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AULA 1 – OBSTETRÍCIA

DROGAS NA GRAVIDEZ E LACTAÇÃO


CLASSIFICAÇÃO DAS DROGAS:
A- Estudos controlados não mostraram risco fetal em qualquer trimestre (droga totalmente liberada na gravidez)
B- Não há evidências de risco no ser humano
C- O risco não pode ser afastado (fármacos recentemente lançados ou não estudados)
D- Há evidências de risco, mas se os benefícios forem maiores, podem ser utilizados.
X- Uso proscrito na gravidez. (não pode ser usado de jeito nenhum)

LEGENDA:
LM? = segurança não estabelecida na amamentação
LM1 = pode amamentar
LM2 = uso com cautela na amamentação
LM3 = desconhecido, mas há indícios de problemas
LMX = contra-indicado, não pode usar na amamentação

ANTIBIÓTICOS
 SULFAS: evitar no final da gravidez (Kernicterus);
*Kernicterus: deposito de bilirrubina no SNC
Associações com pirimetamina ou trimetoprima antagonizam o ácido fólico (sempre após 24 sem.).
Risco B (antes de 24 semanas)/D (no 3 trimestre); uso com cautela na amamentação;

 VANCOMICINA: nefrotoxicidade e otoxicidade em adultos. Segurança não estabelecida durante amamentação


*Não deve ser usada na gravidez

 QUINOLONAS: não se recomenda habitualmente (risco de artrogripose em animais)

 ESTREPTOMICINA: (risco D) não deve ser utilizada (surdez congênita);


Esquema para TBC: rifampicina, isoniazida, pirazinamida, etambutol e etionamida).
Suplementação com piridoxina no uso de isoniazida.
Compatível em doses habituais durante amamentação.

*Tb não pode usar o estolato de eritromicina na gravidez, apenas o estearato de eritromicina (naquelas pcts q tem
alergia as penicilinas).

OBS: toda penicilina pode ser usada durante toda a gravidez, são drogas q tem muita segurança durante a gravidez. As
cefalosporinas, principalmente as de 1° geração tb podem ser usadas durante a gravidez (as de 2° e 3° geração tb são
usadas com segurança)

*A tetraciclina é contraindicada, é quelante do cálcio (classe x).


*Aminoglicosídeo (garamicina, gentamicina) tb deve ser evitado: causa colite pseudomembranosa.

ANTIFÚNGICOS
 Anfotericina B (risco B), anfotericina B lipossomal (risco C), miconazol, nistatina: podem ser utilizados com
segurança. Compatíveis em doses habituais durante a amamentação.
 Cetoconazol (risco C, uso criterioso durante amamentação), griseofulvina* (risco D, compatível em doses
habituais), metronidazol (risco X/B, LM3), secnidazol (risco D/C, evitar na amamentação) e tinidazol** (uso
criterioso durante a amamentação): recomendados a partir d 2º trimestre.
*foi relatada ocorrência de abortamento, fenda palatina, hipoplasia de câmara esquerda no ser humano.
**(derivados nitrimidazólicos), potencialmente mutagênicos. Dos derivados imidazólicos o q tem menos risco é o
cetoconazol.
ANTIHELMÍNTICOS
 Devem ser prescritos somente após 2º trimestre. Porém, mebendazol, albendazol, piperazina e tiabendazol
não são teratogênicos ou embriotóxicos. Compatíveis em doses habituais durante a amamentação.
São drogas classe C até o segundo trimestre e classe D após o segundo trimestre.
 Praziquantel e oxamniquine (indicados no tto da esquistossomose) são contra-indicados. Compatíveis em
doses habituais durante a amamentação (podem ser usados durante amamentação).

ANTIRETROVIRAIS
 RITONAVIR, SAQUINAVIR (risco B): podem ser prescritos (risco/benefício favorável); Indicação: HIV;
amamentação é contra-indicada pelo risco de transmissão do vírus ao RN
 RIBAVIRINA (risco X): teratogênico; LM? (nunca deve ser usada)
 ZIDOVUDINA (AZT): sempre prescrita, diminui o risco de transmissão vertical do HIV. Início na 14ª semana e
mantido até o termo; LMX
 Medicações que ainda não apresentam estudos controlados: lamivudina, aciclovir, nelfinavir, etc;
 Agentes tópicos: condilomase genital na gravidez opta-se pelo ácido tricloroacético, pois a podolina não é
recomendada (efeito anti-mitótico).
*Como a grávida tem a imunidade um pouco mais baixa, a condilomatose é mais frequente (condiloma
acuminado).

