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Índice

UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE

UFRN
Técnico - Administrativo em Educação
Assistente em Administração
EDITAL Nº 005/2016

ARTIGO DO WILLIAM DOUGLAS

LÍNGUA PORTUGUESA

1. Organização do texto 1.1. Propósito comunicativo 1.2. Tipos de texto (dialogal, descritivo, narrativo, injuntivo,
explicativo e argumentativo) 1.3. Gêneros discursivos 1.4. Mecanismos coesivos 1.5. Fatores de coerência textual 1.6.
Progressão temática 1.7. Paragrafação 1.8. Citação do discurso alheio 1.9. Informações implícitas 1.10. Linguagem
denotativa e linguagem conotativa.............................................................................................................................................01
2. Conhecimento linguístico 2.1. Variação linguística 2.2. Classes de palavras: usos e adequações 2.3. Convenções
da norma padrão (no âmbito da concordância, da regência, da ortografia e da acentuação gráfica) 2.4. Organização do
período simples e do período composto 2.5. Pontuação 2.6. Relações semânticas entre palavras (sinonímia, antonímia,
hiponímia e hiperonímia)............................................................................................................................................................36
3. Produção de texto (Redação) 3.1. A Prova de Redação exigirá que o candidato produza um texto argumentativo em
prosa, segundo a norma padrão da língua portuguesa escrita, com base em uma situação comunicativa determinada, em
um dos seguintes gêneros: artigo de opinião ou carta argumentativa....................................................................................97

LEGISLAÇÃO

1. Lei 8.112, de 11 de dezembro de 1990 - Regime jurídico dos servidores públicos civis da União, das autarquias e das
fundações públicas federais.........................................................................................................................................................01

CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS

1. Conhecimentos Básicos em Administração: características básicas das organizações, natureza, finalidade, níveis e
departamentalização....................................................................................................................................................................01
2. Funções do processo administrativo: planejamento, organização, direção e controle...............................................04
3. Conhecimentos básicos em Administração Financeira: fundamentos e técnicas; orçamento e controle de custos.10
4. Conhecimentos básicos em Administração de Materiais e logística.............................................................................13
5. Técnicas de arquivo e controle de documentos: classificação, codificação, catalogação e arquivamento de
documentos...................................................................................................................................................................................17

Didatismo e Conhecimento
Índice
6. Elementos de redação técnica: documentos oficiais, tratamento de correspondências, normas e despachos de
correspondências e uso de serviços postais................................................................................................................................18
7. Relações Humanas no Trabalho.......................................................................................................................................40
8. Qualidade na Prestação de Serviços e no atendimento ao público...............................................................................42

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Didatismo e Conhecimento
Artigo
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de exclusividade, para uso do Grupo Nova.
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A ETERNA COMPETIÇÃO ENTRE O LAZER E O ESTUDO

Por William Douglas, professor, escritor e juiz federal.

Todo mundo já se pegou estudando sem a menor concentração, pensando nos momentos de lazer, como também já deixou de
aproveitar as horas de descanso por causa de um sentimento de culpa ou mesmo remorso, porque deveria estar estudando.
Fazer uma coisa e pensar em outra causa desconcentração, estresse e perda de rendimento no estudo ou trabalho. Além da
perda de prazer nas horas de descanso.
Em diversas pesquisas que realizei durante palestras e seminários pelo país, constatei que os três problemas mais comuns de
quem quer vencer na vida são:
• medo do insucesso (gerando ansiedade, insegurança),
• falta de tempo e
• “competição” entre o estudo ou trabalho e o lazer.

E então, você já teve estes problemas?


Todo mundo sabe que para vencer e estar preparado para o dia-a-dia é preciso muito conhecimento, estudo e dedicação, mas
como conciliar o tempo com as preciosas horas de lazer ou descanso?
Este e outros problemas atormentavam-me quando era estudante de Direito e depois, quando passei à preparação para concursos
públicos. Não é à toa que fui reprovado em 5 concursos diferentes!
Outros problemas? Falta de dinheiro, dificuldade dos concursos (que pagam salários de até R$ 6.000,00/mês, com status e
estabilidade, gerando enorme concorrência), problemas de cobrança dos familiares, memória, concentração etc.
Contudo, depois de aprender a estudar, acabei sendo 1º colocado em outros 7 concursos, entre os quais os de Juiz de Direito,
Defensor Público e Delegado de Polícia. Isso prova que passar em concurso não é impossível e que quem é reprovado pode “dar a
volta por cima”.
É possível, com organização, disciplina e força de vontade, conciliar um estudo eficiente com uma vida onde haja espaço para
lazer, diversão e pouco ou nenhum estresse. A qualidade de vida associada às técnicas de estudo são muito mais produtivas do que a
tradicional imagem da pessoa trancafiada, estudando 14 horas por dia.
O sucesso no estudo e em provas (escritas, concursos, entrevistas etc.) depende basicamente de três aspectos, em geral,
desprezados por quem está querendo passar numa prova ou conseguir um emprego:
1º) clara definição dos objetivos e técnicas de planejamento e organização;
2º) técnicas para aumentar o rendimento do estudo, do cérebro e da memória;
3º) técnicas específicas sobre como fazer provas e entrevistas, abordando dicas e macetes que a experiência fornece, mas que
podem ser aprendidos.
O conjunto destas técnicas resulta em um aprendizado melhor e em mais sucesso nas provas escritas e orais (inclusive entrevistas).
Aos poucos, pretendemos ir abordando estes assuntos, mas já podemos anotar aqui alguns cuidados e providências que irão
aumentar seu desempenho.
Para melhorar a “briga” entre estudo e lazer, sugiro que você aprenda a administrar seu tempo. Para isto, como já disse, basta
um pouco de disciplina e organização.
O primeiro passo é fazer o tradicional quadro horário, colocando nele todas as tarefas a serem realizadas. Ao invés de servir
como uma “prisão”, este procedimento facilitará as coisas para você. Pra começar, porque vai levá-lo a escolher as coisas que não são
imediatas e a estabelecer suas prioridades. Experimente. Em pouco tempo, você vai ver que isto funciona.
Também é recomendável que você separe tempo suficiente para dormir, fazer algum exercício físico e dar atenção à família ou
ao namoro. Sem isso, o estresse será uma mera questão de tempo. Por incrível que pareça, o fato é que com uma vida equilibrada o
seu rendimento final no estudo aumenta.
Outra dica simples é a seguinte: depois de escolher quantas horas você vai gastar com cada tarefa ou atividade, evite pensar em
uma enquanto está realizando a outra. Quando o cérebro mandar “mensagens” sobre outras tarefas, é só lembrar que cada uma tem
seu tempo definido. Isto aumentará a concentração no estudo, o rendimento e o prazer e relaxamento das horas de lazer.
Aprender a separar o tempo é um excelente meio de diminuir o estresse e aumentar o rendimento, não só no estudo, como em
tudo que fazemos.

*William Douglas é juiz federal, professor universitário, palestrante e autor de mais de 30 obras, dentre elas o best-seller
“Como passar em provas e concursos” . Passou em 9 concursos, sendo 5 em 1º Lugar
www.williamdouglas.com.br
Conteúdo cedido gratuitamente, pelo autor, com finalidade de auxiliar os candidatos.

Didatismo e Conhecimento
LÍNGUA PORTUGUESA
LÍNGUA PORTUGUESA
- Comentar - é relacionar o conteúdo apresentado com uma
1. ORGANIZAÇÃO DO TEXTO realidade, opinando a respeito.
- Resumir – é concentrar as ideias centrais e/ou secundárias
1.1. PROPÓSITO COMUNICATIVO;
em um só parágrafo.
1.2. TIPOS DE TEXTO - Parafrasear – é reescrever o texto com outras palavras.
(DIALOGAL, DESCRITIVO,
NARRATIVO, INJUNTIVO, EXPLICATIVO Condições básicas para interpretar
E ARGUMENTATIVO);
1.3. GÊNEROS DISCURSIVOS; Fazem-se necessários:
1.4. MECANISMOS COESIVOS; - Conhecimento histórico–literário (escolas e gêneros literá-
1.5. FATORES DE COERÊNCIA TEXTUAL; rios, estrutura do texto), leitura e prática;
1.6. PROGRESSÃO TEMÁTICA; - Conhecimento gramatical, estilístico (qualidades do texto)
1.7. PARAGRAFAÇÃO; e semântico;
1.8. CITAÇÃO DO DISCURSO ALHEIO; Observação – na semântica (significado das palavras) in-
1.9. INFORMAÇÕES IMPLÍCITAS; cluem--se: homônimos e parônimos, denotação e conotação, si-
1.10 LINGUAGEM DENOTATIVA E nonímia e antonímia, polissemia, figuras de linguagem, entre ou-
LINGUAGEM CONOTATIVA. tros.
- Capacidade de observação e de síntese e
- Capacidade de raciocínio.

Interpretar X compreender
Interpretação de Textos
Interpretar significa
É muito comum, entre os candidatos a um cargo público, a - Explicar, comentar, julgar, tirar conclusões, deduzir.
preocupação com a interpretação de textos. Por isso, vão aqui al- - Através do texto, infere-se que...
guns detalhes que poderão ajudar no momento de responder às - É possível deduzir que...
questões relacionadas a textos. - O autor permite concluir que...
- Qual é a intenção do autor ao afirmar que...
Texto – é um conjunto de ideias organizadas e relacionadas
entre si, formando um todo significativo capaz de produzir intera- Compreender significa
ção comunicativa (capacidade de codificar e decodificar ). - intelecção, entendimento, atenção ao que realmente está es-
crito.
Contexto – um texto é constituído por diversas frases. Em - o texto diz que...
cada uma delas, há uma certa informação que a faz ligar-se com - é sugerido pelo autor que...
a anterior e/ou com a posterior, criando condições para a estrutu- - de acordo com o texto, é correta ou errada a afirmação...
ração do conteúdo a ser transmitido. A essa interligação dá-se o - o narrador afirma...
nome de contexto. Nota-se que o relacionamento entre as frases é
tão grande que, se uma frase for retirada de seu contexto original
Erros de interpretação
e analisada separadamente, poderá ter um significado diferente da-
quele inicial.
É muito comum, mais do que se imagina, a ocorrência de er-
ros de interpretação. Os mais frequentes são:
Intertexto - comumente, os textos apresentam referências di-
- Extrapolação (viagem): Ocorre quando se sai do contexto,
retas ou indiretas a outros autores através de citações. Esse tipo de
acrescentado ideias que não estão no texto, quer por conhecimento
recurso denomina-se intertexto.
prévio do tema quer pela imaginação.
Interpretação de texto - o primeiro objetivo de uma interpre-
tação de um texto é a identificação de sua ideia principal. A par- - Redução: É o oposto da extrapolação. Dá-se atenção apenas
tir daí, localizam-se as ideias secundárias, ou fundamentações, as a um aspecto, esquecendo que um texto é um conjunto de ideias,
argumentações, ou explicações, que levem ao esclarecimento das o que pode ser insuficiente para o total do entendimento do tema
questões apresentadas na prova. desenvolvido.

Normalmente, numa prova, o candidato é convidado a: - Contradição: Não raro, o texto apresenta ideias contrárias
às do candidato, fazendo-o tirar conclusões equivocadas e, conse-
- Identificar – é reconhecer os elementos fundamentais de quentemente, errando a questão.
uma argumentação, de um processo, de uma época (neste caso,
procuram-se os verbos e os advérbios, os quais definem o tempo). Observação - Muitos pensam que há a ótica do escritor e a
- Comparar – é descobrir as relações de semelhança ou de ótica do leitor. Pode ser que existam, mas numa prova de concurso,
diferenças entre as situações do texto. o que deve ser levado em consideração é o que o autor diz e nada
mais.

Didatismo e Conhecimento 1
LÍNGUA PORTUGUESA
Coesão - é o emprego de mecanismo de sintaxe que rela- (B) reis e rainhas constitui uma referência em sentido não literal.
ciona palavras, orações, frases e/ou parágrafos entre si. Em outras (C) príncipes, princesas, reis e rainhas constitui uma referên-
palavras, a coesão dá-se quando, através de um pronome relativo, cia em sentido não literal.
uma conjunção (NEXOS), ou um pronome oblíquo átono, há uma (D) príncipes, princesas, reis e rainhas constitui uma referên-
relação correta entre o que se vai dizer e o que já foi dito. cia em sentido literal.
(E) reis e rainhas constitui uma referência em sentido literal.
OBSERVAÇÃO – São muitos os erros de coesão no dia-a-dia
e, entre eles, está o mau uso do pronome relativo e do pronome Texto para a questão 2:
oblíquo átono. Este depende da regência do verbo; aquele do seu
antecedente. Não se pode esquecer também de que os pronomes DA DISCRIÇÃO
relativos têm, cada um, valor semântico, por isso a necessidade de Mário Quintana
adequação ao antecedente. Não te abras com teu amigo
Os pronomes relativos são muito importantes na interpretação Que ele um outro amigo tem.
de texto, pois seu uso incorreto traz erros de coesão. Assim sen-
E o amigo do teu amigo
do, deve-se levar em consideração que existe um pronome relativo
Possui amigos também...
adequado a cada circunstância, a saber:
(http://pensador.uol.com.br/poemas_de_amizade)
- que (neutro) - relaciona-se com qualquer antecedente, mas
2-) (PREFEITURA DE SERTÃOZINHO – AGENTE CO-
depende das condições da frase.
- qual (neutro) idem ao anterior. MUNITÁRIO DE SAÚDE – VUNESP/2012) De acordo com o
- quem (pessoa) poema, é correto afirmar que
- cujo (posse) - antes dele aparece o possuidor e depois o ob- (A) não se deve ter amigos, pois criar laços de amizade é algo
jeto possuído. ruim.
- como (modo) (B) amigo que não guarda segredos não merece respeito.
- onde (lugar) (C) o melhor amigo é aquele que não possui outros amigos.
quando (tempo) (D) revelar segredos para o amigo pode ser arriscado.
quanto (montante) (E) entre amigos, não devem existir segredos.

Exemplo: 3-) (GOVERNO DO ESTADO DO ESPÍRITO SANTO –


Falou tudo QUANTO queria (correto) SECRETARIA DE ESTADO DA JUSTIÇA – AGENTE PENI-
Falou tudo QUE queria (errado - antes do QUE, deveria apa- TENCIÁRIO – VUNESP/2013) Leia o poema para responder à
recer o demonstrativo O ). questão.

Dicas para melhorar a interpretação de textos Casamento

- Ler todo o texto, procurando ter uma visão geral do assunto; Há mulheres que dizem:
- Se encontrar palavras desconhecidas, não interrompa a leitura; Meu marido, se quiser pescar, pesque,
- Ler, ler bem, ler profundamente, ou seja, ler o texto pelo mas que limpe os peixes.
menos duas vezes; Eu não. A qualquer hora da noite me levanto,
- Inferir; ajudo a escamar, abrir, retalhar e salgar.
- Voltar ao texto quantas vezes precisar; É tão bom, só a gente sozinhos na cozinha,
- Não permitir que prevaleçam suas ideias sobre as do autor; de vez em quando os cotovelos se esbarram,
- Fragmentar o texto (parágrafos, partes) para melhor com- ele fala coisas como “este foi difícil”
preensão;
“prateou no ar dando rabanadas”
- Verificar, com atenção e cuidado, o enunciado de cada questão;
e faz o gesto com a mão.
- O autor defende ideias e você deve percebê-las.
O silêncio de quando nos vimos a primeira vez
Fonte: atravessa a cozinha como um rio profundo.
http://www.tudosobreconcursos.com/materiais/portugues/co- Por fim, os peixes na travessa,
mo-interpretar-textos vamos dormir.
Coisas prateadas espocam:
QUESTÕES somos noivo e noiva.
(Adélia Prado, Poesia Reunida)
1-) (TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAU-
LO - ESCREVENTE TÉCNICO JUDICIÁRIO – VUNESP/2013) A ideia central do poema de Adélia Prado é mostrar que
O contexto em que se encontra a passagem – Se deixou de bajular (A) as mulheres que amam valorizam o cotidiano e não gos-
os príncipes e princesas do século 19, passou a servir reis e ra- tam que os maridos frequentem pescarias, pois acham difícil lim-
inhas do 20 (2.º parágrafo) – leva a concluir, corretamente, que a par os peixes.
menção a (B) o eu lírico do poema pertence ao grupo de mulheres que
(A) príncipes e princesas constitui uma referência em sentido não gostam de limpar os peixes, embora valorizem os esbarrões de
não literal. cotovelos na cozinha.

Didatismo e Conhecimento 2
LÍNGUA PORTUGUESA
(C) há mulheres casadas que não gostam de ficar sozinhas Equipamentos obsoletos, falta de manutenção e de investi-
com seus maridos na cozinha, enquanto limpam os peixes. mentos e também erros operacionais conspiraram para produzir a
(D) as mulheres que amam valorizam os momentos mais sim- mais séria falha do sistema de geração e distribuição de energia
ples do cotidiano vividos com a pessoa amada. do país desde o traumático racionamento de 2001.
(E) o casamento exige levantar a qualquer hora da noite, para Folha de S.Paulo, Editorial, 30/3/2010 (com adaptações).
limpar, abrir e salgar o peixe.
Considerando os sentidos e as estruturas linguísticas do texto
4-) (SABESP/SP – ATENDENTE A CLIENTES 01 – acima apresentado, julgue os próximos itens.
FCC/2014 - ADAPTADA) Atenção: Para responder à questão, A oração “que atingiu pelo menos 1.800 cidades em 18 esta-
considere o texto abaixo. dos do país” tem, nesse contexto, valor restritivo.
(...) CERTO ( ) ERRADO
A marca da solidão
Deitado de bruços, sobre as pedras quentes do chão de pa- 7-) (COLÉGIO PEDRO II/RJ – ASSISTENTE EM ADMI-
ralelepípedos, o menino espia. Tem os braços dobrados e a testa NISTRAÇÃO – AOCP/2010) “A carga foi desviada e a viatura,
pousada sobre eles, seu rosto formando uma tenda de penumbra com os vigilantes, abandonada em Pirituba, na zona norte de São
na tarde quente. Paulo.”
Observa as ranhuras entre uma pedra e outra. Há, dentro de Pela leitura do fragmento acima, é correto afirmar que, em sua
cada uma delas, um diminuto caminho de terra, com pedrinhas e estrutura sintática, houve supressão da expressão
tufos minúsculos de musgos, formando pequenas plantas, ínfimos a) vigilantes.
bonsais só visíveis aos olhos de quem é capaz de parar de viver b) carga.
para, apenas, ver. Quando se tem a marca da solidão na alma, o c) viatura.
mundo cabe numa fresta. d) foi.
e) desviada.
(SEIXAS, Heloísa. Contos mais que mínimos. Rio de Janeiro:
Tinta negra bazar, 2010. p. 47) 8-) (CORREIOS – CARTEIRO – CESPE/2011)
No texto, o substantivo usado para ressaltar o universo reduzi-
Um carteiro chega ao portão do hospício e grita:
do no qual o menino detém sua atenção é
— Carta para o 9.326!!!
(A) fresta.
Um louco pega o envelope, abre-o e vê que a carta está em
(B) marca.
branco, e um outro pergunta:
(C) alma.
— Quem te mandou essa carta?
(D) solidão.
— Minha irmã.
(E) penumbra.
— Mas por que não está escrito nada?
5-) (ANCINE – TÉCNICO ADMINISTRATIVO – CES- — Ah, porque nós brigamos e não estamos nos falando!
PE/2012) Internet: <www.humortadela.com.br/piada> (com adapta-
O riso é tão universal como a seriedade; ele abarca a tota- ções).
lidade do universo, toda a sociedade, a história, a concepção de O efeito surpresa e de humor que se extrai do texto acima
mundo. É uma verdade que se diz sobre o mundo, que se estende decorre
a todas as coisas e à qual nada escapa. É, de alguma maneira, A) da identificação numérica atribuída ao louco.
o aspecto festivo do mundo inteiro, em todos os seus níveis, uma B) da expressão utilizada pelo carteiro ao entregar a carta no
espécie de segunda revelação do mundo. hospício.
C) do fato de outro louco querer saber quem enviou a carta.
Mikhail Bakhtin. A cultura popular na Idade Média e o Re- D) da explicação dada pelo louco para a carta em branco.
nascimento: o contexto de François Rabelais. São Paulo: Hucitec, E) do fato de a irmã do louco ter brigado com ele.
1987, p. 73 (com adaptações).
9-) (CORREIOS – CARTEIRO – CESPE/2011)
Na linha 1, o elemento “ele” tem como referente textual Um homem se dirige à recepcionista de uma clínica:
“O riso”. — Por favor, quero falar com o dr. Pedro.
(...) CERTO ( ) ERRADO — O senhor tem hora?
O sujeito olha para o relógio e diz:
6-) (ANEEL – TÉCNICO ADMINISTRATIVO – CES- — Sim. São duas e meia.
PE/2010) — Não, não... Eu quero saber se o senhor é paciente.
Só agora, quase cinco meses depois do apagão que atingiu — O que a senhora acha? Faz seis meses que ele não me paga
pelo menos 1.800 cidades em 18 estados do país, surge uma expli- o aluguel do consultório...
cação oficial satisfatória para o corte abrupto e generalizado de Internet: <www.humortadela.com.br/piada> (com adaptações).
energia no final de 2009.
Segundo relatório da Agência Nacional de Energia Elétrica No texto acima, a recepcionista dirige-se duas vezes ao ho-
(ANEEL), a responsabilidade recai sobre a empresa estatal Fur- mem para saber se ele
nas, cujas linhas de transmissão cruzam os mais de 900 km que A) verificou o horário de chegada e está sob os cuidados do
separam Itaipu de São Paulo. dr. Pedro.

Didatismo e Conhecimento 3
LÍNGUA PORTUGUESA
B) pode indicar-lhe as horas e decidiu esperar o pagamento 11-) (GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO – TÉC-
do aluguel. NICO DA FAZENDA ESTADUAL – FCC/2010) O texto deixa
C) tem relógio e sabe esperar. claro que
D) marcou consulta e está calmo. (A) a importância do líder baseia-se na valorização de todo o
E) marcou consulta para aquele dia e está sob os cuidados do grupo em torno da realização de um objetivo comum.
dr. Pedro. (B) o líder é o elemento essencial dentro de uma organização,
pois sem ele não se poderá atingir qualquer meta ou objetivo.
(GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO – TÉCNICO (C) pode não haver condições de liderança em algumas equi-
DA FAZENDA ESTADUAL – FCC/2010 - ADAPTADA) Aten- pes, caso não se estabeleçam atividades específicas para cada um
ção: As questões de números 10 a 13 referem-se ao texto abaixo. de seus membros.
(D) a liderança é um dom que independe da participação dos
Liderança é uma palavra frequentemente associada a feitos
componentes de uma equipe em um ambiente de trabalho.
e realizações de grandes personagens da história e da vida so-
cial ou, então, a uma dimensão mágica, em que algumas poucas 12-) (GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO – TÉC-
pessoas teriam habilidades inatas ou o dom de transformar-se em NICO DA FAZENDA ESTADUAL – FCC/2010) O fenômeno da
grandes líderes, capazes de influenciar outras e, assim, obter e liderança só ocorre na inter-relação ... (4º parágrafo)
manter o poder. No contexto, inter-relação significa
Os estudos sobre o tema, no entanto, mostram que a maioria (A) o respeito que os membros de uma equipe devem demons-
das pessoas pode tornar-se líder, ou pelo menos desenvolver con- trar ao acatar as decisões tomadas pelo líder, por resultarem em
sideravelmente as suas capacidades de liderança. benefício de todo o grupo.
Paulo Roberto Motta diz: “líderes são pessoas comuns que (B) a igualdade entre os valores dos integrantes de um grupo
aprendem habilidades comuns, mas que, no seu conjunto, formam devidamente orientado pelo líder e aqueles propostos pela organi-
uma pessoa incomum”. De fato, são necessárias algumas habili- zação a que prestam serviço.
dades, mas elas podem ser aprendidas tanto através das experiên- (C) o trabalho que deverá sempre ser realizado em equipe,
cias da vida, quanto da formação voltada para essa finalidade. de modo que os mais capacitados colaborem com os de menor
O fenômeno da liderança só ocorre na inter-relação; envolve capacidade.
duas ou mais pessoas e a existência de necessidades para serem (D) a criação de interesses mútuos entre membros de uma
atendidas ou objetivos para serem alcançados, que requerem a equipe e de respeito às metas que devem ser alcançadas por todos.
13-) (GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO – TÉC-
interação cooperativa dos membros envolvidos. Não pressupõe
NICO DA FAZENDA ESTADUAL – FCC/2010) Não pressupõe
proximidade física ou temporal: pode-se ter a mente e/ou o com- proximidade física ou temporal ... (4º parágrafo)
portamento influenciado por um escritor ou por um líder religioso A afirmativa acima quer dizer, com outras palavras, que
que nunca se viu ou que viveu noutra época. [...] (A) a presença física de um líder natural é fundamental para
Se a legitimidade da liderança se baseia na aceitação do po- que seus ensinamentos possam ser divulgados e aceitos.
der de influência do líder, implica dizer que parte desse poder en- (B) um líder verdadeiramente capaz é aquele que sempre se
contra-se no próprio grupo. É nessa premissa que se fundamenta atualiza, adquirindo conhecimentos de fontes e de autores diver-
a maioria das teorias contemporâneas sobre liderança. sos.
Daí definirem liderança como a arte de usar o poder que exis- (C) o aprendizado da liderança pode ser produtivo, mesmo se
te nas pessoas ou a arte de liderar as pessoas para fazerem o que houver distância no tempo e no espaço entre aquele que influencia
se requer delas, da maneira mais efetiva e humana possível. [...] e aquele que é influenciado.
(Augusta E.E.H. Barbosa do Amaral e Sandra Souza Pinto. (D) as influências recebidas devem ser bem analisadas e pos-
Gestão de pessoas, in Desenvolvimento gerencial na Administra- tas em prática em seu devido tempo e na ocasião mais propícia.
ção pública do Estado de São Paulo, org. Lais Macedo de Oliveira
e Maria Cristina Pinto Galvão, Secretaria de Gestão pública, São 14-) (DETRAN/RN – VISTORIADOR/EMPLACADOR –
Paulo: Fundap, 2. ed., 2009, p. 290 e 292, com adaptações) FGV PROJETOS/2010)

Painel do leitor (Carta do leitor)


10-) (GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO – TÉCNI-
Resgate no Chile
CO DA FAZENDA ESTADUAL – FCC/2010) De acordo com o
texto, liderança Assisti ao maior espetáculo da Terra numa operação de sal-
(A) é a habilidade de chefiar outras pessoas que não pode ser vamento de vidas, após 69 dias de permanência no fundo de uma
desenvolvida por aqueles que somente executam tarefas em seu mina de cobre e ouro no Chile.
ambiente de trabalho. Um a um os mineiros soterrados foram içados com sucesso,
(B) é típica de épocas passadas, como qualidades de heróis da mostrando muita calma, saúde, sorrindo e cumprimentando seus
história da humanidade, que realizaram grandes feitos e se torna- companheiros de trabalho. Não se pode esquecer a ajuda técnica
ram poderosos através deles. e material que os Estados Unidos, Canadá e China ofereceram
(C) vem a ser a capacidade, que pode ser inata ou até mesmo à equipe chilena de salvamento, num gesto humanitário que só
adquirida, de conseguir resultados desejáveis daqueles que cons- enobrece esses países. E, também, dos dois médicos e dois “socor-
tituem a equipe de trabalho. ristas” que, demonstrando coragem e desprendimento, desceram
(D) torna-se legítima se houver consenso em todos os grupos na mina para ajudar no salvamento.
quanto à escolha do líder e ao modo como ele irá mobilizar esses (Douglas Jorge; São Paulo, SP; www.folha.com.br – painel
grupos em torno de seus objetivos pessoais. do leitor – 17/10/2010)

Didatismo e Conhecimento 4
LÍNGUA PORTUGUESA
Considerando o tipo textual apresentado, algumas expressões (C) comercial e movimentado.
demonstram o posicionamento pessoal do leitor diante do fato por (D) bucólico e sossegado.
ele narrado. Tais marcas textuais podem ser encontradas nos tre- (E) opressivo e agitado.
chos a seguir, EXCETO:
A) “Assisti ao maior espetáculo da Terra...” 18-) (POLÍCIA MILITAR/TO – SOLDADO – CONSUL-
B) “... após 69 dias de permanência no fundo de uma mina de PLAN/2013 - ADAPTADA) Texto para responder à questão.
cobre e ouro no Chile.”
C) “Não se pode esquecer a ajuda técnica e material...”
D) “... gesto humanitário que só enobrece esses países.”
E) “... demonstrando coragem e desprendimento, desceram na
mina...”

(DCTA – TÉCNICO 1 – SEGURANÇA DO TRABALHO


– VUNESP/2013 - ADAPTADA) Leia o texto para responder às
questões de números 15 a 17.
Férias na Ilha do Nanja
Meus amigos estão fazendo as malas, arrumando as malas
nos seus carros, olhando o céu para verem que tempo faz, pensan-
do nas suas estradas – barreiras, pedras soltas, fissuras* – sem fa-
lar em bandidos, milhões de bandidos entre as fissuras, as pedras (Adail et al II. Antologia brasileira de humor. Volume 1. Porto
soltas e as barreiras... Alegre: L&PM, 1976. p. 95.)
Meus amigos partem para as suas férias, cansados de tanto
trabalho; de tanta luta com os motoristas da contramão; enfim, A charge anterior é de Luiz Carlos Coutinho, cartunista mi-
cansados, cansados de serem obrigados a viver numa grande ci- neiro mais conhecido como Caulos. É correto afirmar que o tema
dade, isto que já está sendo a negação da própria vida. apresentado é
E eu vou para a Ilha do Nanja. (A) a oposição entre o modo de pensar e agir.
Eu vou para a Ilha do Nanja para sair daqui. Passarei as (B) a rapidez da comunicação na Era da Informática.
férias lá, onde, à beira das lagoas verdes e azuis, o silêncio cresce (C) a comunicação e sua importância na vida das pessoas.
como um bosque. Nem preciso fechar os olhos: já estou vendo
(D) a massificação do pensamento na sociedade moderna.
os pescadores com suas barcas de sardinha, e a moça à janela a
namorar um moço na outra janela de outra ilha.
(Cecília Meireles, O que se diz e o que se entende. Adaptado) Resolução

*fissuras: fendas, rachaduras 1-)


Pela leitura do texto infere-se que os “reis e rainhas” do sécu-
15-) (DCTA – TÉCNICO 1 – SEGURANÇA DO TRABA- lo 20 são as personalidades da mídia, os “famosos” e “famosas”.
LHO – VUNESP/2013) No primeiro parágrafo, ao descrever a Quanto a príncipes e princesas do século 19, esses eram da corte,
maneira como se preparam para suas férias, a autora mostra que literalmente.
seus amigos estão
(A) serenos. RESPOSTA: “B”.
(B) descuidados.
(C) apreensivos. 2-)
(D) indiferentes. Pela leitura do poema identifica-se, apenas, a informação con-
(E) relaxados. tida na alternativa: revelar segredos para o amigo pode ser arris-
cado.
16-) (DCTA – TÉCNICO 1 – SEGURANÇA DO TRABA-
LHO – VUNESP/2013) De acordo com o texto, pode-se afirmar RESPOSTA: “D”.
que, assim como seus amigos, a autora viaja para
(A) visitar um lugar totalmente desconhecido.
3-)
(B) escapar do lugar em que está.
Pela leitura do texto percebe-se, claramente, que a autora nar-
(C) reencontrar familiares queridos.
(D) praticar esportes radicais. ra um momento simples, mas que é prazeroso ao casal.
(E) dedicar-se ao trabalho.
RESPOSTA: “D”.
17-) Ao descrever a Ilha do Nanja como um lugar onde, “à 4-)
beira das lagoas verdes e azuis, o silêncio cresce como um bosque” Com palavras do próprio texto responderemos: o mundo cabe
(último parágrafo), a autora sugere que viajará para um lugar numa fresta.
(A) repulsivo e populoso.
(B) sombrio e desabitado. RESPOSTA: “A”.

Didatismo e Conhecimento 5
LÍNGUA PORTUGUESA
5-) 12-)
Vamos ao texto: O riso é tão universal como a seriedade; ele Pela leitura do texto, dentre as alternativas apresentadas, a que
abarca a totalidade do universo (...). Os termos relacionam-se. O está coerente com o sentido dado à palavra “inter-relação” é: “a
pronome “ele” retoma o sujeito “riso”. criação de interesses mútuos entre membros de uma equipe e de
respeito às metas que devem ser alcançadas por todos”.
RESPOSTA: “CERTO”.
RESPOSTA: “D”.
6-)
Voltemos ao texto: “depois do apagão que atingiu pelo menos 13-)
1.800 cidades”. O “que” pode ser substituído por “o qual”, portan- Não pressupõe proximidade física ou temporal = o aprendi-
to, trata-se de um pronome relativo (oração subordinada adjetiva). zado da liderança pode ser produtivo, mesmo se houver distância
Quando há presença de vírgula, temos uma adjetiva explicativa no tempo e no espaço entre aquele que influencia e aquele que é
(generaliza a informação da oração principal. A construção seria: influenciado.
“do apagão, que atingiu pelo menos 1800 cidades em 18 estados
do país”); quando não há, temos uma adjetiva restritiva (restringe, RESPOSTA: “C”.
delimita a informação – como no caso do exercício).
14-)
RESPOSTA: “CERTO’. Em todas as alternativas há expressões que representam a opi-
nião do autor: Assisti ao maior espetáculo da Terra / Não se pode
7-) esquecer / gesto humanitário que só enobrece / demonstrando co-
“A carga foi desviada e a viatura, com os vigilantes, abando- ragem e desprendimento.
nada em Pirituba, na zona norte de São Paulo.” Trata-se da figura
de linguagem (de construção ou sintaxe) “zeugma”, que consis- RESPOSTA: “B”.
te na omissão de um termo já citado anteriormente (diferente da
15-)
elipse, que o termo não é citado, mas facilmente identificado). No
“pensando nas suas estradas – barreiras, pedras soltas, fissuras
enunciado temos a narração de que a carga foi desviada e de que a
– sem falar em bandidos, milhões de bandidos entre as fissuras, as
viatura foi abandonada.
pedras soltas e as barreiras...” = pensar nessas coisas, certamente,
deixa-os apreensivos.
RESPOSTA: “D”.
8-)
RESPOSTA: “C”.
Geralmente o efeito de humor desses gêneros textuais aparece 16-)
no desfecho da história, ao final, como nesse: “Ah, porque nós Eu vou para a Ilha do Nanja para sair daqui = resposta da
brigamos e não estamos nos falando”. própria autora!
RESPOSTA: “D”. RESPOSTA: “B”.
9-) 17-)
“O senhor tem hora? (...) Não, não... Eu quero saber se o se- Pela descrição realizada, o lugar não tem nada de ruim.
nhor é paciente” = a recepcionista quer saber se ele marcou horário
e se é paciente do Dr. Pedro. RESPOSTA: “D”.

RESPOSTA: “E”. 18-)


Questão que envolve interpretação “visual”! Fácil. Basta ob-
10-) servar o que as personagens “dizem” e o que “pensam”.
Utilizando trechos do próprio texto, podemos chegar à con-
clusão: O fenômeno da liderança só ocorre na inter-relação; en- RESPOSTA: “A”.
volve duas ou mais pessoas e a existência de necessidades para
serem atendidas ou objetivos para serem alcançados, que requerem Tipologia Textual
a interação cooperativa dos membros envolvidos = equipe
Tipo textual é a forma como um texto se apresenta. As únicas
RESPOSTA: “C”. tipologias existentes são: narração, descrição, dissertação ou ex-
posição, informação e injunção. É importante que não se confun-
11-) da tipo textual com gênero textual.
O texto deixa claro que a importância do líder baseia-se na
valorização de todo o grupo em torno da realização de um objetivo Texto Narrativo - tipo textual em que se conta fatos que ocor-
comum. reram num determinado tempo e lugar, envolvendo personagens e
um narrador. Refere-se a objeto do mundo real ou fictício. Possui
RESPOSTA: “A”. uma relação de anterioridade e posterioridade. O tempo verbal pre-
dominante é o passado.

Didatismo e Conhecimento 6
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- expõe um fato, relaciona mudanças de situação, aponta an- Texto Injuntivo/Instrucional - indica como realizar uma
tes, durante e depois dos acontecimentos (geralmente); ação. Também é utilizado para predizer acontecimentos e com-
- é um tipo de texto sequencial; portamentos. Utiliza linguagem objetiva e simples. Os verbos são,
- relato de fatos; na sua maioria, empregados no modo imperativo, porém nota-se
- presença de narrador, personagens, enredo, cenário, tempo; também o uso do infinitivo e o uso do futuro do presente do modo
- apresentação de um conflito; indicativo. Ex: Previsões do tempo, receitas culinárias, manuais,
- uso de verbos de ação; leis, bula de remédio, convenções, regras e eventos.
- geralmente, é mesclada de descrições;
- o diálogo direto é frequente.
Narração
Texto Descritivo - um texto em que se faz um retrato por es-
A Narração é um tipo de texto que relata uma história real,
crito de um lugar, uma pessoa, um animal ou um objeto. A classe
de palavras mais utilizada nessa produção é o adjetivo, pela sua fictícia ou mescla dados reais e imaginários. O texto narrativo
função caracterizadora. Numa abordagem mais abstrata, pode-se apresenta personagens que atuam em um tempo e em um espaço,
até descrever sensações ou sentimentos. Não há relação de anterio- organizados por uma narração feita por um narrador. É uma série
ridade e posterioridade. É fazer uma descrição minuciosa do obje- de fatos situados em um espaço e no tempo, tendo mudança de um
to ou da personagem a que o texto refere. Nessa espécie textual as estado para outro, segundo relações de sequencialidade e causali-
coisas acontecem ao mesmo tempo. dade, e não simultâneos como na descrição. Expressa as relações
- expõe características dos seres ou das coisas, apresenta uma entre os indivíduos, os conflitos e as ligações afetivas entre esses
visão; indivíduos e o mundo, utilizando situações que contêm essa vi-
- é um tipo de texto figurativo; vência.
- retrato de pessoas, ambientes, objetos; Todas as vezes que uma história é contada (é narrada), o narra-
- predomínio de atributos; dor acaba sempre contando onde, quando, como e com quem ocor-
- uso de verbos de ligação; reu o episódio. É por isso que numa narração predomina a ação: o
- frequente emprego de metáforas, comparações e outras texto narrativo é um conjunto de ações; assim sendo, a maioria dos
figuras de linguagem; verbos que compõem esse tipo de texto são os verbos de ação. O
- tem como resultado a imagem física ou psicológica. conjunto de ações que compõem o texto narrativo, ou seja, a his-
tória que é contada nesse tipo de texto recebe o nome de enredo.
Texto Dissertativo - a dissertação é um texto que analisa, in-
As ações contidas no texto narrativo são praticadas pelas per-
terpreta, explica e avalia dados da realidade. Esse tipo textual re-
sonagens, que são justamente as pessoas envolvidas no episódio
quer reflexão, pois as opiniões sobre os fatos e a postura crítica em
relação ao que se discute têm grande importância. O texto disserta- que está sendo contado. As personagens são identificadas (nomea-
tivo é temático, pois trata de análises e interpretações; o tempo ex- das) no texto narrativo pelos substantivos próprios.
plorado é o presente no seu valor atemporal; é constituído por uma Quando o narrador conta um episódio, às vezes (mesmo sem
introdução onde o assunto a ser discutido é apresentado, seguido querer) ele acaba contando “onde” (em que lugar)  as ações do
por uma argumentação que caracteriza o ponto de vista do autor enredo foram realizadas pelas personagens. O lugar onde ocorre
sobre o assunto em evidência. Nesse tipo de texto a expressão das uma ação ou ações  é chamado de espaço, representado no texto
ideias, valores, crenças são claras, evidentes, pois é um tipo de pelos advérbios de lugar.
texto que propõe a reflexão, o debate de ideias. A linguagem ex- Além de contar onde, o narrador também pode esclarecer
plorada é a denotativa, embora o uso da conotação possa marcar “quando” ocorreram as ações da história. Esse elemento da narra-
um estilo pessoal. A objetividade é um fator importante, pois dá tiva é o tempo, representado no texto narrativo através dos tempos
ao texto um valor universal, por isso geralmente o enunciador não verbais, mas principalmente pelos advérbios de tempo. É o tempo
aparece porque o mais importante é o assunto em questão e não que ordena as ações no texto narrativo: é ele que indica ao leitor
quem fala dele. A ausência do emissor é importante para que a “como” o fato narrado aconteceu.
ideia defendida torne algo partilhado entre muitas pessoas, sendo A história contada, por isso, passa por uma introdução (parte
admitido o emprego da 1ª pessoa do plural - nós, pois esse não inicial da história, também chamada de prólogo), pelo desenvolvi-
descaracteriza o discurso dissertativo. mento do enredo (é a história propriamente dita, o meio, o “miolo”
- expõe um tema, explica, avalia, classifica, analisa;
da narrativa, também chamada de trama) e termina com a conclu-
- é um tipo de texto argumentativo.
são da história (é o final ou epílogo). Aquele que conta a história
- defesa de um argumento: apresentação de uma tese que será
é o narrador,  que pode ser pessoal (narra em 1ª pessoa: Eu...) ou
defendida; desenvolvimento ou argumentação; fechamento;
- predomínio da linguagem objetiva; impessoal (narra em 3ª pessoa: Ele...).
- prevalece a denotação. Assim, o texto narrativo é sempre estruturado por verbos de
ação, por advérbios de tempo, por advérbios de lugar e pelos subs-
Texto Argumentativo - esse texto tem a função de persuadir o tantivos que nomeiam as personagens, que são os agentes do texto,
leitor, convencendo-o de aceitar uma ideia imposta pelo texto. É o ou seja, aquelas pessoas que fazem as ações expressas pelos ver-
tipo textual mais presente em manifestos e cartas abertas, e quando bos, formando uma rede: a própria história contada.
também mostra fatos para embasar a argumentação, se torna um Tudo na narrativa depende do narrador, da voz que conta a
texto dissertativo-argumentativo. história.

Didatismo e Conhecimento 7
LÍNGUA PORTUGUESA
Elementos Estruturais (I): que o menino passava de uma situação de não ser terno com o
animalzinho para uma situação de ser; no último verso tem-se a
- Enredo: desenrolar dos acontecimentos. passagem da situação de não ter namorada para a de ter.
- Personagens: são seres que se movimentam, se relacionam e Verifica-se, pois, que nesse texto há um grande conjunto de
dão lugar à trama que se estabelece na ação. Revelam-se por meio mudanças de situação. É isso que define o que se chama o compo-
de características físicas ou psicológicas. Os personagens podem nente narrativo do texto, ou seja, narrativa é uma mudança de es-
ser lineares (previsíveis), complexos, tipos sociais (trabalhador, tado pela ação de alguma personagem, é uma transformação de si-
estudante, burguês etc.) ou tipos humanos (o medroso, o tímido, o tuação. Mesmo que essa personagem não apareça no texto, ela está
avarento etc.), heróis ou anti-heróis, protagonistas ou antagonistas. logicamente implícita. Assim, por exemplo, se o menino ganhou
- Narrador: é quem conta a história. um porquinho-da-índia, é porque alguém lhe deu o animalzinho.
- Espaço: local da ação. Pode ser físico ou psicológico. Assim, há basicamente, dois tipos de mudança: aquele em que al-
- Tempo: época em que se passa a ação. Cronológico: o tem- guém recebe alguma coisa (o menino passou a ter o porquinho-da
po convencional (horas, dias, meses); Psicológico: o tempo inte- índia) e aquele alguém perde alguma coisa (o porquinho perdia, a
rior, subjetivo. cada vez que o menino o levava para outro lugar, o espaço confor-
tável de debaixo do fogão). Assim, temos dois tipos de narrativas:
Elementos Estruturais (II): de aquisição e de privação.

Personagens - Quem? Protagonista/Antagonista Existem três tipos de foco narrativo:


Acontecimento - O quê? Fato
Tempo - Quando? Época em que ocorreu o fato - Narrador-personagem: é aquele que conta a história na
Espaço - Onde? Lugar onde ocorreu o fato qual é participante. Nesse caso ele é narrador e personagem ao
Modo - Como? De que forma ocorreu o fato mesmo tempo, a história é contada em 1ª pessoa.
Causa - Por quê? Motivo pelo qual ocorreu o fato - Narrador-observador: é aquele que conta a história como
alguém que observa tudo que acontece e transmite ao leitor, a his-
Resultado - previsível ou imprevisível.
tória é contada em 3ª pessoa.
Final - Fechado ou Aberto.
- Narrador-onisciente: é o que sabe tudo sobre o enredo e as
personagens, revelando seus pensamentos e sentimentos íntimos.
Esses elementos estruturais combinam-se e articulam-se de
Narra em 3ª pessoa e sua voz, muitas vezes, aparece misturada
tal forma, que não é possível compreendê-los isoladamente, como
com pensamentos dos personagens (discurso indireto livre).
simples exemplos de uma narração. Há uma relação de implica-
ção mútua entre eles, para garantir coerência e verossimilhança
Estrutura:
à história narrada. Quanto aos elementos da narrativa, esses não
estão, obrigatoriamente sempre presentes no discurso, exceto as - Apresentação: é a parte do texto em que são apresentados
personagens ou o fato a ser narrado. alguns personagens e expostas algumas circunstâncias da história,
como o momento e o lugar onde a ação se desenvolverá.
Exemplo: - Complicação: é a parte do texto em que se inicia propria-
mente a ação. Encadeados, os episódios se sucedem, conduzindo
Porquinho-da-índia ao clímax.
- Clímax: é o ponto da narrativa em que a ação atinge seu
Quando eu tinha seis anos momento crítico, tornando o desfecho inevitável.
Ganhei um porquinho-da-índía. - Desfecho: é a solução do conflito produzido pelas ações dos
Que dor de coração me dava personagens.
Porque o bichinho só queria estar debaixo do fogão!
Levava ele pra sala Tipos de Personagens:
Pra os lugares mais bonitos mais limpinhos
Ele não gostava: Os personagens têm muita importância na construção de um
Queria era estar debaixo do fogão. texto narrativo, são elementos vitais. Podem ser principais ou se-
Não fazia caso nenhum das minhas ternurinhas... cundários, conforme o papel que desempenham no enredo, po-
- O meu porquinho-da-índia foi a minha primeira namorada. dem ser apresentados direta ou indiretamente.
A apresentação direta acontece quando o personagem aparece
Manuel Bandeira. Estrela da vida inteira. 4ª ed. de forma clara no texto, retratando suas características físicas e/ou
Rio de Janeiro, José Olympio, 1973, pág. 110. psicológicas, já a apresentação indireta se dá quando os persona-
gens aparecem aos poucos e o leitor vai construindo a sua imagem
Observe que, no texto acima, há um conjunto de transforma- com o desenrolar do enredo, ou seja, a partir de suas ações, do que
ções de situação: ganhar um porquinho-da-índia é passar da situa- ela vai fazendo e do modo como vai fazendo.
ção de não ter o animalzinho para a de tê-lo; levá-lo para a sala ou
para outros lugares é passar da situação de ele estar debaixo do - Em 1ª pessoa:
fogão para a de estar em outros lugares; ele não gostava: “queria
era estar debaixo do fogão” implica a volta à situação anterior; Personagem Principal: há um “eu” participante que conta a
“não fazia caso nenhum das minhas ternurinhas” dá a entender história e é o protagonista. Exemplo:

Didatismo e Conhecimento 8
LÍNGUA PORTUGUESA
“Parei na varanda, ia tonto, atordoado, as pernas bambas, o __ Passar o pão no molho da almôndega. Fica muito mais gos-
coração parecendo querer sair-me pela boca fora. Não me atrevia toso.
a descer à chácara, e passar ao quintal vizinho. Comecei a andar O homem olha para os meninos.
de um lado para outro, estacando para amparar-me, e andava outra __ O preço é o mesmo – informa o rapaz.
vez e estacava.” __ Está certo.
(Machado de Assis. Dom Casmurro) Os três sentam-se numa das mesas, de forma canhestra, como
se o estivessem fazendo pela primeira vez na vida.
Observador: é como se dissesse: É verdade, pode acreditar, O rapaz de cabeça pelada traz as bebidas e os copos e, em se-
eu estava lá e vi. Exemplo: guida, num pratinho, os dois pães com meia almôndega cada um.
O homem e (mais do que ele) os meninos olham para dentro dos
“Batia nos noventa anos o corpo magro, mas sempre teso do pães, enquanto o rapaz cúmplice se retira.
Jango Jorge, um que foi capitão duma maloca de contrabandista Os meninos aguardam que a mão adulta leve solene o copo de
que fez cancha nos banhados do Ibirocaí. cerveja até a boca, depois cada um prova o seu guaraná e morde o
Esse gaúcho desabotinado levou a existência inteira a cruzar primeiro bocado do pão.
os campos da fronteira; à luz do Sol, no desmaiado da Lua, na O homem toma a cerveja em pequenos goles, observando cri-
escuridão das noites, na cerração das madrugadas...; ainda que teriosamente o menino mais velho e o menino mais novo absorvi-
chovesse reiúnos acolherados ou que ventasse como por alma de dos com o sanduíche e a bebida.
padre, nunca errou vau, nunca perdeu atalho, nunca desandou cru- Eles não têm pressa. O grande homem e seus dois meninos.
zada!... E permanecem para sempre, humanos e indestrutíveis, sentados
(...) naquela mesa.
Aqui há poucos – coitado! – pousei no arranchamento dele. (Wander Piroli)
Casado ou doutro jeito, afamilhado. Não no víamos desde muito
tempo. (...) Tipos de Discurso:
Fiquei verdeando, à espera, e fui dando um ajutório na matan-
ça dos leitões e no tiramento dos assados com couro. Discurso Direto: o narrador passa a palavra diretamente para
(J. Simões Lopes Neto – Contrabandista) o personagem, sem a sua interferência. Exemplo:

- Em 3ª pessoa: Caso de Desquite

Onisciente: não há um eu que conta; é uma terceira pessoa. __ Vexame de incomodar o doutor (a mão trêmula na boca).
Exemplo: Veja, doutor, este velho caducando. Bisavô, um neto casado. Agora
com mania de mulher. Todo velho é sem-vergonha.
“Devia andar lá pelos cinco anos e meio quando a fantasiaram __ Dobre a língua, mulher. O hominho é muito bom. Só não
de borboleta. Por isso não pôde defender-se. E saiu à rua com ar me pise, fico uma jararaca.
menos carnavalesco deste mundo, morrendo de vergonha da malha __ Se quer sair de casa, doutor, pague uma pensão.
de cetim, das asas e das antenas e, mais ainda, da cara à mostra, __ Essa aí tem filho emancipado. Criei um por um, está bom?
sem máscara piedosa para disfarçar o sentimento impreciso de ri- Ela não contribuiu com nada, doutor. Só deu de mamar no primei-
dículo.” ro mês.
(Ilka Laurito. Sal do Lírico) __Você desempregado, quem é que fazia roça?
__ Isso naquele tempo. O hominho aqui se espalhava. Fui jo-
Narrador Objetivo: não se envolve, conta a história como gado na estrada, doutor. Desde onze anos estou no mundo sem
sendo vista por uma câmara ou filmadora. Exemplo: ninguém por mim. O céu lá em cima, noite e dia o hominho aqui
na carroça. Sempre o mais sacrificado, está bom?
Festa __ Se ficar doente, Severino, quem é que o atende?
__ O doutor já viu urubu comer defunto? Ninguém morre só.
Atrás do balcão, o rapaz de cabeça pelada e avental olha o Sempre tem um cristão que enterra o pobre.
crioulão de roupa limpa e remendada, acompanhado de dois meni- __ Na sua idade, sem os cuidados de uma mulher...
nos de tênis branco, um mais velho e outro mais novo, mas ambos __ Eu arranjo.
com menos de dez anos. __ Só a troco de dinheiro elas querem você. Agora tem dois
Os três atravessam o salão, cuidadosamente, mas resoluta- cavalos. A carroça e os dois cavalos, o que há de melhor. Vai me
mente, e se dirigem para o cômodo dos fundos, onde há seis mesas deixar sem nada?
desertas. __ Você tinha amula e a potranca. A mula vendeu e a potranca,
O rapaz de cabeça pelada vai ver o que eles querem. O ho- deixou morrer. Tenho culpa? Só quero paz, um prato de comida e
mem pergunta em quanto fica uma cerveja, dois guaranás e dois roupa lavada.
pãezinhos. __ Para onde foi a lavadeira?
__ Duzentos e vinte. __ Quem?
O preto concentra-se, aritmético, e confirma o pedido. __ A mulata.
__Que tal o pão com molho? – sugere o rapaz. (...)
__ Como? (Dalton Trevisan – A guerra Conjugal)

Didatismo e Conhecimento 9
LÍNGUA PORTUGUESA
Discurso Indireto: o narrador conta o que o personagem diz, Toda narrativa tem essas quatro mudanças, pois elas se pres-
sem lhe passar diretamente a palavra. Exemplo: supõem logicamente. Com efeito, quando se constata a realização
de uma mudança é porque ela se verificou, e ela efetua-se porque
Frio quem a realiza pode, sabe, quer ou deve fazê-la. Tomemos, por
exemplo, o ato de comprar um apartamento: quando se assina a
O menino tinha só dez anos. escritura, realiza-se o ato de compra; para isso, é necessário poder
Quase meia hora andando. No começo pensou num bonde. (ter dinheiro) e querer ou dever comprar (respectivamente, querer
Mas lembrou-se do embrulhinho branco e bem feito que trazia, deixar de pagar aluguel ou ter necessidade de mudar, por ter sido
afastou a idéia como se estivesse fazendo uma coisa errada. (Nos despejado, por exemplo).
bondes, àquela hora da noite, poderiam roubá-lo, sem que perce- Algumas mudanças são necessárias para que outras se deem.
besse; e depois?... Que é que diria a Paraná?) Assim, para apanhar uma fruta, é necessário apanhar um bambu
Andando. Paraná mandara-lhe não ficar observando as vitri- ou outro instrumento para derrubá-la. Para ter um carro, é preciso
nes, os prédios, as coisas. Como fazia nos dias comuns. Ia firme antes conseguir o dinheiro.
e esforçando-se para não pensar em nada, nem olhar muito para
nada. Narrativa e Narração
__ Olho vivo – como dizia Paraná.
Devagar, muita atenção nos autos, na travessia das ruas. Ele Existe alguma diferença entre as duas? Sim. A narratividade é
ia pelas beiradas. Quando em quando, assomava um guarda nas um componente narrativo que pode existir em textos que não são
esquinas. O seu coraçãozinho se apertava. narrações. A narrativa é a transformação de situações. Por exem-
Na estação da Sorocabana perguntou as horas a uma mulher. plo, quando se diz “Depois da abolição, incentivou-se a imigra-
Sempre ficam mulheres vagabundeando por ali, à noite. Pelo jar- ção de europeus”, temos um texto dissertativo, que, no entanto,
dim, pelos escuros da Alameda Cleveland. Ela lhe deu, ele seguiu. apresenta um componente narrativo, pois contém uma mudança
Ignorava a exatidão de seus cálculos, mas provavelmente faltava de situação: do não incentivo ao incentivo da imigração européia.
mais ou menos uma hora para chegar em casa. Os bondes passa- Se a narrativa está presente em quase todos os tipos de texto,
vam.
o que é narração?
(João Antônio – Malagueta, Perus e Bacanaço)
A narração é um tipo de narrativa. Tem ela três características:
Discurso Indireto-Livre: ocorre uma fusão entre a fala do per-
- é um conjunto de transformações de situação (o texto de Ma-
sonagem e a fala do narrador. É um recurso relativamente recente.
nuel Bandeira – “Porquinho-da-índia”, como vimos, preenche essa
Surgiu com romancistas inovadores do século XX. Exemplo:
condição);
- é um texto figurativo, isto é, opera com personagens e fatos
A Morte da Porta-Estandarte
concretos (o texto “Porquinho-da-índia” preenche também esse
requisito);
Que ninguém o incomode agora. Larguem os seus braços.
Rosinha está dormindo. Não acordem Rosinha. Não é preciso se- - as mudanças relatadas estão organizadas de maneira tal que,
gurá-lo, que ele não está bêbado... O céu baixou, se abriu... Esse entre elas, existe sempre uma relação de anterioridade e posterio-
temporal assim é bom, porque Rosinha não sai. Tenham paciên- ridade (no texto “Porquinho-da-índia” o fato de ganhar o animal é
cia... Largar Rosinha ali, ele não larga não... Não! E esses tambo- anterior ao de ele estar debaixo do fogão, que por sua vez é anterior
res? Ui! Que venham... É guerra... ele vai se espalhar... Por que ao de o menino levá-lo para a sala, que por seu turno é anterior ao
não está malhando em sua cabeça?... (...) Ele vai tirar Rosinha da de o porquinho-da-índia voltar ao fogão).
cama... Ele está dormindo, Rosinha... Fugir com ela, para o fundo
do País... Abraçá-la no alto de uma colina... Essa relação de anterioridade e posterioridade é sempre perti-
(Aníbal Machado) nente num texto narrativo, mesmo que a sequência linear da tem-
poralidade apareça alterada. Assim, por exemplo, no romance ma-
Sequência Narrativa: chadiano Memórias póstumas de Brás Cubas, quando o narrador
começa contando sua morte para em seguida relatar sua vida, a
Uma narrativa não tem uma única mudança, mas várias: uma sequência temporal foi modificada. No entanto, o leitor reconstitui,
coordena-se a outra, uma implica a outra, uma subordina-se a ou- ao longo da leitura, as relações de anterioridade e de posteriorida-
tra. de.
A narrativa típica tem quatro mudanças de situação: Resumindo: na narração, as três características explicadas
- uma em que uma personagem passa a ter um querer ou um acima (transformação de situações, figuratividade e relações de
dever (um desejo ou uma necessidade de fazer algo); anterioridade e posterioridade entre os episódios relatados) devem
- uma em que ela adquire um saber ou um poder (uma compe- estar presentes conjuntamente. Um texto que tenha só uma ou duas
tência para fazer algo); dessas características não é uma narração.
- uma em que a personagem executa aquilo que queria ou de-
via fazer (é a mudança principal da narrativa); Esquema que pode facilitar a elaboração de seu texto narra-
- uma em que se constata que uma transformação se deu e em tivo:
que se podem atribuir prêmios ou castigos às personagens (geral-
mente os prêmios são para os bons, e os castigos, para os maus). - Introdução: citar o fato, o tempo e o lugar, ou seja, o que
aconteceu, quando e onde.

