Você está na página 1de 5

u seção

encontros
especial:
e notícias
ensino
| CURSOS
e aprendizado na engenharia civil

O ensino de Engenharia
passado a limpo
CLAUDIO DE MOURA CASTRO – Assessor da Presidência
Grupo Positivo

C
omo é possível que uma
profissão cujo papel é
construir o novo mundo
possa ficar tão atrasada na prepara-
ção dos futuros engenheiros, a quem
caberá esta tarefa? Esse é o tema do
presente ensaio.
Revisitamos a evolução do ensino
da Engenharia, incluindo o Brasil. Em
seguida, considerando a inteligência
das mãos, pregamos um ensino mais
prático e literalmente, com a mão na
massa. Diante deste desafio, revisa-
mos as velhas e as novas maneiras de
se conduzir uma sala de aula. Final-
mente, tentamos alinhavar as novas
tendências no ensino, inauguradas
em algumas instituições de ponta.
Os médicos que conhecemos são prática, mas seu ensino se refugia na
1. NASCIMENTO E EVOLUÇÃO o produto de um cruzamento que se exposição de teorias e pseudoteorias.
DO ENSINO DE ENGENHARIA deu no século XIX. Intelectuais que De prática, quase nada.
O ensino para as carreiras cientí- nem sequer tocavam nos pacientes A Engenharia é um caso muito
ficas tem uma longa história e pouca fundiram-se com os barbeiros que mais convoluto. Faz pouco mais de
mudança. A maneira de se ensinar Fí- eram também cirurgiões. Surpreen- um século, muitos dos engenheiros
sica ou Biologia é mais ou menos a dentemente, conseguiu-se uma ex- não eram mais do que mecânicos
mesma que se observava em séculos celente harmonia entre o ensino das práticos. A grande revolução se dá ao
pretéritos. Simplificando, é aula teóri- teorias e a clínica médica. De fato, é início do século XIX, com a fundação
ca e laboratório. o único curso profissional em que os da École Polytechnique, que vai para
Mas certas carreiras profissionais, dois lados convivem bem. o extremo oposto, pois foi fundada
cujo ensino é mais recente, encon- Em que pese esta proeza do ensino por cientistas. Cria-se então um curso
tram uma escolha difícil de enfrentar, médico, a convivência do ensino das com muita ciência, muita Matemática,
pois têm um lado teórico distante de teorias com o desempenho na práti- atividades em laboratórios e quase
um outro prático. O que é rabiscado ca sempre foi o calcanhar de Aquiles nada de prática. Os polos da prática
no quadro negro é uma imagem es- do ensino das profissões. A Adminis- sem teoria e da teoria sem prática são
maecida do mundo real. É árduo o tração de Empresas é um caso clás- os casos extremos dos muitos mode-
desafio de combinar os dois? sico. Busca preparar pessoas para a los de engenharia atuais.

