇÃO INFRACONSTITUCIONAL E NO CONJUNTO FÁTICO-PROBATÓRIO DOS AUTOS. SÚMULA 279/STF.
1. O Plenário do Supremo Tribunal Federal firmou orientação no sentido de que os embargos declaratórios opostos, com caráter infringente,
objetivando a reforma da decisão do relator, devem ser conhecidos como agravo regimental (Plenário, MI 823 ED-segundos, Rel. Min.
Celso de Mello; Rcl 11.022 ED, Rel.ª Min.ª Cármen Lúcia; ARE 680.718 ED, Rel. Min. Luiz Fux).
2. O Supremo Tribunal Federal já assentou a ausência de repercussão geral da questão relativa à obrigatoriedade de observância das garantias
constitucionais do processo ante o indeferimento, pelo juiz, de determinada diligência probatória. Precedente.
3. Para chegar a conclusão diversa do acórdão recorrido, imprescindível seria a análise da legislação infraconstitucional pertinente e uma
nova apreciação dos fatos e do material probatório constante dos autos (Súmula 279/STF), procedimentos inviáveis em recurso
extraordinário.
4. Não foram ofendidas as garantias da inafastabilidade do controle jurisdicional, do devido processo legal, do contraditório e da ampla
defesa, uma vez que as partes recorrentes tiveram acesso a todos os meios de impugnação previstos na legislação processual, havendo o
acórdão recorrido examinado todos os argumentos e motivado suas conclusões de forma satisfatória.
5. Embargos de declaração recebidos como agravo regimental a que se nega provimento.
AG. REG. NO ARE N. 918.922-DF
RELATORA: MIN. ROSA WEBER
EMENTA: DIREITO PROCESSUAL CIVIL. PREVIDÊNCIA PRIVADA. COMPLEMENTAÇÃO DE APOSENTADORIA.
ÍNDICE DE CORREÇÃO MONETÁRIA. CONSONÂNCIA DA DECISÃO RECORRIDA COM A JURISPRUDÊNCIA
CRISTALIZADA NO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. RECURSO EXTRAORDINÁRIO QUE NÃO MERECE
TRÂNSITO. REELABORAÇÃO DA MOLDURA FÁTICA. PROCEDIMENTO VEDADO NA INSTÂNCIA
EXTRAORDINÁRIA. ACÓRDÃO RECORRIDO PUBLICADO EM 19.11.2010.
1. O entendimento adotado pela Corte de origem, nos moldes do assinalado na decisão agravada, não diverge da
jurisprudência firmada no âmbito deste Supremo Tribunal Federal. Entender de modo diverso demandaria a reelaboração da
moldura fática delineada no acórdão de origem, o que torna oblíqua e reflexa eventual ofensa, insuscetível, como tal, de
viabilizar o conhecimento do recurso extraordinário.
2. Inexiste violação do art. 93, IX, da Constituição Federal. A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal é no sentido de
que o referido dispositivo constitucional exige a explicitação, pelo órgão jurisdicional, das razões do seu convencimento,
dispensando o exame detalhado de cada argumento suscitado pelas partes.
3. As razões do agravo regimental não se mostram aptas a infirmar os fundamentos que lastrearam a decisão agravada.
4. Agravo regimental conhecido e não provido.
HC N. 130.219-ES
RELATOR: MIN. TEORI ZAVASCKI
EMENTA: HABEAS CORPUS. CRIME DE COAÇÃO NO CURSO DO PROCESSO. COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA
COMUM ESTADUAL. INTIMIDAÇÃO NO CURSO DE PROCEDIMENTO INVESTIGATÓRIO DO MINISTÉRIO
PÚBLICO DO ESTADO. AÇÃO PENAL INSTAURADA NA JUSTIÇA ESTADUAL. INEXISTÊNCIA DE OFENSA A
ENTES FEDERADOS. ATIPICIDADE DA CONDUTA NÃO CONFIGURADA. PRESENÇA DOS ELEMENTOS
CONSTITUTIVOS DO TIPO.
1. A competência criminal da Justiça Federal estabelecida no inciso IV do art. 109 da Constituição Federal compreende os
crimes praticados em detrimento de bens, serviços ou interesses da União, de suas autarquias ou de empresa públicas.
2. No caso, narra a denúncia que a coação imputada ao paciente objetivava a alteração de depoimentos prestados por
testemunhas durante procedimento investigatório, cujo desfecho reuniu provas da suposta prática de diversas ações delitivas
de competência da Justiça Estadual. O bem jurídico ofendido, portanto, foi a administração dessa Justiça, não sendo
suficiente para configurar ofensa a serviços ou interesses da União o fato de as testemunhas terem sido inquiridas, também,
na Polícia Federal.
3. Na dicção do art. 344 do Código Penal, a coação direcionada contra qualquer pessoa que figure em processo
administrativo também constitui elemento normativo do tipo, não sendo possível falar-se em atipicidade da conduta.
4. Habeas corpus denegado.
ADI N. 3.278-SC
RELATOR: MIN. EDSON FACHIN
AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. DIREITO TRIBUTÁRIO. IMUNIDADES TRIBUTÁRIAS. TAXAS.
CUSTAS E EMOLUMENTOS JUDICIAIS. LEI COMPLEMENTAR 156/97 DO ESTADO DE SANTA CATARINA.
DIREITO DE PETIÇÃO. OBTENÇÃO DE CERTIDÕES EM REPARTIÇÕES PÚBLICAS, PARA DEFESA DE DIREITOS
OU ESCLARECIMENTO DE SITUAÇÕES DE INTERESSE PESSOAL. ART. 5º, XXXIV, “B”, DA CONSTITUIÇÃO
FEDERAL. NULIDADE PARCIAL SEM REDUÇÃO DE TEXTO.
1. Viola o direito de petição previsto no art. 5º, XXXIV, “b”, da Constituição Federal, a exigência de recolhimento de taxa
para emissão de certidão em repartições públicas, para defesa de direitos e esclarecimento de situações de interesse pessoal,
porquanto essa atividade estatal está abarcada por regra imunizante de natureza objetiva e política. Precedente: ADI 2.969,
de relatoria do Ministro Carlos Britto, DJe 22.06.2007.
2. A imunidade refere-se tão somente a certidões solicitadas objetivando a defesa de direitos ou o esclarecimento de
situação de interesse pessoal, uma vez que a expedição de certidões voltadas à prestação de informações de interesse
coletivo ou geral (art. 5º, XXXIII) não recebe o mesmo tratamento tributário na Carta Constitucional.
3. Ação direta de inconstitucionalidade a que se dá parcial procedência, para fins de declarar a nulidade do dispositivo, sem
redução de texto, de toda e qualquer interpretação do item 02 da Tabela VI da Lei Complementar 156/97, do Estado de Santa
Catarina, a qual insira no âmbito de incidência material da hipótese de incidência da taxa em questão a atividade estatal de
extração e fornecimento de certidões administrativas para defesa de direitos e esclarecimento de situações de interesse
pessoal.