Didatismo e Conhecimento 10
LÍNGUA PORTUGUESA
- Desenvolvimento: causa do fato e apresentação dos perso- Tipologia da Narrativa Não-Ficcional:
nagens. - Memorialismo
- Desenvolvimento: detalhes do fato. - Notícias
- Conclusão: consequências do fato. - Relatos
- História da Civilização
Caracterização Formal:
Apresentação da Narrativa:
Em geral, a narrativa se desenvolve na prosa. O aspecto nar-
rativo apresenta, até certo ponto, alguma subjetividade, porquanto - visual: texto escrito; legendas + desenhos (história em qua-
a criação e o colorido do contexto estão em função da individuali- drinhos) e desenhos.
dade e do estilo do narrador. Dependendo do enfoque do redator, a - auditiva: narrativas radiofonizadas; fitas gravadas e discos.
narração terá diversas abordagens. Assim é de grande importância - audiovisual: cinema; teatro e narrativas televisionadas.
saber se o relato é feito em primeira pessoa ou terceira pessoa. No
Descrição
primeiro caso, há a participação do narrador; segundo, há uma in-
ferência do último através da onipresença e onisciência.
É a representação com palavras de um objeto, lugar, situa-
Quanto à temporalidade, não há rigor na ordenação dos acon-
ção ou coisa, onde procuramos mostrar os traços mais particulares
tecimentos: esses podem oscilar no tempo, transgredindo o aspecto ou individuais do que se descreve. É qualquer elemento que seja
linear e constituindo o que se denomina “flashback”. O narrador apreendido pelos sentidos e transformado, com palavras, em ima-
que usa essa técnica (característica comum no cinema moderno) gens. Sempre que se expõe com detalhes um objeto, uma pessoa
demonstra maior criatividade e originalidade, podendo observar as ou uma paisagem a alguém, está fazendo uso da descrição. Não é
ações ziguezagueando no tempo e no espaço. necessário que seja perfeita, uma vez que o ponto de vista do ob-
servador varia de acordo com seu grau de percepção. Dessa forma,
Exemplo - Personagens o que será importante ser analisado para um, não será para outro.
A vivência de quem descreve também influencia na hora de trans-
“Aboletado na varanda, lendo Graciliano Ramos, O Dr. mitir a impressão alcançada sobre determinado objeto, pessoa, ani-
Amâncio não viu a mulher chegar. mal, cena, ambiente, emoção vivida ou sentimento.
- Não quer que se carpa o quintal, moço?
Estava um caco: mal vestida, cheirando a fumaça, a face es- Exemplos:
calavrada. Mas os olhos... (sempre guardam alguma coisa do pas-
sado, os olhos).” (I) “De longe via a aleia onde a tarde era clara e redonda. Mas
a penumbra dos ramos cobria o atalho.
(Kiefer, Charles. A dentadura postiça. Porto Alegre: Mer- Ao seu redor havia ruídos serenos, cheiro de árvores, peque-
cado Aberto, p. 5O) nas surpresas entre os cipós. Todo o jardim triturado pelos instan-
tes já mais apressados da tarde. De onde vinha o meio sonho pelo
Exemplo - Espaço qual estava rodeada? Como por um zunido de abelhas e aves. Tudo
Considerarei longamente meu pequeno deserto, a redondeza era estranho, suave demais, grande demais.”
escura e uniforme dos seixos. Seria o leito seco de algum rio. Não (extraído de “Amor”, Laços de Família, Clarice Lispector)
havia, em todo o caso, como negar-lhe a insipidez.”
(Linda, Ieda. As amazonas segundo tio Hermann. Porto (II) Chamava-se Raimundo este pequeno, e era mole, aplica-
Alegre: Movimento, 1981, p. 51) do, inteligência tarda. Raimundo gastava duas horas em reter aqui-
lo que a outros levava apenas trinta ou cinquenta minutos; vencia
com o tempo o que não podia fazer logo com o cérebro. Reunia a
Exemplo - Tempo
isso grande medo ao pai. Era uma criança fina, pálida, cara doente;
raramente estava alegre. Entrava na escola depois do pai e retirava-
“Sete da manhã. Honorato Madeira acorda e lembra-se: a mu- se antes. O mestre era mais severo com ele do que conosco.
lher lhe pediu que a chamasse cedo.” (Machado de Assis. “Conto de escola”. Contos. 3ed.
(Veríssimo, Érico. Caminhos Cruzados. p.4) São Paulo, Ática, 1974, págs. 31-32.)
Tipologia da Narrativa Ficcional: Esse texto traça o perfil de Raimundo, o filho do professor da
escola que o escritor frequentava. Deve-se notar:
- Romance - que todas as frases expõem ocorrências simultâneas (ao
- Conto mesmo tempo que gastava duas horas para reter aquilo que os ou-
- Crônica tros levavam trinta ou cinquenta minutos, Raimundo tinha grande
- Fábula medo ao pai);
- Lenda - por isso, não existe uma ocorrência que possa ser conside-
- Parábola rada cronologicamente anterior a outra do ponto de vista do relato
- Anedota (no nível dos acontecimentos, entrar na escola é cronologicamente
- Poema Épico anterior a retirar-se dela; no nível do relato, porém, a ordem dessas

Didatismo e Conhecimento 11
LÍNGUA PORTUGUESA
duas ocorrências é indiferente: o que o escritor quer é explicitar - Devem-se evitar os verbos e, se isso não for possível, que se
uma característica do menino, e não traçar a cronologia de suas usem então as formas nominais, o presente e o pretério imperfeito
ações); do indicativo, dando-se sempre preferência aos verbos que indi-
- ainda que se fale de ações (como entrava, retirava-se), todas quem estado ou fenômeno.
elas estão no pretérito imperfeito, que indica concomitância em - Todavia deve predominar o emprego das comparações, dos
relação a um marco temporal instalado no texto (no caso, o ano de adjetivos e dos advérbios, que conferem colorido ao texto.
1840, em que o escritor frequentava a escola da rua da Costa) e,
portanto, não denota nenhuma transformação de estado; A característica fundamental de um texto descritivo é essa
- se invertêssemos a sequência dos enunciados, não correría- inexistência de progressão temporal. Pode-se apresentar, numa
mos o risco de alterar nenhuma relação cronológica - poderíamos descrição, até mesmo ação ou movimento, desde que eles sejam
mesmo colocar o últímo período em primeiro lugar e ler o texto sempre simultâneos, não indicando progressão de uma situação
do fim para o começo: O mestre era mais severo com ele do que anterior para outra posterior. Tanto é que uma das marcas linguís-
conosco. Entrava na escola depois do pai e retirava-se antes... ticas da descrição é o predomínio de verbos no presente ou no pre-
térito imperfeito do indicativo: o primeiro expressa concomitância
em relação ao momento da fala; o segundo, em relação a um marco
Evidentemente, quando se diz que a ordem dos enunciados
temporal pretérito instalado no texto.
pode ser invertida, está-se pensando apenas na ordem cronológica,
Para transformar uma descrição numa narração, bastaria in-
pois, como veremos adiante, a ordem em que os elementos são
troduzir um enunciado que indicasse a passagem de um estado
descritos produz determinados efeitos de sentido. anterior para um posterior. No caso do texto II inicial, para trans-
Quando alteramos a ordem dos enunciados, precisamos fazer formá-lo em narração, bastaria dizer: Reunia a isso grande medo
certas modificações no texto, pois este contém anafóricos (pala- do pai. Mais tarde, Iibertou-se desse medo...
vras que retomam o que foi dito antes, como ele, os, aquele, etc. ou
catafóricos (palavras que anunciam o que vai ser dito, como este, Características Linguísticas:
etc.), que podem perder sua função e assim não ser compreendi-
dos. Se tomarmos uma descrição como As flores manifestavam O enunciado narrativo, por ter a representação de um aconte-
todo o seu esplendor. O Sol fazia-as brilhar, ao invertermos a cimento, fazer-transformador, é marcado pela temporalidade, na
ordem das frases, precisamos fazer algumas alterações, para que o relação situação inicial e situação final, enquanto que o enunciado
texto possa ser compreendido: O Sol fazia as flores brilhar. Elas descritivo, não tendo transformação, é atemporal.
manifestavam todo o seu esplendor. Como, na versão original, o Na dimensão linguística, destacam-se marcas sintático-se-
pronome oblíquo as é um anafórico que retoma flores, se alterar- mânticas encontradas no texto que vão facilitar a compreensão:
mos a ordem das frases ele perderá o sentido. Por isso, precisamos - Predominância de verbos de estado, situação ou indicadores
mudar a palavra flores para a primeira frase e retomá-la com o de propriedades, atitudes, qualidades, usados principalmente no
anafórico elas na segunda. presente e no imperfeito do indicativo (ser, estar, haver, situar-se,
Por todas essas características, diz-se que o fragmento do existir, ficar).
conto de Machado é descritivo. Descrição é o tipo de texto em - Ênfase na adjetivação para melhor caracterizar o que é des-
que se expõem características de seres concretos (pessoas, objetos, crito;
situações, etc.) consideradas fora da relação de anterioridade e de
posterioridade. Exemplo:

Características: “Era alto, magro, vestido todo de preto, com o pescoço entala-
do num colarinho direito. O rosto aguçado no queixo ia-se alargan-
- Ao fazer a descrição enumeramos características, compara- do até à calva, vasta e polida, um pouco amolgado no alto; tingia
os cabelos que de uma orelha à outra lhe faziam colar por trás da
ções e inúmeros elementos sensoriais;
nuca - e aquele preto lustroso dava, pelo contraste, mais brilho à
- As personagens podem ser caracterizadas física e psicologi-
calva; mas não tingia o bigode; tinha-o grisalho, farto, caído aos
camente, ou pelas ações;
cantos da boca. Era muito pálido; nunca tirava as lunetas escuras.
- A descrição pode ser considerada um dos elementos consti-
Tinha uma covinha no queixo, e as orelhas grandes muito despe-
tutivos da dissertação e da argumentação; gadas do crânio.”
- É impossível separar narração de descrição; (Eça de Queiroz - O Primo Basílio)
- O que se espera não é tanto a riqueza de detalhes, mas sim
a capacidade de observação que deve revelar aquele que a realiza. - Emprego de figuras (metáforas, metonímias, comparações,
- Utilizam, preferencialmente, verbos de ligação. Exemplo: sinestesias). Exemplo:
“(...) Ângela tinha cerca de vinte anos; parecia mais velha pelo
desenvolvimento das proporções. Grande, carnuda, sanguínea e “Era o Sr. Lemos um velho de pequena estatura, não muito
fogosa, era um desses exemplares excessivos do sexo que pare- gordo, mas rolho e bojudo como um vaso chinês. Apesar de seu
cem conformados expressamente para esposas da multidão (...)” corpo rechonchudo, tinha certa vivacidade buliçosa e saltitante que
(Raul Pompéia – O Ateneu) lhe dava petulância de rapaz e casava perfeitamente com os olhi-
- Como na descrição o que se reproduz é simultâneo, não exis- nhos de azougue.”
te relação de anterioridade e posterioridade entre seus enunciados. (José de Alencar - Senhora)

Didatismo e Conhecimento 12
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- Uso de advérbios de localização espacial. Exemplo: “(...) Quando conheceu Joca Ramiro, então achou outra espe-
rança maior: para ele, Joca Ramiro era único homem, par-de-fran-
“Até os onze anos, eu morei numa casa, uma casa velha, e essa ça, capaz de tomar conta deste sertão nosso, mandando por lei, de
casa era assim: na frente, uma grade de ferro; depois você entrava sobregoverno.”
tinha um jardinzinho; no final tinha uma escadinha que devia ter (Guimarães Rosa – Grande Sertão: Veredas)
uns cinco degraus; aí você entrava na sala da frente; dali tinha um
corredor comprido de onde saíam três portas; no final do corredor Os efeitos de sentido criados pela disposição dos elementos
tinha a cozinha, depois tinha uma escadinha que ia dar no quintal e descritivos:
atrás ainda tinha um galpão, que era o lugar da bagunça...”
(Entrevista gravada para o Projeto NURC/RJ) Como se disse anteriormente, do ponto de vista da progressão
temporal, a ordem dos enunciados na descrição é indiferente, uma
Recursos: vez que eles indicam propriedades ou características que ocorrem
simultaneamente. No entanto, ela não é indiferente do ponto de
- Usar impressões cromáticas (cores) e sensações térmicas.
vista dos efeitos de sentido: descrever de cima para baixo ou vice-
Ex: O dia transcorria amarelo, frio, ausente do calor alegre do sol.
versa, do detalhe para o todo ou do todo para o detalhe cria efeitos
- Usar o vigor e relevo de palavras fortes, próprias, exatas,
de sentido distintos.
concretas. Ex: As criaturas humanas transpareciam um céu sereno,
uma pureza de cristal. Observe os dois quartetos do soneto “Retrato Próprio”, de Bo-
- As sensações de movimento e cor embelezam o poder da cage:
natureza e a figura do homem. Ex: Era um verde transparente que
deslumbrava e enlouquecia qualquer um. Magro, de olhos azuis, carão moreno,
- A frase curta e penetrante dá um sentido de rapidez do texto. bem servido de pés, meão de altura,
Ex: Vida simples. Roupa simples. Tudo simples. O pessoal, muito triste de facha, o mesmo de figura,
crente. nariz alto no meio, e não pequeno.

A descrição pode ser apresentada sob duas formas: Incapaz de assistir num só terreno,
mais propenso ao furor do que à ternura;
Descrição Objetiva: quando o objeto, o ser, a cena, a passa- bebendo em níveas mãos por taça escura
gem são apresentadas como realmente são, concretamente. Exem- de zelos infernais letal veneno.
plo:
Obras de Bocage. Porto, Lello & Irmão, 1968, pág. 497.
“Sua altura é 1,85m. Seu peso, 70kg. Aparência atlética, om-
bros largos, pele bronzeada. Moreno, olhos negros, cabelos ne- O poeta descreve-se das características físicas para as caracte-
gros e lisos”. rísticas morais. Se fizesse o inverso, o sentido não seria o mesmo,
pois as características físicas perderiam qualquer relevo.
Não se dá qualquer tipo de opinião ou julgamento. Exemplo: O objetivo de um texto descritivo é levar o leitor a visualizar
uma cena. É como traçar com palavras o retrato de um objeto,
“A casa velha era enorme, toda em largura, com porta central lugar, pessoa etc., apontando suas características exteriores, facil-
que se alcançava por três degraus de pedra e quatro janelas de gui- mente identificáveis (descrição objetiva), ou suas características
lhotina para cada lado. Era feita de pau-a-pique barreado, dentro psicológicas e até emocionais (descrição subjetiva).
de uma estrutura de cantos e apoios de madeira-de-lei. Telhado de Uma descrição deve privilegiar o uso frequente de adjetivos,
quatro águas. Pintada de roxo-claro. Devia ser mais velha que Juiz
também denominado adjetivação. Para facilitar o aprendizado des-
de Fora, provavelmente sede de alguma fazenda que tivesse ficado,
ta técnica, sugere-se que o concursando, após escrever seu texto,
capricho da sorte, na linha de passagem da variante do Caminho
sublinhe todos os substantivos, acrescentando antes ou depois des-
Novo que veio a ser a Rua Principal, depois a Rua Direita – sobre
te um adjetivo ou uma locução adjetiva.
a qual ela se punha um pouco de esguelha e fugindo ligeiramente
do alinhamento (...).”
(Pedro Nava – Baú de Ossos) Descrição de objetos constituídos de uma só parte:

Descrição Subjetiva: quando há maior participação da emo- - Introdução: observações de caráter geral referentes à proce-
ção, ou seja, quando o objeto, o ser, a cena, a paisagem são transfi- dência ou localização do objeto descrito.
gurados pela emoção de quem escreve, podendo opinar ou expres- - Desenvolvimento: detalhes (lª parte) - formato (comparação
sar seus sentimentos. Exemplo: com figuras geométricas e com objetos semelhantes); dimensões
“Nas ocasiões de aparato é que se podia tomar pulso ao ho- (largura, comprimento, altura, diâmetro etc.)
mem. Não só as condecorações gritavam-lhe no peito como uma - Desenvolvimento: detalhes (2ª parte) - material, peso, cor/
couraça de grilos. Ateneu! Ateneu! Aristarco todo era um anún- brilho, textura.
cio; os gestos, calmos, soberanos, calmos, eram de um rei...” - Conclusão: observações de caráter geral referentes a sua uti-
(“O Ateneu”, Raul Pompéia) lidade ou qualquer outro comentário que envolva o objeto como
um todo.

Didatismo e Conhecimento 13
LÍNGUA PORTUGUESA
Descrição de objetos constituídos por várias partes: são de algo objetivo ou subjetivo, o redator, ao descrever, precisa
- Introdução: observações de caráter geral referentes à proce- possuir certo grau de sensibilidade. Assim como o pintor capta o
dência ou localização do objeto descrito. mundo exterior ou interior em suas telas, o autor de uma descrição
- Desenvolvimento: enumeração e rápidos comentários das focaliza cenas ou imagens, conforme o permita sua sensibilidade.
partes que compõem o objeto, associados à explicação de como as Conforme o objetivo a alcançar, a descrição pode ser não-li-
partes se agrupam para formar o todo. terária ou literária. Na descrição não-literária, há maior preocu-
- Desenvolvimento: detalhes do objeto visto como um todo pação com a exatidão dos detalhes e a precisão vocabular. Por ser
(externamente) - formato, dimensões, material, peso, textura, cor objetiva, há predominância da denotação.
e brilho.
- Conclusão: observações de caráter geral referentes a sua uti- Textos descritivos não-literários: A descrição técnica é um
lidade ou qualquer outro comentário que envolva o objeto em sua tipo de descrição objetiva: ela recria o objeto usando uma lingua-
totalidade. gem científica, precisa. Esse tipo de texto é usado para descrever
aparelhos, o seu funcionamento, as peças que os compõem, para
Descrição de ambientes: descrever experiências, processos, etc. Exemplo:
- Introdução: comentário de caráter geral.
- Desenvolvimento: detalhes referentes à estrutura global do Folheto de propaganda de carro
ambiente: paredes, janelas, portas, chão, teto, luminosidade e aro-
ma (se houver). Conforto interno - É impossível falar de conforto sem incluir
- Desenvolvimento: detalhes específicos em relação a obje- o espaço interno. Os seus interiores são amplos, acomodando tran-
tos lá existentes: móveis, eletrodomésticos, quadros, esculturas ou quilamente passageiros e bagagens. O Passat e o Passat Variant
quaisquer outros objetos. possuem direção hidráulica e ar condicionado de elevada capaci-
- Conclusão: observações sobre a atmosfera que paira no am- dade, proporcionando a climatização perfeita do ambiente.
biente. Porta-malas - O compartimento de bagagens possui capacida-
de de 465 litros, que pode ser ampliada para até 1500 litros, com o
Descrição de paisagens: encosto do banco traseiro rebaixado.
- Introdução: comentário sobre sua localização ou qualquer Tanque - O tanque de combustível é confeccionado em plás-
outra referência de caráter geral. tico reciclável e posicionado entre as rodas traseiras, para evitar a
- Desenvolvimento: observação do plano de fundo (explica- deformação em caso de colisão.
ção do que se vê ao longe).
- Desenvolvimento: observação dos elementos mais próximos Textos descritivos literários: Na descrição literária predo-
do observador - explicação detalhada dos elementos que compõem mina o aspecto subjetivo, com ênfase no conjunto de associações
a paisagem, de acordo com determinada ordem. conotativas que podem ser exploradas a partir de descrições de
- Conclusão: comentários de caráter geral, concluindo acerca pessoas; cenários, paisagens, espaço; ambientes; situações e coi-
da impressão que a paisagem causa em quem a contempla. sas. Vale lembrar que textos descritivos também podem ocorrer
tanto em prosa como em verso.
Descrição de pessoas (I):
- Introdução: primeira impressão ou abordagem de qualquer Dissertação
aspecto de caráter geral.
- Desenvolvimento: características físicas (altura, peso, cor da A dissertação é uma exposição, discussão ou interpretação de
pele, idade, cabelos, olhos, nariz, boca, voz, roupas). uma determinada ideia. É, sobretudo, analisar algum tema. Pres-
- Desenvolvimento: características psicológicas (personali- supõe um exame crítico do assunto, lógica, raciocínio, clareza,
dade, temperamento, caráter, preferências, inclinações, postura, coerência, objetividade na exposição, um planejamento de traba-
objetivos). lho e uma habilidade de expressão. É em função da capacidade
- Conclusão: retomada de qualquer outro aspecto de caráter crítica que se questionam pontos da realidade social, histórica e
geral. psicológica do mundo e dos semelhantes. Vemos também, que a
dissertação no seu significado diz respeito a um tipo de texto em
Descrição de pessoas (II): que a exposição de uma ideia, através de argumentos, é feita com
- Introdução: primeira impressão ou abordagem de qualquer a finalidade de desenvolver um conteúdo científico, doutrinário ou
aspecto de caráter geral. artístico. Exemplo:
- Desenvolvimento: análise das características físicas, asso- Há três métodos pelos quais pode um homem chegar a ser pri-
ciadas às características psicológicas (1ª parte). meiro-ministro. O primeiro é saber, com prudência, como servir-se
- Desenvolvimento: análise das características físicas, asso- de uma pessoa, de uma filha ou de uma irmã; o segundo, como
ciadas às características psicológicas (2ª parte). trair ou solapar os predecessores; e o terceiro, como clamar, com
- Conclusão: retomada de qualquer outro aspecto de caráter zelo furioso, contra a corrupção da corte. Mas um príncipe discreto
geral. prefere nomear os que se valem do último desses métodos, pois
os tais fanáticos sempre se revelam os mais obsequiosos e sub-
A descrição, ao contrário da narrativa, não supõe ação. É uma servientes à vontade e às paixões do amo. Tendo à sua disposição
estrutura pictórica, em que os aspectos sensoriais predominam. todos os cargos, conservam-se no poder esses ministros subordi-
Porque toda técnica descritiva implica contemplação e apreen- nando a maioria do senado, ou grande conselho, e, afinal, por via

Didatismo e Conhecimento 14
LÍNGUA PORTUGUESA
de um expediente chamado anistia (cuja natureza lhe expliquei), - Características: caracterização de espaços ou aspectos.
garantem-se contra futuras prestações de contas e retiram-se da - Estatísticas: apresentação de dados estatísticos. Ex: “Em
vida pública carregados com os despojos da nação. 1982, eram 15,8 milhões os domicílios brasileiros com televisores.
Jonathan Swift. Viagens de Gulliver. Hoje, são 34 milhões (o sexto maior parque de aparelhos recepto-
São Paulo, Abril Cultural, 1979, p. 234-235. res instalados do mundo). Ao todo, existem no país 257 emisso-
ras (aquelas capazes de gerar programas) e 2.624 repetidoras (que
Esse texto explica os três métodos pelos quais um homem apenas retransmitem sinais recebidos). (...)”
chega a ser primeiro-ministro, aconselha o príncipe discreto a es- - Declaração Inicial: emitir um conceito sobre um fato.
colhê-lo entre os que clamam contra a corrupção na corte e justifi- - Citação: opinião de alguém de destaque sobre o assunto do
ca esse conselho. Observe-se que: texto. Ex: “A principal característica do déspota encontra-se no
- o texto é temático, pois analisa e interpreta a realidade com fato de ser ele o autor único e exclusivo das normas e das regras
conceitos abstratos e genéricos (não se fala de um homem par- que definem a vida familiar, isto é, o espaço privado. Seu poder,
escreve Aristóteles, é arbitrário, pois decorre exclusivamente de
ticular e do que faz para chegar a ser primeiro-ministro, mas do
sua vontade, de seu prazer e de suas necessidades.”
homem em geral e de todos os métodos para atingir o poder);
- Definição: desenvolve-se pela explicação dos termos que
- existe mudança de situação no texto (por exemplo, a mu-
compõem o texto.
dança de atitude dos que clamam contra a corrupção da corte no
- Interrogação: questionamento. Ex: “Volta e meia se faz a
momento em que se tornam primeiros-ministros); pergunta de praxe: afinal de contas, todo esse entusiasmo pelo fu-
- a progressão temporal dos enunciados não tem importân- tebol não é uma prova de alienação?”
cia, pois o que importa é a relação de implicação (clamar contra a - Suspense: alguma informação que faça aumentar a curiosi-
corrupção da corte implica ser corrupto depois da nomeação para dade do leitor.
primeiro-ministro). - Comparação: social e geográfica.
- Enumeração: enumerar as informações. Ex: “Ação à dis-
Características: tância, velocidade, comunicação, linha de montagem, triunfo das
massas, Holocausto: através das metáforas e das realidades que
- ao contrário do texto narrativo e do descritivo, ele é temático; marcaram esses 100 últimos anos, aparece a verdadeira doença do
- como o texto narrativo, ele mostra mudanças de situação; século...”
- ao contrário do texto narrativo, nele as relações de anteriori- - Narração: narrar um fato.
dade e de posterioridade dos enunciados não têm maior importân- Desenvolvimento: é a argumentação da ideia inicial, de forma
cia - o que importa são suas relações lógicas: analogia, pertinência, organizada e progressiva. É a parte maior e mais importante do
causalidade, coexistência, correspondência, implicação, etc. texto. Podem ser desenvolvidos de várias formas:
- a estética e a gramática são comuns a todos os tipos de reda- - Trajetória Histórica: cultura geral é o que se prova com
ção. Já a estrutura, o conteúdo e a estilística possuem característi- este tipo de abordagem.
cas próprias a cada tipo de texto. - Definição: não basta citar, mas é preciso desdobrar a idéia
  principal ao máximo, esclarecendo o conceito ou a definição.
São partes da dissertação: Introdução / Desenvolvimento / - Comparação: estabelecer analogias, confrontar situações
Conclusão. distintas.
- Bilateralidade: quando o tema proposto apresenta pontos
Introdução: em que se apresenta o assunto; se apresenta a favoráveis e desfavoráveis.
ideia principal, sem, no entanto, antecipar seu desenvolvimento. - Ilustração Narrativa ou Descritiva: narrar um fato ou des-
Tipos: crever uma cena.
- Cifras e Dados Estatísticos: citar cifras e dados estatísticos.
- Hipótese: antecipa uma previsão, apontando para prováveis
- Divisão: quando há dois ou mais termos a serem discutidos.
resultados.
Ex: “Cada criatura humana traz duas almas consigo: uma que olha
- Interrogação: Toda sucessão de interrogações deve apre-
de dentro para fora, outra que olha de fora para dentro...” sentar questionamento e reflexão.
- Alusão Histórica: um fato passado que se relaciona a um - Refutação: questiona-se praticamente tudo: conceitos, va-
fato presente. Ex: “A crise econômica que teve início no começo lores, juízos.
dos anos 80, com os conhecidos altos índices de inflação que a dé- - Causa e Consequência: estruturar o texto através dos por-
cada colecionou, agravou vários dos históricos problemas sociais quês de uma determinada situação.
do país. Entre eles, a violência, principalmente a urbana, cuja es- - Oposição: abordar um assunto de forma dialética.
calada tem sido facilmente identificada pela população brasileira.” - Exemplificação: dar exemplos.
- Proposição: o autor explicita seus objetivos.
- Convite: proposta ao leitor para que participe de alguma Conclusão: é uma avaliação final do assunto, um fechamento
coisa apresentada no texto. Ex: Você quer estar “na sua”? Quer se integrado de tudo que se argumentou. Para ela convergem todas as
sentir seguro, ter o sucesso pretendido? Não entre pelo cano! Faça ideias anteriormente desenvolvidas.
parte desse time de vencedores desde a escolha desse momento!
- Contestação: contestar uma idéia ou uma situação. Ex: “É - Conclusão Fechada: recupera a ideia da tese.
importante que o cidadão saiba que portar arma de fogo não é a - Conclusão Aberta: levanta uma hipótese, projeta um pen-
solução no combate à insegurança.” samento ou faz uma proposta, incentivando a reflexão de quem lê.

Didatismo e Conhecimento 15
LÍNGUA PORTUGUESA
Exemplo: É bom lembrarmos que é praticamente impossível opinar
sobre o que não se conhece. A leitura de bons textos é um dos
Direito de Trabalho recursos que permite uma segurança maior no momento de dis-
sertar sobre algum assunto. Debater e pesquisar são atitudes que
Com a queda do feudalismo no século XV, nasce um novo favorecem o senso crítico, essencial no desenvolvimento de um
modelo econômico: o capitalismo, que até o século XX agia por texto dissertativo.
meio da inclusão de trabalhadores e hoje passou a agir por meio
da exclusão. (A) Ainda temos:
A tendência do mundo contemporâneo é tornar todo o traba-
lho automático, devido à evolução tecnológica e a necessidade de Tema: compreende o assunto proposto para discussão, o as-
qualificação cada vez maior, o que provoca o desemprego. Outro sunto que vai ser abordado.
fator que também leva ao desemprego de um sem número de tra- Título: palavra ou expressão que sintetiza o conteúdo discu-
balhadores é a contenção de despesas, de gastos. (B) tido.
Segundo a Constituição, “preocupada” com essa crise social Argumentação: é um conjunto de procedimentos linguísticos
que provém dessa automatização e qualificação, obriga que seja com os quais a pessoa que escreve sustenta suas opiniões, de forma
feita uma lei, em que será dada absoluta garantia aos trabalhado- a torná-las aceitáveis pelo leitor. É fornecer argumentos, ou seja,
res, de que, mesmo que as empresas sejam automatizadas, não per- razões a favor ou contra uma determinada tese.
derão eles seu mercado de trabalho. (C) Estes assuntos serão vistos com mais afinco posteriormente.
Não é uma utopia?!
Um exemplo vivo são os bóias-frias que trabalham na colheita Alguns pontos essenciais desse tipo de texto são:
da cana de açúcar que devido ao avanço tecnológico e a lei do go-
vernador Geraldo Alkmin, defendendo o meio ambiente, proibindo - toda dissertação é uma demonstração, daí a necessidade de
a queima da cana de açúcar para a colheita e substituindo-os então pleno domínio do assunto e habilidade de argumentação;
pelas máquinas, desemprega milhares deles. (D) - em consequência disso, impõem-se à fidelidade ao tema;
Em troca os sindicatos dos trabalhadores rurais dão cursos de - a coerência é tida como regra de ouro da dissertação;
cabeleleiro, marcenaria, eletricista, para não perderem o mercado - impõem-se sempre o raciocínio lógico;
de trabalho, aumentando, com isso, a classe de trabalhos informais. - a linguagem deve ser objetiva, denotativa; qualquer ambi-
Como ficam então aqueles trabalhadores que passaram à vida guidade pode ser um ponto vulnerável na demonstração do que se
estudando, se especializando, para se diferenciarem e ainda estão quer expor. Deve ser clara, precisa, natural, original, nobre, correta
desempregados?, como vimos no último concurso da prefeitura do gramaticalmente. O discurso deve ser impessoal (evitar-se o uso
Rio de Janeiro para “gari”, havia até advogado na fila de inscrição. da primeira pessoa).
(E)
Já que a Constituição dita seu valor ao social que todos têm O parágrafo é a unidade mínima do texto e deve apresentar:
o direito de trabalho, cabe aos governantes desse país, que almeja uma frase contendo a ideia principal (frase nuclear) e uma ou mais
um futuro brilhante, deter, com urgência esse processo de desní- frases que explicitem tal ideia.
veis gritantes e criar soluções eficazes para combater a crise gene- Exemplo: “A televisão mostra uma realidade idealizada (ideia
ralizada (F), pois a uma nação doente, miserável e desigual, não central) porque oculta os problemas sociais realmente graves.
compete a tão sonhada modernidade. (G) (ideia secundária)”.
Vejamos:
1º Parágrafo – Introdução Ideia central: A poluição atmosférica deve ser combatida ur-
gentemente.
A. Tema: Desemprego no Brasil.
Contextualização: decorrência de um processo histórico pro- Desenvolvimento: A poluição atmosférica deve ser comba-
blemático. tida urgentemente, pois a alta concentração de elementos tóxicos
põe em risco a vida de milhares de pessoas, sobretudo daquelas
2º ao 6º Parágrafo – Desenvolvimento que sofrem de problemas respiratórios:

B. Argumento 1: Exploram-se dados da realidade que reme- - A propaganda intensiva de cigarros e bebidas tem levado
tem a uma análise do tema em questão. muita gente ao vício.
C. Argumento 2: Considerações a respeito de outro dado da - A televisão é um dos mais eficazes meios de comunicação
realidade. criados pelo homem.
D. Argumento 3: Coloca-se sob suspeita a sinceridade de - A violência tem aumentado assustadoramente nas cidades e
quem propõe soluções. hoje parece claro que esse problema não pode ser resolvido apenas
E. Argumento 4: Uso do raciocínio lógico de oposição. pela polícia.
- O diálogo entre pais e filhos parece estar em crise atualmente.
7º Parágrafo: Conclusão - O problema dos sem-terra preocupa cada vez mais a socie-
F. Uma possível solução é apresentada. dade brasileira.
G. O texto conclui que desigualdade não se casa com moder-
nidade. O parágrafo pode processar-se de diferentes maneiras:

Didatismo e Conhecimento 16
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Enumeração: Caracteriza-se pela exposição de uma série de Tempo e Espaço: Muitos parágrafos dissertativos marcam
coisas, uma a uma. Presta-se bem à indicação de características, temporal e espacialmente a evolução de ideias, processos.
funções, processos, situações, sempre oferecendo o complemente Exemplos:
necessário à afirmação estabelecida na frase nuclear. Pode-se enu-
merar, seguindo-se os critérios de importância, preferência, classi- Tempo - A comunicação de massas é resultado de uma lenta
ficação ou aleatoriamente. evolução. Primeiro, o homem aprendeu a grunhir. Depois deu um
Exemplo: significado a cada grunhido. Muito depois, inventou a escrita e só
muitos séculos mais tarde é que passou à comunicação de massa.
1- O adolescente moderno está se tornando obeso por várias
Espaço - O solo é influenciado pelo clima. Nos climas úmidos,
causas: alimentação inadequada, falta de exercícios sistemáticos
os solos são profundos. Existe nessas regiões uma forte decompo-
e demasiada permanência diante de computadores e aparelhos de
Televisão. sição de rochas, isto é, uma forte transformação da rocha em terra
pela umidade e calor. Nas regiões temperadas e ainda nas mais
2- Devido à expansão das igrejas evangélicas, é grande o nú- frias, a camada do solo é pouco profunda. (Melhem Adas)
mero de emissoras que dedicam parte da sua programação à veicu-
lação de programas religiosos de crenças variadas. Explicitação: Num parágrafo dissertativo pode-se conceituar,
exemplificar e aclarar as ideias para torná-las mais compreensí-
3- veis.
- A Santa Missa em seu lar. Exemplo: “Artéria é um vaso que leva sangue proveniente do
- Terço Bizantino. coração para irrigar os tecidos. Exceto no cordão umbilical e na
- Despertar da Fé. ligação entre os pulmões e o coração, todas as artérias contém san-
- Palavra de Vida. gue vermelho-vivo, recém oxigenado. Na artéria pulmonar, porém,
- Igreja da Graça no Lar. corre sangue venoso, mais escuro e desoxigenado, que o coração
remete para os pulmões para receber oxigênio e liberar gás carbô-
4- nico”.
- Inúmeras são as dificuldades com que se defronta o governo
brasileiro diante de tantos desmatamentos, desequilíbrios socioló- Antes de se iniciar a elaboração de uma dissertação, deve de-
gicos e poluição.
limitar-se o tema que será desenvolvido e que poderá ser enfocado
- Existem várias razões que levam um homem a enveredar
sob diversos aspectos. Se, por exemplo, o tema é a questão indíge-
pelos caminhos do crime.
na, ela poderá ser desenvolvida a partir das seguintes ideias:
- A gravidez na adolescência é um problema seríssimo, porque
pode trazer muitas consequências indesejáveis.
- O lazer é uma necessidade do cidadão para a sua sobrevivên- - A violência contra os povos indígenas é uma constante na
cia no mundo atual e vários são os tipos de lazer. história do Brasil.
- O Novo Código Nacional de trânsito divide as faltas em vá- - O surgimento de várias entidades de defesa das populações
rias categorias. indígenas.
Comparação: A frase nuclear pode-se desenvolver através da - A visão idealizada que o europeu ainda tem do índio brasi-
comparação, que confronta ideias, fatos, fenômenos e apresenta- leiro.
lhes a semelhança ou dessemelhança. - A invasão da Amazônia e a perda da cultura indígena.

Exemplo: Depois de delimitar o tema que você vai desenvolver, deve


fazer a estruturação do texto.
“A juventude é uma infatigável aspiração de felicidade; a ve-
lhice, pelo contrário, é dominada por um vago e persistente senti- A estrutura do texto dissertativo constitui-se de:
mento de dor, porque já estamos nos convencendo de que a felici-
dade é uma ilusão, que só o sofrimento é real”. Introdução: deve conter a ideia principal a ser desenvolvida
(Arthur Schopenhauer)
(geralmente um ou dois parágrafos). É a abertura do texto, por
isso é fundamental. Deve ser clara e chamar a atenção para dois
Causa e Consequência: A frase nuclear, muitas vezes, encon-
itens básicos: os objetivos do texto e o plano do desenvolvimento.
tra no seu desenvolvimento um segmento causal (fato motivador)
e, em outras situações, um segmento indicando consequências (fa- Contém a proposição do tema, seus limites, ângulo de análise e a
tos decorrentes). hipótese ou a tese a ser defendida.
Desenvolvimento: exposição de elementos que vão funda-
Exemplos: mentar a ideia principal que pode vir especificada através da argu-
- O homem, dia a dia, perde a dimensão de humanidade que mentação, de pormenores, da ilustração, da causa e da consequên-
abriga em si, porque os seus olhos teimam apenas em ver as coisas cia, das definições, dos dados estatísticos, da ordenação cronológi-
imediatistas e lucrativas que o rodeiam. ca, da interrogação e da citação. No desenvolvimento são usados
- O espírito competitivo foi excessivamente exercido entre tantos parágrafos quantos forem necessários para a completa expo-
nós, de modo que hoje somos obrigados a viver numa sociedade sição da ideia. E esses parágrafos podem ser estruturados das cinco
fria e inamistosa. maneiras expostas acima.

Didatismo e Conhecimento 17
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Conclusão: é a retomada da ideia principal, que agora deve na produção e interpretação de enunciados; dito de maneira mais
aparecer de forma muito mais convincente, uma vez que já foi fun- simples, é o que se fala, é o que se escreve em condições reais de
damentada durante o desenvolvimento da dissertação (um pará- comunicação.
grafo). Deve, pois, conter de forma sintética, o objetivo proposto A polêmica pró-gramática x contra gramática é bem antiga;
na instrução, a confirmação da hipótese ou da tese, acrescida da na verdade, surgiu com os gregos, quando surgiram as primeiras
argumentação básica empregada no desenvolvimento. gramáticas. Definida como “arte”, “arte de escrever”, percebe-se
que subjaz à definição a ideia da sua importância para a prática da
Texto Argumentativo língua. São da mesma época também as primeiras críticas, como se
pode ler em Apolônio de Rodes, poeta Alexandrino do séc. II a.C.:
Texto Argumentativo é o texto em que defendemos uma “Raça de gramáticos, roedores que ratais na musa de outrem, estú-
ideia, opinião ou ponto de vista, uma tese, procurando (por todos pidas lagartas que sujais as grandes obras, ó flagelo dos poetas que
mergulhais o espírito das crianças na escuridão, ide para o diabo,
os meios) fazer com que nosso ouvinte/leitor aceite-a, creia nela.
percevejos que devorais os versos belos”.
Num texto argumentativo, distinguem-se três componentes: a tese,
Na atualidade, é grande o número de educadores, filólogos e
os argumentos e as estratégias argumentativas.
linguistas de reconhecido saber que negam a relação entre o estudo
intencional da gramática e a melhora do desempenho linguístico
Tese, ou proposição, é a ideia que defendemos, necessaria- do usuário. Entre esses especialistas, deve-se mencionar o nome
mente polêmica, pois a argumentação implica divergência de opi- do Prof. Celso Pedro Luft com sus obra “Língua e liberdade: por
nião. uma nova concepção de língua materna e seu ensino” (L&PM,
Argumento tem uma origem curiosa: vem do latim Argumen- 1995). Com efeito, o velho pesquisar apaixonado pelos problemas
tum, que tem o tema ARGU, cujo sentido primeiro é “fazer bri- da língua, teórico de espírito lúcido e de larga formação linguísti-
lhar”, “iluminar”, a mesma raiz de “argênteo”, “argúcia”, “arguto”. ca, reúne numa mesma obra convincente fundamentação para seu
Os argumentos de um texto são facilmente localizados: identifica- combate veemente contra o ensino da gramática em sala de aula.
da a tese, faz-se a pergunta por quê? Exemplo: o autor é contra a Por oportuno, uma citação apenas:
pena de morte (tese). Por que... (argumentos). “Quem sabe, lendo este livro muitos professores talvez aban-
Estratégias argumentativas são todos os recursos (verbais e donem a superstição da teoria gramatical, desistindo de querer en-
não-verbais) utilizados para envolver o leitor/ouvinte, para im- sinar a língua por definições, classificações, análises inconsistentes
pressioná-lo, para convencê-lo melhor, para persuadi-lo mais fa- e precárias hauridas em gramáticas. Já seria um grande benefício”.
cilmente, para gerar credibilidade, etc. Deixando-se de lado a perspectiva teórica do Mestre, acima
referida suponha-se que se deva recuperar linguisticamente um
A Estrutura de um Texto Argumentativo jovem estudante universitário cujo texto apresente preocupantes
problemas de concordância, regência, colocação, ortografia, pon-
A argumentação Formal tuação, adequação vocabular, coesão, coerência, informatividade,
entre outros. E, estimando-lhe melhoras, lhe fosse dada uma gra-
A nomenclatura é de Othon Garcia, em sua obra “Comunica- mática que ele passaria a estudar: que é fonética? Que é fonolo-
ção em Prosa Moderna”. O autor, na mencionada obra, apresenta o gia? Que é fonemas? Morfema? Qual é coletivo de borboleta? O
seguinte plano-padrão para o que chama de argumentação formal: feminino de cupim? Como se chama quem nasce na Província de
Proposição (tese): afirmativa suficientemente definida e limi- Entre-Douro-e-Minho? Que é oração subordinada adverbial con-
tada; não deve conter em si mesma nenhum argumento. cessiva reduzida de gerúndio? E decorasse regras de ortografia,
Análise da proposição ou tese: definição do sentido da propo- fizesse lista de homônimos, parônimos, de verbos irregulares... e
estudasse o plural de compostos, todas regras de concordância, re-
sição ou de alguns de seus termos, a fim de evitar mal-entendidos.
gências... os casos de próclise, mesóclise e ênclise. E que, ao cabo
Formulação de argumentos: fatos, exemplos, dados estatís-
de todo esse processo, se voltasse a examinar o desempenho do
ticos, testemunhos, etc.
jovem estudante na produção de um texto. A melhora seria, indubi-
Conclusão. tavelmente, pouco significativa; uma pequena melhora, talvez, na
gramática da frase, mas o problema de coesão, de coerência, de in-
Observe o texto a seguir, que contém os elementos referidos formatividade - quem sabe os mais graves - haveriam de continuar.
do plano-padrão da argumentação formal. Quanto mais não seja porque a gramática tradicional não dá conta
dos mecanismos que presidem à construção do texto.
Gramática e desempenho Linguístico Poder-se-á objetar que a ilustração de há pouco é apenas hi-
potética e que, por isso, um argumento de pouco valor. Contra
Pretende-se demonstrar no presente artigo que o estudo in- argumentar-se-ia dizendo que situação como essa ocorre de fato
tencional da gramática não traz benefícios significativos para o na prática. Na verdade, todo o ensino de 1° e 2° graus é grama-
desempenho linguístico dos utentes de uma língua. ticalista, descritivista, definitório, classificatório, nomenclaturista,
Por “estudo intencional da gramática” entende-se o estudo de prescritivista, teórico. O resultado? Aí estão as estatísticas dos ves-
definições, classificações e nomenclatura; a realização de análises tibulares. Valendo 40 pontos a prova de redação, os escores foram
(fonológica, morfológica, sintática); a memorização de regras (de estes no vestibular 1996/1, na PUC-RS: nota zero: 10% dos candi-
concordância, regência e colocação) - para citar algumas áreas. datos, nota 01: 30%; nota 02: 40%; nota 03: 15%; nota 04: 5%. Ou
O “desempenho linguístico”, por outro lado, é expressão técnica seja, apenas 20% dos candidatos escreveram um texto que pode
definida como sendo o processo de atualização da competência ser considerado bom.

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Finalmente pode-se invocar mais um argumento, lembran- Considerações sobre justiça e equidade
do que são os gramáticos, os linguistas - como especialistas das
línguas - as pessoas que conhecem mais a fundo a estrutura e o Hoje, floresce cada vez mais, no mundo jurídico a acadêmico
funcionamento dos códigos linguísticos. Que se esperaria, de fato, nacional, a ideia de que o julgador, ao apreciar os caos concretos
se houvesse significativa influência do conhecimento teórico da que são apresentados perante os tribunais, deve nortear o seu pro-
língua sobre o desempenho? A resposta é óbvia: os gramáticos e os ceder mais por critérios de justiça e equidade e menos por razões
linguistas seriam sempre os melhores escritores. Como na prática de estrita legalidade, no intuito de alcançar, sempre, o escopo da
isso realmente não acontece, fica provada uma vez mais a tese que real pacificação dos conflitos submetidos à sua apreciação.
se vem defendendo. Semelhante entendimento tem sido sistematicamente reitera-
do, na atualidade, ao ponto de inúmeros magistrados simplesmen-
Vale também o raciocínio inverso: se a relação fosse signifi-
te desprezarem ou desconsiderarem determinados preceitos de lei,
cativa, deveriam os melhores escritores conhecer - teoricamente
fulminando ditos dilemas legais sob a pecha de injustiça ou inade-
- a língua em profundidade. Isso, no entanto, não se confirma na
quação à realidade nacional.
realidade: Monteiro Lobato, quando estudante, foi reprovado em Abstraída qualquer pretensão de crítica ou censura pessoal
língua portuguesa (muito provavelmente por desconhecer teoria aos insignes juízes que se filiam a esta corrente, alguns dos quais
gramatical); Machado de Assis, ao folhar uma gramática declarou reconhecidos como dos mais brilhantes do país, não nos furtamos,
que nada havia entendido; dificilmente um Luis Fernando Verís- todavia, de tecer breves considerações sobre os perigos da genera-
simo saberia o que é um morfema; nem é de se crer que todos os lização desse entendimento.
nossos bons escritores seriam aprovados num teste de Português à Primeiro, porque o mesmo, além de violar os preceitos dos
maneira tradicional (e, no entanto eles são os senhores da língua!). arts. 126 e 127 do CPC, atenta de forma direta e frontal contra os
Portanto, não há como salvar o ensino da língua, como re- princípios da legalidade e da separação de poderes, esteio no qual
cuperar linguisticamente os alunos, como promover um melhor se assenta toda e qualquer ideia de democracia ou limitação de
desempenho linguístico mediante o ensino-estudo da teoria gra- atribuições dos órgãos do Estado.
matical. O caminho é seguramente outro. Isso é o que salientou, e com a costumeira maestria, o insu-
perável José Alberto dos Reis, o maior processualista português,
Gilberto Scarton ao afirmar que: “O magistrado não pode sobrepor os seus próprios
juízos de valor aos que estão encarnados na lei. Não o pode fazer
Eis o esquema do texto em seus quatro estágios: quando o caso se acha previsto legalmente, não o pode fazer mes-
mo quando o caso é omisso”.
Aceitar tal aberração seria o mesmo que ferir de morte qual-
Primeiro Estágio: primeiro parágrafo, em que se enuncia cla-
quer espécie de legalidade ou garantia de soberania popular prove-
ramente a tese a ser defendida.
niente dos parlamentos, até porque, na lúcida visão desse mesmo
Segundo Estágio: segundo parágrafo, em que se definem as processualista, o juiz estaria, nessa situação, se arvorando, de for-
expressões “estudo intencional da gramática” e “desempenho lin- ma absolutamente espúria, na condição de legislador.
güístico”, citadas na tese. A esta altura, adotando tal entendimento, estaria instituciona-
Terceiro Estágio: terceiro, quarto, quinto, sexto, sétimo e oi- lizada a insegurança social, sendo que não haveria mais qualquer
tavo parágrafos, em que se apresentam os argumentos. garantia, na medida em que tudo estaria ao sabor dos humores e
- Terceiro parágrafo: parágrafo introdutório à argumentação. amores do juiz de plantão.
- Quarto parágrafo: argumento de autoridade. De nada adiantariam as eleições, eis que os representantes in-
- Quinto parágrafo: argumento com base em ilustração hipo- dicados pelo povo não poderiam se valer de sua maior atribuição,
tética. ou seja, a prerrogativa de editar as leis.
- Sexto parágrafo: argumento com base em dados estatísticos. Desapareceriam também os juízes de conveniência e oportu-
- Sétimo e oitavo parágrafo: argumento com base em fatos. nidade política típicos dessas casas legislativas, na medida em que
Quarto Estágio: último parágrafo, em que se apresenta a con- sempre poderiam ser afastados por uma esfera revisora excepcio-
clusão. nal.
A própria independência do parlamento sucumbiria integral-
A Argumentação Informal mente frente à possibilidade de inobservância e desconsideração
de suas deliberações.
Ou seja, nada restaria, de cunho democrático, em nossa civi-
A nomenclatura também é de Othon Garcia, na obra já referi-
lização.
da. A argumentação informal apresenta os seguintes estágios:
Já o Poder Judiciário, a quem legitimamente compete fiscali-
- Citação da tese adversária. zar a constitucionalidade e legalidade dos atos dos demais poderes
- Argumentos da tese adversária. do Estado, praticamente aniquilaria as atribuições destes, ditando
- Introdução da tese a ser defendida. a eles, a todo momento, como proceder.
- Argumentos da tese a ser defendida. Nada mais é preciso dizer para demonstrar o desacerto dessa
- Conclusão. concepção.
Entretanto, a defesa desse entendimento demonstra, sem som-
Observe o texto exemplar de Luís Alberto Thompson Flores bra de dúvidas, o desconhecimento do próprio conceito de justiça,
Lenz, Promotor de Justiça. incorrendo inclusive numa contradictio in adjecto.

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LÍNGUA PORTUGUESA
Isto porque, e como magistralmente o salientou o insuperável um determinado procedimento em função de outro, como é o caso
Calamandrei, “a justiça que o juiz administra é, no sistema da lega- do que ocorre com os ingredientes de uma receita culinária, por
lidade, a justiça em sentido jurídico, isto é, no sentido mais aperta- exemplo. São exemplos dessa modalidade:
do, mas menos incerto, da conformidade com o direito constituído, - A mensagem revelada pela maioria dos livros de autoajuda;
independentemente da correspondente com a justiça social”. - O discurso manifestado mediante um manual de instruções;
Para encerrar, basta salientar que a eleição dos meios concre- - As instruções materializadas por meio de uma receita culi-
tos de efetivação da Justiça social compete, fundamentalmente, ao nária.
Legislativo e ao Executivo, eis que seus membros são indicados
diretamente pelo povo. Texto Instrucional - o texto instrucional é um tipo de texto
Ao Judiciário cabe administrar a justiça da legalidade, ade- injuntivo, didático, que tem por objetivo justamente apresentar
quando o proceder daqueles aos ditames da Constituição e da Le- orientações ao receptor para que ele realize determinada atividade.
gislação. Como as palavras do texto serão transformadas em ações visando
Luís Alberto Thompson Flores Lenz a um objetivo, ou seja, algo deverá ser concretizado, é de suma im-
portância que nele haja clareza e objetividade. Dependendo do que
Eis o esquema do texto em seus cinco estágios; se trata, é imprescindível haver explicações ou enumerações em
que estejam elencados os materiais a serem utilizados, bem como
Primeiro Estágio: primeiro parágrafo, em que se cita a tese os itens de determinados objetos que serão manipulados. Por conta
adversária. dessas características, é necessário um título objetivo. Quanto à
Segundo Estágio: segundo parágrafo, em que se cita um argu- pontuação, frequentemente empregam-se dois pontos, vírgulas e
mento da tese adversária “... fulminando ditos dilemas legais sob a pontos e vírgulas. É possível separar as orientações por itens ou
pecha de injustiça ou inadequação à realidade nacional”. de modo coeso, por meio de períodos. Alguns textos instrucionais
Terceiro Estágio: terceiro parágrafo, em que se introduz a tese possuem subtítulos separando em tópicos as instruções, basta re-
a ser defendida. parar nas bulas de remédios, manuais de instruções e receitas. Pelo
Quarto Estágio: do quarto ao décimo quinto, em que se apre- fato de o espaço destinado aos textos instrucionais geralmente não
sentam os argumentos. ser muito extenso, recomenda-se o uso de períodos. Leia os exem-
Quinto Estágio: os últimos dois parágrafos, em que se conclui plos.
o texto mediante afirmação que salienta o que ficou dito ao longo
da argumentação. Texto organizado em itens:

Texto Injuntivo/Instrucional Para economizar nas compras

No texto injuntivo-instrucional, o leitor recebe orientações Quem deseja economizar ao comprar deve:
precisas no sentido de efetuar uma transformação. É marcado pela - estabelecer um valor máximo para gastar;
presença de tempos e modos verbais que apresentam um valor di- - escolher previamente aquilo que deseja comprar antes de ir à
retivo. Este tipo de texto distingue-se de uma sequencia narrativa loja ou entrar em sites de compra;
pela ausência de um sujeito responsável pelas ações a praticar e - pesquisar os preços em diferentes lojas e sites, se possível;
pelo caráter diretivo dos tempos e modos verbais usado e uma se- - não se deixar levar completamente pelas sugestões dos ven-
quência descritiva pela transformação desejada. dedores nem pelos apelos das propagandas;
Nota: Uma frase injuntiva é uma frase que exprime uma or- - optar pela forma de pagamento mais cômoda, sem se esque-
dem, dada ao locutor, para executar (ou não executar) tal ou tal cer de que o uso do cartão de crédito exige certa cautela e plane-
ação. As formas verbais específicas destas frases estão no modo jamento.
injuntivo e o imperativo é uma das formas do injuntivo. Do mais, é só ir às compras e aproveitar!

Textos Injuntivo-Instrucionais: Instruções de montagem, re- Texto organizado em períodos:


ceitas, horóscopos, provérbios, slogans... são textos que incitam à
ação, impõem regras; textos que fornecem instruções. São orienta- Para economizar nas compras
dos para um comportamento futuro do destinatário.
Para economizar ao comprar, primeiramente estabeleça um
Texto Injuntivo - A necessidade de explicar e orientar por es- valor máximo para gastar e então escolha previamente aquilo que
crito o modo de realizar determinados procedimentos, manipular deseja comprar antes de ir à loja ou entrar em sites de compra. Se
instrumentos, desenvolver atividades lúdicas e desempenhar algu- possível, pesquise os preços em diferentes lojas e sites; não se dei-
mas funções profissionais, por exemplo, deu origem aos chamados xe levar completamente pelas sugestões dos vendedores nem pelos
textos injuntivos, nos quais prevalece a função apelativa da lin- apelos das propagandas e opte pela forma de pagamento mais cô-
guagem, criando-se uma relação direta com o receptor. É comum moda: não se esqueça de que o uso do cartão de crédito exige certa
aos textos dessa natureza o uso dos verbos no imperativo (Abra o cautela e planejamento.
caderno de questões) ou no infinitivo (É preciso abrir o caderno Do mais, aproveite as compras!
de questões, verificar o número de alternativas...). Não apresenta
caráter coercitivo, haja vista que apenas induz o interlocutor a pro- Observe que, embora ambos os textos tratem do mesmo assun-
ceder desta ou daquela forma. Assim, torna-se possível substituir to, o segundo é uma adaptação do primeiro: tanto o modo verbal

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quanto a pontuação sofreram alterações; além disso, algumas pala- Lépida
vras foram omitidas e outras acrescentadas. Isso ocorreu para que
o aspecto instrucional, conferido pelos itens do primeiro exemplo, Tudo lento, parado, paralisado.
não se perdesse no segundo texto, o qual, sem essas adaptações, - Maldição! - dizia um homem que tinha sido o melhor corre-
passaria a impressão de ser um mero texto expositivo. dor daquele lugar.
- Que tristeza a minha - lamentava uma pequena bailarina,
Gêneros Textuais olhando para as suas sapatilhas cor-de-rosa.
Assim estava Lépida, uma cidade muito alegre que no passado
Texto – é um conjunto de ideias organizadas e relacionadas fora reconhecida pela leveza e agilidade de seus habitantes. Todos
entre si, formando um todo significativo capaz de produzir intera- muito fortes, andavam, corriam e nadavam pelos seus limpos ca-
ção comunicativa (capacidade de codificar e decodificar). nais.
Contexto – um texto é constituído por diversas frases. Em Até que chegou um terrível pirata à procura da riqueza do lu-
cada uma delas, há uma certa informação que a faz ligar-se com gar. Para dominar Lépida, roubou de um mago um elixir paralisan-
a anterior e/ou com a posterior, criando condições para a estrutu- te e despejou no principal rio. Após beberem a água, os habitan-
ração do conteúdo a ser transmitido. A essa interligação dá-se o tes ficaram muito lentos, tão lentos que não conseguiram impedir
nome de contexto. Nota-se que o relacionamento entre as frases é a maldade do terrível pirata. Seu povo nunca mais foi o mesmo.
tão grande, que, se uma frase for retirada de seu contexto original Lépida foi roubada em seu maior tesouro e permaneceu estagnada
e analisada separadamente, poderá ter um significado diferente da- por muitos anos.
quele inicial. Um dia nasceu um menino, que foi chamado de Zim. O único
Intertexto - comumente, os textos apresentam referências di- entre tantos que ficou livre da maldição que passara de geração em
retas ou indiretas a outros autores através de citações. Esse tipo de geração. Diferente de todos, era muito ágil e, ao crescer, saiu em
recurso denomina-se intertexto. busca de uma solução. Encontrou pelo caminho bruxas de olhar
Interpretação de Texto - o primeiro objetivo de uma inter- feroz, gigantes de três, cinco e sete cabeças, noites escuras, dias de
pretação de um texto é a identificação de sua ideia principal. A chuva, sol intenso. Zim tudo enfrentou.
partir daí, localizam-se as ideias secundárias, ou fundamentações,
E numa noite morna, ao deitar-se em sua cama de folhas, viu
as argumentações, ou explicações, que levem ao esclarecimento
ao seu lado um velho de olhos amarelos e brilhantes. Era o mago
das questões apresentadas na prova.
que havia sido roubado pelo pirata muitos anos antes. Zim ficou
apreensivo. Mas o velho mago (que tudo sabia) deu-lhe um frasco.
Textos Ficcionais e Não Ficcionais
Nele havia um antídoto e Zim compreendeu o que deveria fazer.
Despejou o líquido no rio de sua cidade.
Os textos não ficcionais baseiam-se na realidade, e os ficcio-
nais inventam um mundo, onde os acontecimentos ocorrem coe- Lépida despertou diferente naquela manhã. Um copo de água
rentemente com o que se passa no enredo da história. aqui, um banho ali e eram novamente braços que se mexiam, per-
Ficcionais: Conto; Crônica; Romance; Poemas; História em nas que corriam, saltos e sorrisos. E a dança das sapatilhas cor-
Quadrinhos. de-rosa.
(Carla Caruso)
Não Ficcionais:
CRÔNICA
- Jornalísticos: notícia, editorial, artigos, cartas e textos de
divulgação científica. Em jornais e revistas, há textos normalmente assinados por
um escritor de ficção ou por uma pessoa especializada em deter-
- Instrucionais: didáticos, resumos, receitas, catálogos, índi- minada área (economia, gastronomia, negócios, entre outras) que
ces, listas, verbetes em geral, bulas e notas explicativas de emba- escreve com periodicidade para uma seção (por exemplo, todos os
lagens. domingos para o Caderno de Economia). Esses textos, conhecidos
- Epistolares: bilhetes, cartas familiares e cartas formais. como crônicas, são curtos e em geral predominantemente narra-
- Administrativos: requerimentos, ofícios e etc. tivos, podendo apresentar alguns trechos dissertativos. Exemplo:

FICCIONAIS A luta e a lição

CONTO Um brasileiro de 38 anos, Vítor Negrete, morreu no Tibe-


te após escalar pela segunda vez o ponto culminante do planeta,
É um gênero textual que apresenta um único conflito, toma- o monte Everest. Da primeira, usou o reforço de um cilindro de
do já próximo do seu desfecho. Encerra uma história com poucas oxigênio para suportar a altura. Na segunda (e última), dispensou
personagens, e também tempo e espaço reduzido. A linguagem o cilindro, devido ao seu estado geral, que era considerado ótimo.
pode ser formal ou informal. É uma obra de ficção que cria um As façanhas dele me emocionaram, a bem sucedida e a malograda.
universo de seres e acontecimentos, de fantasia ou imaginação. Aqui do meu canto, temendo e tremendo toda a vez que viajo no
Como todos os textos de ficção, o conto apresenta um narrador, bondinho do Pão de Açúcar, fico meditando sobre os motivos que
personagens, ponto de vista e enredo. Classicamente, diz-se que o levam alguns heróis a se superarem. Vitor já havia vencido o cume
conto se define pela sua pequena extensão. Mais curto que a novela mais alto do mundo. Quis provar mais, fazendo a escalada sem a
ou o romance, o conto tem uma estrutura fechada, desenvolve uma ajuda do oxigênio suplementar. O que leva um ser humano bem
história e tem apenas um clímax. Exemplo: sucedido a vencer desafios assim?

Didatismo e Conhecimento 21
LÍNGUA PORTUGUESA
Ora, dirão os entendidos, é assim que caminha a humanidade. É bom sentá-lo novamente ao lado
Se cada um repetisse meu exemplo, ficando solidamente instala- Com olhos que contêm o olhar antigo
do no chão, sem tentar a aventura, ainda estaríamos nas cavernas, Sempre comigo um pouco atribulado
lascando o fogo com pedras, comendo animais crus e puxando E como sempre singular comigo.
nossas mulheres pelos cabelos, como os trogloditas - se é que os Um bicho igual a mim, simples e humano
trogloditas faziam isso. Somos o que somos hoje devido a heróis Sabendo se mover e comover
que trocam a vida pelo risco. Bem verdade que escalar montanhas, E a disfarçar com o meu próprio engano.
em si, não traz nada de prático ao resto da humanidade que prefere
ficar na cômoda planície da segurança. O amigo: um ser que a vida não explica
Mas o que há de louvável (e lamentável) na aventura de Vítor Que só se vai ao ver outro nascer
Negrete é a aspiração de ir mais longe, de superar marcas, de ir E o espelho de minha alma multiplica...
mais alto, desafiando os riscos. Não sei até que ponto ele foi teme-
rário ao recusar o oxigênio suplementar. Mas seu exemplo - e seu Vinicius de Moraes
sacrifício - é uma lição de luta, mesmo sendo uma luta perdida.
(Autor: Carlos Heitor Cony. HISTÓRIA EM QUADRINHOS
Publicado na Folha Online)
As primeiras manifestações das Histórias em Quadrinhos
ROMANCE surgiram no começo do século XX, na busca de novos meios de
comunicação e expressão gráfica e visual. Entre os primeiros au-
O termo romance pode referir-se a dois gêneros literários. O tores das histórias em quadrinhos estão o suíço Rudolph Töpffer,
primeiro deles é uma composição poética popular, histórica ou lí- o alemão Wilhelm Bush, o francês Georges, e o brasileiro Ângelo
rica, transmitida pela tradição oral, sendo geralmente de autor anô- Agostini. A origem dos balões presentes nas histórias em quadri-
nimo; corresponde aproximadamente à balada medieval. E como nhos pode ser atribuída a personagens, observadas em ilustrações
forma literária moderna, o termo designa uma composição em pro- europeias desde o século XIV.
sa. Todo Romance se organiza a partir de uma trama, ou seja, em
As histórias em quadrinhos começaram no Brasil no século
torno dos acontecimentos que são organizados em uma sequência
XIX, adotando um estilo satírico conhecido como cartuns, charges
temporal. A linguagem utilizada em um Romance é muito variá-
ou caricaturas e que depois se estabeleceria com as populares tiras.
vel, vai depender de quem escreve, de uma boa diferenciação entre
A publicação de revistas próprias de histórias em quadrinhos no
linguagem escrita e linguagem oral e principalmente do tipo de
Brasil começou no início do século XX também. Atualmente, o
Romance.
estilo cômicos dos super-heróis americanos é o predominante, mas
Quanto ao tipo de abordagem o Romance pode ser: Urbano,
vem perdendo espaço para uma expansão muito rápida dos quadri-
Regionalista, Indianista e Histórico. E quanto à época ou Escola
Literária, o Romance pode ser: Romântico, Realista, Naturalista nhos japoneses (conhecidos como Mangá).
e Modernista. A leitura interpretativa de Histórias em Quadrinhos, assim
como de charges, requer uma construção de sentidos que, para que
POEMA ocorra, é necessário mobilizar alguns processos de significação,
como a percepção da atualidade, a representação do mundo, a ob-
Um poema é uma obra literária geralmente apresentada em servação dos detalhes visuais e/ou linguísticos, a transformação de
versos e estrofes (ainda que possa existir prosa poética, assim de- linguagem conotativa (sentido mais usual) em denotativa (sentido
signada pelo uso de temas específicos e de figuras de estilo pró- amplificado pelo contexto, pelos aspetos socioculturais etc). Em
prias da poesia). Efetivamente, existe uma diferença entre poesia e suma, usa-se o conhecimento da realidade e de processos linguís-
poema. Segundo vários autores, o poema é um objeto literário com ticos para “inverter” ou “subverter” produzindo, assim, sentidos
existência material concreta, a poesia tem um carácter imaterial alternativos a partir de situações extremas. Exemplo:
e transcendente. Fortemente relacionado com a música, beleza e
arte, o poema tem as suas raízes históricas nas letras de acompa- Observe a tirinha em quadrinhos do Calvin:
nhamento de peças musicais. Até a Idade Média, os poemas eram
cantados. Só depois o texto foi separado do acompanhamento mu-
sical. Tal como na música, o ritmo tem uma grande importância.
Um poema também faz parte de um sarau (reuniões em casas par-
ticulares para expressar artes, canções, poemas, poesias etc). Obra
em verso em que há poesia. Exemplo:

Soneto do amigo

Enfim, depois de tanto erro passado


Tantas retaliações, tanto perigo
Eis que ressurge noutro o velho amigo
Nunca perdido, sempre reencontrado.

