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Tempo de refletir: ainda vale a pena servir a Deus?

Introdução

Quem nunca olhou a grama do vizinho e achou que ela fosse mais verde? Quem nunca
pensou que a família do outro é perfeita e a sua não? Quem nunca sentiu que as pessoas que
não servem a Deus são mais felizes? Se você nunca pensou estas coisas, que bom, mas se você
já sentiu isso algum dia, saiba que em parte isto é normal, mas devemos tomar cuidado com o
resultado destes pensamentos.
As pessoas andam desiludidas e sem fé. Alguns perderam a fé nos profissionais, outros
perderam a fé nos relacionamentos, na sinceridade, no casamento. Realmente, a vida nos
decepciona e com as decepções vem as angústias dentro de cada um de nós buscando entender
o que está errado.
Malaquias nos aponta um povo que perdeu a esperança na única pessoa que jamais
poderiam perder, em Deus. Na verdade, eles estavam céticos em relação à Deus, não
conseguiam ver “vantagem” em servir ao Senhor enquanto que as pessoas que não o servem
vivem sem problemas, angustias etc. Eles acreditavam que Deus não ligava em como o homem
vivia, então, para que abraçar o nome de Deus se ele não se importa?
Talvez, você esteja fazendo perguntas parecidas ou se sentido desta forma. De que vale
servir à Deus? Vale a pena? Tudo que tenho feito para agradar a Deus importa? Então por que
aqueles que não o servem vivem bem e eu tenho aflições?

AT- Deus observa o fiel e recompensará aqueles que o temem


ST- Esta noite o Senhor quer nos alertar sobre o perigo da inveja do mundo, como elas entram
em nossas vidas e como elas podem acabar com nossa intimidade com Deus. Malaquias nos
revela (três) situações que afetam nosso relacionamento com o Senhor:

A primeira situação que afeta nosso relacionamento com Deus é a ingratidão (v.13)

Existe alguma coisa que pode ofender profundamente a Deus? Sim, o desprezo e
ingratidão são extremamente ofensivos à Deus. Esta é queixa do Senhor “vocês tem usado
palavras duras contra mim” (v.13).
O povo aparentemente parece não ter consciência do seu erro ou pelo menos não
tinham percebido que seus atos eram repulsivos diante de Deus. “O que temos falado contra
ti?” (v.13.b).
A geração de Malaquias é muito parecida com a nossa geração. Muitas pessoas não
percebem os benefícios que as pessoas lhe fazem, não conseguem reconhecer ou trazer à
lembrança nenhuma coisa boa que lhe fizeram. Isso se chama ingratidão.
Hoje vemos filhos que desconhecem todo cuidado e amor de seus pais, acham que os
pais ainda estão em dívida com eles. Como dizia a música “o meu pai tem que gemer, não mandei
ninguém casar”1. Quando perguntam se são bons filhos, eles acham que sim.
O livro de Malaquias é cheio de perguntas de Deus e respostas cínicas dos povo. Deus
começa o livro de Malaquias dizendo “Eu os amei” (1.2), mas eles perguntam “Como você tem
nos amado?”. Esta geração era incapaz de reconhecer o que Deus tinha feito para eles, não
entendiam que o sofrimento era parte da desobediência, culpa deles e não de Deus.
A geração ingrata de Malaquias vive em nossa sociedade, está nos corredores da igreja,
está nas melhores famílias, está no relacionamento a dois. Vivemos e um mundo onde minhas
necessidades devem ser satisfeitas agora e como eu quero, ou você não terá nenhum valor ou
consideração.
Mas o que tem a ver a ingratidão do homem com o homem e relação do homem com
Deus? Eu não sou ingrato a Deus! Mas a Bíblia diz o contrário:

1
A vaca já foi pro brejo – Tião Carreiro e Pardinho
 Se alguém diz: Eu amo a Deus, e odeia a seu irmão, é mentiroso. Pois quem não ama a
seu irmão, ao qual viu, como pode amar a Deus, a quem não viu? I Jo 4.20
Se amamos o próximo, amamos a Deus. Se somos ingratos com o próximo, seremos
ingratos e desprezaremos as bênçãos que o Senhor tem derramado sobre nós. O problema é
que assim como vemos os outros e os tratamos, fazemos com Deus.

Aplicação: É possível que muitos de nós também devolvamos a mesma pergunta “em que tenho
sido duro contigo Deus? O que eu tenho feito de errado para lhe ofender? Possivelmente não
conseguimos ver o quanto nossas atitudes são prejudiciais ao próximo e como isso tem refletido
no meu relacionamento com Deus. Quando perguntamos “o que tenho feito de errado”, esteja
pronto para ouvir a verdade, esteja pronto para pedir perdão, esteja pronto para mudar suas
atitudes.

