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DIREITO CONSTITUCIONAL

C U R S O Ê N FA S E – T U R M A E S P E C Í F I C A

ESTADO

FUNÇÕES DO ESTADO

O princípio da separação dos poderes nada mais é do


que a separação dos poderes do Estado. O Estado exerce 3 funções,
que são “numerus clausus”, ou seja, qualquer ato do Estado será
considerado dentro de uma dessas 3 funções, não podendo ser
classificado de outra forma.

A distinção das funções constitui especialização de


tarefas governamentais à vista de sua natureza, sem considerar os
órgãos que a exercem. A divisão de poderes, entretanto, consiste em
confiar cada uma das funções governamentais (legislativa, executiva
– administrativa, e jurisdicional), a órgãos diferentes que tomam os
nomes das respectivas funções.

A própria Constituição criou uma separação orgânica


entre os poderes. Assim, cada poder exerce precipuamente uma das
funções do Estado, mas exerce também as demais funções.

A divisão dos poderes fundamenta-se em dois


elementos: especialização funcional, ou seja, cada órgão é
especializado no exercício de uma função e independência orgânica,
porque necessário que cada órgão seja independente dos outros.

Legislativa que é a elaboração da norma, entendida como o


comando imperativo, genérico e abstrato. É a única função que
elabora a lei. Cabe ao legislativo, também, fiscalizar, contábil,
orçamentária, financeira, operacional e patrimonial do Poder
Executivo (CR´88, art. 70).

Administrativa

que são as funções de aplicação da lei

Jurisdicional

A função jurisdicional é dotada de determinadas


características que a diferenciam da função administrativa. Sua
principal característica é a inércia, ou seja, para que se tenha o
exercício da função jurisdicional é sempre necessária a provocação
do Poder Judiciário. A inércia existe para preservar a
imparcialidade do Poder Judiciário. É uma função substitutiva,
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porque substitui a vontade das partes pela vontade oficial do Estado


e também é uma função definitiva. A função jurisdicional goza da
prerrogativa da definitividade.

O Poder Judiciário é o verdadeiro guardião da


Constituição, com a finalidade de preservar, basicamente, os
princípios da legalidade e igualdade.

A função administrativa é considerada não inerte.


Não há necessidade de provocação do administrador para o seu
exercício. Ela também não goza de definitividade, a coisa julgada
administrativa somente tem eficácia dentro do âmbito da própria
administração, não valendo contra o Poder Judiciário.

Cabe ao Poder Executivo, como função precípua, a


prática de atos de chefia do Estado, de governo e de administração.

O Sistema de Freios e Contra-pesos é decorrência


lógica da separação dos poderes, para que seja possível o controle
de um poder pelo outro. Somente um poder controla o outro poder,
mas esse controle só existe se prévia e expressamente determinado
pela própria Constituição. Não se admite a interferência não
prevista na Constituição.

O Sistema de Freios e Contra-pesos busca o


equilíbrio necessário à realização do bem da coletividade e
indispensável para evitar o arbítrio e o desmando de um em
detrimento do outro e especialmente dos governados. (ex. poder de
veto, pelo executivo, da lei elaborada pelo legislativo, bem como o
poder que este tem de derrubar o veto; declaração de
inconstitucionalidade das leis pelo Poder Judiciário).

As exceções mais marcantes quanto à separação dos


poderes se acham na possibilidade na possibilidade de edição de
medida provisória pelo Chefe do Poder Executivo (CR´88, art. 62) e
na autorização de delegação de atribuições legislativas ao
Presidente da República (CR´88, art.68).

OBSERVAÇÃO: MINISTÉRIO PÚBLICO. É instituição permanente, essencial à


função jurisdicional do Estado, incumbindo-lhe a defesa da ordem
jurídica, do regime democrático e dos interesses sociais e individuais
indisponíveis (CR´88, art. 127). Tem como princípios institucionais: a
unidade, a indivisibilidade, a independência funcional e o princípio do
promotor natural.
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FORMAS DE ESTADO

O art. 1o da CR´88 é considerada a norma


organizadora do Estado por excelência. Ele traça a forma de Estado
e a Forma de Governo.

OBSERVAÇÃO: união indissolúvel citada no dispositivo é a união dos entes


federativos que não pode ser quebrada.

Quando se examina forma de Estado, na realidade,


está se examinando o conceito de POVO/GOVERNO/TERRITÓRIO.

Para maior parte da doutrina, existem 3 elementos


constitutivos do Estado: Estado é a organização político-jurídica
de um POVO, com GOVERNO e TERRITÓRIO próprios, sendo esse o conceito
básico de Estado.

Alguns doutrinadores colocam a soberania como 4o


elemento, o que deve ser citado na hipótese de se interpretar esse
conceito sob o prisma do direito internacional.

