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Clavio J.

Jacinto
O ESCANDALO E O TESTEMUNHO

C. J. Jacinto

Um dia anterior, tinha ouvido um sermão sobre Isaias 53, naquela tarde
de sábado, na igreja Batista Bíblica, me chamou a atenção a mensagem,
porque quando ouvia o sermão, me lembrava daqueles anos passados,
quando fiz um estudo mais profundo sobre a mensagem da cruz. Eu
gostaria de compartilhar isso com você. Primeiro, desejo citar aquela
passagem de Paulo que corresponde a I Coríntios 1:18, 19 e 23: “Porque
a palavra da cruz é loucura para os que perecem; mas para nós que
somos salvos, é o poder de Deus. Porque está escrito: destruirei a
sabedoria dos sábios, e aniquilarei a inteligência dos inteligentes. Mas
nós pregamos Cristo crucificado, que é escândalo para os judeus, e
loucura para os gregos”. Também desejo fazer menção de Hebreus 9:12
e 22 : “Nem por sangue de bodes e bezerros, mas por seu próprio
sangue, entrou uma vez no santuário, havendo efetuado uma eterna
salvação. E, quase todas as coisas segundo a lei, se purificam com
sangue, e sem derramamento de sangue não há remissão”. A morte na
cruz era absolutamente horrível e vergonhosa, inventada pelos persas,
era um meio terrível de punição, os romanos tomaram essa pratica para
punir os criminosos dos persas. Morrer numa cruz era morrer debaixo de
uma absoluta humilhação, a cruz concentra todos os absolutos, da
vergonha, das dores, do sofrimento, do insulto, da zombaria, do
sarcasmo, da desonra etc. Foi nessa condição que Cristo derramando seu
sangue imaculado, morrendo na cruz realizou uma obra consumada e
perfeita, oferecendo um sacrifício vicário e uma substituição penal. “O
qual deu a si mesmo por nós” (Tito 2:14) “Deu a sua vida em resgate de

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muitos” (Mateus 20:28). “Em seu sangue nos lavou de nossos pecados”
(Apocalipse 1:5) “O sangue de Jesus Cristo mos purifica de todo pecado”
(I João 1:7) Aqui temos o escândalo na sua forma mais plena, o Emanuel,
Deus conosco é o Verbo encarnado, o Alfa e o Omega reduzido á
vergonha e a humilhação, esvaziando-se a si mesmo para morrer a
morte de cruz, “Maldito todo aquele que for pendurado no madeiro”
(Galatas 3:13) que ato voluntario terrível Cristo teve que suportar por
nós! Sob essa horrenda humilhação, no padecimento de todas as dores
mais atrozes, Cristo teve que suportar todas as nossas iniqüidades, todas
as nossas abominações, todas as nossas rebeliões, toda a nossa
impiedade estava sobre ele.”Levando Ele mesmo em seu corpo os nossos
pecados, sobre o madeiro” (I Pedro 2:24) esse é o testemunho do Novo
Testamento. Sob a vergonhosa cruz, aos olhos dos judeus, é quase
impossível que o Filho de Deus esteja nessas condições, não olhavam
para si mesmos, o orgulho os impedia de ver a graça e a misericórdia sob
esta ação de Deus pelo sacrifício redentor, ameniza-se a depravação do
pecado e a redenção pela cruz torna-se desnecessária. Porque os judeus
com seus sistemas de sacrifícios estavam impossibilitados de receberem
perdão dos pecados seguido de regeneração, como bem denota Hebreus
10, porém Paulo declara: “Todos pecaram e destituído estão da glória de
Deus’ (Romanos 3:23) destituídos significa falidos, cada homem filho de
Adão está falido espiritualmente (Efésios 2:2) está morto
espiritualmente, todo o ser espiritual que provem de adão, nasce de
falência múltipla, já entra em óbito espiritual quando nasce, e o que
nasce da carne de Adão herda a morte de Adão, mas o que é justificado
por Cristo, nosso Senhor, herda a vida eterna do Eterno Filho (João 6:47)
Mas a cruz escandalizava o judeu, não conseguiam ver a gravidade do
pecado, portanto também não poderiam entender a necessidade da
obra da cruz. “O sangue da aspersão que fala melhor que o sangue de
Abel” (Hebreus 12:24) Aqui temos a visão de escândalo, parece uma
doutrina inaceitável que o Santo tenha enfrentado a cruz, isso parece
irreconciliável com a sabedoria humana, então judeus e gregos
embarcam na mesma rebelião contra a redenção pela cruz, pois ela é
escândalo para os judeus e loucura para os gregos. Eles tinham seus
filósofos e suas crenças, Platão e todos os outros pensadores tinham seu