MEDICAÇÕES CARDIOVASCULARES:
 IECA: teratogênico, principalmente a partir 2º trimestre. Podem causar agenesia renal, oligodramnia,
hipoplasia pulm., retardo mental e morte; LM1
*Não devem ser usados na gravidez, mas podem ser usados com tranquilidade na amamentação.
 BETA BLOQUEADORES:
Atenolol e propranolol, avaliar risco/benefício. Podem causar CIUR, baixo peso, bradicardia, depressão
respiratória, policitemia, hipoglicemia neonatal.
Pindolol é considerado seguro.
Carvedilol, metoprolol (evitar durante a amamentação) - carvedilol é mais seguro, usado na prática (classe B)
Sotalol não apresentam estudos controlados; LM1
 DIURÉTICOS: malformações no 1º trimestre; hipoglicemia, hiponatremia, oligoâmnio, hipocalcemia quando
utilizados próximo ao termo, LM1.
*Diurético está proscrito na gravidez, mas pode ser usado na amamentação.
*A única indicação de uso de diurético na gravidez é no edema agudo de pulmão (furosemida).
 BLOQUEADORES DOS CANAIS DE CÁLCIO:
diltiazem (risco C), relatos de aumento da incidência de defeitos cardiovasculares;
nifedipina e verapamil (risco C), podem reduzir o fluxo útero-placentário. LM1.
*Na prática clínica se faz muito nifedipina (Adalat)para inibir trabalho de parto (tocolítico) e na hipertensão da
gravidez (não é primeira escolha).

ANTICOAGULANTES E ANTIAGREGANTES PLAQUETÁRIOS


 Período embrionário ou próximo ao termo usar: heparina;
2º trimestre usar derivados cumarínicos. Seus uso no 1º trimestre pode levar, em 25 a 50% dos conceptos, a
embriopatia pelo warfarim: seu uso no 3º trimestre pode causar graves hemorragias; LM1
 Ácido acetilsalicílico (risco C no inicio /D no final): pode ser usado em baixas doses (100mg) (em pcts com
história de pré-eclâmpsia); em doses elevadas, a partir do 3 trimestre inibe a síntese de PGs, prolonga a
gravidez, oligúria fetal, oligoâmnio, dismorfoses faciais, hipertensão pulmonar primária no RN; LM1
*Nunca usar na dose anti-inflamatória (500mg) – todo anti-inflamatório aumenta a taxa de tromboxano e faz
vasoconstrição.
*Muito usado em pcts com valvulopatia e na prevenção da pré-eclâmpsia (usado junto com o cálcio).

ANTICONVULSIVANTES
 Mulheres com epilepsia em uso regular de anticonvulsivante tem 2 a 3 vezes mais chance de terem fetos
malformados (pela teratogenicidade das drogas e pela própria doença)
 Principal droga teratogênica é fenitoína (riscoD), pode causar malformação em 30% dos fetos, como
dismorfoses faciais, microcefalia e CIUR. Outras drogas: carbamazepina e ácido valpróico (risco D); LM1
 Principais alterações: defeitos cardíacos, fenda labial e palatina, defeitos do tubo neural e microcefalia.
 Fenobarbital está associado ao atraso no desenvolvimento intelectual da criança. Uso criterioso durante a
amamentação.
*Anticonvulsivante de primeira escolha na gravidez: fenobarbital (Gadernal)
*Carbamazepina tb pode ser usada, não tem tanta contraindicação como a fenitoina, é mais bem tolerada.
*A fenitoina é a mais proscrita

BENZODIAZEPÍNICOS, ANTIDEPRESSIVOS E ANTIPSICÓTICOS


 Diazepam (risco D): fenda labial e palatina, malformação dos membros, hipotonia neonatal (efeito sistêmico).
Não recomentado durante a amamentação.
*Usa-se muito como tto adjuvante da pré-eclâmpsia grave, ajuda a diminuir a pressão arterial.
 Antidepressivos tricíclicos no 1º trimestre: malformações em membros; lítio é associado à malformações
cardíacas (anomalia de Ebstein), LMX. O lítio não deve ser usado nem na gravidez nem na amamentação.
Fluoxetina e sertralina são os de escolha na gravidez (classe B); desconhecidos os efeitos durante a
amamentação, porém há indícios de problemas (LM?);
Haloperidol (Haldol) e clorpromazina: efeito teratogênico mínimo (pode ser usado). Evitar durante
amamentação.