Didatismo e Conhecimento 22
LÍNGUA PORTUGUESA
O objetivo do Calvin era vender ao seu pai um desenho de Geralmente, grandes jornais reservam um espaço predeterminado
sua autoria pela exorbitante quantia de 500 dólares. Ele optou por para os editoriais em duas ou mais colunas logo nas primeiras pá-
valorizar o desenho, mostrando todas as habilidades conquistadas ginas internas. Os boxes (quadros) dos editoriais são normalmente
para conseguir produzi-lo. O pai, no último quadrinho, reconhece demarcados com uma borda ou tipografia diferente para marcar cla-
o empenho do filho, utilizando-se de um conector de concessão ramente que aquele texto é opinativo, e não informativo. Exemplo:
(“Ainda assim”), valorizando a importância de tudo aquilo. Con-
tudo, afirma que não pagaria o valor pedido (como se dissesse: Cidade paraibana é exemplo ao País
“sim, filho, foi um esforço absurdo, mas não vou pagar por isso!”).
A graça está no fato de Calvin elaborar um discurso “maduro” Em tempos em que estudantes escrevem receita de macarrão
em relação ao seu desenvolvimento cognitivo e motor nos dois instantâneo e transcrevem hino de clube de futebol na redação do
primeiros quadrinhos e, somente depois, ficar claro para nós, lei- Exame Nacional do Ensino Médio e ainda obtém nota máxima no
tores, que toda a força argumentativa foi em prol da cobrança pelo teste, uma boa notícia vem de uma pequena cidade no interior da
desenho que ele mesmo fez. Em outras palavras, o personagem Paraíba chamada Paulista, de cerca de 12 mil habitantes. Alunos da
empenha-se na construção de um raciocínio em prol de uma fina- Escola Municipal Cândido de Assis Queiroga obtiveram destaque
lidade absurda – o que nos faz sorrir no último quadrinho, já que nas últimas edições da Olimpíada Brasileira de Matemática das
é somente nele que conseguimos “completar” o sentido. Claro, se Escolas Públicas.
você conhece os quadrinhos do Calvin, sabe que ele tem apenas 6 O segredo é absolutamente simples, e quem explica é a pro-
anos, o que torna tudo ainda mais hilário, mas a falta deste conhe- fessora Jonilda Alves Ferreira: a chave é ensinar Matemática atra-
cimento não prejudica em nada a interpretação textual. vés de atividades do cotidiano, como fazer compras na feira ou
medir ingredientes para uma receita. Com essas ações práticas, na
NÃO FICCIONAIS - JORNALÍSTICOS edição de 2012 da Olimpíada, a escola conquistou nada menos do
que cinco medalhas de ouro, duas de prata, três de bronze e 12
NOTÍCIA menções honrosas. Orgulhosa, a professora conta que se sentia
triste com a repulsa dos estudantes aos números, e teve a ideia de
O principal objetivo da notícia é levar informação atual a um pô-los para vivenciar a Matemática em suas vidas, aproximando-
público específico. A notícia conta o que ocorreu, quando, onde, -os da disciplina.
como e por quê. Para verificar se ela está bem elaborada, o emis- O que parecia ser um grande desafio tornou-se realidade e,
sor deve responder às perguntas: O quê? (fato ou fatos); Quando? hoje, a cidade inteira orgulha-se de seus filhos campeões olímpi-
(tempo); Onde? (local); Como? (de que forma) e Por quê? (cau- cos. Os estudantes paraibanos devem ser exemplo para todo o País,
sas). A notícia apresenta três partes: que anda precisando, sim, de modelos a se inspirar. O Programa
Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA, na sigla em in-
- Manchete (ou título principal) – resume, com objetividade, glês) – o mais sério teste internacional para avaliar o desempe-
o assunto da notícia. Essa frase curta e de impacto, em geral, apa- nho escolar e coordenado pela Organização para a Cooperação e
rece em letras grandes e destacadas. Desenvolvimento Econômico – continua sendo implacável com o
- Lide (ou lead) – complementa o título principal, fornecendo Brasil. No exame publicado de 2012, o País aparece na incômoda
as principais informações da notícia. Como a manchete, sua fun- penúltima posição entre 40 países avaliados.
ção é despertar a atenção do leitor para o texto. O teste aponta que o aprendizado de Matemática, Leitura e
- Corpo – contém o desenvolvimento mais amplo e detalhado Ciências durante o ciclo fundamental é sofrível, e perdemos para
dos fatos. países como Colômbia, Tailândia e México. Já passa da hora de
as autoridades melhorarem a gestão de nossa Educação Pública e
A notícia usa uma linguagem formal, que segue a norma culta seguir o exemplo da pequena Paulista.
da língua. A ordem direta, a voz ativa, os verbos de ação e as frases Fonte: http://www.oestadoce.com.br/noticia/
curtas permitem fluir as ideias. É preferível a linguagem acessível editorial-cidade-paraibana-e-exemplo-ao-pais
e simples. Evite gírias, termos coloquiais e frases intercaladas.
Os fatos, em geral, são apresentados de forma impessoal e ARTIGOS
escritos em 3ª pessoa, com o predomínio da função referencial, já
que esse texto visa à informação. É comum encontrar circulando no rádio, na TV, nas revistas,
A falta de tempo do leitor exige a seleção das informações nos jornais, temas polêmicos que exigem uma posição por parte
mais relevantes, vocabulário preciso e termos específicos que o dos ouvintes, espectadores e leitores, por isso, o autor geralmente
ajudem a compreender melhor os fatos. Em jornais ou revistas apresenta seu ponto de vista sobre o tema em questão através do
impressos ou on-line, e em programas de rádio ou televisão, a in- artigo (texto jornalístico).
formação transmitida pela notícia precisa ser verídica, atual e des- Nos gêneros argumentativos, o autor geralmente tem a inten-
pertar o interesse do leitor. ção de convencer seus interlocutores e, para isso, precisa apresen-
tar bons argumentos, que consistem em verdades e opiniões. O
EDITORIAL artigo de opinião é fundamentado em impressões pessoais do autor
do texto e, por isso, são fáceis de contestar.
Os editoriais são textos de um jornal em que o conteúdo ex- O artigo deve começar com uma breve introdução, que des-
pressa a opinião da empresa, da direção ou da equipe de redação, creva sucintamente o tema e refira os pontos mais importantes.
sem a obrigação de ter alguma imparcialidade ou objetividade. Um leitor deve conseguir formar uma ideia clara sobre o assunto

Didatismo e Conhecimento 23
LÍNGUA PORTUGUESA
e o conteúdo do artigo ao ler apenas a introdução. Por favor tenha NÃO FICCIONAIS – INSTRUCIONAIS
em mente que embora esteja familiarizado com o tema sobre o
qual está a escrever, outros leitores da podem não o estar. Assim, DIDÁTICOS
é importante clarificar cedo o contexto do artigo. Por exemplo, em
vez de escrever: Na leitura de um texto didático, é preciso apanhar suas ideias
Guano é um personagem que faz o papel de mascote do grupo fundamentais. Um texto didático é um texto conceitual, ou seja,
Lily Mu. Seria mais informativo escrever: não figurativo. Nele os termos significam exatamente aquilo que
Guano é um personagem da série de desenho animado Kappa denotam, sendo descabida a atribuição de segundos sentidos ou
Mikey que faz o papel de mascote do grupo Lily Mu. valores conotativos aos termos. Num texto didático devem se ana-
Caracterize o assunto, especialmente se existirem opiniões di- lisar ainda com todo o cuidado os elementos de coesão. Deve-se
ferentes sobre o tema. Seja objetivo. Evite o uso de eufemismos e observar a expectativa de sentido que eles criam, para que possa
de calão ou gíria, e explique o jargão. No final do artigo deve listar entender bem o texto.
as referências utilizadas, e ao longo do artigo deve citar a fonte das O entendimento do texto didático de uma determinada dis-
afirmações feitas, especialmente se estas forem controversas ou ciplina requer o conhecimento do significado exato dos termos
suscitarem dúvidas. com que ela opera. Conhecer esses termos significa conhecer um
conjunto de princípios e de conceitos sobre os quais repousa uma
CARTAS determinada ciência, certa teoria, um campo do saber. O uso da
terminologia científica dá maior rigor à exposição, pois evita as
Na maioria dos jornais e revistas, há uma seção destinada a conotações e as imprecisões dos termos da linguagem cotidiana.
cartas do leitor. Ela oferece um espaço para o leitor elogiar ou criti- Por outro lado, a definição dos termos depende do nível de público
car uma matéria publicada, ou fazer sugestões. Os comentários po- a que se destina.
dem referir-se às ideias de um texto, com as quais o leitor concorda Um manual de introdução à física, destinado a alunos de pri-
ou não; à maneira como o assunto foi abordado; ou à qualidade do meiro grau, expõe um conceito de cada vez e, por conseguinte,
texto em si. É possível também fazer alusão a outras cartas de lei- vai definindo paulatinamente os termos específicos dessa ciência.
tores, para concordar ou não com o ponto de vista expresso nelas. Num livro de física para universitários não cabe a definição de
A linguagem da carta costuma variar conforme o perfil dos leitores termos que os alunos já deveriam saber, pois senão quem escreve
da publicação. Pode ser mais descontraída, se o público é jovem, precisaria escrever sobre tudo o que a ciência em que ele é espe-
ou ter um aspecto mais formal. Esse tipo de carta apresenta forma- cialista já estudou.
to parecido com o das cartas pessoais: data, vocativo (a quem ela é
dirigida), corpo do texto, despedida e assinatura. RESUMOS

TEXTOS DE DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA Resumo é uma exposição abreviada de um acontecimento. Fa-


zer um resumo significa apresentar o conteúdo de forma sintética,
Sua finalidade discursiva pauta-se pela divulgação de conhe- destacando as informações essenciais do conteúdo de um livro,
cimentos acerca do saber científico, assemelhando-se, portanto, artigo, argumento de filme, peça teatral, etc. A elaboração de um
com os demais gêneros circundantes no meio educacional como resumo exige análise e interpretação do conteúdo para que sejam
um todo, entre eles, textos didáticos e verbetes de enciclopédias. transmitidas as ideias mais importantes.
Mediante tal pressuposto, já temos a ideia do caráter condizente à Escrever um texto em poucas linhas ajuda o aluno a desenvol-
linguagem, uma vez que esta se perfaz de características marcantes ver a sua capacidade de síntese, objetividade e clareza: três fatores
- a objetividade, isentando-se de traços pessoais por parte do emis- que serão muito importantes ao longo da vida escolar. Além de ser
sor, como também por obedecer ao padrão formal da língua. Outro um ótimo instrumento de estudo da matéria para fazer um teste.
aspecto passível de destaque é o fato de que no texto científico, Resumo é sinônimo de “recapitulação”, quando, ao final de cada
às vezes, temos a oportunidade de nos deparar com determinadas capítulo de um livro é apresentado um breve texto com as ideias
terminologias e conceitos próprios da área científica a que eles se chave do assunto introduzido. Outros sinônimos de resumo são:
referem. sinopse, sumário, síntese, epítome e compêndio.
Veiculados por diversos meios de comunicação, seja em jor-
nais, revistas, livros ou meio eletrônico, compartilham-se com RECEITAS
uma gama de interlocutores. Razão esta que incide na forma como
se estruturam, não seguindo um padrão rígido, uma vez que este se A receita tem como objetivo informar a fórmula de um pro-
interliga a vários fatores, tais como: assunto, público-alvo, emissor, duto seja ele industrial ou caseiro, contando detalhadamente sobre
momento histórico, dentre outros. Mas, geralmente, no primeiro e seu preparo. É uma sequência de passos para a preparação de ali-
segundo parágrafos, o autor expõe a ideia principal, sendo repre- mentos. As receitas geralmente vêm com seus verbos no modo
sentada por uma ideia ou conceito. Nos parágrafos que seguem, imperativo, para dar ordens de como preparar seu prato seja ele
ocorre o desenvolvimento propriamente dito da ideia, lembrando qual for. Elas são encontradas em diversas fontes como: livros,
que tais argumentos são subsidiados em fontes verdadeiramente sites, programas (TV/Rádio), revistas ou até mesmo em jornais
passíveis de comprovação - comparações, dados estatísticos, rela- e panfletos. A receita também ajuda a fazer vários tipos de pratos
ções de causa e efeito, dentre outras. típicos e saudáveis e até sobremesas deliciosas.

Didatismo e Conhecimento 24
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CATÁLOGOS saber, lacrado com pequena bola (em latim, “bulla”) de cera ou
metal, em geral, chumbo. Assim, existem Litterae Apostolicae
Catálogo é uma relação ordenada de coisas ou pessoas com (carta apostólica) em forma ou não de bula e também Constitui-
descrições curtas a respeito de cada uma. Espécie de livro, guia ou ção Apostólica em forma de bula. Por exemplo, a carta apostólica
sumário que contém informações sobre lugares, pessoas, produtos “Munificentissimus Deus”, bem como as Constituições Apostóli-
e outros. Têm o objetivo de dar opções para uma melhor escolha. cas de criação de dioceses. A bula mais antiga que se conhece é
do Papa Agapito I (535), conservada apenas em desenho. O mais
ÍNDICES antigo original conservado é do Papa Adeodato I (615-618).

Enumeração detalhada dos assuntos, nomes de pessoas, no- Bula (medicamento) - folha com informações sobre medica-
mes geográficos, acontecimentos, etc., com a indicação de sua lo- mentos. Nome que se dá ao conjunto de informações sobre um
calização no texto. medicamento que obrigatoriamente os laboratórios farmacêuticos
devem acrescentar à embalagem de seus produtos vendidos no
LISTAS varejo. As informações podem ser direcionadas aos usuários dos
medicamentos, aos profissionais de saúde ou a ambos.
Enumeração de elementos selecionados do texto, tais como
datas, ilustrações, exemplo, tabelas etc., na ordem de sua ocor- NOTAS EXPLICATIVAS DE EMBALAGENS
rência.
As notas explicativas servem para que o fabricante do produto
VERBETES EM GERAL esclareça ou explique aspectos da composição, nutrição, advertên-
cias a respeito do produto.
O verbete é um tipo de texto predominantemente descritivo. A
elaboração reflete o conflito seminal que define a elegância cientí- NÃO FICCIONAIS – EPISTOLARES
fica: a negociação constante entre síntese e exaustividade. Os pa-
drões do gênero valorizam tanto a brevidade e a abordagem direta
BILHETES
dos temas quanto o detalhamento e a completude da informação.
É um texto escrito, de caráter informativo, destinado a expli-
O bilhete é uma mensagem curta, trocada entre as pessoas,
car um conceito segundo padrões descritivos sistemáticos, deter-
para pedir, agradecer, oferecer, informar, desculpar ou perguntar.
minados pela obra de referência da qual faz parte: mais comumen-
O bilhete é composto normalmente de: data, nome do destinatário
te, um dicionário ou uma enciclopédia. O verbete é essencialmente
antecedido de um cumprimento, mensagem, despedida e nome do
destinado a consulta, o que lhe impõe uma construção discursiva
sucinta e de acesso imediato, embora isso não incorra necessaria- remetente. Exemplo:
mente em curta extensão. Geralmente, os verbetes abordam con-
ceitos bem estabelecidos em algum paradigma acadêmico-científi- Belinha,
co, ao invés de entrar em polêmicas referentes a categorias teóricas Passei na sua casa para contar o que aconteceu comigo on-
discutíveis. tem à noite.
Por sua pretensão universalista e pela posição respeitável que Telefone para mim hoje à tarde, que eu vou contar tudinho
ocupa no sistema de valores da cultura racionalista, espera-se que para você!
todo verbete siga as normas padrão de uso da língua escrita, em Um beijinho da amiga Juliana. 14/03/2013
um nível elevado de formalidade. Por sua natureza sistemática e
por ser destinado à consulta, espera-se que a linguagem do verbete CARTAS FAMILIARES E CARTAS FORMAIS
seja também o mais objetiva possível. As consequências gramati-
cais desse princípio são: no nível lexical, precisão na escolha dos A carta é um dos instrumentos mais úteis em situações diver-
termos e ausência de palavras que expressem subjetividade (opi- sas. É um dos mais antigos meios de comunicação. Em uma carta
niões, impressões e sensações); no nível sintático, simplificação formal é preciso ter cuidado na coerência do tratamento, por exem-
das construções; e no nível estilístico, denotação (ausência de or- plo, se começamos a carta no tratamento em terceira pessoa deve-
namentos e figuras de linguagem). mos ir até o fim em terceira pessoa, seguindo também os pronomes
É comum a presença de terminologia especializada na cons- e formas verbais na terceira pessoa. Há vários tipos de cartas,  o
trução do verbete, embora sua frequência varie conforme o pú- formato da carta depende do seu conteúdo:
blico consumidor da obra de referência em que se insere o texto. - Carta Pessoal é a carta que escrevemos para amigos, pa-
Elementos de linguagens não verbais (especialmente pictóricos) rentes, namorado(a), o remetente é a própria pessoa que assina a
são tradicionalmente agregados ao verbete com função de escla- carta, estas cartas não têm um modelo pronto, são escritas de uma
recimento. maneira particular.
- Carta Comercial se torna o meio mais efetivo e seguro de
BULAS comunicação dentro de uma organização. A linguagem deve ser
clara, simples, correta e objetiva. 
Bula pode referir-se a:
Bula Pontifícia - documento expedido pela Santa Sé. Refere- A carta ao ser escrita deve ser primeiramente bem analisada
se não ao conteúdo e à solenidade de um documento pontifício, em termos de língua portuguesa, ou seja, deve-se observar a con-
como tal, mas à apresentação, à forma externa do documento, a cordância, a pontuação e a maneira de escrever com início, meio

Didatismo e Conhecimento 25
LÍNGUA PORTUGUESA
e então o fim, contendo também um cabeçalho e se for uma carta - Texto. Nos casos em que não for de mero encaminhamento
formal, deve conter pronomes de tratamento (Senhor, Senhora, V. de documentos, o expediente deve conter a seguinte estrutura:
Ex.ª etc.) e por fim a finalização da carta que deve conter somen-
te um cumprimento formal ou não (grato, beijos, abraços, adeus Introdução: que se confunde com o parágrafo de abertura, na
etc.). Depois de todos esses itens terem sido colocados na carta, a qual é apresentado o assunto que motiva a comunicação. Evite o
mesma deverá ser colocada em um envelope para ser enviado ao uso das formas: “Tenho a honra de”, “Tenho o prazer de”, “Cum-
destinatário. Na parte de trás e superior do envelope deve-se conter preme informar que”, empregue a forma direta;
alguns dados muito importantes tais como: nome do destinatário, Desenvolvimento: no qual o assunto é detalhado; se o texto
endereço (rua, bairro e cidade) e por fim o CEP. Já o remetente contiver mais de uma ideia sobre o assunto, elas devem ser tratadas
(quem vai enviar a carta), também deve inserir na carta os mesmos em parágrafos distintos, o que confere maior clareza à exposição;
dados que o do destinatário, que devem ser escritos na parte da Conclusão: em que é reafirmada ou simplesmente reapresen-
frente do envelope. E por fim deve ser colocado no envelope um tada a posição recomendada sobre o assunto.
selo que serve para que a carta seja levada à pessoa mencionada.
Os parágrafos do texto devem ser numerados, exceto nos ca-
NÃO FICCIONAIS – ADMINISTRATIVOS sos em que estes estejam organizados em itens ou títulos e subtí-
tulos.
REQUERIMENTOS

É o instrumento por meio do qual o interessado requer a uma Coesão


autoridade administrativa um direito do qual se julga detentor. Es-
trutura: Uma das propriedades que distinguem um texto de um amon-
- Vocativo, cargo ou função (e nome do destinatário), ou seja, toado de frases é a relação existente entre os elementos que os
da autoridade competente. constituem. A coesão textual é a ligação, a relação, a conexão entre
- Texto incluindo: Preâmbulo, contendo nome do requerente palavras, expressões ou frases do texto. Ela manifesta-se por ele-
(grafado em letras maiúsculas) e respectiva qualificação: nacio- mentos gramaticais, que servem para estabelecer vínculos entre os
nalidade, estado civil, profissão, documento de identidade, idade componentes do texto. Observe:
(se maior de 60 anos, para fins de preferência na tramitação do “O iraquiano leu sua declaração num bloquinho comum de
processo, segundo a Lei 10.741/03), e domicílio (caso o requerente anotações, que segurava na mão.”
seja servidor da Câmara dos Deputados, precedendo à qualifica-
ção civil deve ser colocado o número do registro funcional e a Nesse período, o pronome relativo “que” estabelece conexão
lotação); Exposição do pedido, de preferência indicando os fun- entre as duas orações. O iraquiano leu sua declaração num blo-
damentos legais do requerimento e os elementos probatórios de quinho comum de anotações e segurava na mão, retomando na
natureza fática. segunda um dos termos da primeira: bloquinho. O pronome relati-
- Fecho: “Nestes termos, Pede deferimento”. vo é um elemento coesivo, e a conexão entre as duas orações, um
- Local e data. fenômeno de coesão. Leia o texto que segue:
- Assinatura e, se for o caso de servidor, função ou cargo.
Arroz-doce da infância
OFÍCIOS
Ingredientes
O Ofício deve conter as seguintes partes: 1 litro de leite desnatado
150g de arroz cru lavado
- Tipo e número do expediente, seguido da sigla do órgão 1 pitada de sal
que o expede. Exemplos: 4 colheres (sopa) de açúcar
1 colher (sobremesa) de canela em pó
Of. 123/2002-MME
Aviso 123/2002-SG Preparo
Mem. 123/2002-MF Em uma panela ferva o leite, acrescente o arroz, a pitada de
sal e mexa sem parar até cozinhar o arroz. Adicione o açúcar e
- Local e data. Devem vir por extenso com alinhamento à deixe no fogo por mais 2 ou 3 minutos. Despeje em um recipiente,
direita. Exemplo: polvilhe a canela. Sirva.
Cozinha Clássica Baixo Colesterol, nº4.
Brasília, 20 de maio de 2013 São Paulo, InCor, agosto de 1999, p. 42.
- Assunto. Resumo do teor do documento. Exemplos:
Toda receita culinária tem duas partes: lista dos ingredientes
Assunto: Produtividade do órgão em 2012. e modo de preparar. As informações apresentadas na primeira são
Assunto: Necessidade de aquisição de novos computadores. retomadas na segunda. Nesta, os nomes mencionados pela primei-
ra vez na lista de ingredientes vêm precedidos de artigo definido,
- Destinatário. O nome e o cargo da pessoa a quem é dirigida o qual exerce, entre outras funções, a de indicar que o termo deter-
a comunicação. No caso do ofício, deve ser incluído também o minado por ele se refere ao mesmo ser a que uma palavra idêntica
endereço. já fizera menção.

Didatismo e Conhecimento 26
LÍNGUA PORTUGUESA
No nosso texto, por exemplo, quando se diz que se adiciona o - Em princípio, o termo a que o anafórico se refere deve estar
açúcar, o artigo citado na primeira parte. Se dissesse apenas adi- presente no texto, senão a coesão fica comprometida, como neste
cione açúcar, deveria adicionar, pois se trataria de outro açúcar, exemplo:
diverso daquele citado no rol dos ingredientes.
Há dois tipos principais de mecanismos de coesão: retomada “André é meu grande amigo. Começou a namorá-la há vários
ou antecipação de palavras, expressões ou frases e encadeamento meses.”
de segmentos.
A rigor, não se pode dizer que o pronome “la” seja um anafó-
Retomada ou Antecipação por meio de uma palavra grama- rico, pois não está retomando nenhuma das palavras citadas antes.
tical Exatamente por isso, o sentido da frase fica totalmente prejudica-
(pronome, verbos ou advérbios) do: não há possibilidade de se depreender o sentido desse prono-
me.
“No mercado de trabalho brasileiro, ainda hoje não há total Pode ocorrer, no entanto, que o anafórico não se refira a ne-
igualdade entre homens e mulheres: estas ainda ganham menos do nhuma palavra citada anteriormente no interior do texto, mas que
que aqueles em cargos equivalentes.” possa ser inferida por certos pressupostos típicos da cultura em que
se inscreve o texto. É o caso de um exemplo como este:
Nesse período, o pronome demonstrativo “estas” retoma o
termo mulheres, enquanto “aqueles” recupera a palavra homens. “O casamento teria sido às 20 horas. O noivo já estava de-
Os termos que servem para retomar outros são denominados sesperado, porque eram 21 horas e ela não havia comparecido.”
anafóricos; os que servem para anunciar, para antecipar outros são
chamados catafóricos. No exemplo a seguir, desta antecipa aban- Por dados do contexto cultural, sabe-se que o pronome “ela”
donar a faculdade no último ano: é um anafórico que só pode estar-se referindo à palavra noiva.
Num casamento, estando presente o noivo, o desespero só pode ser
“Já viu uma loucura desta, abandonar a faculdade no último pelo atraso da noiva (representada por “ela” no exemplo citado).
ano?” - O artigo indefinido serve geralmente para introduzir infor-
São anafóricos ou catafóricos os pronomes demonstrativos, os mações novas ao texto. Quando elas forem retomadas, deverão ser
pronomes relativos, certos advérbios ou locuções adverbiais (nes- precedidas do artigo definido, pois este é que tem a função de indi-
se momento, então, lá), o verbo fazer, o artigo definido, os prono- car que o termo por ele determinado é idêntico, em termos de valor
mes pessoais de 3ª pessoa (ele, o, a, os, as, lhe, lhes), os pronomes referencial, a um termo já mencionado.
indefinidos. Exemplos:
“O encarregado da limpeza encontrou uma carteira na sala
“Ele era muito diferente de seu mestre, a quem sucedera na de espetáculos. Curiosamente, a carteira tinha muito dinheiro
cátedra de Sociologia na Universidade de São Paulo.” dentro, mas nem um documento sequer.”

O pronome relativo “quem” retoma o substantivo mestre. - Quando, em dado contexto, o anafórico pode referir-se a dois
termos distintos, há uma ruptura de coesão, porque ocorre uma
“As pessoas simplificam Machado de Assis; elas o veem como ambiguidade insolúvel. É preciso que o texto seja escrito de tal
um pensador cín iço e descrente do amor e da amizade.” forma que o leitor possa determinar exatamente qual é a palavra
retomada pelo anafórico.
O pronome pessoal “elas” recupera o substantivo pessoas; o
pronome pessoal “o” retoma o nome Machado de Assis. “Durante o ensaio, o ator principal brigou com o diretor por
causa da sua arrogância.”
“Os dois homens caminhavam pela calçada, ambos trajando
roupa escura.” O anafórico “sua” pode estar-se referindo tanto à palavra ator
quanto a diretor.
O numeral “ambos” retoma a expressão os dois homens.
“André brigou com o ex-namorado de uma amiga, que traba-
“Fui ao cinema domingo e, chegando lá, fiquei desanimado lha na mesma firma.”
com a fila.”
Não se sabe se o anafórico “que” está se referindo ao termo
O advérbio “lá” recupera a expressão ao cinema. amiga ou a ex-namorado. Permutando o anafórico “que” por “o
qual” ou “a qual”, essa ambiguidade seria desfeita.
“O governador vai pessoalmente inaugurar a creche dos fun-
cionários do palácio, e o fará para demonstrar seu apreço aos Retomada por palavra lexical
servidores.” (substantivo, adjetivo ou verbo)

A forma verbal “fará” retoma a perífrase verbal vai inaugu- Uma palavra pode ser retomada, que por uma repetição, quer
rar e seu complemento. por uma substituição por sinônimo, hiperônimo, hipônimo ou an-
tonomásia.

Didatismo e Conhecimento 27
LÍNGUA PORTUGUESA
Sinônimo é o nome que se dá a uma palavra que possui o É preciso manejar com muito cuidado a repetição de palavras,
mesmo sentido que outra, ou sentido bastante aproximado: injúria pois, se ela não for usada para criar um efeito de sentido de inten-
e afronta, alegre e contente. sificação, constituirá uma falha de estilo. No trecho transcrito a
Hiperônimo é um termo que mantém com outro uma relação seguir, por exemplo, fica claro o uso da repetição da palavra vice
do tipo contém/está contido; e outras parecidas (vicissitudes, vicejam, viciem), com a evidente
Hipônimo é uma palavra que mantém com outra uma relação intenção de ridicularizar a condição secundária que um provável
do tipo está contido/contém. O significado do termo rosa está con- flamenguista atribui ao Vasco e ao seu Vice-presidente:
tido no de flor e o de flor contém o de rosa, pois toda rosa é uma
flor, mas nem toda flor é uma rosa. Flor é, pois, hiperônimo de “Recebi por esses dias um e-mail com uma série de piadas
rosa, e esta palavra é hipônimo daquela. sobre o pouco simpático Eurico Miranda. Faltam-me provas, mas
Antonomásia é a substituição de um nome próprio por um tudo leva a crer que o remetente seja um flamenguista.”
nome comum ou de um comum por um próprio. Ela ocorre, prin- Segundo o texto, Eurico nasceu para ser vice: é vice-presiden-
cipalmente, quando uma pessoa célebre é designada por uma ca- te do clube, vice-campeão carioca e bi vice-campeão mundial. E
racterística notória ou quando o nome próprio de uma personagem isso sem falar do vice no Carioca de futsal, no Carioca de basquete,
famosa é usada para designar outras pessoas que possuam a mes- no Brasileiro de basquete e na Taça Guanabara. São vicissitudes
ma característica que a distingue: que vicejam. Espero que não viciem.
José Roberto Torero. In: Folha de S. Paulo, 08/03/2000, p.
“O rei do futebol (=Pelé) som podia ser um brasileiro.” 4-7.

“O herói de dois mundos (=Garibaldi) foi lembrado numa A elipse é o apagamento de um segmento de frase que pode
recente minissérie de tevê.” ser facilmente recuperado pelo contexto. Também constitui um
expediente de coesão, pois é o apagamento de um termo que seria
Referência ao fato notório de Giuseppe Garibaldi haver lutado repetido, e o preenchimento do vazio deixado pelo termo apagado
pela liberdade na Europa e na América. (=elíptico) exige, necessariamente, que se faça correlação com ou-
“Ele é um hércules (=um homem muito forte). tros termos presentes no contexto, ou referidos na situação em que
se desenrola a fala.
Referência à força física que caracteriza o herói grego Hér- Vejamos estes versos do poema “Círculo vicioso”, de Macha-
cules. do de Assis:

“Um presidente da República tem uma agenda de trabalho (...)


extremamente carregada. Deve receber ministros, embaixadores, Mas a lua, fitando o sol, com azedume:
visitantes estrangeiros, parlamentares; precisa a todo momento
tomar graves decisões que afetam a vida de muitas pessoas; ne- “Mísera! Tivesse eu aquela enorme, aquela
cessita acompanhar tudo o que acontece no Brasil e no mundo. Claridade imorta, que toda a luz resume!”
Um presidente deve começar a trabalhar ao raiar do dia e termi- Obra completa. Rio de Janeiro, Nova Aguilar, 1979, v.III,
nar sua jornada altas horas da noite.” p. 151.

A repetição do termo presidente estabelece a coesão entre o Nesse caso, o verbo dizer, que seria enunciado antes daquilo
último período e o que vem antes dele. que disse a lua, isto é, antes das aspas, fica subentendido, é omitido
por ser facilmente presumível.
“Observava as estrelas, os planetas, os satélites. Os astros Qualquer segmento da frase pode sofrer elipse. Veja que, no
sempre o atraíram. exemplo abaixo, é o sujeito meu pai que vem elidido (ou apagado)
antes de sentiu e parou:
Os dois períodos estão relacionados pelo hiperônimo astros,
que recupera os hipônimos estrelas, planetas, satélites. “Meu pai começou a andar novamente, sentiu a pontada no
peito e parou.”
“Eles (os alquimistas) acreditavam que o organismo do ho-
mem era regido por humores (fluidos orgânicos) que percorriam, Pode ocorrer também elipse por antecipação. No exemplo que
ou apenas existiam, em maior ou menor intensidade em nosso cor- segue, aquela promoção é complemento tanto de querer quanto de
po. Eram quatro os humores: o sangue, a fleuma (secreção pulmo- desejar, no entanto aparece apenas depois do segundo verbo:
nar), a bile amarela e a bile negra. E eram também estes quatro
fluidos ligados aos quatro elementos fundamentais: ao Ar (seco), “Ficou muito deprimido com o fato de ter sido preferido. Afi-
à Água (úmido), ao Fogo (quente) e à Terra (frio), respectivamen- nal, queria muito, desejava ardentemente aquela promoção.”
te.”
Ziraldo. In: Revista Vozes, nº3, abril de 1970, p.18. Quando se faz essa elipse por antecipação com verbos que têm
regência diferente, a coesão é rompida. Por exemplo, não se deve
Nesse texto, a ligação entre o segundo e o primeiro períodos dizer “Conheço e gosto deste livro”, pois o verbo conhecer rege
se faz pela repetição da palavra humores; entre o terceiro e o se- complemento não introduzido por preposição, e a elipse retoma
gundo se faz pela utilização do sinônimo fluidos. o complemento inteiro, portanto teríamos uma preposição inde-

Didatismo e Conhecimento 28
LÍNGUA PORTUGUESA
vida: “Conheço (deste livro) e gosto deste livro”. Em “Implico No máximo introduz um argumento orientado no mesmo sen-
e dispenso sem dó os estranhos palpiteiros”, diferentemente, no tido de ter muita dificuldade de aprender; supõe que há uma escala
complemento em elipse faltaria a preposição “com” exigida pelo argumentativa (por exemplo, fazer uma faculdade) e que se está
verbo implicar. usando o argumento menos forte da escala no sentido de provar a
Nesses casos, para assegurar a coesão, o recomendável é co- afirmação anterior; no máximo e quando muito estabelecem liga-
locar o complemento junto ao primeiro verbo, respeitando sua ção entre argumentos de valor depreciativo.
regência, e retomá-lo após o segundo por um anafórico, acres-
centando a preposição devida (Conheço este livro e gosto dele) - Conjunção Argumentativa: há operadores que assinalam
ou eliminando a indevida (Implico com estranhos palpiteiros e os uma conjunção argumentativa, ou seja, ligam um conjunto de ar-
dispenso sem dó). gumentos orientados em favor de uma dada conclusão: e, também,
ainda, nem, não só... mas também, tanto... como, além de, a par de.
Coesão por Conexão
“Se alguém pode tomar essa decisão é você. Você é o diretor
Há na língua uma série de palavras ou locuções que são res- da escola, é muito respeitado pelos funcionários e também é muito
ponsáveis pela concatenação ou relação entre segmentos do texto. querido pelos alunos.”
Esses elementos denominam-se conectores ou operadores discur-
sivos. Por exemplo: visto que, até, ora, no entanto, contudo, ou Arrolam-se três argumentos em favor da tese que é o interlo-
seja. cutor quem pode tomar uma dada decisão. O último deles é intro-
Note-se que eles fazem mais do que ligar partes do texto: es- duzido por “e também”, que indica um argumento final na mesma
tabelecem entre elas relações semânticas de diversos tipos, como direção argumentativa dos precedentes.
contrariedade, causa, consequência, condição, conclusão, etc. Es- Esses operadores introduzem novos argumentos; não signifi-
sas relações exercem função argumentativa no texto, por isso os cam, em hipótese nenhuma, a repetição do que já foi dito. Ou seja,
operadores discursivos não podem ser usados indiscriminadamen- só podem ser ligados com conectores de conjunção segmentos que
representam uma progressão discursiva. É possível dizer “Dis-
te.
farçou as lágrimas que o assaltaram e continuou seu discurso”,
Na frase “O time apresentou um bom futebol, mas não alcan-
porque o segundo segmento indica um desenvolvimento da expo-
çou a vitória”, por exemplo, o conector “mas” está adequadamen-
sição. Não teria cabimento usar operadores desse tipo para ligar
te usado, pois ele liga dois segmentos com orientação argumenta-
dois segmentos como “Disfarçou as lágrimas que o assaltaram e
tiva contrária.
escondeu o choro que tomou conta dele”.
Se fosse utilizado, nesse caso, o conector “portanto”, o resul-
tado seria um paradoxo semântico, pois esse operador discursivo - Disjunção Argumentativa: há também operadores que in-
liga dois segmentos com a mesma orientação argumentativa, sen- dicam uma disjunção argumentativa, ou seja, fazem uma conexão
do o segmento introduzido por ele a conclusão do anterior. entre segmentos que levam a conclusões opostas, que têm orienta-
ção argumentativa diferente: ou, ou então, quer... quer, seja... seja,
- Gradação: há operadores que marcam uma gradação numa caso contrário, ao contrário.
série de argumentos orientados para uma mesma conclusão. Divi-
dem-se eles, em dois subtipos: os que indicam o argumento mais “Não agredi esse imbecil. Ao contrário, ajudei a separar a
forte de uma série: até, mesmo, até mesmo, inclusive, e os que briga, para que ele não apanhasse.”
subentendem uma escala com argumentos mais fortes: ao menos,
pelo menos, no mínimo, no máximo, quando muito. O argumento introduzido por ao contrário é diametralmente
oposto àquele de que o falante teria agredido alguém.
“Ele é um bom conferencista: tem uma voz bonita, é bem arti-
culado, conhece bem o assunto de que fala e é até sedutor.” - Conclusão: existem operadores que marcam uma conclusão
em relação ao que foi dito em dois ou mais enunciados anteriores
Toda a série de qualidades está orientada no sentido de com- (geralmente, uma das afirmações de que decorre a conclusão fica
provar que ele é bom conferencista; dentro dessa série, ser sedutor implícita, por manifestar uma voz geral, uma verdade universal-
é considerado o argumento mais forte. mente aceita): logo, portanto, por conseguinte, pois (o pois é con-
clusivo quando não encabeça a oração).
“Ele é ambicioso e tem grande capacidade de trabalho. Che-
gará a ser pelo menos diretor da empresa.” “Essa guerra é uma guerra de conquista, pois visa ao contro-
le dos fluxos mundiais de petróleo. Por conseguinte, não é moral-
Pelo menos introduz um argumento orientado no mesmo mente defensável.”
sentido de ser ambicioso e ter grande capacidade de trabalho; por
outro lado, subentende que há argumentos mais fortes para com- Por conseguinte introduz uma conclusão em relação à afirma-
provar que ele tem as qualidades requeridas dos que vão longe ção exposta no primeiro período.
(por exemplo, ser presidente da empresa) e que se está usando o
menos forte; ao menos, pelo menos e no mínimo ligam argumentos - Comparação: outros importantes operadores discursivos são
de valor positivo. os que estabelecem uma comparação de igualdade, superioridade
ou inferioridade entre dois elementos, com vistas a uma conclusão
“Ele não é bom aluno. No máximo vai terminar o segundo contrária ou favorável a certa ideia: tanto... quanto, tão... como,
grau.” mais... (do) que.

Didatismo e Conhecimento 29
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“Os problemas de fuga de presos serão tanto mais graves Nesse caso, a primeira oração conduz a uma conclusão negati-
quanto maior for a corrupção entre os agentes penitenciários.” va sobre um processo ocorrido com o atleta, enquanto a começada
pela conjunção “mas” leva a uma conclusão positiva. Essa segun-
O comparativo de igualdade tem no texto uma função argu- da orientação é a mais forte.
mentativa: mostrar que o problema da fuga de presos cresce à me- Compare-se, por exemplo, “Ela é simpática, mas não é boni-
dida que aumenta a corrupção entre os agentes penitenciários; por ta” com “Ela não é bonita, mas é simpática”. No primeiro caso, o
isso, os segmentos podem até ser permutáveis do ponto de vista que se quer dizer é que a simpatia é suplantada pela falta de beleza;
sintático, mas não o são do ponto de vista argumentativo, pois não no segundo, que a falta de beleza perde relevância diante da sim-
há igualdade argumentativa proposta, “Tanto maior será a cor- patia. Quando se usam as conjunções adversativas, introduz-se um
rupção entre os agentes penitenciários quanto mais grave for o argumento com vistas a determinada conclusão, para, em seguida,
problema da fuga de presos”. apresentar um argumento decisivo para uma conclusão contrária.
Muitas vezes a permutação dos segmentos leva a conclusões Com as conjunções concessivas, a orientação argumentativa
opostas: Imagine-se, por exemplo, o seguinte diálogo entre o dire- que predomina é a do segmento não introduzido pela conjunção.
tor de um clube esportivo e o técnico de futebol:
“Embora haja conexão entre saber escrever e saber gramáti-
“__Precisamos promover atletas das divisões de base para ca, trata-se de capacidades diferentes.”
reforçar nosso time. A oração iniciada por “embora” apresenta uma orientação ar-
__Qualquer atleta das divisões de base é tão bom quanto os gumentativa no sentido de que saber escrever e saber gramática
do time principal.” são duas coisas interligadas; a oração principal conduz à direção
Nesse caso, o argumento do técnico é a favor da promoção, argumentativa contrária.
pois ele declara que qualquer atleta das divisões de base tem, pelo Quando se utilizam conjunções concessivas, a estratégia ar-
menos, o mesmo nível dos do time principal, o que significa que gumentativa é a de introduzir no texto um argumento que, embo-
estes não primam exatamente pela excelência em relação aos ou- ra tido como verdadeiro, será anulado por outro mais forte com
tros. orientação contrária.
Suponhamos, agora, que o técnico tivesse invertido os seg- A diferença entre as adversativas e as concessivas, portanto, é
mentos na sua fala: de estratégia argumentativa. Compare os seguintes períodos:

“__Qualquer atleta do time principal é tão bom quanto os das “Por mais que o exército tivesse planejado a operação (argu-
divisões de base.” mento mais fraco), a realidade mostrou-se mais complexa (argu-
mento mais forte).”
Nesse caso, seu argumento seria contra a necessidade da pro- “O exército planejou minuciosamente a operação (argumen-
moção, pois ele estaria declarando que os atletas do time principal to mais fraco), mas a realidade mostrou-se mais complexa (argu-
são tão bons quanto os das divisões de base. mento mais forte).”

- Explicação ou Justificativa: há operadores que introduzem - Argumento Decisivo: há operadores discursivos que intro-
uma explicação ou uma justificativa em relação ao que foi dito duzem um argumento decisivo para derrubar a argumentação con-
anteriormente: porque, já que, que, pois. trária, mas apresentando-o como se fosse um acréscimo, como se
fosse apenas algo mais numa série argumentativa: além do mais,
“Já que os Estados Unidos invadiram o Iraque sem autori- além de tudo, além disso, ademais.
zação da ONU, devem arcar sozinhos com os custos da guerra.”
“Ele está num período muito bom da vida: começou a namo-
Já que inicia um argumento que dá uma justificativa para a rar a mulher de seus sonhos, foi promovido na empresa, recebeu
tese de que os Estados Unidos devam arcar sozinhos com o custo um prêmio que ambicionava havia muito tempo e, além disso, ga-
da guerra contra o Iraque. nhou uma bolada na loteria.”

- Contrajunção: os operadores discursivos que assinalam O operador discursivo introduz o que se considera a prova
uma relação de contrajunção, isto é, que ligam enunciados com mais forte de que “Ele está num período muito bom da vida”; no
orientação argumentativa contrária, são as conjunções adversati- entanto, essa prova é apresentada como se fosse apenas mais uma.
vas (mas, contudo, todavia, no entanto, entretanto, porém) e as
concessivas (embora, apesar de, apesar de que, conquanto, ainda - Generalização ou Amplificação: existem operadores que
que, posto que, se bem que). assinalam uma generalização ou uma amplificação do que foi dito
Qual é a diferença entre as adversativas e as concessivas, se antes: de fato, realmente, como aliás, também, é verdade que.
tanto umas como outras ligam enunciados com orientação argu-
mentativa contrária? “O problema da erradicação da pobreza passa pela geração
Nas adversativas, prevalece a orientação do segmento intro- de empregos. De fato, só o crescimento econômico leva ao aumen-
duzido pela conjunção. to de renda da população.”

“O atleta pode cair por causa do impacto, mas se levanta O conector introduz uma amplificação do que foi dito antes.
mais decidido a vencer.”

Didatismo e Conhecimento 30
LÍNGUA PORTUGUESA
“Ele é um técnico retranqueiro, como aliás o são todos os que Coesão por Justaposição
atualmente militam no nosso futebol.
O conector introduz uma generalização ao que foi afirmado: É a coesão que se estabelece com base na sequência dos enun-
não “ele”, mas todos os técnicos do nosso futebol são retranquei- ciados, marcada ou não com sequenciadores. Examinemos os prin-
ros. cipais sequenciadores.

- Especificação ou Exemplificação: também há operadores - Sequenciadores Temporais: são os indicadores de anterio-


que marcam uma especificação ou uma exemplificação do que foi ridade, concomitância ou posterioridade: dois meses depois, uma
afirmado anteriormente: por exemplo, como. semana antes, um pouco mais tarde, etc. (são utilizados predomi-
nantemente nas narrações).
“A violência não é um fenômeno que está disseminado apenas
entre as camadas mais pobres da população. Por exemplo, é cres- “Uma semana antes de ser internado gravemente doente, ele
esteve conosco. Estava alegre e cheio de planos para o futuro.”
cente o número de jovens da classe média que estão envolvidos em
- Sequenciadores Espaciais: são os indicadores de posição
toda sorte de delitos, dos menos aos mais graves.”
relativa no espaço: à esquerda, à direita, junto de, etc. (são usados
Por exemplo assinala que o que vem a seguir especifica,
principalmente nas descrições).
exemplifica a afirmação de que a violência não é um fenômeno
adstrito aos membros das “camadas mais pobres da população”. “A um lado, duas estatuetas de bronze dourado, represen-
tando o amor e a castidade, sustentam uma cúpula oval de forma
- Retificação ou Correção: há ainda os que indicam uma re- ligeira, donde se desdobram até o pavimento bambolins de cassa
tificação, uma correção do que foi afirmado antes: ou melhor, de finíssima. (...) Do outro lado, há uma lareira, não de fogo, que o
fato, pelo contrário, ao contrário, isto é, quer dizer, ou seja, em dispensa nosso ameno clima fluminense, ainda na maior força do
outras palavras. Exemplo: inverno.”
José de Alencar. Senhora.
“Vou-me casar neste final de semana. Ou melhor, vou passar São Paulo, FTD, 1992, p. 77.
a viver junto com minha namorada.”
- Sequenciadores de Ordem: são os que assinalam a ordem
O conector inicia um segmento que retifica o que foi dito an- dos assuntos numa exposição: primeiramente, em segunda, a se-
tes. guir, finalmente, etc.
Esses operadores servem também para marcar um esclareci-
mento, um desenvolvimento, uma redefinição do conteúdo enun- “Para mostrar os horrores da guerra, falarei, inicialmente,
ciado anteriormente. Exemplo: das agruras por que passam as populações civis; em seguida, dis-
correrei sobre a vida dos soldados na frente de batalha; finalmen-
“A última tentativa de proibir a propaganda de cigarros nas te, exporei suas consequências para a economia mundial e, por-
corridas de Fórmula 1 não vingou. De fato, os interesses dos fabri- tanto, para a vida cotidiana de todos os habitantes do planeta.”
cantes mais uma vez prevaleceram sobre os da saúde.”
- Sequenciadores para Introdução: são os que, na conver-
O conector introduz um esclarecimento sobre o que foi dito sação principalmente, servem para introduzir um tema ou mudar
antes. de assunto: a propósito, por falar nisso, mas voltando ao assunto,
Servem ainda para assinalar uma atenuação ou um reforço do fazendo um parêntese, etc.
conteúdo de verdade de um enunciado. Exemplo:
“Joaquim viveu sempre cercado do carinho de muitas pes-
soas. A propósito, era um homem que sabia agradar às mulheres.”
“Quando a atual oposição estava no comando do país, não
fez o que exige hoje que o governo faça. Ao contrário, suas políti-
- Operadores discursivos não explicitados: se o texto for
cas iam na direção contrária do que prega atualmente. construído sem marcadores de sequenciação, o leitor deverá in-
ferir, a partir da ordem dos enunciados, os operadores discursivos
O conector introduz um argumento que reforça o que foi dito não explicitados na superfície textual. Nesses casos, os lugares dos
antes. diferentes conectores estarão indicados, na escrita, pelos sinais de
pontuação: ponto-final, vírgula, ponto-e-vírgula, dois-pontos.
- Explicação: há operadores que desencadeiam uma explica-
ção, uma confirmação, uma ilustração do que foi afirmado antes: “A reforma política é indispensável. Sem a existência da fide-
assim, desse modo, dessa maneira. lidade partidária, cada parlamentar vota segundo seus interesses
e não de acordo com um programa partidário. Assim, não há ba-
“O exército inimigo não desejava a paz. Assim, enquanto se ses governamentais sólidas.”
processavam as negociações, atacou de surpresa.”
Esse texto contém três períodos. O segundo indica a causa
O operador introduz uma confirmação do que foi afirmado de a reforma política ser indispensável. Portanto o ponto-final do
antes. primeiro período está no lugar de um porque.

Didatismo e Conhecimento 31
LÍNGUA PORTUGUESA
A língua tem um grande número de conectores e sequencia- Nem me fale
dores. Apresentamos os principais e explicamos sua função. É pre-
ciso ficar atento aos fenômenos de coesão. Mostramos que o uso Maturidade
inadequado dos conectores e a utilização inapropriada dos anafó-
ricos ou catafóricos geram rupturas na coesão, o que leva o texto a O Sr. e a Sra. Amadeu
não ter sentido ou, pelo menos, a não ter o sentido desejado. Outra Participam a V. Exa.
falha comum no que tange a coesão é a falta de partes indispensá- O feliz nascimento
veis da oração ou do período. Analisemos este exemplo: De sua filha
Gilberta
“As empresas que anunciaram que apoiariam a campanha de Velhice
combate à fome que foi lançada pelo governo federal.”
O período compõe-se de: O netinho jogou os óculos
- As empresas Na latrina
Oswaldo de Andrade. Poesias reunidas.
- que anunciaram (oração subordinada adjetiva restritiva da
4ª Ed. Rio de Janeiro
primeira oração)
Civilização Brasileira, 1974, p. 160-161.
- que apoiariam a campanha de combate à fome (oração su-
bordinada substantiva objetiva direta da segunda oração) Talvez o que mais chame a atenção nesse poema, ao menos à
- que foi lançada pelo governo federal (oração subordinada primeira vista, seja a ausência de elementos de coesão, quer reto-
adjetiva restritiva da terceira oração). mando o que foi dito antes, quer encadeando segmentos textuais.
No entanto, percebemos nele um sentido unitário, sobretudo se
Observe-se que falta o predicado da primeira oração. Quem soubermos que o seu título é “As quatro gares”, ou seja, as quatro
escreveu o período começou a encadear orações subordinadas e estações.
“esqueceu-se” de terminar a principal. Com essa informação, podemos imaginar que se trata de fla-
Quebras de coesão desse tipo são mais comuns em períodos shes de cada uma das quatro grandes fases da vida: a infância, a
longos. No entanto, mesmo quando se elaboram períodos curtos é adolescência, a maturidade e a velhice. A primeira é caracterizada
preciso cuidar para que sejam sintaticamente completos e para que pelas descobertas (o oceano), por ações (o jarro, que certamente a
suas partes estejam bem conectadas entre si. criança quebrara; o passarinho que ela caçara) e por experiências
Para que um conjunto de frases constitua um texto, não bas- marcantes (a visita que se percebia na sala apropriada e o cami-
ta que elas estejam coesas: se não tiverem unidade de sentido, solão que se usava para dormir); a segunda é caracterizada por
mesmo que aparentemente organizadas, elas não passarão de um amores perdidos, de que não se quer mais falar; a terceira, pela
amontoado injustificado. Exemplo: formalidade e pela responsabilidade indicadas pela participação
formal do nascimento da filha; a última, pela condescendência
“Vivo há muitos anos em São Paulo. A cidade tem excelentes para com a traquinagem do neto (a quem cabe a vez de assumir
restaurantes. Ela tem bairros muito pobres. Também o Rio de Ja- a ação). A primeira parte é uma sucessão de palavras; a segunda,
neiro tem favelas.” uma frase em que falta um nexo sintático; a terceira, a participação
do nascimento de uma filha; e a quarta, uma oração completa, po-
Todas as frases são coesas. O hiperônimo cidade retoma o rém aparentemente desgarrada das demais.
substantivo São Paulo, estabelecendo uma relação entre o segun- Como se explica que sejamos capazes de entender esse poema
do e o primeiro períodos. O pronome “ela” recupera a palavra em seus múltiplos sentidos, apesar da falta de marcadores de coe-
são entre as partes?
cidade, vinculando o terceiro ao segundo período. O operador tam-
A explicação está no fato de que ele tem uma qualidade indis-
bém realiza uma conjunção argumentativa, relacionando o quar-
pensável para a existência de um texto: a coerência.
to período ao terceiro. No entanto, esse conjunto não é um texto,
Que é a unidade de sentido resultante da relação que se esta-
pois não apresenta unidade de sentido, isto é, não tem coerência. A belece entre as partes do texto. Uma ideia ajuda a compreender a
coesão, portanto, é condição necessária, mas não suficiente, para outra, produzindo um sentido global, à luz do qual cada uma das
produzir um texto. partes ganha sentido. No poema acima, os subtítulos “Infância”,
“Adolescência”, “Maturidade” e “Velhice” garantem essa unidade.
Coerência Colocar a participação formal do nascimento da filha, por exem-
plo, sob o título “Maturidade” dá a conotação da responsabilida-
Infância de habitualmente associada ao indivíduo adulto e cria um sentido
unitário.
O camisolão Esse texto, como outros do mesmo tipo, comprova que um
O jarro conjunto de enunciados pode formar um todo coerente mesmo sem
O passarinho a presença de elementos coesivos, isto é, mesmo sem a presença
O oceano explícita de marcadores de relação entre as diferentes unidades lin-
A vista na casa que a gente sentava no sofá guísticas. Em outros termos, a coesão funciona apenas como um
mecanismo auxiliar na produção da unidade de sentido, pois esta
Adolescência depende, na verdade, das relações subjacentes ao texto, da não-
contradição entre as partes, da continuidade semântica, em síntese,
Aquele amor da coerência.

Didatismo e Conhecimento 32
LÍNGUA PORTUGUESA
A coerência é um fator de interpretabilidade do texto, pois favor da pena de morte porque é contra tirar a vida de alguém. Da
possibilita que todas as suas partes sejam englobadas num único mesma forma, é incoerente defender o respeito à lei e à Constitui-
significado que explique cada uma delas. Quando esse sentido não ção Brasileira e ser favorável à execução de assaltantes no interior
pode ser alcançado por faltar relação de sentido entre as partes, de prisões.
lemos um texto incoerente, como este: Muitas vezes, as conclusões não são adequadas às premissas.
A todo ser humano foi dado o direito de opção entre a medio- Não há coerência, por exemplo, num raciocínio como este:
cridade de uma vida que se acomoda e a grandeza de uma vida
voltada para o aprimoramento intelectual. Há muitos servidores públicos no Brasil que são verdadeiros
A adolescência é uma fase tão difícil que todos enfrentam. De marajás.
repente vejo que não sou mais uma “criancinha” dependente do O candidato a governador é funcionário público.
“papai”. Chegou a hora de me decidir! Tenho que escolher uma Portanto o candidato é um marajá.
profissão para me realizar e ser independente financeiramente.
No país em que vivemos, que predomina o capitalismo, o mais Segundo uma lei da lógica formal, não se pode concluir nada
rico sempre é quem vence! com certeza baseado em duas premissas particulares. Dizer que
Apud: J. A. Durigan, M. B. M. Abaurre e Y. F. Vieira muitos servidores públicos são marajás não permite concluir que
(orgs). qualquer um seja.
A magia da mudança. Campinas, Unicamp, 1987, p. 53. A falta de relação entre o que se diz e o que foi dito anterior-
mente também constitui incoerência. É o que se vê neste diálogo:
Nesses parágrafos, vemos três temas (direito de opção; adoles-
cência e escolha profissional; relações sociais sob o capitalismo) “__ Vereador, o senhor é a favor ou contra o pagamento de
que mantêm relações muito tênues entre si. Esse fato, prejudicando pedágio para circular no centro da cidade?
a continuidade semântica entre as partes, impede a apreensão do __ É preciso melhorar a vida dos habitantes das grandes ci-
todo e, portanto, configura um texto incoerente. dades. A degradação urbana atinge a todos nós e, por conseguin-
Há no texto, vários tipos de relação entre as partes que o com- te, é necessário reabilitar as áreas que contam com abundante
põem, e, por isso, costuma-se falar em vários níveis de coerência. oferta de serviços públicos.”

Coerência Narrativa Coerência Figurativa

A coerência narrativa consiste no respeito às implicações ló- A coerência figurativa refere-se à compatibilidade das figuras
gicas entre as partes do relato. Por exemplo, para que um sujeito que manifestam determinado tema. Para que o leitor possa per-
realize uma ação, é preciso que ele tenha competência para tanto, ceber o tema que está sendo veiculado por uma série de figuras
ou seja, que saiba e possa efetuá-la. Constitui, então, incoerên- encadeadas, estas precisam ser compatíveis umas com as outras.
cia narrativa o seguinte exemplo: o narrador conta que foi a uma Seria estranho (para dizer o mínimo) que alguém, ao descrever um
festa onde todos fumavam e, por isso, a espessa fumaça impedia jantar oferecido no palácio do Itamarati a um governador estran-
que se visse qualquer coisa; de repente, sem mencionar nenhuma geiro, depois de falar de baixela de prata, porcelana finíssima, flo-
mudança dessa situação, ele diz que se encostou a uma coluna e res, candelabros, toalhas de renda, incluísse no percurso figurativo
passou a observar as pessoas, que eram ruivas, loiras, morenas. guardanapos de papel.
Se o narrador diz que não podia enxergar nada, é incoerente dizer
que via as pessoas com tanta nitidez. Em outros termos, se nega a Coerência Temporal
competência para a realização de um desempenho qualquer, esse
desempenho não pode ocorrer. Isso por respeito às leis da coerên- Por coerência temporal entende-se aquela que concerne à su-
cia narrativa. Observe outro exemplo: cessão dos eventos e à compatibilidade dos enunciados do ponto
de vista de sua localização no tempo. Não se poderia, por exemplo,
“Pior fez o quarto-zagueiro Edinho Baiano, do Paraná Clu- dizer: “O assassino foi executado na câmara de gás e, depois,
be, entrevistado por um repórter da Rádio Cidade. O Paraná tinha condenado à morte”.
tomado um balaio de gols do Guarani de Campinas, alguns dias
antes. O repórter queria saber o que tinha acontecido. Edinho não Coerência Espacial
teve dúvida sobre os motivos:
__ Como a gente já esperava, fomos surpreendidos pelo ata- A coerência espacial diz respeito à compatibilidade dos enun-
que do Guarani.” ciados do ponto de vista da localização no espaço. Seria incoeren-
Ernâni Buchman. In: Folha de Londrina. te, por exemplo, o seguinte texto: “O filme ‘A Marvada Carne’
mostra a mudança sofrida por um homem que vivia lá no interior e
A surpresa implica o inesperado. Não se pode ser surpreendi- encanta-se com a agitação e a diversidade da vida na capital, pois
do com o que já se esperava que acontecesse. aqui já não suportava mais a mesmice e o tédio”. Dizendo lá no
interior, o enunciador dá a entender que seu pronunciamento está
Coerência Argumentativa sendo feito de algum lugar distante do interior; portanto ele não
poderia usar o advérbio “aqui” para localizar “a mesmice” e “o
A coerência argumentativa diz respeito às relações de im- tédio” que caracterizavam a vida interiorana da personagem. Em
plicação ou de adequação entre premissas e conclusões ou entre síntese, não é coerente usar “lá” e “aqui” para indicar o mesmo
afirmações e consequências. Não é possível alguém dizer que é a lugar.

Didatismo e Conhecimento 33
LÍNGUA PORTUGUESA
Coerência do Nível de Linguagem Utilizado “Conscientizar alunos pré-sólidos ao ingresso de uma carrei-
ra universitária informações críticas a respeito da realidade pro-
A coerência do nível de linguagem utilizado é aquela que con- fissional a ser optada. Deve ser ciado novos métodos criativos nos
cerne à compatibilidade do léxico e das estruturas morfossintáti- ensinos de primeiro e segundo grau: estimulando o aluno a forma-
cas com a variante escolhida numa dada situação de comunicação. ção crítica de suas ideias as quais, serão a praticidade cotidiana.
Ocorre incoerência relacionada ao nível de linguagem quando, por Aptidões pessoais serão associadas a testes vocacionais sérios de
exemplo, o enunciador utiliza um termo chulo ou pertencente à maneira discursiva a analisar conceituações fundamentais.”
linguagem informal num texto caracterizado pela norma culta for-
mal. Tanto sabemos que isso não é permitido que, quando o faze- Apud: J. A. Durigan et alii. Op. cit., p. 58.
mos, acrescentamos uma ressalva: com perdão da palavra, se me
permitem dizer. Observe um exemplo de incoerência nesse nível:
Fatores de Coerência
“Tendo recebido a notificação para pagamento da chama-
da taxa do lixo, ouso dirigir-me a V. Exª, senhora prefeita, para - O contexto: para uma dada unidade linguística, funcio-
expor-lhe minha inconformidade diante dessa medida, porque o na como contexto a unidade linguística maior que ela: a sílaba é
IPTU foi aumentado, no governo anterior, de 0,6% para 1% do contexto para o fonema; a palavra, para a sílaba; a oração, para a
valor venal do imóvel exatamente para cobrir as despesas da mu- palavra; o período, para a oração; o texto, para o período, e assim
nicipalidade com os gastos de coleta e destinação dos resíduos só- por diante.
lidos produzidos pelos moradores de nossa cidade. Francamente,
achei uma sacanagem esta armação da Prefeitura: jogar mais um “Um chopps, dois pastel, o polpettone do Jardim de Napo-
gasto nas costas da gente.” li, cruzar a Ipiranga com a avenida São João, o “Parmera”, o
“Curíntia”, todo mundo estar usando cinto de segurança.”
Como se vê, o léxico usado no último período do texto destoa
completamente do utilizado no período anterior.
À primeira vista, parece não haver nenhuma coerência na enu-
meração desses elementos. Quando ficamos sabendo, no entanto,
Ninguém há de negar a incoerência de um texto como este:
que eles fazem parte de um texto intitulado “100 motivos para
Saltou para a rua, abriu a janela do 5º andar e deixou um bilhe-
gostar de São Paulo”, o que aparentemente era caótico torna-se
te no parapeito explicando a razão de seu suicídio, em que há
coerente:
evidente violação da lei sucessivamente dos eventos. Entretanto
talvez nem todo mundo concorde que seja incoerente incluir guar-
100 motivos para gostar de São Paulo
danapos de papel no jantar do Itamarati descrito no item sobre
coerência figurativa, alguém poderia objetivar que é preconceito
considerá-los inadequados. Então, justifica-se perguntar: o que, 1. Um chopps
afinal, determina se um texto é ou não coerente? 2. E dois pastel
A natureza da coerência está relacionada a dois conceitos bá- (...)
sicos de verdade: adequação à realidade e conformidade lógica 5. O polpettone do Jardim de Napoli
entre os enunciados. (...)
Vimos que temos diferentes níveis de coerência: narrativa, ar- 30. Cruzar a Ipiranga com a av. São João
gumentativa, figurativa, etc. Em cada nível, temos duas espécies (...)
diversas de coerência: 43. O “Parmera”
- extratextual: aquela que diz respeito à adequação entre o (...)
texto e uma “realidade” exterior a ele. 45. O “Curíntia”
- intratextual: aquela que diz respeito à compatibilidade, à (..)
adequação, à não-contradição entre os enunciados do texto. 59. Todo mundo estar usando cinto de segurança
(...)
A exterioridade a que o conteúdo do texto deve ajustar-se
pode ser: O texto apresenta os traços culturais da cidade, e todos con-
- o conhecimento do mundo: o conjunto de dados referentes vergem para um único significado: a celebração da capital do esta-
ao mundo físico, à cultura de um povo, ao conteúdo das ciências, do de São Paulo no seu aniversário. Os dois primeiros itens de nos-
etc. que constitui o repertório com que se produzem e se entendem so exemplo referem-se a marcas linguísticas do falar paulistano; o
textos. O período “O homem olhou através das paredes e viu onde terceiro, a um prato que tornou conhecido o restaurante chamado
os bandidos escondiam a vítima que havia sido sequestrada” é Jardim de Napoli; o quarto, a um verso da música “Sampa”, de
incoerente, pois nosso conhecimento do mundo diz que homens Caetano Veloso; o sexto e o sétimo, à maneira como os dois times
não vêem através das paredes. Temos, então, uma incoerência fi- mais populares da cidade são denominados na variante linguística
gurativa extratextual. popular; o último à obediência a uma lei que na época ainda não
- os mecanismos semânticos e gramaticais da língua: o con- vigorava no resto do país.
junto dos conhecimentos sobre o código linguístico necessário à - A situação de comunicação:
codificação de mensagens decodificáveis por outros usuários da
mesma língua. O texto seguinte, por exemplo, está absolutamente __A telefônica.
sem sentido por inobservância de mecanismos desse tipo: __Era hoje?

