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Lista de Exercícios-30/04

Arinos Ferreira Carvalho


29 de Abril de 2019

Exercício 1.3 capítulo 1 (Romer 4ta edição)


A Uma caída na taxa de depreciação não afeta o investimento atual, mas
afeta o investimento necessário para manter o capital do período anterior.
A pendente da curva de depreciação efetiva torna-se menor:
0
(n + g + δ) > (n + g + δ )

B Uma suba na taxa de progresso tecnológico de novo não afetaria a curva


de investimento atual e afetaria à curva de depreciação efetiva. Essa úl-
tima curva ficaria com uma pendente maior, fazendo dela mais vertical.
C Se a participação do capital, α, aumenta (considerando f (k) = k α ) a curva
afetada será a curva de investimento neto. Podemos ver o efeito através
da seguente derivada:
∂sf (k) ∂sk α
= = s.k α . ln k
∂α ∂α
O signo da derivada será determinada pelo signo de ln α, já que α ∈ (0; 1)
e k α > 0. Se k é menor que um, então a pendente da curva do investi-
mento atual se verá reduzida pela mudança na participação do capital.
Porém, se k > 1 a pendente da curva do investimento atual aumenta. E se
k = 0, a pendente da curva do investimento atual não muda.
D Um aumento no esforço do trabalho provoca um movimento ascendente
na curva de produção, provocando um aumento na curva de investimento
neto, já que essa curva é proporcional à curva de produção. A curva de
depreciação neta não se vê afetada.

Exercício 1.5 capítulo 1 (Romer 4ta edição)


A Para conseguir as variáveis do estado estacionário, começamos da equação
de acumulação do capital:

k̇ = sk α − (n + g + δ)k (1)

A característica mais importante do estado estacionário é que o capital por


unidade efetiva de trabalho NÃO muda, ele é constante. Isto significa que a
equação de acumulação do capital é igual a zero:

0 = sk α − (n + g + δ)k (2)

1
despejamos k da (2) e chamamos ele k ∗ para conseguir o capital por unidade
efetiva de trabalho do estado estacionário:

(n + g + δ)k ∗ = sk ∗α

k∗ s
=
k ∗α (n + g + δ)
s
k ∗1−α =
(n + g + δ)
" 1
# 1−α
s
k∗ = (3)
(n + g + δ)
A equação (3) é a equação para o capital do estado estacionário. Para conseguir
a produção por unidade efetiva de trabalho do estado estacionário, utilizamos a
expressão de k ∗ na função de produção intensiva (Cobb-Douglas no exercício):

y ∗ = (k ∗ )α
" 1 α
# 1−α " δ
# 1−α


 s 
 s
y = = (4)
 
 (n + g + δ) (n + g + α)
 

A (4) é o consumo por unidade efetiva de trabalho no estado estacionário.


O consumo nesse modelo é definido como a diferença entra as quantidades
produzidas e o investimento, ou a quantidade de produto não investido. Se a
quantidade de produto por unidade efetiva de trabalho investido é sf (k), então,
o consumo por unidade efetiva de trabalho é definido como:

c = (1 − s)f (k)

Para encontrar o consumo do estado estacionário devemos utilizar a expressão


(2) na equação anterior:
c = (1 − s)f (k ∗ )
" 1
# 1−α
s
c∗ = (1 − s) (5)
(n + g + δ)
B A regra de ouro do capital é definida como o capital que maximiza o a
utilidade dos consumidores, maximizando o consumo por unidade efetiva de
trabalho. Podemos procurar esse capital através de uma maximização:

max c∗ = k ∗α − (n + g + δ)k ∗
k∗

FOC:
∂c∗
= α.k α−1 − (n + g + δ)
∂k ∗
0 = α.k α−1 − (n + g + δ)
α.k α−1 = (n + g + δ)
(n + g + δ)
k α−1 =
α

2
" 1
# α−1
∗∗(n + g + δ)
k = (6)
α
C Para conseguir a taxa de poupança necessária para alcançar o capital da
regra de ouro, pegamos a (3) e substituímos o k ∗ pelo k ∗∗ :
" 1
# α−1 " 1
# 1−α
(n + g + δ) s
=
α (n + g + δ)

Então, despejamos s:
" # 1  −1 " 1 −1
# 1−α
 (n + g + δ) α−1  s

  
 