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modo de entender o universo, a cosmovisão grega era muito bela, não
poderia sofrer com a mancha do escândalo da cruz, isso seria loucura,
assim também o judeu não poderia aceitar a loucura da cruz, pois isso
era um escândalo, o Verbo divino fazendo-se carne para passar vergonha
aos olhos humanos, e o que dizer de todos os pagãos que eram auto-
suficientes para resolver seus problemas espirituais? Era inaceitável que
as mãos humanas e o coração de tal forma esteja depravado que todas
as bias obras e intenções se apresentem maculadas perante os olhos
justos de Deus. Parecia algo inaceitável, e a fé cristã vai ser única na
historia porque vai sobreviver no antagonismo mais radical que se
apresenta contra ela, a oposição a essa idéia estava no campo inóspita
do judaísmo,onde floresceu debaixo dessa rejeição e ataque. Silenciem
os algozes da cruz, porque se a fé cristã não for verdadeira, sobrevivendo
debaixo dessa ferrenha oposição, nada mais pode nesse mundo ser
considerado como verídico. Ao invés de argumentarem sem força,
deveriam aceitar esse legado de evidencias que corroboram a
sobrevivência da fé cristã debaixo dessa tripla oposição: Judeus gregos e
o colossal Império Romano, nenhum movimento puramente ateísta seria
capaz de percorrer todo esse vasto campo minado e sair ileso, podem
criticar a vontade, é muito fácil dançar em colchão de rosas, impossível é
por vontade própria descer ao fogo da provação e sair purificado ao
invés de reduzido a cinzas. Quando tudo a volta da igreja era contra ela,
quando todos tentavam destrui-la, seus membros apenas perdoavam.
Gregos judeus e romanos, algozes da igreja devem envergonhar-se
porque a verdade do racionalismo é uma flor perecível comparada com a
religião cristã, que depois de sobreviver a esse escândalo e a essa
loucura, tornou-se uma rocha irremovível, onde vai sustentar cada
martírio, e se a fé cristã enfrentou o martírio para sobreviver, o
racionalismo “martiriza’ a própria razão num melancólico suicídio
perante tão grande evidencia, pois é sobrenatural a sobrevivência dos
cristãos, depois de ser considerado loucura pelos gregos e de ser
escândalo aos judeus e ainda mais, foram declarados inimigos de estado
do império romano, assim como é sobrenatural a sobrevivência dos
judeus debaixo da ferrenha e continua perseguição através dos séculos,
assim também o cristianismo saiu do abismo do ódio, com uma rosa de

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sarom na mão e com o estandarte da mensagem da cruz na boca. só um
coração insensível não fica atônito diante desses fatos. A mensagem da
cruz é nosso estandarte, alegrem-se redimidos “Porque nada podemos
contra a verdade, senão pela verdade”(II Coríntios 13:8).

A cruz é o testemunho da graça e da misericórdia de Deus, a misericórdia


de Deus é a causa de não sermos consumidos, (Lamentações 3;22) é bem
verdade como atesta a Palavra de Deus, mas alguém teve que ser
consumido na cruz, para que a misericórdia triunfasse sobre o juízo
(Tiago 2:13) Por isso, o profeta confirmou que ele levaria sobre si as
nossas enfermidades, a doença mortal do pecado sobre seus ombros, os
escombros de nossas iniqüidades sobre sua cabeça, se o açoite dilacerou
seu corpo, o nossos pecados vorazes lhe consumiu a alma, e ainda por
cima a ira divina sobre Ele, a ira de Deus precisava encontrar um
cordeiro expiatório, era nossa a condenação, mas Cristo se humilha e
toma o nosso lugar, o Filho divino se despoja da majestade e se reveste
da humildade e da humilhação, para salvar pecadores arrogantes e
orgulhosos que mereciam a condenação eterna, e eu era um deles e você
também é.

