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TESTE N.

º 6
TEMA – O conhecimento e a racionalidade científica e tecnológica
Estatuto do conhecimento científico

GRUPO I
1. Na resposta a cada um dos itens que se seguem selecione a única opção correta.
1.1. Analise as afirmações que se seguem acerca do senso comum e do conhecimento
científico.
1. O senso comum é mediato e o conhecimento científico é metódico.
2. O senso comum é superficial, dado que esgota as possibilidades de investigação de
determinado fenómeno.
3. A linguagem científica evita ambiguidades.
4. O conhecimento científico é metódico e o senso comum é espontâneo.

Deve afirmar-se que:


(A) 1 e 2 são verdadeiras; 3 e 4 são falsas.
(B) 2 e 4 são verdadeiras; 1 e 3 são falsas.
(C) 1 e 3 são verdadeiras; 2 e 4 são falsas.
(D) 3 e 4 são verdadeiras; 1 e 2 são falsas.

1.2. Segundo Gaston Bachelard:


(A) Toda a ciência e toda a Filosofia são senso comum esclarecido.
(B) O conhecimento vulgar impede o desenvolvimento do conhecimento científico.
(C) Os obstáculos epistemológicos devem ser analisados e melhorados dando assim origem ao
conhecimento científico.
(D) O senso comum deve ser modificado pela correção.

1.3. Analise as afirmações que se seguem sobre o pensamento de Karl Popper.


1. Para Karl Popper a conceção indutivista da ciência falha na descrição das fases do
método científico.
2. Para Karl Popper a observação é o primeiro momento na produção de ciência.
3. Para Karl Popper não é possível fazer observação de forma rigorosa e imparcial.
4. Para Karl Popper cada cientista deve lutar para que a verificação de hipóteses e
teorias seja feita de forma tão objetiva quanto possível.

Deve afirmar-se que:


(A) 1 e 2 são verdadeiras; 3 e 4 são falsas.
(B) 2 e 4 são verdadeiras; 1 e 3 são falsas.
(C) 1 e 3 são verdadeiras; 2 e 4 são falsas.
(D) 3 e 4 são verdadeiras; 1 e 2 são falsas. ©

1.4. Segundo Karl Popper:


(A) As teorias científicas não aspiram à verdade.
(B) Uma teoria corroborada não deve voltar a ser contestada.
(C) O falsificacionismo é a melhor forma de provar a veracidade de uma teoria.
(D) Todas as teorias são provisórias até que sejam definitivamente comprovadas.

1.5. Analise as afirmações que se seguem sobre o pensamento de Thomas Kuhn.


1. A adoção de um novo paradigma pode ser objetiva se os cientistas tiverem em conta
as cinco características de uma boa teoria científica.
2. A evolução científica não se dá de forma cumulativa.
3. A adoção de um novo paradigma representa uma aproximação à verdade.
4. É normal que no período de crise paradigmática surjam cisões entre os membros da
comunidade científica.

(A) 1 e 2 são verdadeiras; 3 e 4 são falsas.


(B) 2 e 4 são verdadeiras; 1 e 3 são falsas.
(C) 1 e 3 são verdadeiras; 2 e 4 são falsas.
(D) 3 e 4 são verdadeiras; 1 e 2 são falsas.

