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CIRCUITOS RETIFICADOR

TRIFÁSICO DE 6 PULSOS
ELETRÔNICA DE POTÊNCIA I

Paulo Eduardo S. Monteiro


Thales M. dos Santos
Ponta Grossa, 25 de outubro de 2016

Resumo: Neste relatório, relata-se os ex- versas que o seu concorrente trifásico de ponto
perimentos realizados em laboratórios com médio.
retificador trifásico em ponte recebendo
dois tipos de carga, RL e RC, com cinco
Circuito retificador trifásico
combinações diferentes para resistores, in-
dutores e capacitores. A Figura 1 apresenta o circuito estudado.
Tal retificador é também chamado de ponte de
Graetz e é composto por 6 diodos, alimentando
Introdução em geral cargas RLC.

Os circuitos retificadores são empregados


em praticamente todos equipamentos eletrôni-
cos que recebam alimentação em corrente al-
ternada. Dentre os tipos mais comuns, há o
meia-onda, que como o nome diz, só conduz
em meio ciclo, produzindo portanto alta taxa
de distorção harmônica e baixa tensão média
de saída. Já o de onda completa com ponto mé-
dio é uma versão melhorada, uma vez que con- Figura 1: Retificador trifásico 6 pulsos
duz em ambos os semiciclos, o que reduz os
harmônicos e ainda oferece valores mais eleva-
dos para a tensão média. Os retificadores em A Figura 2 apresenta as formas de onda das
ponte são melhores que o anterior, devido ao tensões de entrada, sobre os anodos e catodos
fato de não se fazer necessário o uso de trans- do diodo e da saída do retificador para uma
formadores para a retificação e por produzir a carga resistiva.
mesma forma de onda, além de receber tensões
reversas menores em seus diodos. O retifica-
À partir da figura acima, Ivo Barbi [1] faz os
dor trifásico de ponto médio produz um valor
apontamentos seguintes:
de tensão média ainda mais elevado e meno-
res harmônicos que os retificadores anteriores. • cada diodo conduz durante um intervalo
O retificador trifásico de onda completa em igual à 120◦ ;
ponte é ainda melhor que todos os outros cita-
dos anteriormente, pois além de produzir me- • existe sempre dois diodos em condução,
nores índices de distorções harmônica, seus di- um no grupo positivo e outro no grupo ne-
odos ainda recebem menores níveis tensões re- gativo do conversor;

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ção dos circuitos, foi utilizada uma fonte trifá-
sica de 30V de pico e 60Hz, o que pela equa-
ção (3), deve fornecer uma saída com tensão
média de 49,64V. À seguir lista-se as configu-
rações adotadas para os circuitos.

• Parte 1: circuito RL, R = 100Ω e L =


0,8H;

• Parte 2: circuito RL, R = 1200Ω e L =


0,8H;

• Parte 3: circuito RC, R = 100Ω e C =


3x100µF;

• Parte 4: circuito RC, R = 66,6Ω e C =


1x100µF;

Figura 2: Formas de onda do retificador • Parte 5: circuito RC, R = 66,6Ω e C =


(Adaptado de Barbi [1]) 3x100µF;

• ocorre uma comutação a cada 60◦ ; Resultados e Discussões


• a frequência da componente fundamental
da tensão é igual à 6 vezes a frequência Carga Indutiva
das tensões de alimentação. Nesta etapa, uma carga indutiva em série
com um resistor foi acoplado à saída do retifi-
À partir da Figura 2, é possível calcular a cador. A Figura 3 apresenta as formas de onda
tensão média integrando em um intervalo de obtidas no osciloscópio. Por conta da carga ser
60◦ . indutiva, ocorre uma diminuição no ripple de
corrente, enquanto que a forma de onda da ten-
√ √ são não é influenciada pela carga neste caso.
vL (ωt) = 3 2Vo cos(ωt) (1) Como se pode observar, a tensão de pico ob-

3 π/6 √ √ tida foi de 46,8V e ondulações na saída. Já a
VLmed = 3 2Vo cos(ωt)d(ωt) (2)
π −π/6 corrente apresentou praticamente nenhuma on-
VLmed = 2, 34Vo (3) dulação na saída e valor RMS de 0,383A.

A equação (1) fornece a representação ma- A Figura 4 apresenta o mesmo ensaio, po-
temática da tensão na carga em um intervalo rém foi variada a resistência da carga para
de 60◦ , a equação (2) fornece o cálculo da ten-1200Ω, a indutância permaneceu em 0,8H.
são média na carga que por sua vez resulta na Como se pode observar, houve uma pequena
equação (3), em que Vo representa a tensão efi- mudança na tensão de pico, passando para
caz da entrada. 48,8V, um pouco mais próximo do valor ideal
de 49,64V mencionado anteriormente. Tal dis-
crepância não deveria ocorrer na teoria, isto é,
Metodologia variando-se a resistência da carga, a tensão de
saída deveria permanecer constante. Esta afir-
O experimento foi divido em cinco partes, mação porém seria válida para casos de fontes
cada uma com combinações distintas de capa- de alimentação ideal. Todavia, na prática as
citores, indutores e resistores. Para alimenta- fontes costumam fornecer variações de tensão

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com uma carga resistiva para filtrar ripples de
tensão. No primeiro teste, foi utilizado um re-
sistor no valor de 100Ω e três capacitores em
paralelo cada um com valor de 100µF. A Fi-
gura 5 apresenta a forma de onda da tensão
de saída. Como se pode ver, não é possível
observar oscilações para a escala de medição
utilizada. A tensão máxima registrada foi de
52,4V e a RMS foi de 51,8V.

