Você está na página 1de 9

À.·.G.·.D.·.G.·.A.·.D.·.U.·.

S.·. F.·. U.·.


O SEGUNDO GRAU1
Como começo desta Prancha estarei falando sobre a
Filosofia do Segundo Grau, já que essa deixa claro o
caminho e o método de trabalho que o Companheiro deve
desenvolver nesta evolução desde que foi consagrado.
(…) No Primeiro Grau devemos procurar responder à
pergunta de onde viemos? Aprendemos sobre a Unidade da
Vida e a manifestação dos opostos, que chamamos
dualidade.
No Segundo Grau devemos responder à dúvida do Quem
Somos, através do "conhece-te a ti mesmo". Agora se trata
de desenvolver um método de trabalho capaz de fazernos
ver a Verdade da Realidade, para conseguir desta maneira
a Imortalidade, porque de outra maneira permaneceremos
mortos em consciência, ou adormecidos…termo que
também se pode aplicar neste caso, e dita consciência
ficará sepultada sob a ilusão da Matéria.
Para desenvolver nossos estudos devemos nos valer da
Lógica, da Aritmética e da Geometria. Nos é dito que
estudando as propriedades dos números quatro, cinco e
seis,…dos conceitos filosóficos e geométricos poderemos
encontrar a resposta à pergunta de "Quem Somos?".
Desta maneira começamos o caminho do Iniciado, que em
Grau de Companheiro se desenvolve através de cinco via-
gens; desta maneira seremos capazes de conhecer a

1
Traduçaã o do castelhano pelo Ir.'. Francisco C. L. Pucci. O texto foi retirado de
http://detrasdeloaparente.blogspot.com.es/2013/05/selecciones.html dia
30/09/2015 aà s 18:45 PM.
verdade que se esconde nas trevas da aparência. Daí a
importância de aprender a pensar com discernimento, por si
mesmo. Outro aspecto importante a ter em conta a todo
momento, em meu entender, é o significado de ser
Companheiro, já que Companheiro significa o que
compartilha seu pão -o que em Maçonaria significa dar o
melhor de si mesmo. Falamos de um aspecto puramente
espiritual e se pudermos desenvolver este conceito com os
que nos rodeiam conseguiremos sustentar o crescimento do
Ser Interior.

O Companheiro desenvolve uma consciência grupal e


integra sua personalidade ao resto dos IIr.'. da Loja…e como
eu vejo, disto se trata na realidade…Na sociedade podemos
desenvolver esta consciência que, dizemos, é grupal…,
porém em realidade me parece que é da Unidade [que
falamos], de que todos somos uma só Consciência…O pro-
blema talvez seja que durante a história da Humanidade a
todos os profanos foi ensinado e lhes foi sempre dito que
somos seres individuais, que não existe vínculo espiritual
entre nós…, que sou fulano (o nome que meus pais
escolheram para mim) e você é Sicrano (repetindo o nome
que seus pais escolheram), ficando tudo superficialmente
nisso, deixando de lado e bem escondida a questão de que
somos uma Única Consciência adormecida; se eu faço
algum dano a você, também de alguma maneira o estou
fazendo a mim, ainda que não saiba…isto seria para mim
falar do conceito de Unidade…
No Primeiro Grau, o Aprendiz trabalha sobre a Matéria,
sobre o que ele e os demais profanos consideram real, já
que, como dito antes, isto é resultado de gerações de
ensinamentos errôneos e centrado apenas no nível físico e
da Matéria…Antigamente falar da alma, espírito, energia
superior, significava falar de Bruxos, Magos…etc.
Ao Companheiro corresponde terminar o trabalho na pedra
ajudado por seus conhecimentos de caráter geométrico,
ético, estético e matemático.
O Aprendiz deve desenvolver um aspecto muito necessário
e pessoal que é o dos sentidos…e o Companheiro deve já
usá-lo como uma ferramenta a mais.
Neste ponto concretamente –sobre os Sentidos- me
atreveria a dizer que é importante saber utilizar ditos
sentidos –já que são nosso vínculo com o Mundo Exterior,
com os demais- e, se falamos de sentidos, podemos dizer
que falamos de Percepção… Tendo em conta que nossos
sentidos são altamente limitados quanto à Realidade do
Universo que nos rodeia, são igualmente manejáveis, e por
esse motivo é que é normal que nos encontremos
adormecidos e na Obscuridade de um Mundo puramente
Material e consumista…
A ninguém importa o problema que possa ter seu vizinho, as
guerras que se desenvolvem sem que alguém saiba bem a
causa das mesmas…...Ao contrário -olhem o carro novo
caríssimo que comprei…estou furioso porque meu time de
futebol caiu para a segunda divisão-…são exemplos de
como o Espiritual e esse sentido de Unidade de Consciência
ficam muito longe de nós e ocultos sobre o superficial que
justamente nos entra através de Sentidos tão limitados que
possuímos, que não nos permitem perceber a realidade das
coisas...
O Companheiro deve ser capaz de abrir a mente e descobrir
distintas formas de pensar com o objetivo de descobrir os
mistérios ocultos da Natureza.
Dito isso, me referirei ao significado das três janelas que se
encontram no Painel do Grau de Companheiro e sua
interpretação…
Neste grau o Iniciado utiliza em si mesmo as três janelas
que se abrem ao Oriente, Ocidente e Meio-dia, e servem
para iluminar o Obreiro durante a realização do trabalho,
desde quando vai ao mesmo até o seu regresso…
A janela do Oriente representa o Conhecimento Metafísico
da Realidade do Universo e os Princípios e Leis que o go-
vernam…
A janela do Meio-dia expressa seu Mundo Interior, sua
Consciência e Inteligência2…por isso podemos dizer que as
três janelas denotam três distintos gêneros de experiências,
que podemos chamar como de três Mundos distintos…O
Mundo Divino, ou experiência da Realidade Transcendente; o
Mundo Interior que é o da realidade Subjetiva e, por último,
temos o Mundo Exterior, ou o da experiência Objetiva.

