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INSTITUTO FILOSÓFICO DE APUCARANA

GABRIEL BEGALLI

RESUMO PARCIAL DA OBRA FILOSOFÍA DEL LENGUAJE


DE FRANCISCO CONESA E JAIME NUBIOLA

Apucarana

2017
GABRIEL BEGALLI

RESUMO PARCIAL DA OBRA FILOSOFÍA DEL LENGUAJE


DE FRANCISCO CONESA E JAIME NUBIOLA

Trabalho da disciplina Filosofia da


Linguagem, do curso de Filosofia do
Instituto Filosófico de Apucarana.
Orientador: Prof. Pe. Marcos Antonio
Teixeira.

Apucarana

2017
SUMÁRIO

Introdução .................................................................................................................. 5

I. PARTE III – O ATO SIGNIFICANTE: PRAGMÁTICA ........................................... 6

1. Significado e o uso da linguagem ...................................................................... 6

1.1. Semântica e Pragmática ............................................................................. 6

1.2. O ato da comunicação linguística ............................................................... 7

1.3. Os atos da fala ............................................................................................ 8

1.4. Significado e intenção. .............................................................................. 10

1.5. A dependência contextual do significado. ................................................. 10

2. Linguagem e comunicação. ............................................................................. 12

2.1. O uso da linguagem na comunicação humana. As funções da linguagem..12

2.2. Análise da conversação ............................................................................ 12

2.3. Linguagem e interação social ................................................................... 14

II. Parte IV – A TEORIA DA INTERPRETAÇÃO: HERMENÊUTICA ...................... 15

1. A filosofia hermenêutica e a linguagem ........................................................... 15

1.1. O desenvolvimento da hermenêutica ........................................................ 15

1.2. A concepção da linguagem na hermenêutica filosófica ............................ 16

1.3. Hermenêutica e filosofia analítica ............................................................. 17

2. Compreender e interpretar. ............................................................................. 18

2.1. Conhecer, compreender e interpretar ....................................................... 18

2.2. A interpretação dos textos ........................................................................ 18

2.3. A hermenêutica na teologia ...................................................................... 19

III. PARTE V – A TEORIA DA LINGUAGEM RELIGIOSA .................................... 21

1. O significado do discurso religioso. ................................................................. 21

1.1. O uso religioso da linguagem.................................................................... 21

1.2. A discussão acerca da linguagem religiosa. ............................................. 21


1.3. Sintaxe da linguagem religiosa. ................................................................ 22

1.4. Semântica da linguagem religiosa. ........................................................... 23

2. Pragmática da linguagem religiosa.................................................................. 24

2.1. As diversas funções da linguagem religiosa. ............................................... 24

2.2. A força realizativas das expressões religiosas.......................................... 24

2.3. Comunicação religiosa e linguagem ......................................................... 25

Conclusão ................................................................................................................. 26

Referência Bibliográfica ........................................................................................... 27


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INTRODUÇÃO

O livro intitulado “Filosofia del Lenguaje”, de Francisco Conesa e Jaime


Nubiola, apresenta em sua estrutura, uma variedade de temas, desde significado e a
origem da linguagem até a interferência que esta produz na vida social do homem.

Este trabalho visa apresentar de maneira sintética as três últimas partes do


livro, que elenca principalmente temas relacionados ao caráter pragmático da
linguagem, como também o caráter hermenêutico, e as características da linguagem
religiosa.

A primeira parte busca compreender o significado e o uso da linguagem,


sendo necessário analisar a relação entre semântica, pragmática e os elementos
básicos do ato de comunicar, surgindo assim algumas teorias em torno desta
problemática. Vale ressaltar as definições dadas pelos autores a alguns termos que
utilizamos no nosso dia-a-dia para expressar e utilizar a nossa linguagem.

Na segunda parte, é apresentada a teoria da interpretação, a hermenêutica.


Os autores têm a preocupação de contar a história da hermenêutica, desde seu
surgimento na Grécia antiga até o seu uso nos dias atuais. Eles elaboraram neste
capítulo a estrutura da compreensão e da interpretação.

A última parte é enriquecida com o uso da linguagem na religião, que tem


duas finalidades: falar a Deus e falar de Deus, o que permite fazer a distinção entre
linguagem de oração, a invocação e a linguagem do testemunho, e por fim, apresenta
os diversos usos da linguagem da fé.
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I. PARTE III – O ATO SIGNIFICANTE: PRAGMÁTICA


1. Significado e o uso da linguagem

O significado de muitas expressões depende da ocasião do uso da linguagem,


quer dizer, do fator pragmático. O estudo dessas influências é o objetivo da pragmática
do significado. Para isso, é necessário expor a relação entre semântica, pragmática e
os elementos básicos do ato de comunicar. Existem várias teorias em torno do
problema da linguagem, uma delas é a defendida por Searle e que Wittgenstein
aplicou a linguagem. Essa teoria insiste na ideia de que a linguagem é uma atividade
sustentada por vários sujeitos de acordo com certas regras.