24 | CONCRETO & Construções | Ed. 89 | Jan – Mar • 2018


Curiosamente, a Polytechnique foi Note-se, mesmo na França, trata- nólogos, pois seu número é ínfimo.
a fonte de inspiração para uma radical -se de um modelo elitista, voltado E mandando em todo mundo, está
mudança de rumo do ensino america- para os poucos candidatos de exce- um engenheiro que quase nada sabe
no. Não deve ser coincidência, mas lente preparação, o que não é mais dos processos sob a sua supervisão.
a École Polytechnique é uma escola o caso entre nós. De fato, sendo um Ou seja, há um vácuo profissional en-
militar e a americana que primeiro a modelo único para todos, chegam tre o peão e o nosso “polytechnicien”.
copiou foi West Point, que além de às nossas engenharias alunos sem O resultado bem conhecemos, um
ensinar Engenharia, é a academia mi- a base científica e de Matemática deles sendo a perda de 30% de ma-
litar do Exército Americano. O modelo requerida. teriais na obra. Poucos discordam de
foi progressivamente adotado pelas Mas, o que é pior: não temos a que estamos diante de um modelo
demais escolas de engenharia que se solução dupla da França e Alemanha. amplamente disfuncional. Em outros
formavam ou se transformavam. O tecnólogo deveria cumprir esse pa- ramos da Engenharia, os proble-
Sua escola de engenharia combi- pel. Mas nem em quantidade e nem mas podem ser menores, mas não
nou a “overdose” de teoria francesa em qualidade consegue dar conta estão ausentes.
com a sólida índole prática de tudo do recado.
que se faz naquele país. Ademais, Pensemos na construção civil. O 3. A INTELIGÊNCIA DAS
manteve no currículo um substancial nosso peão é tão analfabeto quan- MÃOS E A ENGENHARIA
conteúdo de Humanidades – inexis- to o argelino que carrega tijolos na Na transformação para Homo sa-
tentes na tradição francesa das esco- obra francesa. Mas acima dele há um piens, deixando de ser um primata
las puramente profissionais. francês com um Certificat d’Aptitude irrelevante, duas mudanças chamam
Aparte esse casos polares, o mun- Professionel (equivalente ao SENAI). a atenção. A primeira é o polegar,
do tendeu para soluções paralelas. No patamar seguinte está o graduado que cresce, tornando a mão uma fer-
Na Alemanha, forma-se o Ingenieur, de um Lycée Technique (equivalente ramenta muito mais versátil e pode-
mais teórico, em paralelo aos técni- ao nosso técnico). Ainda mais alto rosa. A segunda é o cérebro, que se
cos formados nas Fachhochschu- está o graduado da IUT. E no topo, o desenvolve, passando de 300 para
len. Com as variantes esperadas, o soberbo “polytechnicien”. Ou seja, há 1300 gramas. Mas essas não são
modelo duplo se reproduziu em boa gente com o perfil requerido em todos evoluções independentes. O cérebro
parte do mundo. Na própria França, os níveis da hierarquia da obra. cresce para permitir à mão façanhas
em contraponto à Engenharia teóri- Dentre nós, acima do peão há o antes impossíveis. E a mão estimu-
ca da Polytechnique, foram criados encarregado, um ex-peão, cuja for- la o cérebro a crescer, por abrir as
os Institutes Universitaires de Tech- mação é improvisada e cheia de limi- portas para manipulações cada vez
nologie (IUT), versões mais práticas tações. Não há técnicos e nem tec- mais ambiciosas.
da Engenharia.

2. COMO O BRASIL CRIOU


A SUA ENGENHARIA
Em grande medida, até a metade
do século XX, nossa Educação se ins-
pirou na França. Dada a forte influên-
cia cultural deste país, optamos por
copiar a École Polytechnique. Assim
sendo, há muita Matemática e mui-
ta teoria. Mas como as cópias ten-
dem agravar as fraquezas do copia-
do, temos pouco laboratório e ainda
menos prática.