Didatismo e Conhecimento 34
LÍNGUA PORTUGUESA
Esse diálogo não seria compreendido fora da situação de in- - O intertexto:
terlocução, porque deixa implícitos certos enunciados que, dentro
dela, são perfeitamente compreendidos: Falso diálogo entre Pessoa e Caeiro

__ O empregado da companhia telefônica que vinha conser- __ a chuva me deixa triste...


tar o telefone está aí. __ a mim me deixa molhado.
__ Era hoje que ele viria? José Paulo Paes. Op. Cit., p 79.

Muitos textos retomam outros, constroem-se com base em


- O conhecimento de mundo:
outros e, por isso, só ganham coerência nessa relação com o texto
sobre o qual foram construídos, ou seja, na relação de intertextua-
31 de março / 1º de abril lidade. É o caso desse poema. Para compreendê-lo, é preciso saber
Dúvida Revolucionária que Alberto Caeiro é um dos heterônimos do poeta Fernando Pes-
soa; que heterônimo não é pseudônimo, mas uma individualidade
Ontem foi hoje? lírica distinta da do autor (o ortônimo); que para Caeiro o real é a
Ou hoje é que foi ontem? exterioridade e não devemos acrescentar-lhe impressões subjeti-
vas; que sua posição é antimetafísica; que não devemos interpre-
Aparentemente, falta coerência temporal a esse poema: o que tar a realidade pela inteligência, pois essa interpretação conduz a
significa “ontem foi hoje” ou “hoje é que foi ontem?”. No entanto, simples conceitos vazios, em síntese, é preciso ter lido textos de
as duas datas colocadas no início do poema e o título remetem a Caeiro. Por outro lado, é preciso saber que o ortônimo (Fernando
um episódio da História do Brasil, o golpe militar de 1964, chama- Pessoa ele mesmo) exprime suas emoções, falando da solidão in-
do Revolução de 1964. Esse fato deve fazer parte de nosso conhe- terior, do tédio, etc.
cimento de mundo, assim como o detalhe de que ele ocorreu no dia
1º de abril, mas sua comemoração foi mudada para 31 de março, Incoerência Proposital
para evitar relações entre o evento e o “dia da mentira”.
Existem textos em que há uma quebra proposital da coerência,
- As regras do gênero: com vistas a produzir determinado efeito de sentido, assim como
existem outros que fazem da não-coerência o próprio princípio
constitutivo da produção de sentido. Poderia alguém perguntar,
“O homem olhou através das paredes e viu onde os bandidos
então, se realmente existe texto incoerente. Sem dúvida existe: é
escondiam a vítima que havia sido sequestrada.” aquele em que a incoerência é produzida involuntariamente, por
inabilidade, descuido ou ignorância do enunciador, e não usada
Essa frase é incoerente no discurso cotidiano, mas é comple- funcionalmente para construir certo sentido.
tamente coerente no mundo criado pelas histórias de super-heróis, Quando se trata de incoerência proposital, o enunciador dis-
em que o Super-Homem, por exemplo, tem força praticamente semina pistas no texto, para que o leitor perceba que ela faz parte
ilimitada; pode voar no espaço a uma velocidade igual à da luz; de um programa intencionalmente direcionado para veicular de-
quando ultrapassa essa velocidade, vence a barreira do tempo e terminado tema. Se, por exemplo, num texto que mostra uma festa
pode transferir-se para outras épocas; seus olhos de raios X permi- muito luxuosa, aparecem figuras como pessoas comendo de boca
tem-lhe ver através de qualquer corpo, a distâncias infinitas, etc. aberta, falando em voz muito alta e em linguagem chula, osten-
Nosso conhecimento de mundo não é restrito ao que efetiva- tando sua últimas aquisições, o enunciador certamente não está
mente existe, ao que se pode ver, tocar, etc.: ele inclui também os querendo manifestar o tema do luxo, do requinte, mas o da vulga-
mundos criados pela linguagem nos diferentes gêneros de texto, ridade dos novos-ricos. Para ficar no exemplo da festa: em filmes
ficção científica, contos maravilhosos, mitos, discurso religioso, como “Quero ser grande” (Big, dirigido por Penny Marshall em
etc., regidos por outras lógicas. Assim, o que é incoerente num 1988, com Tom Hanks) e “Um convidado bem trapalhão” (The
determinado gênero não o é, necessariamente, em outro. party, Blake Edwards, 1968, com Peter Sellers), há cenas em que
os respectivos protagonistas exibem comportamento incompatível
com a ocasião, mas não há incoerência nisso, pois todo o enredo
- O sentido não literal:
converge para que o espectador se solidarize com eles, por sua
ingenuidade e falta de traquejo social. Mas, se aparece num texto
“As verdes ideias incolores dormem, mas poderão explodir a uma figura incoerente uma única vez, o leitor não pode ter certeza
qualquer momento.” de que se trata de uma quebra de coerência proposital, com vistas
a criar determinado efeito de sentido, vai pensar que se trata de
Tomando em seu sentido literal, esse texto é absurdo, pois, contradição devida a inabilidade, descuido ou ignorância do enun-
nessa acepção, o termo ideias não pode ser qualificado por adjeti- ciador.
vos de cor; não se podem atribuir ao mesmo ser, ao mesmo tempo, Dissemos também que há outros textos que fazem da inversão
as qualidades verde e incolor; o verbo dormir deve ter como sujei- da realidade seu princípio constitutivo; da incoerência, um fator de
to um substantivo animado. coerência. São exemplos as obras de Lewis Carrol “Alice no país
No entanto, se entendermos ideias verdes em sentido não li- das maravilhas” e “Através do espelho”, que pretendem apre-
teral, como concepções ambientalistas, o período pode ser lido da sentar paradoxos de sentido, subverter o princípio da realidade,
seguinte maneira: “As idéias ambientalistas sem atrativo estão la- mostrar as aporias da lógica, confrontar a lógica do senso comum
tentes, mas poderão manifestar-se a qualquer momento.” com outras.

Didatismo e Conhecimento 35
LÍNGUA PORTUGUESA
Reproduzimos um poema de Manuel Bandeira que contém
mais de um exemplo do que foi abordado: 2. CONHECIMENTO LINGUÍSTICO.
2.1. VARIAÇÃO LINGUÍSTICA;
Teresa
2.2. CLASSES DE PALAVRAS: USOS E
A primeira vez que vi Teresa
ADEQUAÇÕES;
Achei que ela tinha pernas estúpidas 2.3. CONVENÇÕES DA NORMA PADRÃO
Achei também que a cara parecia uma perna (NO ÂMBITO DA CONCORDÂNCIA, DA
REGÊNCIA, DA ORTOGRAFIA E DA
Quando vi Teresa de novo ACENTUAÇÃO GRÁFICA);
Achei que seus olhos eram muito mais velhos 2.4. ORGANIZAÇÃO DO PERÍODO
[que o resto do corpo SIMPLES E DO PERÍODO COMPOSTO;
(Os olhos nasceram e ficaram dez anos esperando 2.5. PONTUAÇÃO;
[que o resto do corpo nascesse) 2.6. RELAÇÕES SEMÂNTICAS ENTRE
PALAVRAS (SINONÍMIA, ANTONÍMIA,
Da terceira vez não vi mais nada
HIPONÍMIA E HIPERONÍMIA).
Os céus se misturaram com a terra
E o espírito de Deus voltou a se mover sobre a face
[das águas.
Poesias completas e prosa. Rio de Janeiro,
Aguilar, 1986, p. 214. VARIAÇÃO LINGUÍSTICA

Para percebermos a coerência desse texto, é preciso, no míni- “Há uma grande diferença se fala um deus ou um herói; se um
mo, que nosso conhecimento de mundo inclua o poema: velho amadurecido ou um jovem impetuoso na flor da idade; se uma
matrona autoritária ou uma dedicada; se um mercador errante ou
O Adeus de Teresa um lavrador de pequeno campo fértil (...)”

A primeira vez que fitei Teresa, Todas as pessoas que falam uma determinada língua conhecem
Como as plantas que arrasta a correnteza, as estruturas gerais, básicas, de funcionamento podem sofrer varia-
A valsa nos levou nos giros seus... ções devido à influência de inúmeros fatores. Tais variações, que
às vezes são pouco perceptíveis e outras vezes bastantes evidentes,
Castro Alves recebem o nome genérico de variedades ou variações linguísticas.
Nenhuma língua é usada de maneira uniforme por todos os seus
Para identificarmos a relação de intertextualidade entre eles; falantes em todos os lugares e em qualquer situação. Sabe-se que,
que tenhamos noção da crítica do Modernismo às escolas literárias numa mesma língua, há formas distintas para traduzir o mesmo sig-
precedentes, no caso, ao Romantismo, em que nenhuma musa se- nificado dentro de um mesmo contexto. Suponham-se, por exemplo,
ria tratada com tanta cerimônia e muito menos teria “cara”; que fa- os dois enunciados a seguir:
çamos uma leitura não literal; que percebamos sua lógica interna,
criada pela disseminação proposital de elementos que pareceriam Veio me visitar um amigo que eu morei na casa dele faz tempo.
absurdos em outro contexto. Veio visitar-me um amigo em cuja casa eu morei há anos.
Qualquer falante do português reconhecerá que os dois enun-
ciados pertencem ao seu idioma e têm o mesmo sentido, mas tam-
bém que há diferenças. Pode dizer, por exemplo, que o segundo é de
gente mais “estudada”.
Isso é prova de que, ainda que intuitivamente e sem saber dar
grandes explicações, as pessoas têm noção de que existem muitas
maneiras de falar a mesma língua. É o que os teóricos chamam de
variações linguísticas.
As variações que distinguem uma variante de outra se manifes-
tam em quatro planos distintos, a saber: fônico, morfológico, sintá-
tico e lexical.

Variações Fônicas

São as que ocorrem no modo de pronunciar os sons constituin-


tes da palavra. Os exemplos de variação fônica são abundantes e,
ao lado do vocabulário, constituem os domínios em que se percebe
com mais nitidez a diferença entre uma variante e outra. Entre es-
ses casos, podemos citar:

Didatismo e Conhecimento 36
LÍNGUA PORTUGUESA
- a queda do “r” final dos verbos, muito comum na linguagem - a ausência da preposição adequada antes do pronome rela-
oral no português: falá, vendê, curti (em vez de curtir), compô. tivo em função de complemento verbal: são pessoas que (em vez
- o acréscimo de vogal no início de certas palavras: eu me de: de que) eu gosto muito; este é o melhor filme que (em vez de
alembro, o pássaro avoa, formas comuns na linguagem clássica, a que) eu assisti; você é a pessoa que (em vez de em que) eu mais
hoje frequentes na fala caipira. confio.
- a queda de sons no início de palavras: ocê, cê, ta, tava, ma- - a substituição do pronome relativo “cujo” pelo pronome
relo (amarelo), margoso (amargoso), características na linguagem “que” no início da frase mais a combinação da preposição “de”
oral coloquial. com o pronome “ele” (=dele): É um amigo que eu já conhecia a
- a redução de proparoxítonas a paroxítonas: Petrópis (Petró- família dele (em vez de ...cuja família eu já conhecia).
polis), fórfi (fósforo), porva (pólvora), todas elas formam típicas - a mistura de tratamento entre tu e você, sobretudo quando
de pessoas de baixa extração social. se trata de verbos no imperativo: Entra, que eu quero falar com
- A pronúncia do “l” final de sílaba como “u” (na maioria das você (em vez de contigo); Fala baixo que a sua (em vez de tua)
regiões do Brasil) ou como “l” (em certas regiões do Rio Grande voz me irrita.
do Sul e Santa Catarina) ou ainda como “r” (na linguagem caipira): - ausência de concordância do verbo com o sujeito: Eles che-
quintau, quintar, quintal; pastéu, paster, pastel; faróu, farór, farol. gou tarde (em grupos de baixa extração social); Faltou naquela
- deslocamento do “r” no interior da sílaba: largato, preguntar, semana muitos alunos; Comentou-se os episódios.
estrupo, cardeneta, típicos de pessoas de baixa extração social.
Variações Léxicas
Variações Morfológicas
É o conjunto de palavras de uma língua. As variantes do
São as que ocorrem nas formas constituintes da palavra. Nesse plano do léxico, como as do plano fônico, são muito numerosas
domínio, as diferenças entre as variantes não são tão numerosas e caracterizam com nitidez uma variante em confronto com
quanto as de natureza fônica, mas não são desprezíveis. Como outra. Eis alguns, entre múltiplos exemplos possíveis de citar:
exemplos, podemos citar: - a escolha do adjetivo maior em vez do advérbio muito para
- o uso do prefixo hiper- em vez do sufixo -íssimo para criar formar o grau superlativo dos adjetivos, características da lingua-
o superlativo de adjetivos, recurso muito característico da lingua- gem jovem de alguns centros urbanos: maior legal; maior difícil;
gem jovem urbana: um cara hiper-humano (em vez de humaníssi- Esse amigo é um carinha maior esforçado.
mo), uma prova hiper difícil (em vez de dificílima), um carro hiper - as diferenças lexicais entre Brasil e Portugal são tantas e, às
possante (em vez de possantíssimo). vezes, tão surpreendentes, que têm sido objeto de piada de lado
- a conjugação de verbos irregulares pelo modelo dos regu- a lado do Oceano. Em Portugal chamam de cueca aquilo que no
lares: ele interviu (interveio), se ele manter (mantiver), se ele ver Brasil chamamos de calcinha; o que chamamos de fila no Brasil,
(vir) o recado, quando ele repor (repuser). em Portugal chamam de bicha; café da manhã em Portugal se diz
- a conjugação de verbos regulares pelo modelo de irregula- pequeno almoço; camisola em Portugal traduz o mesmo que cha-
res: vareia (varia), negoceia (negocia). mamos de suéter, malha, camiseta.
- uso de substantivos masculinos como femininos ou vice-
versa: duzentas gramas de presunto (duzentos), a champanha (o Designações das Variantes Lexicais:
champanha), tive muita dó dela (muito dó), mistura do cal (da
cal). - Arcaísmo: diz-se de palavras que já caíram de uso e, por
- a omissão do “s” como marca de plural de substantivos e ad- isso, denunciam uma linguagem já ultrapassada e envelhecida. É
jetivos (típicos do falar paulistano): os amigo e as amiga, os livro o caso de reclame, em vez de anúncio publicitário; na década de
indicado, as noite fria, os caso mais comum. 60, o rapaz chamava a namorada de broto (hoje se diz gatinha ou
- o enfraquecimento do uso do modo subjuntivo: Espero que o forma semelhante), e um homem bonito era um pão; na linguagem
Brasil reflete (reflita) sobre o que aconteceu nas últimas eleições; antiga, médico era designado pelo nome físico; um bobalhão era
Se eu estava (estivesse) lá, não deixava acontecer; Não é possível chamado de coió ou bocó; em vez de refrigerante usava-se gasosa;
que ele esforçou (tenha se esforçado) mais que eu. algo muito bom, de qualidade excelente, era supimpa.

Variações Sintáticas - Neologismo: é o contrário do arcaísmo. Trata-se de palavras


recém-criadas, muitas das quais mal ou nem estraram para os di-
Dizem respeito às correlações entre as palavras da frase. No cionários. A moderna linguagem da computação tem vários exem-
domínio da sintaxe, como no da morfologia, não são tantas as dife- plos, como escanear, deletar, printar; outros exemplos extraídos
renças entre uma variante e outra. Como exemplo, podemos citar: da tecnologia moderna são mixar (fazer a combinação de sons),
- o uso de pronomes do caso reto com outra função que não a robotizar, robotização.
de sujeito: encontrei ele (em vez de encontrei-o) na rua; não irão
sem você e eu (em vez de mim); nada houve entre tu (em vez de - Estrangeirismo: trata-se do emprego de palavras empresta-
ti) e ele. das de outra língua, que ainda não foram aportuguesadas, preser-
- o uso do pronome lhe como objeto direto: não lhe (em vez de vando a forma de origem. Nesse caso, há muitas expressões lati-
“o”) convidei; eu lhe (em vez de “o”) vi ontem. nas, sobretudo da linguagem jurídica, tais como: habeas-corpus

Didatismo e Conhecimento 37
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(literalmente, “tenhas o corpo” ou, mais livremente, “estejas em Tipos de Variação
liberdade”), ipso facto (“pelo próprio fato de”, “por isso mesmo”),
ipsis litteris (textualmente, “com as mesmas letras”), grosso modo Não tem sido fácil para os estudiosos encontrar para as va-
(“de modo grosseiro”, “impreciso”), sic (“assim, como está escri- riantes linguísticas um sistema de classificação que seja simples
to”), data venia (“com sua permissão”). e, ao mesmo tempo, capaz de dar conta de todas as diferenças que
As palavras de origem inglesas são inúmeras: insight (com- caracterizam os múltiplos modos de falar dentro de uma comuni-
preensão repentina de algo, uma percepção súbita), feeling (“sen- dade linguística. O principal problema é que os critérios adotados,
sibilidade”, capacidade de percepção), briefing (conjunto de in- muitas vezes, se superpõem, em vez de atuarem isoladamente.
formações básicas), jingle (mensagem publicitária em forma de As variações mais importantes, para o interesse do concurso
música). público, são os seguintes:
Do francês, hoje são poucos os estrangeirismos que ainda não
se aportuguesaram, mas há ocorrências: hors-concours (“fora de - Sócio-Cultural: Esse tipo de variação pode ser percebido
concurso”, sem concorrer a prêmios), tête-à-tête (palestra particu- com certa facilidade. Por exemplo, alguém diz a seguinte frase:
lar entre duas pessoas), esprit de corps (“espírito de corpo”, cor-
porativismo), menu (cardápio), à la carte (cardápio “à escolha do “Tá na cara que eles não teve peito de encará os ladrão.”
freguês”), physique du rôle (aparência adequada à caracterização (frase 1)
de um personagem).
Que tipo de pessoa comumente fala dessa maneira? Vamos
- Jargão: é o lexo típico de um campo profissional como a caracterizá-la, por exemplo, pela sua profissão: um advogado?
medicina, a engenharia, a publicidade, o jornalismo. No jar- Um trabalhador braçal de construção civil? Um médico? Um ga-
gão médico temos uso tópico (para remédios que não devem ser rimpeiro? Um repórter de televisão?
ingeridos), apneia (interrupção da respiração), AVC ou acidente E quem usaria a frase abaixo?
vascular cerebral (derrame cerebral). No jargão jornalístico cha-
ma-se de gralha, pastel ou caco o erro tipográfico como a troca ou “Obviamente faltou-lhe coragem para enfrentar os ladrões.”
inversão de uma letra. A palavra lide é o nome que se dá à abertura (frase 2)
de uma notícia ou reportagem, onde se apresenta sucintamente Sem dúvida, associamos à frase 1 os falantes pertencentes a
o assunto ou se destaca o fato essencial. Quando o lide é muito grupos sociais economicamente mais pobres. Pessoas que, muitas
prolixo, é chamado de nariz-de-cera. Furo é notícia dada em pri- vezes, não frequentaram nem a escola primária, ou, quando mui-
meira mão. Quando o furo se revela falso, foi uma barriga. Entre to, fizeram-no em condições não adequadas.
os jornalistas é comum o uso do verbo repercutir como transitivo Por outro lado, a frase 2 é mais comum aos falantes que ti-
direto: __ Vá lá repercutir a notícia de renúncia! (esse uso é con- veram possibilidades socioeconômicas melhores e puderam, por
siderado errado pela gramática normativa). isso, ter um contato mais duradouro com a escola, com a leitura,
com pessoas de um nível cultural mais elevado e, dessa forma,
- Gíria: é o lexo especial de um grupo (originariamente de “aperfeiçoaram” o seu modo de utilização da língua.
marginais) que não deseja ser entendido por outros grupos ou que Convém ficar claro, no entanto, que a diferenciação feita aci-
pretende marcar sua identidade por meio da linguagem. Existe a ma está bastante simplificada, uma vez que há diversos outros
gíria de grupos marginalizados, de grupos jovens e de segmen- fatores que interferem na maneira como o falante escolhe as pala-
tos sociais de contestação, sobretudo quando falam de atividades vras e constrói as frases. Por exemplo, a situação de uso da língua:
proibidas. A lista de gírias é numerosíssima em qualquer língua: um advogado, num tribunal de júri, jamais usaria a expressão “tá
ralado (no sentido de afetado por algum prejuízo ou má sorte), ir na cara”, mas isso não significa que ele não possa usá-la numa si-
pro brejo (ser malsucedido, fracassar, prejudicar-se irremediavel- tuação informal (conversando com alguns amigos, por exemplo).
mente), cara ou cabra (indivíduo, pessoa), bicha (homossexual Da comparação entre as frases 1 e 2, podemos concluir que as
masculino), levar um lero (conversar). condições sociais influem no modo de falar dos indivíduos, geran-
do, assim, certas variações na maneira de usar uma mesma língua.
- Preciosismo: diz-se que é preciosista um léxico excessiva- A elas damos o nome de variações socioculturais.
mente erudito, muito raro, afetado: Escoimar (em vez de corrigir);
procrastinar (em vez de adiar); discrepar (em vez de discordar); - Geográfica: é, no Brasil, bastante grande e pode ser fa-
cinesíforo (em vez de motorista); obnubilar (em vez de obscure- cilmente notada. Ela se caracteriza pelo acento linguístico, que
cer ou embaçar); conúbio (em vez de casamento); chufa (em vez é o conjunto das qualidades fisiológicas do som (altura, timbre,
de caçoada, troça). intensidade), por isso é uma variante cujas marcas se notam
principalmente na pronúncia. Ao conjunto das características da
- Vulgarismo: é o contrário do preciosismo, ou seja, o uso de pronúncia de uma determinada região dá-se o nome de sotaque:
um léxico vulgar, rasteiro, obsceno, grosseiro. É o caso de quem sotaque mineiro, sotaque nordestino, sotaque gaúcho etc. A va-
diz, por exemplo, de saco cheio (em vez de aborrecido), se ferrou riação geográfica, além de ocorrer na pronúncia, pode também
(em vez de se deu mal, arruinou-se), feder (em vez de cheirar ser percebida no vocabulário, em certas estruturas de frases e nos
mal), ranho (em vez de muco, secreção do nariz). sentidos diferentes que algumas palavras podem assumir em dife-
rentes regiões do país.

Didatismo e Conhecimento 38
LÍNGUA PORTUGUESA
Leia, como exemplo de variação geográfica, o trecho abaixo, Você que me lê, preste atenção. Não deixe passar nenhuma
em que Guimarães Rosa, no conto “São Marcos”, recria a fala de palavra ou locução atual, pelo seu ouvido, sem registrá-la. Ama-
um típico sertanejo do centro-norte de Minas: nhã, pode precisar dela. E cuidado ao conversar com seu avô;
talvez ele não entenda o que você diz.
“__ Mas você tem medo dele... [de um feiticeiro chamado O malote, o cassete, o spray, o fuscão, o copião, a Vemaguet,
Mangolô!]. a chacrete, o linóleo, o nylon, o nycron, o ditafone, a informática,
__ Há-de-o!... Agora, abusar e arrastar mala, não faço. Não a dublagem, o sinteco, o telex... Existiam em 1940?
faço, porque não paga a pena... De primeiro, quando eu era moço, Ponha aí o computador, os anticoncepcionais, os mísseis, a
isso sim!... Já fui gente. Para ganhar aposta, já fui, de noite, foras motoneta, a Velo-Solex, o biquíni, o módulo lunar, o antibiótico,
d’hora, em cemitério... (...). Quando a gente é novo, gosta de fa- o enfarte, a acumputura, a biônica, o acrílico, o ta legal, a apar-
zer bonito, gosta de se comparecer. Hoje, não, estou percurando theid, o som pop, as estruturas e a infraestrutura.
é sossego...” Não esqueça também (seria imperdoável) o Terceiro Mundo,
- Histórica: as línguas não são estáticas, fixas, imutáveis. Elas a descapitalização, o desenvolvimento, o unissex, o bandeirinha, o
se alteram com o passar do tempo e com o uso. Muda a forma de mass media, o Ibope, a renda per capita, a mixagem.
falar, mudam as palavras, a grafia e o sentido delas. Essas altera- Só? Não. Tem seu lugar ao sol a metalinguagem, o servo-
ções recebem o nome de variações históricas. mecanismo, as algias, a coca-cola, o superego, a Futurologia, a
Os dois textos a seguir são de Carlos Drummond de Andrade. homeostasia, a Adecif, a Transamazônica, a Sudene, o Incra, a
Neles, o escritor, meio em tom de brincadeira, mostra como a lín- Unesco, o Isop, a Oea, e a ONU.
gua vai mudando com o tempo. No texto I, ele fala das palavras de Estão reclamando, porque não citei a conotação, o conglo-
antigamente e, no texto II, fala das palavras de hoje. merado, a diagramação, o ideologema, o idioleto, o ICM, a IBM,
o falou, as operações triangulares, o zoom, e a guitarra elétrica.
Texto I Olhe aí na fila – quem? Embreagem, defasagem, barra tenso-
ra, vela de ignição, engarrafamento, Detran, poliéster, filhotes de
Antigamente bonificação, letra imobiliária, conservacionismo, carnet da gira-
fa, poluição.
Antigamente, as moças chamavam-se mademoiselles e eram Fundos de investimento, e daí? Também os de incentivos fis-
todas mimosas e prendadas. Não fazia anos; completavam prima- cais. Knon-how. Barbeador elétrico de noventa microrranhuras.
veras, em geral dezoito. Os janotas, mesmo não sendo rapagões, Fenolite, Baquelite, LP e compacto. Alimentos super congelados.
faziam-lhes pé-de-alferes, arrastando a asa, mas ficavam longos Viagens pelo crediário, Circuito fechado de TV Rodoviária. Argh!
meses debaixo do balaio. E se levantam tábua, o remédio era tirar Pow! Click!
o cavalo da chuva e ir pregar em outra freguesia. (...) Os mais ido- Não havia nada disso no Jornal do tempo de Venceslau Brás,
sos, depois da janta, faziam o quilo, saindo para tomar a fresca; ou mesmo, de Washington Luís. Algumas coisas começam a apa-
e também tomava cautela de não apanhar sereno. Os mais jovens, recer sob Getúlio Vargas. Hoje estão ali na esquina, para consumo
esses iam ao animatógrafo, e mais tarde ao cinematógrafo, chu- geral. A enumeração caótica não é uma invenção crítica de Leo
pando balas de alteia. Ou sonhavam em andar de aeroplano; os Spitzer. Está aí, na vida de todos os dias. Entre palavras circula-
quais, de pouco siso, se metiam em camisas de onze varas, e até mos, vivemos, morremos, e palavras somos, finalmente, mas com
em calças pardas; não admira que dessem com os burros n’agua. que significado?
(...) Embora sem saber da missa a metade, os presunçosos (Carlos Drummond de Andrade, Poesia e prosa,
queriam ensinar padre-nosso ao vigário, e com isso punham a Rio de Janeiro, Nova Aguiar, 1988)
mão em cumbuca. Era natural que com eles se perdesse a tramon-
tana. A pessoa cheia de melindres ficava sentida com a desfeita - De Situação: aquelas que são provocadas pelas alterações
que lhe faziam quando, por exemplo, insinuavam que seu filho era das circunstâncias em que se desenrola o ato de comunicação. Um
artioso. Verdade seja que às vezes os meninos eram mesmo enca- modo de falar compatível com determinada situação é incompatí-
petados; chegavam a pitar escondido, atrás da igreja. As meninas, vel com outra:
não: verdadeiros cromos, umas teteias.
(...) Antigamente, os sobrados tinham assombrações, os me- Ô mano, ta difícil de te entendê.
ninos, lombrigas; asthma os gatos, os homens portavam ceroulas,
bortinas a capa de goma (...). Não havia fotógrafos, mas retratis- Esse modo de dizer, que é adequado a um diálogo em situação
tas, e os cristãos não morriam: descansavam. informal, não tem cabimento se o interlocutor é o professor em
Mas tudo isso era antigamente, isto é, doutora. situação de aula.
Assim, um único indivíduo não fala de maneira uniforme em
Texto II todas as circunstâncias, excetuados alguns falantes da linguagem
culta, que servem invariavelmente de uma linguagem formal, sen-
Entre Palavras do, por isso mesmo, considerados excessivamente formais ou afe-
tados.
Entre coisas e palavras – principalmente entre palavras – cir- São muitos os fatores de situação que interferem na fala de um
culamos. A maioria delas não figura nos dicionários de há trinta indivíduo, tais como o tema sobre o qual ele discorre (em princípio
anos, ou figura com outras acepções. A todo momento impõe-se ninguém fala da morte ou de suas crenças religiosas como falaria
tornar conhecimento de novas palavras e combinações de. de um jogo de futebol ou de uma briga que tenha presenciado), o

Didatismo e Conhecimento 39
LÍNGUA PORTUGUESA
ambiente físico em que se dá um diálogo (num templo não se usa Já com a palavra bondade, embora expresse uma qualidade,
a mesma linguagem que numa sauna), o grau de intimidade entre não acontece o mesmo; não faz sentido dizer: homem bondade, moça
os falantes (com um superior, a linguagem é uma, com um colega bondade, pessoa bondade. Bondade, portanto, não é adjetivo, mas
de mesmo nível, é outra), o grau de comprometimento que a fala substantivo.
implica para o falante (num depoimento para um juiz no fórum
escolhem-se as palavras, num relato de uma conquista amorosa Morfossintaxe do Adjetivo:
para um colega fala-se com menos preocupação).
As variações de acordo com a situação costumam ser chama- O adjetivo exerce sempre funções sintáticas (função dentro de
das de níveis de fala ou, simplesmente, variações de estilo e são uma oração) relativas aos substantivos, atuando como adjunto adno-
classificadas em duas grandes divisões: minal ou como predicativo (do sujeito ou do objeto).
- Estilo Formal: aquele em que é alto o grau de reflexão sobre
o que se diz, bem como o estado de atenção e vigilância. É na lin- Adjetivo Pátrio (ou gentílico)
guagem escrita, em geral, que o grau de formalidade é mais tenso.
Indica a nacionalidade ou o lugar de origem do ser. Observe al-
- Estilo Informal (ou coloquial): aquele em que se fala com
guns deles:
despreocupação e espontaneidade, em que o grau de reflexão sobre
Estados e cidades brasileiros:
o que se diz é mínimo. É na linguagem oral íntima e familiar que
Alagoas alagoano
esse estilo melhor se manifesta.
Amapá amapaense
Aracaju aracajuano ou aracajuense
Como exemplo de estilo coloquial vem a seguir um pequeno Amazonas amazonense ou baré
trecho da gravação de uma conversa telefônica entre duas universi- Belo Horizonte belo-horizontino
tárias paulistanas de classe média, transcrito do livro Tempos Lin- Brasília brasiliense
guísticos, de Fernando Tarallo. AS reticências indicam as pausas. Cabo Frio cabo-friense
Campinas campineiro ou campinense
Eu não sei tem dia... depende do meu estado de espírito, tem
dia que minha voz... mais ta assim, sabe? taquara rachada? Fica Adjetivo Pátrio Composto
assim aquela voz baixa. Outro dia eu fui lê um artigo, lê?! Um Na formação do adjetivo pátrio composto, o primeiro elemento
menino lá que faiz pós-graduação na, na GV, ele me, nóis ficamo aparece na forma reduzida e, normalmente, erudita. Observe alguns
até duas hora da manhã ele me explicando toda a matéria de eco- exemplos:
nomia, das nove da noite. África afro- / Cultura afro-americana
Alemanha germano- ou teuto-/Competições teuto-inglesas
Como se pode notar, não há preocupação com a pronúncia América américo- / Companhia américo-africana
nem com a continuidade das ideias, nem com a escolha das pala- Bélgica belgo- / Acampamentos belgo-franceses
vras. Para exemplificar o estilo formal, eis um trecho da gravação China sino- / Acordos sino-japoneses
de uma aula de português de uma professora universitária do Rio Espanha hispano- / Mercado hispano-português
de Janeiro, transcrito do livro de Dinah Callou. A linguagem falada Europa euro- / Negociações euro-americanas
culta na cidade do Rio de Janeiro. As pausas são marcadas com França franco- ou galo- / Reuniões franco-italianas
reticências. Grécia greco- / Filmes greco-romanos
Inglaterra anglo- / Letras anglo-portuguesas
...o que está ocorrendo com nossos alunos é uma fragmenta- Itália ítalo- / Sociedade ítalo-portuguesa
ção do ensino... ou seja... ele perde a noção do todo... e fica com Japão nipo- / Associações nipo-brasileiras
Portugal luso- / Acordos luso-brasileiros
uma série... de aspectos teóricos... isolados... que ele não sabe
vincular a realidade nenhuma de seu idioma... isto é válido tam-
bém para a faculdade de letras... ou seja... né? há uma série... de
Flexão dos adjetivos
conceitos teóricos... que têm nomes bonitos e sofisticados... mas
que... na hora de serem empregados... deixam muito a desejar... O adjetivo varia em gênero, número e grau.
Nota-se que, por tratar-se de exposição oral, não há o grau de Gênero dos Adjetivos
formalidade e planejamento típico do texto escrito, mas trata-se de
um estilo bem mais formal e vigiado que o da menina ao telefone. Os adjetivos concordam com o substantivo a que se referem
(masculino e feminino). De forma semelhante aos substantivos, clas-
CLASSES DE PALAVRAS: sificam-se em:

Adjetivo é a palavra que expressa uma qualidade ou caracte- Biformes - têm duas formas, sendo uma para o masculino e outra
rística do ser e se relaciona com o substantivo. para o feminino. Por exemplo: ativo e ativa, mau e má, judeu e judia.
Ao analisarmos a palavra bondoso, por exemplo, percebemos Se o adjetivo é composto e biforme, ele flexiona no feminino
que, além de expressar uma qualidade, ela pode ser colocada ao somente o último elemento. Por exemplo: o moço norte-americano, a
lado de um substantivo: homem bondoso, moça bondosa, pessoa moça norte-americana.
bondosa. Exceção: surdo-mudo e surda-muda.

Didatismo e Conhecimento 40
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Uniformes - têm uma só forma tanto para o masculino como Sou tão alto como você. = Comparativo de Igualdade
para o feminino. Por exemplo: homem feliz e mulher feliz. No comparativo de igualdade, o segundo termo da comparação
Se o adjetivo é composto e uniforme, fica invariável no femini- é introduzido pelas palavras como, quanto ou quão.
no. Por exemplo: conflito político-social e desavença político-social.
Sou mais alto (do) que você. = Comparativo de Superioridade
Número dos Adjetivos Analítico
No comparativo de superioridade analítico, entre os dois subs-
Plural dos adjetivos simples tantivos comparados, um tem qualidade superior. A forma é analítica
Os adjetivos simples flexionam-se no plural de acordo com as porque pedimos auxílio a “mais...do que” ou “mais...que”.
regras estabelecidas para a flexão numérica dos substantivos simples.
Por exemplo: mau e maus, feliz e felizes, ruim e ruins boa e boas O Sol é maior (do) que a Terra. = Comparativo de Superioridade
Sintético
Caso o adjetivo seja uma palavra que também exerça função de
substantivo, ficará invariável, ou seja, se a palavra que estiver quali- Alguns adjetivos possuem, para o comparativo de superioridade,
ficando um elemento for, originalmente, um substantivo, ela manterá formas sintéticas, herdadas do latim. São eles: bom /melhor, peque-
sua forma primitiva. Exemplo: a palavra cinza é originalmente um no/menor, mau/pior, alto/superior, grande/maior, baixo/inferior.
substantivo; porém, se estiver qualificando um elemento, funcionará Observe que:
como adjetivo. Ficará, então, invariável. Logo: camisas cinza, ternos a) As formas menor e pior são comparativos de superioridade,
cinza. pois equivalem a mais pequeno e mais mau, respectivamente.
Veja outros exemplos: b) Bom, mau, grande e pequeno têm formas sintéticas (melhor,
Motos vinho (mas: motos verdes) pior, maior e menor), porém, em comparações feitas entre duas quali-
Paredes musgo (mas: paredes brancas). dades de um mesmo elemento, deve-se usar as formas analíticas mais
Comícios monstro (mas: comícios grandiosos). bom, mais mau,mais grande e mais pequeno. Por exemplo:
Pedro é maior do que Paulo - Comparação de dois elementos.
Adjetivo Composto
Pedro é mais grande que pequeno - comparação de duas quali-
É aquele formado por dois ou mais elementos. Normalmente,
dades de um mesmo elemento.
esses elementos são ligados por hífen. Apenas o último elemen-
to concorda com o substantivo a que se refere; os demais ficam na
Sou menos alto (do) que você. = Comparativo de Inferioridade
forma masculina, singular. Caso um dos elementos que formam o
Sou menos passivo (do) que tolerante.
adjetivo composto seja um substantivo adjetivado, todo o adjetivo
Superlativo
composto ficará invariável. Por exemplo: a palavra rosa é original-
mente um substantivo, porém, se estiver qualificando um elemento,
O superlativo expressa qualidades num grau muito elevado ou
funcionará como adjetivo. Caso se ligue a outra palavra por hífen,
formará um adjetivo composto; como é um substantivo adjetivado, o em grau máximo. O grau superlativo pode ser absoluto ou relativo e
adjetivo composto inteiro ficará invariável. Por exemplo: apresenta as seguintes modalidades:
Camisas rosa-claro. Superlativo Absoluto: ocorre quando a qualidade de um ser é in-
Ternos rosa-claro. tensificada, sem relação com outros seres. Apresenta-se nas formas:
Olhos verde-claros. Analítica: a intensificação se faz com o auxílio de palavras que
Calças azul-escuras e camisas verde-mar. dão ideia de intensidade (advérbios). Por exemplo: O secretário é
Telhados marrom-café e paredes verde-claras. muito inteligente.
Obs.: - Azul-marinho, azul-celeste, ultravioleta e qualquer adje- Sintética: a intensificação se faz por meio do acréscimo de sufi-
tivo composto iniciado por cor-de-... são sempre invariáveis. xos. Por exemplo: O secretário é inteligentíssimo.
- Os adjetivos compostos surdo-mudo e pele-vermelha têm os Observe alguns superlativos sintéticos:
dois elementos flexionados. benéfico beneficentíssimo
bom boníssimo ou ótimo
Grau do Adjetivo comum comuníssimo
cruel crudelíssimo
Os adjetivos flexionam-se em grau para indicar a intensidade da difícil dificílimo
qualidade do ser. São dois os graus do adjetivo: o comparativo e o doce dulcíssimo
superlativo. fácil facílimo
fiel fidelíssimo
Comparativo
Superlativo Relativo: ocorre quando a qualidade de um ser é in-
Nesse grau, comparam-se a mesma característica atribuída a tensificada em relação a um conjunto de seres. Essa relação pode ser:
dois ou mais seres ou duas ou mais características atribuídas ao mes- De Superioridade: Clara é a mais bela da sala.
mo ser. O comparativo pode ser de igualdade, de superioridade ou De Inferioridade: Clara é a menos bela da sala.
de inferioridade. Observe os exemplos abaixo:

Didatismo e Conhecimento 41
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Note bem: de lugar: Aqui, antes, dentro, ali, adiante, fora, acolá, atrás,
1) O superlativo absoluto analítico é expresso por meio dos além, lá, detrás, aquém, cá, acima, onde, perto, aí, abaixo, aonde,
advérbios muito, extremamente, excepcionalmente, etc., antepos- longe, debaixo, algures, defronte, nenhures, adentro, afora, alhu-
tos ao adjetivo. res, nenhures, aquém, embaixo, externamente, a distância, à dis-
2) O superlativo absoluto sintético apresenta-se sob duas tancia de, de longe, de perto, em cima, à direita, à esquerda, ao
formas : uma erudita, de origem latina, outra popular, de origem lado, em volta
vernácula. A forma erudita é constituída pelo radical do adjetivo de negação : Não, nem, nunca, jamais, de modo algum, de
latino + um dos sufixos -íssimo, -imo ou érrimo. Por exemplo: forma nenhuma, tampouco, de jeito nenhum
fidelíssimo, facílimo, paupérrimo. A forma popular é constituída de dúvida: Acaso, porventura, possivelmente, provavelmente,
do radical do adjetivo português + o sufixo -íssimo: pobríssimo, quiçá, talvez, casualmente, por certo, quem sabe
agilíssimo. de afirmação: Sim, certamente, realmente, decerto, efetiva-
3) Em vez dos superlativos normais seriíssimo, precariíssimo, mente, certo, decididamente, realmente, deveras, indubitavelmen-
necessariíssimo, preferem-se, na linguagem atual, as formas serís- te (=sem dúvida).
simo, precaríssimo, necessaríssimo, sem o desagradável hiato i-í. de exclusão: Apenas, exclusivamente, salvo, senão, somente,
O advérbio, assim como muitas outras palavras existentes na simplesmente, só, unicamente
Língua Portuguesa, advém de outras línguas. Assim sendo, tal qual de inclusão: Ainda, até, mesmo, inclusivamente, também
o adjetivo, o prefixo “ad-” indica a ideia de proximidade, conti- de ordem: Depois, primeiramente, ultimamente
guidade. Essa proximidade faz referência ao processo verbal, no de designação: Eis
sentido de caracterizá-lo, ou seja, indicando as circunstâncias em
de interrogação: onde? (lugar), como? (modo), quando?
que esse processo se desenvolve.
(tempo), por quê? (causa), quanto? (preço e intensidade), para
O advérbio relaciona-se aos verbos da língua, no sentido de
quê? (finalidade)
caracterizar os processos expressos por ele. Contudo, ele não é
modificador exclusivo desta classe (verbos), pois também modifi-
ca o adjetivo e até outro advérbio. Seguem alguns exemplos: Locução adverbial
Para quem se diz distantemente alheio a esse assunto, você
está até bem informado. É reunião de duas ou mais palavras com valor de advérbio.
Temos o advérbio “distantemente” que modifica o adjetivo Exemplo:
alheio, representando uma qualidade, característica. Carlos saiu às pressas. (indicando modo)
Maria saiu à tarde. (indicando tempo)
O artista canta muito mal.
Nesse caso, o advérbio de intensidade “muito” modifica outro Há locuções adverbiais que possuem advérbios correspon-
advérbio de modo – “mal”. Em ambos os exemplos pudemos ve- dentes. Exemplo: Carlos saiu às pressas. = Carlos saiu apressa-
rificar que se tratava de somente uma palavra funcionando como damente.
advérbio. No entanto, ele pode estar demarcado por mais de uma Apenas os advérbios de intensidade, de lugar e de modo são
palavra, que mesmo assim não deixará de ocupar tal função. Te- flexionados, sendo que os demais são todos invariáveis. A única
mos aí o que chamamos de locução adverbial, representada por al- flexão propriamente dita que existe na categoria dos advérbios é
gumas expressões, tais como: às vezes, sem dúvida, frente a frente, a de grau:
de modo algum, entre outras. Superlativo: aumenta a intensidade. Exemplos: longe - lon-
Dependendo das circunstâncias expressas pelos advérbios, gíssimo, pouco - pouquíssimo, inconstitucionalmente - inconstitu-
eles se classificam em distintas categorias, uma vez expressas por: cionalissimamente, etc.;
de modo: Bem, mal, assim, depressa, devagar, às pressas, às Diminutivo: diminui a intensidade. Exemplos: perto - perti-
claras, às cegas, à toa, à vontade, às escondidas, aos poucos, des- nho, pouco - pouquinho, devagar - devagarinho.
se jeito, desse modo, dessa maneira, em geral, frente a frente, lado Artigo é a palavra que, vindo antes de um substantivo, indica
a lado, a pé, de cor, em vão, e a maior parte dos que terminam em se ele está sendo empregado de maneira definida ou indefinida.
-”mente”: calmamente, tristemente, propositadamente, paciente- Além disso, o artigo indica, ao mesmo tempo, o gênero e o número
mente, amorosamente, docemente, escandalosamente, bondosa- dos substantivos.
mente, generosamente
de intensidade: Muito, demais, pouco, tão, menos, em exces-
Classificação dos Artigos
so, bastante, pouco, mais, menos, demasiado, quanto, quão, tanto,
Artigos Definidos: determinam os substantivos de maneira
que(equivale a quão), tudo, nada, todo, quase, de todo, de muito,
precisa: o, a, os, as. Por exemplo: Eu matei o animal.
por completo.
de tempo: Hoje, logo, primeiro, ontem, tarde outrora, ama- Artigos Indefinidos: determinam os substantivos de maneira
nhã, cedo, dantes, depois, ainda, antigamente, antes, doravante, vaga: um, uma, uns, umas. Por exemplo: Eu matei um animal.
nunca, então, ora, jamais, agora, sempre, já, enfim, afinal, breve,
constantemente, entrementes, imediatamente, primeiramente, pro- Combinação dos Artigos
visoriamente, sucessivamente, às vezes, à tarde, à noite, de manhã, É muito presente a combinação dos artigos definidos e inde-
de repente, de vez em quando, de quando em quando, a qualquer finidos com preposições. Veja a forma assumida por essas combi-
momento, de tempos em tempos, em breve, hoje em dia nações:

Didatismo e Conhecimento 42
LÍNGUA PORTUGUESA
Preposições Artigos - Não se deve usar artigo antes das palavras casa ( no sentido
o, os de lar, moradia) e terra ( no sentido de chão firme), a menos que
a ao, aos venham especificadas.
de do, dos Eles estavam em casa.
em no, nos Eles estavam na casa dos amigos.
por (per) pelo, pelos Os marinheiros permaneceram em terra.
a, as um, uns uma, umas Os marinheiros permanecem na terra dos anões.
à, às - -
da, das dum, duns duma, dumas - Não se emprega artigo antes dos pronomes de tratamento,
na, nas num, nuns numa, numas com exceção de senhor(a), senhorita e dona: Vossa excelência re-
pela, pelas - - solverá os problemas de Sua Senhoria.

- As formas à e às indicam a fusão da preposição a com o - Não se une com preposição o artigo que faz parte do nome
de revistas, jornais, obras literárias: Li a notícia em O Estado de S.
artigo definido a. Essa fusão de vogais idênticas é conhecida por
Paulo.
crase.
Morfossintaxe
Constatemos as circunstâncias em que os artigos se mani-
Para definir o que é artigo é preciso mencionar suas relações
festam: com o substantivo. Assim, nas orações da língua portuguesa, o ar-
tigo exerce a função de adjunto adnominal do substantivo a que se
- Considera-se obrigatório o uso do artigo depois do numeral refere. Tal função independe da função exercida pelo substantivo:
“ambos”: Ambos os garotos decidiram participar das olimpíadas. A existência é uma poesia.
Uma existência é a poesia.
- Nomes próprios indicativos de lugar admitem o uso do ar-
tigo, outros não: São Paulo, O Rio de Janeiro, Veneza, A Bahia... Conjunção é a palavra invariável que liga duas orações ou dois
termos semelhantes de uma mesma oração. Por exemplo:
- Quando indicado no singular, o artigo definido pode indicar A menina segurou a boneca e mostrou quando viu as amiguinhas.
toda uma espécie: O trabalho dignifica o homem.
Deste exemplo podem ser retiradas três informações:
- No caso de nomes próprios personativos, denotando a ideia 1-) segurou a boneca 2-) a menina mostrou 3-) viu as ami-
de familiaridade ou afetividade, é facultativo o uso do artigo: O guinhas
Pedro é o xodó da família.
Cada informação está estruturada em torno de um verbo: segu-
- No caso de os nomes próprios personativos estarem no plu- rou, mostrou, viu. Assim, há nessa frase três orações:
ral, são determinados pelo uso do artigo: Os Maias, os Incas, Os 1ª oração: A menina segurou a boneca 2ª oração: e mostrou
Astecas... 3ª oração: quando viu as amiguinhas.
A segunda oração liga-se à primeira por meio do “e”, e a tercei-
- Usa-se o artigo depois do pronome indefinido todo(a) para ra oração liga-se à segunda por meio do “quando”. As palavras “e”
conferir uma ideia de totalidade. Sem o uso dele (o artigo), o pro- e “quando” ligam, portanto, orações.
nome assume a noção de qualquer.
Toda a classe parabenizou o professor. (a sala toda) Observe: Gosto de natação e de futebol.
Nessa frase as expressões de natação, de futebol são partes ou
Toda classe possui alunos interessados e desinteressados.
termos de uma mesma oração. Logo, a palavra “e” está ligando
(qualquer classe)
termos de uma mesma oração.
- Antes de pronomes possessivos, o uso do artigo é facultativo:
Morfossintaxe da Conjunção
Adoro o meu vestido longo. Adoro meu vestido longo. As conjunções, a exemplo das preposições, não exercem pro-
priamente uma função sintática: são conectivos.
- A utilização do artigo indefinido pode indicar uma ideia de Classificação
aproximação numérica: O máximo que ele deve ter é uns vinte - Conjunções Coordenativas
anos. - Conjunções Subordinativas
- O artigo também é usado para substantivar palavras oriundas
de outras classes gramaticais: Não sei o porquê de tudo isso. Conjunções coordenativas

- Nunca deve ser usado artigo depois do pronome relativo cujo Dividem-se em:
(e flexões). - ADITIVAS: expressam a ideia de adição, soma. Ex. Gosto de
Este é o homem cujo amigo desapareceu. cantar e de dançar.
Este é o autor cuja obra conheço. Principais conjunções aditivas: e, nem, não só...mas também,
não só...como também.

Didatismo e Conhecimento 43
LÍNGUA PORTUGUESA
- ADVERSATIVAS: Expressam ideias contrárias, de oposi- - PROPORCIONAIS
ção, de compensação. Ex. Estudei, mas não entendi nada. Principais conjunções proporcionais: à medida que, quanto
Principais conjunções adversativas: mas, porém, contudo, to- mais, ao passo que, à proporção que.
davia, no entanto, entretanto. À medida que as horas passavam, mais sono ele tinha.

- ALTERNATIVAS: Expressam ideia de alternância. - TEMPORAIS


Ou você sai do telefone ou eu vendo o aparelho. Principais conjunções temporais: quando, enquanto, logo que.
Principais conjunções alternativas: Ou...ou, ora...ora, quer... Quando eu sair, vou passar na locadora.
quer, já...já.
Diferença entre orações causais e explicativas
- CONCLUSIVAS: Servem para dar conclusões às orações.
Ex. Estudei muito, por isso mereço passar. Quando estudamos Orações Subordinadas Adverbiais (OSA)
Principais conjunções conclusivas: logo, por isso, pois (de- e Coordenadas Sindéticas (CS), geralmente nos deparamos com a
pois do verbo), portanto, por conseguinte, assim. dúvida de como distinguir uma oração causal de uma explicativa.
Veja os exemplos:
- EXPLICATIVAS: Explicam, dão um motivo ou razão. Ex. 1º) Na frase “Não atravesse a rua, porque você pode ser atro-
É melhor colocar o casaco porque está fazendo muito frio lá fora. pelado”:
Principais conjunções explicativas: que, porque, pois (antes a) Temos uma CS Explicativa, que indica uma justificativa ou
do verbo), porquanto. uma explicação do fato expresso na oração anterior.
b) As orações são coordenadas e, por isso, independentes uma
Conjunções subordinativas da outra. Neste caso, há uma pausa entre as orações que vêm mar-
cadas por vírgula.
- CAUSAIS Não atravesse a rua. Você pode ser atropelado.
Principais conjunções causais: porque, visto que, já que, uma Outra dica é, quando a oração que antecede a OC (Oração
vez que, como (= porque). Coordenada) vier com verbo no modo imperativo, ela será expli-
Ele não fez o trabalho porque não tem livro.
cativa.
Façam silêncio, que estou falando. (façam= verbo imperativo)
- COMPARATIVAS
Principais conjunções comparativas: que, do que, tão...como,
2º) Na frase “Precisavam enterrar os mortos em outra cidade
mais...do que, menos...do que.
porque não havia cemitério no local.”
Ela fala mais que um papagaio.
a) Temos uma OSA Causal, já que a oração subordinada (parte
destacada) mostra a causa da ação expressa pelo verbo da oração
- CONCESSIVAS
principal. Outra forma de reconhecê-la é colocá-la no início do
Principais conjunções concessivas: embora, ainda que, mes-
mo que, apesar de, se bem que. período, introduzida pela conjunção como - o que não ocorre com
Indicam uma concessão, admitem uma contradição, um fato a CS Explicativa.
inesperado. Traz em si uma ideia de “apesar de”. Como não havia cemitério no local, precisavam enterrar os
Embora estivesse cansada, fui ao shopping. (= apesar de estar mortos em outra cidade.
cansada) b) As orações são subordinadas e, por isso, totalmente depen-
Apesar de ter chovido fui ao cinema. dentes uma da outra.

- CONFORMATIVAS Interjeição é a palavra invariável que exprime emoções, sen-


Principais conjunções conformativas: como, segundo, confor- sações, estados de espírito, ou que procura agir sobre o interlocu-
me, consoante tor, levando-o a adotar certo comportamento sem que, para isso,
Cada um colhe conforme semeia. seja necessário fazer uso de estruturas linguísticas mais elabora-
Expressam uma ideia de acordo, concordância, conformidade. das. Observe o exemplo:
Droga! Preste atenção quando eu estou falando!
- CONSECUTIVAS
Expressam uma ideia de consequência. No exemplo acima, o interlocutor está muito bravo. Toda sua
Principais conjunções consecutivas: que (após “tal”, “tanto”, raiva se traduz numa palavra: Droga! Ele poderia ter dito: - Estou
“tão”, “tamanho”). com muita raiva de você! Mas usou simplesmente uma palavra.
Falou tanto que ficou rouco. Ele empregou a interjeição Droga!
As sentenças da língua costumam se organizar de forma ló-
- FINAIS gica: há uma sintaxe que estrutura seus elementos e os distribui
Expressam ideia de finalidade, objetivo. em posições adequadas a cada um deles. As interjeições, por outro
Todos trabalham para que possam sobreviver. lado, são uma espécie de “palavra-frase”, ou seja, há uma ideia
Principais conjunções finais: para que, a fim de que, porque expressa por uma palavra (ou um conjunto de palavras - locução
(=para que), interjetiva) que poderia ser colocada em termos de uma sentença.
Veja os exemplos:

Didatismo e Conhecimento 44
LÍNGUA PORTUGUESA
Bravo! Bis! - Animação ou Estímulo: Vamos!, Força!, Coragem!, Eia!,
bravo e bis: interjeição = sentença (sugestão): “Foi muito Ânimo!, Adiante!, Firme!, Toca!
bom! Repitam!” - Aplauso ou Aprovação: Bravo!, Bis!, Apoiado!, Viva!, Boa!
Ai! Ai! Ai! Machuquei meu pé... ai: interjeição = sentença - Concordância: Claro!, Sim!, Pois não!, Tá!, Hã-hã!
(sugestão): “Isso está doendo!” ou “Estou com dor!” - Repulsa ou Desaprovação: Credo!, Irra!, Ih!, Livra!, Safa!,
A interjeição é um recurso da linguagem afetiva, em que não Fora!, Abaixo!, Francamente!, Xi!, Chega!, Basta!, Ora!
há uma ideia organizada de maneira lógica, como são as sentenças - Desejo ou Intenção: Oh!, Pudera!, Tomara!, Oxalá!
da língua, mas sim a manifestação de um suspiro, um estado da - Desculpa: Perdão!
alma decorrente de uma situação particular, um momento ou um - Dor ou Tristeza: Ai!, Ui!, Ai de mim!, Que pena!, Ah!, Oh!, Eh!
contexto específico. Exemplos: - Dúvida ou Incredulidade: Qual!, Qual o quê!, Hum!, Epa!,
Ah, como eu queria voltar a ser criança! Ora!
ah: expressão de um estado emotivo = interjeição - Espanto ou Admiração: Oh!, Ah!, Uai!, Puxa!, Céus!, Quê!,
Hum! Esse pudim estava maravilhoso! Caramba!, Opa!, Virgem!, Vixe!, Nossa!, Hem?!, Hein?, Cruz!, Putz!
hum: expressão de um pensamento súbito = interjeição - Impaciência ou Contrariedade: Hum!, Hem!, Irra!, Raios!,
Diabo!, Puxa!, Pô!, Ora!
O significado das interjeições está vinculado à maneira como - Pedido de Auxílio: Socorro!, Aqui!, Piedade!
elas são proferidas. Desse modo, o tom da fala é que dita o senti- - Saudação, Chamamento ou Invocação: Salve!, Viva!, Adeus!,
do que a expressão vai adquirir em cada contexto de enunciação. Olá!, Alô!, Ei!, Tchau!, Ô, Ó, Psiu!, Socorro!, Valha-me, Deus!
Exemplos: - Silêncio: Psiu!, Bico!, Silêncio!
Psiu! = contexto: alguém pronunciando essa expressão na - Terror ou Medo: Credo!, Cruzes!, Uh!, Ui!, Oh!
rua; significado da interjeição (sugestão): “Estou te chamando! Ei,
espere!” Saiba que: As interjeições são palavras invariáveis, isto é, não
Psiu! = contexto: alguém pronunciando essa expressão em sofrem variação em gênero, número e grau como os nomes, nem de
um hospital; significado da interjeição (sugestão): “Por favor, faça número, pessoa, tempo, modo, aspecto e voz como os verbos. No
silêncio!” entanto, em uso específico, algumas interjeições sofrem variação em
Puxa! Ganhei o maior prêmio do sorteio! grau. Deve-se ter claro, neste caso, que não se trata de um processo
puxa: interjeição; tom da fala: euforia natural dessa classe de palavra, mas tão só uma variação que a lingua-
Puxa! Hoje não foi meu dia de sorte! gem afetiva permite. Exemplos: oizinho, bravíssimo, até loguinho.
puxa: interjeição; tom da fala: decepção
Locução Interjetiva
As interjeições cumprem, normalmente, duas funções: Ocorre quando duas ou mais palavras formam uma expressão
1) Sintetizar uma frase exclamativa, exprimindo alegria, tris- com sentido de interjeição. Por exemplo : Ora bolas! Quem me
teza, dor, etc. dera! Virgem Maria! Meu Deus! Ó de casa! Ai de mim!
Você faz o que no Brasil? Valha-me Deus! Graças a Deus! Alto lá! Muito bem!
Eu? Eu negocio com madeiras.
Ah, deve ser muito interessante. Observações:
- As interjeições são como frases resumidas, sintéticas. Por
2) Sintetizar uma frase apelativa exemplo: Ué! = Eu não esperava por essa!, Perdão! = Peço-lhe que
Cuidado! Saia da minha frente. me desculpe.

