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INTRODUÇÃO

O construtivismo é uma teoria que procura descrever os diferentes estágios que passa
o sujeito no processo de aquisição dos conhecimentos, de como se desenvolve a inteligência
humana e de como tal individuo deve se comportar. Muito se tem escrito sobre como poderia
ser o processo de ensino fundamentado nas descobertas feitas por essa teoria, muitas das
criticas sobre o construtivismo estão fundamentadas na tradução dessa teoria para a
pedagogia, por alguns educadores objetivando justificar o uso no ensino escolar. Essa teoria
não é remédio miraculoso, nem instancia normativa pedagógica para os problemas que
afligem o nosso ensino, assim como a introdução de novas tecnologias, como os usos de
computadores nas escolas, não resolvem por si, a situação de nossa educação.

Em muitos lugares do mundo, até pouco tempo, e mesmo hoje, as teorias de


aprendizagem dividem-se em duas correntes: Uma empirista e uma apriorista. A origem do
conhecimento está no próprio sujeito, ou seja, na bagagem cultural armazenada dentro dele, a
função do professor é apenas de estimular que estes conhecimentos aflorem.
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1.0 - Teorias do Construtivismo

Para falarmos sobre o construtivismo e suas teorias é necessário que entendamos o que
ele significa. É o nome pelo qual se tomou conhecida uma nova linha pedagógica que vem
ganhando terreno nas salas de aula há pouco mais de uma década. As maiores autoridades do
construtivismo, contudo, não costumam admitir que se trate de uma pedagogia ou método de
ensino, por ser um campo de estudo ainda recente, cujas práticas, salvo no caso da
alfabetização, ainda requerem tempo para amadurecimento e sistematização.

O construtivismo propõe que o aluno participe ativamente do próprio aprendizado,


mediante a experimentação, a pesquisa em grupo, o estímulo à dúvida e o desenvolvimento do
raciocínio, entre outros procedimentos. Rejeita a apresentação de conhecimentos prontos ao
estudante, como um prato feito, e utiliza de modo inovador técnicas tradicionais como, por
exemplo, a memorização. Daí o termo "construtivismo", pelo qual se procura indicar que uma
pessoa aprende melhor quando toma parte de forma direta na construção do conhecimento que
adquire. O construtivismo enfatiza a importância do erro não como um tropeço, mas como um
trampolim na rota da aprendizagem. O construtivismo condena a rigidez nos procedimentos
de ensino, as avaliações padronizadas e a utilização de material didático demasiadamente
estranho ao universo pessoal do aluno.

Com base nos estudos do psicólogo suíço Jean Piaget (1896-1980). A maior
autoridade do século sobre o processo de funcionamento da inteligência e de aquisição do
conhecimento. Piaget demonstrou que a criança raciocina segundo estruturas lógicas próprias,
que evoluem conforme faixas etárias definidas, e são diferentes da lógica madura do adulto.
Por exemplo: se uma criança de 4 ou 5 anos transforma uma bolinha de massa em salsicha.
Ela conclui que a salsicha, por ser comprida, contém mais massa do que a bolinha. Não se
trata de um erro, como se julgava antes de Piaget, mas de um raciocínio apropriado a essa
faixa etária. O construtivismo procura desenvolver práticas pedagógicas sob medida para cada
degrau de amadurecimento intelectual da criança.
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1.1 – Do Construtivismo

A palavra construtivismo se refere a uma série de correntes de pensamento em


diferentes áreas do conhecimento (cada uma delas não tem necessariamente relação com as
outras):

 Na educação, o Construtivismo é uma teoria a respeito do aprendizado.


 Na filosofia, o construtivismo se refere a uma crítica contra o realismo medieval e
ao racionalismo clássico.
 Nas história da arte, design gráfico, desenho indústrial e da arquitetura, o
construtivismo foi um movimento estético ocorrido na Rússia de 1914 que
pregava uma arte pura influenciada pela indústria.
 O construtivismo também é uma corrente de pensamento nas ciências políticas e
na teoria das relações internacionais.

Na educação a teoria construtivista procura descrever os diferentes estágios pelos


quais passam os indivíduos no processo de aquisição dos conhecimentos, de como se
desenvolve a inteligência humana e de como tal indivíduo se torna autônomo. Portanto,
podemos dizer com certeza, que essa teoria não nasceu da preocupação de melhorar a
qualidade do ensino e nem com a intenção de se tornar um método para ser aplicado por
professores nas escolas. Muito se tem escrito sobre como poderia ser o processo de ensino
fundamentado nas descobertas feitas por essa teoria, muitas das críticas ao construtivismo
estão embasadas na tradução dessa teoria para a pedagogia, por alguns educadores
objetivando justificar o uso no ensino escolar. Essa teoria não é remédio miraculoso, nem
instancia normativa pedagógica para os problemas que afligem o nosso ensino, assim como a
introdução de novas tecnologias, como o uso de computadores nas escolas, não resolve por si,
a situação de nossa educação.

1.1.1 – Conceito

A palavra construtivismo é uma metáfora empregada em psicologia e pedagogia, que


nos remete a uma teoria psicológica, originalmente devida a Jean Piaget. Segundo essa teoria,
o verdadeiro conhecimento - aquele que é utilizável - é fruto de uma elaboração pessoal,
resultado de um processo interno de pensamento durante o qual o sujeito coordena diferentes
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noções entre si, atribuindo-lhes um significado, organizando-as e relacionando-as com outras


anteriores. Esse processo é inalienável e intransferível: ninguém pode realizá-lo por outra
pessoa.

Além de proporcionar novos conhecimentos, uma aprendizagem desse tipo mobiliza o


funcionamento intelectual do indivíduo, facilitando-lhe o acesso a novas aprendizagens, pois,
além do conhecimento em si, ele aprendeu determinadas estratégias intelectuais para ter
acesso a ele, que lhe serão muito úteis não só em aprendizagens futuras, mas também na
compreensão de situações novas e na proposta e invenção de soluções para problemas que
possa ter na vida, graças à sua capacidade de generalização.

1.2 – Os teóricos

Se compararmos os maiores teóricos do desenvolvimento humano, pode-se dizer,


correndo o risco de se ser simplista, que Piaget (1869-1980), apresenta uma tendência
hiperconstrutivista em sua teoria, com ênfase no papel estruturante do sujeito. Maturação,
experiências físicas, transmissões sociais e culturais e equilibração são fatores desenvolvidos
na teoria de Piaget. Vigotski (1896-1934), por outro lado, enfatiza o aspecto interacionista,
pois considera que é no plano intersubjetivo, isto é, na troca entre as pessoas, que tem origem
as funções mentais superiores.

A teoria de Piaget apresenta também a dimensão interacionista, mas sua ênfase é


colocada na interação do sujeito com o objeto físico; e, além disso, não está clara em sua
teoria a função da interação social no processo de conhecimento.

A teoria de Vigotski, por outro lado, também apresenta um aspecto construtivista, na


medida em que busca explicar o aparecimento de inovações e mudanças no desenvolvimento
a partir do mecanismo de internalização. No entanto, temos na teoria sócio-interacionista
apenas um quadro esboçado, que apresenta sugestões e caminhos, ma necessita de estudos e
pesquisas que explicitem os mecanismos característicos dos processos de desenvolvimento.
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Pode-se agora apontar um desacordo entre as teorias, resgatando as palavras de Luria:

Quando a obra de Piaget, A linguagem e o pensamento da criança chegou a


nosso conhecimento, nós a estudamos cuidadosamente. Um desacordo
fundamental da interpretação da relação entre a linguagem e o pensamento
distinguia nosso trabalho da obra desse grande psicólogo suíço...discordamos
fundamentalmente da idéia de que a fala inicial da criança não apresenta um
papel importante no pensamento. (LURIA. 1932:29)

Como Vigotski e Piaget, também Wallon (1879-1962), querendo conhecer o ser


humano, suas características distintivas dos demais seres, ou seja, sua vida psíquica superior:
inteligência, pensamento, emoções, afetividade, comportamento social, uso de instrumentos e
signos.

