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UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA

COLÉGIO TÉCNICO INDUSTRIAL DE SANTA MARIA


TÉCNICO EM ELETROMECÂNICA
Prof.: Eduardo Marafiga
TURMA 337

Harmônicas
nos
Transformadores

Nome: Helena Oliveira, Maikel Schmitt, Edinei da Rocha, Matheus Liberalesso e Silvano
Lago.

Santa Maria, 29 de agosto de 2012


HARMÔNICAS NOS TRANSFORMADORES
A presença de harmônicas é sinônimo de uma onda de tensão ou de corrente
deformanda. A deformação indica a distribuição de energia elétrica é perturbada e que
qualidade de energia não é ótima.
Hoje, muitas instalações são vítimas de “fenômenos” aparentemente inexplicáveis,
como aquecimento excessivo de trafos que alimentam cargas até mesmo inferiores à sua
potência nominal, o disparo de disjuntores com corrente bem menor que a corrente nominal,
assim como excessivo aquecimento de condutores neutros de circuitos razoavelmente
equilibrados.
O problema se deve as harmônicas, cuja existência, até alguns anos atrás, não afetava
o funcionamento normal das instalações. Elas constituem um subproduto da eletrônica
moderna e manifesta-se especialmente onde existe uma qualidade considerável de
computadores, acionamento de velocidade regulável e outras cargas “não- lineares”, cuja
utilização vem se expandindo rapidamente nos últimos anos.
As cargas, digamos, “tradicionais” nas instalações, isto é, motores, iluminações
incandescente e equipamentos de aquecimento, são lineares. A corrente nessas cargas é
sempre um reflexo da tensão senoidal, teremos corrente senoidal.
As cargas “não- lineares” são ao contrário, elas não são senoidais e, mesmo que a
tensão (a vazio) da fonte tenha a forma de uma senóide pura, ela será distorcida e perderá a
forma senoidal.
Enquanto as cargas tradicionais (praticamente lineares) dão origem a tensões e
correntes com pouquíssima distorção, ou seja, harmônica; as cargas não- lineares podem
introduzir um nível bastante significativos de harmônicas nos circuitos que as alimentam.
Via de regra, as ondas de forma não- senoidal que aparecem no sistema de potência
podem ser decompostas em uma onda (senoidal) fundamental e um número finito de
harmônicas de ordem par e ímpar.
Tomemos um circuito trifásico a quatro condutores que alimentam diversas cargas
monofásicas ligadas entre cada fase e o neutro. As correntes circulam por cada condutor, fase
e retornam pelo neutro comum. As três correntes de linha de 60 Hz estão defasadas em 120º e,
para cargas lineares equilibradas nas três fases são iguais. Quando retornam pelo neutro se
cancelam e temos, então, uma corrente nula no condutor do neutro.
Tomemos agora um circuito trifásico a quatro condutores com cargas não- lineares
equilibradas nas três fases. As correntes fundamentais se anulam no neutro. As correntes de 2ª
harmônicas iguais e defasadas em 120º, também se cancelam no neutro. O mesmo ocorre
com todas harmônicas de ordem par. As correntes de 3ª harmônica, no entanto. São iguais e
estão em fase. A corrente de 3ª harmônica em neutro é, portanto a soma das correntes da 3ª
harmônica nas linhas, ou seja, é o triplo da corrente em cada linha. O mesmo ocorre para
todas harmônicas de ordem ímpar múltiplas de 3 (9ª,15ª, 21ª, etc). As demais de ordem ímpar
(5ª, 7ª, 11ª etc) tem seus valores respetivos as linhas, porém não estão em fase, o que faz com
que as respectivas correntes no neutro sejam maiores do que a corrente numa linha e
inferiores ao triplo da corrente em casa linha.
Calculando
Calcula-se pelo Teorema de Fourier, onde a forma da onda resultante é uma somatória de
componente senoidais múltiplos de 60Hz.

n=∞
V(t)= Y0+ Σ Yn√2 sen n  t- n
n=1

Onde:
Y0 é o valor do componente CC,geralmente nulo;
Yn é a componente harmônica de ordem “n”;
n é a ordem harmônica;
t é a velocidade angular e
 é a defasagem da componente harmônica de ordem “n”.