1.1. Semântica e Pragmática

No entanto não é fácil distinguir entre semântica e pragmática. A pragmática


tem a tarefa de estudar, segundo Charles Morris, a relação dos sinais com seus
interpretes. A semântica estuda a relação do signo com o objeto a que se aplica.
Tendo presente algumas dificuldades, essa teoria encontra uma proposta que é
apresentada por Grice e outros, é a de que a pragmática se ocuparia do significado
prescindido das condições da realidade. Sendo assim, a pragmática atenderia ao
contexto e a intenção de quem fala e a todos aqueles aspectos do significado que
estão fora de uma teoria da verdade para uma língua natural.
Outra teoria é a que diz que enquanto a semântica se ocuparia dos aspectos
do significado que se atribui convencionalmente as expressões linguísticas, a
pragmática se ocuparia daqueles aspectos do significado que surgem de forma não
convencional, quando as expressões linguísticas são usadas em situações
comunicativas concretas. A característica da pragmática é que leva em conta o
contexto linguístico e extralinguístico assim como a intenção de quem fala e o efeito
que produz. Atende assim a fatores extralinguísticos e formas de produzir significado
que não entram por direito próprio no domínio da semântica.
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1.2. O ato da comunicação linguística


1.2.1. Os elementos do ato da comunicação

A princípio podemos distinguir quatro elementos fundamentais: emissor,


destinatário, enunciado e contexto. Com o nome de emissor designa-se a personagem
que produz intencionalmente uma expressão linguística em um dado momento, seja
oralmente seja por escrito. O emissor é o falante que usa da palavra em um dado
momento com a intenção de transmitir uma mensagem. O emissor ao fazer uso da
palavra, o realiza com um fim. O destinatário é a pessoa ou pessoas para as quais o
emissor dirige o enunciado e, com elas que normalmente pode intercambiar seu papel
na comunicação do tipo dialogante. O enunciado é a expressão linguística que o
emissor produz. É importante levar em conta a distinção entre oração e enunciado. As
orações são conjuntos ordenados dos sinais da linguagem. Do ponto de vista
pragmático, se considera enunciado o ato de enunciar uma oração (proferindo as
palavras ou escrevendo-as).
O último elemento é o contexto, ou seja, a situação na qual se realiza o
enunciado. Nós entenderemos por contexto o conjunto de conhecimentos que são
relevantes para compreender o significado dos enunciados, tanto ao emissor como ao
destinatário para interpretar uma sequência com vista a um fim. Pode-se distinguir
entre três tipos de contexto: o linguístico, o situacional e o sociocultural.
Uma parte muito importante do contexto é o conjunto de conhecimentos,
crenças, suposições e sentimentos de um indivíduo em um momento qualquer da
interação verbal. A esse conjunto se pode denominar “informação pragmática” e, se
refere a todo o universo mental do emissor e do destinatário. O contexto é uma
unidade mutável não só de um discurso para o outro, mas ao longo do mesmo
discurso, posto que as informações prévias se vão aplicando e o conhecimento entre
os interlocutores varia. O contexto depende também dos fins que tem a comunicação.

1.2.2. A comunicação como processo dialógico.

São usados alguns modelos ou metáforas para explicar o ato da comunicação


linguística: o modelo padrão é o que entende o processo da comunicação como uma
decodificação por parte do destinatário da mensagem codificado que envia o emissor.
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A comunicação seria um “canal”, essa concepção surge por volta dos anos 30 a 40
por influência da psicologia condutista. O ato da comunicação humana não consiste
simplesmente em decodificar uma linguagem. Ao usarmos a linguagem realizamos
inferências de diversos tipos, graças às quais podemos expressar e interpretar muito
mais do que esta nas palavras. Ao usarmos a linguagem ativamos uma serie de
conhecimentos que as palavras evocam e que não necessariamente estão explícitos.
A pragmática tem destacado, sobre tudo, que não basta conhecer os
significados literais das palavras que se usa, mas é necessário conhecer a intenção
comunicativa de quem fala.
O destinatário não se comporta como um receptor passivo da mensagem,
mas que a interpreta. Além disso, se tem destacado que falta algum gesto do
destinatário para que o emissor compreenda que sua mensagem tem sido recebida.
Esse modelo dialógico insiste, no entanto, em que os interlocutores são ao mesmo
tempo (e em momentos diversos) emissores e destinatários. A comunicação humana
é um processo de modo que se torna muito difícil distinguir um ato de comunicação
que lhe precede.

1.3. Os atos da fala


1.3.1. O ato de falar segundo Austin
1.3.1.1. A distinção entre realizativos e constatativos

A intuição central de Austin é que a linguagem que usamos não é puramente


descritiva. Descrever é uma das funções que pode realizar um enunciado, porém não
a única. O filósofo de Oxford advertiu que os enunciados realizativos se caracterizam
por serem orações declarativas que vão a primeira pessoa do singular. Os realizativos
não podem ser verdadeiros ou falsos, porém podem “sair mal”: se saem bem o ato
será afortunado e se saem mal, infortunados.