Voltou-se então para a criança, porque nela era possível encontrar a origem desses
fenômenos psíquicos e acompanhar sua evolução, não apenas descrevendo-os, mas
encontrando os mecanismos do processo de seu desenvolvimento.

Para Wallon o organismo é a base. A condição inicial do pensamento, das emoções,


enfim, da vida psíquica. Mas esta não se reduz ao organismo. É verdade que o cérebro precisa
estar em bom estado de saúde (higidez) para que a pessoa possa se desenvolver, vivenciar sua
vida psíquica superior. Sendo médico e sua experiência profissional com crianças portadoras
de deficiências neurológicas, retardos mentais, epilepsia, etc. e com adultos com lesões e
traumatismos causados pela guerra lhe forneceram grande conhecimento sobre o
funcionamento cerebral, levando-o a conclusões sobre a base orgânica dos fenômenos
psicológicos superiores. Esses estudos o aproximaram de Luria, psicólogo russo, discípulo e
amigo de Vigotski, que estudou a infra-estrutura orgânica das funções psíquicas. Ele diz numa
citação feita por René Zazzo:

Na realidade nunca pude dissociar o biológico do social, não porque os


julgue redutíveis um ao outro, mas porque me parecem no homem tão
estreitamente complementares desde o seu nascimento, que é impossível
encarar a vida psíquica sem ser sob a forma de suas relações recíprocas.
(ZAZZO. 1998:24.)

Para Wallon, o pensamento não é apenas uma produção do cérebro, é algo que está
além dele, apesar de ser produzido nele. A consciência é algo mais do que o orgânico em
estágio de maior complexidade.
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Wallon procurou analisar o homem como um ser integral, num todo indissociável de
aspectos biológicos e sociais. Ela quis que a psicologia unisse num só contexto explicativo o
organismo e o psiquismo, a matéria e o espírito. Tal psicologia estaria entre as ciências
naturais e as sociais porque o homem é matéria e consciência, integrados numa unidade
indivisível .

A psicologia de Wallon é genética, porque estuda a gênese, isto é, o surgimento e a


formação da pessoa humana, o desenvolvimento do indivíduo como elaboração ou construção
progressiva. Ele entendia o psiquismo humano como algo em processo, algo que não se herda
com o nascimento nem se recebe pronto como transmissão do meio social e sim como uma
construção progressiva da pessoa na interação com o meio social. Pode-se dizer que Wallon
fez a psicogênese da pessoa como sujeito. Ele descreve um processo que vai da
indiferenciação simbiotica inicial à crescente subjetivação, com a objetivação que lhe
complementa.

1.2.1 – O Kantismo evolutivo x Kantismo Construtivista

Podemos ver, o Kantismo evolutivo está mais para o Kantismo Plantonista. Por um
lado, possuiria apenas de Kantiano o fato de afirmar que o conhecimento é o resultado do
encontro de duas realidades pré-construidas enfrentadas entre si – as formas a priori, enquanto
condição de possibilidade, e o conteúdo bruto – e, por outro, seria plantonista, uma vez que
retifica a condição de possibilidade, bem como postula simultaneamente sua eternidade.
Assim da conjunção de ambos os termos que a priori se substancializam e passam a conter em
si mesmos proto-conhecimentos que vão ao encontro de um meio estimulante.

Tem-se a idéia, o Kantismo construtivo, assimila que o conhecimento não é cópia,


como bem nos afirma Kant (1950), a construção da tradição metafísica; ressaltamos que as
condições epistemicas prévias, por sua vez constroem no sentido de Piaget, são produtos de
uma construção efetivamente construtivista no seio mesmo da experiência social da interação,
ao ponto tal que se revelem a posteridade como um suposto formal.
2.0 – O ambiente de aprendizagem construtivista
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Em muitos lugares do mundo, até pouco tempo, e mesmo hoje, as teorias de


aprendizagem dividem-se em duas correntes: Uma empirista e uma apriorista. Para os
aprioristas, a origem do conhecimento está no próprio sujeito, ou seja, sua bagagem cultural
está geneticamente armazenada dentro dele, a função do professor é apenas estimular para que
esse conhecimento aflore. Já os empiristas, cujo princípio é tão longínquo quanto os
ensinamentos de Aristóteles, as bases do conhecimento estão nos objetos e sua observação.
Para estes, o aluno é tabula rasa e o conhecimento é algo fluido, que pode ser repassado de um
para o outro pelo contato entre eles, seja de forma oral, escrita, gestual, etc. É nessa teoria que
baseiam a maioria das correntes pedagógicas.

As teorias de Jean Piaget, que foi um dos primeiros a pesquisar cientificamente como
o conhecimento era formado na mente de um pesquisador, tomando aqui a palavra
pesquisador o seu sentido mais amplo, uma vez que seus estudos iniciaram-se com a
apreciação de bebês, o mesmo observou como um recém-nascido passava do estado de não
reconhecimento de sua individualidade frente ao mundo que o cerca indo até a idade dos
adolescentes, onde já temos o inicio de operações de raciocínio mais complexas. De suas
observações posteriormente sistematizadas com uma metodologia de analise, denominada o
Método clinico, Piaget estabeleceu as bases de sua teoria, a qual chamou de Epistemologia
Genética. Essa fundamentação descreve as relações entre o sujeito e seu meio que consiste
numa interação radical, de modo tal que a consciência não começa pelo conhecimento dos
objetos nem pelo da atividade do sujeito, mas por um estado diferenciado, e é desse estado
que derivam dois movimentos complementares, um de incorporação das coisas do sujeito, o
outro de acomodação às próprias coisas.

2.1 – Características do ambiente construtivista

O construtivismo é uma teoria progressiva, satisfazendo portanto aqueles critérios


políticos exigidos por pessoas que em geral se classificam como de “esquerda”. Por outro
lado, fornece uma direção relativamente clara para a prática pedagógica, além de ter como
base uma teoria de aprendizagem e do desenvolvimento humano com forte prestigio
cientifico. As criticas com relação às teorias de Piaget, são justamente a falta de uma prática
pedagógica clara e explicita, uma vez que não é a isto que ela se propõe.

2.1.1 – Epistemologia genética do construtivismo


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Como mencionado anteriormente, é a junção das teorias existentes, pois Piaget não
acreditava que todo conhecimento seja a priori, inerente ao próprio sujeito, nem o
conhecimento venha totalmente de observações do meio que o cerca; de acordo com suas
teorias, o conhecimento, em qualquer nível, é gerado através de uma interação radical do
sujeito com seu meio, a partir de estruturas previamente existentes no sujeito. Assim sendo, a
aquisição de conhecimentos depende tanto de certas estruturas cognitivas inerentes ao próprio
sujeito.

É importante salientar o fato de que, apesar de a Epistemologia Genética ser uma


teoria que analisa o comportamento psicológico humano, área normalmente afeta à
Psicologia, e que analisa estes aspectos relacionados ao aprendizado, área normalmente afeta
à Pedagogia, Piaget não era psicólogo, nem era pedagogo, nem tampouco biólogo. Sei
interesse, ao desenvolver sua teoria, era dar uma fundamentação teórica, baseada em uma
investigação cientifica, à forma de como se “constrói” o conhecimento no ser humano. Aí que
reside o grande mérito de seus trabalhos, apresentar a primeira explicação cientifica para a
maneira como o homem passa de um ser que não consegue distinguir-se do mundo que o
cerca, até um outro ser que consegue realizar equações complexas que o permitem viajar a
outros planetas.

