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DIGNÍSSIMO JUÍZO DA _______ UJ DO JUIZADO ESPECIAL CÍVEL DA

COMARCA DE GOVERNADOR VALADARES – MINAS GERAIS

Arthur Bragança, brasileiro, solteiro, professor, CPF 45616105780, e-mail:


braga2prof@gmail.com, residente e domiciliado: Rua F, nº 19, Bairro Elvamar, CEP
35044-465, Governador Valadares/MG, por seu procurador infra-assinado, mandato
anexo, com endereço indicado no rodapé,1
Vem, perante V. Exa, propor Ação de Indenização por Danos Materiais em face
de Daniel Chaves, brasileiro, divorciado, médico, CPF 47987809880, e-mail:
chaves_luz@hotmail.com, residente e domiciliado: Rua Cento e Dois, nº 4, Bairro
Azteca, CEP 35042-000, Governador Valadares/MG, pelos seguintes fatos e
fundamentos:

II. DOS FATOS

Na data de 03/09/2015, por volta das 20h:15min, o Autor, trafegava com seu
veículo Honda Civic, modelo LXR 2.0 i-VTEC, cor vermelha, placa GGG 1234, na
esquina da Peçanha com a rua Marechal Floriano, sendo certo que conduzia o seu veículo
na Rua Marechal Floriano sentido Centro/Bairro de Lourdes, quando, nas proximidades
da Rua Peçanha, ao atravessar a referida rua, foi violentamente abalroado

1
R. Mal. Floriano, 2326 - Lourdes, CEP 35030-330 35030-330- Governador Valadares/MG
e-mail: dnis2aurelio@gmail.com
transversalmente pelo veículo S-10 SL, cor azul, placa JKK 5678, de propriedade do Réu,
o qual o conduzia em alta velocidade no sentido Centro/ Bairro Ilha dos Araújos, fora da
confluência correspondente, dando causa ao referido acidente, após ultrapassar o sinal
vermelho.
Por volta das 21:00 horas, após o incidente gravoso, no qual ninguém saiu ferido,
foi acionado a Polícia Militar para lavrar o REDS (Boletim de Ocorrência – BO), tendo
em vista a impossibilidade de acordo entre as partes envolvidas.
Em virtude disso, o Autor providenciou o conserto de seu veículo contando com
prejuízos decorrentes do acidente, como o amassamento e empenamento das rodas
dianteiras e traseiras, portas, vidros e retrovisor esquerdo quebrado, sendo o valor total
das despesas fixado em R$ 17.000,00 (dezessete mil reais), conforme Notas Fiscais
anexas.
Nesse sentido, diante da negativa do réu em arcar com os danos provenientes de
sua conduta, a única alternativa que lhe restou foi a propositura da presente ação.

III. DOS FUNDAMENTOS JURÍDICOS

A culpa pelo evento danoso é atribuída apenas e tão somente ao réu pela
inobservância de um dever que devia conhecer e observar.
Preleciona Cristiano Chaves de Farias que:
‘‘(...) O Fato ilícito nada mais é do que o fato antijurídico, isto é, aquele
acontecimento cujos potenciais efeitos jurídicos são contrários ao ordenamento
jurídico.

É o motorista que dirige acima da velocidade permitida, abalroando um


automóvel de terceiro ou o pai que aplica a um filho um castigo imoderado
(atentando, assim, contra o art. 1.634 do Código Civil). Em ambos os casos,
haverá um fato ilícito (...).’’ (ROSELVALD, Nelson; FARIAS, Cristiano
Chaves. Rio de Janeiro: Lumem Juris, p. 588, 2009)

Fixada esta premissa, não se pode olvidar que, de acordo com Carlos Roberto
Gonçalves (2015, p. 502): ‘‘(...) No cível, no entanto, qualquer ação ou omissão pode
gerar a responsabilidade, desde que viole direito e cause prejuízo a outrem (CC, arts. 186
e 927).’’
Em consonância, expressa o art. 5º, X da Constituição Federal de 1988 o direito
relativo à reparação de danos materiais.
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer
natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a
inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à
propriedade, nos termos seguintes:

X - são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem


das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral
decorrente de sua violação;
Com fulcro no art. 28, 175, I, VII, XXIII e art. 181 do Código de Trânsito
Brasileiro, a conduta imprudente do réu infringiu as normas de segurança do trânsito.
Neste aspecto, cumpre salientar o entendimento jurisprudencial a respeito da ação culposa
em acidentes automobilísticos.
EMENTA: APELAÇÃO CÍVEL. ACIDENTE AUTOMOBILÍSTICO.
INDENIZAÇÃO. DANOS MATERIAIS. RESPONSABILIDADE
SUBJETIVA. REQUISITOS LEGAIS. COMPROVAÇÃO. CULPA
EXCLUSIVA. DEVER DE INDENIZAR CONFIGURADO. FIXAÇÃO
ADEQUADA. SENTENÇA MANTIDA. -A responsabilidade civil
decorrente da prática de ato ilícito encontra a sua regulamentação nos artigos
186 e 927 do Código Civil, dos quais se extrai como requisitos para a
caracterização do dever de reparar: a configuração de uma conduta culposa,
um dano a outrem e o nexo causal entre aquela e o dano causado. -Restando
configurada nos autos a culpa exclusiva de um dos condutores dos veículos
envolvidos em acidente automobilístico, impõe-se a este o dever
indenizatório do montante destinado ao conserto das avarias do veículo
atingido. (TJMG - Apelação Cível 1.0016.15.008113-7/001, Relator(a):
Des.(a) Luiz Artur Hilário , 9ª CÂMARA CÍVEL, julgamento em 16/06/2017,
publicação da súmula em 27/06/2017)

Como se nota, a ilicitude civil se refere a toda e qualquer conduta, culposa,


praticada por pessoa imputável, que ao violar um dever jurídico imposto pelo
ordenamento jurídico, causa prejuízo a outrem, implicando em efeitos jurídicos. Dúvida
inexiste, portanto, quanto à culpabilidade do réu, pois os fatos denotam que o mesmo não
estava observando os cuidados indispensáveis à segurança do trânsito, agindo com falta
de atenção, tanto que avançou o sinal vermelho e realizou a confluência de forma errada.

IV.DOS PEDIDOS

Ante ao exposto, requer-se a Vossa Excelência:


a) a citação do réu para oferecer defesa no prazo legal sob pena de revelia e confissão;
b) a procedência do pedido condenando o réu ao pagamento dos danos materiais no valor
de R$ 17.000,00 (dezessete mil reais), de acordo com o orçamento apresentado;
c) a condenação do réu ao pagamento das custas processuais e honorários advocatícios
pleiteados em 20 % sobre o valor da causa ou da condenação segundo o disposto no art.
85, § 2º do NCPC.

O autor opta pela realização de Audiência de Conciliação.

Provará o alegado através de documentos e depoimentos testemunhais e periciais,


assim como a posterior juntada de documentos que se fizerem necessários ao deslinde da
presente causa;

Dá-se à causa, o valor de R$ 17.000,00 (dezessete mil reais).


Nestes termos pede deferimento.

Governador Valadares-MG, 16 de outubro de 2015.

Dênis Aurélio Lopes Ferreira.

OAB /MG 12.564