1.3.1.2. Os elementos do ato linguístico

O ato linguístico é composto de três elementos diferentes: Locutivo, Ilocutivo


e Perlocutivo. O ato locutivo compreende três tipos de atos diferentes: emissão de
som (ato fônico), emissão de palavras, ou seja, de sequência de som pertencente ao
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dicionário de uma língua (ato fático) e emissão de tais sequências com um sentido e
uma referencia mais ou menos, quer dizer, com um significado (ato rético). O ato
ilocutivo é o que se realiza ao dizer algo. O ato perlocutivo é o que se realiza por ter
dito algo, refere-se aos efeitos produzidos.

1.3.2. A extensão da teoria do ato de falar: John Serle


1.3.2.1. A noção do ato de falar

Searle sustenta que o uso da linguagem é um tipo particular de ação porque


a teoria da linguagem formaria parte de uma teoria geral da ação. Ele destaca que
toda atividade linguística é altamente convencional, no sentido de que esta controlada
por regras: “falar uma língua é participar em uma forma de conduta governada por
regras, ou seja, falar consiste em realizar atos conforme a regra”. A noção central de
Searle é a do ato da fala. Esta é a unidade mínima e básica da comunicação
linguística. Um ato da fala é a emissão de uma oração nas condições apropriadas.

1.3.2.2. Condições da adequação dos atos ilocutivos

Searle tentou definir de forma sistemática e estruturada as condições que hão


de cumprir os que pretendem fazer atos ilocutivos. As condições são de quatro tipos:
Condições do conteúdo proposicional: refere-se às características
significativas da proposição implantada para levar a cabo o ato da fala; Condições
preparatórias: são aquelas que devem existir para que se tenha sentido realizar o ato
ilocutivo. Condições de sinceridade: estas condições se centram no estado
psicológico do falante e expressam o que o falante sente o que deve dizer ao realizar
a ato ilocutivo. Condições essenciais: são aquelas que caracterizam tipologicamente
o ato realizado.

1.3.2.3. Taxonomia dos atos ilocutivos

São três os critérios usados por Searle para classificar taxonomia dos atos
ilocutivos: Intencionalidade: com isso se alude ao propósito que se tem ao realizar o
ato ilocutivo. Correspondência entre linguagem e mundo: os atos da fala podem-se
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distinguir pela direção de ajuste que estipulam entre o mundo e a linguagem. Existem
três possibilidades: direção da palavra ao mundo; direção mundo à palavra; direção
neutra. Condição de sinceridade: refere-se ao estado psicológico que o ato ilocutivo,
se é sincero, revela.

1.3.2.4. El problema de los actos de habla indirectos.

Muitas vezes aquele que fala, é interpretado de forma diferente daquela cujo
qual quis expressar-se. “Estos actos se realizan mediante actos ilocutivos directos y
se distinguen de éstos precisamente porque su fuerza ilocutiva no se corresponde
exactamente con la que se supone a la expresión por su forma gramatical”.

1.4. Significado e intenção.

Num processo de comunicação, transmitir um conteúdo sistemático não é


suficiente. Grice distingue entre significado da oração e significado do falante e
outorga a este último um valor decisivo. Grice destaca que o falante, ao proferir uma
emissão, tenta comunicar algo, e às vezes, tenta que sua intenção comunicativa seja
reconhecida pelo destinatário.
Grice distingue entre três diferentes níveis de significado: O primeiro nível é
o significado oracional, o qual é determinado pelos componentes linguísticos
explícitos; segundo é o significado enunciativo que consiste no complemento das
informações linguísticas com os dados contextuais que identificam o falante e a
localização do espaço e do tempo; e finalmente o significado do falante, que é o
resultado de um processo referencial fundado nos conhecimentos ulteriores
disponíveis no contexto da enunciação.

1.5. A dependência contextual do significado.

Nenhuma expressão é completamente independente de seu contexto


pragmático, pois, existem ocasiões em que esse contexto é o fenômeno fundamental
para ser comunicativo. Os linguistas têm se esforçado por classificar as expressões
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dêiticas e se tem estabelecido cinco categorias principais: a dêixis da pessoa, do


tempo, espaço, textual e social. Os dêiticos falaram de ser considerados como
substitutos de um gesto.
12

2. Linguagem e comunicação.
2.1. O uso da linguagem na comunicação humana. As funções da
linguagem

O ser humano, diferentemente do animal, tem desenvolvido um complexo


sistema de comunicação.
A comunicação humana não tem um caráter exclusivamente linguístico. Tem-
se estimado que em uma conversação entre os interlocutores só 35% da mensagem
se realiza por palavras e os 65% restante é comunicação não verbal.
As diferentes funções da linguagem têm sido utilizadas como critério para
classificar os vários tipos do discurso ou formas gerais para o uso da linguagem.
Segundo Hierro, os principais tipos de discursos são: a) discurso declarativo: é
constituído pelas orações; b) discurso prescritivo: está formado pelas orações e pelo
que significam podem ou não ser cumpridas; c) discurso expressivo: consistem em
orações que expressam a causa do seu significado, o estado psicológico do falante e
as suas atitudes que podem ou não ser sinceras; d) discurso realizativo: são orações
que, em virtude do que significam, exprimem o próprio ato da fala que por meio delas
se realizam.