É obvio que as teorias de Piaget possuem aplicação em inúmeros campos de


pesquisa, inclusive na pedagogia, mas é fundamental entender-se que este não era seu
propósito. A Epistemologia Genética e o construtivismo não são uma nova metodologia
pedagógica, podem até ser um subsídio fundamental para o aperfeiçoamento das técnicas
pedagógicas.

Em um ambiente ensino construtivista é fundamental que o professor conceba o


conhecimento sob a ótica levantada por Piaget, ou seja, que qualquer desenvolvimento
cognitivo só será efetivo se for baseado em uma interação muito forte entre o sujeito e o
objeto. É imprescindível que se compreenda que sem uma atitude do objeto que perturbe as
estruturas do sujeito, este não tentará acomodar-se à situação, criando uma futura assimilação
do objeto, dando origem às sucessivas adaptações do sujeito ao meio, com o constante
desenvolvimento de seu cognitivismo. Desta forma, apesar de acreditar ser perfeitamente
possível a utilização de um ambiente empirista por um professor que não veja o aluno como
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tabula rasa para o desenvolvimento de um conhecimento, como Piaget teorizou, existem


alguns pressupostos básicos que devem ser levados em conta para termos um ambiente
construtivista. A primeira das exigências é que o ambiente permita e obrigue a interação do
aprendiz com o objeto de estudo, integrando o objeto de estudo a realidade do sujeito, dentro
de suas condições, de formas a estimulá-lo e desafia-lo, mas ao mesmo tempo permitindo que
as novas situações criadas possam ser adaptadas as estruturas cognitivas existentes
proporcionando desenvolvimento de uma abrangência não só do universo do aluno, mas o
aluno – aluno; aluno – professor. Portanto, as razões pelas quais da utilização desse exemplo
já ser considerada ultrapassada por muitos, mas o importante é o contexto atual, que se
fundamenta na teoria mais do que na sua utilização.

Outro aspecto primordial nas teorias do construtivismo, é a quebra de paradigmas que


os conceitos de Piaget trazem, é a troca do repasse de informações para a busca de formação
do aluno, tirando assim o poder e a autoridade do mestre, transformando-o de todo poderoso
detentor do saber para um “educador - educando”, porém, esta visão deve permear todo um
“ambiente construtivista”.

Precisamos também salientar que devemos lidar como o fator do erro e da avaliação,
este aspecto está mais aprofundado tornando-se importante da importante da estreita relação
com o próprio erro, uma abordagem construtivista, pois o erro é importante no aprendizado, o
aprendiz deve sempre se questionar sobre as conseqüências de suas atitudes e a partir de seus
erros ou acertos ir construindo seus conceitos, ao invés de servir apenas para verificar o
quanto do que foi repassado para o aluno, como é nas práticas empiristas.

2.2 – Praticando o construtivismo

Dificilmente encontraremos projetos ou pessoas envolvidas com a educação que não


utilizem ao menos uma vez em seus discursos expressões como “construir conhecimentos”,
“propostas construtivas” ou “busca de autonomia”, no entanto as ações dessas pessoas
indicam transferência, reprodução ou autonomismo, por isso podemos dizer que a palavra
construtivismo entrou na moda. Numa sala de aula ao ensinarmos matemática, tentamos
mostrar uma questão mais ampla, que é como fazer para que os conhecimentos ensinados
tenham sentido, significado para o aprendiz. Observe que quando o educador fala, ele fala
sobre o ser significativo, quando quem fala é o sujeito da ação ele produz significado.
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Portanto, o sentido de um conhecimento matemático se define não apenas por uma coleção de
situações em que o aprendiz encontra ou utiliza este conhecimento como meio de solução,
mas principalmente pelo conjunto de concepções que rejeita, de erros que evita, de economia
que procura e reformulações que faz.

A estratégia de ensino do professor do campo da didática e da pedagogia, enquanto a


construção de conhecimento é do campo da ciência da cognição, da epistemologia. Um influi
na outra de modo complexo e não simplesmente como causa e efeito. Quando pensamos em
aprendizagem como processo distinto do processo de ensinar pode pensar em vários modelos,
vejamos: “algumas vezes, os números racionais são aprendidos apenas em situações
utilitárias”, em problemas como: construir uma mesa, dividir uma pizza, etc. No entanto os
números racionais ficam “restritos” a essa visão e não se discute o conceito matemático de
número.

2.3 – Alfabetização do construtivismo

Com base nas teorias de Piaget , os construtivistas consideram inútil a prontidão, ou


seja, o treinamento motor que habitualmente se aplica às crianças como preparação do
aprendizado da escrita. Para eles, aprender a ler e escrever é algo mais amplo e complexo do
que adquirir destreza com o lápis.

2.3.1 – A Interpretação da criança

A escola ainda não entende a interpretação da criança sobre a escrita, o aprendizado


de palavras que façam sentido para elas. Quando uma criança erra, esse erro deve ser
trabalhado, ao contrário do que muitas escolas pensam, esses “erros” demonstram uma
construção, e com o tempo vão diminuindo, pois as crianças começam a se preocupar com
muitas outras coisas como ortografia, que não se preocupavam antes, pois estavam
descobrindo a escrita. Analisar que representações sobre a escrita que o estudante tem é muito
importante para o professor saber agir. Não é porque o aluno participa de forma direta da
construção do seu conhecimento que o professor não precisa ensinar, portanto, cabe ao
professor organizar atividades que favoreçam a reflexão da criança sobre a escrita, pois é
pensando que ela aprende.
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Os professores têm a disposição uma metodologia de ensino de língua escrita coerente


com as mudanças apontadas pela psicolingüística estruturada em torno de princípios que
organizam a prática do professor, essa psicolingüística foi produzida por vários educadores do
mundo. O fato de o aluno aprender a ler e escrever, lendo e escrevendo, mesmo sem saber
fazer isso, é um desses princípios, nas escolas verdadeiramente construtivistas, os alunos se
alfabetizam participando de práticas sociais de leitura e escrita, portanto, com isso, a
referencia para eles com relação ao texto não é mais uma cartilha, com frases sem sentido.

2.3.2 – A Cartilha mecanicista

A cartilha mecanicista que tem medo do erro e, para evitá-lo, subjuga a comunicação
escrita as silabas e frases já memorizadas, tem que buscar novas referencias para mostrar aos
novos alunos que os mesmos não querem viver de repetições de frases já bastante conhecidas
onde se torna para o aluno uma coisa sem sentido. Portanto, o aluno que é sujeito de todo esse
processo, é o sujeito que busca conhecimento que é algo que se constrói pela ação dele
mesmo.

2.3.3 – A Criança agora

Os níveis estruturais da linguagem escrita podem explicar as diferenças individuais e


os diferentes ritmos das crianças. O problema que tanto atormenta os professores que são os
dos diferentes níveis em que normalmente as crianças se encontram e vão se desenvolvendo
durante o processo de alfabetização, assume importante papel, já que a interação entre eles é
fator de suma importância para o desenvolvimento de processo educacional.

A analise fonética das palavras são de muita importância para a escrita, pois a sílaba
não pode ser considerada uma unidade e que pode ser separada em unidades menores. A
identificação do som não é garantia de identificação da letra, o que pode gerar as famosas
dificuldades ortográficas nas crianças. Podemos entender o processo de aquisição da escrita
pelas crianças sob diferentes pontos de vista, o mais comum é onde a escrita é imutável e deve
se seguir o modelo adulto, pois do ponto de vista do trabalho, a escrita é vista como um objeto
do conhecimento levando em conta as tentativas individuais das crianças, já no ponto de vista
da interação, o aspecto é mais social, onde a alfabetização é um processo discursivo. Cabe aos
pedagogos pensar nesses três pontos de vistas e construir o seu próprio.
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2.3.4 – Analisando a criança

Analisar as representações sobre a escrita de uma criança tem muita importância para
o pedagogo e para o professor saber como agir, não por que a criança participa de forma direta
da construção do seu conhecimento, que não via precisar dos ensinamentos do professor, mas
o professor tem a função de organizar as atividades que favorecem a reflexão da criança sobre
a escrita, pois é pensando é que ela aprende.