5
ADI N. 4.259-PB
RELATOR: MIN. EDSON FACHIN
AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. DIREITO TRIBUTÁRIO. INCENTIVO FISCAL. ESPORTES. AUTOMOBILISMO.
IGUALDADE TRIBUTÁRIA. PRIVILÉGIO INJUSTIFICADO. IMPESSOALIDADE. LEI 8.736/09 DO ESTADO DA PARAÍBA.
PROGRAMA “ACELERA PARAÍBA”. MEDIDA CAUTELAR DEFERIDA.
1. A Lei estadual 8.736/2009 singulariza de tal modo os beneficiários que apenas uma única pessoa se beneficiaria com mais de 75%
dos valores destinados ao programa de incentivo fiscal, o que representa evidente violação aos princípios da igualdade e da
impessoalidade.
2. A simples fixação de condições formais para a concessão de benefício fiscal não exime o instrumento normativo de resguardar o
tratamento isonômico no que se refere aos concidadãos. Doutrina. Precedentes.
3. Ação direta de inconstitucionalidade procedente.
ADI N. 5.105-DF
RELATOR: MIN. LUIZ FUX
EMENTA: DIREITO CONSTITUCIONAL E ELEITORAL. DIREITO DE ANTENA E DE ACESSO AOS RECURSOS DO
FUNDO PARTIDÁRIO ÀS NOVAS AGREMIAÇÕES PARTIDÁRIAS CRIADAS APÓS A REALIZAÇÃO DAS
ELEIÇÕES. REVERSÃO LEGISLATIVA À EXEGESE ESPECÍFICA DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA PELO
SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL NAS ADIs 4490 E 4795, REL. MIN. DIAS TOFFOLI. INTERPRETAÇÃO
CONFORME DO ART. 47, § 2º, II, DA LEI DAS ELEIÇÕES, A FIM DE SALVAGUARDAR AOS PARTIDOS NOVOS,
CRIADOS APÓS A REALIZAÇÃO DO PLEITO PARA A CÂMARA DOS DEPUTADOS, O DIREITO DE ACESSO
PROPORCIONAL AOS DOIS TERÇOS DO TEMPO DESTINADO À PROPAGANDA ELEITORAL GRATUITA NO
RÁDIO E NA TELEVISÃO. LEI Nº 12.875/2013. TEORIA DOS DIÁLOGOS CONSTITUCIONAIS. ARRANJO
CONSTITUCIONAL PÁTRIO CONFERIU AO STF A ÚLTIMA PALAVRA PROVISÓRIA (VIÉS FORMAL) ACERCA
DAS CONTROVÉRSIAS CONSTITUCIONAIS. AUSÊNCIA DE SUPREMACIA JUDICIAL EM SENTIDO MATERIAL.
JUSTIFICATIVAS DESCRITIVAS E NORMATIVAS. PRECEDENTES DA CORTE CHANCELANDO REVERSÕES
JURISPRUDENCIAIS (ANÁLISE DESCRITIVA). AUSÊNCIA DE INSTITUIÇÃO QUE DETENHA O MONOPÓLIO DO
SENTIDO E DO ALCANCE DAS DISPOSIÇÕES CONSTITUCIONAIS. RECONHECIMENTO PRIMA FACIE DE
SUPERAÇÃO LEGISLATIVA DA JURISPRUDÊNCIA PELO CONSTITUINTE REFORMADOR OU PELO LEGISLADOR
ORDINÁRIO. POSSIBILIDADE DE AS INSTÂNCIAS POLÍTICAS AUTOCORRIGIREM-SE. NECESSIDADE DE A CORTE
ENFRENTAR A DISCUSSÃO JURÍDICA SUB JUDICE À LUZ DE NOVOS FUNDAMENTOS. PLURALISMO DOS
INTÉRPRETES DA LEI FUNDAMENTAL. DIREITO CONSTITUCIONAL FORA DAS CORTES. ESTÍMULO À
ADOÇÃO DE POSTURAS RESPONSÁVEIS PELOS LEGISLADORES. STANDARDS DE ATUAÇÃO DA CORTE.
EMENDAS CONSTITUCIONAIS DESAFIADORAS DA JURISPRUDÊNCIA RECLAMAM MAIOR DEFERÊNCIA POR
PARTE DO TRIBUNAL, PODENDO SER INVALIDADAS SOMENTE NAS HIPÓTESES DE ULTRAJE AOS LIMITES
INSCULPIDOS NO ART. 60, CRFB/88. LEIS ORDINÁRIAS QUE COLIDAM FRONTALMENTE COM A
JURISPRUDÊNCIA DA CORTE (LEIS IN YOUR FACE) NASCEM PRESUNÇÃO IURIS TANTUM DE
INCONSTITUCIONALIDADE, NOTADAMENTE QUANDO A DECISÃO ANCORAR-SE EM CLÁUSULAS
SUPERCONSTITUCIONAIS (CLÁUSULAS PÉTREAS). ESCRUTÍNIO MAIS RIGOROSO DE CONSTITUCIONALIDADE.
ÔNUS IMPOSTO AO LEGISLADOR PARA DEMONSTRAR A NECESSIDADE DE CORREÇÃO DO PRECEDENTE OU QUE OS
PRESSUPOSTOS FÁTICOS E AXIOLÓGICOS QUE LASTREARAM O POSICIONAMENTO NÃO MAIS SUBSISTEM
(HIPÓTESE DE MUTAÇÃO CONSTITUCIONAL PELA VIA LEGISLATIVA). 1. O hodierno marco teórico dos diálogos
constitucionais repudia a adoção de concepções juriscêntricas no campo da hermenêutica constitucional, na medida em que preconiza,
descritiva e normativamente, a inexistência de instituição detentora do monopólio do sentido e do alcance das disposições magnas, além de
atrair a gramática constitucional para outros fóruns de discussão, que não as Cortes.2. O princípio fundamental da separação de
poderes, enquanto cânone constitucional interpretativo, reclama a pluralização dos intérpretes da Constituição, mediante a atuação
coordenada entre os poderes estatais – Legislativo, Executivo e Judiciário – e os diversos segmentos da sociedade civil organizada,
em um processo contínuo, ininterrupto e republicano, em que cada um destes players contribua, com suas capacidades específicas,
no embate dialógico, no afã de avançar os rumos da empreitada constitucional e no aperfeiçoamento das instituições democráticas,
sem se arvorarem como intérpretes únicos e exclusivos da Carta da República.3. O desenho institucional erigido pelo constituinte de
1988, mercê de outorgar à Suprema Corte a tarefa da guarda precípua da Lei Fundamental, não erigiu um sistema de supremacia
judicial em sentido material (ou definitiva), de maneira que seus pronunciamentos judiciais devem ser compreendidos como última
palavra provisória, vinculando formalmente as partes do processo e finalizando uma rodada deliberativa acerca da temática, sem,
em consequência, fossilizar o conteúdo constitucional.4. Os efeitos vinculantes, ínsitos às decisões proferidas em sede de
fiscalização abstrata de constitucionalidade, não atingem o Poder Legislativo, ex vi do art. 102, § 2º, e art. 103-A, ambos da Carta da
República. 5. Consectariamente, a reversão legislativa da jurisprudência da Corte se revela legítima em linha de princípio, seja pela
atuação do constituinte reformador (i.e., promulgação de emendas constitucionais), seja por inovação do legislador
infraconstitucional (i.e., edição de leis ordinárias e complementares), circunstância que demanda providências distintas por parte
deste Supremo Tribunal Federal.5.1. A emenda constitucional corretiva da jurisprudência modifica formalmente o texto magno, bem
como o fundamento de validade último da legislação ordinária, razão pela qual a sua invalidação deve ocorrer nas hipóteses de
descumprimento do art. 60 da CRFB/88 (i.e., limites formais, circunstanciais, temporais e materiais), encampando, neste particular,
exegese estrita das cláusulas superconstitucionais.5.2. A legislação infraconstitucional que colida frontalmente com a jurisprudência
(leis in your face) nasce com presunção iuris tantum de inconstitucionalidade, de forma que caberá ao legislador ordinário o ônus de
demonstrar, argumentativamente, que a correção do precedente faz-se necessária, ou, ainda, comprovar, lançando mão de novos
argumentos, que as premissas fáticas e axiológicas sobre as quais se fundou o posicionamento jurisprudencial não mais subsistem,
em exemplo acadêmico de mutação constitucional pela via legislativa. Nesse caso, a novel legislação se submete a um escrutínio de
constitucionalidade mais rigoroso, nomeadamente quando o precedente superado amparar-se em cláusulas pétreas.6. O dever de
fundamentação das decisões judicial, inserto no art. 93 IX, da Constituição, impõe que o Supremo Tribunal Federal enfrente
novamente a questão de fundo anteriormente equacionada sempre que o legislador lançar mão de novos fundamentos.7. O
Congresso Nacional, no caso sub examine, ao editar a Lei nº 12.875/2013, não apresentou, em suas justificações, qualquer
argumentação idônea a superar os fundamentos assentados pelo Supremo Tribunal Federal, no julgamento das ADIs nº 4430 e nº
4795, rel. Min. Dias Toffoli, em que restou consignado que o art. 17 da Constituição de 1988 – que consagra o direito político
fundamental da liberdade de criação de partidos – tutela, de igual modo, as agremiações que tenham representação no Congresso
Nacional, sendo irrelevante perquirir se esta representatividade resulta, ou não, da criação de nova legenda no curso da legislatura.8.
A criação de novos partidos, como hipótese caracterizadora de justa causa para as migrações partidárias, somada ao direito
constitucional de livre criação de novas legendas, impõe a conclusão inescapável de que é defeso privar as prerrogativas inerentes à
representatividade política do parlamentar trânsfuga.9. No caso sub examine, a justificação do projeto de lei limitou-se a afirmar, em