2.2. Análise da conversação


2.2.1. O princípio da cooperação

Partindo do fato do emissor e o destinatário buscarem facilitar o procedimento


de comunicação, Grice indica uma série de princípios não normativos que se supõe
aceitos de modo tácito por quem participa do ato da comunicação. Segundo Grice,
existe um princípio básico, de que derivam as máximas, denominado “princípio de
cooperação”.

2.2.2. O dito e o implicado: as inferências pragmáticas

Grice adverte que o discurso abarca tanto o dito como o não dito ou implícito.
Boa parte desse discurso “não dito” ou “suposto” é estudado pela pragmática ao
ocupar-se das inferências.
13

Há um tipo de inferência que se situa não sobre a base do que se diz, mas do
que contém implicitamente nos elementos léxicos e na estrutura sintática do
enunciado ou de princípios como a informação contextual do conhecimento
compartilhado.

2.2.2.1. As implicações conversacionais

Boa parte do que não falamos está implícito naquilo que falamos. Para
explicar o desnível que a pragmática introduz no termo “implicação”, com o qual
designa o conteúdo implícito que falamos. As implicações dependem em grande parte
do contexto e estão ligadas ao princípio de cooperação que temos mencionado, já que
para poder inferir o implícito há que supor que os falantes se ajustem a tal princípio.
As implicações convencionais são aquelas que derivam diretamente dos
aspectos convencionais do significado das palavras e não dos fatores contextuais. As
implicações não convencionais se caracterizam por uma conexão mais estreita com o
contexto e o princípio da cooperação. As implicações generalizadas têm lugar
independentemente de qual seja o contexto em que se emitem.

2.2.2.2. A pressuposição

Um segundo tipo de inferência pragmática é a pressuposição. Em sentido


técnico se indicam com este termo as preposições cuja verdade é suposta ao proferir
uma expressão linguística. A perspectiva pragmática considera que para compreender
a pressuposição resulta a chave da referência ao falante. Enquanto que a
pressuposição semântica era concebida como uma relação entre frases ou entre
frases e proposições. A pressuposição pragmática é uma relação entre o falante, o
contexto e o enunciado. Não são as frases que pressupõe, mas o falante. O resultado
muito importante nas pressuposições é o contexto e, especialmente, os
conhecimentos e crenças compartilhados por ambos os interlocutores.
14

2.3. Linguagem e interação social


2.3.1. A teoria da comunidade ideal de comunicação

Apoiando-se na consideração da linguagem como ação e comunicação, dois


filósofos alemães contemporâneos, Karl Otto Apel e Jügen Habermas, propuseram a
teoria de uma comunidade em comunicação ou de diálogo ideal.
A linguagem humana, enquanto veículo e modelo de interação social
está orientada ao entendimento. A linguagem é essencialmente vontade enquanto
mediante o diálogo. Para que essa comunicação seja possível é preciso supor a
existência de marcos gerais de discurso e, conseguinte, comunidades ideais de
comunicação.

2.3.2. A ética da linguagem

A linguagem é persuasiva, eloquente, e está é uma de suas características


mais notável. A capacidade de interação social da linguagem está atrelada também
com a capacidade de manipulação. A união estreita entre linguagem e cultura facilita
o fato de que a manipulação da linguagem possa converter-se em uma autêntica
manipulação da cultura. Daí a importância de uma ética da linguagem. No uso
ordinário da linguagem nos comprometemos com certas exigências sem as quais não
poderia cumprir suas funções.
15

II. Parte IV – A TEORIA DA INTERPRETAÇÃO: HERMENÊUTICA


1. A filosofia hermenêutica e a linguagem
1.1. O desenvolvimento da hermenêutica
1.1.1. A hermenêutica antiga como técnica de interpretação de textos

A antiguidade grega designava com o nome de hermenêutica uma série de


regras do desenvolvimento do trabalho de interpretação. A reforma protestante inseriu
o princípio da “Sola Scriptura”, que tende a um profundo significado hermenêutico para
a teologia.
A hermenêutica pré-moderna concebia a atividade interpretativa atendendo a
dois pontos de referência. A saber: a intenção do autor, que sempre é um ponto de
referência fundamental, especialmente no caso da Bíblia, onde se trata da Palavra
Divina; e a intenção do leitor, que pouco a pouco irá se convertendo em fundamental.

1.1.2. A hermenêutica romântica

Com o surgimento da modernidade e do protestantismo dá-se início a era da


subjetividade, em que o próprio homem se descobriu como necessitado de
interpretação. A compreensão do significado, mediante a qual se alcança o
conhecimento das produções espirituais, terá alcançado através da interpretação do
dado como produto do espírito humano. Em um primeiro momento, Dilthey entendeu
a compreensão de modo psicológico, como percepção interna da vida do outro, da
consciência. No entanto, a partir de 1900, modifica seu pensamento e passa da
fundamentação psicológica à hermenêutica.