Portanto, essa metodologia é estruturada em torno de princípios que organizam a


prática do professor, o fato da criança aprender a ler e escrever lendo e escrevendo, mesmo
sem saber fazer isso, é um dos princípios importantes.

Nas escolas verdadeiramente construtivistas, as crianças se alfabetizam ao


participarem de práticas sociais de leitura e escrita. A referencia do texto para essas crianças
não é mais uma cartilha com textos e frases sem sentidos, é algo muito mais importante.

Portanto, o construtivismo não é um método de ensino, pois o mesmo se refere a um


processo de aprendizagem, que coloca o sujeito da aprendizagem como alguém que conhece,
e que o conhecimento é algo que se constrói pela ação deste sujeito. Nesse processo de
aprendizagem o ambiente também exerce o seu papel, pois, o sujeito que conhece faz parte de
um determinado ambiente cultural.

2.3.5 – O Processo de experiência

O processo da experiência da criança, tem que ser levado em conta, pois implica a
escola ver a criança com bastantes experiências importantes, como do ponto de vista para a
formação dos conceitos científicos que irão ser desenvolvidos somente quando da existência
dos conceitos espontâneos da própria criança que alcança um nível determinado, próprio do
começo da idade para a vida escolar.

Essa idéia caminha para a efetivação dos outros elementos importantes na vida escolar,
pois enfatiza o interesse pelo desenvolvimento das operações concretas e das operações
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formais, como autentica capacidade da criança de progredir. Dessa forma, as teorias


pedagógicas influídas pelo construtivismo genético em consolidação de ditas operações faz
uso de trabalho sistemático de procedimentos adequados. Os processos de instruções que as
crianças recebem nas escolas ampliam suas estruturas de pensamento em formas de
pensamentos mais elevados, próprios da formação de conceitos científicos.

2.4 – O Construtivismo na base da Informação

As organizações cognitivas têm um papel muito importante, visto que dita a interação
com vários elementos dando uma estimulação comportamental e por último reduz o processo
de construção epistemica a uma simples atualização de possíveis cognitivos pré-formados que
desconhecem a natureza construtivista da interação. A psicologia da inteligência, uma que
sustenta o caráter genético da inteligência detentora de anterioridade não só lógica, quanto,
principalmente, cronológica e de nível a respeito da experiência epistemica do sujeito.

Para Piaget, o esquema mínimo de todo raciocínio pré-formista é onde já existia uma
coisa mais ou menos já dada que se atualiza, evoluindo graças ao simples contato gratificante
ou frustrante com a realidade pensada como seu exterior, inerente ao evolucionismo vitaliza
um começo a partir do conjunto de todos os possíveis.

Não há dúvidas que esse modo de raciocinar acaba se endereçando pelos caminhos que
encontram desmascaradas as tendências naturais do espírito capaz de falsear toda analise.
Piaget nunca confundiu as estruturas intelectuais com as orgânicas, em particular, as
neuronais. Sempre assimilou que se tratava de simples analogias qualitativas, isomorfismos
parciais, bem como de comparações sistemáticas entre as coordenações cognitivas e a
problemática da relação genoma-meio. Nesse sentido, não devemos confundir: Uma coisa é
remissão, a temática da adaptação vital, enquanto estratégia argumentativa ou pré-texto,
segundo Piaget, ele afirma que é real.

2.4.1 – O Construtivismo de reconstrução


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No ponto de vista de nosso entendimento, o fato de afirmar simultaneamente a


pressuposição, a heterogeneidade material e a correspondência funcional, acaba obrigando
Piaget a recorrer a idéias das reconstruções convergentes com ultrapassagens para assim
sustentar seu edifício epistemológico. Assim entre a vida e os processos epistemicos há, por
um lado, uma continuidade funcional a ponto tal que é possível identificar, num e noutro
campo, o império de certas correspondências e, por outro, um isomorfismo parcial, derivado
de uma série de reconstruções convergentes e não de uma filiação direta. As reconstruções
convergentes são responsáveis por certo ares familiares que compartilham entre si o
organismo e a inteligência, por outro lado, ele funciona como um processo de filiação, ele
precisa também apoiar-se em alguma coisa. As funções cognitivas para poderem realizar seu
trabalho, apóiam-se nas regulamentações orgânicas e dessa forma não fazem mais do que
prolongar a autoregulação inerente à vida. Nesse sentido cabe afirmar que estamos decididos
a deixar de lado a tese da suposição causal, então, deve se concluir que a relação de
pressuposição que a inteligência mantém com a materialidade neuronal é de caráter
epistemológico. Mais ainda, no nosso entender, apelando a idéia duma pressuposição
epistemológica, conseguimos resolver o impasse no qual se cai na hora de fazer referencia as
possibilidades orgânicas.

2.4.2 - O Construtivismo da interação

Antes uma observação:

O nome de Piaget, no Brasil, vem mais associado aos temas educacionais e


pedagógicos que aos de psicologia e epistemologia genética, aos quais
dedicou a essência de seu trabalho. (FREITAG. 1985:11)

Se as teses de Piaget são interpretadas em uma perspectiva didática, então se nega o


caráter construtivista da interação, pois se considera, tanto a inteligência quanto o meio, como
duas realidades pré-constituidas que mantém em si um relacionamento de exterioridade.
Portanto, cabe afirmar que a versão didática das teses psicogenéticas é o produto de uma
confusão de três esquecimentos. Por outro lado, confunde-nos o fato de Piaget ter relativizado
a transmissão social e pensado a interação interindividuais, norteadoras tanto dos estudos
sociológicos quanto dos estudos experimentais sobre a interação social de Doise, Mugny e
Perret-Clemont, dentre outros. Embora esses assinalamentos sejam suficientes para contestar
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a suposta pertinência de uma interpretação didática, detenhamo-nos na problemática da


natureza do objeto de conhecimento, pois nos parece solidário da discussão acerca da
interação. Com efeito, se o objeto fosse apenas um ente físico, então faria sentido falar de uma
maior ou menor quantidade de estímulos ambientais, porém se ele é, ao contrário, um
fragmento de cultura a ser reconstruído, então passa a ter sentido falar das possibilidades
interativas ofertadas ao sujeito, na direção apontada pelas pesquisas.

Portanto, pensemos no seguinte: um sujeito constrói o conhecimento com clareza na


verdade, porém, o sujeito reconstrói, tanto no sentido de construir sobre uma construção
anterior quanto no sentido de construir o que já havia sido construído por outros.

Dessa forma, cabe concluir que aquilo a ser reconstruído não é um conhecimento
enquanto copia do sujeito, na medida de sua participação não-egocêntrica, poderá vir a dar
sustento ao próprio objeto em questão. Em suma, o objeto e a inteligência do sujeito
constituem uma mesma e única realidade interativa, e não como às vezes se pensa, duas
materialidades heterogenias onde uma delas possuirá a capacidade de vir a completar a
evolução potencial da outra. Como Piaget sempre sustentou, o objeto e o sujeito são dois
pólos da interação ou de uma realidade intelectual que se auto-constroi.

2.4.3 – A construção da linguagem escrita

Os resultados de pesquisas permitem que se conheçam a maneira com que a criança


concebe o processo de escrita, as teorias pedagógicas e metodológicas, nos apontam
caminhos, afim de que os erros mais freqüentes daqueles que alfabetizam possam ser
evitados, desmistificando certos mitos vigentes em nossas escolas.