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termos genéricos, que a regulamentação da matéria, excluindo dos partidos criados o direito de antena e o fundo partidário,
fortaleceria as agremiações partidárias, sem enfrentar os densos fundamentos aduzidos pelo voto do relator e corroborado pelo
Plenário.10. A postura particularista do Supremo Tribunal Federal, no exercício da judicial review, é medida que se impõe nas
hipóteses de salvaguarda das condições de funcionamento das instituições democráticas, de sorte (i) a corrigir as patologias que
desvirtuem o sistema representativo, máxime quando obstruam as vias de expressão e os canais de participação política, e (ii) a
proteger os interesses e direitos dos grupos políticos minoritários, cujas demandas dificilmente encontram eco nas deliberações
majoritárias.11. In casu, é inobjetável que, com as restrições previstas na Lei nº 12.875/2013, há uma tentativa obtusa de inviabilizar
o funcionamento e o desenvolvimento das novas agremiações, sob o rótulo falacioso de fortalecer os partidos políticos. Uma coisa é
criar mecanismos mais rigorosos de criação, fusão e incorporação dos partidos, o que, a meu juízo, encontra assento constitucional.
Algo bastante distinto é, uma vez criadas as legendas, formular mecanismos normativos que dificultem seu funcionamento, o que
não encontra guarida na Lei Maior. Justamente por isso, torna-se legítima a atuação do Supremo Tribunal Federal, no intuito de
impedir a obstrução dos canais de participação política e, por via de consequência, fiscalizar os pressupostos ao adequado
funcionamento da democracia.12. Ação direta de inconstitucionalidade julgada procedente para declarar a inconstitucionalidade dos
arts. 1º e 2º, da Lei nº 12.875/2013.
*noticiado no Informativo 801
AG. REG. NO ARE N. 927.930-DF
RELATORA: MIN. ROSA WEBER
EMENTA: DIREITO ELEITORAL. CAMPANHA ELEITORAL. DOAÇÃO DE RECURSOS ACIMA DO LIMITE LEGAL.
MULTA. LEI Nº 9.504/97. MODIFICAÇÃO SUPERVENIENTE DA COMPETÊNCIA. NULIDADE DOS ATOS PRATICADOS.
INOCORRÊNCIA. ALEGAÇÃO DE AFRONTA AOS PRINCÍPIOS DA LEGALIDADE, RAZOABILIDADE,
PROPORCIONALIDADE E DO DEVIDO PROCESSO LEGAL. ANÁLISE DE NORMAS INFRACONSTITUCIONAIS.
REELABORAÇÃO DA MOLDURA FÁTICA. PROCEDIMENTO VEDADO NA INSTÂNCIA EXTRAORDINÁRIA.
EVENTUAL OFENSA REFLEXA NÃO VIABILIZA O MANEJO DO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. ART. 102 DA LEI
MAIOR. ACÓRDÃO RECORRIDO PUBLICADO EM 10.6.2015.
1. A controvérsia, a teor do já asseverado na decisão guerreada, não alcança estatura constitucional. Não há falar em afronta aos
preceitos constitucionais indicados nas razões recursais. Compreender de modo diverso exigiria a análise da legislação
infraconstitucional encampada na decisão da Corte de origem, a tornar oblíqua e reflexa eventual ofensa, insuscetível, como tal, de
viabilizar o conhecimento do recurso extraordinário. Desatendida a exigência do art. 102, III, “a”, da Lei Maior, nos termos da
remansosa jurisprudência desta Suprema Corte.
2. O entendimento adotado pela Corte de origem, nos moldes do assinalado na decisão agravada, não diverge da jurisprudência
firmada no âmbito deste Supremo Tribunal Federal, no sentido de que a modificação superveniente de competência não acarreta a
nulidade dos atos praticados pelo Ministério Público perante o juízo então competente.
3. As razões do agravo regimental não se mostram aptas a infirmar os fundamentos que lastrearam a decisão agravada.
4. Agravo regimental conhecido e não provido.
HC N. 129.351-SP
RELATORA: MIN. ROSA WEBER
EMENTA: HABEAS CORPUS. PROCESSUAL PENAL. SÚMULA 691/STF. AFASTAMENTO. TRÁFICO DE
ENTORPECENTES E ASSOCIAÇÃO PARA O TRÁFICO. ARTIGOS 33 E 35 DA LEI 11.343/2006. PRISÃO
PREVENTIVA. FUNDAMENTAÇÃO INIDÔNEA. MOTIVAÇÃO GENÉRICA E ABSTRATA. CONCESSÃO DA
ORDEM. ARTIGO 580 DO CÓDIGO DE PROCESSO PENAL.
1. Em casos excepcionais, viável a superação do óbice da Súmula 691 desta Suprema Corte. Precedentes.
2. O decreto de prisão cautelar há de se apoiar nas circunstâncias fáticas do caso concreto, evidenciando que a soltura ou a
manutenção em liberdade do agente implicará risco à ordem pública, à ordem econômica, à instrução criminal ou à aplicação da lei
penal (CPP, art. 312).
3. A motivação genérica e abstrata, sem elementos concretos ou base empírica idônea a amparar o decreto prisional, esbarra na
jurisprudência consolidada deste Supremo Tribunal Federal, que não lhe reconhece validade. Precedentes.
4. Identidade de situações entre o paciente e os corréus enseja, na hipótese, a aplicação do art. 580 do Código de Processo Penal - “ No
concurso de agentes (Código Penal, art. 25), a decisão do recurso interposto por um dos réus, se fundado em motivos que não sejam de
caráter exclusivamente pessoal, aproveitará outros”.
5. Ordem de habeas corpus concedida para, tornando definitiva a liminar anteriormente deferida, revogar a prisão preventiva do
paciente, sem prejuízo da imposição, pelo magistrado de primeiro grau, se assim o entender, das medidas cautelares ao feitio legal,
estendendo os efeitos desta decisão aos demais corréus.
AG. REG. NA Rcl N. 21.649-SP
RELATOR: MIN. DIAS TOFFOLI
EMENTA: Agravo regimental na reclamação. Ausência de impugnação dos fundamentos da decisão agravada, o que
acarreta o não conhecimento do recurso, na linha de precedentes. Não conhecimento do agravo regimental. Pretendida
concessão de habeas corpus de ofício. Ilegalidade flagrante demonstrada nos autos. Tráfico de drogas (art. 33 da Lei nº
11343/06). Condenação com pena inferior a oito (8) anos de reclusão. Regime inicial fechado. Imposição com fundamento no
art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90 - cuja inconstitucionalidade foi reconhecida pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal - e na
gravidade em abstrato do delito. Inadmissibilidade a teor das Súmulas 718 e 719 da Corte. Ordem concedida de ofício.
1. A jurisprudência do Supremo Tribunal é firme no sentido de que, na petição de agravo regimental, a parte, sob pena de não
conhecimento do recurso, deve impugnar todos os fundamentos da decisão que pretende infirmar.
2. Agravo regimental do qual não se conhece.
3. O caso recomenda a concessão de habeas corpus de ofício, pois, não obstante se trate de condenação por tráfico de drogas a pena
inferior a 8 (oito) anos, o regime inicial fechado foi fixado com fundamento no art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90, cuja
inconstitucionalidade foi reconhecida pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal (HC nº 111.840/ES, de minha relatoria, DJe
17/12/12) e na gravidade em abstrato do delito, o que não é admitido pela Corte, a teor das Súmulas nºs 718 e 719 do Supremo
Tribunal Federal.
4. Habeas corpus concedido de ofício para determinar ao Juízo de Direito da Vara Única da Comarca de Bilac/SP que fixe, de
forma fundamentada, nos termos do art. 33, §§ 2º e 3º, do Código Penal, o regime inicial condizente de cumprimento da pena.
AG. REG. NO HC N. 132.864-PR
RELATOR: MIN. DIAS TOFFOLI
EMENTA: Agravo regimental no habeas corpus. Crime de extorsão (CP, art. 158, § 1º). Alegada inexistência de nexo causal
entre a conduta do agravante e o fato delituoso. Questão não analisada pelo Superior Tribunal de Justiça. Inadmissível