1.1.3. A hermenêutica e a ontologia

Na obra “Ser e Tempo”, Heidegger compreende que a estrutura original do


ser-no-mundo é o homem. A compreensão é um existencial, ou seja, um elemento
essencial do ser e da existência humana.
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1.1.4. A filosofia como hermenêutica universal: problemas e perspectivas

Gadamer e Heidegger, ao exacerbarem a universalidade da interpretação


acabam identificando filosofia com hermenêutica. Dentre as dificuldades, podemos
destacar a perda do falar a verdade. Gadamer acentua de tal modo o ser histórico do
homem que resulta na impossibilidade de separar-se da história. Cada ato de
compreensão tem lugar na história e está circunscrito na história. Para a hermenêutica
Gadamerniana não tem sentido falar de uma saída do interprete da história.

1.2. A concepção da linguagem na hermenêutica filosófica


1.2.1. A unidade do pensamento e linguagem

A hermenêutica de Gadamer sustenta a unidade do pensamento e linguagem,


palavra e coisa, linguagem e ser. Uma reflexão sobre a linguagem tem que coincidir
tanto com o falante tanto com a função originária da linguagem, que é o dizer.
A linguagem não é originariamente um utensílio do pensamento. A
linguagem não é um meio a serviço da consciência, um meio para comunicar e
transmitir pensamentos, mas é o meio em que acontece a compreensão e a
experiência do mundo.

1.2.2. A lingüisticidade do ser

Gadamer afirma: “O ser que pode ser compreendido, é a linguagem”. A luz


que faz as coisas aparecerem da maneira como são em si mesmas luminosas e
compreensíveis é a luz da palavra.

1.2.3. Caráter especulativo da linguagem

A linguagem é como um espelho que reflete o mundo. No final de sua obra


“Verdade e Método”, Gadamer diz que a linguagem é especulativa: “não só no sentido
hegeliano da prefiguração instintiva das relações lógicas da reflexão, mas como uma
realização de sentido, como acontecer do falar, do entender, do compreender”. Isso
significa que a especulação da linguagem não é vista na pretensão do movimento
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dialético da proposição, mas na instituição de uma relação entre as possibilidades da


palavra, que são sempre finitas e o sentido que se expressa através da palavra, em
qual implica sempre referência à totalidade. A linguagem é entendida como aquele
elemento no qual se manifesta toda nossa experiência do mundo.

1.2.4. A dimensão comunicativa da linguagem

A conversação segue a estrutura que Gadamer chama de “a estrutura lógica


da pergunta e a resposta”. Com efeito, mediante perguntas e respostas, os falantes
podem obter uma interpretação comum. Gadamer acentua que a preeminência tem a
pergunta, pois a pergunta mostra uma orientação, um sentido.

1.3. Hermenêutica e filosofia analítica

Tanto a hermenêutica quanto a filosofia analítica são tendências filosóficas


que se ocupam da linguagem. A preocupação central da filosofia da linguagem com o
Circulo de Viena era estabelecer um critério de significado das proposições, enquanto
que para a hermenêutica nunca havia resultado a problemática do significado, mas a
compreensão do mesmo. Por sua parte, todo o problema da compreensão reduzia-se
na analítica e na determinação daquelas proposições que apresentam uma estrutura
semelhante às que têm sentido e, no entanto, não se têm. Poderia se admitir a
hermenêutica como um processo parcial adequado para averiguar determinadas
realidades humanas. Porém a hermenêutica pretende conduzir toda a cientificidade
na maneira que todo o conhecimento objetivo se enraíze numa compreensão
linguística do mundo, a hermenêutica não abre mão da consideração de que todo
conhecer é interpretar.
18

2. Compreender e interpretar.
2.1. Conhecer, compreender e interpretar
2.1.1. A estrutura da compreensão

Dentre os elementos fundamentais que configuram o ato de compreensão,


em especial, da compreensão de textos, podemos destacar: a) a interpretação se
encontra situada historicamente e comunitariamente. O leitor lê um texto com seus
próprios interesses, a esse conjunto se denomina pré-compreensão; b) a
compreensão tem uma estrutura circular. Na reflexão hermenêutica se constitui um
tema comum falar do circulo hermenêutico, que é o movimento de ir do todo para a
parte e da parte para o todo; c) a compreensão tem um caráter dialógico. Devemos
abrir-nos ao outro para entender o sentido de suas palavras; d) a compreensão implica
e inclui a explicação. Dilthey define a diferença entre compreender e explicar como
modo de distinguir o método das ciências da natureza e as ciências do espírito. Como
consequência, se tem entendido a compreensão e explicação como métodos os
modos de conhecer distintos, e até mesmo irreconhecíveis; e) a tarefa hermenêutica
não se pode prescindir da verdade. Uma tentação grave da hermenêutica é o
relativismo: multiplicam-se as interpretações que conduzem a novas interpretações
sem que se admita a existência de uma verdade em si não sujeita o processo histórico.