Aqueles que são ou foram alfabetizadores, com certeza, já se depararam com certos
professores que logo ao primeiro mês de aula estão dizendo, a respeito de alguns alunos: não
tem prontidão para aprender, tem problemas familiares, é muito fraco de cabeça, não fez uma
boa pré-escola, não tem maturidade para aprender e tantos outros comentários assemelhados.
Outra vez culpam-se os próprios educadores, os métodos ou materiais didáticos.

A escrita da criança não resulta de simples cópia de um modelo externo, mas é um


processo de construção pessoal. As crianças reinventam a escrita, no sentido de que
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inicialmente precisam compreender seu processo de construção e suas formas de produção.


“Ler não é decifrar, escrever não é copiar”. Muito antes de iniciar o processo formal de
aprendizagem leitura/escrita, as crianças constroem hipóteses sobre este objeto de
conhecimento.

Pesquisadores do mundo inteiro, reconhecidos internacionalmente por trabalhos


desenvolvidos sobre a alfabetização, a maioria das crianças na faixa etária de seis anos, faz
corretamente a distinção entre texto e desenho, sabendo que o que se pode ler é aquilo que
contem letras, embora algumas ainda persistam na hipótese de que tanto se pode se ler as
letras como os desenhos. É bastante significativo que estas crianças pertençam as classes mais
pobres, e que por isso acabem tendo um menor contato com material escrito.

2.4.4 - A criança e os livros

Os livros infantis e juvenis, de texto ou de consulta, tomaram-se tão comuns que


podem ser considerados como um dos mais importantes instrumentos pedagógicos da
atualidade. Entretanto, devido à própria abundância desses livros, os pais devem ter extremo
cuidado ao escolher os mais apropriados para seus filhos. Existem muitos livros, mas é
preciso escolher aqueles que realmente ajudam a criança em termos sociais e culturais.
No entanto, o dever dos pais não se limita apenas à aquisição dos livros adequados: é
preciso fazer com que a criança aprenda a usá-los e apreciá-los.
Deve-se ensinar as crianças a utilizar os livros de consulta. A criança deve ser capaz de achar
as respostas nos livros com rapidez, eficiência e exatidão. Por exemplo, se observar que a
criança tem dificuldade para usar o índice remissivo de um volume, mostre-lhe imediatamente
a forma correta de proceder.

De que valem as informações contidas nos livros se a criança não pode ter acesso a
elas quando sua curiosidade é despertada? Ensine a criança a respeitar os livros. Não adianta
ter em casa as melhores obras de consulta se a criança não for ensinada a gostar delas. Mesmo
se a criança ainda não estiver na escola, devem os pais ler para ela com freqüência, deixando-
a ver as ilustrações dos livros. Para a criança será sempre motivo de inspiração viver num lar
onde os livros são tratados com interesse e respeito.
25

Nunca devemos deixar insatisfeita a curiosidade da criança. Respondamos


imediatamente, da maneira mais completa que pudermos, toda dúvida de nossos filho.
Façamos de cada pergunta um problema que cabe a ambos resolver, através das fontes mais
apropriadas.

Aumentemos o interesse da criança pela aprendizagem. Basta lembrar as próprias


experiências para perceber que, muitas vezes, as responsabilidades do estudante tonam-se
cansativas e monótonas. As novas técnicas educativas, destinadas a diversificar as áreas de
aprendizagem e tomar mais atraentes os métodosde ensino, contribuíram bastante para reduzir
o problema. Entretanto, também depende dos pais o horizonte dos filhos para que a palavra
“aprendizagem’ não se tome um sinônimo de ‘escola, tarefa e tédio’, mas de todo um universo
por conhecer. A vivência cultural fornece à criança as bases ideais para consolidar sua
educação. Levemos a criança a concertos, museus, jardins zoológicos, lugares de interesse
histórico, fábricas etc. Aproveite as oportunidades em que ele possa viajar e conhecer outros
lugares
.
As inquietações pessoais são muito importantes. São incontáveis os pais que pensam
que a criança deve centralizar todo seu interesse nas matérias escolares e esquecer as próprias
inclinações e aptidões. Se o seu filho demonstrar qualquer inquietação no sentido de realizar
uma atividade artística ou esportiva, não o detenha. Pelo contrário, estimule-o.Talvez seu
sucesso pessoal e escolar parta dessa experiência.

2.4.5- Sólidos hábitos de estudo

Se a criança conta com todos os livros e materiais necessários à realização de suas


tarefas escolares e, no entanto, não consegue um bom aproveitamento na escola, o problema
poderá estar em um método de estudo pouco eficiente.

Os pedagogos constataram que muitas crianças consomem um tempo excessivo para


realizar seus deveres e pesquisas e, entretanto, obtêm notas baixas, ao passo que um bom
método de estudo as levaria a utilizar metade desse tempo e obter melhores notas. Estimule
seu filho a realizar sua tarefa com intensidade e concentração.
26

As distrações podem levar a criança a fazer um trabalho pouco satisfatório. É


impossível alguém resolver um problema enquanto vê televisão. Devemos ajudar a criança a
alcançar seu nível máximo de qualidade, exatidão e rapidez.

Devemos fazer com que o aluno estabeleça um horário fixo de estudos e se acostume a
ele. Ensine-o a distribuir seu tempo da maneira mais apropriada; dessa forma, ele não
consumirá tempo demais no estudo e poderá dedicar-se aos necessários momentos de lazer,
diversão e descanso.

Precisamos ajudar o estudante a organizar o trabalho. Se num determinado momento a


criança encontra um problema de dificil solução, deve aprender, por exemplo, a subdividi-lo
em partes pequenas que permitam uma abordagem fácil e ordenada. Sentada à escrivaninha, a
criança deverá ter em mente somente um propósito bem definido e concentrar-se nele até
realizá-lo. Só então ela poderá passar ao problema seguinte.

2.4.6 - Lugar adequado para estudar

O silêncio e a tranqüilidade são imprescindíveis para o estudo. Da mesma forma como


os adultos procuram o canto mais sossegado do seu lar ou escritório para realizar atividades
que, como a leitura, exigem concentração, a criança precisa contar com seu próprio
“cantinho” para fazer seus deveres ou preparar-se para provas.

Algumas crianças estudam em condições caóticas, mas raramente as lições estudadas


com o televisor ou o rádio ligados são bem aprendidas. O lugar de estudo deve ser tranqüilo,
bem iluminado e arejado. E muito importante que a criança não seja interrompida enquanto
estuda, e que o local seja mantido limpo e arejado, para que sua saúde não seja prejudicada
devido ao trabalho em condições inadequadas.

A criança deve dispor de todos os materiais e móveis necessários ao seu estudo.


Não é preciso muita coisa: uma mesa ou escrivaninha, bem como uma cadeira confortável,
serão suficientes, sem esquecer que a criança também deverá ter lápis, borrachas, ao alcance
da mão, além dos livros de consulta necessários para desenvolver seu trabalho com
comodidade.
27

2.4.7 - Ensinando a criança a escutar

Quantas vezes já passamos em exames, para os quais não tínhamos estudado, graças à
atenção prestada ao professor na aula? De fato, saber escutar é uma aptidão muito valiosa, que
só se adquire por meio da perseverança. O ser humano pensa pelo menos cinco vezes mais
depressa do que emite palavras. Entretanto, essa grande diferença muitas vezes ocasiona
dificuldades ao estudante: o professor fala com lentidão e a mente da criança anda muito
depressa, fazendo com que desvie a atenção repetidamente. Alguns conselhos poderão ajudar
seu filho a aprender a escutar. Procure dar à criança uma idéia sucinta do assunto que será
tratado nas aulas. Um pouco de preparação prévia, além de poupar mais tarde ao estudante
várias horas de revisão de matéria, facilitará o trabalho de escutar e entender.