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supressão de instância. Impetração manejada contra os pressupostos de admissibilidade de recurso especial. Impropriedade
do habeas corpus para essa finalidade. Precedentes. Regimental não provido.
1. A tese trazida pelo agravante à apreciação da Corte não foi analisada pelo Superior Tribunal de Justiça. Logo, sua análise, de
forma originária, pelo Supremo Tribunal, configuraria verdadeira supressão de instância, a qual não se admite.
2. É firme a jurisprudência da Corte no sentido de que não se revela admissível “a ação de habeas corpus, quando se pretende
discutir os pressupostos de admissibilidade de recurso interposto perante o E. Superior Tribunal de Justiça” (HC nº 115.573/SP,
decisão monocrática, Relator o Ministro Celso de Mello, DJe 23/11/12).
3. Agravo regimental ao qual se nega provimento.
AG. REG. NO RE N. 926.660-DF
RELATOR: MIN. DIAS TOFFOLI
EMENTA: Agravo regimental no recurso extraordinário. Fundamentos da decisão agravada não impugnados nas razões do
agravo regimental. Administrativo. Concurso público. Decreto Distrital 21.688/2000. Legislação local. Ofensa reflexa.
Reexame de fatos e provas e de cláusulas editalícias. Impossibilidade. Precedentes.
1. A jurisprudência do Supremo Tribunal é firme no sentido de que a parte deve impugnar, na petição de agravo regimental, todos
os fundamentos da decisão agravada.
2. Inadmissível, em recurso extraordinário, a análise da legislação infraconstitucional, o reexame dos fatos e das provas dos autos e
a interpretação das cláusulas editalícias. Incidência das Súmulas nºs 280, 279 e 454/STF.
3. Agravo regimental do qual não se conhece.
Acórdãos Publicados: 453

TRANSCRIÇÕES
Com a finalidade de proporcionar aos leitores do INFORMATIVO STF uma compreensão
mais aprofundada do pensamento do Tribunal, divulgamos neste espaço trechos de decisões que
tenham despertado ou possam despertar de modo especial o interesse da comunidade jurídica.

Senador da República - Cassação de Mandato - Controle Jurisdicional - Limites (Transcrições)


MS 34064 MC/DF*
RELATOR: Ministro Celso de Mello
DECISÃO: Trata-se de mandado de segurança, com pedido de medida liminar, impetrado contra “atos do Presidente e do
Relator” do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do Senado Federal, alegadamente praticados no âmbito da Representação nº
01/2015, sustentando o ora impetrante que as autoridades apontadas como coatoras teriam incidido em comportamentos
vulneradores de seu direito líquido e certo à plenitude de defesa e à garantia do contraditório.
O ora impetrante, que é Senador da República, busca, em sede cautelar,” seja suspenso o processo decorrente da
Representação nº 01, de 2015, em trâmite perante o Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do Senado Federal”, apoiando a sua
pretensão mandamental na ocorrência de situações que por ele foram assim resumidas:
“(a) o indeferimento do pedido de conversão do feito em diligência para encaminhamento da Representação à
Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania;
(b) a suspeição do relator, que extrapolou os limites da crítica comedida, para lançar (pré)juízos de (des)valor
meritórios e contra a honra do Impetrante; e
(c) o indevido andamento da representação contra parlamentar que se encontra em licença para tratamento de
saúde.” (grifei)
Sendo esse o contexto, passo a examinar o pleito cautelar deduzido pelo impetrante na presente causa mandamental. E, ao
fazê-lo, entendo necessário estabelecer algumas premissas que reputo indispensáveis ao conhecimento da ação mandamental por
esta Suprema Corte, notadamente aquela que confere legitimidade ao conhecimento judicial da controvérsia, não obstante
impregnada de elevado coeficiente político, mas inquestionavelmente revestida, de outro lado e ao menos em parte, de irrecusável
dimensão jurídico-constitucional.
Não se desconhece, na linha do longo itinerário histórico percorrido pela jurisprudência do Supremo Tribunal Federal
(desde 1898, ao menos), que a existência de controvérsia jurídica de índole constitucional legitima, por si só, o exercício, por esta
Suprema Corte, de sua atividade de controle, que se revela ínsita ao âmbito de competência que a própria Carta Política lhe
outorgou.
Com efeito, tem-se por legitimamente instaurada a competência do Supremo Tribunal Federal, ainda que se trate de
procedimentos e deliberações parlamentares, toda vez que se imputar às Casas ou Comissões do Congresso Nacional a prática de
atos ofensivos à Constituição, notadamente a direitos e garantias fundamentais.
Cabe observar, por isso mesmo, que o exame da postulação deduzida na presente sede processual justifica – na estrita
perspectiva do princípio da separação de poderes – algumas observações em torno de relevantíssimas questões pertinentes ao
controle jurisdicional do poder político, de um lado, e às implicações jurídico-institucionais, de outro, que necessariamente
decorrem do exercício do “judicial review”.
É antiga, porém ainda revestida de inegável atualidade, a advertência de RUI BARBOSA, para quem “A violação de
garantias individuais perpetrada à sombra de funções políticas não é imune à ação dos Tribunais” (grifei).
É por esse motivo que a questão deixa de ser política, quando há um direito subjetivo ou um princípio constitucional a ser
amparado, tal como decidiu a Suprema Corte dos Estados Unidos da América no caso Baker v. Carr (1962), em julgamento no
qual esse Alto Tribunal, fazendo prevalecer o postulado “one man, one vote” e afastando, por isso mesmo, a invocação da
doutrina da questão política, entendeu que o tema da reformulação legislativa dos distritos eleitorais (“legislative redistricting”)
mostrava-se impregnado, em razão de sua própria natureza, de “justiciable questions”, reconhecendo, portanto, a possibilidade
de “federal courts to intervene and to decide redistricting cases”.