SOBRE AS CINCO VIAGENS


Assim como o Aprendiz chega à Verdade por meio da
Virtude, o Companheiro deve praticar a dita Virtude por meio
do valor de seu conhecimento da Verdade. As cinco viagens
representam as cinco faculdades que o Aprendiz necessita
desenvolver para poder passar a Companheiro, como
sejam…o pensamento, a consciência, a inteligência, a
vontade e o livre arbítrio…
O Companheiro, como o Aprendiz, deve progredir desde o
domínio da realidade objetiva até o mundo abstrato ou
transcendente…o mundo dos princípios e das causas. Para
isso é que atravessa a região escura da dúvida e do horror,
2
Como o texto eé "sincopado", presumo que, aqui, quem o vinculou extraiu
equivocadamente a refereê ncia aà Terceira Janela: o mundo exterior, onde o
Companheiro deve "compartilhar" sua experieê ncia Transcendental e Subjetiva; o
conhecimento que adquiriu sobre o Universo e sobre Síé Mesmo (NT).
para voltar pela região iluminada e conhecimentos
adquiridos (região do Sul), sendo cada viagem uma nova e
diferente etapa de progresso.
O Maço e o Cinzel nos servem para debastar a pedra bruta,
da qual nos aproximamos como resultado da relação com
nosso destino. Dizemos que aqui devemos aplicar a
Vontade e a Determinação Inteligente.
Isto faz menção a que, por mais energia que tenhamos e
dediquemos a um ideal, se não formos corretamente
dirigidos pela Razão estaremos ameaçando a estabilidade
do edifício social e por isso do entorno em que nos
movemos.
O Maço nos ensina que em uma natureza puramente
intelectual, que vive fazendo projetos e planos
continuamente, por falta de energia nunca se levará nada a
cabo, deixando que a inércia dos acontecimentos e
vontades das pessoas que nos rodeiam nos tomem, sem
sermos partícipes ativos da nosso destino.
Na Segunda Viagem nos encontramos com a Régua e a
Alavanca…A régua nos indica a direção de nossos esforços
e atividades. Representa a sequência de união entre os
trabalhos que realizamos em cada momento, nos indica o
passado e o porvir.

Por sua vez, podemos definir a Alavanca como Potência e


Resistência. É um símbolo da Inteligência humana que tem
seu ponto de apoio no potencial espiritual do Ser e do
desenvolvimento de sua Fé…já que sabemos que o ser
humano, através de suas próprias faculdades, pode superar
com êxito todo tipo de dificuldades que lhe sejam
apresentas. Porém, para que esta Fé seja efetiva deve ser
iluminada por um motivo elevado e nobre. Como no
exemplo do Cinzel e do Maço…a Alavanca é inútil se não se
a utiliza com absoluta firmeza e perseverança.

(…) Na terceira viagem aprendemos o uso do


Prumo e do Nível…No caso do Prumo, se o utiliza
para comprovar a verticalidade e seu significado
está ligado ao equilíbrio da
construção. Pode expressar também a união
entre os polos Celeste e Terrestre… Por isso sugere
a busca da Verdade tanto no mais profundo das fundações
como no alto do edifício.

Ao falar do Nível, dizemos que está ligado ao Prumo, já que


determina a horizontalidade sem deixar de indicar a
verticalidade…e isso não é um detalhe menor, já que a
passagem a Companheiro, dizemos, se realiza da
Perpendicular ao Nível.
Isto nos ensina a colocarmo-nos ao mesmo nível que os
demais e podemos falar de igualdade, o que inspira a
modéstia do Sábio.

(…) Na quarta viagem levamos um Esquadro, o


qual representa a necessária retificação de
todos nossos propósitos segundo o ideal que nos
inspira. Um ensino importante, para mim, é que o
Esquadro unido à Régua nos ensina que o Fim
nunca justifica os Meios, e que o fim só é
satisfatório quando os meios e os fins estão em
Harmonia. Como o Esquadro é considerado o
símbolo da retidão, o Aprendiz é medido por ele
para poder ser recebido Companheiro.