As interjeições podem ser formadas por: - Além do contexto, o que caracteriza a interjeição é o seu tom
- simples sons vocálicos: Oh!, Ah!, Ó, Ô. exclamativo; por isso, palavras de outras classes gramaticais podem
- palavras: Oba!, Olá!, Claro! aparecer como interjeições.
- grupos de palavras (locuções interjetivas): Meu Deus!, Ora Viva! Basta! (Verbos)
bolas! Fora! Francamente! (Advérbios)

A ideia expressa pela interjeição depende muitas vezes da en- - A interjeição pode ser considerada uma “palavra-frase” porque
tonação com que é pronunciada; por isso, pode ocorrer que uma sozinha pode constituir uma mensagem. Ex.: Socorro!, Ajudem-me!,
interjeição tenha mais de um sentido. Por exemplo: Silêncio!, Fique quieto!
Oh! Que surpresa desagradável! (ideia de contrariedade)
Oh! Que bom te encontrar. (ideia de alegria) - Há, também, as interjeições onomatopaicas ou imitativas, que
Classificação das Interjeições exprimem ruídos e vozes. Ex.: Pum! Miau! Bumba! Zás! Plaft! Pof!
Catapimba! Tique-taque! Quá-quá-quá!, etc.
Comumente, as interjeições expressam sentido de: - Não se deve confundir a interjeição de apelo “ó” com a sua
- Advertência: Cuidado!, Devagar!, Calma!, Sentido!, Aten- homônima “oh!”, que exprime admiração, alegria, tristeza, etc. Faz-
ção!, Olha!, Alerta! se uma pausa depois do” oh!” exclamativo e não a fazemos depois
- Afugentamento: Fora!, Passa!, Rua!, Xô! do “ó” vocativo.
- Alegria ou Satisfação: Oh!, Ah!,Eh!, Oba!, Viva! “Ó natureza! ó mãe piedosa e pura!” (Olavo Bilac)
- Alívio: Arre!, Uf!, Ufa! Ah! Oh! a jornada negra!” (Olavo Bilac)

Didatismo e Conhecimento 45
LÍNGUA PORTUGUESA
- Na linguagem afetiva, certas interjeições, originadas de pala- Flexão dos numerais
vras de outras classes, podem aparecer flexionadas no diminutivo Os numerais cardinais que variam em gênero são um/uma,
ou no superlativo: Calminha! Adeusinho! Obrigadinho! dois/duas e os que indicam centenas de duzentos/duzentas em
diante: trezentos/trezentas; quatrocentos/quatrocentas, etc. Car-
Interjeições, leitura e produção de textos dinais como milhão, bilhão, trilhão, variam em número: milhões,
bilhões, trilhões. Os demais cardinais são invariáveis.
Usadas com muita frequência na língua falada informal, quan- Os numerais ordinais variam em gênero e número:
do empregadas na língua escrita, as interjeições costumam confe- primeiro segundo milésimo
rir-lhe certo tom inconfundível de coloquialidade. Além disso, elas primeira segunda milésima
podem muitas vezes indicar traços pessoais do falante - como a primeiros segundos milésimos
escassez de vocabulário, o temperamento agressivo ou dócil, até primeiras segundas milésimas
mesmo a origem geográfica. É nos textos narrativos - particular-
mente nos diálogos - que comumente se faz uso das interjeições Os numerais multiplicativos são invariáveis quando atuam
com o objetivo de caracterizar personagens e, também, graças à
em funções substantivas: Fizeram o dobro do esforço e consegui-
sua natureza sintética, agilizar as falas. Natureza sintética e con-
ram o triplo de produção.
teúdo mais emocional do que racional fazem das interjeições pre-
Quando atuam em funções adjetivas, esses numerais flexio-
sença constante nos textos publicitários.
nam-se em gênero e número: Teve de tomar doses triplas do me-
Fonte: http://www.soportugues.com.br/secoes/morf/morf89.php dicamento.
Os numerais fracionários flexionam-se em gênero e número.
Numeral é a palavra que indica os seres em termos numéri- Observe: um terço/dois terços, uma terça parte/duas terças partes
cos, isto é, que atribui quantidade aos seres ou os situa em deter- Os numerais coletivos flexionam-se em número: uma dúzia,
minada sequência. um milheiro, duas dúzias, dois milheiros.
Os quatro últimos ingressos foram vendidos há pouco. É comum na linguagem coloquial a indicação de grau nos
[quatro: numeral = atributo numérico de “ingresso”] numerais, traduzindo afetividade ou especialização de sentido. É
Eu quero café duplo, e você? o que ocorre em frases como:
...[duplo: numeral = atributo numérico de “café”] “Me empresta duzentinho...”
A primeira pessoa da fila pode entrar, por favor! É artigo de primeiríssima qualidade!
...[primeira: numeral = situa o ser “pessoa” na sequência de O time está arriscado por ter caído na segundona. (= segun-
“fila”] da divisão de futebol)

Note bem: os numerais traduzem, em palavras, o que os nú- Emprego dos Numerais
meros indicam em relação aos seres. Assim, quando a expressão
é colocada em números (1, 1°, 1/3, etc.) não se trata de numerais, *Para designar papas, reis, imperadores, séculos e partes em
mas sim de algarismos. que se divide uma obra, utilizam-se os ordinais até décimo e a
Além dos numerais mais conhecidos, já que refletem a ideia partir daí os cardinais, desde que o numeral venha depois do subs-
expressa pelos números, existem mais algumas palavras conside- tantivo:
radas numerais porque denotam quantidade, proporção ou ordena-
ção. São alguns exemplos: década, dúzia, par, ambos(as), novena. Ordinais Cardinais
João Paulo II (segundo) Tomo XV (quinze)
Classificação dos Numerais D. Pedro II (segundo) Luís XVI (dezesseis)
Ato II (segundo) Capítulo XX (vinte)
Cardinais: indicam contagem, medida. É o número básico:
Século VIII (oitavo) Século XX (vinte)
um, dois, cem mil, etc.
Canto IX (nono) João XXIII ( vinte e três)
Ordinais: indicam a ordem ou lugar do ser numa série dada:
primeiro, segundo, centésimo, etc.
Fracionários: indicam parte de um inteiro, ou seja, a divisão *Para designar leis, decretos e portarias, utiliza-se o ordinal
dos seres: meio, terço, dois quintos, etc. até nono e o cardinal de dez em diante:
Multiplicativos: expressam ideia de multiplicação dos seres, Artigo 1.° (primeiro) Artigo 10 (dez)
indicando quantas vezes a quantidade foi aumentada: dobro, tri- Artigo 9.° (nono) Artigo 21 (vinte e um)
plo, quíntuplo, etc.
*Ambos/ambas são considerados numerais. Significam “um
Leitura dos Numerais e outro”, “os dois” (ou “uma e outra”, “as duas”) e são largamente
Separando os números em centenas, de trás para frente, ob- empregados para retomar pares de seres aos quais já se fez refe-
têm-se conjuntos numéricos, em forma de centenas e, no início, rência.
também de dezenas ou unidades. Entre esses conjuntos usa-se vír- Pedro e João parecem ter finalmente percebido a importân-
gula; as unidades ligam-se pela conjunção “e”. cia da solidariedade. Ambos agora participam das atividades co-
1.203.726 = um milhão, duzentos e três mil, setecentos e vinte munitárias de seu bairro.
e seis. Obs.: a forma “ambos os dois” é considerada enfática. Atual-
45.520 = quarenta e cinco mil, quinhentos e vinte. mente, seu uso indica afetação, artificialismo.

Didatismo e Conhecimento 46
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Cardinais Ordinais Multiplicativos Fracionários
um primeiro - -
dois segundo dobro, duplo meio
três terceiro triplo, tríplice terço
quatro quarto quádruplo quarto
cinco quinto quíntuplo quinto
seis sexto sêxtuplo sexto
sete sétimo sétuplo sétimo
oito oitavo óctuplo oitavo
nove nono nônuplo nono
dez décimo décuplo décimo
onze décimo primeiro - onze avos
doze décimo segundo - doze avos
treze décimo terceiro - treze avos
catorze décimo quarto - catorze avos
quinze décimo quinto - quinze avos
dezesseis décimo sexto - dezesseis avos
dezessete décimo sétimo - dezessete avos
dezoito décimo oitavo - dezoito avos
dezenove décimo nono - dezenove avos
vinte vigésimo - vinte avos
trinta trigésimo - trinta avos
quarenta quadragésimo - quarenta avos
cinqüenta quinquagésimo - cinquenta avos
sessenta sexagésimo - sessenta avos
setenta septuagésimo - setenta avos
oitenta octogésimo - oitenta avos
noventa nonagésimo - noventa avos
cem centésimo cêntuplo centésimo
duzentos ducentésimo - ducentésimo
trezentos trecentésimo - trecentésimo
quatrocentos quadringentésimo - quadringentésimo

Cardinais Ordinais Multiplicativos Fracionários


quinhentos quingentésimo - quingentésimo
seiscentos sexcentésimo - sexcentésimo
setecentos septingentésimo - septingentésimo
oitocentos octingentésimo - octingentésimo
novecentos nongentésimo ou noningentésimo - nongentésimo
mil milésimo - milésimo
milhão milionésimo - milionésimo
bilhão bilionésimo - bilionésimo

Preposição é uma palavra invariável que serve para ligar termos ou orações. Quando esta ligação acontece, normalmente há uma subor-
dinação do segundo termo em relação ao primeiro. As preposições são muito importantes na estrutura da língua, pois estabelecem a coesão
textual e possuem valores semânticos indispensáveis para a compreensão do texto.

Tipos de Preposição
1. Preposições essenciais: palavras que atuam exclusivamente como preposições: a, ante, perante, após, até, com, contra, de, desde, em,
entre, para, por, sem, sob, sobre, trás, atrás de, dentro de, para com.
2. Preposições acidentais: palavras de outras classes gramaticais que podem atuar como preposições: como, durante, exceto, fora,
mediante, salvo, segundo, senão, visto.
3. Locuções prepositivas: duas ou mais palavras valendo como uma preposição, sendo que a última palavra é uma delas: abaixo de,
acerca de, acima de, ao lado de, a respeito de, de acordo com, em cima de, embaixo de, em frente a, ao redor de, graças a, junto a, com,
perto de, por causa de, por cima de, por trás de.
A preposição, como já foi dito, é invariável. No entanto pode unir-se a outras palavras e assim estabelecer concordância em gênero ou
em número. Ex: por + o = pelo por + a = pela.
Vale ressaltar que essa concordância não é característica da preposição, mas das palavras às quais ela se une.
Esse processo de junção de uma preposição com outra palavra pode se dar a partir de dois processos:

Didatismo e Conhecimento 47
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1. Combinação: A preposição não sofre alteração. - Quando é preposição, além de ser invariável, liga dois ter-
preposição a + artigos definidos o, os mos e estabelece relação de subordinação entre eles.
a + o = ao Cheguei a sua casa ontem pela manhã.
preposição a + advérbio onde Não queria, mas vou ter que ir à outra cidade para procurar
a + onde = aonde um tratamento adequado.
2. Contração: Quando a preposição sofre alteração.
- Se for pronome pessoal oblíquo estará ocupando o lugar e/ou
Preposição + Artigos a função de um substantivo.
De + o(s) = do(s) Temos Maria como parte da família. / Nós a temos como parte
De + a(s) = da(s) da família
De + um = dum Creio que conhecemos nossa mãe melhor que ninguém. /
De + uns = duns Creio que a conhecemos melhor que ninguém.
De + uma = duma
De + umas = dumas 2. Algumas relações semânticas estabelecidas por meio das
Em + o(s) = no(s) preposições:
Em + a(s) = na(s) Destino = Irei para casa.
Em + um = num Modo = Chegou em casa aos gritos.
Em + uma = numa Lugar = Vou ficar em casa;
Em + uns = nuns Assunto = Escrevi um artigo sobre adolescência.
Em + umas = numas
Tempo = A prova vai começar em dois minutos.
A + à(s) = à(s)
Causa = Ela faleceu de derrame cerebral.
Por + o = pelo(s)
Por + a = pela(s) Fim ou finalidade = Vou ao médico para começar o trata-
mento.
Preposição + Pronomes Instrumento = Escreveu a lápis.
De + ele(s) = dele(s) Posse = Não posso doar as roupas da mamãe.
De + ela(s) = dela(s) Autoria = Esse livro de Machado de Assis é muito bom.
De + este(s) = deste(s) Companhia = Estarei com ele amanhã.
De + esta(s) = desta(s) Matéria = Farei um cartão de papel reciclado.
De + esse(s) = desse(s) Meio = Nós vamos fazer um passeio de barco.
De + essa(s) = dessa(s) Origem = Nós somos do Nordeste, e você?
De + aquele(s) = daquele(s) Conteúdo = Quebrei dois frascos de perfume.
De + aquela(s) = daquela(s) Oposição = Esse movimento é contra o que eu penso.
De + isto = disto Preço = Essa roupa sai por R$ 50 à vista.
De + isso = disso
De + aquilo = daquilo Fonte:
De + aqui = daqui http://www.infoescola.com/portugues/preposicao/
De + aí = daí
De + ali = dali
Pronome é a palavra que se usa em lugar do nome, ou a ele
De + outro = doutro(s)
se refere, ou que acompanha o nome, qualificando-o de alguma
De + outra = doutra(s)
Em + este(s) = neste(s) forma.
Em + esta(s) = nesta(s)
Em + esse(s) = nesse(s) A moça era mesmo bonita. Ela morava nos meus sonhos!
Em + aquele(s) = naquele(s) [substituição do nome]
Em + aquela(s) = naquela(s) A moça que morava nos meus sonhos era mesmo bonita!
Em + isto = nisto [referência ao nome]
Em + isso = nisso Essa moça morava nos meus sonhos!
Em + aquilo = naquilo [qualificação do nome]
A + aquele(s) = àquele(s)
A + aquela(s) = àquela(s) Grande parte dos pronomes não possuem significados fixos,
A + aquilo = àquilo isto é, essas palavras só adquirem significação dentro de um con-
texto, o qual nos permite recuperar a referência exata daquilo que
Dicas sobre preposição está sendo colocado por meio dos pronomes no ato da comunica-
1. O “a” pode funcionar como preposição, pronome pessoal ção. Com exceção dos pronomes interrogativos e indefinidos, os
oblíquo e artigo. Como distingui-los? Caso o “a” seja um artigo, demais pronomes têm por função principal apontar para as pessoas
virá precedendo um substantivo. Ele servirá para determiná-lo do discurso ou a elas se relacionar, indicando-lhes sua situação no
como um substantivo singular e feminino.
tempo ou no espaço. Em virtude dessa característica, os pronomes
A dona da casa não quis nos atender.
apresentam uma forma específica para cada pessoa do discurso.
Como posso fazer a Joana concordar comigo?

Didatismo e Conhecimento 48
LÍNGUA PORTUGUESA
Minha carteira estava vazia quando eu fui assaltada. Obs.: frequentemente observamos a omissão do pronome
[minha/eu: pronomes de 1ª pessoa = aquele que fala] reto em Língua Portuguesa. Isso se dá porque as próprias formas
Tua carteira estava vazia quando tu foste assaltada? verbais marcam, através de suas desinências, as pessoas do verbo
[tua/tu: pronomes de 2ª pessoa = aquele a quem se fala] indicadas pelo pronome reto: Fizemos boa viagem. (Nós)
A carteira dela estava vazia quando ela foi assaltada.
[dela/ela: pronomes de 3ª pessoa = aquele de quem se fala] Pronome Oblíquo

Em termos morfológicos, os pronomes são palavras variáveis Pronome pessoal do caso oblíquo é aquele que, na sentença,
em gênero (masculino ou feminino) e em número (singular ou plu- exerce a função de complemento verbal (objeto direto ou indireto)
ral). Assim, espera-se que a referência através do pronome seja ou complemento nominal.
coerente em termos de gênero e número (fenômeno da concordân- Ofertaram-nos flores. (objeto indireto)
cia) com o seu objeto, mesmo quando este se apresenta ausente no
enunciado. Obs.: em verdade, o pronome oblíquo é uma forma variante
do pronome pessoal do caso reto. Essa variação indica a função di-
Fala-se de Roberta. Ele quer participar do desfile da nossa versa que eles desempenham na oração: pronome reto marca o su-
escola neste ano. jeito da oração; pronome oblíquo marca o complemento da oração.
[nossa: pronome que qualifica “escola” = concordância ade- Os pronomes oblíquos sofrem variação de acordo com a acen-
quada]
tuação tônica que possuem, podendo ser átonos ou tônicos.
[neste: pronome que determina “ano” = concordância adequa-
da]
Pronome Oblíquo Átono
[ele: pronome que faz referência à “Roberta” = concordância
inadequada]
Existem seis tipos de pronomes: pessoais, possessivos, de- São chamados átonos os pronomes oblíquos que não são pre-
monstrativos, indefinidos, relativos e interrogativos. cedidos de preposição. Possuem acentuação tônica fraca: Ele me
deu um presente.
Pronomes Pessoais O quadro dos pronomes oblíquos átonos é assim configurado:
- 1ª pessoa do singular (eu): me
São aqueles que substituem os substantivos, indicando dire- - 2ª pessoa do singular (tu): te
tamente as pessoas do discurso. Quem fala ou escreve assume os - 3ª pessoa do singular (ele, ela): o, a, lhe
pronomes “eu” ou “nós”, usa os pronomes “tu”, “vós”, “você” ou - 1ª pessoa do plural (nós): nos
“vocês” para designar a quem se dirige e “ele”, “ela”, “eles” ou - 2ª pessoa do plural (vós): vos
“elas” para fazer referência à pessoa ou às pessoas de quem fala. - 3ª pessoa do plural (eles, elas): os, as, lhes
Os pronomes pessoais variam de acordo com as funções que
exercem nas orações, podendo ser do caso reto ou do caso oblíquo. Observações:
O “lhe” é o único pronome oblíquo átono que já se apresenta
Pronome Reto na forma contraída, ou seja, houve a união entre o pronome “o” ou
“a” e preposição “a” ou “para”. Por acompanhar diretamente uma
Pronome pessoal do caso reto é aquele que, na sentença, exer- preposição, o pronome “lhe” exerce sempre a função de objeto
ce a função de sujeito ou predicativo do sujeito. indireto na oração.
Nós lhe ofertamos flores. Os pronomes me, te, nos e vos podem tanto ser objetos diretos
como objetos indiretos.
Os pronomes retos apresentam flexão de número, gênero (ape- Os pronomes o, a, os e as atuam exclusivamente como objetos
nas na 3ª pessoa) e pessoa, sendo essa última a principal flexão, diretos.
uma vez que marca a pessoa do discurso. Dessa forma, o quadro Os pronomes me, te, lhe, nos, vos e lhes podem combinar-se
dos pronomes retos é assim configurado: com os pronomes o, os, a, as, dando origem a formas como mo,
mos , ma, mas; to, tos, ta, tas; lho, lhos, lha, lhas; no-lo, no-los,
- 1ª pessoa do singular: eu
no-la, no-las, vo-lo, vo-los, vo-la, vo-las. Observe o uso dessas
- 2ª pessoa do singular: tu
formas nos exemplos que seguem:
- 3ª pessoa do singular: ele, ela
- 1ª pessoa do plural: nós - Trouxeste o pacote?
- 2ª pessoa do plural: vós - Sim, entreguei-to ainda há pouco.
- 3ª pessoa do plural: eles, elas - Não contaram a novidade a vocês?
- Não, no-la contaram.
Atenção: esses pronomes não costumam ser usados como No português do Brasil, essas combinações não são usadas;
complementos verbais na língua-padrão. Frases como “Vi ele na até mesmo na língua literária atual, seu emprego é muito raro.
rua”, “Encontrei ela na praça”, “Trouxeram eu até aqui”, co-
muns na língua oral cotidiana, devem ser evitadas na língua formal Atenção: Os pronomes o, os, a, as assumem formas especiais
escrita ou falada. Na língua formal, devem ser usados os pronomes depois de certas terminações verbais. Quando o verbo termina em
oblíquos correspondentes: “Vi-o na rua”, “Encontrei-a na pra- -z, -s ou -r, o pronome assume a forma lo, los, la ou las, ao mesmo
ça”, “Trouxeram-me até aqui”. tempo que a terminação verbal é suprimida. Por exemplo:

Didatismo e Conhecimento 49
LÍNGUA PORTUGUESA
fiz + o = fi-lo Pronome Reflexivo
fazeis + o = fazei-lo
dizer + a = dizê-la São pronomes pessoais oblíquos que, embora funcionem
como objetos direto ou indireto, referem-se ao sujeito da oração.
Quando o verbo termina em som nasal, o pronome assume as Indicam que o sujeito pratica e recebe a ação expressa pelo verbo.
formas no, nos, na, nas. Por exemplo: O quadro dos pronomes reflexivos é assim configurado:
viram + o: viram-no - 1ª pessoa do singular (eu): me, mim.
repõe + os = repõe-nos Eu não me vanglorio disso.
retém + a: retém-na Olhei para mim no espelho e não gostei do que vi.
tem + as = tem-nas
- 2ª pessoa do singular (tu): te, ti.
Pronome Oblíquo Tônico Assim tu te prejudicas.
Conhece a ti mesmo.
Os pronomes oblíquos tônicos são sempre precedidos por
preposições, em geral as preposições a, para, de e com. Por esse - 3ª pessoa do singular (ele, ela): se, si, consigo.
Guilherme já se preparou.
motivo, os pronomes tônicos exercem a função de objeto indireto
Ela deu a si um presente.
da oração. Possuem acentuação tônica forte.
Antônio conversou consigo mesmo.
O quadro dos pronomes oblíquos tônicos é assim configurado:
- 1ª pessoa do singular (eu): mim, comigo
- 1ª pessoa do plural (nós): nos.
- 2ª pessoa do singular (tu): ti, contigo Lavamo-nos no rio.
- 3ª pessoa do singular (ele, ela): ele, ela
- 1ª pessoa do plural (nós): nós, conosco - 2ª pessoa do plural (vós): vos.
- 2ª pessoa do plural (vós): vós, convosco Vós vos beneficiastes com a esta conquista.
- 3ª pessoa do plural (eles, elas): eles, elas
- 3ª pessoa do plural (eles, elas): se, si, consigo.
Observe que as únicas formas próprias do pronome tônico são Eles se conheceram.
a primeira pessoa (mim) e segunda pessoa (ti). As demais repetem Elas deram a si um dia de folga.
a forma do pronome pessoal do caso reto.
- As preposições essenciais introduzem sempre pronomes pes- A Segunda Pessoa Indireta
soais do caso oblíquo e nunca pronome do caso reto. Nos contex-
tos interlocutivos que exigem o uso da língua formal, os pronomes A chamada segunda pessoa indireta manifesta-se quando uti-
costumam ser usados desta forma: lizamos pronomes que, apesar de indicarem nosso interlocutor
Não há mais nada entre mim e ti. (portanto, a segunda pessoa), utilizam o verbo na terceira pessoa.
Não se comprovou qualquer ligação entre ti e ela. É o caso dos chamados pronomes de tratamento, que podem ser
Não há nenhuma acusação contra mim. observados no quadro seguinte:
Não vá sem mim.

Atenção: Há construções em que a preposição, apesar de sur-


gir anteposta a um pronome, serve para introduzir uma oração cujo
verbo está no infinitivo. Nesses casos, o verbo pode ter sujeito ex-
presso; se esse sujeito for um pronome, deverá ser do caso reto.
Trouxeram vários vestidos para eu experimentar.
Não vá sem eu mandar.

- A combinação da preposição “com” e alguns pronomes ori-


ginou as formas especiais comigo, contigo, consigo, conosco e
convosco. Tais pronomes oblíquos tônicos frequentemente exer-
cem a função de adjunto adverbial de companhia.
Ele carregava o documento consigo.
- As formas “conosco” e “convosco” são substituídas por
“com nós” e “com vós” quando os pronomes pessoais são refor-
çados por palavras como outros, mesmos, próprios, todos, ambos
ou algum numeral.
Você terá de viajar com nós todos.
Estávamos com vós outros quando chegaram as más notícias.
Ele disse que iria com nós três.

Didatismo e Conhecimento 50
LÍNGUA PORTUGUESA
Pronomes de Tratamento

Vossa Alteza V. A. príncipes, duques


Vossa Eminência V. Ema.(s) cardeais
Vossa Reverendíssima V. Revma.(s) acerdotes e bispos
Vossa Excelência V. Ex.ª (s) altas autoridades e oficiais-generais
Vossa Magnificência V. Mag.ª (s) reitores de universidades
Vossa Majestade V. M. reis e rainhas
Vossa Majestade Imperial V. M. I. Imperadores
Vossa Santidade V. S. Papa
Vossa Senhoria V. S.ª (s) tratamento cerimonioso
Vossa Onipotência V. O. Deus

Também são pronomes de tratamento o senhor, a senhora e você, vocês. “O senhor” e “a senhora” são empregados no tratamento ceri-
monioso; “você” e “vocês”, no tratamento familiar. Você e vocês são largamente empregados no português do Brasil; em algumas regiões,
a forma tu é de uso frequente; em outras, pouco empregada. Já a forma vós tem uso restrito à linguagem litúrgica, ultraformal ou literária.

Observações:
a) Vossa Excelência X Sua Excelência : os pronomes de tratamento que possuem “Vossa (s)” são empregados em relação à pessoa com
quem falamos: Espero que V. Ex.ª, Senhor Ministro, compareça a este encontro.

*Emprega-se “Sua (s)” quando se fala a respeito da pessoa.
Todos os membros da C.P.I. afirmaram que Sua Excelência, o Senhor Presidente da República, agiu com propriedade.

- Os pronomes de tratamento representam uma forma indireta de nos dirigirmos aos nossos interlocutores. Ao tratarmos um deputado
por Vossa Excelência, por exemplo, estamos nos endereçando à excelência que esse deputado supostamente tem para poder ocupar o cargo
que ocupa.

- 3ª pessoa: embora os pronomes de tratamento dirijam-se à 2ª pessoa, toda a concordância deve ser feita com a 3ª pessoa. Assim, os
verbos, os pronomes possessivos e os pronomes oblíquos empregados em relação a eles devem ficar na 3ª pessoa.
Basta que V. Ex.ª cumpra a terça parte das suas promessas, para que seus eleitores lhe fiquem reconhecidos.

- Uniformidade de Tratamento: quando escrevemos ou nos dirigimos a alguém, não é permitido mudar, ao longo do texto, a pessoa do
tratamento escolhida inicialmente. Assim, por exemplo, se começamos a chamar alguém de “você”, não poderemos usar “te” ou “teu”. O
uso correto exigirá, ainda, verbo na terceira pessoa.
Quando você vier, eu te abraçarei e enrolar-me-ei nos teus cabelos. (errado)
Quando você vier, eu a abraçarei e enrolar-me-ei nos seus cabelos. (correto)
Quando tu vieres, eu te abraçarei e enrolar-me-ei nos teus cabelos. (correto)

Pronomes Possessivos

São palavras que, ao indicarem a pessoa gramatical (possuidor), acrescentam a ela a ideia de posse de algo (coisa possuída).
Este caderno é meu. (meu = possuidor: 1ª pessoa do singular)

NÚMERO PESSOA PRONOME


singular primeira meu(s), minha(s)
singular segunda teu(s), tua(s)
singular terceira seu(s), sua(s)
plural primeira nosso(s), nossa(s)
plural segunda vosso(s), vossa(s)
plural terceira seu(s), sua(s)

Note que: A forma do possessivo depende da pessoa gramatical a que se refere; o gênero e o número concordam com o objeto possuído:
Ele trouxe seu apoio e sua contribuição naquele momento difícil.

Didatismo e Conhecimento 51
LÍNGUA PORTUGUESA
Observações: - Os pronomes demonstrativos podem ser variáveis ou inva-
riáveis, observe:
1 - A forma “seu” não é um possessivo quando resultar da Variáveis: este(s), esta(s), esse(s), essa(s), aquele(s), aque-
alteração fonética da palavra senhor: Muito obrigado, seu José. la(s).
Invariáveis: isto, isso, aquilo.
2 - Os pronomes possessivos nem sempre indicam posse. Po- - Também aparecem como pronomes demonstrativos:
dem ter outros empregos, como: - o(s), a(s): quando estiverem antecedendo o “que” e puderem
a) indicar afetividade: Não faça isso, minha filha. ser substituídos por aquele(s), aquela(s), aquilo.
Não ouvi o que disseste. (Não ouvi aquilo que disseste.)
b) indicar cálculo aproximado: Ele já deve ter seus 40 anos. Essa rua não é a que te indiquei. (Esta rua não é aquela que
te indiquei.)
c) atribuir valor indefinido ao substantivo: Marisa tem lá seus
defeitos, mas eu gosto muito dela. - mesmo(s), mesma(s): Estas são as mesmas pessoas que o
procuraram ontem.
3- Em frases onde se usam pronomes de tratamento, o pro- - próprio(s), própria(s): Os próprios alunos resolveram o pro-
nome possessivo fica na 3ª pessoa: Vossa Excelência trouxe sua blema.
mensagem? - semelhante(s): Não compre semelhante livro.
- tal, tais: Tal era a solução para o problema.
4- Referindo-se a mais de um substantivo, o possessivo con-
corda com o mais próximo: Trouxe-me seus livros e anotações. Note que:
- Não raro os demonstrativos aparecem na frase, em constru-
5- Em algumas construções, os pronomes pessoais oblíquos ções redundantes, com finalidade expressiva, para salientar algum
termo anterior. Por exemplo: Manuela, essa é que dera em cheio
átonos assumem valor de possessivo: Vou seguir-lhe os passos. (=
casando com o José Afonso. Desfrutar das belezas brasileiras,
Vou seguir seus passos.)
isso é que é sorte!
Pronomes Demonstrativos
- O pronome demonstrativo neutro ou pode representar um
termo ou o conteúdo de uma oração inteira, caso em que aparece,
Os pronomes demonstrativos são utilizados para explicitar a
geralmente, como objeto direto, predicativo ou aposto: O casa-
posição de uma certa palavra em relação a outras ou ao contexto. mento seria um desastre. Todos o pressentiam.
Essa relação pode ocorrer em termos de espaço, no tempo ou dis-
curso. - Para evitar a repetição de um verbo anteriormente expresso,
No espaço: é comum empregar-se, em tais casos, o verbo fazer, chamado, en-
Compro este carro (aqui). O pronome este indica que o carro tão, verbo vicário (= que substitui, que faz as vezes de): Ninguém
está perto da pessoa que fala. teve coragem de falar antes que ela o fizesse.
Compro esse carro (aí). O pronome esse indica que o carro
está perto da pessoa com quem falo, ou afastado da pessoa que - Em frases como a seguinte, este se refere à pessoa mencio-
fala. nada em último lugar; aquele, à mencionada em primeiro lugar: O
Compro aquele carro (lá). O pronome aquele diz que o carro referido deputado e o Dr. Alcides eram amigos íntimos; aquele
está afastado da pessoa que fala e daquela com quem falo. casado, solteiro este. [ou então: este solteiro, aquele casado]

Atenção: em situações de fala direta (tanto ao vivo quanto - O pronome demonstrativo tal pode ter conotação irônica: A
por meio de correspondência, que é uma modalidade escrita de menina foi a tal que ameaçou o professor?
fala), são particularmente importantes o este e o esse - o primeiro
localiza os seres em relação ao emissor; o segundo, em relação ao - Pode ocorrer a contração das preposições a, de, em com pro-
destinatário. Trocá-los pode causar ambiguidade. nome demonstrativo: àquele, àquela, deste, desta, disso, nisso, no,
Dirijo-me a essa universidade com o objetivo de solicitar in- etc: Não acreditei no que estava vendo. (no = naquilo)
formações sobre o concurso vestibular. (trata-se da universidade
destinatária). Pronomes Indefinidos
Reafirmamos a disposição desta universidade em participar
no próximo Encontro de Jovens. (trata-se da universidade que en- São palavras que se referem à terceira pessoa do discurso,
via a mensagem). dando-lhe sentido vago (impreciso) ou expressando quantidade
No tempo: indeterminada.
Este ano está sendo bom para nós. O pronome este se refere Alguém entrou no jardim e destruiu as mudas recém-plantadas.
ao ano presente.
Esse ano que passou foi razoável. O pronome esse se refere a Não é difícil perceber que “alguém” indica uma pessoa de
um passado próximo. quem se fala (uma terceira pessoa, portanto) de forma imprecisa,
Aquele ano foi terrível para todos. O pronome aquele está se vaga. É uma palavra capaz de indicar um ser humano que segura-
referindo a um passado distante. mente existe, mas cuja identidade é desconhecida ou não se quer
revelar. Classificam-se em:

Didatismo e Conhecimento 52
LÍNGUA PORTUGUESA
- Pronomes Indefinidos Substantivos: assumem o lugar do Pronomes Relativos
ser ou da quantidade aproximada de seres na frase. São eles: algo,
alguém, fulano, sicrano, beltrano, nada, ninguém, outrem, quem, São aqueles que representam nomes já mencionados anterior-
tudo. mente e com os quais se relacionam. Introduzem as orações subor-
Algo o incomoda? dinadas adjetivas.
Quem avisa amigo é. O racismo é um sistema que afirma a superioridade de um
grupo racial sobre outros.
- Pronomes Indefinidos Adjetivos: qualificam um ser ex- (afirma a superioridade de um grupo racial sobre outros = ora-
presso na frase, conferindo-lhe a noção de quantidade aproximada. ção subordinada adjetiva).
São eles: cada, certo(s), certa(s). O pronome relativo “que” refere-se à palavra “sistema” e in-
Cada povo tem seus costumes. troduz uma oração subordinada. Diz-se que a palavra “sistema” é
Certas pessoas exercem várias profissões. antecedente do pronome relativo que.
O antecedente do pronome relativo pode ser o pronome de-
Note que: Ora são pronomes indefinidos substantivos, ora monstrativo o, a, os, as.
pronomes indefinidos adjetivos: Não sei o que você está querendo dizer.
algum, alguns, alguma(s), bastante(s) (= muito, muitos), de- Às vezes, o antecedente do pronome relativo não vem expresso.
mais, mais, menos, muito(s), muita(s), nenhum, nenhuns, nenhu- Quem casa, quer casa.
ma(s), outro(s), outra(s), pouco(s), pouca(s), qualquer, quaisquer,
qual, que, quanto(s), quanta(s), tal, tais, tanto(s), tanta(s), todo(s), Observe:
toda(s), um, uns, uma(s), vários, várias. Pronomes relativos variáveis = o qual, cujo, quanto, os quais,
Menos palavras e mais ações. cujos, quantos, a qual, cuja, quanta, as quais, cujas, quantas.
Alguns se contentam pouco. Pronomes relativos invariáveis = quem, que, onde.
Os pronomes indefinidos podem ser divididos em variáveis e Note que:
invariáveis. Observe: - O pronome “que” é o relativo de mais largo emprego, sendo
Variáveis = algum, nenhum, todo, muito, pouco, vário, tanto, por isso chamado relativo universal. Pode ser substituído por o
outro, quanto, alguma, nenhuma, toda, muita, pouca, vária, tanta, qual, a qual, os quais, as quais, quando seu antecedente for um
outra, quanta, qualquer, quaisquer, alguns, nenhuns, todos, mui- substantivo.
tos, poucos, vários, tantos, outros, quantos, algumas, nenhumas, O trabalho que eu fiz refere-se à corrupção. (= o qual)
todas, muitas, poucas, várias, tantas, outras, quantas. A cantora que acabou de se apresentar é péssima. (= a qual)
Invariáveis = alguém, ninguém, outrem, tudo, nada, algo, Os trabalhos que eu fiz referem-se à corrupção. (= os quais)
cada. As cantoras que se apresentaram eram péssimas. (= as quais)

São locuções pronominais indefinidas: - O qual, os quais, a qual e as quais são exclusivamente pro-
nomes relativos: por isso, são utilizados didaticamente para verifi-
cada qual, cada um, qualquer um, quantos quer (que), quem car se palavras como “que”, “quem”, “onde” (que podem ter várias
quer (que), seja quem for, seja qual for, todo aquele (que), tal qual classificações) são pronomes relativos. Todos eles são usados com
(= certo), tal e qual, tal ou qual, um ou outro, uma ou outra, etc. referência à pessoa ou coisa por motivo de clareza ou depois de de-
Cada um escolheu o vinho desejado. terminadas preposições: Regressando de São Paulo, visitei o sítio
de minha tia, o qual me deixou encantado. (O uso de “que”, neste
Indefinidos Sistemáticos caso, geraria ambiguidade.)
Essas são as conclusões sobre as quais pairam muitas
Ao observar atentamente os pronomes indefinidos, percebe- dúvidas? (Não se poderia usar “que” depois de sobre.)
mos que existem alguns grupos que criam oposição de sentido.
É o caso de: algum/alguém/algo, que têm sentido afirmativo, e - O relativo “que” às vezes equivale a o que, coisa que, e se
nenhum/ninguém/nada, que têm sentido negativo; todo/tudo, que refere a uma oração: Não chegou a ser padre, mas deixou de ser
indicam uma totalidade afirmativa, e nenhum/nada, que indicam poeta, que era a sua vocação natural.
uma totalidade negativa; alguém/ninguém, que se referem à pes-
soa, e algo/nada, que se referem à coisa; certo, que particulariza, e - O pronome “cujo” não concorda com o seu antecedente, mas
qualquer, que generaliza. com o consequente. Equivale a do qual, da qual, dos quais, das
Essas oposições de sentido são muito importantes na constru- quais.
ção de frases e textos coerentes, pois delas muitas vezes dependem Este é o caderno cujas folhas estão rasgadas.
a solidez e a consistência dos argumentos expostos. Observe nas (antecedente) (consequente)
frases seguintes a força que os pronomes indefinidos destacados
imprimem às afirmações de que fazem parte: - “Quanto” é pronome relativo quando tem por antecedente
Nada do que tem sido feito produziu qualquer resultado prá- um pronome indefinido: tanto (ou variações) e tudo:
tico. Emprestei tantos quantos foram necessários.
Certas pessoas conseguem perceber sutilezas: não são pes- (antecedente)
soas quaisquer. Ele fez tudo quanto havia falado.
(antecedente)

Didatismo e Conhecimento 53
LÍNGUA PORTUGUESA
- O pronome “quem” se refere a pessoas e vem sempre prece- Importante: Em observação à segunda oração, o emprego do
dido de preposição. pronome oblíquo “lhe” é justificado antes do verbo intransitivo
É um professor a quem muito devemos. “ajudar” porque o pronome oblíquo pode estar antes, depois ou
(preposição) entre locução verbal, caso o verbo principal (no caso “ajudar”)
esteja no infinitivo ou gerúndio.
- “Onde”, como pronome relativo, sempre possui antecedente Eu desejo lhe perguntar algo.
e só pode ser utilizado na indicação de lugar: A casa onde morava Eu estou perguntando-lhe algo.
foi assaltada.
- Na indicação de tempo, deve-se empregar quando ou em
Os pronomes pessoais oblíquos podem ser átonos ou tônicos:
que.
os primeiros não são precedidos de preposição, diferentemente
Sinto saudades da época em que (quando) morávamos no ex-
terior. dos segundos que são sempre precedidos de preposição.
- Pronome oblíquo átono: Joana me perguntou o que eu es-
- Podem ser utilizadas como pronomes relativos as palavras: tava fazendo.
- como (= pelo qual): Não me parece correto o modo como - Pronome oblíquo tônico: Joana perguntou para mim o que
você agiu semana passada. eu estava fazendo.
- quando (= em que): Bons eram os tempos quando podíamos
jogar videogame. A colocação pronominal é a posição que os pronomes pes-
soais oblíquos átonos ocupam na frase em relação ao verbo a que
- Os pronomes relativos permitem reunir duas orações numa se referem. São pronomes oblíquos átonos: me, te, se, o, os, a, as,
só frase. lhe, lhes, nos e vos.
O futebol é um esporte. O pronome oblíquo átono pode assumir três posições na ora-
O povo gosta muito deste esporte.
ção em relação ao verbo:
O futebol é um esporte de que o povo gosta muito.
1. próclise: pronome antes do verbo
- Numa série de orações adjetivas coordenadas, pode ocorrer a 2. ênclise: pronome depois do verbo
elipse do relativo “que”: A sala estava cheia de gente que conver- 3. mesóclise: pronome no meio do verbo
sava, (que) ria, (que) fumava.
Próclise
Pronomes Interrogativos
A próclise é aplicada antes do verbo quando temos:
São usados na formulação de perguntas, sejam elas diretas ou - Palavras com sentido negativo:
indiretas. Assim como os pronomes indefinidos, referem- -se Nada me faz querer sair dessa cama.
à 3ª pessoa do discurso de modo impreciso. São pronomes interro- Não se trata de nenhuma novidade.
gativos: que, quem, qual (e variações), quanto (e variações).
Quem fez o almoço?/ Diga-me quem fez o almoço. - Advérbios:
Qual das bonecas preferes? / Não sei qual das bonecas pre- Nesta casa se fala alemão.
feres.
Naquele dia me falaram que a professora não veio.
Quantos passageiros desembarcaram? / Pergunte quantos
passageiros desembarcaram.
- Pronomes relativos:
Sobre os pronomes: A aluna que me mostrou a tarefa não veio hoje.
Não vou deixar de estudar os conteúdos que me falaram.
O pronome pessoal é do caso reto quando tem função de sujei-
to na frase. O pronome pessoal é do caso oblíquo quando desem- - Pronomes indefinidos:
penha função de complemento. Vamos entender, primeiramente, Quem me disse isso?
como o pronome pessoal surge na frase e que função exerce. Ob- Todos se comoveram durante o discurso de despedida.
serve as orações:
1. Eu não sei essa matéria, mas ele irá me ajudar. - Pronomes demonstrativos:
2. Maria foi embora para casa, pois não sabia se devia lhe Isso me deixa muito feliz!
ajudar. Aquilo me incentivou a mudar de atitude!
Na primeira oração os pronomes pessoais “eu” e “ele” exer-
- Preposição seguida de gerúndio:
cem função de sujeito, logo, são pertencentes ao caso reto. Já na
segunda oração, observamos o pronome “lhe” exercendo função Em se tratando de qualidade, o Brasil Escola é o site mais
de complemento, e, consequentemente, é do caso oblíquo. indicado à pesquisa escolar.
Os pronomes pessoais indicam as pessoas do discurso, o pro-
nome oblíquo “lhe”, da segunda oração, aponta para a segunda - Conjunção subordinativa:
pessoa do singular (tu/você): Maria não sabia se devia ajudar.... Vamos estabelecer critérios, conforme lhe avisaram.
Ajudar quem? Você (lhe).

Didatismo e Conhecimento 54
LÍNGUA PORTUGUESA
Ênclise 02. (Agente de Apoio Administrativo – FCC – 2013- adap.).
Fazendo-se as alterações necessárias, o trecho grifado está correta-
A ênclise é empregada depois do verbo. A norma culta não mente substituído por um pronome em:
aceita orações iniciadas com pronomes oblíquos átonos. A ênclise A) ...sei tratar tipos como o senhor. − sei tratá-lo
vai acontecer quando: B) ...erguendo os braços desalentado... − erguendo-lhes de-
- O verbo estiver no imperativo afirmativo: salentado
Amem-se uns aos outros. C) ...que tem de conhecer as leis do país? − que tem de co-
Sigam-me e não terão derrotas. nhecê-lo?
D) ...não parecia ser um importante industrial... − não parecia
- O verbo iniciar a oração: ser-lhe
Diga-lhe que está tudo bem. E) incomodaram o general... − incomodaram-no
Chamaram-me para ser sócio.
03.(Agente de Defensoria Pública – FCC – 2013-adap.).
- O verbo estiver no infinitivo impessoal regido da preposição A substituição do elemento grifado pelo pronome correspon-
“a”: dente, com os necessários ajustes, foi realizada de modo IN-
Naquele instante os dois passaram a odiar-se. CORRETO em:
Passaram a cumprimentar-se mutuamente. A) mostrando o rio= mostrando-o.
- O verbo estiver no gerúndio: B) como escolher sítio= como escolhê-lo.
Não quis saber o que aconteceu, fazendo-se de despreocu- C) transpor [...] as matas espessas= transpor-lhes.
pada. D) Às estreitas veredas[...] nada acrescentariam = nada lhes
Despediu-se, beijando-me a face. acrescentariam.
E) viu uma dessas marcas= viu uma delas.
- Houver vírgula ou pausa antes do verbo: 04. (Papiloscopista Policial – Vunesp – 2013). Assinale a al-
Se passar no concurso em outra cidade, mudo-me no mesmo ternativa em que o pronome destacado está posicionado de acordo
instante. com a norma-padrão da língua.
Se não tiver outro jeito, alisto-me nas forças armadas. (A) Ela não lembrava-se do caminho de volta.
(B) A menina tinha distanciado-se muito da família.
Mesóclise (C) A garota disse que perdeu-se dos pais.
(D) O pai alegrou-se ao encontrar a filha.
A mesóclise acontece quando o verbo está flexionado no futu-
(E) Ninguém comprometeu-se a ajudar a criança.
ro do presente ou no futuro do pretérito:
A prova realizar-se-á neste domingo pela manhã. (= ela se
05. (Escrevente TJ SP – Vunesp 2011). Assinale a alternativa
realizará)
cujo emprego do pronome está em conformidade com a norma
Far-lhe-ei uma proposta irrecusável. (= eu farei uma proposta
padrão da língua.
a você)
(A) Não autorizam-nos a ler os comentários sigilosos.
Questões sobre Pronome (B) Nos falaram que a diplomacia americana está abalada.
(C) Ninguém o informou sobre o caso WikiLeaks.
01. (Escrevente TJ SP – Vunesp/2012). (D) Conformado, se rendeu às punições.
Restam dúvidas sobre o crescimento verde. Primeiro, não (E) Todos querem que combata-se a corrupção.
está claro até onde pode realmente chegar uma política baseada
em melhorar a eficiência sem preços adequados para o carbono, 06. (Papiloscopista Policial = Vunesp - 2013). Assinale a al-
a água e (na maioria dos países pobres) a terra. É verdade que ternativa correta quanto à colocação pronominal, de acordo com a
mesmo que a ameaça dos preços do carbono e da água faça em norma-padrão da língua portuguesa.
si diferença, as companhias não podem suportar ter de pagar, de (A) Para que se evite perder objetos, recomenda-se que eles
repente, digamos, 40 dólares por tonelada de carbono, sem qual- sejam sempre trazidos junto ao corpo.
quer preparação. Portanto, elas começam a usar preços-sombra. (B) O passageiro ao lado jamais imaginou-se na situação de
Ainda assim, ninguém encontrou até agora uma maneira de quan- ter de procurar a dona de uma bolsa perdida.
tificar adequadamente os insumos básicos. E sem eles a maioria (C) Nos sentimos impotentes quando não conseguimos resti-
das políticas de crescimento verde sempre será a segunda opção. tuir um objeto à pessoa que o perdeu.
(Carta Capital, 27.06.2012. Adaptado) (D) O homem se indignou quando propuseram-lhe que abrisse
a bolsa que encontrara.
Os pronomes “elas” e “eles”, em destaque no texto, referem- (E) Em tratando-se de objetos encontrados, há uma tendência
-se, respectivamente, a natural das pessoas em devolvê-los a seus donos.
(A) dúvidas e preços.
(B) dúvidas e insumos básicos. 07. (Agente de Apoio Operacional – VUNESP – 2013).
(C) companhias e insumos básicos. Há pessoas que, mesmo sem condições, compram produ-
(D) companhias e preços do carbono e da água. tos______ não necessitam e______ tendo de pagar tudo______
(E) políticas de crescimento e preços adequados. prazo.

Didatismo e Conhecimento 55
LÍNGUA PORTUGUESA
Assinale a alternativa que preenche as lacunas, correta e res- preparação. Portanto, elas começam a usar preços-sombra. Ainda
pectivamente, considerando a norma culta da língua. assim, ninguém encontrou até agora uma maneira de quantificar
A) a que … acaba … à adequadamente os insumos básicos. E sem eles a maioria das po-
B) com que … acabam … à líticas de crescimento verde sempre será a segunda opção.
C) de que … acabam … a
D) em que … acaba … a 2-)
E) dos quais … acaba … à A) ...sei tratar tipos como o senhor. − sei tratá-los
B) ...erguendo os braços desalentado... − erguendo-os desa-
08. (Agente de Apoio Socioeducativo – VUNESP – 2013- lentado
adap.). Assinale a alternativa que substitui, correta e respectiva- C) ...que tem de conhecer as leis do país? − que tem de co-
mente, as lacunas do trecho. nhecê-las ?
______alguns anos, num programa de televisão, uma jovem D) ...não parecia ser um importante industrial... − não parecia
fazia referência______ violência______ o brasileiro estava sujei- sê-lo
to de forma cômica. 3-) transpor [...] as matas espessas= transpô-las
A) Fazem... a ... de que
B) Faz ...a ... que 4-)
C) Fazem ...à ... com que (A) Ela não se lembrava do caminho de volta.
D) Faz ...à ... que (B) A menina tinha se distanciado muito da família.
E) Faz ...à ... a que (C) A garota disse que se perdeu dos pais.
(E) Ninguém se comprometeu a ajudar a criança
09. (TRF 3ª região- Técnico Judiciário - /2014)
As sereias então devoravam impiedosamente os tripulantes. 5-)
... ele conseguiu impedir a tripulação de perder a cabeça... (A) Não nos autorizam a ler os comentários sigilosos.
... e fez de tudo para convencer os tripulantes... (B) Falaram-nos que a diplomacia americana está abalada.
Fazendo-se as alterações necessárias, os segmentos grifados (D) Conformado, rendeu-se às punições.
acima foram corretamente substituídos por um pronome, na ordem (E) Todos querem que se combata a corrupção.
dada, em:
(A) devoravam-nos − impedi-la − convencê-los 6-)
(B) devoravam-lhe − impedi-las − convencer-lhes (B) O passageiro ao lado jamais se imaginou na situação de ter
(C) devoravam-no − impedi-las − convencer-lhes de procurar a dona de uma bolsa perdida.
(D) devoravam-nos − impedir-lhe − convencê-los (C) Sentimo-nos impotentes quando não conseguimos resti-
tuir um objeto à pessoa que o perdeu.
(E) devoravam-lhes − impedi-la − convencê-los
(D) O homem indignou-se quando lhe propuseram que abrisse
10. (Agente de Vigilância e Recepção – VUNESP – 2013-
a bolsa que encontrara.
adap.). No trecho, – Em ambos os casos, as câmeras dos esta-
(E) Em se tratando de objetos encontrados, há uma tendência
belecimentos felizmente comprovam os acontecimentos, e teste-
natural das pessoas em devolvê-los a seus donos.
munhas vão ajudar a polícia na investigação. – de acordo com
7-) Há pessoas que, mesmo sem condições, compram produ-
a norma-padrão, os pronomes que substituem, corretamente, os
tos de que não necessitam e acabam tendo de pagar tudo
termos em destaque são:
a prazo.
A) os comprovam … ajudá-la.
B) os comprovam …ajudar-la. 8-) Faz alguns anos, num programa de televisão, uma jovem
C) os comprovam … ajudar-lhe. fazia referência à violência a que o brasileiro estava sujeito
D) lhes comprovam … ajudar-lhe. de forma cômica.
E) lhes comprovam … ajudá-la. Faz, no sentido de tempo passado = sempre no singular
GABARITO 9-)
devoravam - verbo terminado em “m” = pronome oblíquo no/
01. C 02. E 03. C 04. D 05. C na (fizeram-na, colocaram-no)
06. A 07. C 08. E 09. A 10. A impedir - verbo transitivo direto = pede objeto direto; “lhe” é
para objeto indireto
RESOLUÇÃO convencer - verbo transitivo direto = pede objeto direto; “lhe”
é para objeto indireto
1-) Restam dúvidas sobre o crescimento verde. Primeiro, não (A) devoravam-nos − impedi-la − convencê-los
está claro até onde pode realmente chegar uma política baseada
em melhorar a eficiência sem preços adequados para o carbono, 10-) – Em ambos os casos, as câmeras dos estabelecimentos
a água e (na maioria dos países pobres) a terra. É verdade que felizmente comprovam os acontecimentos, e testemunhas vão aju-
mesmo que a ameaça dos preços do carbono e da água faça em si dar a polícia na investigação.
diferença, as companhias não podem suportar ter de pagar, de re- felizmente os comprovam ... ajudá-la
pente, digamos, 40 dólares por tonelada de carbono, sem qualquer (advérbio)

Didatismo e Conhecimento 56
LÍNGUA PORTUGUESA
Tudo o que existe é ser e cada ser tem um nome. Substantivo Observe agora:
é a classe gramatical de palavras variáveis, as quais denominam Beleza exposta
os seres. Além de objetos, pessoas e fenômenos, os substantivos Jovens atrizes veteranas destacam-se pelo visual.
também nomeiam:
O substantivo beleza designa uma qualidade.
-lugares: Alemanha, Porto Alegre...
-sentimentos: raiva, amor... Substantivo Abstrato: é aquele que designa seres que depen-
-estados: alegria, tristeza... dem de outros para se manifestar ou existir.
-qualidades: honestidade, sinceridade... Pense bem: a beleza não existe por si só, não pode ser obser-
-ações: corrida, pescaria... vada. Só podemos observar a beleza numa pessoa ou coisa que seja
Morfossintaxe do substantivo bela. A beleza depende de outro ser para se manifestar. Portanto, a
palavra beleza é um substantivo abstrato.
Nas orações de língua portuguesa, o substantivo em geral Os substantivos abstratos designam estados, qualidades, ações
exerce funções diretamente relacionadas com o verbo: atua como e sentimentos dos seres, dos quais podem ser abstraídos, e sem os
núcleo do sujeito, dos complementos verbais (objeto direto ou in- quais não podem existir: vida (estado), rapidez (qualidade), via-
direto) e do agente da passiva. Pode ainda funcionar como núcleo gem (ação), saudade (sentimento).
do complemento nominal ou do aposto, como núcleo do predica-
tivo do sujeito, do objeto ou como núcleo do vocativo. Também 3 - Substantivos Coletivos
encontramos substantivos como núcleos de adjuntos adnominais e
de adjuntos adverbiais - quando essas funções são desempenhadas Ele vinha pela estrada e foi picado por uma abelha, outra
por grupos de palavras. abelha, mais outra abelha.
Ele vinha pela estrada e foi picado por várias abelhas.
Classificação dos Substantivos Ele vinha pela estrada e foi picado por um enxame.

1- Substantivos Comuns e Próprios Note que, no primeiro caso, para indicar plural, foi neces-
Observe a definição: s.f. 1: Povoação maior que vila, com sário repetir o substantivo: uma abelha, outra abelha, mais outra
muitas casas e edifícios, dispostos em ruas e avenidas (no Brasil, abelha...
toda a sede de município é cidade). 2. O centro de uma cidade (em No segundo caso, utilizaram-se duas palavras no plural.
oposição aos bairros). No terceiro caso, empregou-se um substantivo no singular
(enxame) para designar um conjunto de seres da mesma espécie
Qualquer “povoação maior que vila, com muitas casas e edi- (abelhas).
fícios, dispostos em ruas e avenidas” será chamada cidade. Isso
significa que a palavra cidade é um substantivo comum. O substantivo enxame é um substantivo coletivo.
Substantivo Comum é aquele que designa os seres de uma Substantivo Coletivo: é o substantivo comum que, mesmo es-
mesma espécie de forma genérica: cidade, menino, homem, mu- tando no singular, designa um conjunto de seres da mesma espécie.
lher, país, cachorro.
Estamos voando para Barcelona. Substantivo coletivo Conjunto de:
assembleia pessoas reunidas
O substantivo Barcelona designa apenas um ser da espécie alcateia lobos
cidade. Esse substantivo é próprio. Substantivo Próprio: é aquele acervo livros
que designa os seres de uma mesma espécie de forma particular: antologia trechos literários selecionados
Londres, Paulinho, Pedro, Tietê, Brasil. arquipélago ilhas
banda músicos
2 - Substantivos Concretos e Abstratos bando desordeiros ou malfeitores
banca examinadores
LÂMPADA MALA batalhão soldados
cardume peixes
Os substantivos lâmpada e mala designam seres com existên- caravana viajantes peregrinos
cia própria, que são independentes de outros seres. São substan- cacho frutas
tivos concretos. cáfila camelos
cancioneiro canções, poesias líricas
Substantivo Concreto: é aquele que designa o ser que existe, colmeia abelhas
independentemente de outros seres. chusma gente, pessoas
Obs.: os substantivos concretos designam seres do mundo concílio bispos
real e do mundo imaginário. congresso parlamentares, cientistas.
Seres do mundo real: homem, mulher, cadeira, cobra, Brasí- elenco atores de uma peça ou filme
lia, etc. esquadra navios de guerra
Seres do mundo imaginário: saci, mãe-d’água, fantasma, etc. enxoval roupas
falange soldados, anjos

Didatismo e Conhecimento 57
LÍNGUA PORTUGUESA
fauna animais de uma região Substantivo Primitivo: é aquele que não deriva de nenhuma
feixe lenha, capim outra palavra da própria língua portuguesa. O substantivo limoeiro
flora vegetais de uma região é derivado, pois se originou a partir da palavra limão.
frota navios mercantes, ônibus
girândola fogos de artifício Substantivo Derivado: é aquele que se origina de outra pa-
horda bandidos, invasores lavra.
junta médicos, bois, credores, examinadores
júri jurados Flexão dos substantivos
legião soldados, anjos, demônios
leva presos, recrutas O substantivo é uma classe variável. A palavra é variável
malta malfeitores ou desordeiros quando sofre flexão (variação). A palavra menino, por exemplo,
manada búfalos, bois, elefantes, pode sofrer variações para indicar:
matilha cães de raça Plural: meninos Feminino: menina
molho chaves, verduras Aumentativo: meninão Diminutivo: menininho
multidão pessoas em geral Flexão de Gênero
ninhada pintos
nuvem insetos (gafanhotos, mosquitos, etc.) Gênero é a propriedade que as palavras têm de indicar sexo
penca bananas, chaves real ou fictício dos seres. Na língua portuguesa, há dois gêneros:
pinacoteca pinturas, quadros masculino e feminino. Pertencem ao gênero masculino os subs-
quadrilha ladrões, bandidos tantivos que podem vir precedidos dos artigos o, os, um, uns. Veja
ramalhete flores estes títulos de filmes:
rebanho ovelhas O velho e o mar
récua bestas de carga, cavalgadura Um Natal inesquecível
repertório peças teatrais, obras musicais Os reis da praia
réstia alhos ou cebolas
Pertencem ao gênero feminino os substantivos que podem vir
romanceiro poesias narrativas
precedidos dos artigos a, as, uma, umas:
revoada pássaros
A história sem fim
sínodo párocos
Uma cidade sem passado
talha lenha
As tartarugas ninjas
tropa muares, soldados
turma estudantes, trabalhadores
Substantivos Biformes e Substantivos Uniformes
vara porcos
Substantivos Biformes (= duas formas): ao indicar nomes de
seres vivos, geralmente o gênero da palavra está relacionado ao
Formação dos Substantivos sexo do ser, havendo, portanto, duas formas, uma para o masculino
e outra para o feminino. Observe: gato – gata, homem – mulher,
Substantivos Simples e Compostos poeta – poetisa, prefeito - prefeita
Chuva - subst. Fem. 1 - água caindo em gotas sobre a terra.
O substantivo chuva é formado por um único elemento ou ra- Substantivos Uniformes: são aqueles que apresentam uma
dical. É um substantivo simples. única forma, que serve tanto para o masculino quanto para o femi-
nino. Classificam-se em:
Substantivo Simples: é aquele formado por um único ele- - Epicenos: têm um só gênero e nomeiam bichos: a cobra
mento. macho e a cobra fêmea, o jacaré macho e o jacaré fêmea.
Outros substantivos simples: tempo, sol, sofá, etc. Veja agora: - Sobrecomuns: têm um só gênero e nomeiam pessoas: a
O substantivo guarda-chuva é formado por dois elementos (guarda criança, a testemunha, a vítima, o cônjuge, o gênio, o ídolo, o
+ chuva). Esse substantivo é composto. indivíduo.
- Comuns de Dois Gêneros: indicam o sexo das pessoas por
Substantivo Composto: é aquele formado por dois ou mais meio do artigo: o colega e a colega, o doente e a doente, o artista
elementos. Outros exemplos: beija-flor, passatempo. e a artista.