A criança precisa escutar de maneira criativa e construtiva. Ao acostumar a criança a


manter sua mente ocupada na avaliação e crítica daquilo que está escutando, bem como a
fazer perguntas sobre a lição; podemos fazer com que ela possa medir sua própria experiência
e conhecimentos, e que relacione a aula com o que já sabe. Segundo recentes estudos, até aos
09 anos a criança já desenvolveu 80% da inteligência que terá aos 17. E tem mais: de tudo que
ela aprendeu antes de entrar para o colégio, 33% foram aprendidos até os 6 anos.

2.4.8 – Ler melhor, escrever claramente e com rapidez

Podemos nos surpreender com o número de adultos que apresentam deficiências ao ler
e escrever. Isto se deve, freqüentemente, à falta de assistência na infância, quando tiveram
dificuldades de aprender. Se a criança apresentar problemas de escrita ou de leitura, será
conveniente complementar o programa escolar por meio de revisões e exercícios em casa.
Talvez seja adequado, antes disso, solicitar uma entrevista com o professor da criança para
que ele indique as dificuldades específicas - falta de vocabulário, defeitos de pronúncia,
pouca atenção na aula, problemas de caligrafia etc. - e sugira a forma de ajudá-lo.

Entretanto, há algumas medidas que, certamente, permitirão obter bons resultados.


Um plano organizado e bem traçado é fundamental para a leitura de um livro didático.
Durante a leitura, é preciso ter um propósito, um objetivo claro e definido. Uma criança que lê
mal, sem saber exatamente qual é o proveito que deseja obter do texto, decerto repassa cinco
28

ou seis vezes a lição, sem entender por completo seu significado.


Um renomado educador sugere que a criança siga as quatro etapas seguintes para captar a
mensagem real da leitura com rapidez e concentração: Dar uma olhada geral e rápida em todo
o material, apenas para ter uma idéia do conteúdo. Voltar a examinar o texto, mas agora
procurando as idéias importantes e tentando captar perfeitamente o que o autor quis dizer.
Fazer uma última revisão da lição, encadeando cada uma das partes com as outras e anotando
as informações importantes. Elaborar um resumo escrito, tão completo quanto possível, das
idéias encenadas no texto.O exercício constante toma fácil adquirir um bom domínio da
escrita.

2.4.9 – Jogos de pequenas frases

Podemos apresentar uma série de exercício e jogos que constituem forma de


aprendizado e oprtunidade de relacionamento entre os educandos, tendo em vista o
desenvolvimento do raciocinio. Em seguida um exemplo:

As crianças estão sentadas em círculo. Uma delas está em pé no meio do círculo e diz
qualquer coisa deste gênero: “Os que trazem cinto! “. Todos os que usam cinto mudam de
lugar trocando com outros que também trazem cinto. O que está no meio do círculo deve
também procurar um lugar e aquele que não se conseguiu sentar vai então para o meio e terá
de escolher uma outra sugestão. As crianças apercebem-se depressa de que podem ser ao
mesmo tempo semelhantes e diferentes de bastantes formas. Uma maneira interessante de
terminar o jogo consiste em escolher uma pequena frase que contenha um
qualificativo,talcomo: “Os que são felizes /simpáticos! Como é mais dificil identificar assim
de repente uma qualidade, o jogo chega geralmente ao fim nesse momento. O professor pode
então pretender analisar com as crianças de que modo essas qualidades são, em geral,
reconhecidas.

Será também necessário estabelecer com as crianças uma estratégia coerente que
permita abordar a “adversidade”. A adversidade surge com freqüência. Há contudo meios que
permitem enfrentá-la e, se deliberadamente utilizados na aula, podem criar reflexos que serão
um triunfo seguro na vida.

É dever do professor estar permanentemente disposto a falar da adversidade e até


mesmo dos conflitos. É necessário insistir no fato de que todo o problema tem a sua solução.
29

E importante que a criança possa refletir sobre um problema para conseguir encontrar-lhe uma
solução.Uma maneira mais sistemática de proceder segundo Odair Furtado é a seguinte:

1. Circunscrever e identificar o problema. Acabar com toda a forma de atividade,


fisica ou verbal, e pedir às crianças em causa que analisem em conjunto o seu comportamento.

2. Conseguir uma descrição do que aconteceu. Perguntar às crianças em causa e


àquelas que puderam estar presentes, como é que as coisas se passaram. Deixar que se
exprima uma de cada vez, sem intenupções. Para acalmar um sentimento de cólera ou de
culpabilidade na criança, pode ser útil encorajá-la, por exemplo, colocando a mão sobre ela ou
abraçando-a. E no entanto indispensável permanecer sempre neutro.

3. Passar em revista as soluções possíveis. Perguntar como se poderia resolver o


problema. Se elas nada propuserem, o professor pode dar sugestões.

4. Examinar as soluções propostas. Mostrar que muitas vezes existem várias


soluções justas. Encorajar as crianças a pensar nas conseqüências que elas teriam no plano
fisico e afetivo e recordar-lhes as experiências anteriores análogas.

5.Escolher uma solução.Optar por uma das soluções propostas , numa base de mútuo
acordo.

6.Aplicar essa solução.

2.5 – A biblioteca como fonte de apoio


30

Tradicionalmente a biblioteca tem exercido um papel muito importante na vida escolar


da criança, onde o bibliotecário exerce o papel de intermediário, apenas indicando as fontes
de informações sem emitir julgamento de valor acerca dessas fontes.

Com o surgimento da internet, as foram inundadas por uma avalanche de informações,


pode-se saber como encontrá-las de modo que essas possam ser significativas as suas
experiências e úteis em suas formações.

2.5.1 – A Internet – biblioteca inteligente

Por toda parte as pessoas admitem - algumas com entusiasmo, outras com grande
pessimismo - que o mundo está sofrendo uma revolução radical em conseqüência das novas
tecnologias de informação e de comunicação. Os computadores e as redes mundiais como a
Internet se juntaram a ferramentas mais antigas - rádio, televisão e telefone - para criar um
sistema mundial de comunicação que as pessoas usam para conversar, ensinar, aprender, fazer
conferências, comprar e vender produtos, recebendo informações de todos os tipos. Tudo isso
é, entre outras coisas, uma nova e gigantesca indústria.

De acordo com o Financial Times, o setor de informação e comunicação está


crescendo duas vezes mais rápido do que o resto da economia mundial. E muitos cientistas
políticos reconhecem que o “poder de informação” está aos poucos se tomando tão importante
nas relações internacionais quanto o poder político, militar ou econômico.

O problema é que a tecnologia da informação está sendo distribuída e utilizada de


forma muito desigual. O número de linhas telefônicas nos 48 países menos
a desenvolvidos do mundo (a maioria na Africa), por exemplo, é de 1,5 milhão. Isso
equivale a cerca de 1% do número de linhas nos Estados Unidos, que tem menos da
metade do número de habitantes desses 48 países juntos. Nos Estados Unidos existem
600 linhas telefônicas para cada mil habitantes; em Bangladesh, são duas linhas para
cada mil pessoas.

Mas, apesar de tais dificuldades, é preciso ver o impacto positivo dessas tecnologias
nos países mais pobres. Na África, por exemplo, a Internet se tornou nos últimos anos um
31

meio importante de liberdade de expressão. Mesmo nos países que vivem sob ditadura, é tal o
fluxo de informação que os censores estatais não têm como lidar com ele. Na área ambiental,
os beneficios em várias partes do mundo também têm sido enormes. Na Indonésia, um
programa de computador preparado pelo Ministério do Meio Ambiente tornou-se um meio-
chave de desenvolvimento sustentável de florestas tropicais.

A Internet tem sido também um poderoso instrumento na área da educação ambiental.