CONCRETO & Construções | Ed. 89 | Jan – Mar • 2018 | 25


Como isso acontece simultaneamen- conhecimento mora na cabeça, mas Como na Medicina, a didática da
te, as conexões neuronais das mãos entra pelas mãos”. Ao construir o que Engenharia deveria ser mais do que
se localizam nos campos mais novos quer que seja, as mãos aprendem e óbvia. Uma profissão em que se fa-
do cérebro, responsáveis pelo raciocí- ensinam para o cérebro. zem coisas só pode se aprender fa-
nio analítico – que avançava também Com esses comentários, passa- zendo. Mas nos cursos não se pra-
nesta etapa. Assim sendo, a mão e a mos a examinar os equívocos da di- tica, apenas se ouve falar de prática.
inteligência estão fisicamente conecta- dática predominante nos cursos de Lembremo-nos, tecnologia se apren-
das. Dizendo de outra forma, há uma Engenharia – que aliás, neste particu- de fazendo e não vendo a foto da má-
inteligência da mão. Vejamos o que di- lar, não é muito diferente das outras quina no livro.
zem autores acima de qualquer suspeita: carreiras. Em seguida, falamos de sua Esses são os problemas, sérios
u “Por ter mãos, o homem é o mais evolução recente. e muito bem conhecidos. De fato, a
inteligente dos animais” educação acontece na sala de aula e
(Anaxágoras) 4. ERROS E ACERTOS sem uma aula eficaz não há salvação.
u “O que temos que aprender, NA SALA DE AULA O lado bom é que conhecemos tam-
aprendemos fazendo” O ensino de Engenharia compar- bém os caminhos certos.
(Aristóteles) tilha com quase todos os outros cur- A primeira lição importante é que
u “A mão é a janela da mente” sos os mesmos problemas de uma só se aprende quando se aplica. O
(Kant) pedagogia velha e equivocada. Mas professor dá uma aula brilhante. O
u “A Inteligência da mão existe” isso não é um grande consolo. aluno fica admirado e acredita que
(Charles Bell) Apenas ouvir o professor jamais foi aprendeu. Mas se for proposta uma
u “Fazer coisas e fazê-las melhores uma boa maneira de aprender. Tam- aplicação, verá que não havia apren-
está na essência da humanidade” pouco é encher o quadro negro e obri- dido. Tem então que lutar bravamen-
(Piaget) gar os estudantes a copiar e memo- te com o assunto novo, até conseguir
u “Quando a mão e a cabeça se se- rizar o que lá está. Ensinar assuntos entender. Mas na volúpia dos currícu-
param, o resultado é uma disfun- cuja utilidade os alunos não percebem los frondosos e exagerados, raramen-
ção mental” é uma péssima ideia. Entupir os alunos te se aplica o ensinado. Fica então o
(R. Sennet) com mais matéria do que conseguem aluno na ilusão de que sabe, talvez
Se aprendemos com as mãos, digerir é outro erro contumaz, pois se quebrada no dia da prova – se esta
uma profissão cujo leit motiv é fazer não dá tempo para entender, o jeito pedir aplicação. Se isso não aconte-
não deveria jamais perder a ajuda das é decorar. Ouvir falar de tudo e não cer, é na obra ou na fábrica que vai
mãos ao ser estudada. Como diz uma aprender nada em profundidade é o tomar conhecimento das profundezas
corporação de ofício francesa: “O resultado dessa pedagogia. da sua ignorância.
É preciso entender claramente o
que é aplicação. Se a resposta está
no livro ou foi mencionada pelo pro-
fessor, não é aplicação, mas um mero
exercício de memória. Aplicar é ser
capaz de resolver um problema que
não foi proposto, que não é o mesmo
da aula. No fundo, é testar a portabili-
dade do conhecimento.
Em uma área aplicada como a En-
genharia, a prática não é simplesmen-
te aplicar mecanicamente números
a um algoritmo. A teoria não explica
tudo, não prevê tudo. É necessário