Substantivos Primitivos e Derivados Saiba que: Substantivos de origem grega terminados em ema
Meu limão meu limoeiro, ou oma, são masculinos: o fonema, o poema, o sistema, o sintoma,
meu pé de jacarandá... o teorema.
- Existem certos substantivos que, variando de gênero, variam
O substantivo limão é primitivo, pois não se originou de ne- em seu significado: o rádio (aparelho receptor) e a rádio (estação
nhum outro dentro de língua portuguesa. emissora) o capital (dinheiro) e a capital (cidade)

Didatismo e Conhecimento 58
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Formação do Feminino dos Substantivos Biformes Comuns de Dois Gêneros:
Motorista tem acidente idêntico 23 anos depois.
- Regra geral: troca-se a terminação -o por –a: aluno - aluna.
- Substantivos terminados em -ês: acrescenta-se -a ao mascu- Quem sofreu o acidente: um homem ou uma mulher?
lino: freguês - freguesa É impossível saber apenas pelo título da notícia, uma vez que
- Substantivos terminados em -ão: fazem o feminino de três a palavra motorista é um substantivo uniforme.
formas: A distinção de gênero pode ser feita através da análise do arti-
- troca-se -ão por -oa. = patrão – patroa go ou adjetivo, quando acompanharem o substantivo: o colega - a
- troca-se -ão por -ã. = campeão - campeã colega; o imigrante - a imigrante; um jovem - uma jovem; artista
-troca-se -ão por ona. = solteirão - solteirona famoso - artista famosa; repórter francês - repórter francesa

Exceções: barão – baronesa ladrão- ladra sultão - sul- - A palavra personagem é usada indistintamente nos dois gê-
tana neros.
a) Entre os escritores modernos nota-se acentuada preferência
- Substantivos terminados em -or: pelo masculino: O menino descobriu nas nuvens os personagens
- acrescenta-se -a ao masculino = doutor – doutora dos contos de carochinha.
- troca-se -or por -triz: = imperador - imperatriz b) Com referência a mulher, deve-se preferir o feminino: O
- Substantivos com feminino em -esa, -essa, -isa: cônsul - con- problema está nas mulheres de mais idade, que não aceitam a per-
sulesa / abade - abadessa / poeta - poetisa / duque - duquesa / sonagem.
conde - condessa / profeta - profetisa - Diz-se: o (ou a) manequim Marcela, o (ou a) modelo fotográ-
fico Ana Belmonte.
- Substantivos que formam o feminino trocando o -e final por Observe o gênero dos substantivos seguintes:
-a: elefante - elefanta
Masculinos: o tapa, o eclipse, o lança-perfume, o dó (pena),
- Substantivos que têm radicais diferentes no masculino e no o sanduíche, o clarinete, o champanha, o sósia, o maracajá, o clã,
o hosana, o herpes, o pijama, o suéter, o soprano, o proclama, o
feminino: bode – cabra / boi - vaca
pernoite, o púbis.
- Substantivos que formam o feminino de maneira especial,
Femininos: a dinamite, a derme, a hélice, a omoplata, a ca-
isto é, não seguem nenhuma das regras anteriores: czar – czari-
taplasma, a pane, a mascote, a gênese, a entorse, a libido, a cal, a
na réu - ré
faringe, a cólera (doença), a ubá (canoa).
Formação do Feminino dos Substantivos Uniformes
- São geralmente masculinos os substantivos de origem grega
Epicenos: terminados em -ma: o grama (peso), o quilograma, o plasma, o
Novo jacaré escapa de policiais no rio Pinheiros. apostema, o diagrama, o epigrama, o telefonema, o estratagema, o
dilema, o teorema, o trema, o eczema, o edema, o magma, o estig-
Não é possível saber o sexo do jacaré em questão. Isso ocorre ma, o axioma, o tracoma, o hematoma.
porque o substantivo jacaré tem apenas uma forma para indicar o
masculino e o feminino. Exceções: a cataplasma, a celeuma, a fleuma, etc.
Alguns nomes de animais apresentam uma só forma para de-
signar os dois sexos. Esses substantivos são chamados de epice- Gênero dos Nomes de Cidades:
nos. No caso dos epicenos, quando houver a necessidade de espe-
cificar o sexo, utilizam-se palavras macho e fêmea. Com raras exceções, nomes de cidades são femininos.
A cobra macho picou o marinheiro.
A cobra fêmea escondeu-se na bananeira. A histórica Ouro Preto.
Sobrecomuns: A dinâmica São Paulo.
Entregue as crianças à natureza. A acolhedora Porto Alegre.
Uma Londres imensa e triste.
A palavra crianças refere-se tanto a seres do sexo masculino, Exceções: o Rio de Janeiro, o Cairo, o Porto, o Havre.
quanto a seres do sexo feminino. Nesse caso, nem o artigo nem um
possível adjetivo permitem identificar o sexo dos seres a que se Gênero e Significação:
refere a palavra. Veja:
A criança chorona chamava-se João. Muitos substantivos têm uma significação no masculino e ou-
A criança chorona chamava-se Maria. tra no feminino. Observe: o baliza (soldado que, que à frente da
tropa, indica os movimentos que se deve realizar em conjunto; o
Outros substantivos sobrecomuns: que vai à frente de um bloco carnavalesco, manejando um bastão),
a criatura = João é uma boa criatura. Maria é uma boa cria- a baliza (marco, estaca; sinal que marca um limite ou proibição
tura. de trânsito), o cabeça (chefe), a cabeça (parte do corpo), o cisma
o cônjuge = O cônjuge de João faleceu. O cônjuge de Mar- (separação religiosa, dissidência), a cisma (ato de cismar, descon-
cela faleceu fiança), o cinza (a cor cinzenta), a cinza (resíduos de combustão),

Didatismo e Conhecimento 59
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o capital (dinheiro), a capital (cidade), o coma (perda dos senti- Plural dos Substantivos Compostos
dos), a coma (cabeleira), o coral (pólipo, a cor vermelha, canto
em coro), a coral (cobra venenosa), o crisma (óleo sagrado, usado -A formação do plural dos substantivos compostos depende
na administração da crisma e de outros sacramentos), a crisma (sa- da forma como são grafados, do tipo de palavras que formam o
cramento da confirmação), o cura (pároco), a cura (ato de curar), o es- composto e da relação que estabelecem entre si. Aqueles que são
tepe (pneu sobressalente), a estepe (vasta planície de vegetação), o guia grafados sem hífen comportam-se como os substantivos simples:
(pessoa que guia outras), a guia (documento, pena grande das asas das aguardente/aguardentes, girassol/girassóis, pontapé/pontapés,
aves), o grama (unidade de peso), a grama (relva), o caixa (funcionário malmequer/malmequeres.
da caixa), a caixa (recipiente, setor de pagamentos), o lente (professor), O plural dos substantivos compostos cujos elementos são li-
a lente (vidro de aumento), o moral (ânimo), a moral (honestidade, gados por hífen costuma provocar muitas dúvidas e discussões.
bons costumes, ética), o nascente (lado onde nasce o Sol), a nascente (a Algumas orientações são dadas a seguir:
fonte), o maria-fumaça (trem como locomotiva a vapor), maria-fumaça - Flexionam-se os dois elementos, quando formados de:
(locomotiva movida a vapor), o pala (poncho), a pala (parte anterior substantivo + substantivo = couve-flor e couves-flores
do boné ou quepe, anteparo), o rádio (aparelho receptor), a rádio (esta- substantivo + adjetivo = amor-perfeito e amores-perfeitos
ção emissora), o voga (remador), a voga (moda, popularidade).
adjetivo + substantivo = gentil-homem e gentis-homens
numeral + substantivo = quinta-feira e quintas-feiras
Flexão de Número do Substantivo
Em português, há dois números gramaticais: o singular, que indica
- Flexiona-se somente o segundo elemento, quando forma-
um ser ou um grupo de seres, e o plural, que indica mais de um ser ou
grupo de seres. A característica do plural é o “s” final. dos de:
verbo + substantivo = guarda-roupa e guarda-roupas
Plural dos Substantivos Simples palavra invariável + palavra variável = alto-falante e alto-
-falantes
- Os substantivos terminados em vogal, ditongo oral e “n” fazem o palavras repetidas ou imitativas = reco-reco e reco-recos
plural pelo acréscimo de “s”: pai – pais; ímã – ímãs; hífen - hifens (sem
acento, no plural). Exceção: cânon - cânones. - Flexiona-se somente o primeiro elemento, quando forma-
dos de:
- Os substantivos terminados em “m” fazem o plural em “ns”: ho- substantivo + preposição clara + substantivo = água-de-colô-
mem - homens. nia e águas-de-colônia
substantivo + preposição oculta + substantivo = cavalo-vapor
- Os substantivos terminados em “r” e “z” fazem o plural pelo e cavalos-vapor
acréscimo de “es”: revólver – revólveres; raiz - raízes. substantivo + substantivo que funciona como determinante do
primeiro, ou seja, especifica a função ou o tipo do termo anterior:
Atenção: O plural de caráter é caracteres. palavra-chave - palavras-chave, bomba-relógio - bombas-re-
lógio, notícia-bomba - notícias-bomba, homem-rã - homens-rã,
- Os substantivos terminados em al, el, ol, ul flexionam-se no plu- peixe- -espada - peixes-espada.
ral, trocando o “l” por “is”: quintal - quintais; caracol – caracóis; hotel
- hotéis. Exceções: mal e males, cônsul e cônsules. - Permanecem invariáveis, quando formados de:
verbo + advérbio = o bota-fora e os bota-fora
- Os substantivos terminados em “il” fazem o plural de duas ma- verbo + substantivo no plural = o saca-rolhas e os saca-rolhas
neiras: - Casos Especiais
- Quando oxítonos, em “is”: canil - canis o louva-a-deus e os louva-a-deus
- Quando paroxítonos, em “eis”: míssil - mísseis.
o bem-te-vi e os bem-te-vis
Obs.: a palavra réptil pode formar seu plural de duas maneiras:
o bem-me-quer e os bem-me-queres
répteis ou reptis (pouco usada).
o joão-ninguém e os joões-ninguém.
- Os substantivos terminados em “s” fazem o plural de duas ma-
neiras:
- Quando monossilábicos ou oxítonos, mediante o acréscimo de Plural das Palavras Substantivadas
“es”: ás – ases / retrós - retroses
- Quando paroxítonos ou proparoxítonos, ficam invariáveis: o lápis As palavras substantivadas, isto é, palavras de outras classes
- os lápis / o ônibus - os ônibus. gramaticais usadas como substantivo, apresentam, no plural, as
flexões próprias dos substantivos.
- Os substantivos terminados em “ao” fazem o plural de três ma- Pese bem os prós e os contras.
neiras. O aluno errou na prova dos noves.
- substituindo o -ão por -ões: ação - ações Ouça com a mesma serenidade os sins e os nãos.
- substituindo o -ão por -ães: cão - cães
- substituindo o -ão por -ãos: grão - grãos Obs.: numerais substantivados terminados em “s” ou “z” não
variam no plural: Nas provas mensais consegui muitos seis e al-
- Os substantivos terminados em “x” ficam invariáveis: o látex guns dez.
- os látex.

Didatismo e Conhecimento 60
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Plural dos Diminutivos Têm a vogal tônica fechada (ô): adornos, almoços, bolsos, es-
posos, estojos, globos, gostos, polvos, rolos, soros, etc.
Flexiona-se o substantivo no plural, retira-se o “s” final e
acrescenta-se o sufixo diminutivo. Obs.: distinga-se molho (ô) = caldo (molho de carne), de mo-
pãe(s) + zinhos = pãezinhos lho (ó) = feixe (molho de lenha).
animai(s) + zinhos = animaizinhos
botõe(s) + zinhos = botõezinhos Particularidades sobre o Número dos Substantivos
chapéu(s) + zinhos = chapeuzinhos
farói(s) + zinhos = faroizinhos - Há substantivos que só se usam no singular: o sul, o norte, o
tren(s) + zinhos = trenzinhos leste, o oeste, a fé, etc.
colhere(s) + zinhas = colherezinhas - Outros só no plural: as núpcias, os víveres, os pêsames, as
flore(s) + zinhas = florezinhas espadas/os paus (naipes de baralho), as fezes.
mão(s) + zinhas = mãozinhas - Outros, enfim, têm, no plural, sentido diferente do singular:
papéi(s) + zinhos = papeizinhos bem (virtude) e bens (riquezas), honra (probidade, bom nome) e
nuven(s) + zinhas = nuvenzinhas honras (homenagem, títulos).
funi(s) + zinhos = funizinhos - Usamos às vezes, os substantivos no singular, mas com sen-
túnei(s) + zinhos = tuneizinhos tido de plural:
pai(s) + zinhos = paizinhos Aqui morreu muito negro.
pé(s) + zinhos = pezinhos Celebraram o sacrifício divino muitas vezes em capelas im-
pé(s) + zitos = pezitos provisadas.
Plural dos Nomes Próprios Personativos Flexão de Grau do Substantivo
Devem-se pluralizar os nomes próprios de pessoas sempre Grau é a propriedade que as palavras têm de exprimir as varia-
que a terminação preste-se à flexão. ções de tamanho dos seres. Classifica-se em:
Os Napoleões também são derrotados.
- Grau Normal - Indica um ser de tamanho considerado nor-
As Raquéis e Esteres.
mal. Por exemplo: casa
Plural dos Substantivos Estrangeiros
- Grau Aumentativo - Indica o aumento do tamanho do ser.
Classifica-se em:
Substantivos ainda não aportuguesados devem ser escritos
Analítico = o substantivo é acompanhado de um adjetivo que
como na língua original, acrescentando-se “s” (exceto quando ter-
indica grandeza. Por exemplo: casa grande.
minam em “s” ou “z”): os shows, os shorts, os jazz.
Sintético = é acrescido ao substantivo um sufixo indicador de
Substantivos já aportuguesados flexionam-se de acordo com aumento. Por exemplo: casarão.
as regras de nossa língua: os clubes, os chopes, os jipes, os espor-
tes, as toaletes, os bibelôs, os garçons, os réquiens. - Grau Diminutivo - Indica a diminuição do tamanho do ser.
Observe o exemplo: Pode ser:
Este jogador faz gols toda vez que joga. Analítico = substantivo acompanhado de um adjetivo que in-
O plural correto seria gois (ô), mas não se usa. dica pequenez. Por exemplo: casa pequena.
Plural com Mudança de Timbre Sintético = é acrescido ao substantivo um sufixo indicador de
diminuição. Por exemplo: casinha.
Certos substantivos formam o plural com mudança de timbre
da vogal tônica (o fechado / o aberto). É um fato fonético chamado Verbo é a classe de palavras que se flexiona em pessoa, núme-
metafonia (plural metafônico). ro, tempo, modo e voz. Pode indicar, entre outros processos: ação
(correr); estado (ficar); fenômeno (chover); ocorrência (nascer);
Singular Plural desejo (querer).
corpo (ô) corpos (ó) O que caracteriza o verbo são as suas flexões, e não os seus
esforço esforços possíveis significados. Observe que palavras como corrida, chuva
fogo fogos e nascimento têm conteúdo muito próximo ao de alguns verbos
forno fornos mencionados acima; não apresentam, porém, todas as possibilida-
fosso fossos des de flexão que esses verbos possuem.
imposto impostos
olho olhos Estrutura das Formas Verbais
osso (ô) ossos (ó) Do ponto de vista estrutural, uma forma verbal pode apresen-
ovo ovos tar os seguintes elementos:
poço poços - Radical: é a parte invariável, que expressa o significado es-
porto portos sencial do verbo. Por exemplo: fal-ei; fal-ava; fal-am. (radical fal-)
posto postos - Tema: é o radical seguido da vogal temática que indica a
tijolo tijolos conjugação a que pertence o verbo. Por exemplo: fala-r

Didatismo e Conhecimento 61
LÍNGUA PORTUGUESA
São três as conjugações: 1ª - Vogal Temática - A - (falar), 2ª ** São impessoais, ainda:
- Vogal Temática - E - (vender), 3ª - Vogal Temática - I - (partir). 1. o verbo passar (seguido de preposição), indicando tempo:
- Desinência modo-temporal: é o elemento que designa o Já passa das seis.
tempo e o modo do verbo. Por exemplo: 2. os verbos bastar e chegar, seguidos da preposição de, indi-
falávamos ( indica o pretérito imperfeito do indicativo.) cando suficiência: Basta de tolices. Chega de blasfêmias.
falasse ( indica o pretérito imperfeito do subjuntivo.) 3. os verbos estar e ficar em orações tais como Está bem, Está
- Desinência número-pessoal: é o elemento que designa a muito bem assim, Não fica bem, Fica mal, sem referência a sujeito
pessoa do discurso ( 1ª, 2ª ou 3ª) e o número (singular ou plural): expresso anteriormente. Podemos, ainda, nesse caso, classificar o
falamos (indica a 1ª pessoa do plural.) sujeito como hipotético, tornando-se, tais verbos, então, pessoais.
falavam (indica a 3ª pessoa do plural.) 4. o verbo deu + para da língua popular, equivalente de “ser
possível”. Por exemplo:
Observação: o verbo pôr, assim como seus derivados (com- Não deu para chegar mais cedo.
por, repor, depor, etc.), pertencem à 2ª conjugação, pois a forma Dá para me arrumar uns trocados?
arcaica do verbo pôr era poer. A vogal “e”, apesar de haver desa-
parecido do infinitivo, revela-se em algumas formas do verbo: põe, * Unipessoais: são aqueles que, tendo sujeito, conjugam-se
pões, põem, etc. apenas nas terceiras pessoas, do singular e do plural.
A fruta amadureceu.
Formas Rizotônicas e Arrizotônicas As frutas amadureceram.
Ao combinarmos os conhecimentos sobre a estrutura dos ver- Obs.: os verbos unipessoais podem ser usados como verbos
bos com o conceito de acentuação tônica, percebemos com facili- pessoais na linguagem figurada: Teu irmão amadureceu bastante.
dade que nas formas rizotônicas o acento tônico cai no radical do
verbo: opino, aprendam, nutro, por exemplo. Nas formas arrizo- Entre os unipessoais estão os verbos que significam vozes de
tônicas, o acento tônico não cai no radical, mas sim na terminação animais; eis alguns: bramar: tigre, bramir: crocodilo, cacarejar:
verbal: opinei, aprenderão, nutriríamos. galinha, coaxar: sapo, cricrilar: grilo

Classificação dos Verbos Os principais verbos unipessoais são:


1. cumprir, importar, convir, doer, aprazer, parecer, ser (pre-
Classificam-se em:
ciso, necessário, etc.):
- Regulares: são aqueles que possuem as desinências normais
Cumpre trabalharmos bastante. (Sujeito: trabalharmos bas-
de sua conjugação e cuja flexão não provoca alterações no radical:
tante.)
canto cantei cantarei cantava cantasse.
Parece que vai chover. (Sujeito: que vai chover.)
- Irregulares: são aqueles cuja flexão provoca alterações no
É preciso que chova. (Sujeito: que chova.)
radical ou nas desinências: faço fiz farei fizesse.
- Defectivos: são aqueles que não apresentam conjugação
2. fazer e ir, em orações que dão ideia de tempo, seguidos da
completa. Classificam-se em impessoais, unipessoais e pessoais: conjunção que.
* Impessoais: são os verbos que não têm sujeito. Normalmen- Faz dez anos que deixei de fumar. (Sujeito: que deixei de fu-
te, são usados na terceira pessoa do singular. Os principais verbos mar.)
impessoais são: Vai para (ou Vai em ou Vai por) dez anos que não vejo Cláu-
** haver, quando sinônimo de existir, acontecer, realizar-se dia. (Sujeito: que não vejo Cláudia)
ou fazer (em orações temporais). Obs.: todos os sujeitos apontados são oracionais.
Havia poucos ingressos à venda. (Havia = Existiam)
Houve duas guerras mundiais. (Houve = Aconteceram) * Pessoais: não apresentam algumas flexões por motivos mor-
Haverá reuniões aqui. (Haverá = Realizar-se-ão) fológicos ou eufônicos. Por exemplo:
Deixei de fumar há muitos anos. (há = faz) - verbo falir. Este verbo teria como formas do presente do in-
dicativo falo, fales, fale, idênticas às do verbo falar - o que prova-
** fazer, ser e estar (quando indicam tempo) velmente causaria problemas de interpretação em certos contextos.
Faz invernos rigorosos no Sul do Brasil.
Era primavera quando a conheci. - verbo computar. Este verbo teria como formas do presente
Estava frio naquele dia. do indicativo computo, computas, computa - formas de sonoridade
considerada ofensiva por alguns ouvidos gramaticais. Essas razões
** Todos os verbos que indicam fenômenos da natureza são muitas vezes não impedem o uso efetivo de formas verbais repu-
impessoais: chover, ventar, nevar, gear, trovejar, amanhecer, escu- diadas por alguns gramáticos: exemplo disso é o próprio verbo
recer, etc. Quando, porém, se constrói, “Amanheci mal-humora- computar, que, com o desenvolvimento e a popularização da infor-
do”, usa-se o verbo “amanhecer” em sentido figurado. Qualquer mática, tem sido conjugado em todos os tempos, modos e pessoas.
verbo impessoal, empregado em sentido figurado, deixa de ser im-
pessoal para ser pessoal. - Abundantes: são aqueles que possuem mais de uma forma
Amanheci mal-humorado. (Sujeito desinencial: eu) com o mesmo valor. Geralmente, esse fenômeno costuma ocorrer
Choveram candidatos ao cargo. (Sujeito: candidatos) no particípio, em que, além das formas regulares terminadas em
Fiz quinze anos ontem. (Sujeito desinencial: eu) -ado ou -ido, surgem as chamadas formas curtas (particípio irre-
gular). Observe:

Didatismo e Conhecimento 62
LÍNGUA PORTUGUESA
INFINITIVO PARTICÍPIO REGULAR PARTICÍPIO IRREGULAR
Anexar Anexado Anexo
Dispersar Dispersado Disperso
Eleger Elegido Eleito
Envolver Envolvido Envolto

INFINITIVO PARTICÍPIO REGULAR PARTICÍPIO IRREGULAR


Imprimir Imprimido Impresso
Matar Matado Morto
Morrer Morrido Morto
Pegar Pegado Pego
Soltar Soltado Solto

- Anômalos: são aqueles que incluem mais de um radical em sua conjugação. Por exemplo: Ir, Pôr, Ser, Saber (vou, vais, ides, fui, foste,
pus, pôs, punha, sou, és, fui, foste, seja).

- Auxiliares: São aqueles que entram na formação dos tempos compostos e das locuções verbais. O verbo principal, quando acompa-
nhado de verbo auxiliar, é expresso numa das formas nominais: infinitivo, gerúndio ou particípio.

Vou espantar as moscas.


(verbo auxiliar) (verbo principal no infinitivo)

Está chegando a hora do debate.


(verbo auxiliar) (verbo principal no gerúndio)

Os noivos foram cumprimentados por todos os presentes.


(verbo auxiliar) (verbo principal no particípio)

Obs.: os verbos auxiliares mais usados são: ser, estar, ter e haver.

Conjugação dos Verbos Auxiliares

SER - Modo Indicativo


Presente Pret.Perfeito Pretérito Imp. Pret.Mais-Que-Perf. Fut.do Pres. Fut. Do Pretérito
sou fui era fora serei seria
és foste eras foras serás serias
é foi era fora será seria
somos fomos éramos fôramos seremos seríamos
sois fostes éreis fôreis sereis seríeis
são foram eram foram serão seriam

SER - Modo Subjuntivo

Presente Pretérito Imperfeito Futuro


que eu seja se eu fosse quando eu for
que tu sejas se tu fosses quando tu fores
que ele seja se ele fosse quando ele for
que nós sejamos se nós fôssemos quando nós formos
que vós sejais se vós fôsseis quando vós fordes
que eles sejam se eles fossem quando eles forem

Didatismo e Conhecimento 63
LÍNGUA PORTUGUESA
SER - Modo Imperativo

Afirmativo Negativo
sê tu não sejas tu
seja você não seja você
sejamos nós não sejamos nós
sede vós não sejais vós
sejam vocês não sejam vocês

SER - Formas Nominais

Infinitivo Impessoal Infinitivo Pessoal Gerúndio Particípio


ser ser eu sendo sido
seres tu

Infinitivo Impessoal Infinitivo Pessoal Gerúndio Particípio


ser ele
sermos nós
serdes vós
serem eles

ESTAR - Modo Indicativo


Presente Pret. perf. Pret. Imperf. Pret.Mais-Que-Perf. Fut.doPres. Fut.do Preté.
estou estive estava estivera estarei estaria
estás estiveste estavas estiveras estarás estarias
está esteve estava estivera estará estaria
estamos estivemos estávamos estivéramos estaremos estaríamos
estais estivestes estáveis estivéreis estareis estaríeis
estão estiveram estavam estiveram estarão estariam

ESTAR - Modo Subjuntivo e Imperativo


Presente Pretérito Imperfeito Futuro Afirmativo Negativo
esteja estivesse estiver
estejas estivesses estiveres está estejas
esteja estivesse estiver esteja esteja
estejamos estivéssemos estivermos estejamos estejamos
estejais estivésseis estiverdes estai estejais
estejam estivessem estiverem estejam estejam

ESTAR - Formas Nominais


Infinitivo Impessoal Infinitivo Pessoal Gerúndio Particípio
estar estar estando estado
estares
estar
estarmos
estardes
estarem

HAVER - Modo Indicativo


Presente Pret. Perf. Pret. Imper. Pret.Mais-Que-Perf. Fut. Do Pres. Fut. Do Preté.
hei houve havia houvera haverei haveria
hás houveste havias houveras haverás haverias
há houve havia houvera haverá haveria
havemos houvemos havíamos houvéramos haveremos haveríamos
haveis houvestes havíeis houvéreis havereis haveríeis
hão houveram haviam houveram haverão haveriam

Didatismo e Conhecimento 64
LÍNGUA PORTUGUESA
HAVER - Modo Subjuntivo e Imperativo
Presente Pretérito Imperfeito Futuro Afirmativo Negativo
haja houvesse houver
hajas houvesses houveres há hajas
haja houvesse houver haja haja
hajamos houvéssemos houvermos hajamos hajamos
hajais houvésseis houverdes havei hajais
hajam houvessem houverem hajam hajam

HAVER - Formas Nominais


Infinitivo Impessoal Infinitivo Pessoal Gerúndio Particípio
haver haver havendo havido
haveres
haver
havermos
haverdes
haverem

TER - Modo Indicativo


Presente Pret. Perf. Pret. Imper. Preté.Mais-Que-Perf. Fut. Do Pres. Fut. Do Preté.
Tenho tive tinha tivera terei teria
tens tiveste tinhas tiveras terás terias
tem teve tinha tivera terá teria
temos tivemos tínhamos tivéramos teremos teríamos
tendes tivestes tínheis tivéreis tereis teríeis
têm tiveram tinham tiveram terão teriam

TER - Modo Subjuntivo e Imperativo


Presente Pretérito Imperfeito Futuro Afirmativo Negativo
Tenha tivesse tiver
tenhas tivesses tiveres tem tenhas
tenha tivesse tiver tenha tenha
tenhamos tivéssemos tivermos tenhamos tenhamos
tenhais tivésseis tiverdes tende tenhais
tenham tivessem tiverem tenham tenham

- Pronominais: São aqueles verbos que se conjugam com os pronomes oblíquos átonos me, te, se, nos, vos, se, na mesma pessoa do su-
jeito, expressando reflexibilidade (pronominais acidentais) ou apenas reforçando a ideia já implícita no próprio sentido do verbo (reflexivos
essenciais). Veja:
- 1. Essenciais: são aqueles que sempre se conjugam com os pronomes oblíquos me, te, se, nos, vos, se. São poucos: abster-se, ater-
-se, apiedar-se, atrever-se, dignar-se, arrepender-se, etc. Nos verbos pronominais essenciais a reflexibilidade já está implícita no radical do
verbo. Por exemplo: Arrependi-me de ter estado lá.
A ideia é de que a pessoa representada pelo sujeito (eu) tem um sentimento (arrependimento) que recai sobre ela mesma, pois não recebe
ação transitiva nenhuma vinda do verbo; o pronome oblíquo átono é apenas uma partícula integrante do verbo, já que, pelo uso, sempre é
conjugada com o verbo. Diz-se que o pronome apenas serve de reforço da ideia reflexiva expressa pelo radical do próprio verbo.
Veja uma conjugação pronominal essencial (verbo e respectivos pronomes):
Eu me arrependo
Tu te arrependes
Ele se arrepende
Nós nos arrependemos
Vós vos arrependeis
Eles se arrependem

- 2. Acidentais: são aqueles verbos transitivos diretos em que a ação exercida pelo sujeito recai sobre o objeto representado por prono-
me oblíquo da mesma pessoa do sujeito; assim, o sujeito faz uma ação que recai sobre ele mesmo. Em geral, os verbos transitivos diretos ou
transitivos diretos e indiretos podem ser conjugados com os pronomes mencionados, formando o que se chama voz reflexiva. Por exemplo:
Maria se penteava.
A reflexibilidade é acidental, pois a ação reflexiva pode ser exercida também sobre outra pessoa. Por exemplo:
Maria penteou-me.

Didatismo e Conhecimento 65
LÍNGUA PORTUGUESA
Observações: - Particípio: quando não é empregado na formação dos tem-
- Por fazerem parte integrante do verbo, os pronomes oblíquos pos compostos, o particípio indica geralmente o resultado de uma
átonos dos verbos pronominais não possuem função sintática. ação terminada, flexionando-se em gênero, número e grau. Por
- Há verbos que também são acompanhados de pronomes exemplo:
oblíquos átonos, mas que não são essencialmente pronominais, são Terminados os exames, os candidatos saíram.
os verbos reflexivos. Nos verbos reflexivos, os pronomes, apesar
de se encontrarem na pessoa idêntica à do sujeito, exercem funções Quando o particípio exprime somente estado, sem nenhuma
sintáticas. Por exemplo: relação temporal, assume verdadeiramente a função de adjetivo
Eu me feri. = Eu(sujeito) - 1ª pessoa do singular me (objeto (adjetivo verbal). Por exemplo: Ela foi a aluna escolhida para re-
direto) - 1ª pessoa do singular presentar a escola.

Modos Verbais Tempos Verbais

Dá-se o nome de modo às várias formas assumidas pelo verbo Tomando-se como referência o momento em que se fala, a
na expressão de um fato. Em Português, existem três modos: ação expressa pelo verbo pode ocorrer em diversos tempos. Veja:
Indicativo - indica uma certeza, uma realidade: Eu sempre 1. Tempos do Indicativo
estudo.
Subjuntivo - indica uma dúvida, uma possibilidade: Talvez eu
- Presente - Expressa um fato atual: Eu estudo neste colégio.
estude amanhã.
Imperativo - indica uma ordem, um pedido: Estuda agora, - Pretérito Imperfeito - Expressa um fato ocorrido num mo-
menino. mento anterior ao atual, mas que não foi completamente termina-
do: Ele estudava as lições quando foi interrompido.
Formas Nominais
- Pretérito Perfeito - Expressa um fato ocorrido num momen-
Além desses três modos, o verbo apresenta ainda formas que to anterior ao atual e que foi totalmente terminado: Ele estudou as
podem exercer funções de nomes (substantivo, adjetivo, advér- lições ontem à noite.
bio), sendo por isso denominadas formas nominais. Observe:
- Infinitivo Impessoal: exprime a significação do verbo de - Pretérito-Mais-Que-Perfeito - Expressa um fato ocorrido
modo vago e indefinido, podendo ter valor e função de substanti- antes de outro fato já terminado: Ele já tinha estudado as lições
vo. Por exemplo: quando os amigos chegaram. (forma composta) Ele já estudara as
Viver é lutar. (= vida é luta) lições quando os amigos chegaram. (forma simples).
É indispensável combater a corrupção. (= combate à)
- Futuro do Presente - Enuncia um fato que deve ocorrer
O infinitivo impessoal pode apresentar-se no presente (forma num tempo vindouro com relação ao momento atual: Ele estudará
simples) ou no passado (forma composta). Por exemplo: as lições amanhã.
É preciso ler este livro.
Era preciso ter lido este livro. - Futuro do Pretérito - Enuncia um fato que pode ocorrer
posteriormente a um determinado fato passado: Se eu tivesse di-
- Infinitivo Pessoal: é o infinitivo relacionado às três pessoas nheiro, viajaria nas férias.
do discurso. Na 1ª e 3ª pessoas do singular, não apresenta desinên-
cias, assumindo a mesma forma do impessoal; nas demais, flexio- 2. Tempos do Subjuntivo
na-se da seguinte maneira:
2ª pessoa do singular: Radical + ES Ex.: teres(tu) - Presente - Enuncia um fato que pode ocorrer no momento
atual: É conveniente que estudes para o exame.
1ª pessoa do plural: Radical + MOS Ex.: termos (nós)
2ª pessoa do plural: Radical + DES Ex.: terdes (vós)
- Pretérito Imperfeito - Expressa um fato passado, mas pos-
3ª pessoa do plural: Radical + EM Ex.: terem (eles)
terior a outro já ocorrido: Eu esperava que ele vencesse o jogo.
Por exemplo: Foste elogiado por teres alcançado uma boa
colocação. Obs.: o pretérito imperfeito é também usado nas construções
em que se expressa a ideia de condição ou desejo. Por exemplo: Se
- Gerúndio: o gerúndio pode funcionar como adjetivo ou ad- ele viesse ao clube, participaria do campeonato.
vérbio. Por exemplo:
Saindo de casa, encontrei alguns amigos. (função de advérbio) - Futuro do Presente - Enuncia um fato que pode ocorrer
Nas ruas, havia crianças vendendo doces. (função de adjetivo) num momento futuro em relação ao atual: Quando ele vier à loja,
Na forma simples, o gerúndio expressa uma ação em curso; na levará as encomendas.
forma composta, uma ação concluída. Por exemplo:
Trabalhando, aprenderás o valor do dinheiro. Obs.: o futuro do presente é também usado em frases que in-
Tendo trabalhado, aprendeu o valor do dinheiro. dicam possibilidade ou desejo. Por exemplo: Se ele vier à loja,
levará as encomendas.

Didatismo e Conhecimento 66
LÍNGUA PORTUGUESA
Presente do Indicativo
1ª conjugação 2ª conjugação 3ª conjugação Desinência pessoal
CANTAR VENDER PARTIR
cantO vendO partO O
cantaS vendeS parteS S
canta vende parte -
cantaMOS vendeMOS partiMOS MOS
cantaIS vendeIS partIS IS
cantaM vendeM parteM M

Pretérito Perfeito do Indicativo


1ª conjugação 2ª conjugação 3ª conjugação Desinência pessoal
CANTAR VENDER PARTIR
canteI vendI partI I
cantaSTE vendeSTE partISTE STE
cantoU vendeU partiU U
cantaMOS vendeMOS partiMOS MOS
cantaSTES vendeSTES partISTES STES
cantaRAM vendeRAM partiRAM RAM

Pretérito mais-que-perfeito
1ª conjugação 2ª conjugação 3ª conjugação Des. temporal (1ª/2ª e 3ª conj.) Desinência pessoal
CANTAR VENDER PARTIR
cantaRA vendeRA partiRA RA Ø
cantaRAS vendeRAS partiRAS RA S
cantaRA vendeRA partiRA RA Ø
cantáRAMOS vendêRAMOS partíRAMOS RA MOS
cantáREIS vendêREIS partíREIS RE IS
cantaRAM vendeRAM partiRAM RA M

Pretérito Imperfeito do Indicativo


1ª conjugação 2ª conjugação 3ª conjugação
CANTAR VENDER PARTIR
cantAVA vendIA partIA
cantAVAS vendIAS partAS
CantAVA vendIA partIA
cantÁVAMOS vendÍAMOS partÍAMOS
cantÁVEIS vendÍEIS partÍEIS
cantAVAM vendIAM partIAM

Futuro do Presente do Indicativo


1ª conjugação 2ª conjugação 3ª conjugação
CANTAR VENDER PARTIR
cantar ei vender ei partir ei
cantar ás vender ás partir ás
cantar á vender á partir á
cantar emos vender emos partir emos
cantar eis vender eis partir eis
cantar ão vender ão partir ão

Futuro do Pretérito do Indicativo


1ª conjugação 2ª conjugação 3ª conjugação
CANTAR VENDER PARTIR
cantarIA venderIA partirIA
cantarIAS venderIAS partirIAS
cantarIA venderIA partirIA
cantarÍAMOS venderÍAMOS partirÍAMOS
cantarÍEIS venderÍEIS partirÍEIS
cantarIAM venderIAM partirIAM

Didatismo e Conhecimento 67
LÍNGUA PORTUGUESA
Presente do Subjuntivo
Para se formar o presente do subjuntivo, substitui-se a desinência -o da primeira pessoa do singular do presente do indicativo pela de-
sinência -E (nos verbos de 1ª conjugação) ou pela desinência -A (nos verbos de 2ª e 3ª conjugação).

1ª conjug. 2ª conjug. 3ª conju. Des. temporal Des.temporal Desinên. pessoal


1ª conj. 2ª/3ª conj.
CANTAR VENDER PARTIR
cantE vendA partA E A Ø
cantES vendAS partAS E A S
cantE vendA partA E A Ø
cantEMOS vendAMOS partAMOS E A MOS
cantEIS vendAIS partAIS E A IS
cantEM vendAM partAM E A M

Pretérito Imperfeito do Subjuntivo

Para formar o imperfeito do subjuntivo, elimina-se a desinência -STE da 2ª pessoa do singular do pretérito perfeito, obtendo-se, assim,
o tema desse tempo. Acrescenta-se a esse tema a desinência temporal -SSE mais a desinência de número e pessoa correspondente.

1ª conjugação 2ª conjugação 3ª conjugação Des. temporal Desinência pessoal


1ª /2ª e 3ª conj.
CANTAR VENDER PARTIR
cantaSSE vendeSSE partiSSE SSE Ø
cantaSSES vendeSSES partiSSES SSE S
cantaSSE vendeSSE partiSSE SSE Ø
cantáSSEMOS vendêSSEMOS partíSSEMOS SSE MOS
cantáSSEIS vendêSSEIS partíSSEIS SSE IS
cantaSSEM vendeSSEM partiSSEM SSE M

Futuro do Subjuntivo

Para formar o futuro do subjuntivo elimina-se a desinência -STE da 2ª pessoa do singular do pretérito perfeito, obtendo-se, assim, o
tema desse tempo. Acrescenta-se a esse tema a desinência temporal -R mais a desinência de número e pessoa correspondente.

1ª conjugação 2ª conjugação 3ª conjugação Des. temporal Desinência pessoal


1ª /2ª e 3ª conj.
CANTAR VENDER PARTIR
cantaR vendeR partiR Ø
cantaRES vendeRES partiRES R ES
cantaR vendeR partiR R Ø
cantaRMOS vendeRMOS partiRMOS R MOS
cantaRDES vendeRDES partiRDES R DES
cantaREM vendeREM PartiREM R EM

Modo Imperativo

Imperativo Afirmativo

Para se formar o imperativo afirmativo, toma-se do presente do indicativo a 2ª pessoa do singular (tu) e a segunda pessoa do plural (vós)
eliminando-se o “S” final. As demais pessoas vêm, sem alteração, do presente do subjuntivo. Veja:

Presente do Indicativo Imperativo Afirmativo Presente do Subjuntivo


Eu canto --- Que eu cante
Tu cantas CantA tu Que tu cantes
Ele canta Cante você Que ele cante
Nós cantamos Cantemos nós Que nós cantemos
Vós cantais CantAI vós Que vós canteis
Eles cantam Cantem vocês Que eles cantem

Didatismo e Conhecimento 68
LÍNGUA PORTUGUESA
Imperativo Negativo
Para se formar o imperativo negativo, basta antecipar a negação às formas do presente do subjuntivo.

Presente do Subjuntivo Imperativo Negativo


Que eu cante ---
Que tu cantes Não cantes tu
Que ele cante Não cante você
Que nós cantemos Não cantemos nós
Que vós canteis Não canteis vós
Que eles cantem Não cantem eles

Observações:
- No modo imperativo não faz sentido usar na 3ª pessoa (singular e plural) as formas ele/eles, pois uma ordem, pedido ou conselho só
se aplicam diretamente à pessoa com quem se fala. Por essa razão, utiliza-se você/vocês.
- O verbo SER, no imperativo, faz excepcionalmente: sê (tu), sede (vós).

Infinitivo Pessoal
1ª conjugação 2ª conjugação 3ª conjugação
CANTAR VENDER PARTIR
cantar vender partir
cantarES venderES partirES
cantar vender partir
cantarMOS venderMOS partirMOS
cantarDES venderDES partirDES
cantarEM venderEM partirEM

Questões sobre Verbo

01. (Agente Polícia Vunesp 2013) Considere o trecho a seguir.


É comum que objetos ___________ esquecidos em locais públicos. Mas muitos transtornos poderiam ser evitados se as pessoas
_____________ a atenção voltada para seus pertences, conservando-os junto ao corpo.
Assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas do texto.
(A) sejam … mantesse
(B) sejam … mantivessem
(C) sejam … mantém
(D) seja … mantivessem
(E) seja … mantêm

02. (Escrevente TJ SP Vunesp 2012-adap.) Na frase –… os níveis de pessoas sem emprego estão apresentando quedas sucessivas de
2005 para cá. –, a locução verbal em destaque expressa ação
(A) concluída.
(B) atemporal.
(C) contínua.
(D) hipotética.
(E) futura.

03. (Escrevente TJ SP Vunesp 2013-adap.) Sem querer estereotipar, mas já estereotipando: trata-se de um ser cujas interações sociais
terminam, 99% das vezes, diante da pergunta “débito ou crédito?”.
Nesse contexto, o verbo estereotipar tem sentido de
(A) considerar ao acaso, sem premeditação.
(B) aceitar uma ideia mesmo sem estar convencido dela.
(C) adotar como referência de qualidade.
(D) julgar de acordo com normas legais.
(E) classificar segundo ideias preconcebidas.

Didatismo e Conhecimento 69
LÍNGUA PORTUGUESA
04. (Escrevente TJ SP Vunesp 2013) Assinale a alternativa 09. (Papiloscopista Policial – VUNESP – 2013). Assinale a
contendo a frase do texto na qual a expressão verbal destacada alternativa em que a concordância das formas verbais destacadas
exprime possibilidade. se dá em conformidade com a norma-padrão da língua.
(A) ... o cientista Theodor Nelson sonhava com um sistema (A) Chegou, para ajudar a família, vários amigos e vizinhos.
capaz de disponibilizar um grande número de obras literárias... (B) Haviam várias hipóteses acerca do que poderia ter acon-
(B) Funcionando como um imenso sistema de informação e tecido com a criança.
arquivamento, o hipertexto deveria ser um enorme arquivo virtual. (C) Fazia horas que a criança tinha saído e os pais já estavam
(C) Isso acarreta uma textualidade que funciona por associa- preocupados.
ção, e não mais por sequências fixas previamente estabelecidas. (D) Era duas horas da tarde, quando a criança foi encontrada.
(D) Desde o surgimento da ideia de hipertexto, esse conceito (E) Existia várias maneiras de voltar para casa, mas a criança
está ligado a uma nova concepção de textualidade... se perdeu mesmo assim.
(E) Criou, então, o “Xanadu”, um projeto para disponibilizar
toda a literatura do mundo... 10. (Agente de Escolta e Vigilância Penitenciária – VUNESP
– 2013-adap.). Leia as frases a seguir.
I. Havia onze pessoas jogando pedras e pedaços de madeira
05.(POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DO ACRE – ALUNO
no animal.
SOLDADO COMBATENTE – FUNCAB/2012) No trecho: “O
II. Existiam muitos ferimentos no boi.
crescimento econômico, se associado à ampliação do emprego,
III. Havia muita gente assustando o boi numa avenida movi-
PODE melhorar o quadro aqui sumariamente descrito.”, se pas- mentada.
sarmos o verbo destacado para o futuro do pretérito do indicativo, Substituindo-se o verbo Haver pelo verbo Existir e este pelo
teremos a forma: verbo Haver, nas frases, têm-se, respectivamente:
A) puder. A) Existia – Haviam – Existiam
B) poderia. B) Existiam – Havia – Existiam
C) pôde. C) Existiam – Haviam – Existiam
D) poderá. D) Existiam – Havia – Existia
E) pudesse. E) Existia – Havia – Existia

06. (Escrevente TJ SP Vunesp 2013) Assinale a alternativa em GABARITO


que todos os verbos estão empregados de acordo com a norma-
-padrão. 01. B 02. C 03. E 04. B 05. B
(A) Enviaram o texto, para que o revíssemos antes da impres- 06. A 07. C 08. B 09. C 10. D
são definitiva.
(B) Não haverá prova do crime se o réu se manter em silêncio. RESOLUÇÃO
(C) Vão pagar horas-extras aos que se disporem a trabalhar
no feriado. 1-) É comum que objetos sejam esquecidos em locais pú-
(D) Ficarão surpresos quando o verem com a toga... blicos. Mas muitos transtornos poderiam ser evitados se as pessoas
(E) Se você quer a promoção, é necessário que a requera a seu mantivessem a atenção voltada para seus pertences, conservando-
superior. -os junto ao corpo.

07. (Papiloscopista Policial Vunesp 2013-adap.) Assinale a 2-) os níveis de pessoas sem emprego estão apresentando que-
alternativa que substitui, corretamente e sem alterar o sentido da das sucessivas de 2005 para cá. –, a locução verbal em destaque
frase, a expressão destacada em – Se a criança se perder, quem expressa ação contínua (= não concluída)
encontrá-la verá na pulseira instruções para que envie uma mensa-
3-) Sem querer estereotipar, mas já estereotipando: trata-se de
gem eletrônica ao grupo ou acione o código na internet.
um ser cujas interações sociais terminam, 99% das vezes, diante da
(A) Caso a criança se havia perdido…
pergunta “débito ou crédito?”.
(B) Caso a criança perdeu… Nesse contexto, o verbo estereotipar tem sentido de classificar
(C) Caso a criança se perca… segundo ideias preconcebidas.
(D) Caso a criança estivera perdida…
(E) Caso a criança se perda… 4-) (B) Funcionando como um imenso sistema de informação
e arquivamento, o hipertexto deveria ser um enorme arquivo vir-
08. (Agente de Apoio Operacional – VUNESP – 2013-adap.). tual. = verbo no futuro do pretérito
Assinale a alternativa em que o verbo destacado está no tempo
futuro. 5-) Conjugando o verbo “poder” no futuro do pretérito do
A) Os consumidores são assediados pelo marketing … Indicativo: eu poderia, tu poderias, ele poderia, nós poderíamos,
B) … somente eles podem decidir se irão ou não comprar. vós poderíeis, eles poderiam. O sujeito da oração é crescimento
C) É como se abrissem em nós uma “caixa de necessidades”… econômico (singular), portanto, terceira pessoa do singular (ele)
D) … de onde vem o produto…? = poderia.
E) Uma pesquisa mostrou que 55,4% das pessoas…

Didatismo e Conhecimento 70
LÍNGUA PORTUGUESA
6-) Percebe-se que há alteração do radical, afastando-se do origi-
(B) Não haverá prova do crime se o réu se mantiver em si- nal “dar” durante a conjugação, sendo considerado verbo irregular.
lêncio. Exemplo: Conjugação do verbo valer:
(C) Vão pagar horas-extras aos que se dispuserem a trabalhar
no feriado. Modo Indicativo
(D) Ficarão surpresos quando o virem com a toga... Presente
(E) Se você quiser a promoção, é necessário que a requeira a eu valho
seu superior. tu vales
ele vale
7-) Caso a criança se perca…(perda = substantivo: Houve nós valemos
uma grande perda salarial...) vós valeis
eles valem
8-)
A) Os consumidores são assediados pelo marketing = pre- Pretérito Perfeito do Indicativo
sente eu vali
C) É como se abrissem em nós uma “caixa de necessidades”… tu valeste
= pretérito do Subjuntivo ele valeu
D) … de onde vem o produto…? = presente nós valemos
E) Uma pesquisa mostrou que 55,4% das pessoas… = preté- vós valestes
rito perfeito eles valeram
9-)
(A) Chegaram, para ajudar a família, vários amigos e vizi- Pretérito Imperfeito do Indicativo
nhos. eu valia
(B) Havia várias hipóteses acerca do que poderia ter aconte- tu valias
cido com a criança. ele valia
(D) Eram duas horas da tarde, quando a criança foi encontra- nós valíamos
da. vós valíeis
eles valiam
(E) Existiam várias maneiras de voltar para casa, mas a crian-
ça se perdeu mesmo assim.
Pretérito Mais-que-perfeito do Indicativo
eu valera
10-) I. Havia onze pessoas jogando pedras e pedaços de ma-
tu valeras
deira no animal.
ele valera
II. Existiam muitos ferimentos no boi.
nós valêramos
III. Havia muita gente assustando o boi numa avenida movi- vós valêreis
mentada. eles valeram
Haver – sentido de existir= invariável, impessoal;
existir = variável. Portanto, temos: Futuro do Presente do Indicativo
I – Existiam onze pessoas... eu valerei
II – Havia muitos ferimentos... tu valerás
III – Existia muita gente... ele valerá
nós valeremos
Verbos irregulares são verbos que sofrem alterações em seu vós valereis
radical ou em suas desinências, afastando-se do modelo a que per- eles valerão
tencem.
No português, para verificar se um verbo sofre alterações, bas- Futuro do Pretérito do Indicativo
ta conjugá-lo no presente e no pretérito perfeito do indicativo. Ex: eu valeria
faço – fiz, trago – trouxe, posso - pude. tu valerias
Não é considerada irregularidade a alteração gráfica do radi- ele valeria
cal de certos verbos para conservação da regularidade fônica. Ex: nós valeríamos
embarcar – embarco, fingir – finjo. vós valeríeis
eles valeriam
Exemplo de conjugação do verbo “dar” no presente do indi-
cativo: Mais-que-perfeito Composto do Indicativo
Eu dou eu tinha valido
Tu dás tu tinhas valido
Ele dá ele tinha valido
Nós damos nós tínhamos valido
Vós dais vós tínheis valido
Eles dão eles tinham valido

Didatismo e Conhecimento 71
LÍNGUA PORTUGUESA
Gerúndio do verbo valer = valendo Acompanhe abaixo uma lista com os principais verbos irre-
gulares:
Modo Subjuntivo
Presente Dizer
que eu valha Presente do indicativo: Digo, dizes, diz, dizemos, dizeis, di-
que tu valhas zem.
que ele valha Pretérito perfeito do indicativo: Disse, disseste, disse, disse-
que nós valhamos mos, dissestes, disseram.
que vós valhais Futuro do presente do indicativo: Direi, dirás, dirá, dire-
que eles valham mos, direis, dirão.
Pretérito Imperfeito do Subjuntivo Fazer
se eu valesse
Presente do indicativo: Faço, fazes, faz, fazemos, fazeis, fa-
se tu valesses
zem.
se ele valesse
Pretérito perfeito do indicativo: Fiz, fizeste, fez, fizemos, fi-
se nós valêssemos
zestes, fizeram.
se vós valêsseis
se eles valessem Futuro do presente do indicativo: Farei, farás, fará, fare-
mos, fareis, farão.
Futuro do Subjuntivo
quando eu valer Ir
quando tu valeres Presente do indicativo: Vou, vais, vai, vamos, ides, vão.
quando ele valer Pretérito perfeito do indicativo: Fui, foste, foi, fomos, fostes,
quando nós valermos foram.
quando vós valerdes Futuro do presente do indicativo: Irei, irás, irá, iremos,
quando eles valerem ireis, irão.
Futuro do subjuntivo: For, fores, for, formos, fordes, forem.
Imperativo
Imperativo Afirmativo Querer
-- Presente do indicativo: Quero, queres, quer, queremos, que-
vale tu reis, querem.
valha ele Pretérito perfeito do indicativo: Quis, quiseste, quis, quise-
valhamos nós mos, quisestes, quiseram.
valei vós Presente do subjuntivo: Queira, queiras, queira, queiramos,
valham eles queirais, queiram.

Imperativo Negativo Ver


-- Presente do indicativo: Vejo, vês, vê, vemos, vedes, veem.
não valhas tu Pretérito perfeito do indicativo: Vi, viste, viu, vimos, vistes,
não valha ele viram.
não valhamos nós Futuro do presente do indicativo:Verei, verás, verá, vere-
não valhais vós
mos, vereis, verão.
não valham eles
Futuro do subjuntivo: Vir, vires, vir, virmos, virdes, virem.
Infinitivo
Vir
Infinitivo Pessoal
por valer eu Presente do indicativo: Venho, vens, vem, vimos, vindes, vêm.
por valeres tu Pretérito perfeito do indicativo: Vim, vieste, veio, viemos,
por valer ele viestes, vieram.
por valermos nós Futuro do presente do indicativo: Virei, virás, virá, viremos,
por valerdes vós vireis, virão.
por valerem eles Futuro do subjuntivo: Vier, vieres, vier, viermos, vierdes,
vierem.
Infinitivo Impessoal = valer
Particípio = Valido Vozes do Verbo

Dá-se o nome de voz à forma assumida pelo verbo para indi-


car se o sujeito gramatical é agente ou paciente da ação. São três
as vozes verbais:

Didatismo e Conhecimento 72
LÍNGUA PORTUGUESA
- Ativa: quando o sujeito é agente, isto é, pratica a ação ex- 2- Voz Passiva Sintética
pressa pelo verbo. Por exemplo: A voz passiva sintética ou pronominal constrói-se com o verbo na
Ele fez o trabalho. 3ª pessoa, seguido do pronome apassivador SE. Por exemplo:
sujeito agente ação objeto (paciente) Abriram-se as inscrições para o concurso.
Destruiu-se o velho prédio da escola.
- Passiva: quando o sujeito é paciente, recebendo a ação ex- Obs.: o agente não costuma vir expresso na voz passiva sintética.
pressa pelo verbo. Por exemplo:
O trabalho foi feito por ele. Curiosidade: A palavra passivo possui a mesma raiz latina de
paixão (latim passio, passionis) e ambas se relacionam com o signifi-
sujeito paciente ação a g e n t e
cado sofrimento, padecimento. Daí vem o significado de voz passiva
da passiva
como sendo a voz que expressa a ação sofrida pelo sujeito. Na voz
passiva temos dois elementos que nem sempre aparecem: SUJEITO
- Reflexiva: quando o sujeito é ao mesmo tempo agente e pa- PACIENTE e AGENTE DA PASSIVA.
ciente, isto é, pratica e recebe a ação. Por exemplo:
O menino feriu-se. Conversão da Voz Ativa na Voz Passiva

Obs.: não confundir o emprego reflexivo do verbo com a no- Pode-se mudar a voz ativa na passiva sem alterar substancial-
ção de reciprocidade: Os lutadores feriram-se. (um ao outro) mente o sentido da frase.
Gutenberg inventou a imprensa (Voz Ativa)
Formação da Voz Passiva Sujeito da Ativa objeto Direto

A voz passiva pode ser formada por dois processos: analítico A imprensa foi inventada por Gutenberg (Voz Passiva)
e sintético. Sujeito da Passiva Agente da Passiva

1- Voz Passiva Analítica Observe que o objeto direto será o sujeito da passiva, o sujeito
Constrói-se da seguinte maneira: Verbo SER + particípio do da ativa passará a agente da passiva e o verbo ativo assumirá a forma
verbo principal. Por exemplo: passiva, conservando o mesmo tempo. Observe mais exemplos:
- Os mestres têm constantemente aconselhado os alunos.
A escola será pintada.
Os alunos têm sido constantemente aconselhados pelos mestres.
O trabalho é feito por ele.
- Eu o acompanharei.
Ele será acompanhado por mim.
Obs.: o agente da passiva geralmente é acompanhado da pre-
posição por, mas pode ocorrer a construção com a preposição de. Obs.: quando o sujeito da voz ativa for indeterminado, não have-
Por exemplo: A casa ficou cercada de soldados. rá complemento agente na passiva. Por exemplo: Prejudicaram-me. /
- Pode acontecer ainda que o agente da passiva não esteja ex- Fui prejudicado.
plícito na frase: A exposição será aberta amanhã.
- A variação temporal é indicada pelo verbo auxiliar (SER), Saiba que:
pois o particípio é invariável. Observe a transformação das frases - Aos verbos que não são ativos nem passivos ou reflexivos, são
seguintes: chamados neutros.
O vinho é bom.
a) Ele fez o trabalho. (pretérito perfeito do indicativo) Aqui chove muito.
O trabalho foi feito por ele. (pretérito perfeito do indicativo)
- Há formas passivas com sentido ativo:
b) Ele faz o trabalho. (presente do indicativo) É chegada a hora. (= Chegou a hora.)
O trabalho é feito por ele. (presente do indicativo) Eu ainda não era nascido. (= Eu ainda não tinha nascido.)
És um homem lido e viajado. (= que leu e viajou)
c) Ele fará o trabalho. (futuro do presente)
- Inversamente, usamos formas ativas com sentido passivo:
O trabalho será feito por ele. (futuro do presente)
Há coisas difíceis de entender. (= serem entendidas)
Mandou-o lançar na prisão. (= ser lançado)
- Nas frases com locuções verbais, o verbo SER assume o
mesmo tempo e modo do verbo principal da voz ativa. Observe a - Os verbos chamar-se, batizar-se, operar-se (no sentido cirúrgi-
transformação da frase seguinte: co) e vacinar-se são considerados passivos, logo o sujeito é paciente.
O vento ia levando as folhas. (gerúndio) Chamo-me Luís.
As folhas iam sendo levadas pelo vento. (gerúndio) Batizei-me na Igreja do Carmo.
Operou-se de hérnia.
Obs.: é menos frequente a construção da voz passiva analítica Vacinaram-se contra a gripe.
com outros verbos que podem eventualmente funcionar como au-
xiliares. Por exemplo: A moça ficou marcada pela doença. Fonte: http://www.soportugues.com.br/secoes/morf/
morf54.php

Didatismo e Conhecimento 73
LÍNGUA PORTUGUESA
Questões sobre Vozes dos Verbos 07. (METRÔ/SP – TÉCNICO SISTEMAS METROVIÁ-
RIOS CIVIL – FCC/2014 - ADAPTADA) ...’sertanejo’ indicava
01. (COLÉGIO PEDRO II/RJ – ASSISTENTE EM ADMI- indistintamente as músicas produzidas no interior do país...
NISTRAÇÃO – AOCP/2010) Em “Os dados foram divulgados Transpondo-se a frase acima para a voz passiva, a forma ver-
ontem pelo Instituto Sou da Paz.”, a expressão destacada é bal resultante será:
(A) adjunto adnominal. (A) vinham indicadas.
(B) sujeito paciente. (B) era indicado.
(C) objeto indireto. (C) eram indicadas.
(D) complemento nominal. (D) tinha indicado.
(E) agente da passiva. (E) foi indicada.

02. (FCC-COPERGÁS – Auxiliar Técnico Administrativo - 08. (GOVERNO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO –
2011) Um dia um tufão furibundo abateu-o pela raiz. Transpondo- PROCON – AGENTE ADMINISTRATIVO – CEPERJ/2012 -
-se a frase acima para a voz passiva, a forma verbal resultante será: adaptada) Um exemplo de construção na voz passiva está em:
(A) era abatido. (A) “A Gulliver recolherá 6 mil brinquedos”
(B) fora abatido. (B) “o consumidor pode solicitar a devolução do dinheiro”
(C) abatera-se. (C) “enviar o brinquedo por sedex”
(D) foi abatido. (D) “A empresa também é obrigada pelo Código de Defesa
(E) tinha abatido do Consumidor”
(E) “A empresa fez campanha para recolher”
03. (TRE/AL – TÉCNICO JUDICIÁRIO – FCC/2010)
... valores e princípios que sejam percebidos pela sociedade 09. (METRÔ/SP –SECRETÁRIA PLENO – FCC/2010)
como tais. Transpondo-se para a voz passiva a construção Mais tarde vim a
Transpondo para a voz ativa a frase acima, o verbo passará a entender a tradução completa, a forma verbal resultante será:
ser, corretamente,
(A) veio a ser entendida.
(A) perceba.
(B) teria entendido.
(B) foi percebido.
(C) fora entendida.
(C) tenham percebido.
(D) terá sido entendida.
(D) devam perceber.
(E) tê-la-ia entendido.
(E) estava percebendo.
10. (INFRAERO – CADASTRO RESERVA OPERACIO-
04. (TJ/RJ – TÉCNICO DE ATIVIDADE JUDICIÁRIA SEM
ESPECIALIDADE – FCC/2012) As ruas estavam ocupadas pela NAL PROFISSIONAL DE TRÁFEGO AÉREO – FCC/2011 -
multidão... ADAPTADA)
A forma verbal resultante da transposição da frase acima para ... ele empreende, de maneira quase clandestina, a série Mu-
a voz ativa é: lheres.
(A) ocupava-se. Transpondo-se a frase acima para a voz passiva, a forma ver-
(B) ocupavam. bal resultante será:
(C) ocupou. (A) foi empreendida.
(D) ocupa. (B) são empreendidos.
(E) ocupava. (C) foi empreendido.
(D) é empreendida.
05. (TRF - 5ª REGIÃO - TÉCNICO JUDICIÁRIO - FCC/2012) (E) são empreendidas.
A frase que NÃO admite transposição para a voz passiva está em:
(A) Quando Rodolfo surgiu... GABARITO
(B) ... adquiriu as impressoras...
(C) ... e sustentar, às vezes, família numerosa. 01. E 02. D 03. A 04. E 05. A
(D) ... acolheu-o como patrono. 06. B 07. C 08. D 09. A 10. D
(E) ... que montou [...] a primeira grande folhetaria do Recife ...
RESOLUÇÃO
06. (TRF - 4ª REGIÃO – TÉCNICO JUDICIÁRIO –
FCC/2010) O engajamento moral e político não chegou a consti- 1-) No enunciado temos uma oração com a voz passiva do
tuir um deslocamento da atenção intelectual de Said ... verbo. Transformando-a em ativa, teremos: “O Instituto Sou da
Transpondo-se a frase acima para a voz passiva, a forma verbal Paz divulgou dados”. Nessa, “Instituto Sou da Paz” funciona como
resultante é: sujeito da oração, ou seja, na passiva sua função é a de agente da
a) se constituiu. passiva. O sujeito paciente é “os dados”.
b) chegou a ser constituído.
c) teria chegado a constituir. 2-) Um dia um tufão furibundo abateu-o pela raiz. = Ele foi
d) chega a se constituir. abatido...
e) chegaria a ser constituído.

Didatismo e Conhecimento 74
LÍNGUA PORTUGUESA
3-) ... valores e princípios que sejam percebidos pela socieda- O fonema s:
de como tais = dois verbos na voz passiva, então teremos um na
ativa: que a sociedade perceba os valores e princípios... Escreve-se com S e não com C/Ç as palavras substantivadas
derivadas de verbos com radicais em nd, rg, rt, pel, corr e sent:
4-) As ruas estavam ocupadas pela multidão = dois verbos na pretender - pretensão / expandir - expansão / ascender - ascensão
passiva, um verbo na ativa: / inverter - inversão / aspergir aspersão / submergir - submersão /
A multidão ocupava as ruas. divertir - diversão / impelir - impulsivo / compelir - compulsório /
repelir - repulsa / recorrer - recurso / discorrer - discurso / sentir -
5-) sensível / consentir - consensual
B = as impressoras foram adquiridas...
C = família numerosa é sustentada... Escreve-se com SS e não com C e Ç os nomes derivados dos
D – foi acolhido como patrono... verbos cujos radicais terminem em gred, ced, prim ou com verbos
terminados por tir ou meter: agredir - agressivo / imprimir - im-
E – a primeira grande folhetaria do Recife foi montada...
pressão / admitir - admissão / ceder - cessão / exceder - excesso
6-) O engajamento moral e político não chegou a constituir
/ percutir - percussão / regredir - regressão / oprimir - opressão /
um deslocamento da atenção intelectual de Said = dois verbos na comprometer - compromisso / submeter - submissão
voz ativa, mas com presença de preposição e, um deles, no infiniti- *quando o prefixo termina com vogal que se junta com a pala-
vo, então o verbo auxiliar “ser” ficará no infinitivo (na voz passiva) vra iniciada por “s”. Exemplos: a + simétrico - assimétrico / re +
e o verbo principal (constituir) ficará no particípio: Um desloca- surgir - ressurgir
mento da atenção intelectual de Said não chegou a ser constituído *no pretérito imperfeito simples do subjuntivo. Exemplos: fi-
pelo engajamento... casse, falasse

7-)’sertanejo’ indicava indistintamente as músicas produzidas Escreve-se com C ou Ç e não com S e SS os vocábulos de
no interior do país. origem árabe: cetim, açucena, açúcar
As músicas produzidas no país eram indicadas pelo sertanejo, *os vocábulos de origem tupi, africana ou exótica: cipó, Juça-
indistintamente. ra, caçula, cachaça, cacique
*os sufixos aça, aço, ação, çar, ecer, iça, nça, uça, uçu, uço:
8-) barcaça, ricaço, aguçar, empalidecer, carniça, caniço, esperança,
(A) “A Gulliver recolherá 6 mil brinquedos” = voz ativa carapuça, dentuço
(B) “o consumidor pode solicitar a devolução do dinheiro” = *nomes derivados do verbo ter: abster - abstenção / deter - de-
voz ativa tenção / ater - atenção / reter - retenção
*após ditongos: foice, coice, traição
(C) “enviar o brinquedo por sedex” = voz ativa
*palavras derivadas de outras terminadas em te, to(r): marte -
(D) “A empresa também é obrigada pelo Código de Defesa do
marciano / infrator - infração / absorto - absorção
Consumidor” = voz passiva
(E) “A empresa fez campanha para recolher” = voz ativa O fonema z:
9-)Mais tarde vim a entender a tradução completa... Escreve-se com S e não com Z:
A tradução completa veio a ser entendida por mim. *os sufixos: ês, esa, esia, e isa, quando o radical é substantivo,
10-) ele empreende, de maneira quase clandestina, a série Mu- ou em gentílicos e títulos nobiliárquicos: freguês, freguesa, fregue-
lheres. sia, poetisa, baronesa, princesa, etc.
A série de mulheres é empreendida por ele, de maneira quase *os sufixos gregos: ase, ese, ise e ose: catequese, metamorfose.
clandestina. *as formas verbais pôr e querer: pôs, pus, quisera, quis, qui-
seste.
ORTOGRAFIA *nomes derivados de verbos com radicais terminados em “d”:
aludir - alusão / decidir - decisão / empreender - empresa / difun-
A ortografia é a parte da língua responsável pela grafia correta dir - difusão
das palavras. Essa grafia baseia-se no padrão culto da língua. *os diminutivos cujos radicais terminam com “s”: Luís - Luisi-
As palavras podem apresentar igualdade total ou parcial no nho / Rosa - Rosinha / lápis - lapisinho
que se refere a sua grafia e pronúncia, mesmo tendo significados *após ditongos: coisa, pausa, pouso
*em verbos derivados de nomes cujo radical termina com “s”:
diferentes. Essas palavras são chamadas de homônimas (canto, do
anális(e) + ar - analisar / pesquis(a) + ar - pesquisar
grego, significa ângulo / canto, do latim, significa música vocal).
As palavras homônimas dividem-se em homógrafas, quando têm Escreve-se com Z e não com S:
a mesma grafia (gosto, substantivo e gosto, 1ª pessoa do singular *os sufixos “ez” e “eza” das palavras derivadas de adjetivo:
do verbo gostar) e homófonas, quando têm o mesmo som (paço, macio - maciez / rico - riqueza
palácio ou passo, movimento durante o andar). *os sufixos “izar” (desde que o radical da palavra de origem
Quanto à grafia correta em língua portuguesa, devem-se ob- não termine com s): final - finalizar / concreto - concretizar
servar as seguintes regras: *como consoante de ligação se o radical não terminar com s:
pé + inho - pezinho / café + al - cafezal ≠ lápis + inho - lapisinho

Didatismo e Conhecimento 75
LÍNGUA PORTUGUESA
O fonema j: Questões sobre Ortografia

Escreve-se com G e não com J: 01. (TRE/AP - TÉCNICO JUDICIÁRIO – FCC/2011) Entre
*as palavras de origem grega ou árabe: tigela, girafa, gesso. as frases que seguem, a única correta é:
*estrangeirismo, cuja letra G é originária: sargento, gim. a) Ele se esqueceu de que?
*as terminações: agem, igem, ugem, ege, oge (com poucas b) Era tão ruím aquele texto, que não deu para distribui-lo
exceções): imagem, vertigem, penugem, bege, foge. entre os presentes.
Observação: Exceção: pajem c) Embora devessemos, não fomos excessivos nas críticas.
*as terminações: ágio, égio, ígio, ógio, ugio: sortilégio, lití- d) O juíz nunca negou-se a atender às reivindicações dos fun-
gio, relógio, refúgio. cionários.
*os verbos terminados em ger e gir: eleger, mugir. e) Não sei por que ele mereceria minha consideração.
*depois da letra “r” com poucas exceções: emergir, surgir.
*depois da letra “a”, desde que não seja radical terminado 02. (Escrevente TJ SP – Vunesp/2013). Assinale a alternativa
com j: ágil, agente. cujas palavras se apresentam flexionadas de acordo com a norma-
Escreve-se com J e não com G: -padrão.
*as palavras de origem latinas: jeito, majestade, hoje. (A) Os tabeliãos devem preparar o documento.
(B) Esses cidadões tinham autorização para portar fuzis.
*as palavras de origem árabe, africana ou exótica: jiboia,
(C) Para autenticar as certidãos, procure o cartório local.
manjerona.
(D) Ao descer e subir escadas, segure-se nos corrimãos.
*as palavras terminada com aje: aje, ultraje.
(E) Cuidado com os degrais, que são perigosos!
O fonema ch: 03. (Agente de Vigilância e Recepção – VUNESP – 2013).
Suponha-se que o cartaz a seguir seja utilizado para informar os
Escreve-se com X e não com CH: usuários sobre o festival Sounderground.
*as palavras de origem tupi, africana ou exótica: abacaxi, Prezado Usuário
muxoxo, xucro. ________ de oferecer lazer e cultura aos passageiros do
*as palavras de origem inglesa (sh) e espanhola (J): xampu, metrô, ________ desta segunda-feira (25/02), ________ 17h30,
lagartixa. começa o Sounderground, festival internacional que prestigia os
*depois de ditongo: frouxo, feixe. músicos que tocam em estações do metrô.
*depois de “en”: enxurrada, enxoval. Confira o dia e a estação em que os artistas se apresentarão e
divirta-se!
Observação: Exceção: quando a palavra de origem não de- Para que o texto atenda à norma-padrão, devem-se preencher
rive de outra iniciada com ch - Cheio - (enchente) as lacunas, correta e respectivamente, com as expressões
A) A fim ...a partir ... as
Escreve-se com CH e não com X: B) A fim ...à partir ... às
*as palavras de origem estrangeira: chave, chumbo, chassi, C) A fim ...a partir ... às
mochila, espadachim, chope, sanduíche, salsicha. D) Afim ...a partir ... às
E) Afim ...à partir ... as
As letras e e i:
*os ditongos nasais são escritos com “e”: mãe, põem. Com 04. (TRF - 1ª REGIÃO - TÉCNICO JUDICIÁRIO -
“i”, só o ditongo interno cãibra. FCC/2011) As palavras estão corretamente grafadas na seguinte
*os verbos que apresentam infinitivo em -oar, -uar são escri- frase:
tos com “e”: caçoe, tumultue. Escrevemos com “i”, os verbos com (A) Que eles viajem sempre é muito bom, mas não é boa a
infinitivo em -air, -oer e -uir: trai, dói, possui. ansiedade com que enfrentam o excesso de passageiros nos aero-
portos.
- atenção para as palavras que mudam de sentido quando
(B) Comete muitos deslises, talvez por sua espontaneidade,
substituímos a grafia “e” pela grafia “i”: área (superfície), ária
mas nada que ponha em cheque sua reputação de pessoa cortês.
(melodia) / delatar (denunciar), dilatar (expandir) / emergir (vir
(C) Ele era rabugento e tinha ojeriza ao hábito do sócio de
à tona), imergir (mergulhar) / peão (de estância, que anda a pé), descançar após o almoço sob a frondoza árvore do pátio.
pião (brinquedo). (D) Não sei se isso influe, mas a persistência dessa mágoa
pode estar sendo o grande impecilho na superação dessa sua crise.
Fonte: http://www.pciconcursos.com.br/aulas/portugues/or- (E) O diretor exitou ao aprovar a retenção dessa alta quantia,
tografia mas não quiz ser taxado de conivente na concessão de privilégios
ilegítimos.

