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INTOLERÂNCIA RELIGIOSA NO INTERIOR DA PARAÍBA: O ATAQUE A

IGREJA ADVENTISTA DE BAIXA VERDE

Daniel da Silva Firino


mestrando em história na UFPB
danielfirino@hotmail.com

Carlos André Macedo Cavalcanti


Doutor em História pela UFPE e docente da UFPB
carlosandrecavalcanti@gmail.com

Este trabalho tem como objetivo analisar, através da história cultural, o ataque a
Igreja Adventista do Sétimo Dia (IASD) que ocorreu no ano de 1940 no sítio Baixa
Verde pertencente na época a vila de Queimadas. Tal assunto possui relevância diante
da tímida produção acadêmica sobre a história do protestantismo na Paraíba e da
discussão trazida sobre as relações entre catolicismo e protestantismo na Paraíba
durante a primeira metade do século XX.
Foram utilizados como fontes oito relatos desse acontecimento publicados na
Revista Adventista (RA) que datam de 1940 a 1995 sendo analisados os autores, os
títulos, as pessoas envolvidas, o objetivo da narrativa, sua estrutura, os símbolos, as
representações e o sentimento identitário formado através desse acontecimento. Além
disso, foram utilizadas fontes bibliográficas que versão sobre catolicismo e
protestantismo na Paraíba para maior esclarecimento do contexto histórico-cultural.
A primeira metade do século XX foi marcada por diversos acontecimentos
políticos e religiosos no Brasil. Dentre eles têm-se a implantação do estado laico, o fim
do padroado, a romanização e a renovação católica. Esses dois últimos foram
importantes para formação de uma identidade católica apostólica romana no país. Foi
também um período marcado por intolerância religiosa movidos pelo movimento
antiprotestante que convinha combater os protestantes, muitas vezes, através do
desprezo e do escárnio. O ataque a IASD em Baixa Verde foi apenas um dos casos em
que a luta entre identidades religiosas ultrapassou a esfera teórica para física.
Nos relatos existem contraposições entre os adventistas e os católicos. Os
adventistas são representados como tolerantes, cumpridores das leis, calmos e sereno
enquanto os católicos como intolerantes, descumpridores da lei, furiosos e exaltados.
Ademais, é possível identificar a representação católica dos protestantes tendo em vista
que, durante o ataque, os adventistas foram chamados de bodes, novas seitas, diabos e
crentes safados.
É perceptível uma luta de representações, onde os grupos de identidades
diferentes representam o outro de forma negativa para se reafirmar e tomar para si todas
as características positivas tornando-se norma. Logo, ocorre uma hierarquização das
identidades e das diferenças das quais as outras identidades só podem ser representadas
de forma negativa. Tais representações negativas, comumentemente feitas pelo
movimento antiprotestante, pode ter instigado um grupo de católicos a atacarem a IASD
de baixa verde ocasionando o apedrejamento da igreja e a agressão de seus membros.