A grande verdade das Escrituras: a crucificação foi o meio pelo qual Deus
em Cristo triunfou sobre o pecado e nos concede uma eterna redenção,
Cícero classificava a morte de cruz como o mais cruel e abominável
castigo, a morte da cruz era o suplicio mais vergonhoso e mais sofrido da
historia, é obra de pecadores nefastos, o homem criou a cruz, crueldade
de todas as crueldades, inventou esse meio de castigo, uma forma de
sofrimento lento e doloroso, era uma sentença reservada para escravos,
estrangeiros, revolucionários políticos rebeldes e criminosos civis,
múltiplas agressões grosseiras era o processo que antecipava a
crucificação, o flagelo era um prefacio do horror, causaria a debilidade
na vitima, a fim de não prolongar-se sob o manto da dor que devora até
as profundezas do ser, nessa agonia física e psicológica, os minutos se
rebelam contra o tempo, e desacelera as horas, a dor perpetua o agora,
e esses flagelos debilitavam a vitima ao modo que quando era pregada
no “patibulum”que era erguido sobre a “estipes”, o condenado já estava
de tal modo debilitado que em poucas horas falecia na mais extrema

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agonia, asfixiado, no caso de Cristo acredito eu que, ele derramou até a
ultima gota de sangue, a causa da morte de Cristo foi derramar toda a
vida do sangue (Levitico 17:11) um homem adulto tem cerca de 5,5 litros
, gota por gota, aquele sangue saiu do Verbo, o Cordeiro imaculado,
derramou-se a si mesmo em seu sangue, para fazer expiação pelos
pobres pecadores. “Em quem temos a redenção pelo seu sangue, à
remissão das ofensas, segundo as riquezas da sua graça” (Efésios 1:7)
“Em quem temos a redenção pelo seu sangue, a saber, a remissão dos
pecados” (Colossenses 1:14) “Sabendo que não foi com coisas
corruptíveis, como prata ou ouro que fostes resgatados da vossa vã
maneira de viver que por tradição recebestes dos vossos pais, mas com o
precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro imaculado e
incontaminado, o qual , na verdade, em outro tempo foi conhecido,
ainda antes da fundação do mundo, mas manifestado, nestes últimos
tempos por amor de vós” (I Pedro1: 18-20)

Quem pode medir a agonia de Cristo? “Sendo obediente até a morte e


morte de cruz” (Filipenses 2:8) A paixão de Cristo é o cálice mais amargo
do universo, por favor, parem de ver a obra da cruz de forma superficial,
o tratamento de Deus com a sua vitima vicaria foi terrivelmente
agonizante. A vida de Cristo do inicio ao fim foi uma cruz, o calvário foi
apenas uma consumação, o destino final da redenção, mas olhe que ele
antes já suou gotas de sangue, tal agonia da alma, apertou o coração até
o esmagamento completo do homem interior ao ponto do sangue não
suportar e fugir da carne, isso é a hematohidrose. (Lucas 22:44) Tudo de
ruim sobreveio sobre a antecipação do Golgota, ele foi traído,
abandonado por quase todos, negado, exposto a zombaria, a vergonha e
nudez, ele foi coroado com a infâmia e cuspido com a saliva das
abominações humanas, veja que a hora da cruz é a hora das trevas, até
mesmo o sol se escondeu em pleno dia, daquele momento terrível, a
face do Pai Altíssimo virou-se contra seu filho, eu nem sei como os anjos
se comportaram diante daquela cena tão cruel, “Meu Deus, meu Deus,
porque me desamparaste?” (Marcos 15:34) em outras palavras, Cristo
clamava “Porque meu Pai, me deixastes em condições tão terríveis, olha
pra mim, veja como as minhas carnes estão penduradas, olha, os ossos
de minhas costelas estão nus, a coroa medonha que os pecadores