2.1.2. Os diversos tipos de interpretação

Emilio Betti apontou três tipos básicos de interpretação: a) interpretação em


função meramente cognitiva; c) interpretação em função reprodutiva ou
representativa, ou seja, tradutiva do que há de se entender; c) interpretação em função
normativa ou dogmática onde se entra em jogo a regularização do obrar.

2.2. A interpretação dos textos

Segundo Ricoeur, é pelo fato de existirem textos que encontramos o problema


da hermenêutica. Diferente da fala, que é um acontecimento passageiro, a escritura
procede da fixação do sentido. Perante qualquer comunicação escrita, perante um
texto literário, brota em seguida a necessidade da interpretação. Na hermenêutica
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clássica pensava-se que o mais importante era compreender o que o autor queria
dizer com o texto, o que se denomina intenção do autor. Uma segunda alternativa
consiste em acentuar a importância do leitor. Neste caso, a importância está no que o
leitor no texto ou aquilo que ele provoca ao texto. O texto é um princípio preciso de
palavras, ordenado e significativo. O texto está aí, à nossa disposição, nos convidando
a penetrá-lo e descobrir suas várias facetas.

2.3. A hermenêutica na teologia

É próprio de a teologia enfocar-se em adentrar intelectualmente no conteúdo


da fé, o qual exige realizar a tarefa de compreensão do revelado. Neste processo a
hermenêutica pode ajudar a teologia. Deus se revela pelos feitos e palavras, que estão
presentes nas Escrituras. A Igreja acredita que na Revelação, que nos foi dada em
momentos precisos da história, está presente uma mensagem, uma doutrina. Esta
mensagem contida na Sagrada Escritura e em forma de fé, requer interpretação e
compreensão. Por isso, se pode expor que toda a teologia deve ter uma dimensão
hermenêutica, enquanto se deve divulgar atualmente a Boa Nova da salvação.

2.3.1. A hermenêutica filosófica na história da teologia

O interesse da teologia contemporânea pela hermenêutica está ligado com o


nome de Rudolf Bultmann, teólogo protestante. O seu problema central gira em torno
da compreensão da comunicação da palavra de Deus contida na escritura. A tarefa
da hermenêutica consiste em dirigir o texto sagrado ao plano de suas decisões
relativas à existência humana, o que propõe Bultmann, denominando hermenêutica
existencial.
No campo católico a hermenêutica teológica não tem tido particulares
incrementos teóricos, porque sua prática em certos aspectos tem sido mais importante
na ortodoxia protestante. Corretamente indica Schillebeechx que a reflexão da
teologia católica sobre a evolução do dogma, e mais ainda, a reinterpretação da
prática constante da verdade de fé por parte da igreja e em particular os magistérios
corresponde a essa problemática que os teólogos da reforma qualificam como
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problema hermenêutico. Logo, se ocuparam também destes problemas os


historiadores dos dogmas.

2.3.2. Princípios da aplicação da hermenêutica à teologia

Os princípios que regem a aplicação da hermenêutica à teologia podem ser


apontados da seguinte maneira: Quando o teólogo e o exegeta se debruçam sobre os
textos normativos dos Concílios ou da Sagrada Escritura, realizam uma pré-
compreensão particular. Constituem parte dessas pré-compreensão sua própria
cultura cientifica, tendo em vista que, de um modo especial, a tradição religiosa que
realiza a compreensão dos textos. A compreensão de um texto não é possível sem
uma afinidade vivida com aquilo que fala o texto. Daí, que o princípio universal da
explicação bíblica é que seja lida e interpretada com a ajuda do mesmo Espírito
mediante o qual foi escrita;
Como na hermenêutica geral dos textos, também aqui é muito importante
conhecer o contexto, tanto o contexto geral dos documentos, que é a vida e a doutrina
da igreja, como o contexto particular em que foram escritos;
Um critério hermenêutico fundamental é a consciência da unidade de toda a
Revelação e a fé da Igreja. O homem apresenta-se como ponto de referência de toda
a interpretação da fé e é o destinatário da revelação;
O objetivo da interpretação não é apoderar-se do texto, das palavras, mas
sim, alcançar a realidade que significam as palavras;
A interpretação dos textos sagrados não é um procedimento meramente
intelectual, mas sim um acontecimento profundamente espiritual. Isso porque a
verdade da revelação não é puramente teórica, mas implica a vida dos homens que a
aceitam.
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III. PARTE V – A TEORIA DA LINGUAGEM RELIGIOSA


1. O significado do discurso religioso.
1.1. O uso religioso da linguagem

O discurso religioso é aquele cujo conteúdo se aplica à Palavra Deus, ou está


em relação, direta ou indireta, com essa Palavra. A linguagem é usada pelo homem
religioso com duas finalidades: falar a Deus e falar de Deus. Podemos distinguir desta
forma, entre linguagem da oração, a invocação e a linguagem do testemunho.