26 | CONCRETO & Construções | Ed. 89 | Jan – Mar • 2018


experimentar e, por via de conse-
quência, errar. E errar muito não é
má ideia. É a chance de entender
em maior profundidade. A tolerância
diante do erro faz parte da profissão.
Obviamente, não é na construção da
imensa ponte que se defende o direito
de errar. É no processo de aprender.
Outro princípio mais do que cen-
tral no aprendizado é a contextuali-
zação. De uma forma ou de outra, os
bons professores sempre mostraram
as ideias novas no bojo de outras já
familiares aos alunos. Esta boa prática
foi confirmada por ampla pesquisa, de-
monstrando que quando se aproxima a
ideia nova do que o aluno já conhece,
o nível de aprendizado é bem superior. cesa. Tudo começa com um pro- cepcional de figurantes. A Universida-
Uma coisa é decorar uma fór- blema real. de de Illinois adotou o modelo do Olin
mula. Outra coisa é entender o que 2 – Aplicação antes de aprender a e imagina-se que Olin será imitado
realmente ela quer dizer, como for- teoria. O problema real desperta múltiplas vezes, pois foi criado com
mulação sintética de uma teoria re- interesse e a busca de uma solu- esta intenção. As grandes universida-
lacionando algumas variáveis. Há ção, ainda que trôpega, prepara des americanas experimentam tam-
inúmeras maneiras de contextualizar, a cabeça para entender a teoria. bém em outras linhas. A Inglaterra se
para que a lei seja realmente apren- 3 – O que se ensina será contextu- revela talvez como o maior laboratório
dida e não apenas memorizada. Por alizado. Como já foi dito, o novo de experimentos em novos modelos
exemplo, contando histórias, usando precisa ser mostrado em uma si- de cursos de Engenharia.
metáforas, analogias ou através de tuação real e familiar para o aluno. No Brasil, ainda que tardiamente,
problemas e projetos. 4 – Mão na massa! instituições como a Politécnica da
Um dos fracassos mais conhe- Obviamente, o dito acima não pas- USP, o ITA e o IME formulam progra-
cidos nos cursos de Engenharia é sa de um resumo curto das falhas e mas ambiciosos de reformulação dos
a altíssima reprovação na disciplina das boas práticas no ensino de Enge- seus cursos. E resta lembrar o Insper
de Cálculo I. De fato, pode chegar a nharia. Mas pelo menos, dá uma ideia que criou um curso com assessoria
50%. Mas a razão é simples, o cálculo dos principais culpados pelos maus direta de Olin. Diante deste início de
não é contextualizado. Os professo- resultados, bem como aponta para movimentação, outras instituições co­
res não explicam para que serve cada novos rumos e estratégias de ensino. meçam a repensar seus cursos. O mo-
conceito ou como pode ser aplicado mento é interessante.
no mundo real. 5. REPENSANDO A ENGENHARIA Vale a pena tentar rascunhar os
Felizmente, há bons exemplos de E SEUS CURSOS novos rumos pensados para o ensino
inovação por aí. Devemos considerar Grandes cabeças estão hoje ten- da Engenharia. O que está dito adian-
quatro direções que está tomando o tando repensar os cursos de Enge- te foi fortemente inspirado por um en-
novo ensino de engenharia. nharia. O exemplo mais destacado é contro no ITA, no qual grandes figuras
1 – O uso do método indutivo, subs- o Olin Institute, cujo curso foi criado do ensino da Engenharia, brasileiros
tituindo a tradição dedutiva fran- do zero e concebido por um time ex- e estrangeiros, discutiram o assunto1.