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puseram na minha cabeça, olha para minhas chagas abertas, para meu
sangue que cai sobre a terra dos blasfemos, ao invés de teu consolo
recebo de ti a tua ira por amor a eles” é um paradoxo, um escândalo,
pensar que meu Salvador estava morrendo por aqueles que o estavam
matando. Mas não posso deixar de falar sobre o flagelo dos açoites, o
“latigo” feito de couro e metais e ossos fragmentados em suas pontas, a
surra com esse instrumento, devastava a carne dos flagelados, era um
açoite faminto que devorava a carne das vitimas, ao ponto do desespero
da morte chegar antes da crucificação. Tudo isso fez por nós “A igreja de
Deus que Ele resgatou com seu próprio sangue” (Atos 20:28)

A Graça e a cruz

Abrimos as Escrituras em Lucas 23:38 a 43, dois malfeitores estavam


crucificados com Cristo, um blasfemou e o outro se arrependeu,
reconheceu “Nós, na verdade, com justiça, porque recebemos o que os
nossos feitos mereciam, mas este nenhum mal fez”. Que declaração
magnífica! Ela é dupla, a visão daquele homem se abriu, ao mesmo
tempo em que a pureza do Santo iluminava seu coração, revelava-se seu
interior com seus terríveis pecados. Olhe para aquele homem
depravado, o malfeitor, veja sua condição de crucificado também, que
mérito havia naquela alma bandida? Que havia naquele homem que
pudesse fazer com que Deus lhe concedesse o paraíso, quando na
verdade merecia totalmente o inferno? Mas o malfeitor olha para Cristo,
deixe-me explicar algo, porque é correto admitir que enquanto Cristo
estava crucificado numa cruz “Sublimis” que era alta, os dois malfeitores
foram crucificados numa cruz “humilis” que eram baixas, os pés dos
crucificados malfeitores quase tocavam no chão, havia esse tipo de
sentença, pois havia aqueles condenados sem um direito a sepultura, o
cadáver servia de pasto para as feras carnívoras, que durante a noite
devoravam a carne dos crucificados já falecidos. Mas um desses
malfeitores ergue os olhos para o alto, no labirinto da vida de pecados e
tantas placas de indicações, a saída é olhar para cima, é olhar para o
Cristo que morreu por nós, não há outra direção onde um pobre pecador
possa olhar, só Ele pode nos conceder vida eterna, só Ele é o caminho a
verdade e a vida (João 14:6) e aquele pobre malfeitor, sem nenhum

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mérito próprio, sem qualquer característica útil, não havia nada em si
mesmo que pudesse lhe dar o direito de reinvidicar o paraíso por
merecimento pessoal, nunca alguém poderia achar naquele homem um
motivo eloqüente para conceder-lhe um perdão, aqui está novamente o
escândalo, e a nova aliança, o primeiro resultado da obra da cruz, é um
criminoso, uma classe mais vil de homens, que nada merecia, pois não
havia um único pingo de reputação que o fizesse merecer o paraíso, não
havia nenhum mérito, nem boas obras, nem moralidade e nem
legalismo, nada absolutamente nada, e assim mesmo Jesus declara
“Hoje estarás comigo no Paraíso”, e o sangue, aquele sangue que se
derramava de Cristo, aqueles olhos de iniqüidade viram pureza, tão
grande pureza que sobre ele veio a esperança de um perdão, a
esperança da vida eterna, inaugura-se a nova aliança como o primeiro
homem transformado vindo das profundezas do mundo caído, deixando
para trás sacerdotes, escribas, doutores da lei, filósofos gregos, e toda a
classe de religiosos, homens de sofisticada reputação religiosa que
rejeitaram a Cristo, eis o que faz as obras humanas. Essa é a grande lição,
e falo ainda mais, muitos passavam e zombavam, riam de Cristo, por ser
encontrar em uma tão deplorável situação de humilhação e tristeza, era
zombadores e incrédulos, cheios de orgulho, tão obstinados quanto os
religiosos, o que o Salvador descreve na parábola do fariseu e do
publicano (Lucas 18:9 a 17) “Havendo riscado a cédula que era contra
nós nas suas ordenanças a qual de alguma maneira nos era contraria e a
tirou do meio de nós cravando-a na cruz” (Colossenses 2:14), quando o
fariseu enche seu coração de méritos religiosos e vai apresentar a sua
opulência “espirituosa” diante do Senhor, olha para o resultado dessa
tragédia humana, quanto mais o homem tenta justificar-se por meio de
seus méritos, mais deplorável torna-se a própria condição diante de
Deus. O malfeitor humilhado daquela cruz apenas creu, era o momento
da regeneração, a graça de crer, de confiar, de arrepender-se,
reconhecer que merece a sentença de morte e o inferno, mas recorre ao
Santo Salvador, olha para aquele sangue da remissão “Não pelas obras
da justiça que houvéssemos, mas segundo a sua misericórdia, nos salvou
pela lavagem da regeneração, e da renovação do Espírito” (Tito 3:5) A
multidão dos que confiavam em suas tradições religiosas ficaram para