=
  
α  (n + g + δ)

 
 
 

  

" 1
# 1−α " 1
# 1−α
(n + g + δ) (n + g + δ)
=
α s
1 1
=
α s
s∗∗ = α (7)

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Começamos procurando o diferencial da função de produção F(K, AL):

∂Y (t) ∂Y (t) ∂Y (t)


dY (t) = dK(t) + dL(t) + dA(t)
∂K(t) ∂L(t) ∂A(t)

Dividimos ambos membros por Y e reescrevemos seguindo ao Romer:

dY (t) K(t) ∂Y (t) dK(t) L(t) ∂Y (t) dL(t) A(t) ∂Y (t) dA(t)
= + + (8)
Y (t) Y (t) ∂K(t) K(t) Y (t) ∂L(t) L(t) Y (t) ∂A(t) A(t)

Na (8) temos as elasticidades da produção com respeito ao capital e ao trabalho


e o terceiro termo chamamos-o como R(t) seguindo ao Romer:

dY (t) dK(t) dL(t)


= µK (t) + µL (t) + R(t)
Y (t) K(t) L(t)

Considerando que µK (t) + µL (t) = 1 e restando dL(t)/L(t) temos:


" #
dY (t) dL(t) dK(t) dL(t)
− = µK (t) − + R(t)
Y (t) L(t) K(t) L(t)
O termo R(t) é chamado o residual do Solow, e mede, ou tenta medir, a contri-
buição do progresso tecnológico ao crescimento.
A hipótese de convergência sustenta que os países, no longuíssimo prazo,
convergem uma mesma senda do crescimento, sem importar onde eles começa-
ram. Isto daria-se já que o capital tende aos países que começaram com menor
quantidade de capital, devido a que o capital tem melhores rendimentos nes-
ses países. Também se houvesse uma diferença tecnológica, esta seria somente

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temporal. Por último, devido a que no longo prazo o ritmo do crescimento é
igual para todos os países, países pobres deveriam alcançar aos países ricos.
Essa hipótese de de convergência foi demonstrada válida pelo Baumol (1986),
porém com um viés muito importante. Ele considero países de um mesmo
grupo (ou clube) de renda, desenvolvidos. Dentro de clubes de convergência,
a hipótese mantém-se e até é verificável empiricamente.
A contabilidade do crescimento pode ser abordada de forma econométrica
através do analise das diferentes partes desenvolvidas anteriormente. Y , K e L
são observáveis. µK (t) tem uma proxy acessível que é a parte do ingresso que
se leva o capital. O residual é medido depois das outras variáveis, entregando
essa medida de progresso tecnológico.
De Figueiredo e Nakabashi (2014), tentam um abordagem econométrico
para analisar as diferenças das rendas per cápita dos estados do Brasil. O obje-
tivo deles é procurar uma explicação de por que São Paulo tem o maior PIB do
país e analisar os milagres, e desastres, econômicos de distintos estados.
Eles descobrem que a diferença nas rendas per cápita dos distintos estados
analisados é explicada através da produtividade total dos fatores da produção.

Exercício 2.1 capítulo 2 (Romer 4ta edição)


A Devemos minimizar custos, sujeitos a um nível da função de produção.
Os custos são wL + rK, o nível é Ȳ = ALf (k) e o lagrangeano do problema
fica:

L = wAL + rK + λ[Y − ALf(K/AL)]


FOC: para K " #
∂L ∂f (k)
= r − λ AL (1/AL)
∂K ∂K
" #
∂Y
0 = r − λ AL (1/AL)
∂K
df
r =λ (9)
dk
para L
" #
∂L ∂F(K/AL)
= w − λ f(K/AL) + AL (−K)/(AL)2
∂(AL) ∂AL
" #
∂F(K/AL)
0 = w − λ f(K/AL) + AL (−K)/(AL)2
∂AL
" #
∂f
w = λ f (k) − k (10)
∂k

Utilizando as equações (9) e (10) temos:


∂f
r ∂k
=
w f(k) − k ∂f
∂k

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Como pode se ver, a condição de minimização de custos não depende do
total produzido Y , por o que todas as firmas vão escolher o nível de k que
que faz a igualdade anterior certa.
B Do resultado anterior, todas as firmas utilizam o mesmo nível do k e por
os supostos todas as firmas tem o mesmo nível de tecnologia vamos a
escrever o produto total das firmas como:
N
X N
X N
X
Yi = ALi f(k) = Af(k) Li
i=1 i=1 i=1

A função de produção de uma única firma P operando naP economia Y =


ALT f (k) e a produção das N firmas seria N i=1 Y i = Af(k) N
i=1 Li . Porém
se tudo o trabalho disponível é utilizado por as N firmas:
N
X
LT = Li
i=1

Então o nível de produção é o mesmo nos dois casos.

