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Seminário Especial

Teoria do Estado no Pensamento Político


Brasileiro

Prof. Dr. Gustavo César Machado Cabral

Objetivos
A proposta deste seminário é discutir alguns dos temas mais relevantes na Teoria do
Estado a partir da perspectiva do chamado Pensamento Político Brasileiro. A escolha
temática tentou mesclar temas mais usualmente explorados (Estado e Nação,
constituição, forma de Estado, forma e sistema de governo, democracia e sociedade)
com outras questões relevantes na atualidade (racismo e mídia), a fim de proporcionar
aos discentes uma discussão ampla. Os autores com os quais se optou por trabalhar
foram escolhidos a partir de duas frentes: de um lado, os clássicos, e, de outro,
contemporâneos. Acredita-se que colocar em um mesmo momento, sempre que
possível, a visão de um clássico e uma perspectiva contemporânea sobre a mesma
questão pode proporcionar resultados mais efetivos na compreensão dos problemas
estruturais brasileiros.

Carga Horária
O seminário terá carga horária de 32 h/a, com dez encontros, realizados nas manhãs de segunda-
feira (09:00-12:00). No primeiro encontro, serão apresentados o conteúdo da disciplina e a
metodologia de trabalho, incluindo as formas de organização da aula e de avaliação.

Regras do Seminário
O ideal é que cada seminário seja conduzido por três discentes, que devem seguir as regras
abaixo:

a) Cada expositor terá um tempo improrrogável de até 20 (vinte) minutos para apresentar,
de uma forma geral, os pontos que considerar mais relevantes dos textos sob sua
responsabilidade;
b) Ao final da última fala, os expositores devem lançar pelo menos 3 (três) questões que
considerem problemáticas sobre o tema para discutir em conjunto com os demais
alunos;
c) Caso considere necessário, farei intervenções explicativas ao final de cada exposição.
Avaliação
A avaliação resultará da combinação de três critérios:

a) Participação em sala de aula – 25%


b) Apresentação dos seminários – 25%
c) Artigo/ensaio ao final da disciplina – 50%

Ementa
(Obs.: as obras e os autores estão sujeitos à revisão, caso se entenda necessário)

1º Semana (14/03)

Apresentação da disciplina e definição dos seminários.

2ª Semana (21/05)

Teoria do Estado, pensamento político e visões do Brasil

BERCOVICI, Gilberto. As possibilidades de uma Teoria do Estado. Revista da Faculdade de


Direito da UFMG, n. 49, jul./dez. 2006, p. 81-100.

CABRAL, Gustavo César Machado. Pensamento político brasileiro: roteiro e propostas de


trabalho. In: CABRAL, Gustavo César Machado; DINIZ, Marcio Augusto de Vasconcelos.
História do Direito e do Pensamento Político Brasileiro: debates e perspectivas. Fortaleza:
Edições UFC, 2015 (no prelo).

LYNCH, Christian Edward Cyril. Por que Pensamento e não Teoria? A imaginação
político-social brasileira e o fantasma da condição periférica (1880-1970). Dados –
Revista de Ciências Sociais, Rio de Janeiro, vol. 56, n° 4, 2013, p. 727-767.

MELO, Marcus. Raízes do Brasil político: os caminhos de um projeto liberal. Folha de São
Paulo, 31/01/2016.

SOUZA, Jessé. O partido da sociedade para poucos. Folha de São Paulo, 21/02/2016.

3ª Semana (28/03)

Estado e Nação na construção do Brasil

ANDRADA E SILVA; José Bonifácio de. José Bonifácio de Andrada e Silva. Organização e
introdução de Jorge Caldeira. São Paulo: 34, 2002, p. 119-133 e 200-217 (Notas sobre a
organização política do Brasil, quer como reino unido a Portugal, quer como Estado
independente; Lembranças e apontamentos do Governo Provisório da província de São Paulo
para os seus deputados; Representação à Assembleia Geral Constituinte e Legislativa do
Império do Brasil sobre a escravatura).

JANCSÓ, István. Este livro. In: JANCSÓ, István (Org.). Brasil: formação do Estado e da
nação. São Paulo/Ijuí: HUCITEC/Unijuí, 2003, p. 15-28.

RODRIGUES, José Honório. A Assembleia Constituinte de 1823. Petrópolis: Vozes, 1974, p.


102-158 e 249-281.

ROWLAND, Robert. Patriotismo, povo e ódio aos portugueses: notas sobre a construção da
identidade nacional no Brasil independente. In: JANCSÓ, István (Org.). Brasil: formação do
Estado e da nação. São Paulo/Ijuí: HUCITEC/Unijuí, 2003, p. 365-388.

4ª Semana (04/04)

Constituição

TORRES, Alberto. A organização nacional. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1938.

VIANNA, Francisco José Oliveira. O idealismo da constituição. 2 ed. São Paulo: Companhia
Editora Nacional, 1939.

5ª Semana (11/04)

Forma de Estado: Unitarismo vs. Federalismo

BASTOS, Aureliano Cândido Tavares. A província: estudo sobre a descentralização do Brazil.


Rio de Janeiro: Garnier, 1870, p. 1-76 (Prefácio e Primeira Parte – Centralização e federação).

URUGUAI; Paulino José Soares de Sousa, Visconde de. Ensaio sobre o Direito
Administrativo. Rio de Janeiro: Typographia Nacional, 1862, p. 159-220 (cap. 30).

COSER, Ivo. Federal/Federalismo. In: FERES JÚNIOR, João (Org.). Léxico da História dos
Conceitos Políticos do Brasil. Belo Horizonte: UFMG, 2009, p. 91-118.