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trás, sacerdotes e escribas ficaram para trás, rejeitaram a Cristo, mas ali
estava no calvário, ao lado de Cristo o pior de todos os pecadores,
olhando para o sangue da nova aliança que era derramado por muitos,
inclusive por ele mesmo, aproxima-se por fé dessa realidade espiritual,
reconhece sai deplorável e miserável condição pecaminosa e clama a
Cristo, somente a Cristo, havia alguns outros presentes, que assistiam a
expiação vicaria do Verbo de Deus, mas o pobre homem apela tão
somente para Cristo, eis a grande conversão e a salvação tão somente
pela graça, nada mais do que a graça, favor imerecido, na sua total
depravação aquele malfeitor recebe o perdão dos pecados pelo sacrifício
vicário de Cristo, e ali mesmo com o passaporte carimbado para o
inferno, recebe o direito de vida eterna através do decreto de Cristo “Em
verdade hoje estarás comigo no Paraíso” nada mereceu para receber
isso, não havia um único saldo positivo no banco dos atos meritórios, a
falência moral e espiritual era completa, como mais tarde iria escrever
Paulo, dando essa mesma sentença para cada homem “Todos pecaram e
destituídos estão da glória de Deus” (Romanos 3:23) portanto você que
não reconhece ser um pobre pecador, não o faz por orgulho infernal,
pois sem arrependimento não haverá remissão de pecados, e assim
jamais pode confiar em si mesmo, mas deve confiar completamente na
obra de Cristo “Se alguém não estiver em mim será lançado fora, como a
vara, e secará; e os colhem e os lançam no fogo, e ardem” (João 15:6)
Esqueça de si mesmo, não confie na sua bondade, elas não são
creditadas como bonificações para que você mereça a vida eterna, você
não pode fazer nada para se salvar, mas Cristo fez tudo para te dar a
salvação. Olhe para aquele malfeitor, sua contrição, sua visão era
simples, um reconhecimento sincero que era falido moral e
espiritualmente e então ola para Cristo e encontra perdão e redenção,
pois o pedido do malfeitor era que se lembrasse dele quando Jesus
Cristo entrasse no seu Reino, reconheceu Cristo como Rei, reconheceu a
autoridade de Cristo, reconheceu o poder de Cristo, viu no Senhor a
porta de entrada para um reino eterno, e a resposta do Senhor não
decepcionou aquele pobre homem, quando lhe seria concedida a
entrada no Paraíso, e o que fez aquele homem para merecer isso? Nada!
Cristo o fez, foi Cristo quem lhe deu o direito de entrada no Paraíso, sem