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Vê-se, desse modo, que a natureza de que se reveste a controvérsia ora em exame torna legítima a intervenção
jurisdicional desta Corte Suprema, pois o “thema decidendum” concerne à alegação de ofensa a preceitos da Constituição, o que
basta, por si só, para autorizar o conhecimento da matéria pelo Poder Judiciário.
Isso significa reconhecer que a prática do “judicial review” – ao contrário do que muitos erroneamente supõem e afirmam
– não pode ser considerada um gesto de indevida interferência jurisdicional na esfera orgânica do Poder Legislativo.
A discrição dos corpos legislativos não se legitima quando exercida em desarmonia com os limites estabelecidos pelo
estatuto constitucional, eis que as atividades dos Poderes do Estado sofrem os rígidos condicionamentos que lhes impõe a
Constituição da República, especialmente nas hipóteses de inflição de sanção punitiva, ainda que de índole política, como a
decretação da perda do mandato parlamentar.
Não custa rememorar, neste ponto, que tal entendimento – plenamente legitimado pelos princípios que informam o
Estado Democrático de Direito e que regem, em nosso sistema institucional, as relações entre os Poderes da República – nada
mais representa senão um expressivo reflexo histórico da prática jurisprudencial do SupremoTribunal Federal inaugurada no
curso da primeira década republicana (RTJ 142/88-89 – RTJ 167/792-793 – RTJ 175/253 – RTJ 176/718, v.g.).
É imperioso assinalar, portanto, em face da alta missão de que se acha investido o Supremo Tribunal Federal, que os
desvios jurídico-constitucionais eventualmente praticados pelas Casas legislativas – mesmo quando surgidos no contexto de
processos políticos – não se mostram imunes à fiscalização judicial desta Suprema Corte, como se a autoridade e a força
normativa da Constituição e das leis da República pudessem, absurdamente, ser neutralizadas por estatutos meramente
regimentais ou pelo suposto caráter “interna corporis” do ato transgressor de direitos e garantias assegurados pela própria Lei
Fundamental do Estado.
Irrecusável, desse modo, que a índole política dos atos parlamentares não basta, só por si, para subtraí-los à esfera de
controle jurisdicional, eis que sempre caberá a esta Suprema Corte, mediante formal provocação da parte lesada, o exercício da
jurisdição constitucional, que lhe é inerente, nos casos em que se alegue ofensa, atual ou iminente, a um direito individual, pois
nenhum Poder da República tem legitimidade para desrespeitar a Constituição ou para ferir direitos públicos e privados de seus
cidadãos.
Vislumbrando, assim, ainda que em exame superficial, a possibilidade de cognição da matéria por esta Corte, analiso a
plausibilidade jurídica da pretensão cautelar deduzida pelo ora impetrante.
Alega-se que o Senhor Presidente do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar teria transgredido normas regimentais que
regem o processo de cassação de mandato legislativo, pelo fato de haver admitido a apresentação do relatório preliminar ao
Conselho que dirige, sem que a representação formulada contra o ora impetrante tivesse sido previamente encaminhada – como
ora sustentado neste “writ” –, à Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania, nos termos do art. 32, § 4º, do Regimento Interno
do Senado Federal (Resolução nº 93/1970).
O ilustre Senhor Presidente do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do Senado Federal, ao indeferir o pedido de prévia
audiência da CCJ, assim fundamentou a sua deliberação:
“Foi protocolizada na Secretaria do Conselho, nesta data, petição dos Advogados do Representado solicitando a
suspensão da leitura do relatório preliminar nesta reunião, a fim de que a Representação nº 1, de 2015, seja encaminhada
à Comissão de Constituição e Justiça e Cidadania.
Conforme expressamente estabelecido no art. 17-O, § 2º, do Regimento Interno deste Conselho, em caso de pena
de perda do mandato, ao final do processo no Conselho de Ética, ou seja, após a aprovação do Relatório Final da
Representação, é que será encaminhado o parecer à Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania – CCJ, para análise
dos aspectos constitucional, legal e jurídico.
Nestes termos, indefiro o pedido protocolado pela defesa do Representado, por ser intempestiva nesta fase
preliminar.” (grifei)
O exame do contexto ora referido evidencia que a análise desse específico ponto da controvérsia envolve a indagação em
torno de critérios interpretativos concernentes a preceitos regimentais orientadores de deliberações de órgãos congressuais.
Devo assinalar, no ponto, que o Supremo Tribunal Federal, em casos assemelhados ao que ora se analisa, não tem
conhecido das ações mandamentais, por entender que os atos emanados dos órgãos de direção das Casas e das Comissões do
Congresso Nacional, quando praticados nos estritos limites da competência da autoridade apontada como coatora e desde que
apoiados em fundamentos exclusivamente regimentais, sem qualquer conotação de índole jurídico-constitucional, revelam-se
imunes ao “judicial review”, pois – não custa enfatizar – a interpretação incidente sobre normas de índole meramente regimental,
por qualificar-se como típica matéria “interna corporis”, suscita questão que se deve resolver, “exclusivamente, no âmbito do
Poder Legislativo, sendo vedada sua apreciação pelo Judiciário” (RTJ 102/27 – RTJ 112/598 – RTJ 168/443-444, v.g.):
“Agravo regimental. Mandado de segurança. Questão ‘interna corporis’. Atos do Poder Legislativo. Controle
judicial. Precedente da Suprema Corte.
1. A sistemática interna dos procedimentos da Presidência da Câmara dos Deputados para processar os recursos
dirigidos ao Plenário daquela Casa não é passível de questionamento perante o Poder Judiciário, inexistente qualquer
violação da disciplina constitucional.
2. Agravo regimental desprovido.”
(MS 25.588-AgR/DF, Rel. Min. MENEZES DIREITO – grifei)
“Agravo Regimental em Mandado de Segurança. (…).4. A interpretação e a aplicação do Regimento Interno da
Câmara dos Deputados constituem matéria ‘interna corporis’, insuscetível de apreciação pelo Poder Judiciário. 5. Agravo
regimental improvido.”
(MS 26.062-AgR/DF, Rel. Min. GILMAR MENDES – grifei)
A invocação de mencionados precedentes, de um lado, e o contexto revelador da existência de dissídio interpretativo em
torno do sentido e do alcance de preceitos meramente regimentais, de outro, descaracterizam, ao menos nesta fase introdutória do
processo mandamental, a plausibilidade jurídica que necessariamente deve estar presente no exame da postulação cautelar, ainda
mais se se tiver em consideração o fato de que se acha excluída da esfera de competência do Poder Judiciário a possibilidade de
revisão de atos “interna corporis”, como se qualificam aqueles que se cingem, p. ex., à interpretação e à aplicação de normas
regimentais.
Esse entendimento que ora é exposto em juízo de sumária cognição apoia-se na circunstância de que é inviável a crítica
judiciária dirigida a regras de índole regimental ou à exegese de seu conteúdo normativo, que se mostram imunes à atuação
corretiva do Poder Judiciário, constitucionalmente proibido de interferir na intimidade dos demais Poderes da República no que
concerne aos respectivos atos “interna corporis”, especialmente quando o objeto da impugnação mandamental recair sobre atos
que traduzem, bem ou mal, mera aplicação hermenêutica de critérios regimentais:

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“MANDADO DE SEGURANÇA. DENÚNCIA CONTRA A PRESIDENTE DA REPÚBLICA. (…). NEGATIVA DE
SEGUIMENTO POR PARTE DO PRESIDENTE DA CÂMARA DOS DEPUTADOS. (…). A QUESTÃO DO ‘JUDICIAL
REVIEW’ E O PRINCÍPIO DA SEPARAÇÃO DE PODERES. ATOS ‘INTERNA CORPORIS’ E DISCUSSÕES DE
NATUREZA REGIMENTAL: APRECIAÇÃO VEDADA AO PODER JUDICIÁRIO, POR TRATAR-SE DE TEMA QUE
DEVE SER RESOLVIDO NA ESFERA DE ATUAÇÃO DO PRÓPRIO CONGRESSO NACIONAL OU DAS CASAS
LEGISLATIVAS QUE O COMPÕEM. PRECEDENTES. MANDADO DE SEGURANÇA NÃO CONHECIDO.”
(MS 33.558-MC/DF, Rel. Min. CELSO DE MELLO)
Não custa rememorar, por oportuno, que desvios exclusivamente regimentais, como aqueles resultantes de interpretações
antagônicas motivadas por critérios hermenêuticos díspares, por refletirem tema subsumível à noção de atos “interna corporis”,
que não ultrapassam, por isso mesmo, o plano da estrita regimentalidade, acham-se excluídos, por efeito de sua natureza mesma,
do âmbito do controle jurisdicional, como reiteradamente tem decidido esta Suprema Corte (MS 22.494/DF, Rel. Min.
MAURÍCIO CORRÊA – MS 22.503/DF, Red. p/ o acórdão Min. MAURÍCIO CORRÊA – MS 23.920-MC/DF, Rel. Min. CELSO
DE MELLO, v.g.):
“MANDADO DE SEGURANÇA.
PROCESSO LEGISLATIVO NO CONGRESSO NACIONAL.
‘INTERNA CORPORIS’.
Matéria relativa à interpretação, pelo Presidente do Congresso Nacional, de normas de regimento legislativo é
imune a crítica judiciária, circunscrevendo-se no domínio ‘interna corporis’.
Pedido de segurança não conhecido.”
(MS 20.471/DF, Rel. Min. FRANCISCO REZEK – grifei)
“Mandado de segurança que visa a compelir a Presidência da Câmara dos Deputados a acolher requerimento de
urgência-urgentíssima para discussão e votação imediata de projeto de resolução de autoria do impetrante.
– Em questões análogas à presente, esta Corte (assim nos MS 20.247 e 20.471) não tem admitido mandado de
segurança contra atos do Presidente das Casas Legislativas, com base em regimento interno delas, na condução do
processo de feitura de leis.
Mandado de segurança indeferido.”
(MS 21.374/DF, Rel. Min. MOREIRA ALVES – grifei)
“8. Não cabe, no âmbito do mandado de segurança, também discutir deliberação ‘interna corporis’ da Casa
Legislativa. Escapa ao controle do Judiciário, no que concerne a seu mérito, juízo sobre fatos que se reserva,
privativamente, à Casa do Congresso Nacional formulá-lo. 9. Mandado de segurança indeferido.”
(MS 23.388/DF, Rel. Min. NÉRI DA SILVEIRA – grifei)
“CONSTITUCIONAL. MANDADO DE SEGURANÇA. ATOS DO PODER LEGISLATIVO: CONTROLE
JUDICIAL. ATO ‘INTERNA CORPORIS’: MATÉRIA REGIMENTAL.
I. – Se a controvérsia é puramente regimental, resultante de interpretação de normas regimentais, trata-se de ato
‘interna corporis’, imune ao controle judicial, mesmo porque não há alegação de ofensa a direito subjetivo.
II. – Mandado de Segurança não conhecido.”
(MS 24.356/DF, Rel. Min. CARLOS VELLOSO – grifei)
Essa delimitação temática, portanto, inibe a possibilidade de intervenção jurisdicional dos magistrados e Tribunais na
indagação dos critérios interpretativos dos preceitos regimentais orientadores de deliberações emanadas dos órgãos das Casas do
Congresso Nacional, sob pena de desrespeito ao postulado consagrador da divisão funcional do poder.
Tratando-se, pois, de matéria sujeita à exclusiva esfera da interpretação regimental, não haverá como incidir a “judicial
review”, eis que – tal como proclamado pelo Supremo Tribunal Federal – a exegese “de normas de regimento legislativo é imune à
crítica judiciária, circunscrevendo-se no domínio ‘interna corporis’” (RTJ 112/1023, Rel. Min. FRANCISCO REZEK – grifei).
As questões “interna corporis” excluem-se, por tal motivo, em atenção ao princípio da divisão funcional do poder – que
constitui expressão de uma das decisões políticas fundamentais consagradas pela Carta da República –, da possibilidade de
controle jurisdicional, devendo resolver-se, exclusivamente, na esfera de atuação da própria instituição legislativa.
A jurisprudência constitucional do Supremo Tribunal Federal, bem por isso, tem reafirmado essa orientação em
sucessivos pronunciamentos, nos quais ficou assentado que, tratando-se de questão “interna corporis”, deve ela ser resolvida,
com exclusividade, “(...) no âmbito do Poder Legislativo, sendo vedada sua apreciação pelo Judiciário” (RTJ 102/27, Rel. Min.
MOREIRA ALVES – grifei).
Em uma palavra: a interpretação de normas de índole meramente regimental (como aquelas concernentes ao art. 32, § 4º,
do Regimento Interno do Senado Federal e ao art. 17-O, § 2º, do Regimento Interno do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar)
suscita questão que se deve resolver, “exclusivamente, no âmbito do Poder Legislativo, sendo vedada sua apreciação pelo
Judiciário” (RTJ 102/27), circunstância essa – como anteriormente ressaltado – que descaracteriza a plausibilidade jurídica da
postulação cautelar do ora impetrante.
O segundo fundamento em que se apoia o pleito mandamental consiste na alegada suspeição do Relator, Senador
Telmário Mota, que teria – segundo sustenta o autor deste “writ” constitucional – ultrapassado “os limites da crítica comedida,
para lançar (pré)juízos de (des)valor meritórios e contra a honra do Impetrante”.
Parece-me, sempre em sede de estrita delibação, que não se revestiria de plausibilidade jurídica a alegada suspeição do
Senhor Relator do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do Senado Federal.
É que o próprio Regimento Interno do Senado Federal somente prevê uma única hipótese de suspeição de Senador,
estabelecendo, a esse respeito, em seu art. 306, que a incompatibilidade desse integrante da Câmara Alta para votar dar-se-á
“quando se tratar de assunto em que tenha interesse pessoal”.
Por tratar-se de matéria de direito estrito, considerados os efeitos excludentes que resultam do reconhecimento de
suspeição/impedimento, não se pode admitir qualquer interpretação extensiva ou ampliativa da matéria.
Mesmo cuidando-se de procedimentos parlamentares de cassação de mandatos eletivos, inclusive do próprio Presidente da
República, revelam-se inaplicáveis as regras de impedimento/suspeição previstas na legislação processual, segundo advertem
eminentes doutrinadores, como CARLOS MAXIMILIANO, (“Comentários à Constituição Brasileira”, vol. II/113, nota de
rodapé, item n. 334, 5ª ed., 1954, Freitas Bastos), e enfatiza a jurisprudência do próprio Supremo Tribunal Federal.
Com efeito, o Supremo Tribunal Federal, no julgamento doMS 21.623/DF, Rel. Min. CARLOS VELLOSO, enfatizou que
os procedimentos de caráter político-administrativo (como o de cassação de mandato eletivo) revelam-se impregnados de forte
componente político, considerados os aspectos concernentes à natureza marcadamente político-ideológica de sua motivação e das