GRUPO II
1. Leia o texto que se segue e responda às questões.
O que diferenciava estas diferentes escolas não era esta ou aquela falha de método – todas
elas eram "científicas" – mas o que iremos designar como a incomensurabilidade entre formas
de ver o mundo e de nele praticar a ciência. A observação e a experiência podem e têm de
restringir drasticamente o âmbito das crenças admissíveis como crenças científicas, pois de
outra maneira não haveria ciência. Mas não podem só por si determinar um dado conjunto
desse tipo de crenças.
Um elemento aparentemente arbitrário, composto de acidentes pessoais e históricos, é
sempre um ingrediente formativo das crenças adotadas por uma dada comunidade científica
numa dada época.
T. Kuhn, A Estrutura das Revoluções Científicas, Guerra e Paz, 2009, p. 23.
1.1. Partindo do texto, explique o que é a incomensurabilidade dos paradigmas e as razões
apontadas por Kuhn para caracterizar os paradigmas como incomensuráveis.
1.2. Esclareça o conceito de revolução paradigmática.
SER NO MUNDO 11 141
2. Leia o texto e responda às questões.
Pelo facto de enfatizar que aquilo que os cientistas partilham não é suficiente para impor um
assentimento uniforme sobre matérias como a escolha entre teorias rivais ou a distinção entre
uma anomalia vulgar e uma que provoca uma crise, sou ocasionalmente acusado de glorificar a
subjetividade e mesmo a irracionalidade. Mas essa reação ignora duas características que
fazem parte dos juízos de valor em qualquer domínio. (…).
T. Kuhn, A Estrutura das Revoluções Científicas, Guerra e Paz, 2009, p. 250.

2.1. Que razões apresenta Kuhn para sustentar a subjetividade referida no texto?

3. Leia o texto que se segue e responda à questão.


A tradição ocidental do racionalismo, herdada dos gregos, é a tradição da discussão crítica – a
tradição da investigação e da verificação de propostas ou de teorias através da tentativa de
refutação.
Este método da crítica racional não deve ser confundido com um método de prova, ou seja,m
um método que visa estabelecer definitivamente a verdade. Tal método não existe, como não
existe um método capaz de congregar sempre o consenso.
K. Popper, Em Busca de um Mundo Melhor, Fragmentos, 1992, p. 142.

3.1. A partir do texto, apresente as razões que levam Karl Popper a sustentar o
falsificacionismo.

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TÓPICOS DE RESPOSTA
GRUPO I
1.
1.1. (D); 1.2. (B); 1.3. (C); 1.4. (A); 1.5. (B)

GRUPO II
1. 1.1. Dizer que os paradigmas são incomensuráveis equivale a dizer que não há maneira de comparar
dois paradigmas de forma objetiva e concluir que um é efetivamente melhor que outro. As razões da
dificuldade em encontrar um consenso prendem-se com o facto de não haver concordância quanto aos
problemas que o paradigma deve resolver, com o aparecimento de mal-entendidos entre escolas rivais
e os defensores de paradigmas rivais praticarem a sua atividade em mundos diferentes (devido ao
conjunto de regras e metodologias de trabalho adotados).
1.2. Quando surgem dois paradigmas rivais, a comunidade científica depara-se com uma escolha entre
dois modos de vida comunitária incompatíveis e que incluem regras distintas e métodos de investigação
diferentes. Nesta altura, um grande número de fatores influencia a escolha pela manutenção do
paradigma antigo ou pela sua substituição por um novo. O termo revoluções científicas designa
episódios de um desenvolvimento científico não cumulativo, nos quais um paradigma mais antigo é
substituído total ou parcialmente por um novo, com ele incompatível.
2. 2.1. Pode dar-se o caso de os cientistas atribuírem importâncias diferentes a cada uma das cinco
características que, de acordo com o autor, uma teoria científica deve ter. Podemos ainda imaginar que
entre dois paradigmas um poderia ser mais exato e outro mais abrangente, o que nos deixaria num
impasse. Aquilo que leva um determinado grupo de cientistas a ter uma opinião positiva ou negativa em
relação a um paradigma prende-se com a forma como olham para o mundo (à luz do modelo por si
adotado).

3.
3.1. Para Popper, não é possível comprovar definitivamente que uma hipótese é verdadeira. A ciência
não pode dar garantias absolutas de que as "verdades científicas" atuais vão manter esse estatuto para
sempre e nunca vão encontrar-se evidências de que, afinal, estávamos enganados. Neste sentido, cada
teoria representa apenas uma conjetura, isto é, uma explicação mais ou menos provável sobre a
realidade. Assim, para Popper, cada cientista deve procurar dar o seu melhor na tarefa de refutação das
hipóteses, pois o valor científico de uma teoria será tanto maior quanto a sua resistência às sucessivas
tentativas de falsificação.

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