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ele merecer, absolutamente nada havia de digno naquele malfeitor que
o fizesse merecedor das bênçãos celestiais, mas Cristo poderia dar
gratuitamente a justificação “O salário do pecado é a morte, mas o dom
gratuito de Deus é a vida eterna por Cristo Jesus nosso Senhor”
(Romanos 6:23) e foi desse dom gratuito que aquele pobre homem
recebeu, e porque recebeu? Porque reconheceu os seus pecados e
reconheceu Cristo como Senhor e Salvador. Foi somente aquele
malfeitor quem no drama da crucificação recebeu a eterna redenção, só
ele se dispôs a reconhecer sua miséria, e é ele quem inaugura a
dispensação da graça, recebendo perdão dos pecados mediante a obra
consumada de Cristo na cruz. “Se não vos arrependerdes, todos de igual
modo perecereis” (Lucas 13:5) Na salvação daquele pobre homem está
o fundamento da salvação pela graça, esse escândalo é inaceitável para
os humanistas que confiam nas próprias obras, ela é um escândalo para
os que desejam o merecimento as custas dos próprios esforços, é um
escândalo para a religião organizada ornada com as obras do orgulho
humano, é um escândalo para aqueles nutrem uma estima idolatra por
sua própria tradição religiosa, é um escândalo para aqueles que estimam
as conveniências e veneram o materialismo, é um escândalo para
aqueles que racionalizam que Deus não poderia enviar seu próprio Filho
Eterno para morrer numa cruz, é um escândalo para aqueles que não
acreditam no fogo do inferno, e por tanto diminuem a importância da
obra da cruz, é um escândalo para o mundo moderno tal mensagem da
cruz que absolve toda culpa de um horrível malfeitor e ao mesmo tempo
pune com a maldição eterna o homem de boa reputação e severamente
religioso que desgasta a vida trabalhando encima da própria salvação,
isso é um escândalo! Mas o escândalo da graça é mais louvável do que a
confiança que o homem nutre de si mesmo. Devemos confiar
unicamente em Cristo, só na sua obra e nada mais, devemos confiar no
sangue redentor, não desvie sua atenção dessa verdade, confie
totalmente ao sangue de Cristo e sua preciosa redenção, de outra forma,
se te fias da rua religião ou das tuas boas obras, então estarás
aniquilando o escândalo da cruz (Gálatas 5:11) e a palavra da cruz se fará
vã quando estiveres diante do grande tribunal do juízo (I Coríntios 1:7)

O Testemunho

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“Este é aquele que veio por água e sangue, isto é, Jesus Cristo; não só
por água, mas por água e por sangue. E o Espírito é o que testifica,
porque o Espírito é a verdade. Porque três são os que testificam no céu:
o Pai, a Palavra, e o Espírito Santo; e estes três são um. E três são os que
testificam na terra; o Espírito, e a água e o sangue; e estes três
concordam num” (I João 5:7 a 8) Note o quanto é importante a atividade
do Espírito Santo quanto ao sangue de Cristo. Mas o testemunho do
sangue e da água, este testifica na terra, é digno da minha atenção
agora. Ao mencionar água e sangue, aqui estamos ainda em terreno
sagrado, o sangue é a base da redenção, eles testificam. Água e sangue
testificam. Quando a lança do soldado perfurou o corpo de Cristo, as
Escrituras atestam que saiu água e sangue, ali sai um liquido seroso
produzido pelo pericárdio, por sua vez, o sangue que é constituído de
glóbulos vermelhos e brancos, hemácias e leucócitos, esses elementos
estão dentro do plasma que constitui em 90% de água. O sangue e a
água selam o testemunho da redenção. Somos dignos disso? Não, mas
devemos preservar esse testemunho, pelo efeito da redenção ser a
benção na vida de um redimido Veja bem, o salvo é justificado pelo
sangue (Romanos 5:9) É santificado pelo sangue (Hebreus 13:12) e é
também glorificados pelo sangue porque antes fomos justificados e
santificados pelo sangue (Romanos 8:30) assim temos um duplo
testemunho, o sangue testifica seus efeitos sobre a vida de um s alvo,
testifica sobre a misericórdia e a graça de Deus e por outra parte, o
cristão testifica ao mundo o efeito abençoador da obra de Cristo feita
com o sangue do Cordeiro imaculado; Ele mesmo! O Espírito Santo
cumpre seu papel testificador “O Espírito Santo no-lo testifica” (Hebreus
10:15) o sangue e a água também, por isso mesmo, não há argumentos
confiáveis fora da lógica das Escrituras quanto a isso. A doutrina teista é
sustentada pelo fato desses testemunhos em continuidade, e o cristão
deve ser a fiel testemunha desses acontecimentos, as evidencias da
regeneração não se dá fora do testemunho do sangue de Cristo e da
obra consumada da cruz, que os homens se
escandalizem por causa da graça de Deus, mas não devemos
escandalizar o evangelho por causa de uma vida incompatível com essas
verdades. “De quanto maior castigo cuidais vós será julgado merecedor