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próprias sanções que ensejam, inviabilizando-se, em consequência, em relação aos Senadores da República e aos Deputados
Federais, a aplicação subsidiária das regras de impedimento/suspeição previstas no direito processual comum:
“(...) VI – Impedimento e suspeição de Senadores: inocorrência. O Senado, posto investido da função e de julgar o
Presidente da República, não se transforma, às inteiras, num tribunal judiciário submetido às rígidas regras a que estão
sujeitos os órgãos do Poder Judiciário, já que o Senado é um órgão político. Quando a Câmara Legislativa – o Senado
Federal – se investe de ‘função judicialiforme’, a fim de processar e julgar a acusação, ela se submete, é certo, a regras
jurídicas, regras, entretanto, próprias, que o legislador previamente fixou e que compõem o processo político-penal. Regras
de impedimento: artigo 36 da Lei nº 1.079, de 1950. Impossibilidade de aplicação subsidiária, no ponto, dos motivos de
impedimento e suspeição do Cód. de Processo Penal, art. 252. Interpretação do artigo 36 em consonância com o artigo 63
ambos da Lei nº 1.079/50. Impossibilidade de emprestar-se interpretação extensiva ou compreensiva do art. 36, para fazer
compreendido, nas suas alíneas ‘a’ e ‘b’, o alegado impedimento dos Senadores.”
(MS 21.623/DF, Rel. Min. CARLOS VELLOSO – grifei)
Essa mesma orientação, por sua vez, veio a ser reafirmada pelo Plenário desta Suprema Corte no recentíssimo
julgamento da ADPF 378-MC/DF, em que este Tribunal assinalou, novamente, considerado o caráter político-administrativo que
caracteriza o processo de responsabilização política dos titulares de mandatos eletivos, não se aplicar aos congressistas as mesmas
causas de impedimento e/ou de suspeição disciplinadas pela legislação processual comum:
“(...) IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO SUBSIDIÁRIA DAS HIPÓTESES DE IMPEDIMENTO E
SUSPEIÇÃO AO PRESIDENTE DA CÂMARA (ITEM K DO PEDIDO CAUTELAR): Embora o art. 38 da Lei nº
1.079/1950 preveja a aplicação subsidiária do Código de Processo Penal no processo e julgamento do Presidente da
República por crime de responsabilidade, o art. 36 dessa Lei já cuida da matéria, conferindo tratamento especial, ainda
que de maneira distinta do CPP. Portanto, não há lacuna legal acerca das hipóteses de impedimento e suspeição dos
julgadores, que pudesse justificar a incidência subsidiária do Código. A diferença de disciplina se justifica, de todo modo,
pela distinção entre magistrados, dos quais se deve exigir plena imparcialidade, e parlamentares, que podem exercer suas
funções, inclusive de fiscalização e julgamento, com base em suas convicções político-partidárias, devendo buscar realizar
a vontade dos representados. Improcedência do pedido.”
(ADPF 378-MC/DF, Red. p/ o acórdão Min. ROBERTO BARROSO – grifei)
Não foi por outro motivo que o eminente Ministro ROBERTO BARROSO, em recentíssima decisão, indeferiu pedido de
medida liminar deduzido nos autos do MS 24.104-MC/DF, em cujo âmbito também se buscava a suspensão de procedimento
disciplinar instaurado perante o Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara dos Deputados, ressaltando, em seu douto
pronunciamento, com apoio nos precedentes que venho de referir, a inaplicabilidade das causas de impedimento e/ou de suspeição
previstas no ordenamento processual comum ao Presidente de referido órgão parlamentar, fazendo-o em decisão assim ementada:
“DIREITO CONSTITUCIONAL. MANDADO DE SEGURANÇA. MEDIDA LIMINAR. PROCESSO
DISCIPLINAR. ALEGAÇÃO DE IMPEDIMENTO DO PRESIDENTE DO CONSELHO DE ÉTICA. PEDIDO DE
SUSPENSÃO DO PROCESSO.
1. As regras de impedimento e suspeição constantes de códigos processuais não se aplicam subsidiariamente a
procedimentos de natureza política, que não são equiparáveis a processos judiciais ou administrativos comuns.
Precedentes.
2. Medida liminar indeferida.”
(MS 34.037-MC/DF, Rel. Min. ROBERTO BARROSO – grifei)
Vale referir, no ponto, que essa compreensão do tema tem o beneplácito, como já mencionado, de CARLOS
MAXIMILIANO (“Comentários à Constituição Brasileira”, vol. II/113, nota de rodapé, item n. 334, 5ª ed., 1954, Freitas Bastos),
para quem o nosso ordenamento positivo, em tema de procedimento parlamentar de cassação de mandato eletivo, “não autorizou
a excluir inimigos pessoais ou políticos” (grifei).
O terceiro fundamento em que se sustenta a presente impetração mandamental não parece revestir-se da necessária
plausibilidade jurídica, pois a regra inscrita no art. 56, II, da Constituição, não torna o congressista imune ao processo de cassação
de seu mandato parlamentar.
O que essa cláusula constitucional estabelece, isso sim, é a impossibilidade de a mera concessão de licença ao
parlamentar, por motivo de doença, erigir-se, ela própria, à condição geradora da perda do mandato legislativo.
Isso significa que o simples afastamento temporário das funções legislativas, por razão de saúde, não se revela motivo
bastante para justificar a imposição da sanção destitutória do mandato parlamentar, eis que inexistente, em tal hipótese qualquer
situação caracterizadora de transgressão às cláusulas constitucionais de incompatibilidade e de respeito ao decoro parlamentar.
Na realidade, o art. 56 da Lei Fundamental, tratando-se de licença-saúde concedida ao parlamentar, disciplina a situação
em que tal afastamento temporário pode, ou não, exceder a 120 dias, autorizando a convocação de suplente na hipótese “de
licença superior a 120 dias” (CF, art. 56, § 1º, “in fine”), sem que esse fato, por si só, possa justificar a decretação da perda do
mandato do congressista.
No caso ora em exame, a licença para tratamento de saúde concedida ao impetrante não o impediu de exercer, ainda que na
fase introdutória do procedimento instaurado perante o Conselho de Ética e Decoro Parlamentar, o direito de defesa, mesmo
porque não se lhe exigiu, até o presente momento, o comparecimento perante aquele órgão do Senado da República, circunstância
que afasta qualquer alegação de ofensa ao seu direito de presença.
É importante rememorar, neste ponto, que o deferimento da medida liminar, resultante do concreto exercício do poder
geral de cautela outorgado aos juízes e Tribunais, somente se justifica em face de situações que se ajustem aos pressupostos
referidos no art. 7º, III, daLei nº 12.016/2009: a existência de plausibilidade jurídica (“fumus boni juris”), de um lado, e a
possibilidade de lesão irreparável ou de difícil reparação (“periculum in mora”), de outro.
Sem que concorram esses dois requisitos – que são necessários, essenciais e cumulativos –, não se legitima a concessão
da medida liminar, consoante enfatiza a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal:
“Mandado de segurança. Liminar. Embora esta medida tenha caráter cautelar, os motivos para a sua concessão
estão especificados no art. 7º, II, da Lei nº 1.533/51, a saber: a) relevância do fundamento da impetração; b) que do ato
impugnado possa resultar a ineficácia da medida, caso seja deferida a segurança.
Não concorrendo estes dois requisitos, deve ser denegada a liminar.”
(RTJ 112/140, Rel. Min. ALFREDO BUZAID – grifei)