A segunda situação que afeta nosso relacionamento com Deus é prestar atenção no mundo
até matar a Deus dentro de si (14-15)

Deus disse que eles olhavam para o mundo e o exemplo dos ímpios e sentiam inveja:
o Não há sentido em servir a Deus
o Não há nenhum benefício em servi-lo
o Os arrogantes são felizes e os malfeitores prosperam
o Eles desafiam a Deus e nada acontece
O povo começou a prestar atenção na vida de pessoas ruins ou mesmo de pessoas que
não se importavam com Deus. Eles achavam que não valia a pena servi-lo pois eles não
ganhavam nada com isto, ao passo que os ímpios desfrutavam a vida e até desprezavam a Deus
sem nenhuma consequência.
Este é mais um aspecto da ingratidão “você é bom quando me serve para alguma
coisa”. É assim que muitas pessoas se relacionam com as outras.
Acreditavam que o exílio babilônico e a vergonha que passaram foi descaso e
esquecimento de Deus. Mas a Bíblia nos mostra que esta humilhação ocorreu por infidelidade
por parte do povo e não de Deus. Uma aliança quando quebrada não faz a outra parte obrigada
a cumprir com seu trato, assim como uma pessoa não precisa manter a aliança do casamento
quando existe infidelidade.
Quem nunca olhou para a vida de pessoas que não se importam com Deus e não
percebeu que a vida deles é boa, sem problemas e que eles são felizes? Realmente, esta
constatação aparece em outras partes da Bíblia, como o Salmo de Asafe (73).
Asafe também viu essa aparente injustiça ao ver os homens maus prosperarem. Mas ele
também deixou um alerta ao perigo de ficar olhando a vida desta forma: “Quase me resvalaram
os pés, pouco faltou para que se desviassem meus passos”(v.2). Asafe diz que ele quase caiu e
perdeu sua esperança em Deus por ficar invejando a prosperidade de pessoas más (.v3). Esse é
o resultado de olharmos o que não temos ou para o sucesso dos outros ao invés de olharmos
para Deus.
Malaquias 2.17 fala que Deus tem estado cansado deles por causa destes pensamentos,
pois eles não só mostram ingratidão e desprezo, mas demonstram que Deus aparentemente
gosta de pessoas ruins e compactua com eles. “Estas pessoas aos olhos do Senhor são boas”.
Este tipo de pensamento faz as pessoas se tornarem frias, indiferentes a Deus e acabam
acreditando que ir a igreja, cultuar a Deus, ter um viver santo é pura canseira como diz Ml 1.13.
Uma pessoa que olha para Deus e reconhece seu amor diz: “alegrei-me quando me
dissera, vamos à Casa do Senhor” (Sl 122.1).
Asafe foi honesto quando disse que os ímpios prosperam, foi honesto ao dizer que olhar
estas coisas quase matou sua comunhão com Deus e, foi honesto em dizer que foi entrando no
templo que ele teve compreensão desta aparente contradição da vida (Sl 73.17) “Até que
entrei no templo e percebi o fim deles”.
Esta é a diferença de Asafe e a geração de Malaquias: Um buscou entender e se refugiar
em Deus, o outro simplesmente entendeu que Deus é sádico, amigo dos maus e que não se
importa com o que acontece na terra.

Aplicação: As contradições sempre existirão, nós também veremos situações de injustiça, de


inversão de valores, mas nunca podemos nos perder nestes pensamentos. Devemos buscar a
luz de Deus sobre nossas mentes e corações, devemos entrar na presença do Pai, mesmo com
estas contradições e entender que Ele não é indiferente ao que acontece no mundo, Deus
observa tudo.

A terceira situação que afeta nosso relacionamento com Deus é quando consideramos que
apesar da contradição da vida, servi-lo ainda é melhor escolha (16.18)