AINES, OPIÓIDES E ANESTÉSICOS


 AINES geralmente não são teratogênicos, porém quando usados no 3º trimestre podem levar a gravidez
prolongada (pq inibe a síntese de prostaglandina), oligoâminio, disfunção renal e hipertensão pulmonar
primária.
Inibidores da Cox-2 também não devem ser usados no 3º trimestre
*NUNCA USAR AINES NA GRÁVIDA COM HIPERTENSÃO
*AINES: Classe D (deve ser evitado na gravidez em qualquer trimestre, principalmente no 3°)
Dipirona (classe B) – em grandes doses pode causar aplasia de medula óssea e à deficiência de eritropoese.
 Paracetamol pode causar toxicidade hepática fetal (em altas doses)
*É usado com mais segurança na dose de 750, de 6/6h. usar com critério.
 Uso abusivo de opióides pode causar síndrome de abstinência no RN, não estão associados a malformações
fetais. Uso com cautela durante a amamentação. (devem ser usados com critério)
 Anestésicos parecem aumentar incidência de malformações fetais.
*Anestésico local em grávida, sempre usar SEM vasoconstritor.

ANTINEOPLÁSICOS E IMUNOSSUPRESSORES
 Ciclofosfamida e metotrexato (risco X): totalmente contra-indicados, causam enorme quantidade de
malformações congênitas (bloqueiam a síntese de DNA); LMX
 Azatioprina: deve ser evitada, pode causar pancitopenia fatal no concepto
 Outros imunossupressores ainda estão em estudo
*São todos contraindicados durante gravidez e amamentação.

VITAMINAS E HORMÔNIOS
 Vitamina A em excesso pode aumentar o risco de malformações fetais
 Testosterona e danasol: virilização de fetos femininos (não devem ser usados)
 Dietilestilbestrol: desenvolvimento de adenocarcinoma de vulva e vagina nas filhas de mulheres tratadas
durante a gravidez (aparecimento em torno de 24 anos) – (não deve ser usado)

DROGAS PARA TRATAMENTO DA ASMA BRONQUICA


 Podem ser prescritos com segurança, incluindo adrenalina (numa crise asmática)e glicocorticoides.
 Prednisona, prednisolona, terbutalina e teofilina: podem ser utilizados durante a amamentação

TALIDOMIDA
 TERATOGÊNICO (risco X), leva a malformações dos membros e orelha externa quando usados no inicio da
gravidez;
 Gravidez deve ser evitada por 2 nos após a utilização da droga, devendo ser utilizado pelo menos 2 métodos
contraceptivos neste período
 LMX
DROGAS ILÍCITAS
 Cocaína: deslocamento prematuro de placenta, atresia intestinal, defeitos nos membros, anomalias cerebrais,
defeitos cardíacos e do TGU.
 Heroína: retardo do crescimento, morte perinatal, síndrome da abstinência nos RN em 40-80%, além de
retardo do desenvolvimento e alterações no comportamento durante a infância.

VACINAS
Tétanos: a partir de 20 semanas (6º, 7º e 8º mês)
Rubéola: aguardar mínimo de 1 mês após vacinação para engravidar

Vacina Pode ser utilizada Contraindicada Composição


durante a gravidez
Hepatite A * Vírus inativado
Hepatite B X Partículas virais (HbsAg)
Influenza (inativada) Recomendada
Sarampo X Vírus vivo atenuado
Caxumba X Vírus vivo atenuado
Pneumocócica * Antígenos capsulares
Pólio (IPV) Deve ser evitada Salk – vírus inativado
Sabin – vírus atenuado
Rubéola X Vírus vivo atenuado
Tétano/Difteria Recomendada Toxóide diftérico e tetânico
Varicela X Vírus vivo atenuado
BCG X Bactérias atenuadas
Raiva X Vírus inativado
Febre amarela ** Vírus vivo atenuado

*segurança ainda não foi avaliada


**em situações de exposição (viagens para áreas endêmicas) deve ser utilizada

- Vírus inativado tem melhor segurança


- Influenza: em qualquer trimestre
- Hepatite B: em qualquer trimestre (3 doses) – pode tomas amamentando
- DT: a partir da vigésima semana (profilaxia de tétano neonatal)
- Se tomou a menos de 5 anos: não precisa fazer dose de reforço
- Entre 5 e 10 anos: fazer uma dose de reforço
- Mais de 10 anos: fazer as 3 doses
- Raiva: utilizada nas mordeduras