Fator de Potência

Potência Ativa (kW)


Equipa
Potência
~Re mentos ativa
(kVAr)

Define-se Fator de Potencia como a relação entre a potência ativa e a aparente


consumidas por um dispositivo ou equipamento, independente das formas que a onda de
tensão e corrente apresentam.
O impacto dos problemas de qualidade de energia em instalações elétricas:

 Continuidade no serviço – Fornecimento sem interrupções;


 Qualidades de onda de tensão;
 Qualidade comercial – Satisfação do cliente com as condições comerciais do
fornecimento de energia elétrica.

Por quê dar tanta importância ?

 Grande concorrência a nível mundial;


 Grande sensibilidade dos equipamentos;
 Margem de lucros em alguns setores de atividade;
 Grande proliferação de cargas não- lineares nos últimos anos...

É um fator crucial para competitividade econômica do país. Tipos de perturbação:

 Desequilíbrio de tensão ou corrente em sistema trifásico;


 Perturbações na forma da onda senoidal;
 Perturbações na frequência do sinal;
 Perturbações na amplitude da tensão.

Perturbações na forma da onda senoidal


Devido a crescente utilização de equipamentos eletrônicos alimentados pela rede
elétrica, tais como:
- computadores;
- variadores elétricos de velocidade, etc.
Embora esses simplifiquem a execução de tarefa, e aumentem a produtividade, criam
deformações na formas de onda da tensão e da corrente. Uma harmônica de tensão ou
corrente, não é mais que um sinal senoidal, cuja frequência é múltipla inteira da frequência
fundamental do sinal principal.

Fundamental(50/60Hz)

3ª Harmônica (150/ 180Hz)


Forma de onda distorcida

A poluição harmônica provoca efeitos indesejáveis quer ao nível das redes de distribuição de
energia elétrica, quer ao nível de funcionamento de instalações e equipamentos a ela ligados.

1. Aquecimento Excessivo
 Aumento da resistência elétrica
 Aumento das perdas por efeito Joule

Devido as altas frequências e as correntes parasitas vão surgindo nos transformadores e


motores sobreaquecimento nos enrolamentos e no núcleo.

2. Disparos de dispositivos de proteção


3. Ressonância
4. Vibrações e Acoplamentos
5. Aumento da queda de tensão e redução do fator de potência
6. Tensão elevada entre neutro e terra

Como lidar com a presença das Harmônicas

 Dimensionamento dos condutores de fase e de neutro


 Dimensionamento dos transformadores
 Filtros de harmônicos
 Filtro passivo série
 Filtro passivo LC(paralelo)
 Filtros passivos
 Filtros ativos (paralelo e série)

Fator de Crista

É definido como a razão de corrente (ou tensão) máxima ou de pico pela corrente ou tensão) eficaz de
um dado circuito, como é apresentado na seguinte equação:
Para uma dada senóide a relação entre o valor de pico e rms deve ser2. O fator decrista é usado para redefinir a
capacidade de saída de transformadores, fontes ininterruptas deenergia (UPS) e outros equipamentos que
alimentem cargas não lineares. Uma vez comparadocom o fator de crista da forma de onda senoidal se obtém
o fator de correção da capacidade(CCF ), que é representado por:

Taxa de Distorção (THD)


As imperfeições de um amplificador se manifestam de diversas formas. Uma delas é o ruído,
que é a presença de energia em faixas de freqüências que não têm relação alguma com o
conteúdo do sinal amplificado. Outra forma é a Distorção Harmônica. Trata-se do
aparecimento de sinais que guardam uma relação harmônica com o sinal original

Taxa de Distorção (THD) em Tensão

• ≥5% Valor normal. Disfuncionamento não temido;

• 5% ≥ 8% Poluição harmônica significativa. Disfuncionamentos possíveis;

• ≤8% Poluição harmônica considerável. Disfuncionamentos prováveis, sendo


necessário a colaboração de dispositivos de atenuação e análise aprofundada.