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Seguindo ao Romer (2006), supomos que a economia encontra-se numa
trajetória de crescimento equilibrado com o nível do gasto no tempo t,
G( t), constante no nível GA . Nesse momento se produz um aumento no
nível de G até GB . A curva de k̇ desce na quantidade ∆G = GB − GA .

c ċ = 0

∆G k̇ = 0

0
k̇ = 0

k
As compras do governo não afetam a escolha intertemporal do consu-
midor, pelo que a equação de Euler e, portanto, a curva ċ = 0 não são
afetadas.
Como resposta a este aumento no nível do gasto do governo, o consumo
deve mudar para que a economia esteja no seu novo trajeto. O consumo
cai, então, e a quantidade de queda é igual ao aumento no nível de gasto
do governo, ∆G. Portanto, a economia está novamente no seu trajeto de
crescimento equilibrado. Podemos deduzir de tudo isto que um aumento
permanente nas compras do governo reduz a riqueza dos consumidores
por um monto igual ao aumento mesmo, reduzindo também a utilidade
desses consumidores. O stock de capital e a taxa de juros mantêm-se sem
sofrer efeitos.

5
6
Para explicar as flutuações econômicas desde o ponto de vista de um mo-
delo, primeiro devemos definir o que é uma flutuação econômica e so-
mente depois disto podemos aplicar o estudado de Real Business Cycles.
Segundo Romer (2006), são chamadas flutuações econômicas são varia-
ções de curto prazo nas variáveis macroecômicas mais importantes, como
produção e emprego. Estas podem afetar negativa ou positivamente os
níveis de diferentes agregados macro.
O modelo de Ciclos Reais de Negócios é um modelo do tipo Walrasiano,
com uma forte base microecômica para a agregação dos comportamentos
individuas. Essa agregação converte aos consumidores, que otimizam
uma função de utilidade intertemporal, e as firmas, que operam em um
mercado competitivo maximizando beneficio, em a base da economia.
Ele adiciona o Governo e shocks tecnológicos em diferentes momentos do
tempo para tentar explicar a razão das flutuações econômicas.
Esse modelo explica estas flutuações a través dos shocks tecnológicos tem-
porais que afetam a função de produção e as compras inesperadas e tem-
porais do governo. Seguindo ao Barro (1997), os ciclos de negócios, de-
terminados por essas trajetórias de shocks tecnológicos são os que geram
as flutuações. Os aumentos no nível do gasto de governo têm efeito na
economia, porém as principais flutações são explicados pelos shocks tec-
nológicos.

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Começamos resolvendo o problema do consumidor considerando um pe-
ríodo e uma unidade de consumo. Ela não tem riqueza no momento ini-
cial, então:

b(1−`)1−γ
maxc,l ln c + (1−γ)

sujeito a: c = w`
Utilizamos uma função lagrangiana para resolver esse problema de oti-
mização:
L = ln c + b(1 − `)1−γ /(1 − γ) + λ[w` − c]
FCO:
∂L 1
= −λ ⇒ 0
∂c c
∂L b
=− + λw ⇒ 0
∂` (1 − `)γ
Agora substituímos nossa restrição na primeira condição de primeira or-
dem:
λ = 1/c = 1/(w`)

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e utilizamos essa última equação na segunda condição de primeira ordem
e simplificamos:
1 b
=
` (1 − `)γ
A escolha ótima nesse problema não depende do salário, nem real nem
nominal, Q.E.D.
B No exercício precisamos buscar as demandas de lazer em dois períodos
do tempo. Para isso, utilizamos diferentes supostos. O consumidor vive
dois períodos, ele não tem riqueza inicial, normalizamos o tamanho da
unidade de consumo a 1 e a economia está em situação de certeza total.
Então o problema de otimização fica:

(1 − `1 )1−γ (1 − `2 )1−γ
max ln c1 + b + e−ρ ln c2 + e−ρ b
1−γ 1−γ

Mas esse é um problema de otimização restringida, e a restrição é o orça-


mento intertemporal do consumidor:
c2 w `
c1 + = w1 `1 + 2 2
1+r 1+r

A função lagrangiana fica:

(1 − `1 )1−γ −ρ (1 − `2 )1−γ
" #
w ` c
L = ln c1 +b +e ln c2 +e−ρ b +λ w1 `1 + 2 2 − c1 − 2
1−γ 1−γ 1+r 1+r

Aqui vamos ter 4 condições de primeira ordem, 2 por cada período de


cada variável. As FCO ficam então:
∂L 1
= −λ ⇒ 0
∂c1 c1

∂L −b
= + λw1 ⇒ 0
∂`1 (1 − `1 )−γ

∂L  −ρ/c2  λ
 
= e − ⇒0
∂c2 1+r

∂L e−ρ b λw2
 
=− γ + ⇒0
∂`2 (1 − `2 ) 1+r
Utilizando a segunda condição de primeira ordem, derivada primeira da
função lagrangiana com relação ao lazer no período 1, podemos encon-
trar uma expressão para λ. E com a quarta condição de primeira ordem
encontramos outra expressão para o multiplicador:
b
λ=
(1 − `1 )γ w1
" #
b(1 + r) 1
λ= p
e (1 − `2 )γ w2

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Igualando as expressões anteriores:
" #
b b(1 + r) 1
γ = ρ γ
(1 − `1 ) w1 e (1 − `2 ) w2
(1 − `1 )γ eρ w2
γ =
(1 − `2 ) (1 + r) w1
Trabalhando um pouco mais com álgebra temos:
" #1/γ
(1 − `1 ) 1 w2
Lazer Relativo = = −ρ
(1 − `2 ) e (1 + r) w1

Aqui podemos ver que se o cociente (1 − `1 )/(1 − `2 ) vai na mesma direção


que o salário relativo w2 /w1 . Se o salário relativo aumentasse, o lazer do
primeiro período aumentaria em relação ao lazer do segundo período.
Um aumento na taxa de juros provocaria uma caída no lazer do período
1 com respeito ao lazer do período 2, isso significa matematicamente que
∂Lazer Relativo/∂r < 0. Isto acontece já que o rendimento da taxa de
juros atual aumentou, então trabalhando mais hoje o rendimento dos ati-
vos financeiros colocados será maior e, portanto, o consumidor tem uma
forma de aumentar sua utilidade. Um valor baixo no γ nos disse que o
lazer responde de uma forma maior à taxa de juros e aos salários nomi-
nais que si γ fosse menor. Isto se deve a que γ indica que a utilidade não
responde muito às reduções do lazer.

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A equação 5.24 (Romer 4ta edição) é a seguente:
( " # !)
1 1 1
= e−ρ Et Et [1 + rt+1 ] + Cov , 1 + rt+1
ct ct+1 ct+1
Ela é uma forma da Equação de Euler, adaptada para nosso modelo de Ci-
clos Reais de Negócios. Essa Equação de Euler relaciona o consumo presente
das unidades consumidoras com a taxa de juros e o consumo no próximo pe-
ríodo (se o tempo é considerado discreto) ou pouco tempo depois (se o tempo é
considerado continuo). Nessa forma, a diferença de outras, está inclusa a situa-
ção de incerteza sobre as taxas de rendimentos e os salários futuros, provocada
por shocks tecnológicos e compras do governo em tempos futuros. Essa in-
certeza é incluída mediante os operadores esperança matemática e o operador
covariância.
As implicações dessa equação são variadas. Uma delas é que o trade-off
entre consumo atual e futuro não é somente função da utilidade marginal do
período futuro e da taxa de retorno, porém também da relação entre essas duas
variáveis.
Se elas não estiveram correlacionadas a covariânca seria Cov(1/ct+1 , 1+rt+1 ) =
0. Si assim fosse, essa troca somente dependeria do produto das esperanças
matemáticas das variáveis mencionadas anteriormente (esperança de ct+1 e de
1 + rt+1 ) e da taxa de desconto da unidade consumidora (e−ρ ). Nesse caso ten-
dera a ser maior a poupança que em casos onde a covariânca fosse negativa,
onde o consumidor tenderia a aumentar o consumo.