Na home page do World Wildflfe Fund, por exemplo, há à disposição dos usuários dados
permanentemente atualizados sobre desmatamento, poluição, espécies em extinção e outros
temas que podem ensinar crianças e jovens a cuidar melhor de nosso planeta.

Muitas organizações internacionais começam a se mobilizar para usar as novas


tecnologias de informação em prol do desenvolvimento dos países mais pobres. O Programa
das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), por exemplo, lançou um projeto para
utilização da internet como uma ferramenta para o desenvolvimento. E, em 1995, os países
participantes da Conferência de Cúpula de Copenhague sobre Desenvolvimento Social se
comprometeram a traçar uma estratégia de utilização das novas tecnologias com o objetivo
específico de diminuir a pobreza no mundo.

A internet representa ump otencial de informações no qual o usuário ainda não sabe
bem como explorá-la, potanto, o bibliotecario tem os conhecimentos das fontes de pesquisas e
as estratégias de busca para explorar a imensa biblioteca que é a internet, também denominada
de biblioteca inteligente e orientar o seu usuário na montagem de mais informações.

2.5.2 – A biblioteca virtual

Nas bibliotecas virtuais a orientação do usuário no uso de ferramentas adequadas e em


mecanismos de estratégias de busca são fundamentais para essa nova era da educação. As
instruções de como os usuários deverão conduzir suas pesquisas utilizando os diversos robôs,
que são agentes inteligentes e indexam e recuperam a informação.

O bibliotecário não é prescindível, ao contrário das aparentes facilidades da rede que


possam sugerir tornando-se relevantes na distinção do novo papel desse profissional da área.
32

Esses profissionais ganham um papel muito impotante, pois selecionar, organizar e indexar a
informação eletrônica tornuo-se tarefa indispensável.

Esse novo bibloitecário, terá a tarefa de conhecer as novas tecnologias para que possa
usá-las como ferramentas úteis no seu dia a dia, na execução das tarefas historicamente
executadas nas bibliotecas tradicionais. Nesse novo modelo, a tradicional tarefa de selecionar
a informação ganha uma importância especial que é separar o que é significativo do que
banal.

2.5.3 – As novas tecnologias

O advento de novas tecnologias de informações trouxe a possibilidade de acesso


remoto aos recursos de informações disponíveis nas bibliotecas nacionais ou estrangeiras. Isto
é possível tanto para o usuário local, presencial, quanto para o usuário remoto da comunidade
ao qual a biblioteca está vinculada. A rigor, qualquer serviço prestado ao usuário comum,
também será oferecido a qualquer que seja o usuário.

2.5.4 – O bibliotecario estimulador

A função do bibliotecário no novo paradigma é de estimular a competencia dos


usuários no acesso, na avaliação e no uso das informações disponiveis, como também, ajudá-
los a definir a origem e o núcleo conceitual do conhecimento, com o intuito de que a nova
informação seja significativa às suas necessidades.

Os usuários serão estimulados a desenvolver uma autonomia cognitiva que garanta


que a nova informação passe a fazer parte da construção de uma conhecimento a longo prazo.

Portanto, deve-se incentivar a habilidade de avaliar e utilizar as informações,


estimulando a identificar os problemas, avaliar e acessar as informações pertinentes, crinado
soluções e criticando alguns enfoques. Essas habilidades tornam-se importantes na sociedade
contemporâneas devido a necessidade de formação de homens autônomos.

3.0 – Aspectos da teoria de Piaget


33

A teoria de Piaget sobre o desenvolvimento da inteligencia é considerada a mais


completa e coerente de quantas já foram criadas. Piaget se interessou pelo processo de
formação da inteligencia. Ele se situa do ponto de vista da psicologia genética (esta expressão
não se refere ao estudo da genética, no sentido estrito da biologia, mas ao processo de origem
e formação, isto é, da gênese das estruturas mentais, das funções superiores do ser humano,
enquanto mecanismos de inteligência e conhecimento). Ela procurou responder às perguntas:
De onde vem a inteligência e como ela chegou à fase de expressâo plena, na vida adulta ?

A psicologia da criança adquire uma posição-chave no estudo dos mais diversos temas
humanos: além de a criança despertar grande interesse em si mesma, ela também explica o
adulto e este a explica. Se o adulto educa a criança por meio de múltiplas transformações
sociais, diz Piaget, “todo adulto,embora criador, começou sendo criança, e isso tanto nos
tempos pré-históricos quanto hoje em dia”. Piaget optou, desde o inicio, por um
caminhoequidistante dos inatistas e dos associacionistas ou behavionistas. Piaget não
acreditava que a inteligência fosse herdada, que viesse com a pessoa como carga genética ou
que aparecesse espontaneamente à medida que a pessoa crescesse, nem que fosse apenas um
mecanismo de adaptação ao meio exterior, um comportamento adquirido por exercício ou
treinamento.

Piaget não criou um método de educação, mesmo assim muitos falam em


método piagetino, talvez, porque sua teoria sobre o desenvolvimento da
inteligência da criança forneça elementos objetivos, concretos e coerentes
para a construção de um modo de atuar como educador junto às crianças,
promovendo seu desenvolvimento e aprendizagem. A partir da teoria de
Piaget, diversos programas, projetos e métodos de trabalhos pedagógicos,
especialmente em educação infantil e ensino fundamental, foram criados em
vários países. (FURTH. 1979:61)

Em síntese, Piaget defendeu que a inteligência é construída, (daí construtivismo), no


interior do sujeito, por ele mesmo, num processo dinâmico, ao longo dos primeiros 15 ou 17
anos, a partir do nascimento. O homem não nasce inteligente, torna-se inteligente, mas não
fica inteligente por incorporação de respostas de fora, porque recebeu conhecimentos ou
treinou habilidades, mas porque desenvolveu mecanismos internos de organização do mundo
que o cerca ou estruturas de compreensão da realidade.
34

O desenvolvimento mental se dá por estágios, seguindo uma cronologia e a


progressiva inserção do ser humano no meio social e físico. A criação de estruturas sucessivas
da inteligência, que Piaget divide em estágios, obedece a critérios, como se pode ver na
seguinte citação:

A ordem de sucessão é constante, embora as idades médias em que ocorrem


possam variar de um indivíduo para outro, acelerando-se ou retardando, em
função do meio social, mas mantendo sempre a mesma ordem seqüencial.
Em vista disso, não faz muito sentido prático, segundo a teoria de Piaget, o
esforço didático de acelerar o desenvolvimento, embora meios mais
favoráveis ajude nesse processo. Piaget diz que a educação consiste em
acelerar a sucessão de estágios de desenvolvimento, mas alerta que um
excesso de rapidez é tão prejudicial quanto uma acentuada lentidão.
(PIAGET. 1984:12)

Cada estágio é caracterizado por uma estrutura de conjunto, que integra os vários
aspectos do comportamento (nesse ponto, Piaget discorda de Wallon, por ter, este, dado
predominância ora ao afetivo, ora ao cognitivo, no processo de desenvolvimento).

As estruturas do conjunto são integrativas, não se substituem uma à outra; cada uma
resulta da precedente , sendo inicialmente a ela subordinada e, depois, preparando a seguinte,
integrando-se a ela mais cedo ou mais tarde.

Comparando-se a visão de Piaget e de Vigotsky, nesse particular, quando este diz:

O desenvolvimento, nesse caso, como freqüentemente acontece, se dá não em


círculo, mas em espiral, passando por um mesmo ponto a cada nova
revolução, enquanto avança para um nível superior. (FONTES. 1998:33)

3.1 – O papel de uma abordagem construtivista

Se a nova biblioteca requer um novo bibliotecário para um novo usuário. Este novo
papel está respaldado numa abordagem construtivista de aprendizagem, cuja ênfase está na
aprendizagem e não no ensino, onde a aprendizagem é vista como um processo de construção
do conhecimento realizado através da operação e cooperação entre indivíduos.
35

Segundo Piaget, a construção do conhecimento é advinda de vias interdependentes: o


agrupamento operatório e a cooperação, esses são fatores necessários para a transição da
heteronomia à autonomia. O agrupamento é a coordenação de operações mentais do
indivíduo, enquanto que a cooperação é a coordenação de pontos de vista de um grupo de
indivíduos. O sujeito não constrói o conhecimento sem interdependência da ação e da
coordenação dessa ação numa relação interpessoal.