1.2. A discussão acerca da linguagem religiosa.


1.2.1. O desafio verificacionista à linguagem religiosa.

Os representantes do Circulo de Viena, aplicando à linguagem o princípio


empirista de que é verdadeiro o que se passa pelos dados dos sentidos, consideram
como linguagem não significativa o que não fora verificável empiricamente. Segundo
Carnap, o termo Deus carece de sentido semântico e toda a linguagem religiosa não
é mais que expressão dos sentimentos vitais.
As proposições religiosas como “Deus tem um designo”, “Deus criou o
mundo”, “Deus nos ama como um pai ama seus filhos”, não são falsas, mas, no
entanto, não possuem conteúdo empírico.

1.2.2. As respostas ao desafio

A crítica de Flew suscitou uma grande discussão e debate em torno do


estatuto cognoscitivo das proposições religiosas. Em princípio, a maioria dos filósofos
não discutiu os pressupostos epistemológicos de Flew e, portanto, atribuíram à
linguagem religiosa um caráter meramente expressivo e emotivo, ou admitiram, de
algum modo, a possibilidade de falsificação. Os emotivistas admitem que as
proposições religiosas não nos oferecem um conhecimento de fatos nem dados dos
sentidos e tentam buscar uma saída situando-a no campo dos sentimentos e
emoções.
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1.2.3. A discussão sobre o valor cognoscitivo da linguagem religiosa

O interesse agora não é saber se as proposições religiosas possuem


significado, mas interessa saber se podem ser consideradas conhecimento, e em que
sentido se pode dizer que o são. Muitos se esforçaram para mostrar a base empírica
das proposições de fé. Ramsey acreditava que a base da linguagem religiosa seria o
que denomina situações de abertura, ou seja, revela algo mais que os puros feitos.

1.3. Sintaxe da linguagem religiosa.


1.3.1. O caráter explicativo da linguagem religiosa

O primeiro passo consiste em mostrar que a linguagem religiosa é suscetível,


ao menos em algumas partes, de análise lógica, posto que realiza afirmações do tipo
objetivo. Ainda que certamente muitas expressões da linguagem religiosa tenham por
objetivo manifestar atitudes de sentimentos e disposições a atuar.

1.3.2. A consistência lógica da linguagem religiosa

Um segundo esforço é mostrar que a linguagem religiosa é logicamente


consistente. Um dos problemas mais complexos em relação à consistência da
linguagem religiosa e da linguagem ateísta é o problema do mal.

1.3.3. A possibilidade de contradição

“Deus ama os homens” e “Deus quer a eterna condenação e detesta a todos


os homens”, são exemplos de proposições contraditórias no uso religioso da
linguagem. Autores assinalam que uma radicalidade que fora absolutamente mal seria
uma falsificação da afirmação de que Deus é bom.

1.3.4. O sujeito lógico da linguagem religiosa

Uma condição essencial que deve cumprir uma proposição para que tenha
valor verificativo é que esta seja possível referir-se ao sujeito lógico. Neste caso, o
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termo que é usado como sujeito lógico deve expressar algo. Deus é o sujeito último
da linguagem religiosa. O sujeito lógico das proposições de fé é Deus. O termo Deus
não é logicamente um nome próprio, mas um predicado.
1.4. Semântica da linguagem religiosa.
1.4.1. A possibilidade de uma linguagem literal sobre Deus: a analogia

É possível uma linguagem literal sobre Deus, ou só podemos falar Dele a partir
de uma linguagem simbólica? É pela analogia que tentamos transcender e superar as
fronteiras que acompanham a linguagem humana no tocante a Deus.
Não podemos falar de Deus literalmente, mas de modo análogo. Por isso, em
todos os enunciados sobre Deus há afirmação, negação e eminência: afirmamos de
Deus uma perfeição que vemos nas criaturas, negamos o modo limitado em que se
encontra nas criaturas e afirmamos Deus como infinito e eminente. A limitação da
linguagem sobre Deus tem sua raiz em nosso conhecimento de Deus que é limitado.
A doutrina da analogia como modo de referir-se a Deus é completada na doutrina
tomista com a distinção entre o que um nome significa e o modo de significar.

1.4.2. Fundamentação da linguagem na experiência religiosa

Muitas expressões da linguagem dos crentes se fundamentam na experiência


religiosa e por referência a ela adquirem seu significado. A linguagem se serve da
expressão da experiência religiosa, quer dizer, do sentido semântico e capacidade
religiosa do homem, que sabe se remeter a uma realidade transcendente. São
múltiplas as formas como o homem religioso expressa a consciência de estar religado
a Deus, da abertura de seu ser à transcendência e ao mesmo tempo, a consciência
de sua insuficiência e fragilidade.

1.4.3. A fé, fundamentação da linguagem do crente

A aceitação da fé como conteúdo da revelação de Deus é um ato justificado


racionalmente. O ato de crer vai além das decisões caprichosas ou arbitrárias, mas
fundamenta-se no fato de existirem razões para crer. Aceitamos por fé o testemunho
de Deus e onde existe verificação, prova e evidência.
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2. Pragmática da linguagem religiosa


2.1. As diversas funções da linguagem religiosa.
2.1.1. Os jogos religiosos da linguagem

São vários os jogos de linguagem utilizados pelo crente na linguagem


religiosa. Wittgenstein mencionou alguns: o suplicar, agradecer e rezar.