Hoje, para se pregar o evangelho é necessário dizer o que a pessoa vai ganhar em servir
ao Senhor. Uns prometem que você será empresário, outros que você nunca ficará doente,
outros que os seus problemas vão desaparecer.
Convidar alguém para uma igreja é também oferecer um cardápio: é perto? Tem
estacionamento? Tem EBD? Tem ar condicionado? O Pastor é Dr em Teologia? Tem estrutura?
Tem classe para crianças com pedagogos e psicopedagogos? As cadeiras são confortáveis?
É verdade, estas coisas podem até serem boas, mas será que é isto que as igrejas devem
pregar para arrebanhar fieis? Será que ainda vale a pena servir a Deus mesmo sem nenhuma
destas promessas? Vale a pena viver um evangelho que me manda abrir mão da própria vida
para viver a vida de Cristo enquanto as pessoas vivem como querem? Vale a pena viver na
contramão do mundo e muitas vezes tendo a sensação que estou fazendo isto à toa?
Sim, o Senhor te diz que vale a pena.
 Deus escutou aqueles que o temiam, o que eles conversavam. Assim como Deus ouvia
as palavras duras de um povo infiel, Deus também ouvia as conversas de pessoas que
ainda assim permaneciam fieis à Ele (v.16).
o Deus está vendo? Sim. Deus está ouvindo. Sim. Deus vê tudo que é bom e tudo
que é ruim. O v.16 nos diz que existe um memorial com os nomes daqueles que
o temem. Deus tem um documento com o nome de pessoas que aceitam seus
erros e entendem que viver para Ele é esquecer-se do mundo e da suposta
aparência de alegria, pois a alegria verdadeira é saber que temos um Deus que
nos ama.
 Eles serão meu, meu tesouro particular, eu os pouparei como homem que poupa o
próprio filho (v.17). Deus tem em alta consideração e amor por aqueles que o temem,
eles são um tesouro particular, são as joias mais preciosas, elas não ficam guardadas em
qualquer lugar, mas ficam onde os olhos de Deus podem vigiar e proteger.
 Então, outra vez mais, vocês verão a diferença entre o justo e o ímpio, entre a pessoa
que serve a Deus e a pessoa que não serve (v.18).
o Quando Israel andou nos caminhos do Senhor, Ele lhes deu vitória sobre os
inimigos, abençoou seus filhos e lhes fez prósperos. Por causa da rebeldia
perderam tudo, quebraram a aliança de Deus, não cumpriram sua parte.
o Ao entrar no templo em busca de respostas, Asafe disse que compreendeu que
Deus colocou estas pessoas em lugares escorregadios.
o Asafe diz que a inveja dos ímpios o fez ficar bruto e irracional (73.22), como é
loucura achar que um Deus bom e justo não olharia a maldade e também a
bondade. Tirarmos os olhos de Deus nos fará como animais.

A ideia que Deus quer transmitir “vocês verão a diferença de quem me teme e quem
não me teme”. Não hoje, talvez não amanhã, mas haverá recompensa para fidelidade.

Aplicação: Quem teme a Deus sabe que Deus tem um memorial com seu nome e que, como
Asafe conclui “Todavia estou sempre contigo; tu me seguras com a mão direita:
24 Tu me guias com teu conselho e depois me recebes com honra.
25 Quem mais eu tenho no céu, senão a ti? E na terra não desejo outra coisa além de ti.- Não é
canseira, é alegria Sl 100 “servi o Senhor com alegria!”
26 Meu corpo e meu coração desfalecem; mas Deus é a fortaleza da minha vida e minha
herança para sempre.
27 Os que se afastam de ti perecerão; tu exterminas todos os que se desviam de ti.
28 Mas, para mim, bom é estar junto a Deus; ponho minha confiança no SENHOR Deus, para
proclamar todas as suas obras.

Conclusão

A questão de ver o ímpio prosperar e compara-lo conosco é algo tão real que a Bíblia já
no revela esta verdade para que tomemos cuidado com ela. O problema é que ter inveja do
ímpio pode ser algo positivo mas muitas vezes toma um caminho destrutivo.
 Positivo: quando olhamos qualidades, virtudes e conquistas de uma pessoa, ainda que
ela não seja cristã, e desejamos alcançar essas coisas por meio do nosso crescimento e
desenvolvimento. Isso é saudável.
 Negativo: Quando ficamos infelizes com nossas vidas e queremos que os outros vivam
infelizes também. Quando se quer que o outro perca ou viva alguma experiência ruim,
mesmo que isso não traga nada de bom para mim. Isso é uma inveja ruim.

Malaquias nos mostra que buscar na vida o sucesso e bem estar a todo tempo pode ser
uma armadilha para os nossos corações, pois quando nos tornamos pessoas ingratas, ficamos
insatisfeitos, e quando somos insatisfeitos, desejamos ser qualquer um, mesmo aquele que
nitidamente desagrada a Deus, pois queremos o que ele é e tem e não o que Deus é e nos dá.
Quando focamos nestas coisas, esquecemos também de quem Deus é, desprezamos
seu amor, desprezamos sua Palavra, ignoramos a necessidade de santificação, e adoração e de
uma vida que reflita Cristo. Quem se ocupa em olhar o que não tem chegará à mesma conclusão
da geração de Malaquias “de que adianta servir ao Senhor? Que canseira!”. Mas quando nos
voltamos para Deus, então entendemos que Ele olha todas as coisas e nossa redenção chegará.
Entre no templo para entender sua vida e suas aflições, não deixe seus pensamentos,
sua boca ou seus atos fazerem Deus dizer “suas palavras são pesadas para mim”, mas que ao
entrar no templo, que é o momento seu com Ele, você possa dizer “que as palavras dos meus
lábios e o meditar do meu coração sejam agradáveis a ti” (Sl 19.14)