A principal diferenciação quanto à divisão do


conceito de Estado, está na conceituação de Estado Simples e Estado
Composto.

Estado Simples é aquele que possui somente um de


cada elementos essenciais, ou seja, possui 1 povo, 1 governo e 1
território, que é o caso do estado brasileiro. O principal exemplo
de Estado Simples é a FEDERAÇÃO.

Estado Composto, por sua vez, é a união de estados


simples, ou seja, é reunião, por conveniência, numa forma de
organização de mais de um povo, mais de um governo e mais de um
território. O exemplo clássico de estado composto é a CONFEDERAÇÃO.
Essa reunião entre estados federais sempre se dá através de um
TRATADO. Na confederação, em qualquer momento, um de seus estados
pode denunciar o tratado e se retirar da confederação. O estado
permanecerá soberano.

A Forma Federativa do Estado constitui-se em 1


estado simples, com divisão interna. O Estado Federal é o soberano,
mas possui uma repartição interna em estados-membros, de caráter
permanente, que têm autonomia, mas não soberania. No caso
brasileiro, somente o Estado Federal, qual seja, a República
Federativa do Brasil, tem soberania.

O pacto federativo é indissolúvel e permanente.


Cada estado membro, cada município, a própria União Federal, como
ente federativo, não possuem soberania, mas sim AUTONOMIA, nos
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termos da Constituição. Soberana é apenas a República Federativa do


Brasil.

O sistema federativo foi introduzido no Brasil em


1889, com a proclamação da República, e consolidada na Constituição
de 1891. Permanece íntegro até a presente data.

Com a proclamação da República houve uma troca da


forma de Governo e não de forma de Estado, pois a Monarquia era uma
forma simples de estado e não composta.

A forma federativa do Estado representa, assim, um


estado simples, com divisão interna de poder, com atribuição de
autonomia aos entes políticos, com soberania dada apenas ao Estado
Federal, sendo indissolúvel a federação.

 Natureza Jurídica da Soberania – atributo máximo do poder


político. Ela não se confunde com o poder político, é um
atributo dele.

A soberania, no aspecto internacional, é a auto-


determinação dos Estados internacionais. Nenhum Estado precisa da
autorização de outro estado internacional para tomar uma decisão
política. Ele é auto-determinável. Não se submete a vontade de
estado algum.

No âmbito interno, a soberania é a obrigatoriedade


do cumprimento das leis emanadas pelo Estado. O Estado se constitui
através de um ordenamento jurídico e quem esteja em seu território
deve respeito às leis do próprio Estado. Lei nada mais é do que a
forma de manifestação do estado, ou seja, é a forma que o estado tem
de obrigar alguém a fazer ou deixar de fazer alguma coisa.

Soberania é fundamento do Estado Federal.

Não se pode confundir o ente político UNIÃO FEDERAL


com a REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL. Esta é um conjunto de POVO,
GOVERNO e TERRITÓRIO, ou seja, todos os entes políticos, acrescido
da parcela humana (povo) e do território.

A própria Constituição brasileira elencou um dos


entes políticos – a União Federal – para representar
internacionalmente a República Federativa do Brasil.

A República Federativa do Brasil é quem celebra


tratados internacionais, mas através da representação da União
Federal.

OBSERVAÇÃO: Tratado em matéria tributária pela União


Federal. Suposta Isenção Heterônoma. É possível à União
isentar um tributo estadual, mediante a assinatura de um
tratado internacional? Na assinatura de tratados
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internacionais, a União está representando a República


Federativa do Brasil, ou seja, representando todos os entes
da federação, por isso é válida a isenção de tributo
estadual assumida em tratado subscrito pela União Federal, o
que, na realidade, não representa uma isenção heterônoma,
mas sim, uma isenção concedida pela República Federativa do
Brasil. A União, ao assinar o tratado, não está
representando somente ela mesma, mas sim todos os entes
federativos da República.

ENTES FEDERATIVOS

Oart. 18 da CR´88, que inaugura a divisão


político-jurídica do Estado, concede autonomia também aos
Municípios. A federação brasileira é diferente de todas as demais
federações do mundo. Nessas federações, não há concessão de
autonomia a municípios como ocorre na federação brasileira.

Por ter sido dada autonomia aos Municípios é que


foi criada a figura da intervenção estadual, o que é inédito no
mundo.

Os entes políticos são só os 4 mencionados no art.


18, ou seja, União, Estados, Municípios e Distrito Federal.

Território não é ente político, ele não faz parte


da federação porque não tem autonomia, mas sim integra o ente União.
Sua natureza jurídica é a de simples autarquia territorial ou
geográfica, fazendo parte da administração pública federal, ou seja,
forma de descentralização administrativo-territorial da União (art.
18, §2o, CR’88).