SOARES, Márcia Miranda; NEIVA, Pedro Robson Pereira. Federalism and public resources in
Brazil: Federal discretionary transfers to States. Brazilian Political Science Review, v. 5, n. 2,
2011, p. 94-116.

6ª Semana (18/04)

Formas de governo: monarquia e república

NABUCO, Joaquim. Balmaceda. Rio de Janeiro: Typographia Leuzinger, 1895.

CAMPOS SALES, Manuel Ferraz de. Da Propaganda à Presidência. Brasília: Editora da


Universidade de Brasília, 1983, p. 133-199.
CABRAL, Gustavo César Machado. Os senados estaduais na Primeira República: os casos de
São Paulo e do Ceará. In: FLORES, Alfredo de J. Temas de Historia do Direito: o Brasil e o
Rio Grande do Sul na construção dos conceitos jurídicos republicanos (1889-1945). Porto
Alegre: Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Sul, 2013, p. 127-162.

LYNCH, Christian Edward Cyril. O Império é que era a República: a monarquia republicana de
Joaquim Nabuco. Lua Nova, São Paulo, 85, 2012, p. 277-311.

7ª Semana (25/04)

Sistemas de governo: Presidencialismo e Parlamentarismo

ARINOS, Afonso; PILA, Raul. Presidencialismo ou parlamentarismo? Brasília: Senado


Federal, 1999.

HAMBLOCH, Ernest. Sua majestade o Presidente do Brasil: um estudo do Brasil


Constitucional (1889-1934). Trad. Lêda Boechat Rodrigues. Brasília: Senado Federal, 2000.

ABRANCHES, Sérgio. Presidencialismo de coalizão: o dilema institucional brasileiro. Dados –


Revista de Ciências Sociais, vol. 31, n. 1, 1988, p. 5-34.

PEREIRA, Carlos; MELO, Marcus André. The surprising success of multiparty presidentialism.
Journal of Democracy, vol. 23, n. 3, July 2012, p. 156-170.

8º Semana (02/05)

Democracia e autoritarismo

BARBOSA, Rui. A Crise Moral. Obras Completas de Rui Barbosa. Vol. XL (1913). Tomo
VI. Rio de Janeiro: Secretaria de Cultura; Fundação Casa de Rui Barbosa, 1991, p. 121-182.

CAMPOS, Francisco. O Estado Nacional. Brasília: Senado Federal, 2001.

MOURA, Almério Lourival de. O que é preciso realizar no Brasil para facilitar-lhe o
cumprimento das missões históricas que lhe couberam. As forças armadas e o destino
histórico nacional. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1937, p. 388-438.

LYNCH, Christian Edward Cyril. A primeira encruzilhada da democracia brasileira: os casos de


Rui Barbosa e de Joaquim Nabuco. Revista de Sociologia e Política, v. 16, número
suplementar, Ago. 2008, p. 113-125.

9ª Semana (09/05)

Estado e racismo

NABUCO, Joaquim. O abolicionismo. Londres: Typographia de Abraham Kingdon, 1882.


RODRIGUES, Raimundo Nina. Os africanos no Brasil. 2 ed. São Paulo: Companhia Editora
Nacional, 1935, p. 385-409.

RODRIGUES, Raimundo Nina. As raças humanas e a responsabilidade penal no Brasil. 3


ed. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1938, p. 144-218.

VIANNA, Francisco José Oliveira. Raça e assimilação. 3 ed. São Paulo: Companhia Editora
Nacional, 1938.

10ª Semana (16/05)

Estado e sociedade: patrimonialismo e “jeitinho”

FAORO, Raymundo. Os donos do poder: formação do patronato político brasileiro. 3 ed. Rio
de Janeiro: Globo, 2001, p. 819-838 [Capítulo final: A viagem redonda: do patrimonialismo ao
Estamento]

DAMATTA, Roberto. Carnavais, malandros e heróis: para uma sociologia do dilema


brasileiro. 6 ed. Rio de Janeiro: Rocco, 1997, p. 187-248.

DAMATTA, Roberto. A casa e a rua: espaço, cidadania, mulher e morte no Brasil. 5 ed. Rio de
Janeiro: Rocco, 1997, p. 29-64.

SOUZA, Jessé. A tolice da inteligência brasileira: ou como o País se deixa manipular pela
elite. São Paulo: LeYa, 2015, p. 51-102.

11ª Semana (23/05)

Estado e Meios de comunicação

FEINTUCK, Mike; VARNEY, Mike. Media regulation, public interest and the Law. 2 ed.
Edinburgh: Edinburg University Press, 2008.

FERRAZ, Claudio; FINAN, Frederico. Exposing Corrupt Politicians: The Effects of Brazil’s
Publicly Released Audits on Electoral Outcomes. The Quarterly Journal of Economics
123(2): 703-745, 2008.

MACRORY, Robbie. Dilemmas of Democratization: Media Regulation and Reform in


Argentina. Bulletin of Latin American Research, vol. 32, n. 2, 2013, p. 178-193.

MAUERSBERGER, Christof. To be prepared when the time has come: Argentina’s new media
regulation and the social movement for democratizing broadcasting. Media, Culture &
Society, v. 34, n. 5, 2012, p. 588-605.

MIGUEL, Luís Felipe. Meios de comunicação de massa e política no Brasil. Diálogos


Latinoamericanos, n. 3, 2001, p. 43-70.
STEIN, Elizabeth A. “The Unraveling of Support for Authoritarianism: The Dynamic
Relationship of Elites, Media and Public Opinion in Brazil.” International Journal of
Press/Politics 18(1): 85-107, 2013.

STEIN, Elizabeth; KELLAM, Marisa. Silencing critics: why and how presidents restrict media
freedom in democracies. Comparative Political Studies, vol. 49, n. 1, 2016, p. 36-77.