2.1.2. Os diversos usos da linguagem da fé

Podemos citar três funções principais no uso da linguagem pelo crente: a) a


função emotiva: capaz de originar sentimentos e atitudes; b) a função conativa: tem
como objetivo de evitar à ação, comportar-se de certo modo, tem uma função ética;
c) a função cognoscitiva: a linguagem da fé interpreta a realidade e não se limita a ser
expressão de alguns sentimentos.

2.2. A força realizativas das expressões religiosas.


2.2.1. O caráter auto implicativo da linguagem do crente

As afirmações do crente acerca de Deus supõem um compromisso acerca da


verdade do que se afirma. Há certa auto imprecação que faz do falar e do obrar uma
unidade indissolúvel.

2.2.2. O caráter realizativo da linguagem litúrgica

Jean Ladrière chamou a atenção para a existência de três forças realizativas


na linguagem litúrgica. A linguagem litúrgica, com efeito, provoca uma disposição para
abrir a própria existência a um novo campo da realidade; suscita também a instituição,
sobre tudo porque o uso do “nós” que intui uma comunidade e finalmente a presença,
quer dizer, presente o mistério a fim de que o resultado seja operante para a
comunidade que institui a liturgia. Essa força presencializadora se manifesta sobre
tudo no aspecto sacramental da linguagem litúrgica.
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2.3. Comunicação religiosa e linguagem

Um dos mais graves problemas que a Igreja tem em nossos dias atuais é o
da comunicação. A secularização das sociedades ocidentais delata precisamente a
incapacidade de muitas pessoas por entender a linguagem religiosa.

2.3.1. Aprender a falar a linguagem de fé

Wittgenstein assinala que um elemento importante numa religião é aprender


a usar a linguagem, ser crente requer ser educado acerca do modo de usar apropriada
descrição. A linguagem religiosa se aprende usando adequadamente o contexto de
que se corresponde.
2.3.2. Comunicar a linguagem da fé

A comunidade crente deve fazer um esforço especial para equilibrar a


linguagem da fé à cultura contemporânea. É importante que a linguagem da fé conecte
com a linguagem do homem de hoje, isso significa que a linguagem religiosa não pode
constituir-se em um algo inacessível, mas se deve conectar com as formas de vida e
jogos de linguagem do homem atual com a finalidade de que seja para o significativo.
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CONCLUSÃO
Neste processo em que a linguagem se torna a principal problemática dos
dois últimos séculos, percebemos o quanto ela se faz presente em nosso cotidiano.
Está presente nos mais diversos âmbitos de nossa vida, sem mesmo perceber
usamos a linguagem, seja pela fala ou pela expressão corporal.

Este usar a linguagem sem perceber, produz uma atividade no homem, é o


fruto de uma ação, por isso, a linguagem também é prática, nos comunicamos é o que
vai dizer a primeira parte do livro. O ato de comunicar envolve quatro elementos: quem
emite; quem recebe; o enunciado e o contexto, destacando que o receptor da
mensagem, não é passivo, mas sim um ser que interpreta a mensagem.

Vale ressaltar a pesquisa apresentada nesta primeira parte, de que 65% da


comunicação usada entre interlocutores não é verbal, mostra assim, o quanto a ação
está intimamente ligada à linguagem, o homem não apresenta só conceitos, mas
também aponta para realidade.

Na segunda parte é apresentada a importância da hermenêutica na


linguagem, ou seja, o uso da interpretação, a centralidade está no como à mensagem
é interpretada por quem envia e por quem recebe, por isso é destacado a origem da
linguagem, que está relacionada com a teologia. É também marcada pela estrutura
do compreender, cuja sua estrutura é circular, ir do todo para a parte e da parte para
o todo, sendo interligada com a interpretação.

Na terceira parte são elencados os desafios de uma linguagem de fé, que


também tem a sua ação, seja emotiva, conativa ou cognoscitiva, ela origina
sentimentos, tem função ética ou busca interpretar a realidade.

Este trabalho tem a intenção de mostrar a ação da linguagem, chamou-me


atenção o espaço dedicado para definir termos que usamos em nosso meio, sem
saber o real significado, por exemplo, de enunciado e contexto. Já outro ponto
marcante é o uso da hermenêutica, o que contribuirá para uma disciplina futura, por
fim a frase dos autores, explica bem como o uso da linguagem provoca a vida do
homem, “ao usarmos a linguagem ativamos uma série de conhecimentos que as
palavras evocam e que não necessariamente estão explícitos”, a linguagem remete a
realidade, até mesmo de coisas dos quais ainda não conhecemos.
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REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
CONESA, Francisco; NUBIOLA, Jaime. Filosofía del Lenguaje. Barcelona: Herder,
1999.