05.Em qual das alternativas a frase está corretamente escrita?


A) O mindingo não depositou na cardeneta de poupansa.
B) O mendigo não depositou na caderneta de poupança.
C) O mindigo não depozitou na cardeneta de poupanssa.
D) O mendingo não depozitou na carderneta de poupansa.

Didatismo e Conhecimento 76
LÍNGUA PORTUGUESA
06.(IAMSPE/SP – ATENDENTE – [PAJEM] - CCI) – VU- RESOLUÇÃO
NESP/2011) Assinale a alternativa em que o trecho – Mas ela
cresceu ... – está corretamente reescrito no plural, com o verbo 1-)
no tempo futuro. (A) Ele se esqueceu de que? = quê?
(A) Mas elas cresceram... (B) Era tão ruím (ruim) aquele texto, que não deu para distri-
(B) Mas elas cresciam... bui-lo (distribuí-lo) entre os presentes.
(C) Mas elas cresçam... (C) Embora devêssemos (devêssemos) , não fomos excessivos
(D) Mas elas crescem... nas críticas.
(E) Mas elas crescerão... (D) O juíz (juiz) nunca (se) negou a atender às reivindicações
dos funcionários.
07. (IAMSPE/SP – ATENDENTE – [PAJEM – CCI] – VU- (E) Não sei por que ele mereceria minha consideração.
NESP/2011 - ADAPTADA) Assinale a alternativa em que o tre-
cho – O teste decisivo e derradeiro para ele, cidadão ansioso e 2-)
sofredor...– está escrito corretamente no plural. (A) Os tabeliãos devem preparar o documento. = tabeliães
(A) Os testes decisivo e derradeiros para eles, cidadãos an- (B) Esses cidadões tinham autorização para portar fuzis. =
sioso e sofredores... cidadãos
(B) Os testes decisivos e derradeiros para eles, cidadães an- (C) Para autenticar as certidãos, procure o cartório local. =
sioso e sofredores... certidões
(C) Os testes decisivos e derradeiros para eles, cidadãos an- (E) Cuidado com os degrais, que são perigosos = degraus
siosos e sofredores...
(D) Os testes decisivo e derradeiros para eles, cidadões an- 3-) Prezado Usuário
sioso e sofredores... A fim de oferecer lazer e cultura aos passageiros do metrô, a
(E) Os testes decisivos e derradeiros para eles, cidadães an- partir desta segunda-feira (25/02), às 17h30, começa o Sounder-
siosos e sofredores... ground, festival internacional que prestigia os músicos que tocam
08. (MPE/RJ – TÉCNICO ADMINISTRATIVO – em estações do metrô.
FUJB/2011) Assinale a alternativa em que a frase NÃO contraria Confira o dia e a estação em que os artistas se apresentarão
a norma culta: e divirta-se!
A) Entre eu e a vida sempre houve muitos infortúnios, por A fim = indica finalidade; a partir: sempre separado; antes de
isso posso me queixar com razão. horas: há crase
B) Sempre houveram várias formas eficazes para ultrapas-
sarmos os infortúnios da vida. 4-) Fiz a correção entre parênteses:
C) Devemos controlar nossas emoções todas as vezes que (A) Que eles viajem sempre é muito bom, mas não é boa a
vermos a pobreza e a miséria fazerem parte de nossa vida. ansiedade com que enfrentam o excesso de passageiros nos aero-
D) É difícil entender o por quê de tanto sofrimento, princi- portos.
(B) Comete muitos deslises (deslizes), talvez por sua espon-
palmente daqueles que procuram viver com dignidade e simpli-
taneidade, mas nada que ponha em cheque (xeque) sua reputação
cidade.
de pessoa cortês.
E) As dificuldades por que passamos certamente nos fazem
(C) Ele era rabugento e tinha ojeriza ao hábito do sócio de
mais fortes e preparados para os infortúnios da vida.
descançar (descansar) após o almoço sob a frondoza (frondosa)
árvore do pátio.
09.Assinale a alternativa cuja frase esteja incorreta:
(D) Não sei se isso influe (influi), mas a persistência dessa má-
A) Porque essa cara?
goa pode estar sendo o grande impecilho (empecilho) na superação
B) Não vou porque não quero.
dessa sua crise.
C) Mas por quê?
(E) O diretor exitou (hesitou) ao aprovar a retenção dessa alta
D) Você saiu por quê? quantia, mas não quiz (quis) ser taxado de conivente na concessão
de privilégios ilegítimos.
10-) (GOVERNO DO ESTADO DE ALAGOAS – TÉCNI-
CO FORENSE - CESPE/2013 - adaptada) Uma variante igual- 5-)
mente correta do termo “autópsia” é autopsia. A) O mindingo não depositou na cardeneta de poupansa. =
( ) Certo mendigo/caderneta/poupança
( ) Errado C) O mindigo não depozitou na cardeneta de poupanssa. =
mendigo/caderneta/poupança
GABARITO D) O mendingo não depozitou na carderneta de poupansa.
=mendigo/depositou/caderneta/poupança
01.E 02. D 03. C 04. A 05. B
06. E 07. C 08. E 09. A 10. C 6-) Futuro do verbo “crescer”: crescerão. Teremos: mas elas
crescerão...

Didatismo e Conhecimento 77
LÍNGUA PORTUGUESA
7-) Como os itens apresentam o mesmo texto, a alternativa Dois pontos
correta já indica onde estão as inadequações nos demais itens. 1- Antes de uma citação
- Vejamos como Afrânio Coutinho trata este assunto:
8-) Fiz as correções entre parênteses:
A) Entre eu (mim) e a vida sempre houve muitos infortúnios, 2- Antes de um aposto
por isso posso me queixar com razão. - Três coisas não me agradam: chuva pela manhã, frio à tarde
B) Sempre houveram (houve) várias formas eficazes para ul- e calor à noite.
trapassarmos os infortúnios da vida.
C) Devemos controlar nossas emoções todas as vezes que ver- 3- Antes de uma explicação ou esclarecimento
mos (virmos) a pobreza e a miséria fazerem parte de nossa vida. - Lá estava a deplorável família: triste, cabisbaixa, vivendo a
D) É difícil entender o por quê (o porquê) de tanto sofrimen- rotina de sempre.
to, principalmente daqueles que procuram viver com dignidade e
simplicidade. 4- Em frases de estilo direto
E) As dificuldades por que (= pelas quais; correto) passamos Maria perguntou:
certamente nos fazem mais fortes e preparados para os infortúnios - Por que você não toma uma decisão?
da vida.
Ponto de Exclamação
9-) Por que essa cara? = é uma pergunta e o pronome está 1- Usa-se para indicar entonação de surpresa, cólera, susto,
longe do ponto de interrogação. súplica, etc.
- Sim! Claro que eu quero me casar com você!
10-) autopsia s.f., autópsia s.f.; cf. autopsia 2- Depois de interjeições ou vocativos
(fonte: http://www.academia.org.br/abl/cgi/cgilua.exe/sys/ - Ai! Que susto!
start.htm?sid=23) - João! Há quanto tempo!
RESPOSTA: “CERTO”. Ponto de Interrogação
Usa-se nas interrogações diretas e indiretas livres.
PONTUAÇÃO; “- Então? Que é isso? Desertaram ambos?” (Artur Azevedo)

Os sinais de pontuação são marcações gráficas que servem Reticências


para compor a coesão e a coerência textual, além de ressaltar es- 1- Indica que palavras foram suprimidas.
pecificidades semânticas e pragmáticas. Vejamos as principais - Comprei lápis, canetas, cadernos...
funções dos sinais de pontuação conhecidos pelo uso da língua
portuguesa. 2- Indica interrupção violenta da frase.
“- Não... quero dizer... é verdad... Ah!”
Ponto
1- Indica o término do discurso ou de parte dele. 3- Indica interrupções de hesitação ou dúvida
- Façamos o que for preciso para tirá-la da situação em que - Este mal... pega doutor?
se encontra.
- Gostaria de comprar pão, queijo, manteiga e leite. 4- Indica que o sentido vai além do que foi dito
- Acordei. Olhei em volta. Não reconheci onde estava. - Deixa, depois, o coração falar...

2- Usa-se nas abreviações - V. Exª. - Sr. Vírgula

Ponto e Vírgula ( ; ) Não se usa vírgula


1- Separa várias partes do discurso, que têm a mesma impor- *separando termos que, do ponto de vista sintático, ligam-se
tância. diretamente entre si:
- “Os pobres dão pelo pão o trabalho; os ricos dão pelo pão - entre sujeito e predicado.
a fazenda; os de espíritos generosos dão pelo pão a vida; os de Todos os alunos da sala foram advertidos.
nenhum espírito dão pelo pão a alma...” (VIEIRA) Sujeito predicado

2- Separa partes de frases que já estão separadas por vírgulas. - entre o verbo e seus objetos.
- Alguns quiseram verão, praia e calor; outros, montanhas, O trabalho custou sacrifício aos realizadores.
frio e cobertor. V.T.D.I. O.D. O.I.

3- Separa itens de uma enumeração, exposição de motivos, Usa-se a vírgula:


decreto de lei, etc. - Para marcar intercalação:
- Ir ao supermercado; a) do adjunto adverbial: O café, em razão da sua abundância,
- Pegar as crianças na escola; vem caindo de preço.
- Caminhada na praia; b) da conjunção: Os cerrados são secos e áridos. Estão produ-
- Reunião com amigos. zindo, todavia, altas quantidades de alimentos.

Didatismo e Conhecimento 78
LÍNGUA PORTUGUESA
c) das expressões explicativas ou corretivas: As indústrias não A oração subordinada “que não possuem o nome do pai em
querem abrir mão de suas vantagens, isto é, não querem abrir mão sua certidão de nascimento” não é antecedida por vírgula porque
dos lucros altos. tem natureza restritiva.
( ) Certo ( ) Errado
- Para marcar inversão:
a) do adjunto adverbial (colocado no início da oração): Depois 03.(BNDES – TÉCNICO ADMINISTRATIVO – BN-
das sete horas, todo o comércio está de portas fechadas. DES/2012) Em que período a vírgula pode ser retirada, mantendo-
b) dos objetos pleonásticos antepostos ao verbo: Aos pesqui- se o sentido e a obediência à norma-padrão?
sadores, não lhes destinaram verba alguma. (A) Quando o técnico chegou, a equipe começou o treino.
c) do nome de lugar anteposto às datas: Recife, 15 de maio (B) Antônio, quer saber as últimas novidades dos esportes?
de 1982. (C) As Olimpíadas de 2016 ocorrerão no Rio, que se prepara
para o evento.
- Para separar entre si elementos coordenados (dispostos em (D) Atualmente, várias áreas contribuem para o aprimoramen-
enumeração): to do desportista.
Era um garoto de 15 anos, alto, magro. (E) Eis alguns esportes que a Ciência do Esporte ajuda: judô,
A ventania levou árvores, e telhados, e pontes, e animais. natação e canoagem.

- Para marcar elipse (omissão) do verbo: 04. (BANPARÁ/PA – TÉCNICO BANCÁRIO – ESPP/2012)
Nós queremos comer pizza; e vocês, churrasco. Assinale a alternativa em que a pontuação está correta.
- Para isolar: a) Meu grande amigo Pedro, esteve aqui ontem!
- o aposto: São Paulo, considerada a metrópole brasileira, b) Foi solicitado, pelo diretor o comprovante da transação.
possui um trânsito caótico. c) Maria, você trouxe os documentos?
- o vocativo: Ora, Thiago, não diga bobagem. d) O garoto de óculos leu, em voz alta o poema.
Fontes: http://www.infoescola.com/portugues/pontuacao/ e) Na noite de ontem o vigia percebeu, uma movimentação
http://www.brasilescola.com/gramatica/uso-da-virgula.htm estranha.

05. (Papiloscopista Policial – Vunesp – 2013 – adap.). Assina-


Questões sobre Pontuação
le a alternativa em que a frase mantém-se correta após o acréscimo
das vírgulas.
01. (Agente Policial – Vunesp – 2013). Assinale a alternativa
(A) Se a criança se perder, quem encontrá-la, verá na pulseira
em que a pontuação está corretamente empregada, de acordo com
instruções para que envie, uma mensagem eletrônica ao grupo ou
a norma-padrão da língua portuguesa.
acione o código na internet.
(A) Diante da testemunha, o homem abriu a bolsa e, embora,
(B) Um geolocalizador também, avisará, os pais de onde o
experimentasse, a sensação de violar uma intimidade, procurou a
código foi acionado.
esmo entre as coisinhas, tentando encontrar algo que pudesse aju- (C) Assim que o código é digitado, familiares cadastrados,
dar a revelar quem era a sua dona. recebem automaticamente, uma mensagem dizendo que a criança
(B) Diante, da testemunha o homem abriu a bolsa e, embora foi encontrada.
experimentasse a sensação, de violar uma intimidade, procurou a (D) De fabricação chinesa, a nova pulseirinha, chega primeiro
esmo entre as coisinhas, tentando encontrar algo que pudesse aju- às, areias do Guarujá.
dar a revelar quem era a sua dona. (E) O sistema permite, ainda, cadastrar o nome e o telefone de
(C) Diante da testemunha, o homem abriu a bolsa e, embora quem a encontrou e informar um ponto de referência
experimentasse a sensação de violar uma intimidade, procurou a
esmo entre as coisinhas, tentando encontrar algo que pudesse aju- 06. (DNIT – TÉCNICO ADMINISTRATIVO – ESAF/2013)
dar a revelar quem era a sua dona. Para que o fragmento abaixo seja coerente e gramaticalmente cor-
(D) Diante da testemunha, o homem, abriu a bolsa e, embora reto, é necessário inserir sinais de pontuação. Assinale a posição
experimentasse a sensação de violar uma intimidade, procurou a em que não deve ser usado o sinal de ponto, e sim a vírgula, para
esmo entre as coisinhas, tentando, encontrar algo que pudesse aju- que sejam respeitadas as regras gramaticais. Desconsidere os ajus-
dar a revelar quem era a sua dona. tes nas letras iniciais minúsculas.
(E) Diante da testemunha, o homem abriu a bolsa e, embora, O projeto Escola de Bicicleta está distribuindo bicicletas de
experimentasse a sensação de violar uma intimidade, procurou a bambu para 4600 alunos da rede pública de São Paulo(A) o pro-
esmo entre as coisinhas, tentando, encontrar algo que pudesse aju- grama desenvolve ainda oficinas e cursos para as crianças utili-
dar a revelar quem era a sua dona. zarem a bicicleta de forma segura e correta(B) os alunos ajudam
a traçar ciclorrotas e participam de atividades sobre cidadania
02. (CNJ – TÉCNICO JUDICIÁRIO – CESPE/2013 - ADAP- e reciclagem(C) as escolas participantes se tornam também cen-
TADA) Jogadores de futebol de diversos times entraram em cam- tros de descarte de garrafas PET(D) destinadas depois para reci-
po em prol do programa “Pai Presente”, nos jogos do Campeo- clagem(E) o programa possibilitará o retorno das bicicletas pela
nato Nacional em apoio à campanha que visa 4 reduzir o número saúde das crianças e transformação das comunidades em lugares
de pessoas que não possuem o nome do pai em sua certidão de melhores para se viver.
nascimento. (...) (Adaptado de Vida Simples, abril de 2012, edição 117)

Didatismo e Conhecimento 79
LÍNGUA PORTUGUESA
a) A (B) Diante , (X) da testemunha o homem abriu a bolsa e, em-
b) B bora experimentasse a sensação , (X) de violar uma intimidade,
c) C procurou a esmo entre as coisinhas, tentando encontrar algo que
d) D pudesse ajudar a revelar quem era a sua dona.
e) E (D) Diante da testemunha, o homem , (X) abriu a bolsa e,
embora experimentasse a sensação de violar uma intimidade, pro-
07. (DETRAN - OFICIAL ESTADUAL DE TRÂNSITO – curou a esmo entre as coisinhas, tentando , (X) encontrar algo que
VUNESP/2013) Assinale a alternativa correta quanto ao uso da pudesse ajudar a revelar quem era a sua dona.
pontuação. (E) Diante da testemunha, o homem abriu a bolsa e, embora ,
(A) Segundo alguns psicólogos, é possível, em certas circuns- (X) experimentasse a sensação de violar uma intimidade, procu-
tâncias, ceder à frustração para que a raiva seja aliviada. rou a esmo entre as coisinhas, tentando , (X) encontrar algo que
(B) Dirigir pode aumentar, nosso nível de estresse, porque pudesse ajudar a revelar quem era a sua dona.
você está junto; com os outros motoristas cujos comportamentos,
são desconhecidos. 2-) A oração restringe o grupo que participará da campanha
(C) Os motoristas, devem saber, que os carros podem ser uma (apenas os que não têm o nome do pai na certidão de nascimen-
extensão de nossa personalidade. to). Se colocarmos uma vírgula, a oração tornar-se-á “explicativa”,
(D) A ira de trânsito pode ocasionar, acidentes e; aumentar os generalizando a informação, o que dará a entender que TODAS as
níveis de estresse em alguns motoristas. pessoa não têm o nome do pai na certidão.
(E) Os congestionamentos e o número de motoristas na rua, RESPOSTA: “CERTO”.
são as principais causas da ira de trânsito.
3-)
08. (ACADEMIA DE POLÍCIA DO ESTADO DE MINAS (A) Quando o técnico chegou, a equipe começou o treino. =
GERAIS – TÉCNICO ASSISTENTE DA POLÍCIA CIVIL - FU- mantê-la (termo deslocado)
MARC/2013) “Paciência, minha filha, este é apenas um ciclo eco- (B) Antônio, quer saber as últimas novidades dos esportes? =
nômico e a nossa geração foi escolhida para este vexame, você aí mantê-la (vocativo)
desse tamanho pedindo esmola e eu aqui sem nada para te dizer,
(C) As Olimpíadas de 2016 ocorrerão no Rio, que se prepara
agora afasta que abriu o sinal.”
para o evento.
No período acima, as vírgulas foram empregadas em “Paciên-
= mantê-la (explicação)
cia, minha filha, este é [...]”, para separar
(D) Atualmente, várias áreas contribuem para o aprimoramen-
(A) aposto.
to do desportista.
(B) vocativo.
= pode retirá-la (advérbio de tempo)
(C) adjunto adverbial.
(E) Eis alguns esportes que a Ciência do Esporte ajuda: judô,
(D) expressão explicativa.
natação e canoagem.
09. (INFRAERO – CADASTRO RESERVA OPERACIO- = mantê-la (enumeração)
NAL PROFISSIONAL DE TRÁFEGO AÉREO – FCC/2011) O 4-) Assinalei com (X) a pontuação inadequada ou faltante:
período corretamente pontuado é: a) Meu grande amigo Pedro, (X) esteve aqui ontem!
(A) Os filmes que, mostram a luta pela sobrevivência em con- b) Foi solicitado, (X) pelo diretor o comprovante da transação.
dições hostis nem sempre conseguem agradar, aos espectadores. c) Maria, você trouxe os documentos?
(B) Várias experiências de prisioneiros, semelhantes entre si, d) O garoto de óculos leu, em voz alta (X) o poema.
podem ser reunidas e fazer parte de uma mesma história ficcional. e) Na noite de ontem (X) o vigia percebeu, (X) uma movimen-
(C) A história de heroísmo e de determinação que nem sem- tação estranha.
pre, é convincente, se passa em um cenário marcado, pelo frio.
(D) Caminhar por um extenso território gelado, é correr riscos 5-) Assinalei com (X) onde estão as pontuações inadequadas
iminentes que comprometem, a sobrevivência. (A) Se a criança se perder, quem encontrá-la , (X) verá na
(E) Para os fugitivos que se propunham, a alcançar a liberda- pulseira instruções para que envie , (X) uma mensagem eletrônica
de, nada poderia parecer, realmente intransponível. ao grupo ou acione o código na internet.
(B) Um geolocalizador também , (X) avisará , (X) os pais de
GABARITO onde o código foi acionado.
(C) Assim que o código é digitado, familiares cadastrados ,
01. C 02. C 03. D 04. C 05. E (X) recebem ( , ) automaticamente, uma mensagem dizendo que a
06. D 07. A 08. B 09.B criança foi encontrada.
(D) De fabricação chinesa, a nova pulseirinha , (X) chega
RESOLUÇÃO primeiro às , (X) areias do Guarujá.

1- Assinalei com um (X) as pontuações inadequadas 6-)


(A) Diante da testemunha, o homem abriu a bolsa e, embo- O projeto Escola de Bicicleta está distribuindo bicicletas de
ra, (X) experimentasse , (X) a sensação de violar uma intimidade, bambu para 4600 alunos da rede pública de São Paulo(A). O pro-
procurou a esmo entre as coisinhas, tentando encontrar algo que grama desenvolve ainda oficinas e cursos para as crianças utili-
pudesse ajudar a revelar quem era a sua dona. zarem a bicicleta de forma segura e correta(B). Os alunos ajudam

Didatismo e Conhecimento 80
LÍNGUA PORTUGUESA
a traçar ciclorrotas e participam de atividades sobre cidadania e De acordo com a tonicidade, as palavras são classificadas
reciclagem(C). As escolas participantes se tornam também centros como:
de descarte de garrafas PET(D), destinadas depois para recicla-
gem(E). O programa possibilitará o retorno das bicicletas pela Oxítonas – São aquelas cuja sílaba tônica recai sobre a última
saúde das crianças e transformação das comunidades em lugares sílaba. Ex.: café – coração – cajá – atum – caju – papel
melhores para se viver. Paroxítonas – São aquelas em que a sílaba tônica recai na
A vírgula deve ser colocada após a palavra “PET”, posição penúltima sílaba. Ex.: útil – tórax – táxi – leque – retrato – passível
(D), pois antecipa um termo explicativo.
Proparoxítonas - São aquelas em que a sílaba tônica está na
7-) Fiz as indicações (X) das pontuações inadequadas: antepenúltima sílaba. Ex.: lâmpada – câmara – tímpano – médi-
(A) Segundo alguns psicólogos, é possível, em certas circuns- co – ônibus
tâncias, ceder à frustração para que a raiva seja aliviada.
(B) Dirigir pode aumentar, (X) nosso nível de estresse, porque Como podemos observar, os vocábulos possuem mais de uma
você está junto; (X) com os outros motoristas cujos comportamen- sílaba, mas em nossa língua existem aqueles com uma sílaba so-
tos, (X) são desconhecidos. mente: são os chamados monossílabos que, quando pronunciados,
(C) Os motoristas, (X) devem saber, (X) que os carros podem apresentam certa diferenciação quanto à intensidade.
ser uma extensão de nossa personalidade. Tal diferenciação só é percebida quando os pronunciamos em
(D) A ira de trânsito pode ocasionar, (X) acidentes e; (X) au- uma dada sequência de palavras. Assim como podemos observar
mentar os níveis de estresse em alguns motoristas. no exemplo a seguir:
(E) Os congestionamentos e o número de motoristas na rua,
(X) são as principais causas da ira de trânsito. “Sei que não vai dar em nada,
Seus segredos sei de cor”.
8-) Paciência, minha filha, este é... = é o termo usado para se
dirigir ao interlocutor, ou seja, é um vocativo. Os monossílabos classificam-se como tônicos; os demais,
como átonos (que, em, de).
9-) Fiz as marcações (X) onde as pontuações estão inadequa- Os acentos
das ou faltantes:
(A) Os filmes que,(X) mostram a luta pela sobrevivência em
acento agudo (´) – Colocado sobre as letras «a», «i», «u» e
condições hostis nem sempre conseguem agradar, (X) aos espec-
sobre o «e» do grupo “em” - indica que estas letras representam as
tadores.
vogais tônicas de palavras como Amapá, caí, público, parabéns.
(B) Várias experiências de prisioneiros, semelhantes entre si,
Sobre as letras “e” e “o” indica, além da tonicidade, timbre aberto.
podem ser reunidas e fazer parte de uma mesma história ficcional.
Ex.: herói – médico – céu (ditongos abertos)
(C) A história de heroísmo e de determinação (X) que nem
sempre, (X) é convincente, se passa em um cenário marcado, (X)
acento circunflexo (^) – colocado sobre as letras “a”, “e” e
pelo frio.
“o” indica, além da tonicidade, timbre fechado: Ex.: tâmara –
(D) Caminhar por um extenso território gelado, (X) é correr
riscos iminentes (X) que comprometem, (X) a sobrevivência. Atlântico – pêssego – supôs
(E) Para os fugitivos que se propunham, (X) a alcançar a liber- acento grave (`) – indica a fusão da preposição “a” com arti-
dade, nada poderia parecer, (X) realmente intransponível. gos e pronomes. Ex.: à – às – àquelas – àqueles
trema ( ¨ ) – De acordo com a nova regra, foi totalmente abo-
ACENTUAÇÃO GRÁFICA lido das palavras. Há uma exceção: é utilizado em palavras deri-
vadas de nomes próprios estrangeiros. Ex.: mülleriano (de Müller)
A acentuação é um dos requisitos que perfazem as regras es-
tabelecidas pela Gramática Normativa. Esta se compõe de algumas til (~) – indica que as letras “a” e “o” representam vogais na-
particularidades, às quais devemos estar atentos, procurando esta- sais. Ex.: coração – melão – órgão – ímã
belecer uma relação de familiaridade e, consequentemente, colo-
cando-as em prática na linguagem escrita. Regras fundamentais:
À medida que desenvolvemos o hábito da leitura e a prática de
redigir, automaticamente aprimoramos essas competências, e logo Palavras oxítonas:
nos adequamos à forma padrão. Acentuam-se todas as oxítonas terminadas em: “a”, “e”, “o”,
“em”, seguidas ou não do plural(s): Pará – café(s) – cipó(s) – ar-
Regras básicas – Acentuação tônica mazém(s)
Essa regra também é aplicada aos seguintes casos:
A acentuação tônica implica na intensidade com que são pro- Monossílabos tônicos terminados em “a”, “e”, “o”, seguidos
nunciadas as sílabas das palavras. Aquela que se dá de forma mais ou não de “s”. Ex.: pá – pé – dó – há
acentuada, conceitua-se como sílaba tônica. As demais, como são Formas verbais terminadas em “a”, “e”, “o” tônicos, seguidas
pronunciadas com menos intensidade, são denominadas de átonas. de lo, la, los, las. Ex. respeitá-lo – percebê-lo – compô-lo

Didatismo e Conhecimento 81
LÍNGUA PORTUGUESA
Paroxítonas: 3-) Espero que ele dê o recado à sala.
Acentuam-se as palavras paroxítonas terminadas em: Esperamos que os garotos deem o recado!
- i, is : táxi – lápis – júri 4-) Rubens vê tudo!
- us, um, uns : vírus – álbuns – fórum Eles veem tudo!
- l, n, r, x, ps : automóvel – elétron - cadáver – tórax – fórceps
- ã, ãs, ão, ãos : ímã – ímãs – órfão – órgãos * Cuidado! Há o verbo vir:
-- Dica da Zê!: Memorize a palavra LINURXÃO. Para quê? Ele vem à tarde!
Repare que essa palavra apresenta as terminações das paroxítonas Eles vêm à tarde!
que são acentuadas: L, I N, U (aqui inclua UM = fórum), R, X, Ã,
ÃO. Assim ficará mais fácil a memorização! Não se acentuam o “i” e o “u” que formam hiato quando se-
guidos, na mesma sílaba, de l, m, n, r ou z. Ra-ul, ru-im, con-tri-
-ditongo oral, crescente ou decrescente, seguido ou não de -bu-in-te, sa-ir, ju-iz
“s”: água – pônei – mágoa – jóquei Não se acentuam as letras “i” e “u” dos hiatos se estiverem
seguidas do dígrafo nh. Ex: ra-i-nha, ven-to-i-nha.
Regras especiais: Não se acentuam as letras “i” e “u” dos hiatos se vierem pre-
cedidas de vogal idêntica: xi-i-ta, pa-ra-cu-u-ba
Os ditongos de pronúncia aberta “ei”, “oi” (ditongos abertos), As formas verbais que possuíam o acento tônico na raiz, com
que antes eram acentuados, perderam o acento de acordo com a “u” tônico precedido de “g” ou “q” e seguido de “e” ou “i” não
nova regra, mas desde que estejam em palavras paroxítonas. serão mais acentuadas. Ex.:
* Cuidado: Se os ditongos abertos estiverem em uma palavra Antes Depois
oxítona (herói) ou monossílaba (céu) ainda são acentuados. Ex.: apazigúe (apaziguar) apazigue
herói, céu, dói, escarcéu. averigúe (averiguar) averigue
argúi (arguir) argui
Antes Agora
assembléia assembleia Acentuam-se os verbos pertencentes à terceira pessoa do plu-
idéia ideia
ral de: ele tem – eles têm / ele vem – eles vêm (verbo vir)
geléia geleia
jibóia jiboia
A regra prevalece também para os verbos conter, obter, reter,
apóia (verbo apoiar) apoia
deter, abster.
paranóico paranoico
ele contém – eles contêm
ele obtém – eles obtêm
Quando a vogal do hiato for “i” ou “u” tônicos, acompanha-
ele retém – eles retêm
dos ou não de “s”, haverá acento. Ex.: saída – faísca – baú – país
– Luís ele convém – eles convêm

Observação importante: Não se acentuam mais as palavras homógrafas que antes eram
Não serão mais acentuados “i” e “u” tônicos, formando hiato acentuadas para diferenciá-las de outras semelhantes (regra do
quando vierem depois de ditongo: Ex.: acento diferencial). Apenas em algumas exceções, como:
Antes Agora A forma verbal pôde (terceira pessoa do singular do pretérito
bocaiúva bocaiuva perfeito do modo indicativo) ainda continua sendo acentuada para
feiúra feiura diferenciar-se de pode (terceira pessoa do singular do presente do
Sauípe Sauipe indicativo). Ex:
Ela pode fazer isso agora.
O acento pertencente aos encontros “oo” e “ee” foi abolido. Ex.: Elvis não pôde participar porque sua mão não deixou...
Antes Agora
crêem creem O mesmo ocorreu com o verbo pôr para diferenciar da pre-
lêem leem posição por.
vôo voo - Quando, na frase, der para substituir o “por” por “colocar”,
enjôo enjoo estaremos trabalhando com um verbo, portanto: “pôr”; nos outros
casos, “por” preposição. Ex:
- Agora memorize a palavra CREDELEVÊ. São os verbos Faço isso por você.
que, no plural, dobram o “e”, mas que não recebem mais acento Posso pôr (colocar) meus livros aqui?
como antes: CRER, DAR, LER e VER.
Questões sobre Acentuação Gráfica
Repare:
1-) O menino crê em você 01. (TJ/SP – AGENTE DE FISCALIZAÇÃO JUDICIÁRIA
Os meninos creem em você. – VUNESP/2010) Assinale a alternativa em que as palavras são
2-) Elza lê bem! acentuadas graficamente pelos mesmos motivos que justificam,
Todas leem bem! respectivamente, as acentuações de: década, relógios, suíços.

Didatismo e Conhecimento 82
LÍNGUA PORTUGUESA
(A) flexíveis, cartório, tênis. 09. (IBAMA – TÉCNICO ADMINISTRATIVO – CES-
(B) inferência, provável, saída. PE/2012) As palavras “pó”, “só” e “céu” são acentuadas de acordo
(C) óbvio, após, países. com a mesma regra de acentuação gráfica.
(D) islâmico, cenário, propôs. (...) CERTO ( ) ERRADO
(E) república, empresária, graúda.
GABARITO
02. (TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO
PAULO - ESCREVENTE TÉCNICO JUDICIÁRIO – VU- 01. E 02. D 03. E 04. C 05. E
NESP/2013) Assinale a alternativa com as palavras acentuadas 06. C 07. D 08. B 09. E
segundo as regras de acentuação, respectivamente, de intercâmbio
e antropológico. RESOLUÇÃO
(A) Distúrbio e acórdão.
(B) Máquina e jiló. 1-) Década = proparoxítona / relógios = paroxítona terminada
(C) Alvará e Vândalo. em ditongo / suíços = regra do hiato
(D) Consciência e características. (A) flexíveis e cartório = paroxítonas terminadas em ditongo /
(E) Órgão e órfãs. tênis = paroxítona terminada em “i” (seguida de “s”)
(B) inferência = paroxítona terminada em ditongo / provável
03. (TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO ACRE – = paroxítona terminada em “l” / saída = regra do hiato
TÉCNICO EM MICROINFORMÁTICA - CESPE/2012) As pa- (C) óbvio = paroxítona terminada em ditongo / após = oxítona
lavras “conteúdo”, “calúnia” e “injúria” são acentuadas de acordo terminada em “o” + “s” / países = regra do hiato
com a mesma regra de acentuação gráfica. (D) islâmico = proparoxítona / cenário = paroxítona termina-
( ) CERTO ( ) ERRADO da em ditongo / propôs = oxítona terminada em “o” + “s”
(E) república = proparoxítona / empresária = paroxítona ter-
04. (TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MINAS minada em ditongo / graúda = regra do hiato
GERAIS – OFICIAL JUDICIÁRIO – FUNDEP/2010) Assinale a 2-) Para que saibamos qual alternativa assinalar, primeiro te-
afirmativa em que se aplica a mesma regra de acentuação.
mos que classificar as palavras do enunciado quanto à posição de
A) tevê – pôde – vê
sua sílaba tônica:
B) únicas – histórias – saudáveis
Intercâmbio = paroxítona terminada em ditongo; Antropológi-
C) indivíduo – séria – noticiários
co = proparoxítona (todas são acentuadas). Agora, vamos à análise
D) diário – máximo – satélite
dos itens apresentados:
(A) Distúrbio = paroxítona terminada em ditongo; acórdão =
05. (ANATEL – TÉCNICO ADMINISTRATIVO – CES-
PE/2012) Nas palavras “análise” e “mínimos”, o emprego do acen- paroxítona terminada em “ão”
to gráfico tem justificativas gramaticais diferentes. (B) Máquina = proparoxítona; jiló = oxítona terminada em
(...) CERTO ( ) ERRADO “o”
(C) Alvará = oxítona terminada em “a”; Vândalo = proparo-
06. (ANCINE – TÉCNICO ADMINISTRATIVO – CES- xítona
PE/2012) Os vocábulos “indivíduo”, “diária” e “paciência” rece- (D) Consciência = paroxítona terminada em ditongo; caracte-
bem acento gráfico com base na mesma regra de acentuação grá- rísticas = proparoxítona
fica. (E) Órgão e órfãs = ambas: paroxítona terminada em “ão” e
(...) CERTO ( ) ERRADO “ã”, respectivamente.

07. (BACEN – TÉCNICO DO BANCO CENTRAL – CES- 3-) “Conteúdo” é acentuada seguindo a regra do hiato; calúnia
GRANRIO/2010) As palavras que se acentuam pelas mesmas re- = paroxítona terminada em ditongo; injúria = paroxítona termina-
gras de “conferência”, “razoável”, “países” e “será”, respectiva- da em ditongo.
mente, são RESPOSTA: “ERRADO”.
a) trajetória, inútil, café e baú.
b) exercício, balaústre, níveis e sofá. 4-)
c) necessário, túnel, infindáveis e só. A) tevê – pôde – vê
d) médio, nível, raízes e você. Tevê = oxítona terminada em “e”; pôde (pretérito perfeito do
e) éter, hífen, propôs e saída. Indicativo) = acento diferencial (que ainda prevalece após o Novo
Acordo Ortográfico) para diferenciar de “pode” – presente do In-
08. (CORREIOS – CARTEIRO – CESPE/2011) São acen- dicativo; vê = monossílaba terminada em “e”
tuados graficamente de acordo com a mesma regra de acentuação B) únicas – histórias – saudáveis
gráfica os vocábulos Únicas = proparoxítona; história = paroxítona terminada em
A) também e coincidência. ditongo; saudáveis = paroxítona terminada em ditongo.
B) quilômetros e tivéssemos. C) indivíduo – séria – noticiários
C) jogá-la e incrível. Indivíduo = paroxítona terminada em ditongo; séria = paro-
D) Escócia e nós. xítona terminada em ditongo; noticiários = paroxítona terminada
E) correspondência e três. em ditongo.

Didatismo e Conhecimento 83
LÍNGUA PORTUGUESA
D) diário – máximo – satélite CONCORDÂNCIA NOMINAL E VERBAL
Diário = paroxítona terminada em ditongo; máximo = propa-
roxítona; satélite = proparoxítona. Ao falarmos sobre a concordância verbal, estamos nos re-
5-) Análise = proparoxítona / mínimos = proparoxítona. Am- ferindo à relação de dependência estabelecida entre um termo e
bas são acentuadas pela mesma regra (antepenúltima sílaba é tôni- outro mediante um contexto oracional. Desta feita, os agentes
ca, “mais forte”). principais desse processo são representados pelo sujeito, que no
RESPOSTA: “ERRADO”. caso funciona como subordinante; e o verbo, o qual desempenha a
função de subordinado.
6-) Indivíduo = paroxítona terminada em ditongo; diária = pa- Dessa forma, temos que a concordância verbal caracteriza-se
roxítona terminada em ditongo; paciência = paroxítona terminada pela adaptação do verbo, tendo em vista os quesitos “número e
em ditongo. Os três vocábulos são acentuados devido à mesma pessoa” em relação ao sujeito. Exemplificando, temos: O aluno
regra. chegou atrasado. Temos que o verbo apresenta-se na terceira pes-
RESPOSTA: “CERTO”. soa do singular, pois faz referência a um sujeito, assim também
expresso (ele). Como poderíamos também dizer: os alunos chega-
7-) Vamos classificar as palavras do enunciado: ram atrasados.
1-) Conferência = paroxítona terminada em ditongo
2-) razoável = paroxítona terminada em “l’ Casos referentes a sujeito simples
3-) países = regra do hiato
4-) será = oxítona terminada em “a” 1) Em caso de sujeito simples, o verbo concorda com o núcleo
em número e pessoa: O aluno chegou atrasado.
a) trajetória, inútil, café e baú.
Trajetória = paroxítona terminada em ditongo; inútil = paroxí- 2) Nos casos referentes a sujeito representado por substantivo
tona terminada em “l’; café = oxítona terminada em “e” coletivo, o verbo permanece na terceira pessoa do singular: A
b) exercício, balaústre, níveis e sofá. multidão, apavorada, saiu aos gritos.
Exercício = paroxítona terminada em ditongo; balaústre = Observação:
regra do hiato; níveis = paroxítona terminada em “i + s”; sofá =
- No caso de o coletivo aparecer seguido de adjunto adnomi-
oxítona terminada em “a”.
nal no plural, o verbo permanecerá no singular ou poderá ir para
c) necessário, túnel, infindáveis e só.
o plural:
Necessário = paroxítona terminada em ditongo; túnel = paro-
Uma multidão de pessoas saiu aos gritos.
xítona terminada em “l’; infindáveis = paroxítona terminada em “i
Uma multidão de pessoas saíram aos gritos.
+ s”; só = monossílaba terminada em “o”.
d) médio, nível, raízes e você.
3) Quando o sujeito é representado por expressões partitivas,
Médio = paroxítona terminada em ditongo; nível = paroxítona
terminada em “l’; raízes = regra do hiato; será = oxítona terminada representadas por “a maioria de, a maior parte de, a metade de,
em “a”. uma porção de” entre outras, o verbo tanto pode concordar com o
e) éter, hífen, propôs e saída. núcleo dessas expressões quanto com o substantivo que a segue:
Éter = paroxítona terminada em “r”; hífen = paroxítona ter- A maioria dos alunos resolveu ficar. A maioria dos alunos resol-
minada em “n”; propôs = oxítona terminada em “o + s”; saída = veram ficar.
regra do hiato.
4) No caso de o sujeito ser representado por expressões apro-
8-) ximativas, representadas por “cerca de, perto de”, o verbo concor-
A) também e coincidência. da com o substantivo determinado por elas: Cerca de mil candida-
Também = oxítona terminada em “e + m”; coincidência = pa- tos se inscreveram no concurso.
roxítona terminada em ditongo
B) quilômetros e tivéssemos. 5) Em casos em que o sujeito é representado pela expressão
Quilômetros = proparoxítona; tivéssemos = proparoxítona “mais de um”, o verbo permanece no singular: Mais de um candi-
C) jogá-la e incrível. dato se inscreveu no concurso de piadas.
Oxítona terminada em “a”; incrível = paroxítona terminada Observação:
em “l’ - No caso da referida expressão aparecer repetida ou associada
D) Escócia e nós. a um verbo que exprime reciprocidade, o verbo, necessariamente,
Escócia = paroxítona terminada em ditongo; nós = monossíla- deverá permanecer no plural:
ba terminada em “o + s” Mais de um aluno, mais de um professor contribuíram na
E) correspondência e três. campanha de doação de alimentos.
Correspondência = paroxítona terminada em ditongo; três = Mais de um formando se abraçaram durante as solenidades
monossílaba terminada em “e + s” de formatura.

9-) Pó = monossílaba terminada em “o”; só = monossílaba 6) Quando o sujeito for composto da expressão “um dos que”,
terminada em “o”; céu = monossílaba terminada em ditongo aber- o verbo permanecerá no plural: Esse jogador foi um dos que atua-
to “éu”. ram na Copa América.
RESPOSTA: “ERRADO”.

Didatismo e Conhecimento 84
LÍNGUA PORTUGUESA
7) Em casos relativos à concordância com locuções pronomi- Casos referentes a sujeito composto
nais, representadas por “algum de nós, qual de vós, quais de vós,
alguns de nós”, entre outras, faz-se necessário nos atermos a 1) Nos casos relativos a sujeito composto de pessoas grama-
duas questões básicas: ticais diferentes, o verbo deverá ir para o plural, estando relaciona-
- No caso de o primeiro pronome estar expresso no plural, do a dois pressupostos básicos:
o verbo poderá com ele concordar, como poderá também con- - Quando houver a 1ª pessoa, esta prevalecerá sobre as de-
cordar com o pronome pessoal: Alguns de nós o receberemos. / mais: Eu, tu e ele faremos um lindo passeio.
Alguns de nós o receberão. - Quando houver a 2ª pessoa, o verbo poderá flexionar na 2ª ou
- Quando o primeiro pronome da locução estiver expresso na 3ª pessoa: Tu e ele sois primos. Tu e ele são primos.
no singular, o verbo permanecerá, também, no singular: Algum
de nós o receberá. 2) Nos casos em que o sujeito composto aparecer anteposto ao
verbo, este permanecerá no plural: O pai e seus dois filhos compa-
receram ao evento.
8) No caso de o sujeito aparecer representado pelo pronome
“quem”, o verbo permanecerá na terceira pessoa do singular ou 3) No caso em que o sujeito aparecer posposto ao verbo, este
poderá concordar com o antecedente desse pronome: Fomos poderá concordar com o núcleo mais próximo ou permanecer no
nós quem contou toda a verdade para ela. / Fomos nós quem plural: Compareceram ao evento o pai e seus dois filhos. Compa-
contamos toda a verdade para ela. receu ao evento o pai e seus dois filhos.

9) Em casos nos quais o sujeito aparece realçado pela pala- 4) Nos casos relacionados a sujeito simples, porém com mais
vra “que”, o verbo deverá concordar com o termo que antecede de um núcleo, o verbo deverá permanecer no singular: Meu esposo
essa palavra: Nesta empresa somos nós que tomamos as decisões. e grande companheiro merece toda a felicidade do mundo.
/ Em casa sou eu que decido tudo. 5) Casos relativos a sujeito composto de palavras sinônimas
10) No caso de o sujeito aparecer representado por expres- ou ordenado por elementos em gradação, o verbo poderá permane-
sões que indicam porcentagens, o verbo concordará com o nu- cer no singular ou ir para o plural: Minha vitória, minha conquista,
meral ou com o substantivo a que se refere essa porcentagem: minha premiação são frutos de meu esforço. / Minha vitória, mi-
50% dos funcionários aprovaram a decisão da diretoria. / 50% nha conquista, minha premiação é fruto de meu esforço.
do eleitorado apoiou a decisão.
Concordância nominal é o ajuste que fazemos aos demais
Observações: termos da oração para que concordem em gênero e número com o
substantivo. Teremos que alterar, portanto, o artigo, o adjetivo, o
- Caso o verbo apareça anteposto à expressão de porcenta-
numeral e o pronome. Além disso, temos também o verbo, que se
gem, esse deverá concordar com o numeral: Aprovaram a deci-
flexionará à sua maneira.
são da diretoria 50% dos funcionários. Regra geral: O artigo, o adjetivo, o numeral e o pronome con-
- Em casos relativos a 1%, o verbo permanecerá no singular: cordam em gênero e número com o substantivo.
1% dos funcionários não aprovou a decisão da diretoria. - A pequena criança é uma gracinha.
- Em casos em que o numeral estiver acompanhado de deter- - O garoto que encontrei era muito gentil e simpático.
minantes no plural, o verbo permanecerá no plural: Os 50% dos
funcionários apoiaram a decisão da diretoria. Casos especiais: Veremos alguns casos que fogem à regra ge-
ral mostrada acima.
11) Nos casos em que o sujeito estiver representado por pro- a) Um adjetivo após vários substantivos
nomes de tratamento, o verbo deverá ser empregado na terceira - Substantivos de mesmo gênero: adjetivo vai para o plural ou
pessoa do singular ou do plural: Vossas Majestades gostaram concorda com o substantivo mais próximo.
das homenagens. Vossa Majestade agradeceu o convite. - Irmão e primo recém-chegado estiveram aqui.
- Irmão e primo recém-chegados estiveram aqui.
12) Casos relativos a sujeito representado por substantivo
próprio no plural se encontram relacionados a alguns aspectos - Substantivos de gêneros diferentes: vai para o plural mascu-
que os determinam: lino ou concorda com o substantivo mais próximo.
- Diante de nomes de obras no plural, seguidos do verbo ser, - Ela tem pai e mãe louros.
- Ela tem pai e mãe loura.
este permanece no singular, contanto que o predicativo também
- Adjetivo funciona como predicativo: vai obrigatoriamente
esteja no singular: Memórias póstumas de Brás Cubas é uma
para o plural.
criação de Machado de Assis. - O homem e o menino estavam perdidos.
- Nos casos de artigo expresso no plural, o verbo também - O homem e sua esposa estiveram hospedados aqui.
permanece no plural: Os Estados Unidos são uma potência mun-
dial. b) Um adjetivo anteposto a vários substantivos
- Casos em que o artigo figura no singular ou em que ele nem - Adjetivo anteposto normalmente concorda com o mais pró-
aparece, o verbo permanece no singular: Estados Unidos é uma ximo.
potência mundial. Comi delicioso almoço e sobremesa.
Provei deliciosa fruta e suco.

Didatismo e Conhecimento 85
LÍNGUA PORTUGUESA
- Adjetivo anteposto funcionando como predicativo: concorda k) Tal Qual
com o mais próximo ou vai para o plural. - “Tal” concorda com o antecedente, “qual” concorda com o
Estavam feridos o pai e os filhos. consequente.
Estava ferido o pai e os filhos. As garotas são vaidosas tais qual a tia.
Os pais vieram fantasiados tais quais os filhos.
c) Um substantivo e mais de um adjetivo
- antecede todos os adjetivos com um artigo. l) Possível
Falava fluentemente a língua inglesa e a espanhola. - Quando vem acompanhado de “mais”, “menos”, “melhor”
ou “pior”, acompanha o artigo que precede as expressões.
- coloca o substantivo no plural. A mais possível das alternativas é a que você expôs.
Falava fluentemente as línguas inglesa e espanhola. Os melhores cargos possíveis estão neste setor da empresa.
As piores situações possíveis são encontradas nas favelas da
d) Pronomes de tratamento cidade.
- sempre concordam com a 3ª pessoa.
Vossa Santidade esteve no Brasil. m) Meio
- Como advérbio: invariável.
e) Anexo, incluso, próprio, obrigado Estou meio (um pouco) insegura.
- Concordam com o substantivo a que se referem.
As cartas estão anexas. - Como numeral: segue a regra geral.
A bebida está inclusa. Comi meia (metade) laranja pela manhã.
Precisamos de nomes próprios.
Obrigado, disse o rapaz. n) Só
f) Um(a) e outro(a), num(a) e noutro(a) - apenas, somente (advérbio): invariável.
- Após essas expressões o substantivo fica sempre no singular Só consegui comprar uma passagem.
e o adjetivo no plural.
Renato advogou um e outro caso fáceis.
- sozinho (adjetivo): variável.
Pusemos numa e noutra bandeja rasas o peixe.
Estiveram sós durante horas.
g) É bom, é necessário, é proibido
Fonte:
- Essas expressões não variam se o sujeito não vier precedido
http://www.brasilescola.com/gramatica/concordancia-verbal.
de artigo ou outro determinante.
htm
Canja é bom. / A canja é boa.
É necessário sua presença. / É necessária a sua presença.
É proibido entrada de pessoas não autorizadas. / A entrada Questões sobre Concordância Nominal e Verbal
é proibida.
01.(TRE/AL – TÉCNICO JUDICIÁRIO – FCC/2010) A con-
h) Muito, pouco, caro cordância verbal e nominal está inteiramente correta na frase:
- Como adjetivos: seguem a regra geral. (A) A sociedade deve reconhecer os princípios e valores que
Comi muitas frutas durante a viagem. determinam as escolhas dos governantes, para conferir legitimida-
Pouco arroz é suficiente para mim. de a suas decisões.
Os sapatos estavam caros. (B) A confiança dos cidadãos em seus dirigentes devem ser
embasados na percepção dos valores e princípios que regem a prá-
- Como advérbios: são invariáveis. tica política.
Comi muito durante a viagem. (C) Eleições livres e diretas é garantia de um verdadeiro regi-
Pouco lutei, por isso perdi a batalha. me democrático, em que se respeita tanto as liberdades individuais
Comprei caro os sapatos. quanto as coletivas.
i) Mesmo, bastante (D) As instituições fundamentais de um regime democrático
- Como advérbios: invariáveis não pode estar subordinado às ordens indiscriminadas de um único
Preciso mesmo da sua ajuda. poder central.
Fiquei bastante contente com a proposta de emprego. (E) O interesse de todos os cidadãos estão voltados para o
momento eleitoral, que expõem as diferentes opiniões existentes
- Como pronomes: seguem a regra geral. na sociedade.
Seus argumentos foram bastantes para me convencer.
Os mesmos argumentos que eu usei, você copiou. 02. (Agente Técnico – FCC – 2013). As normas de concordân-
cia verbal e nominal estão inteiramente respeitadas em:
j) Menos, alerta A) Alguns dos aspectos mais desejáveis de uma boa leitura,
- Em todas as ocasiões são invariáveis. que satisfaça aos leitores e seja veículo de aprimoramento intelec-
Preciso de menos comida para perder peso. tual, estão na capacidade de criação do autor, mediante palavras,
Estamos alerta para com suas chamadas. sua matéria-prima.

Didatismo e Conhecimento 86
LÍNGUA PORTUGUESA
B) Obras que se considera clássicas na literatura sempre deli- 05. (FUNDAÇÃO CASA/SP - AGENTE ADMINISTRATI-
neia novos caminhos, pois é capaz de encantar o leitor ao ultrapassar VO - VUNESP/2011 - ADAPTADA) Observe as frases do texto:
os limites da época em que vivem seus autores, gênios no domínio I. Cerca de 75 por cento dos países obtêm nota negativa...
das palavras, sua matéria-prima. II. ... à Venezuela, de Chávez, que obtém a pior classifica-
C) A palavra, matéria-prima de poetas e romancistas, lhe per- ção do continente americano (2,0)...
mitem criar todo um mundo de ficção, em que personagens se trans- Assim como ocorre com o verbo “obter” nas frases I e II, a
formam em seres vivos a acompanhar os leitores, numa verdadeira concordância segue as mesmas regras, na ordem dos exemplos,
interação com a realidade. em:
D) As possibilidades de comunicação entre autor e leitor so- (A) Todas as pessoas têm boas perspectivas para o próximo
mente se realiza plenamente caso haja afinidade de ideias entre am- ano. Será que alguém tem opinião diferente da maioria?
bos, o que permite, ao mesmo tempo, o crescimento intelectual deste (B) Vem muita gente prestigiar as nossas festas juninas. Vêm
último e o prazer da leitura. pessoas de muito longe para brincar de quadrilha.
E) Consta, na literatura mundial, obras-primas que constitui lei- (C) Pouca gente quis voltar mais cedo para casa. Quase todos
tura obrigatória e se tornam referências por seu conteúdo que ultra- quiseram ficar até o nascer do sol na praia.
passa os limites de tempo e de época. (D) Existem pessoas bem intencionadas por aqui, mas tam-
bém existem umas que não merecem nossa atenção.
03. (Escrevente TJ-SP – Vunesp/2012) Leia o texto para res-
(E) Aqueles que não atrapalham muito ajudam.
ponder à questão.
_________dúvidas sobre o crescimento verde. Primeiro, não
06. (TRF - 5ª REGIÃO - TÉCNICO JUDICIÁRIO -
está claro até onde pode realmente chegar uma política baseada em
melhorar a eficiência sem preços adequados para o carbono, a água FCC/2012) Os folheteiros vivem em feiras, mercados, praças e
e (na maioria dos países pobres) a terra. É verdade que mesmo que locais de peregrinação.
a ameaça dos preços do carbono e da água em si ___________dife- O verbo da frase acima NÃO pode ser mantido no plural caso
rença, as companhias não podem suportar ter de pagar, de repente, o segmento grifado seja substituído por:
digamos, 40 dólares por tonelada de carbono, sem qualquer prepa- (A) Há folheteiros que
ração. Portanto, elas começam a usar preços- -sombra. Ainda (B) A maior parte dos folheteiros
assim, ninguém encontrou até agora uma maneira de quantificar (C) O folheteiro e sua família
adequadamente os insumos básicos. E sem eles a maioria das polí- (D) O grosso dos folheteiros
ticas de crescimento verde sempre ___________ a segunda opção. (E) Cada um dos folheteiros
(Carta Capital, 27.06.2012.
Adaptado) 07. (TRF - 5ª REGIÃO - TÉCNICO JUDICIÁRIO -
FCC/2012) Todas as formas verbais estão corretamente flexiona-
De acordo com a norma-padrão da língua portuguesa, as lacu- das em:
nas do texto devem ser preenchidas, correta e respectivamente, com: (A) Enquanto não se disporem a considerar o cordel sem pre-
(A) Restam… faça… será conceitos, as pessoas não serão capazes de fruir dessas criações
(B) Resta… faz… será poéticas tão originais.
(C) Restam… faz... serão (B) Ainda que nem sempre detenha o mesmo status atribuído
(D) Restam… façam… serão à arte erudita, o cordel vem sendo estudado hoje nas melhores uni-
(E) Resta… fazem… será versidades do país.
(C) Rodolfo Coelho Cavalcante deve ter percebido que a si-
04 (Escrevente TJ SP – Vunesp/2012) Assinale a alternativa em tuação dos cordelistas não mudaria a não ser que eles mesmos re-
que o trecho quizessem o respeito que faziam por merecer.
– Ainda assim, ninguém encontrou até agora uma maneira de (D) Se não proveem do preconceito, a desvalorização e a pou-
quantificar adequadamente os insumos básicos.– está corretamente ca visibilidade dessa arte popular tão rica só pode ser resultado do
reescrito, de acordo com a norma-padrão da língua portuguesa.
puro e simples desconhecimento.
(A) Ainda assim, temos certeza que ninguém encontrou até
(E) Rodolfo Coelho Cavalcante entreveu que os problemas
agora uma maneira adequada de se quantificar os insumos básicos.
dos cordelistas estavam diretamente ligados à falta de represen-
(B) Ainda assim, temos certeza de que ninguém encontrou até
tatividade.
agora uma maneira adequada de os insumos básicos ser quantifica-
dos.
(C) Ainda assim, temos certeza que ninguém encontrou até 08. (TRF - 4ª REGIÃO – TÉCNICO JUDICIÁRIO –
agora uma maneira adequada para que os insumos básicos sejam FCC/2010) Observam-se corretamente as regras de concordância
quantificado. verbal e nominal em:
(D) Ainda assim, temos certeza de que ninguém encontrou a) O desenraizamento, não só entre intelectuais como entre
até agora uma maneira adequada para que os insumos básicos seja os mais diversos tipos de pessoas, das mais sofisticadas às mais
quantificado. humildes, são cada vez mais comuns nos dias de hoje.
(E) Ainda assim, temos certeza de que ninguém encontrou até b) A importância de intelectuais como Edward Said e Tony
agora uma maneira adequada de se quantificarem os insumos bási- Judt, que não se furtaram ao debate sobre questões polêmicas de
cos. seu tempo, não estão apenas nos livros que escreveram.