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aquele que pisar o Filho de Deus, e tiver por profano o sangue da aliança
com que foi santificado, e fizer agravo ao Espírito da graça?” (Hebreus
10:29). Nisto constitui o grande testemunho perante os homens, porque
a obra redentora é a prova de que Deus se importa com o homem, e lhe
dá as conduções necessárias, para se levantar dos escombros da queda e
viver uma nova vida em Cristo (II Coríntios 5:17) o sangue e a água de
Cristo são testemunhas, o Espírito de Cristo testifica sobre a redenção, o
cristão testifica como um redimido, pois somos criados em verdadeira
justiça e santidade (Efésios 4:24) “E que, havendo por Ele fito a paz pelo
sangue da sua cruz, por meio dele reconciliasse consigo mesmo todas as
coisas, tanto as que estão na terra como as que estão nos céus”
(Colossenses 1:20) o sangue do testemunho e o testemunho da graça
andam juntos, essa era a mensagem de Paulo, pois ele vivia a vida de um
crucificado, assim é fato que o efeito do pecado é real, mas o poder do
sangue de Jesus é mais real ainda, porque o efeito do pecado é
condenação mas o efeito do sangue de Cristo é justificação e vida eterna,
assim prezamos pela bendita verdade de que a justificação pelo sangue
de Cristo inclui a consagração da vida pessoal para que vivamos
completamente para a glória do evangelho. Entre o escândalo da cruz e
o testemunho do sangue e da água, prezamos pelo grande mistério do
amor divino em ter dado seu filho em carne (João 1:14 e I Timóteo 3:16)
para morrer pelos nossos pecados, um santo tomando o lugar da vil
criatura rebelde, o mais puro dos homens morreu para conceder pureza
para todos os contaminados filhos de Adão. Que diremos? Ficaremos em
silencio diante de tão grande misericórdia? A vida espiritual que Cristo
nos concede é mais que abundante, disso devemos também dar
testemunho, assim como no conceito semita primitivo era que o sangue
tinha uma identificação direta com o principio ativo da própria vida
biológica, pelo sangue de Cristo, que é tão abordado no Novo
Testamento, traz consigo o princípio ativo da redenção com total
eficiência para conceder perdão dos pecados, justificação e vida eterna
para todos os cque crêem em Cristo. Assim como na antiga aliança, no
drama do êxodo, aquele sangue coocado sobre o umbral da porta de
cada casa de um Hebreu, lhe garanto a posse da sobrevivência do juízo
que cairia sobre os primogênitos no Egito (Êxodo 12:23) assim também

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aqueles que olham para o testemunho do sangue e da água, o brado da
misericórdia sobre a cruz, mas que num ato de sacrifício com poder
eficiente, concede eterna redenção a todos os que crêem. Não contava
os méritos de nenhum hebreu, nada valia a não ser o sangue, por mais
boa que fosse uma pessoa, por maus religiosa que fosse, nem mesmo o
padrão moral elevado era garantia de proteção contra o juízo divino,
apenas o sangue, o sangue sobre os umbrais, a marca do sangue era a
única garantia para a morte não entrar, e era preciso apenas crer e
descansar nesse fato, o sangue do cordeiro pascal era a garantia das
bênçãos da libertação do cativeiro egípcio e a posse da terra prometida,
nem uma grama de mérito humano foi colocada na balança da decisão
do Senhor, foi totalmente o sangue, absolutamente o sangue do
cordeiro pascal a proteção total desse juízo divino, a marca do sangue
era a garanti única e infalível para que os hebreus recebessem
libertação, proteção e posse da terra prometida, assim o sangue de
Cristo, o sangue da obra de Cristo na Cruz, o cordeiro de Deus que tira o
pecado do mundo (João 1:29) também nos concede a vitoria sobre a
maldição do pecado, nos livra da condenação do pecado, nos concede
vitoria sob a ação do pecado e nos concederá a total livramento da
presença do pecado, quando entrarmos nos novos céus e nova terra “E
visto como os filhos participam da carne e do sangue, também ele
participou das mesmas coisas, para que pela morte aniquilasse o que
tinha o império da morte, isto é , o diabo” (Hebreus 2:14) “E eles o
venceram pelo sangue do Cordeiro e pela palavra do seu
testemunho”(Apocalipse 12:11)

Esta mensagem desenvolvida a partir de um sermão pregado na Igreja Batista Biblica de


Florianopolis no dia 7 de abril de 2019, contatos com o autor

claviojj@gmail.com

(48)998315702

Cx postal 1

CEP 88490000 Paulo Lopes SC

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