1
E também, pelo já clássico livro de D. Goldenberg e M. Sommervile, A whole new Engineer (Douglas: Treejoy: 2014)

CONCRETO & Construções | Ed. 89 | Jan – Mar • 2018 | 27


Como foi claramente dito no Olin segue a tradição america- nômica. É da natureza da profissão
evento citado, a Ciência busca en- na de oferecer um ciclo de educa- que sem o lado econômico não é
tender o mundo. Já a Engenharia ção geral dentro dos quatro anos Engenharia, mas sim alguma forma
usa a Ciência para construir ou mu- de graduação (em contraste com a de diletantismo. Ou o cliente paga
dar o mundo. Mas a esse legado chamada Escola Napoleônica fran- a conta ou não se sai da miragem.
científico, soma milênios de expe- cesa, adotada no Brasil, na qual o E também se deve entender que
riência de fazer. Dito de outra for- ensino superior é puramente profis- sempre paira o risco de que os con-
ma, engenharia é combinar ciência sional). Não obstante, vai um pouco correntes consigam fazer melhor ou
com “fazeção”. Também é preci- mais longe, insistindo nas Humani- mais barato. A competição é parte
so entender, Engenharia não é um dades, nas leituras e na redação. Ou do cotidiano de um engenheiro.
corpo estático de conhecimentos, seja, o objetivo é formar um aluno Engenharia é integrar a inovação
mas um processo de usar ciência que enxerga além das equações e com o negócio. Tudo começa com
e experiência para fazer o que quer das oficinas. um bom diagnóstico: onde estamos,
que seja. Há também uma preocupação o que não funciona bem, o que po-
A Engenharia combina a beleza de instilar valores, tais como o cul- deria mudar, o que pode ser melho-
da ciência com a solução de pro- tivo da cultura da inovação e da rado? Mas note-se que, nesta eta-
blemas reais. Um dos seus grandes percepção da beleza nas obras. pa, é mais ciência do que técnica. É
atrativos é estar sempre com um Além disso, o aluno deve aprender na hora de encontrar e escolher so-
pé em cada lado desta dualidade a trabalhar em equipe. Tem também luções que se entra no seu âmago.
teoria/“fazeção”. que entender que o engenheiro im- Voltamos a insistir, a Engenharia
No modelo Olin, há sempre a provisa e que tudo pode ser melho- não é movida pela curiosidade, mas
preocupação de começar com um rado. Como já se disse, o bom en- pelo negócio. Fazer é só o início.
problema, ou melhor, um mistério. genheiro é quem faz com um dólar Alguém precisa comprar. Portanto,
Por que o viaduto caiu? Por que a o que qualquer idiota gasta dois. E vender pode até ser mais crítico ou
cozinha explodiu? Por que o aci- para tais empreendimentos, convive difícil do que criar um produto novo.
dente com o avião? Tenta-se dar ao sempre com o risco e a incerteza. Há muitos exemplos mostrando
curso uma índole de decifrar misté- Seja em Olin, seja nas grandes que uma tecnologia mais ou menos,
rios e enfrentar desafios. escolas de engenharia que se rein- porém bem vendida, faz mais vanta-
Fala-se sempre em resolver pro- ventam nos dias de hoje, há uma gem do que outra perfeita, mas que
blemas como o objetivo de um bom visão clara de que a missão do en- não se impôs no mercado. O exem-
curso de Engenharia. Mas em Olin, genheiro é criar um mundo novo, di- plo clássico é o VHS que desbancou
isso é pouco, considera-se essen- ferente e melhor. O engenheiro deve o Betamax, apesar de ser uma solu-
cial descobrir onde está o problema sempre estar se perguntando: o que ção tecnicamente inferior.
e não apenas encontrar soluções está mal, como posso melhorar, Resumindo, os grandes centros
para os problemas propostos. como posso consertar ou revolucio- de ensino de engenharia borbulham
Ao longo do curso, espera-se nar alguma coisa? O desafio da cria- com propostas de mudança. Já
que os alunos criem empresas de ção e da invenção é permanente. passaram da fase de serem apenas
verdade. Com efeito, está disponí- Mas ao mesmo tempo, os pés cogitações de professores idealistas
vel a cada aluno um crédito de 50 precisam estar solidamente no ou irrequietos. Há muitos experi-
mil dólares para iniciar a empresa chão. Só há inovação quando al- mentos bem sucedidos de trans-
concebida. guém compra. Engenharia é a fusão formação dos cursos. Mesmo no
Outra característica interessante da ciência com o negócio. Brasil, alguns dos melhores cursos
do curso é a presença próxima das Tudo tem custo e tudo pode ser estão planejando mudanças muito
empresas, não apenas colaborando, feito de diferentes maneiras. O de- significativas, seja no como, seja no
mas discutindo o que deve e o que safio é combinar uma boa solução que ensinar.
não deve ser ensinado. técnica com a sua viabilidade eco- Assim sendo, é hora de embarcar.

28 | CONCRETO & Construções | Ed. 89 | Jan – Mar • 2018