3.1.1 – As habilidades construtivistas

Os usuários são estimulados a desenvolver uma autonomia cognitiva que garanta que a
nova informação passe a fazer parte da construção de um conhecimento a longo prazo,
devemos, portanto, incentivar a habilidade de avaliar e utilizar as informações, essa nova
visão identifica os problemas e busca soluções criticando alguns enfoques.

Essas habilidades tornam-se importantes na sociedade contemporânea devido à


necessidade de formação de homens autônomos. O papel dessas habilidades reforça o
conceito do estudante como agente ativo do processo de aprendizagem, a aprendizagem aqui
se dá através de estimulo-resposta, um modelo que se diferencia da epistemologia
interacionista. Segundo Piaget, o conhecimento se constrói através de um processo de
adaptação, onde o sujeito assimila a nova informação através de uma abstração do objeto e
acomoda-os transformando os conhecimentos existentes, pois os mesmos não são
acumulativos e nem lineares, o sujeito precisa ter alguns esquemas de informação já
organizados para fazer classificações, generalizar e relacionar a nova informação

3.1.2 – As interações e transmissões sociais

O indivíduo recebe dos outros com quem se relaciona e, simultaneamente, contribui


com eles no desenvolvimento. Aqui estão incluídas tanto as relações sociais quanto as
transmissões culturais e educacionais. Quando ainda jovem, Piaget atribuía importância a esse
fator, mas depois foi minimizando sua influência , reforçando o papel da maturação biológica
e da ação. Acabou não concedendo às interações e transmissões sociais um papel importante
36

na diferenciação de desenvolvimento entre diferentes pessoas de diferentes ambientes


culturais. Para ele, em qualquer parte do mundo, o processo psicogenético é o mesmo.

Em Genebra, Nova Iorque, Moscou, nas montanhas do Irã, no coração da


África ou numa ilha do Pacífico, observamos que as crianças e os adultos
agem por seu funcionamento mesmo, independentemente do conteúdo das
transmissões educativas. (PIAGET. 1972:119).

3.2 - A valorização do professor

O professor tem um papel importante e deve ser valorizado e revalorizado, como


condição de sobrevivência de nossa civilização. Essencial é sua formação universitária, para
entender e atender às características dos processos psicológicos de desenvolvimento dos
alunos. Algo que Piaget escreveu sobre professores:

A preparação dos professores constitui a questão primordial de todas as


reformas pedagógicas em perspectiva, pois, enquanto não for a mesma
resolvida de forma satisfatória, será totalmente inútil organizar belos
programas ou construir belas teorias a respeito do que deveria ser realizado.
Ora, esse assunto apresenta dois aspectos. Em primeiro lugar, existe o
problema sociais da valorização ou da revalorização do corpo docente
primário e secundário, a cujos serviços não são atribuídos o devido valor pela
opinião pública, donde o desinteresse e a penúria que se apoderam dessas
profissões e que constituem um dos maiores perigos para o progresso, mesmo
para a sobrevivência de nossas civilizações doentes. A seguir, existe a
formação intelectual e moral do corpo docente, problema muito difícil, pois
quanto melhores são os métodos preconizados para o ensino mais penoso se
torna o ofício de professor , que pressupõe não só ao nível de uma elite do
ponto de vista dos conhecimentos do aluno e das matérias como uma
verdadeira vocação para o exercício da profissão. Para esses dois problemas
existe uma única e idêntica solução racional: uma formação universitária
completa para os mestres de todos os níveis pois, quanto mais jovens forem
os alunos, maiores dificuldades assume o ensino, se levado a sério. (PIAGET.
1894:11)

3.2.1 - Qual é o papel do professor no construtivismo ?


37

Em vez de dar a matéria, numa aula meramente expositiva, a professora organiza o


trabalho didático-pedagógico de modo que o aluno seja o co-piloto de sua própria
aprendizagem. A professora fica na posição de mediadora ou facilitadora desse processo.

3.2.2 - O que é necessário para ser uma boa professora construtivista?

Mentalidade aberta, atitude investigativa. Desprendimento intelectual, senso crítico,


sensibilidade às mudanças do mundo combinada com iniciativa para torná-las significativas
aos olhos dos alunos e flexibilidade para aceitar a si mesma em processo de mudança
contínua. Ela precisa dar mais de si e precisa estar o tempo todo se renovando, para sustentar
uma relação com os alunos que não se baseia na autoridade, mas na qualidade.

3.2.3 - Quais as vantagens do construtivismo sobre outras linhas de ensino?

Procura formar pessoas de espírito inquisitivo, participativo e cooperativo, com mais


desembaraço na elaboração do próprio conhecimento. Além disso, o Construtivismo cria
condições para um contato mais intenso e prazeroso com o universo da leitura e da escrita.

3.2.4 - Quais as desvantagens do construtivismo em relação a outras linhas de


ensino?

Sendo uma concepção pedagógica nova e flexível, não oferece ao professor


instrumentos tão seguros e precisos com respeito ao seu trabalho diário. Ainda há muito por
sistematizar, admitem os construtivistas.

CONCLUSÃO
38

A teoria do construtivismo procura descrever os diferentes estágios por que passam os


indivíduos no processo de aquisição dos conhecimentos, de como se desenvolve a inteligência
humana e de como tal indivíduo se torna autônomo. Portanto, podemos que essa teoria não
nasceu da preocupação de melhorar a qualidade do ensino e nem com a intenção de se tornar
um método para ser aplicado por professores nas escolas.

Vale salientar que o mais importante do construtivismo é a conscientização do professor


da importância de ser educador – educando, e que todos os processos de aprendizagem
passam necessariamente por uma interação entre o sujeito da aprendizagem e o objeto, aqui
simbolizado como objeto, o todo envolvido no processo, seja o professor, o aluno, o
computador, os colegas, o assunto. Somente a partir dessa interação completa é que podemos
dizer que estamos construindo novos estágios de conhecimentos, tanto no aprendiz como no
professor.

As teorias presumem, nasceu com base nos estudos do psicólogo suíço Jean Piaget
(1896-1980).A maior autoridade do século sobre o processo de funcionamento da inteligência
e de aquisição do conhecimento. Piaget demonstrou que a criança raciocina segundo
estruturas lógicas próprias. Que evoluem conforme faixas etárias definidas, e são diferentes da
lógica madura do adulto. O construtivismo procura desenvolver práticas pedagógicas sob
medida para cada degrau de amadurecimento intelectual da criança.

O construtivismo propõe que o aluno participe ativamente do próprio aprendizado,


mediante a experimentação, a pesquisa em grupo, o estímulo à dúvida e o desenvolvimento do
raciocínio, entre outros procedimentos. Rejeita a apresentação de conhecimentos prontos ao
estudante, como um prato feito, e utiliza de modo inovador técnicas tradicionais como, por
exemplo, a memorização. Daí o termo "construtivismo", pelo qual se procura indicar que uma
pessoa aprende melhor quando toma parte de forma direta na construção do conhecimento que
adquire. O construtivismo enfatiza a importância do erro não como um tropeço, mas como um
trampolim na rota da aprendizagem.

BIBLIOGRAFIA
39

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Paulo, Pioneira, 1973.
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FURTH, H. G., Piaget na sala de aula. 5ª ed. Rio de Janeiro, Forense, 1986.
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