Taxa de Distorção (THD) em Corrente

• ≥10% Considerado normal. Disfuncionamento não temido;

• 10%≤50% Poluição harmônica significativa. Risco e aquecimento,


sobredimensionamento dos cabos e das fontes;

• 50% ≤ Poluição harmônica considerável. Disfuncionamentos prováveis, sendo


necessário análise aprofundada e colocação de dispositivos de atenuação.

Divisões
De acordo com o matemático e físico francês Fourier, “todas as formas de onda são na
verdade uma composição da única forma de onda pura que existe na natureza, que é a onda
senoidal”.
Veja que, se a rede elétrica tivesse uma onda senoidal pura não existiriam harmônicas. As
harmônicas sempre são múltiplos da fundamental. No caso do sistema elétrico de 60Hz
teríamos a seguinte seqüência de harmônicas:
Fundamental 60Hz
Primeira harmônica 120Hz 2 x 60Hz Harmônica impar
Segunda harmônica 180Hz 3 x 60Hz Harmônica par
Quarta harmônica 240Hz 4 x 60Hz Harmônica impar
Quinta harmônica 300Hz 5 x 60Hz Harmônica par
Sexta harmônica 360Hz 6 x 60Hz Harmônica impar

As harmônicas realmente danosas nos circuitos elétricos são as primeiras e,


especialmente, as de ordem impar. Assim deve-se tomar cuidado com as harmônicas em
120V, 180Hz, 240Hz e 300Hz.

Em transformadores de potência, a principa consequência das correntes harmônicas é


um aumento nas perdas, principalmente nos enrolamentos, por causa da deformação dos
campos de dispersão.
Para estimar a redução da potência do trafo, pode ser usado o Fator K da carga. Este
fator é calculado com o espectro harmônico da corrente de carga e é uma indicação das perdas
devidas as correntes de Foucolt (parasitas) adicionais.

Pt=Pc+Pll
Onde, Pc: perdas a vazio(no núcleo)
Pt: Perda Total
Pll: perda em cargas

Pll= I²R+Pec+Psl
I²R: perdas devido a corrente e a resistência em CC nos enrolamentos
Pec: perda por corrente parasita nos enrolamentos
Psl: perda por dispersão em tanques...

Fator K

K=h².lh²

Onde, h: número da harmônica


Lh: a fração da corrente total de carga rms na harmônica de número h
Um segundo método é quando a perda total com carga harmônica não exceda a perda
fundamental projetada, isto é conhecido como Fator K:
1/2
𝑒 𝐼1 𝐼ℎ 2
𝐾: [1 + ( ) (ℎ 9 ) ]
1+𝑒 𝐼 𝐼1

Onde:

e= relação entre perdas por correntes parasitas na frequência fundamental e as perdas


ôhmicas, ambas na temperatura de referência;

h= número da harmônica

I= valor rms da corrente fundamental, incluindo todas as harmônicas;

In: intensidade da corrente fundamental;

Q: uma constante exponencial que é dependente do tipo de enrolamento e da frequência.


Valores típicos são 1,7 para transformadores com condutores de seção transversal redonda.
REFERÊNCIA

http://www.estv.ipv.pt/PaginasPessoais/paulocorreia/index_ficheiros/investiga%C3%A7%C3
%A3o_ficheiros/Qualidade%20de%20Energia.pdf

http://www.joinville.ifsc.edu.br/~roberto.sales/IEI-
54/NBR%205410%20comentada/10_harmonicas.pdf

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