(…) E por último nos encontramos com a Quinta


Viagem e, nesta, não se porta nenhum
instrumento. (…)3 Dita viagem possui uma
profunda doutrina vinculada com o número
cinco.
Ao fazê-la sem instrumentos, significa que o Iniciado já
maneja as ferramentas corretamente em seu uso, seja o
Maço, o Cinzel, a Régua, o Prumo, o Nível ou o Esqua-
dro…Agora já lhe corresponde buscar uma íntima faculdade
central que corresponde à letra G, já que seu perfeito
conhecimento o conduzirá ao Magistério.
A letra G possui diversas interpretações, como Geometria,
God (Deus em inglês), Gnose, Gênese, etc.
Ao Iniciado se apresenta um novo gênero de trabalho: atrás,
fica a matéria e o trabalho dessa, para centrar-se puramente
em uma atividade Espiritual, como a Meditação, que o
conduz a contemplar uma Realidade diferente. Talvez
pareça uma contradição, mas a partir de agora os
Instrumentos e ensinos anteriores já não nos servirão de
nada nesta nova etapa. Então o Iniciado passa a ser um
Instrumento do Gênio Divino que canaliza e transforma a
energia que se manifesta através de seu coração.
Glorificamos ao Trabalho, já que antes de tudo o maçom
deve estar disposto a servir antes de reclamar seu salário.
Já para finalizar quero deixar a última parte desta Prancha
para expressar, segundo minha experiência, como tenho
vivido este grau de Companheiro, que considero uma parte
importante porque o que cada pessoa vive, pensa e sente
não se ensina em nenhum manual…
Faz já um bom tempo despertou em mim uma sensação
3
Trecho suprimido pelo Tradutor (…e se realiza em sentido anti-horaé rio…), pois naã o
estaé conforme nossa ritualíéstica no REEA (NT).
estranha, uma chamada de atenção que ainda não sei se é
de caráter Interior ou Exterior…Porém se poderia denominar
como um despertar da Consciência…de dar-me conta de
quão minúsculos somos neste Universo e que existe uma
Força Superior que nos rege, que nos pensa…
É importante poder ter um momento de recolhimento para
nos afastarmos do torbelinho da confusão e podermos
encontrar respostas em nós mesmos…
A ciência cada dia nos mostra descobrimentos e estudos
que não podem ficar indiferentes a ninguém, já que vão
revelando outras realidades que escapam à razão de
qualquer profano, porém que não é mais do que o mesmo
do que falam os grandes Iniciados através da história da
Humanidade. Sabemos já que o Universo é todo Vibração…
tudo é movimento…nada é estático…Como é possível que a
Matéria seja constituída por Átomos vazios e para nós [seja
como] uma parede, uma mesa, um cristal sólido e firme?
Sabemos que somos energia, que podemos canalizar essa
energia através de nosso corpo e podemos irradiá-la para o
exterior…Com essa energia podemos nos [fazer] adoecer
ou podemos nos curar, segundo construimos nosso estado
de ânimo4.
Nas Oficinas Maçônicas, cada vez que o Ven.'. M.'. invoca o
G.·.A.·.D.·.U.·. está transformando um local profano em um
Templo sagrado, pois está abrindo um Vórtice Energético
que seja capaz de conectarnos com o Superior…
Segundo o cientista Nicolas Tesla, a energia do pensamento
é a que possui a mais alta vibração, denominando a essa
como energia Taquiônica, que é estudada pela mecânica
quântica. Segundo Tesla, a velocidade do pensamento é 27
4
Note-se que esta eé uma concepçaã o do autor da Prancha, naã o necessariamente uma
opiniaã o da doutrina maçoê nica (NT).
vezes mais rápida do que a Luz, e segundo Einstein a Luz
tem uma velocidade máxima de 300.000 km/s.
Porém isso só se pode aplicar a um dos planos constituintes
da Realidade, o plano Físico da densidade material
composta por átomos e prótons…e este detalhe, considero,
não deixa de ser importante, já que como Iniciados devemos
desenvolver nossos trabalhos em três distintos planos, que
são o Plano Físico, o Mental e o plano Espiritual…
Um exemplo da aplicação deste conhecimento é a criação
de Saqqaro, um lugar de profundos mistérios do Egito, já
que dita cidade foi construída por Imnhotep, Sumo
Sacerdote, com a finalidade de conseguir elevar a
frequência de Vibração dos Iniciados, acelerando desta
maneira sua evolução espiritual…Só me resta por dizer que,
como maçom, meu desejo é evoluir em todos os planos em
que seja possível e entender e aplicar corretamente os
conhecimentos adquiridos no Universo que nos rege e que
definitivamente nos ensina que somos uma Unidade.
É o que continha.