Didatismo e Conhecimento 87
LÍNGUA PORTUGUESA
c) Nada indica que o conflito no Oriente Médio entre árabes 2-)
e judeus, responsável por tantas mortes e tanto sofrimento, este- A) Alguns dos aspectos mais desejáveis de uma boa leitura,
jam próximos de serem resolvidos ou pelo menos de terem alguma que satisfaça aos leitores e seja veículo de aprimoramento intelec-
trégua. tual, estão na capacidade de criação do autor, mediante palavras,
d) Intelectuais que têm compromisso apenas com a verdade, ain- sua matéria-prima. = correta
da que conscientes de que esta é até certo ponto relativa, costumam B) Obras que se consideram clássicas na literatura sempre
encontrar muito mais detratores que admiradores. delineiam novos caminhos, pois são capazes de encantar o leitor
e) No final do século XX já não se via muitos intelectuais e es- ao ultrapassarem os limites da época em que vivem seus autores,
critores como Edward Said, que não apenas era notícia pelos livros gênios no domínio das palavras, sua matéria-prima.
que publicavam como pelas posições que corajosamente assumiam. C) A palavra, matéria-prima de poetas e romancistas, lhes per-
mite criar todo um mundo de ficção, em que personagens se trans-
09. (TRF - 2ª REGIÃO - TÉCNICO JUDICIÁRIO - FCC/2012) formam em seres vivos a acompanhar os leitores, numa verdadeira
O verbo que, dadas as alterações entre parênteses propostas para o interação com a realidade.
segmento grifado, deverá ser colocado no plural, está em:
D) As possibilidades de comunicação entre autor e leitor so-
(A) Não há dúvida de que o estilo de vida... (dúvidas)
mente se realizam plenamente caso haja afinidade de ideias entre
(B) O que não se sabe... (ninguém nas regiões do planeta)
ambos, o que permite, ao mesmo tempo, o crescimento intelectual
(C) O consumo mundial não dá sinal de trégua... (O consumo
deste último e o prazer da leitura.
mundial de barris de petróleo)
(D) Um aumento elevado no preço do óleo reflete-se no custo da E) Constam, na literatura mundial, obras-primas que consti-
matéria-prima... (Constantes aumentos) tuem leitura obrigatória e se tornam referências por seu conteúdo
(E) o tema das mudanças climáticas pressiona os esforços mun- que ultrapassa os limites de tempo e de época.
diais... (a preocupação em torno das mudanças climáticas) 3-) _Restam___dúvidas
10. (CETESB/SP – ESCRITURÁRIO - VUNESP/2013) Assi- mesmo que a ameaça dos preços do carbono e da água em
nale a alternativa em que a concordância das formas verbais destaca- si __faça __diferença
das está de acordo com a norma-padrão da língua. a maioria das políticas de crescimento verde sempre ____
(A) Fazem dez anos que deixei de trabalhar em higienização será_____ a segunda opção.
subterrânea. Em “a maioria de”, a concordância pode ser dupla: tanto no
(B) Ainda existe muitas pessoas que discriminam os trabalhado- plural quanto no singular. Nas alternativas não há “restam/faça/
res da área de limpeza. serão”, portanto a A é que apresenta as opções adequadas.
(C) No trabalho em meio a tanta sujeira, havia altos riscos de se
contrair alguma doença. 4-)
(D) Eu passava a manhã no subterrâneo: quando era sete da ma- (A) Ainda assim, temos certeza de que ninguém encontrou até
nhã, eu já estava fazendo meu serviço. agora uma maneira adequada de se quantificar os insumos básicos.
(E) As companhias de limpeza, apenas recentemente, começou (B) Ainda assim, temos certeza de que ninguém encontrou até
a adotar medidas mais rigorosas para a proteção de seus funcionários. agora uma maneira adequada de os insumos básicos serem quan-
tificados.
GABARITO (C) Ainda assim, temos certeza de que ninguém encontrou até
agora uma maneira adequada para que os insumos básicos sejam
01. A 02. A 03. A 04. E 05. A quantificados.
06. E 07. |B 08. D 09. D 10. C (D) Ainda assim, temos certeza de que ninguém encontrou até
agora uma maneira adequada para que os insumos básicos sejam
RESOLUÇÃO quantificados.
(E) Ainda assim, temos certeza de que ninguém encontrou até
1-) Fiz os acertos entre parênteses:
agora uma maneira adequada de se quantificarem os insumos bá-
(A) A sociedade deve reconhecer os princípios e valores que de-
sicos. = correta
terminam as escolhas dos governantes, para conferir legitimidade a
suas decisões.
(B) A confiança dos cidadãos em seus dirigentes devem (deve) 5-) Em I, obtêm está no plural; em II, no singular. Vamos aos
ser embasados (embasada) na percepção dos valores e princípios que itens:
regem a prática política. (A) Todas as pessoas têm (plural) ... Será que alguém tem (sin-
(C) Eleições livres e diretas é (são) garantia de um verdadeiro gular)
regime democrático, em que se respeita (respeitam) tanto as liberda- (B) Vem (singular) muita gente... Vêm pessoas (plural)
des individuais quanto as coletivas. (C) Pouca gente quis (singular)... Quase todos quiseram (plu-
(D) As instituições fundamentais de um regime democrático ral)
não pode (podem) estar subordinado (subordinadas) às ordens indis- (D) Existem (plural) pessoas ... mas também existem umas
criminadas de um único poder central. (plural)
(E) O interesse de todos os cidadãos estão (está) voltados (E) Aqueles que não atrapalham muito ajudam (ambas as for-
(voltado) para o momento eleitoral, que expõem (expõe) as dife- mas estão no plural)
rentes opiniões existentes na sociedade.

Didatismo e Conhecimento 88
LÍNGUA PORTUGUESA
6-) 10-) Fiz as correções:
A - Há folheteiros que vivem (concorda com o objeto “folhe- (A) Fazem dez anos = faz (sentido de tempo = singular)
terios”) (B) Ainda existe muitas pessoas = existem
B – A maior parte dos folheteiros vivem/vive (opcional) (C) No trabalho em meio a tanta sujeira, havia altos riscos
C – O folheteiro e sua família vivem (sujeito composto) (D) Eu passava a manhã no subterrâneo: quando era sete da
D – O grosso dos folheteiros vive/vivem (opcional) manhã = eram
E – Cada um dos folheteiros vive = somente no singular (E) As companhias de limpeza, apenas recentemente, come-
çou = começaram
7-) Coloquei entre parênteses a forma verbal correta:
(A) Enquanto não se disporem (dispuserem) a considerar o REGÊNCIA NOMINAL E VERBAL
cordel sem preconceitos, as pessoas não serão capazes de fruir des-
sas criações poéticas tão originais. Dá-se o nome de regência à relação de subordinação que
(B) Ainda que nem sempre detenha o mesmo status atribuído ocorre entre um verbo (ou um nome) e seus complementos. Ocu-
à arte erudita, o cordel vem sendo estudado hoje nas melhores uni- pa-se em estabelecer relações entre as palavras, criando frases não
versidades do país. ambíguas, que expressem efetivamente o sentido desejado, que
(C) Rodolfo Coelho Cavalcante deve ter percebido que a si- sejam corretas e claras.
tuação dos cordelistas não mudaria a não ser que eles mesmos re-
quizessem (requeressem) o respeito que faziam por merecer. Regência Verbal
(D) Se não proveem (provêm) do preconceito, a desvaloriza-
ção e a pouca visibilidade dessa arte popular tão rica só pode (po- Termo Regente: VERBO
dem) ser resultado do puro e simples desconhecimento.
(E) Rodolfo Coelho Cavalcante entreveu (entreviu) que os A regência verbal estuda a relação que se estabelece entre os
verbos e os termos que os complementam (objetos diretos e obje-
problemas dos cordelistas estavam diretamente ligados à falta de
tos indiretos) ou caracterizam (adjuntos adverbiais).
representatividade.
O estudo da regência verbal permite-nos ampliar nossa capa-
cidade expressiva, pois oferece oportunidade de conhecermos as
8-) Fiz as correções entre parênteses:
diversas significações que um verbo pode assumir com a simples
a) O desenraizamento, não só entre intelectuais como entre
mudança ou retirada de uma preposição. Observe:
os mais diversos tipos de pessoas, das mais sofisticadas às mais
A mãe agrada o filho. -> agradar significa acariciar, contentar.
humildes, são (é) cada vez mais comuns (comum) nos dias de hoje.
A mãe agrada ao filho. -> agradar significa “causar agrado ou
b) A importância de intelectuais como Edward Said e Tony
prazer”, satisfazer.
Judt, que não se furtaram ao debate sobre questões polêmicas de Logo, conclui-se que “agradar alguém” é diferente de “agra-
seu tempo, não estão (está) apenas nos livros que escreveram. dar a alguém”.
c) Nada indica que o conflito no Oriente Médio entre árabes e
judeus, responsável por tantas mortes e tanto sofrimento, estejam Saiba que:
(esteja) próximos (próximo) de serem (ser) resolvidos (resolvido) O conhecimento do uso adequado das preposições é um dos
ou pelo menos de terem (ter) alguma trégua. aspectos fundamentais do estudo da regência verbal (e também
d) Intelectuais que têm compromisso apenas com a verdade, nominal). As preposições são capazes de modificar completamente
ainda que conscientes de que esta é até certo ponto relativa, costu- o sentido do que se está sendo dito. Veja os exemplos:
mam encontrar muito mais detratores que admiradores.
e) No final do século XX já não se via (viam) muitos intelec- Cheguei ao metrô.
tuais e escritores como Edward Said, que não apenas era (eram) Cheguei no metrô.
notícia pelos livros que publicavam como pelas posições que co-
rajosamente assumiam. No primeiro caso, o metrô é o lugar a que vou; no segundo
caso, é o meio de transporte por mim utilizado. A oração “Cheguei
9-) no metrô”, popularmente usada a fim de indicar o lugar a que se
(A) Não há dúvida de que o estilo de vida... (dúvidas) = “há” vai, possui, no padrão culto da língua, sentido diferente. Aliás, é
permaneceria no singular muito comum existirem divergências entre a regência coloquial,
(B) O que não se sabe ... (ninguém nas regiões do planeta) = cotidiana de alguns verbos, e a regência culta.
“sabe” permaneceria no singular Para estudar a regência verbal, agruparemos os verbos de
(C) O consumo mundial não dá sinal de trégua ... (O consumo acordo com sua transitividade. A transitividade, porém, não é um
mundial de barris de petróleo) = “dá” permaneceria no singular fato absoluto: um mesmo verbo pode atuar de diferentes formas
(D) Um aumento elevado no preço do óleo reflete-se no custo em frases distintas.
da matéria-prima... Constantes aumentos) = “reflete” passaria para
“refletem-se” Verbos Intransitivos
(E) o tema das mudanças climáticas pressiona os esforços
mundiais... (a preocupação em torno das mudanças climáticas) = Os verbos intransitivos não possuem complemento. É impor-
“pressiona” permaneceria no singular tante, no entanto, destacar alguns detalhes relativos aos adjuntos
adverbiais que costumam acompanhá-los.

Didatismo e Conhecimento 89
LÍNGUA PORTUGUESA
- Chegar, Ir - Obedecer e Desobedecer - Possuem seus complementos in-
Normalmente vêm acompanhados de adjuntos adverbiais de troduzidos pela preposição “a”:
lugar. Na língua culta, as preposições usadas para indicar destino Devemos obedecer aos nossos princípios e ideais.
ou direção são: a, para. Eles desobedeceram às leis do trânsito.
Fui ao teatro. - Responder - Tem complemento introduzido pela preposição
Adjunto Adverbial de Lugar “a”. Esse verbo pede objeto indireto para indicar “a quem” ou “ao
que” se responde.
Ricardo foi para a Espanha. Respondi ao meu patrão.
Adjunto Adverbial de Lugar Respondemos às perguntas.
Respondeu-lhe à altura.
- Comparecer
O adjunto adverbial de lugar pode ser introduzido por em ou a. Obs.: o verbo responder, apesar de transitivo indireto quando
Comparecemos ao estádio (ou no estádio) para ver o último exprime aquilo a que se responde, admite voz passiva analítica.
jogo. Veja:
O questionário foi respondido corretamente.
Verbos Transitivos Diretos Todas as perguntas foram respondidas satisfatoriamente.

Os verbos transitivos diretos são complementados por objetos - Simpatizar e Antipatizar - Possuem seus complementos in-
diretos. Isso significa que não exigem preposição para o estabele- troduzidos pela preposição “com”.
cimento da relação de regência. Ao empregar esses verbos, deve- Antipatizo com aquela apresentadora.
mos lembrar que os pronomes oblíquos o, a, os, as atuam como Simpatizo com os que condenam os políticos que governam
objetos diretos. Esses pronomes podem assumir as formas lo, los, para uma minoria privilegiada.
la, las (após formas verbais terminadas em -r, -s ou -z) ou no, na, Verbos Transitivos Diretos e Indiretos
nos, nas (após formas verbais terminadas em sons nasais), enquan-
to lhe e lhes são, quando complementos verbais, objetos indiretos. Os verbos transitivos diretos e indiretos são acompanhados de
São verbos transitivos diretos, dentre outros: abandonar, um objeto direto e um indireto. Merecem destaque, nesse grupo:
abençoar, aborrecer, abraçar, acompanhar, acusar, admirar, ado- Agradecer, Perdoar e Pagar. São verbos que apresentam objeto
rar, alegrar, ameaçar, amolar, amparar, auxiliar, castigar, con- direto relacionado a coisas e objeto indireto relacionado a pessoas.
denar, conhecer, conservar,convidar, defender, eleger, estimar, Veja os exemplos:
humilhar, namorar, ouvir, prejudicar, prezar, proteger, respeitar, Agradeço aos ouvintes a audiência.
socorrer, suportar, ver, visitar. Objeto Indireto Objeto Direto
Na língua culta, esses verbos funcionam exatamente como o
verbo amar: Paguei o débito ao cobrador.
Amo aquele rapaz. / Amo-o. Objeto Direto Objeto Indireto
Amo aquela moça. / Amo-a.
Amam aquele rapaz. / Amam-no. - O uso dos pronomes oblíquos átonos deve ser feito com par-
Ele deve amar aquela mulher. / Ele deve amá-la. ticular cuidado. Observe:
Agradeci o presente. / Agradeci-o.
Obs.: os pronomes lhe, lhes só acompanham esses verbos para Agradeço a você. / Agradeço-lhe.
indicar posse (caso em que atuam como adjuntos adnominais). Perdoei a ofensa. / Perdoei-a.
Quero beijar-lhe o rosto. (= beijar seu rosto) Perdoei ao agressor. / Perdoei-lhe.
Prejudicaram-lhe a carreira. (= prejudicaram sua carreira) Paguei minhas contas. / Paguei-as.
Conheço-lhe o mau humor! (= conheço seu mau humor) Paguei aos meus credores. / Paguei-lhes.

Verbos Transitivos Indiretos Informar


- Apresenta objeto direto ao se referir a coisas e objeto indireto
Os verbos transitivos indiretos são complementados por obje- ao se referir a pessoas, ou vice-versa.
tos indiretos. Isso significa que esses verbos exigem uma preposi- Informe os novos preços aos clientes.
ção para o estabelecimento da relação de regência. Os pronomes Informe os clientes dos novos preços. (ou sobre os novos pre-
pessoais do caso oblíquo de terceira pessoa que podem atuar como ços)
objetos indiretos são o “lhe”, o “lhes”, para substituir pessoas. Não
se utilizam os pronomes o, os, a, as como complementos de verbos - Na utilização de pronomes como complementos, veja as
transitivos indiretos. Com os objetos indiretos que não represen- construções:
tam pessoas, usam-se pronomes oblíquos tônicos de terceira pes- Informei-os aos clientes. / Informei-lhes os novos preços.
soa (ele, ela) em lugar dos pronomes átonos lhe, lhes. Informe-os dos novos preços. / Informe-os deles. (ou sobre
Os verbos transitivos indiretos são os seguintes: eles)
- Consistir - Tem complemento introduzido pela preposição
“em”: A modernidade verdadeira consiste em direitos iguais para Obs.: a mesma regência do verbo informar é usada para os
todos. seguintes: avisar, certificar, notificar, cientificar, prevenir.

Didatismo e Conhecimento 90
LÍNGUA PORTUGUESA
Comparar ASPIRAR
Quando seguido de dois objetos, esse verbo admite as preposi- - Aspirar é transitivo direto no sentido de sorver, inspirar (o
ções “a” ou “com” para introduzir o complemento indireto. ar), inalar: Aspirava o suave aroma. (Aspirava-o)
Comparei seu comportamento ao (ou com o) de uma criança. - Aspirar é transitivo indireto no sentido de desejar, ter como
Pedir ambição: Aspirávamos a melhores condições de vida. (Aspiráva-
Esse verbo pede objeto direto de coisa (geralmente na forma mos a elas)
de oração subordinada substantiva) e indireto de pessoa.
Pedi-lhe favores. Obs.: como o objeto direto do verbo “aspirar” não é pessoa,
Objeto Indireto Objeto Direto mas coisa, não se usam as formas pronominais átonas “lhe” e
“lhes” e sim as formas tônicas “a ele (s)”, “ a ela (s)”. Veja o exem-
Pedi-lhe que se mantivesse em silêncio. plo: Aspiravam a uma existência melhor. (= Aspiravam a ela)
Objeto Indireto Oração Subordinada Substantiva
Objetiva Direta ASSISTIR
- Assistir é transitivo direto no sentido de ajudar, prestar assis-
Saiba que: tência a, auxiliar. Por exemplo:
- A construção “pedir para”, muito comum na linguagem As empresas de saúde negam-se a assistir os idosos.
cotidiana, deve ter emprego muito limitado na língua culta. No As empresas de saúde negam-se a assisti-los.
entanto, é considerada correta quando a palavra licença estiver su-
bentendida. - Assistir é transitivo indireto no sentido de ver, presenciar,
Peço (licença) para ir entregar-lhe os catálogos em casa. estar presente, caber, pertencer. Exemplos:
Observe que, nesse caso, a preposição “para” introduz uma Assistimos ao documentário.
oração subordinada adverbial final reduzida de infinitivo (para ir Não assisti às últimas sessões.
entregar-lhe os catálogos em casa). Essa lei assiste ao inquilino.
- A construção “dizer para”, também muito usada popular- Obs.: no sentido de morar, residir, o verbo “assistir” é intran-
mente, é igualmente considerada incorreta. sitivo, sendo acompanhado de adjunto adverbial de lugar introdu-
zido pela preposição “em”: Assistimos numa conturbada cidade.
Preferir
Na língua culta, esse verbo deve apresentar objeto indireto in- CHAMAR
troduzido pela preposição “a”. Por Exemplo: - Chamar é transitivo direto no sentido de convocar, solicitar a
Prefiro qualquer coisa a abrir mão de meus ideais. atenção ou a presença de.
Prefiro trem a ônibus. Por gentileza, vá chamar sua prima. / Por favor, vá chamá-la.
Chamei você várias vezes. / Chamei-o várias vezes.
Obs.: na língua culta, o verbo “preferir” deve ser usado sem
termos intensificadores, tais como: muito, antes, mil vezes, um mi- - Chamar no sentido de denominar, apelidar pode apresentar
lhão de vezes, mais. A ênfase já é dada pelo prefixo existente no objeto direto e indireto, ao qual se refere predicativo preposicio-
próprio verbo (pre). nado ou não.
A torcida chamou o jogador mercenário.
Mudança de Transitividade X Mudança de Significado A torcida chamou ao jogador mercenário.
A torcida chamou o jogador de mercenário.
Há verbos que, de acordo com a mudança de transitividade, A torcida chamou ao jogador de mercenário.
apresentam mudança de significado. O conhecimento das diferen-
tes regências desses verbos é um recurso linguístico muito impor- CUSTAR
tante, pois além de permitir a correta interpretação de passagens - Custar é intransitivo no sentido de ter determinado valor ou
escritas, oferece possibilidades expressivas a quem fala ou escre- preço, sendo acompanhado de adjunto adverbial: Frutas e verdu-
ve. Dentre os principais, estão: ras não deveriam custar muito.

AGRADAR - No sentido de ser difícil, penoso, pode ser intransitivo ou


- Agradar é transitivo direto no sentido de fazer carinhos, aca- transitivo indireto.
riciar.
Sempre agrada o filho quando o revê. / Sempre o agrada Muito custa viver tão longe da família.
quando o revê. Verbo Oração Subordinada Substantiva Subjetiva
Cláudia não perde oportunidade de agradar o gato. / Cláudia Intransitivo Reduzida de Infinitivo
não perde oportunidade de agradá-lo.
Custa-me (a mim) crer que tomou realmente aquela ati-
- Agradar é transitivo indireto no sentido de causar agrado a, tude.
satisfazer, ser agradável a. Rege complemento introduzido pela Objeto Oração Subordinada Substantiva Sub-
preposição “a”. jetiva
O cantor não agradou aos presentes. Indireto Reduzida de Infinitivo
O cantor não lhes agradou.

Didatismo e Conhecimento 91
LÍNGUA PORTUGUESA
Obs.: a Gramática Normativa condena as construções que atri- No 1º caso, os verbos são transitivos diretos, ou seja, exigem
buem ao verbo “custar” um sujeito representado por pessoa. Observe: complemento sem preposição: Ele esqueceu o livro.
Custei para entender o problema. No 2º caso, os verbos são pronominais (-se, -me, etc) e exigem
Forma correta: Custou-me entender o problema. complemento com a preposição “de”. São, portanto, transitivos in-
diretos:
IMPLICAR - Ele se esqueceu do caderno.
- Como transitivo direto, esse verbo tem dois sentidos: - Eu me esqueci da chave.
a) dar a entender, fazer supor, pressupor: Suas atitudes implica- - Eles se esqueceram da prova.
vam um firme propósito. - Nós nos lembramos de tudo o que aconteceu.
b) Ter como consequência, trazer como consequência, acarretar, pro-
vocar: Liberdade de escolha implica amadurecimento político de um povo. Há uma construção em que a coisa esquecida ou lembrada passa a
funcionar como sujeito e o verbo sofre leve alteração de sentido. É uma
- Como transitivo direto e indireto, significa comprometer, envol-
construção muito rara na língua contemporânea, porém, é fácil encon-
ver: Implicaram aquele jornalista em questões econômicas.
trá-la em textos clássicos tanto brasileiros como portugueses. Machado
de Assis, por exemplo, fez uso dessa construção várias vezes.
Obs.: no sentido de antipatizar, ter implicância, é transitivo indi-
- Esqueceu-me a tragédia. (cair no esquecimento)
reto e rege com preposição “com”: Implicava com quem não traba-
lhasse arduamente. - Lembrou-me a festa. (vir à lembrança)

PROCEDER O verbo lembrar também pode ser transitivo direto e indireto


- Proceder é intransitivo no sentido de ser decisivo, ter cabimen- (lembrar alguma coisa a alguém ou alguém de alguma coisa).
to, ter fundamento ou portar-se, comportar-se, agir. Nessa segunda
acepção, vem sempre acompanhado de adjunto adverbial de modo. SIMPATIZAR
As afirmações da testemunha procediam, não havia como refu- Transitivo indireto e exige a preposição “com”: Não simpatizei
tá-las. com os jurados.
Você procede muito mal.
NAMORAR
- Nos sentidos de ter origem, derivar-se (rege a preposição” de”) É transitivo direto, ou seja, não admite preposição: Maria na-
e fazer, executar (rege complemento introduzido pela preposição “a”) mora João.
é transitivo indireto.
O avião procede de Maceió. Obs: Não é correto dizer: “Maria namora com João”.
Procedeu-se aos exames.
O delegado procederá ao inquérito. OBEDECER
É transitivo indireto, ou seja, exige complemento com a preposi-
QUERER ção “a” (obedecer a): Devemos obedecer aos pais.
- Querer é transitivo direto no sentido de desejar, ter vontade de,
cobiçar. Obs: embora seja transitivo indireto, esse verbo pode ser usado
Querem melhor atendimento. na voz passiva: A fila não foi obedecida.
Queremos um país melhor.
VER
- Querer é transitivo indireto no sentido de ter afeição, estimar,
É transitivo direto, ou seja, não exige preposição: Ele viu o filme.
amar.
Quero muito aos meus amigos.
Regência Nominal
Ele quer bem à linda menina.
É o nome da relação existente entre um nome (substantivo, ad-
Despede-se o filho que muito lhe quer.
jetivo ou advérbio) e os termos regidos por esse nome. Essa relação
VISAR é sempre intermediada por uma preposição. No estudo da regência
- Como transitivo direto, apresenta os sentidos de mirar, fazer nominal, é preciso levar em conta que vários nomes apresentam exa-
pontaria e de pôr visto, rubricar. tamente o mesmo regime dos verbos de que derivam. Conhecer o
O homem visou o alvo. regime de um verbo significa, nesses casos, conhecer o regime dos
O gerente não quis visar o cheque. nomes cognatos. Observe o exemplo: Verbo obedecer e os nomes
correspondentes: todos regem complementos introduzidos pela pre-
- No sentido de ter em vista, ter como meta, ter como objetivo, é posição a. Veja:
transitivo indireto e rege a preposição “a”. Obedecer a algo/ a alguém.
O ensino deve sempre visar ao progresso social. Obediente a algo/ a alguém.
Prometeram tomar medidas que visassem ao bem-estar público.
Apresentamos a seguir vários nomes acompanhados da pre-
ESQUECER – LEMBRAR posição ou preposições que os regem. Observe-os atentamente e
- Lembrar algo – esquecer algo procure, sempre que possível, associar esses nomes entre si ou a
- Lembrar-se de algo – esquecer-se de algo (pronominal) algum verbo cuja regência você conhece.

Didatismo e Conhecimento 92
LÍNGUA PORTUGUESA
Substantivos
Admiração a, por Devoção a, para, com, por Medo a, de
Aversão a, para, por Doutor em Obediência a
Atentado a, contra Dúvida acerca de, em, sobre Ojeriza a, por
Bacharel em Horror a Proeminência sobre
Capacidade de, para Impaciência com Respeito a, com, para com, por

Adjetivos
Acessível a Diferente de Necessário a
Acostumado a, com Entendido em Nocivo a
Afável com, para com Equivalente a Paralelo a
Agradável a Escasso de Parco em, de
Alheio a, de Essencial a, para Passível de
Análogo a Fácil de Preferível a
Ansioso de, para, por Fanático por Prejudicial a
Apto a, para Favorável a Prestes a
Ávido de Generoso com Propício a
Benéfico a Grato a, por Próximo a
Capaz de, para Hábil em Relacionado com
Compatível com Habituado a Relativo a
Contemporâneo a, de Idêntico a Satisfeito com, de, em, por
Contíguo a Impróprio para Semelhante a
Contrário a Indeciso em Sensível a
Curioso de, por Insensível a Sito em
Descontente com Liberal com Suspeito de
Desejoso de Natural de Vazio de

Advérbios
Longe de Perto de

Obs.: os advérbios terminados em -mente tendem a seguir o regime dos adjetivos de que são formados: paralela a; paralelamente a;
relativa a; relativamente a.

Fonte: http://www.soportugues.com.br/secoes/sint/sint61.php

Questões sobre Regência Nominal e Verbal

01. (Administrador – FCC – 2013-adap.).


... a que ponto a astronomia facilitou a obra das outras ciências ...
O verbo que exige o mesmo tipo de complemento que o grifado acima está empregado em:
A) ...astros que ficam tão distantes ...
B) ...que a astronomia é uma das ciências ...
C) ...que nos proporcionou um espírito ...
D) ...cuja importância ninguém ignora ...
E) ...onde seu corpo não passa de um ponto obscuro ...

02.(Agente de Apoio Administrativo – FCC – 2013-adap.).


... pediu ao delegado do bairro que desse um jeito nos filhos do sueco.
O verbo que exige, no contexto, o mesmo tipo de complementos que o grifado acima está empregado em:
A) ...que existe uma coisa chamada exército...
B) ...como se isso aqui fosse casa da sogra?
C) ...compareceu em companhia da mulher à delegacia...
D) Eu ensino o senhor a cumprir a lei, ali no duro...
E) O delegado apenas olhou-a espantado com o atrevimento.

Didatismo e Conhecimento 93
LÍNGUA PORTUGUESA
03.(Agente de Defensoria Pública – FCC – 2013-adap.). (D) A menina não tinha orgulho sob o fato de ter se perdido
... constava simplesmente de uma vareta quebrada em partes de sua família.
desiguais... (E) A família toda se organizou para realizar a procura à ga-
O verbo que exige o mesmo tipo de complemento que o grifa- rotinha.
do acima está empregado em:
A) Em campos extensos, chegavam em alguns casos a extre- 07. (Analista de Sistemas – VUNESP – 2013). Assinale a al-
mos de sutileza. ternativa que completa, correta e respectivamente, as lacunas do
B) ...eram comumente assinalados a golpes de machado nos texto, de acordo com as regras de regência.
troncos mais robustos. Os estudos _______ quais a pesquisadora se reportou já assi-
C) Os toscos desenhos e os nomes estropiados desorientam, nalavam uma relação entre os distúrbios da imagem corporal e a
não raro, quem... exposição a imagens idealizadas pela mídia.
D) Koch-Grünberg viu uma dessas marcas de caminho na ser- A pesquisa faz um alerta ______ influência negativa que a
ra de Tunuí... mídia pode exercer sobre os jovens.
E) ...em que tão bem se revelam suas afinidades com o gentio, A) dos … na
mestre e colaborador... B) nos … entre a
C) aos … para a
04. (Agente Técnico – FCC – 2013-adap.). D) sobre os … pela
... para lidar com as múltiplas vertentes da justiça... E) pelos … sob a
O verbo que exige o mesmo tipo de complemento que o da
frase acima se encontra em: 08. (Analista em Planejamento, Orçamento e Finanças Públi-
A) A palavra direito, em português, vem de directum, do ver- cas – VUNESP – 2013). Considerando a norma-padrão da língua,
bo latino dirigere... assinale a alternativa em que os trechos destacados estão corretos
B) ...o Direito tem uma complexa função de gestão das socie- quanto à regência, verbal ou nominal.
dades... A) O prédio que o taxista mostrou dispunha de mais de dez
C) ...o de que o Direito [...] esteja permeado e regulado pela mil tomadas.
justiça. B) O autor fez conjecturas sob a possibilidade de haver um
D) Essa problematicidade não afasta a força das aspirações homem que estaria ouvindo as notas de um oboé.
da justiça... C) Centenas de trabalhadores estão empenhados de criar lo-
E) Na dinâmica dessa tensão tem papel relevante o sentimento gotipos e negociar.
de justiça. D) O taxista levou o autor a indagar no número de tomadas
do edifício.
05. (Escrevente TJ SP – Vunesp 2012) Assinale a alternativa E) A corrida com o taxista possibilitou que o autor reparasse
em que o período, adaptado da revista Pesquisa Fapesp de junho de a um prédio na marginal.
2012, está correto quanto à regência nominal e à pontuação.
(A) Não há dúvida que as mulheres ampliam, rapidamente, 09. (Assistente de Informática II – VUNESP – 2013). Assinale
seu espaço na carreira científica ainda que o avanço seja mais no- a alternativa que substitui a expressão destacada na frase, confor-
tável em alguns países, o Brasil é um exemplo, do que em outros. me as regras de regência da norma-padrão da língua e sem altera-
(B) Não há dúvida de que, as mulheres, ampliam rapidamente ção de sentido.
seu espaço na carreira científica; ainda que o avanço seja mais no- Muitas organizações lutaram a favor da igualdade de direitos
tável, em alguns países, o Brasil é um exemplo!, do que em outros. dos trabalhadores domésticos.
(C) Não há dúvida de que as mulheres, ampliam rapidamente A) da
seu espaço, na carreira científica, ainda que o avanço seja mais no- B) na
tável, em alguns países: o Brasil é um exemplo, do que em outros. C) pela
(D) Não há dúvida de que as mulheres ampliam rapidamen- D) sob a
te seu espaço na carreira científica, ainda que o avanço seja mais E) sobre a
notável em alguns países – o Brasil é um exemplo – do que em
outros. GABARITO
(E) Não há dúvida que as mulheres ampliam rapidamente, seu
espaço na carreira científica, ainda que, o avanço seja mais notável 01. D 02. D 03. A 04. A 05. D
em alguns países (o Brasil é um exemplo) do que em outros. 06. A 07. C 08. A 09. C

06. (Papiloscopista Policial – VUNESP – 2013). Assinale a RESOLUÇÃO


alternativa correta quanto à regência dos termos em destaque.
(A) Ele tentava convencer duas senhoras a assumir a respon- 1-) ... a que ponto a astronomia facilitou a obra das outras
sabilidade pelo problema. ciências ...
(B) A menina tinha o receio a levar uma bronca por ter se Facilitar – verbo transitivo direto
perdido. A) ...astros que ficam tão distantes ... = verbo de ligação
(C) A garota tinha apenas a lembrança pelo desenho de um B) ...que a astronomia é uma das ciências ... = verbo de li-
índio na porta do prédio. gação

Didatismo e Conhecimento 94
LÍNGUA PORTUGUESA
C) ...que nos proporcionou um espírito ... = verbo transitivo 7-) Os estudos aos quais a pesquisadora se reportou já
direto e indireto assinalavam uma relação entre os distúrbios da imagem corporal e
E) ...onde seu corpo não passa de um ponto obscuro = verbo a exposição a imagens idealizadas pela mídia.
transitivo indireto A pesquisa faz um alerta para a influência negativa que a mídia
pode exercer sobre os jovens.
2-) ... pediu ao delegado do bairro que desse um jeito nos fi-
lhos do sueco. 8-)
Pedir = verbo transitivo direto e indireto B) O autor fez conjecturas sobre a possibilidade de haver um ho-
A) ...que existe uma coisa chamada EXÉRCITO... = transi- mem que estaria ouvindo as notas de um oboé.
tivo direto C) Centenas de trabalhadores estão empenhados em criar logoti-
B) ...como se isso aqui fosse casa da sogra? =verbo de ligação pos e negociar.
C) ...compareceu em companhia da mulher à delegacia... D) O taxista levou o autor a indagar sobre o número de tomadas
=verbo intransitivo do edifício.
E) O delegado apenas olhou-a espantado com o atrevimento. E) A corrida com o taxista possibilitou que o autor reparasse em
=transitivo direto um prédio na marginal.

3-) ... constava simplesmente de uma vareta quebrada em par- 9-) Muitas organizações lutaram pela igualdade de direitos dos
tes desiguais... trabalhadores domésticos.
Constar = verbo intransitivo
B) ...eram comumente assinalados a golpes de machado nos SIGNIFICAÇÃO DAS PALAVRAS
troncos mais robustos. =ligação
C) Os toscos desenhos e os nomes estropiados desorientam, Significação das Palavras
não raro, quem... =transitivo direto
D) Koch-Grünberg viu uma dessas marcas de caminho na ser- Quanto à significação, as palavras são divididas nas seguintes
ra de Tunuí... = transitivo direto categorias:
E) ...em que tão bem se revelam suas afinidades com o gentio,
mestre e colaborador...=transitivo direto Sinônimos: são palavras de sentido igual ou aproximado. Exem-
plo:
- Alfabeto, abecedário.
4-) ... para lidar com as múltiplas vertentes da justiça...
- Brado, grito, clamor.
Lidar = transitivo indireto
- Extinguir, apagar, abolir, suprimir.
B) ...o Direito tem uma complexa função de gestão das socie-
- Justo, certo, exato, reto, íntegro, imparcial.
dades... =transitivo direto
C) ...o de que o Direito [...] esteja permeado e regulado pela
Na maioria das vezes não é indiferente usar um sinônimo pelo
justiça. =ligação outro. Embora irmanados pelo sentido comum, os sinônimos diferen-
D) Essa problematicidade não afasta a força das aspirações da ciam-se, entretanto, uns dos outros, por matizes de significação e certas
justiça... =transitivo direto e indireto propriedades que o escritor não pode desconhecer. Com efeito, estes
E) Na dinâmica dessa tensão tem papel relevante o sentimento têm sentido mais amplo, aqueles, mais restrito (animal e quadrúpede);
de justiça. =transitivo direto uns são próprios da fala corrente, desataviada, vulgar, outros, ao invés,
pertencem à esfera da linguagem culta, literária, científica ou poética
5-) A correção do item deve respeitar as regras de pontuação (orador e tribuno, oculista e oftalmologista, cinzento e cinéreo).
também. Assinalei apenas os desvios quanto à regência (pontua- A contribuição Greco-latina é responsável pela existência, em
ção encontra-se em tópico específico) nossa língua, de numerosos pares de sinônimos. Exemplos:
(A) Não há dúvida de que as mulheres ampliam, - Adversário e antagonista.
(B) Não há dúvida de que (erros quanto à pontuação) - Translúcido e diáfano.
(C) Não há dúvida de que as mulheres, (erros quanto à - Semicírculo e hemiciclo.
pontuação) - Contraveneno e antídoto.
(E) Não há dúvida de que as mulheres ampliam rapidamente, - Moral e ética.
seu espaço na carreira científica, ainda que, o avanço seja mais no- - Colóquio e diálogo.
tável em alguns países (o Brasil é um exemplo) do que em outros. - Transformação e metamorfose.
- Oposição e antítese.
6-)
(B) A menina tinha o receio de levar uma bronca por ter se O fato linguístico de existirem sinônimos chama-se sinonímia,
perdido. palavra que também designa o emprego de sinônimos.
(C) A garota tinha apenas a lembrança do desenho de um índio
na porta do prédio. Antônimos: são palavras de significação oposta. Exemplos:
(D) A menina não tinha orgulho do fato de ter se perdido de - Ordem e anarquia.
sua família. - Soberba e humildade.
(E) A família toda se organizou para realizar a procura pela - Louvar e censurar.
garotinha. - Mal e bem.

Didatismo e Conhecimento 95
LÍNGUA PORTUGUESA
A antonímia pode originar-se de um prefixo de sentido oposto ceder), comprimento e cumprimento, deferir (conceder, dar defe-
ou negativo. Exemplos: Bendizer/maldizer, simpático/antipático, rimento) e diferir (ser diferente, divergir, adiar), ratificar (confir-
progredir/regredir, concórdia/discórdia, explícito/implícito, ativo/ mar) e retificar (tornar reto, corrigir), vultoso (volumoso, muito
inativo, esperar/desesperar, comunista/anticomunista, simétrico/ grande: soma vultosa) e vultuoso (congestionado: rosto vultuoso).
assimétrico, pré-nupcial/pós-nupcial.
Polissemia: Uma palavra pode ter mais de uma significação.
Homônimos: são palavras que têm a mesma pronúncia, e às A esse fato linguístico dá-se o nome de polissemia. Exemplos:
vezes a mesma grafia, mas significação diferente. Exemplos: - Mangueira: tubo de borracha ou plástico para regar as plan-
- São (sadio), são (forma do verbo ser) e são (santo). tas ou apagar incêndios; árvore frutífera; grande curral de gado.
- Aço (substantivo) e asso (verbo). - Pena: pluma, peça de metal para escrever; punição; dó.
Só o contexto é que determina a significação dos homônimos. - Velar: cobrir com véu, ocultar, vigiar, cuidar, relativo ao véu
A homonímia pode ser causa de ambiguidade, por isso é conside- do palato.
rada uma deficiência dos idiomas. Podemos citar ainda, como exemplos de palavras polissêmi-
O que chama a atenção nos homônimos é o seu aspecto fônico cas, o verbo dar e os substantivos linha e ponto, que têm dezenas
(som) e o gráfico (grafia). Daí serem divididos em: de acepções.

Sentido Próprio e Sentido Figurado: as palavras podem ser


Homógrafos Heterofônicos: iguais na escrita e diferentes no
empregadas no sentido próprio ou no sentido figurado. Exemplos:
timbre ou na intensidade das vogais.
- Construí um muro de pedra. (sentido próprio).
- Rego (substantivo) e rego (verbo).
- Ênio tem um coração de pedra. (sentido figurado).
- Colher (verbo) e colher (substantivo). - As águas pingavam da torneira, (sentido próprio).
- Jogo (substantivo) e jogo (verbo). - As horas iam pingando lentamente, (sentido figurado).
- Apoio (verbo) e apoio (substantivo).
- Para (verbo parar) e para (preposição). Denotação e Conotação: Observe as palavras em destaque
- Providência (substantivo) e providencia (verbo). nos seguintes exemplos:
- Às (substantivo), às (contração) e as (artigo). - Comprei uma correntinha de ouro.
- Pelo (substantivo), pelo (verbo) e pelo (contração de per+o). - Fulano nadava em ouro.
No primeiro exemplo, a palavra ouro denota ou designa sim-
Homófonos Heterográficos: iguais na pronúncia e diferentes plesmente o conhecido metal precioso, tem sentido próprio, real,
na escrita. denotativo.
- Acender (atear, pôr fogo) e ascender (subir). No segundo exemplo, ouro sugere ou evoca riquezas, poder,
- Concertar (harmonizar) e consertar (reparar, emendar). glória, luxo, ostentação; tem o sentido conotativo, possui várias
- Concerto (harmonia, sessão musical) e conserto (ato de con- conotações (ideias associadas, sentimentos, evocações que irra-
sertar). diam da palavra).
- Cegar (tornar cego) e segar (cortar, ceifar).
- Apreçar (determinar o preço, avaliar) e apressar (acelerar). Exercícios
- Cela (pequeno quarto), sela (arreio) e sela (verbo selar).
- Censo (recenseamento) e senso (juízo). 01. Estava ....... a ....... da guerra, pois os homens ....... nos
- Cerrar (fechar) e serrar (cortar). erros do passado.
- Paço (palácio) e passo (andar). a) eminente, deflagração, incidiram
- Hera (trepadeira) e era (época), era (verbo). b) iminente, deflagração, reincidiram
- Caça (ato de caçar), cassa (tecido) e cassa (verbo cassar = c) eminente, conflagração, reincidiram
anular). d) preste, conflaglação, incidiram
- Cessão (ato de ceder), seção (divisão, repartição) e sessão e) prestes, flagração, recindiram
(tempo de uma reunião ou espetáculo).
02. “Durante a ........ solene era ........ o desinteresse do mestre
diante da ....... demonstrada pelo político”.
Homófonos Homográficos: iguais na escrita e na pronúncia.
a) seção - fragrante - incipiência
- Caminhada (substantivo), caminhada (verbo). b) sessão - flagrante - insipiência
- Cedo (verbo), cedo (advérbio). c) sessão - fragrante - incipiência
- Somem (verbo somar), somem (verbo sumir). d) cessão - flagrante - incipiência
- Livre (adjetivo), livre (verbo livrar). e) seção - flagrante - insipiência
- Pomos (substantivo), pomos (verbo pôr).
- Alude (avalancha), alude (verbo aludir). 03. Na ..... plenária estudou-se a ..... de direitos territoriais a
..... .
Parônimos: são palavras parecidas na escrita e na pronúncia: a) sessão - cessão - estrangeiros
Coro e couro, cesta e sesta, eminente e iminente, tetânico e titâni- b) seção - cessão - estrangeiros
co, atoar e atuar, degradar e degredar, cético e séptico, prescrever c) secção - sessão - extrangeiros
e proscrever, descrição e discrição, infligir (aplicar) e infringir d) sessão - seção - estrangeiros
(transgredir), osso e ouço, sede (vontade de beber) e cede (verbo e) seção - sessão - estrangeiros

Didatismo e Conhecimento 96
LÍNGUA PORTUGUESA
04. Há uma alternativa errada. Assinale-a:
a) A eminente autoridade acaba de concluir uma viagem po-
3. PRODUÇÃO DE TEXTO (REDAÇÃO)
lítica.
b) A catástrofe torna-se iminente.
3.1. A PROVA DE REDAÇÃO EXIGIRÁ QUE
c) Sua ascensão foi rápida. O CANDIDATO PRODUZA UM TEXTO
d) Ascenderam o fogo rapidamente. ARGUMENTATIVO EM PROSA,
e) Reacendeu o fogo do entusiasmo. SEGUNDO A NORMA PADRÃO DA
LÍNGUA PORTUGUESA ESCRITA,
05. Há uma alternativa errada. Assinale-a: COM BASE EM UMA SITUAÇÃO
a) cozer = cozinhar; coser = costurar COMUNICATIVA DETERMINADA, EM UM
b) imigrar = sair do país; emigrar = entrar no país DOS SEGUINTES GÊNEROS: ARTIGO DE
c) comprimento = medida; cumprimento = saudação OPINIÃO OU CARTA ARGUMENTATIVA.
d) consertar = arrumar; concertar = harmonizar
e) chácara = sítio; xácara = verso

06. Assinale o item em que a palavra destacada está incorre-


tamente aplicada: Conceito
a) Trouxeram-me um ramalhete de flores fragrantes.
b) A justiça infligiu a pena merecida aos desordeiros. Entende‑se por Redação Oficial o conjunto de normas e prá-
c) Promoveram uma festa beneficiente para a creche. ticas que devem reger a emissão dos atos normativos e comuni-
d) Devemos ser fiéis ao cumprimento do dever. cações do poder público, entre seus diversos organismos ou nas
e) A cessão de terras compete ao Estado. relações dos órgãos públicos com as entidades e os cidadãos.
A Redação Oficial inscreve‑se na confluência de dois univer-
07. O ...... do prefeito foi ..... ontem. sos distintos: a forma rege‑se pelas ciências da linguagem (morfo-
a) mandado - caçado logia, sintaxe, semântica, estilística etc.); o conteúdo submete‑se
b) mandato - cassado aos princípios jurídico‑administrativos impostos à União, aos Es-
c) mandato - caçado tados e aos Municípios, nas esferas dos poderes Executivo, Legis-
d) mandado - casçado lativo e Judiciário.
e) mandado - cassado Pertencente ao campo da linguagem escrita, a Redação Oficial
deve ter as qualidades e características exigidas do texto escrito des-
08. Marque a alternativa cujas palavras preenchem correta- tinado à comunicação impessoal, objetiva, clara, correta e eficaz.
mente as respectivas lacunas, na frase seguinte: “Necessitando ...... Por ser “oficial”, expressão verbal dos atos do poder público,
o número do cartão do PIS, ...... a data de meu nascimento.” essa modalidade de redação ou de texto subordina‑se aos princí-
a) ratificar, proscrevi pios constitucionais e administrativos aplicáveis a todos os atos da
b) prescrever, discriminei administração pública, conforme estabelece o artigo 37 da Consti-
c) descriminar, retifiquei tuição Federal:
d) proscrever, prescrevi
e) retificar, ratifiquei “A administração pública direta e indireta de qualquer dos
Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municí-
09. “A ......... científica do povo levou-o a .... de feiticeiros os
pios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, mo-
..... em astronomia.”
ralidade, publicidade e eficiência ( ... )”.
a) insipiência tachar expertos
b) insipiência taxar expertos
A forma e o conteúdo da Redação Oficial devem convergir na
c) incipiência taxar espertos
produção dos textos dessa natureza, razão pela qual, muitas vezes,
d) incipiência tachar espertos
não há como separar uma do outro. Indicam‑se, a seguir, alguns
e) insipiência taxar espertos
pressupostos de como devem ser redigidos os textos oficiais.
10. Na oração: Em sua vida, nunca teve muito ......, apresen-
tava-se sempre ...... no ..... de tarefas ...... . As palavras adequadas Padrão culto do idioma
para preenchimento das lacunas são:
a) censo - lasso - cumprimento - eminentes A redação oficial deve observar o padrão culto do idioma quan-
b) senso - lasso - cumprimento - iminentes to ao léxico (seleção vocabular), à sintaxe (estrutura gramatical das
c) senso - laço - comprimento - iminentes orações) e à morfologia (ortografia, acentuação gráfica etc.).
d) senso - laço - cumprimento - eminentes Por padrão culto do idioma deve‑se entender a língua referen-
e) censo - lasso - comprimento - iminentes dada pelos bons gramáticos e pelo uso nas situações formais de
comunicação. Devem‑se excluir da Redagão Oficial a erudição mi-
Respostas: (01.B)(02.B)(03.A)(04.D)(05.B)(06.C)(07.B) nuciosa e os preciosismos vocabulares que criam entraves inúteis
(08.E)(09.A)(10.B) à compreensão do significado. Não faz sentido usar “perfunctório”
em lugar de “superficial” ou “doesto” em vez de “acusação” ou

Didatismo e Conhecimento 97
LÍNGUA PORTUGUESA
“calúnia”. São descabidos também as citações em língua estran- - Pleonasmo: Informação desnecessariamente redundante.
geira e os latinismos, tão ao gosto da linguagem forense. Os ma- Exemplos: As pessoas pobres, que não têm dinheiro, vivem na mi-
nuais de Redação Oficial, que vários órgãos têm feito publicar, séria; Os moralistas, que se preocupam com a moral, vivem vigiando
são unânimes em desaconselhar a utilização de certas formas sa- as outras pessoas.
cramentais, protocolares e de anacronismos que ainda se leem em
documentos oficiais, como: “No dia 20 de maio, do ano de 2011 do A Redação Oficial supõe, como receptor, um operador linguís-
nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo”, que permanecem nos tico dotado de um repertório vocabular e de uma articulação verbal
registros cartorários antigos. minimamente compatíveis com o registro médio da linguagem. Nes-
Não cabem também, nos textos oficiais, coloquialismos, neo- se sentido, deve ser um texto neutro, sem facilitações que intentem
logismos, regionalismos, bordões da fala e da linguagem oral, bem suprir as deficiências cognitivas de leitores precariamente alfabeti-
como as abreviações e imagens sígnicas comuns na comunicação zados.
eletrônica. Como exceção, citam‑se as campanhas e comunicados destina-
Diferentemente dos textos escolares, epistolares, jornalísticos dos a públicos específicos, que fazem uma aproximação com o regis-
ou artísticos, a Redação Oficial não visa ao efeito estético nem à tro linguístico do público‑alvo. Mas esse é um campo que refoge aos
originalidade. Ao contrário, impõe uniformidade, sobriedade, cla- objetivos deste material, para se inserir nos domínios e técnicas da
reza, objetividade, no sentido de se obter a maior compreensão propaganda e da persuasão.
possível com o mínimo de recursos expressivos necessários. Porta- Se o texto oficial não pode e não deve baixar ao nível de com-
rias lavradas sob forma poética, sentenças e despachos escritos em preensão de leitores precariamente equipados quanto à linguagem,
versos rimados pertencem ao “folclore” jurídico‑administrativo e fica evidente o falo de que a alfabetização e a capacidade de apreen-
são práticas inaceitáveis nos textos oficiais. São também inacei- são de enunciados são condições inerentes à cidadania. Ninguém é
táveis nos textos oficiais os vícios de linguagem, provocados por verdadeiramente cidadão se não consegue ler e compreender o que
descuido ou ignorância, que constituem desvios das normas da lín- leu. O domínio do idioma é equipamento indispensável à vida em
gua‑padrão. Enumeram‑se, a seguir, alguns desses vícios: sociedade.

- Barbarismos: São desvios: Impessoalidade e Objetividade


- da ortografia: “ advinhar” em vez de adivinhar; “excessão”
Ainda que possam ser subscritos por um ente público (funcioná-
em vez de exceção.
rio, servidor etc.), os textos oficiais são expressão do poder público e
- da pronúncia: “rúbrica” em vez de rubrica.
é em nome dele que o emissor se comunica, sempre nos termos da lei
- da morfologia: “interviu” em vez de interveio.
e sobre atos nela fundamentados.
- da semântica: desapercebido (sem recursos) em vez de des-
Não cabe na Redação Oficial, portanto, a presença do “eu” enun-
percebido (não percebido, sem ser notado).
ciador, de suas impressões subjetivas, sentimentos ou opiniões. Mes-
- pela utilização de estrangeirismos: galicismo (do francês):
mo quando o agente público manifesta‑se em primeira pessoa, em
“mise‑en‑scène” em vez de encenação; anglicismo (do inglês):
formas verbais comuns como: declaro, resolvo, determino, nomeio,
“delivery” em vez de entrega em domicílio. exonero etc., é nos termos da lei que ele o faz e é em função do cargo
que exerce que se identifica e se manifesta.
- Arcaísmos: Utilização de palavras ou expressões anacrôni- O que interessa é aquilo que se comunica, é o conteúdo, o objeto
cas, fora de uso. Ex.: “asinha” em vez de ligeira, depressa. da informação. A impessoalidade contribui para a necessária padro-
nização, reduzindo a variabilidade da linguagem a certos padrões,
- Neologismos: Palavras novas que, apesar de formadas de sem o que cada texto seria suscetível de inúmeras interpretações.
acordo com o sistema morfológico da língua, ainda não foram in- Por isso, a Redação Oficial não admite adjetivação. O adjetivo,
corporadas pelo idioma. Ex.: “imexível” em vez de imóvel, que ao qualificar, exprime opinião e evidencia um juízo de valor pessoal
não se pode mexer; “talqualmente” em vez de igualmente. do emissor. São inaceitáveis também a pontuação expressiva, que
amplia a significação (! ... ), ou o emprego de interjeições (Oh! Ah!),
- Solecismos: São os erros de sintaxe e podem ser: que funcionam como índices do envolvimento emocional do redator
- de concordância: “sobrou” muitas vagas em vez de sobra- com aquilo que está escrevendo.
ram. Se nos trabalhos artísticos, jornalísticos e escolares o estilo indi-
- de regência: os comerciantes visam apenas “o lucro” em vez vidual é estimulado e serve como diferencial das qualidades autorais,
de ao lucro. a função pública impõe a despersonalização do sujeito, do agente
- de colocação: “não tratava‑se” de um problema sério em vez público que emite a comunicação. São inadmissíveis, portanto, as
de não se tratava. marcas individualizadoras, as ousadias estilísticas, a linguagem me-
tafórica ou a elíptica e alusiva. A Redação Oficial prima pela deno-
- Ambiguidade: Duplo sentido não intencional. Ex.: O desco- tação, pela sintaxe clara e pela economia vocabular, ainda que essa
nhecido falou‑me de sua mãe. (Mãe de quem? Do desconhecido? regularidade imponha certa “monotonia burocrática” ao discurso.
Do interlocutor?) Reafirma‑se que a intermediação entre o emissor e o recep-
tor nas Redações Oficiais é o código linguístico, dentro do padrão
- Cacófato: Som desagradável, resultante da junção de duas culto do idioma; uma linguagem “neutra”, referendada pelas gra-
ou mais palavras da cadeia da frase. Ex.: Darei um prêmio por máticas, dicionários e pelo uso em situações formais, acima das
cada eleitor que votar em mim (por cada e porcada). diferenças individuais, regionais, de classes sociais e de níveis
de escolaridade.

Didatismo e Conhecimento 98
LÍNGUA PORTUGUESA
Formalidade e Padronização Entrementes, numa análise ainda que perfunctória das cau-
sas primeiras, que fundamentaram a proposição tempestivamen-
As comunicações oficiais impõem um tratamento polido e res- te encaminhada por Vossa Excelência, indispensável se faz uma
peitoso. Na tradição ibero‑americana, afeita a títulos e a tratamen- abordagem preliminar dos antecedentes imediatos, posto que estes
tos reverentes, a autoridade pública revela sua posição hierárquica antecedentes necessariamente antecedem os consequentes”.
por meio de formas e de pronomes de tratamento sacramentais.
“Excelentíssimo”, “Ilustríssimo”, “Meritíssimo”, “Reverendíssi- Observe que absolutamente nada foi dito ou informado.
mo” são vocativos que, em algumas instâncias do poder, torna-
ram‑se inevitáveis. Entenda­-se que essa solenidade tem por consi- As Comunicações Oficiais
deração o cargo, a função pública, e não a pessoa de seu exercente.
Vale lembrar que os pronomes de tratamento são obrigato- A redação das comunicações oficiais obedece a preceitos de
riamente regidos pela terceira pessoa. São erros muito comuns objetividade, concisão, clareza, impessoalidade, formalidade, pa-
construções como “Vossa Excelência sois bondoso(a)”; o correto é dronização e correção gramatical.
“Vossa Excelência é bondoso(a)”. Além dessas, há outras características comuns à comunica-
A utilização da segunda pessoa do plural (vós), com que os ção oficial, como o emprego de pronomes de tratamento, o tipo de
textos oficiais procuravam revestir‑se de um tom solene e cerimo- fecho (encerramento) de uma correspondência e a forma de iden-
nioso no passado, é hoje incomum, anacrônica e pedante, salvo em tificação do signatário, conforme define o Manual de Redação da
algumas peças oratórias envolvendo tribunais ou juizes, herdeiras, Presidência da República. Outros órgãos e instituições do poder
no Brasil, da tradição retórica de Rui Barbosa e seus seguidores. público também possuem manual de redação próprio, como a Câ-
Outro aspecto das formalidades requeridas na Redação Oficial mara dos Deputados, o Senado Federal, o Ministério das Relações
é a necessidade prática de padronização dos expedientes. Assim, Exteriores, diversos governos estaduais, órgãos do Judiciário etc.
as prescrições quanto à diagramação, espaçamento, caracteres ti-
pográficos etc., os modelos inevitáveis de ofício, requerimento, Pronomes de Tratamento
memorando, aviso e outros, além de facilitar a legibilidade, ser-
vem para agilizar o andamento burocrático, os despachos e o ar- A regra diz que toda comunicação oficial deve ser formal e
quivamento. polida, isto é, ajustada não apenas às normas gramaticais, como
É também por essa razão que quase todos os órgãos públicos também às normas de educação e cortesia. Para isso, é fundamen-
editam manuais com os modelos dos expedientes que integram tal o emprego de pronomes de tratamento, que devem ser utili-
sua rotina burocrática. A Presidência da República, a Câmara dos zados de forma correta, de acordo com o destinatário e as regras
Deputados, o Senado, os Tribunais Superiores, enfim, os poderes gramaticais.
Executivo, Legislativo e Judiciário têm os próprios ritos na elabo- Embora os pronomes de tratamento se refiram à segunda pes-
ração dos textos e documentos que lhes são pertinentes. soa (Vossa Excelência, Vossa Senhoria), a concordância é feita em
terceira pessoa.
Concisão e Clareza
Concordância verbal:
Houve um tempo em que escrever bem era escrever “difícil”.
Períodos longos, subordinações sucessivas, vocábulos raros, in- Vossa Senhoria falou muito bem.
versões sintáticas, adjetivação intensiva, enumerações, gradações, Vossa Excelência vai esclarecer o tema.
repetições enfáticas já foram considerados virtudes estilísticas. Vossa Majestade sabe que respeitamos sua opinião.
Atualmente, a velocidade que se impõe a tudo o que se faz, inclu-
sive ao escrever e ao ler, tornou esses recursos quase sempre obso- Concordância pronominal:
letos. Hoje, a concisão, a economia vocabular, a precisão lexical,
ou seja, a eficácia do discurso, são pressupostos não só da Redação Pronomes de tratamento concordam com pronomes possessi-
Oficial, mas da própria literatura. Basta observar o estilo “enxuto” vos na terceira pessoa.
de Graciliano Ramos, de Carios Drummond de Andrade, de João Vossa Excelência escolheu seu candidato. (e não “vosso...”).
Cabral de Melo Neto, de Dalton Trevisan, mestres da linguagem
altamente concentrada. Concordância nominal:
Não têm mais sentido os imensos “prolegômenos” e “exór- Os adjetivos devem concordar com o sexo da pessoa a que se
dios” que se repetiam como ladainhas nos textos oficiais, como o refere o pronome de tratamento.
exemplo risível e caricato que segue: Vossa Excelência ficou confuso. (para homem)
Vossa Excelência ficou confusa. (para mulher)
“Preliminarmente, antes de mais nada, indispensável se faz Vossa Senhoria está ocupado. (para homem)
que nos valhamos do ensejo para congratularmo‑nos com Vossa Vossa Senhoria está ocupada. (para mulher)
Excelência pela oportunidade da medida proposta à apreciação
de seus nobres pares. Mas, quem sou eu, humilde servidor público, Sua Excelência - de quem se fala (ele/ela).
para abordar questões de tamanha complexidade, a respeito das Vossa Excelência - com quem se fala (você)
quais divergem os hermeneutas e exegetas.

Didatismo e Conhecimento 99
LÍNGUA PORTUGUESA
Emprego dos Pronomes de Tratamento Vossa Senhoria: É o pronome de tratamento empregado para
as demais autoridades e para particulares. O vocativo adequado é:
As normas a seguir fazem parte do Manual de Redação da Senhor Fulano de Tal / Senhora Fulana de Tal.
Presidência da República.
No envelope, deve constar do endereçamento:
Vossa Excelência: É o tratamento empregado para as seguin- Ao Senhor
tes autoridades: Fulano de Tal
Rua ABC, nº 123
- Do Poder Executivo - Presidente da República; Vice-presi- 70123-000 – Curitiba.PR
denIe da República; Ministros de Estado; Governadores e vice‑go-
vernadores de Estado e do Distrito Federal; Oficiais generais das Conforme o Manual de Redação da Presidência, em comunica-
Forças Armadas; Embaixadores; Secretários‑executivos de Minis- ções oficiais “fica dispensado o emprego do superlativo Ilustríssi-
térios e demais ocupantes de cargos de natureza especial; Secretá- mo para as autoridades que recebem o tratamento de Vossa Senho-
rios de Estado dos Governos Estaduais; Prefeitos Municipais. ria e para particulares. É suficiente o uso do pronome de tratamento
- Do Poder Legislativo - Deputados Federais e Senadores; Senhor. O Manual também esclarece que “doutor não é forma de
Ministro do Tribunal de Contas da União; Deputados Estaduais e tratamento, e sim título acadêmico”. Por isso, recomenda-se em-
Distritais; Conselheiros dos Tribunais de Contas Estaduais; Presi- pregá-lo apenas em comunicações dirigidas a pessoas que tenham
dentes das Câmaras Legislativas Municipais. concluído curso de doutorado. No entanto, ressalva-se que “é cos-
- Do Poder Judiciário - Ministros dos Tribunais Superiores; tume designar por doutor os bacharéis, especialmente os bacharéis
Membros de Tribunais; Juizes; Auditores da Justiça Militar. em Direito e em Medicina”.
Vossa Magnificência: É o pronome de tratamento dirigido a
Vocativos reitores de universidade. Corresponde‑lhe o vocativo: Magnífico
Reitor.
O vocativo a ser empregado em comunicações dirigidas aos Vossa Santidade: É o pronome de tratamento empregado em
chefes de poder é Excelentíssimo Senhor, seguido do cargo respec- comunicações dirigidas ao Papa. O vocativo correspondente é:
tivo: Excelentíssimo Senhor Presidente da República; Excelentís- Santíssimo Padre.
simo Senhor Presidente do Congresso Nacional; Excelentíssimo
Senhor Presidente do Supremo Tribunal Federal. Vossa Eminência ou Vossa Eminência Reverendíssima: São os
As demais autoridades devem ser tratadas com o vocativo Se- pronomes empregados em comunicações dirigidas a cardeais. Os
nhor ou Senhora, seguido do respectivo cargo: Senhor Senador / vocativos correspondentes são: Eminentíssimo Senhor Cardeal, ou
Senhora Senadora; Senhor Juiz/ Senhora Juiza; Senhor Ministro Eminentíssimo e Reverendíssimo Senhor Cardeal.
/ Senhora Ministra; Senhor Governador / Senhora Governadora.
Nas comunicações oficiais para as demais autoridades ecle-
Endereçamento siásticas são usados: Vossa Excelência Reverendíssima (para arce-
bispos e bispos); Vossa Reverendíssima ou Vossa Senhoria Reve-
De acordo com o Manual de Redação da Presidência, no en- rendíssima (para monsenhores, cônegos e superiores religiosos);
velope, o endereçamento das comunicações dirigidas às autorida- Vossa Reverência (para sacerdotes, clérigos e demais religiosos).
des tratadas por Vossa Excelência, deve ter a seguinte forma:
Fechos para Comunicações
A Sua Excelência o Senhor
Fulano de Tal De acordo com o Manual da Presidência, o fecho das comu-
Ministro de Estado da Justiça nicações oficiais “possui, além da finalidade óbvia de arrematar o
70064‑900 ‑ Brasília. DF texto, a de saudar o destinatário”, ou seja, o fecho é a maneira de
quem expede a comunicação despedir‑se de seu destinatário.
A Sua Excelência o Senhor Até 1991, quando foi publicada a primeira edição do atual Ma-
Senador Fulano de Tal nual de Redação da Presidência da República, havia 15 padrões de
Senado Federal