Figura 3: Carga indutiva 1 - formas de onda


tensão e corrente de saída.

conforme a mudança da carga. Com um valor


de resistência 12 vezes maior que na primeira
parte, a corrente de saída caiu, exigindo menos
da fonte, que por sua vez apresentou aumento
nos níveis de tensão.

Figura 5: Carga capacitiva 1 - formas de onda


da tensão de saída.

A Figura 6 mostra a tensão de saída do retifi-


cador com um filtro de um capacitor de 100µF,
além disso, a corrente de saída foi aumentada
devido à diminuição do valor da resistência da
carga. O ripple registrado aumentou conside-
ravelmente se comparado à etapa anterior.
Figura 4: Carga indutiva 2 - formas de onda
tensão e corrente de saída.

Com o aumento da resistência de carga,


a ondulação da corrente de saída aumentou,
como é nítido na Figura acima. Considerando
que a resistência da carga é de 1200Ω e que a
corrente foi medida de forma indireta pela ten-
são sobre o resistor, verifica-se que a corrente
RMS obtida foi de 36,6mA.

Carga Capacitiva Figura 6: Carga capacitiva 2 - formas de onda


Além da experimentação com carga capa- da tensão de saída.
citiva, foi utilizado um capacitor em paralelo

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Na última etapa realizada, a resistência da A Figura 9 mostra as correntes de saída
carga foi mantida, porém a capacitância foi tri- (verde) e no diodo 1 (em vermelho). Como é
plicada, adicionando-se mais dois capacitores possível observar, o ripple da corrente foi pra-
de 100µF cada. O resultado pode ser visto na ticamente nulo.
Figura 7, onde observa-se uma diminuição do
fator de ripple.

Figura 9: Formas de onda de corrente da etapa


1.

A Figura 10 mostra as mesmas formas de


onda obtidas na Figura 8, porém, estas equiva-
lem ao circuito resistivo indutivo com aumento
Figura 7: Carga capacitiva 3 - formas de onda
da resistência para 1200Ω. Assim, como se
da tensão de saída.
pode ver, a carga não influencia significativa-
mente na tensão quando a mesma é indutiva.

Simulações
Para analisar e entender melhor os experi-
mentos realizados, foram feitas simulações no
ORCAD para efeito de comparação e confron-
tamento. A Figura 8 mostra a tensão de saída
do circuito (em verde), a tensão da fonte 1 (em
azul) e sobre o diodo 1 (em vermelho). A ten-
são de pico na saída foi de 50,2V, contra 46,8V
Figura 10: Formas de onda de tensão da etapa
no experimento, entretanto, bem mais próximo
2.
do valor teórico esperado. A possível fonte de
tal discrepância já foi discutida, que leva em
conta o fato da fonte de tensão não ser ideal.
A tensão de pico reversa sobre o diodo 1 foi A Figura 11 apresenta o resultado de simu-
medida em -51,1V. lação para as tensões do circuito da parte 3 do
experimento. Como se pode observar, a tensão
apresenta um ripple reduzido em comparações
com as formas de onda anterior. Tal oscila-
ção possui valor de 2,72V. Observa-se também
uma forma mais "arredondada"na tensão sobre
o diodo.

A Figura 12 mostra as formas de onda da


Figura 8: Formas de onda de tensão da etapa corrente no resistor de saída (em verde) e no
1. diodo 1 (em vermelho). Como se pode ver, há
picos de corrente no diodo, o que pode reduzir

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Figura 11: Formas de onda de tensão da etapa Figura 14: Formas de onda de corrente da
3. etapa 4.

sua vida útil. Tal efeito é devido à carga do


capacitor.
Conclusão
O experimento permitiu que os alunos pu-
dessem colocar suas habilidades em prática e
comprovar várias etapas da teoria de circuitos
retificadores trifásicos. Foi feita uma compara-
ção entre as medidas observadas via osciloscó-
pio e o que foi simulado no software ORCAD.
Observou-se que na prática alguns comporta-
mentos inesperados podem ocorrer, como foi
Figura 12: Formas de onda de corrente da o caso da tensão de pico para cargas menores,
etapa 3. discutido na primeira etapa.

Comparado com o retificador onda com-


É apresentado na Figura 10 as mesmas for- pleta e com o retificador meia onda, o trifá-
mas de onda de tensão para a etapa anterior, sico apresentou ripples muito menores mesmo
porém com os valores dos componentes da sem filtros. Com isso, é possível o uso de ca-
etapa 4 do experimento. A forma de onda da pacitores e indutores menores como filtros, o
tensão de saída (verde) apresentou ripple de que em um eventual projeto, pode economizar
6,38V. custo. Comparado com o retificador trifásico
com ponto médio, a tensão reversa sobre os di-
odos também apresentou menores valores de
pico, o que possibilita também o uso de diodos
mais baratos e menos robustos.

Referências
[1] Ivo Barbi; ELETRÔNICA DE POTÊN-
Figura 13: Formas de onda de tensão da etapa CIA 3ed. Florianópolis 2000, edição do Au-
4. tor.

Como se pode ver na Figura 14, o capaci-


tor passa mais tempo conduzindo que na etapa
anterior, o ripple de tensão também é maior,
como já mencionado. Para o terceiro caso, a
capacitância foi triplicada, o que produziu um
ripple de 3,61V, como era de se esperar.