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Impende advertir, ainda, que o reconhecimento de situação configuradora de “periculum in mora” sujeita-se à
constatação de que, não sustado o ato impugnado, dele venha a “resultar a ineficácia da medida, caso seja finalmente deferida”
(Lei nº 12.016/2009, art. 7º, inciso III – grifei).
Com efeito, a concessão de medida liminar em sede mandamental depende, como previamente salientado, da cumulativa
satisfação de dois requisitos fundamentais: (a) a plausibilidade jurídica da postulação deduzida pelo impetrante e (b) a ocorrência
de situação configuradora de “periculum in mora”, desde que, neste caso, evidencie-se hipótese de irreparabilidade do dano.
Na realidade, a própria Lei nº 12.016/2009, que disciplina o processo de mandado de segurança, prescreve que a outorga
de referido provimento cautelar está sujeita à relevância do fundamento jurídico e ao reconhecimento de que do ato impugnado
possa resultar “a ineficácia da medida, caso seja finalmente deferida” (art. 7º, inciso III).
É por essa razão que LÚCIA VALLE FIGUEIREDO (“Mandado de Segurança”, p. 141, item n. 5.4.3, 6ª ed., 2009,
Malheiros) adverte que, para efeito de concessão da medida liminar, a ineficácia há de significar”a possibilidade de a decisão de
mérito, no mandado de segurança, quedar-se inócua”.
Constata-se, pois, como salientam HELY LOPES MEIRELLES, ARNOLDO WALD e GILMAR FERREIRA MENDES
(“Mandado de Segurança e Ações Constitucionais”, com atualização de Rodrigo Garcia da Fonseca, p. 93, item n. 12, 35ª ed.,
2013, Malheiros), que esse provimento de urgência legitimar-se-á, nos termos da legislação vigente, “quando houver fundamento
relevante” e, também, se “do ato impugnado puder resultar a ineficácia da medida, caso seja finalmente deferida”, por revelarem-se tais
requisitos indissociáveis da outorga da cautelar mandamental.
Isso significa, portanto, que, inexistente risco de irreversibilidade, a medida liminar não se justificará, pois – tal como
sucede na espécie – a alegada situação de dano potencial restará descaracterizada e totalmente afastada, se, ao final, vier a ser
concedido o “writ” mandamental.
Esse entendimento – que exige, além dos requisitos pertinentes ao “fumus boni juris” e ao “periculum in mora”, também a
ocorrência de irreversibilidade do dano receado pela parte impetrante, em condições tais que tornem ineficaz a eventual concessão
da ordem mandamental – encontra apoio em autorizado magistério doutrinário (CASSIO SCARPINELLA BUENO, “Liminar em
Mandado de Segurança”, p. 119/124, item n. 1.2, 2ª ed., 1999, RT; CARLOS ALBERTO MENEZES DIREITO, “ Manual do
Mandado de Segurança”, p. 116, 3ª ed., 1999, Renovar; SERGIO FERRAZ, “Mandado de Segurança, p. 247/248, item n. 23.1,
2006, Malheiros, v.g.).
No caso em exame, a eventual concessão do presente mandado de segurança não implicará frustração do provimento
jurisdicional, se este vier a ser deferido.
Sendo assim, em juízo de estrita delibação, e sem prejuízo de ulterior reexame da pretensão mandamental deduzida na
presente sede processual, indefiro o pedido de medida liminar.
Publique-se.
Brasília, 16 de março de 2016 (01h55).

Ministro CELSO DE MELLO


*decisão publicada no DJe de 18.3.2016

INOVAÇÕES LEGISLATIVAS
14 a 18 de março de 2016

Lei nº 13.259, de 16.3.2016 - Altera as Leis nos 8.981, de 20 de janeiro de 1995, para dispor acerca
da incidência de imposto sobre a renda na hipótese de ganho de capital em decorrência da alienação de
bens e direitos de qualquer natureza, e 12.973, de 13 de maio de 2014, para possibilitar opção de
tributação de empresas coligadas no exterior na forma de empresas controladas; e regulamenta o inciso XI
do art. 156 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional. Publicada no DOU,
Seção 1, Edição Extra no 52, p. 1, em 17.3.2016.
Lei nº 13.260, de 16.3.2016 - Regulamenta o disposto no inciso XLIII do art. 5 o da Constituição
Federal, disciplinando o terrorismo, tratando de disposições investigatórias e processuais e reformulando
o conceito de organização terrorista; e altera as Leis n os 7.960, de 21 de dezembro de 1989, e 12.850, de 2
de agosto de 2013. Publicada no DOU, Seção 1, Edição Extra no 52, p. 1, em 17.3.2016.
Medida Provisória nº 718, de 16.3.2016 - Altera a Lei no 9.615, de 24 de março de 1998, que
institui normas gerais sobre desporto, para dispor sobre o controle de dopagem, a Lei n o 12.780, de 9 de
janeiro de 2013, que dispõe sobre medidas tributárias referentes à realização, no Brasil, dos Jogos
Olímpicos de 2016 e dos Jogos Paraolímpicos de 2016, e dá outras providências. Publicada no DOU,
Seção 1, Edição Extra no 52, p. 2, em 17.3.2016.
Secretaria de Documentação – SDO
Coordenadoria de Jurisprudência Comparada e Divulgação de Julgados – CJCD
CJCD@stf.jus.br

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