Só é considerado ente político aquele que tem a


possibilidade de legislar, sua característica essencial é a
existência da função legislativa.

Autonomia é a possibilidade dos entes políticos de


terem auto-governo, auto-legislação e auto-administração. Cada ente
autônomo possui uma esfera de competência. A maior parte dos
conflitos sobre a constitucionalidade da lei se dá, justamente, na
esfera da autonomia de cada ente da federação, por conta da invasão
de competência.

O Município é autônomo nos termos da Constituição,


mas não tem Poder Judiciário e nem pode criá-lo, pois a Constituição
não o autoriza.

CARACTERÍSTICAS DOS ENTES FEDERATIVOS


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Os Estados têm sua regulamentação básica no art. 25


da CR’88.

Todo o Estado-membro tem poder constituinte


decorrente, que nasce limitado pela própria Constituição da
República, ou seja, pelo poder constituinte originário.

A organização do Estado-membro decorre diretamente


de sua Constituição Estadual, que cria os 3 poderes, estabelece as
regras de investidura, em simetria com a Constituição da República.

O art. 29 da CR´88 estabelece sobre os Municípios,


que se regerão por Lei Orgânica Municipal. A autonomia municipal é
a menor forma de autonomia porque deve obediência à Constituição da
República, como também, à Constituição do Estado de que faz parte.

A lei orgânica municipal não é considerada fruto do


poder constituinte, ela é norma de mera organização da autonomia
municipal. Ela não tem caráter de Constituição, pois não foi
conferido poder constituinte aos Municípios. Sua natureza é a de
lei formal infraconstitucional (art. 11 do ADCT).

O Distrito Federal, por sua vez, tem sua autonomia


descrita no artigo 32 da CR’88, sendo considerado um membro “sui
generis” da federação, regido por lei orgânica. Não será possível
sua divisão em municípios. Ele tem algumas características dos
estados membros e outras dos municípios. O Distrito Federal possui
Câmara Legislativa, que é o seu poder legislativo.

REPARTIÇÃO DE COMPETÊNCIAS

O critério para a repartição das competências


administrativas e legislativas está previsto na própria Constituição
da República. A nossa forma federativa é mais centralizada, por
escolha do legislador constituinte originário.

Doutrinariamente, a divisão das competências leva


em conta a preponderância dos interesses. Assim, se o interesse
tutelado tem caráter nitidamente nacional, o conjunto de
competências deve ser atribuído à União. Se os interesses tiverem
caráter regional, caberá aos Estados dispor sobre eles. Por fim,
sendo interesses locais, a competência para organização e legislação
será do município.

Essa é a base doutrinária para a repartição das


competências e é expressamente adotada pela Constituição da
República no art. 30, que estabelece a competência dos municípios.
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O problema reside na interpretação do que seja


interesse nacional, regional ou local. A Constituição estabelece
expressamente alguns casos, o que deve ser obedecido, mas há
cláusulas abertas que dependem de interpretação.

A Constituição estabeleceu competência expressa a


dois entes, quais sejam, União Federal e Municípios. Quanto aos
Estados, a competência é chamada de residual, ou seja, tudo aquilo
que não tiver sido expressamente atribuído à União Federal e aos
Municípios será de competência exclusiva dos Estados-membros.

O critério é residual, mas a competência é


exclusiva. Aquilo que não tiver sido atribuído à União e aos
Municípios será obrigatoriamente e exclusivamente da competência dos
Estados membros (art. 25, §1o, da CR’88).

Exceção a esse critério residual está prevista no


o
§2 , do art. 25, da CR’88, que consiste na única competência dos
Estados expressamente prevista na Constituição da República, quais
sejam, os serviços de gás canalizado.

A competência exclusiva (art. 21, CR’88) não pode


ser delegada, ou seja, não permite transferência a qualquer outro
ente da federação.

Já a competência privativa pode ser delegada,


conforme autoriza o parágrafo único, do art. 22, da CR’88. O art.
22 trata da competência legislativa dada privativamente à União,
sendo que a Lei Complementar poderá autorizar os estados a legislar
sobre questões específicas das matérias relacionadas no artigo,
conforme previsto no parágrafo único.

Essa transferência de competência não se dará de


forma automática, nem por vontade dos Estados, mas sim por vontade
da União, que somente irá delegar, transferir suas competências, por
lei complementar, se assim quiser.

O parágrafo único trata de uma possibilidade de a


União transferir somente aos Estados a competência em assuntos
específicos e não sobre a própria matéria legislativa, podendo por
analogia ser transferido para o Distrito Federal, quando atuando na
qualidade de Estado.

A competência comum está prevista no art. 23,


enquanto a competência concorrente está disposta no art. 24.

INTERVENÇÃO FEDERAL, ESTADUAL (afastamento temporário da autonomia)

PRINCÍPIO DA NÃO INTERVENÇÃO