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Distribuição de camisinhas?!

Muitos teóricos da prevenção à AIDS e a outras doenças sexualmente transmissíveis (DST)


dizem que a melhor maneira de evitar o contágio é usando um preservativo (a chamada
“camisinha”). Deste modo, com o objetivo aparentemente nobre de evitar que as pessoas
fiquem doentes, eles incentivam a distribuição de camisinhas nas ruas, praças e até mesmo
escolas.

Este, contudo, é um grave engano, com conseqüências muito graves. Estes teóricos parecem
esquecer que o desejo sexual é uma das forças mais potentes que agem sobre o ser humano.
Ao longo da História, uma das maiores preocupações de toda sociedade foi a busca de meios
de canalizar este desejo para que ele não leve a um comportamento desregrado. Não se trata
de moralismo barato ou hipocrisia, mas do reconhecimento de que todos nós temos desejos
sexuais e precisamos refreá-los para que possamos respeitar devidamente os outros.

Respeitar o próximo significa, entre outras coisas, vê-lo como uma pessoa, em sua integridade,
respeitando sua liberdade e seu corpo. Se os desejos sexuais que temos em relação a uma
pessoa que nos agrade não forem refreados ao menos um pouco, trataremos esta pessoa
como um objeto sexual; se eles não forem refreados de modo algum, veremos como
comportamento normal e aceitável servir-se desta pessoa como de um objeto, podendo até
mesmo estuprá-la.

A maior barreira que todas as sociedades civilizadas ao longo da História desenvolveram para
impedir que o estupro se tornasse algo normal e aceito (como o é, por exemplo, entre algumas
tribos indígenas) é o que os antropólogos chamam de “tabu”: a proibição do sexo que não
ocorre dentro de parâmetros firmemente determinados de modo a não causar problemas à
sociedade.

De alguns poucos anos para cá, a nossa sociedade parece ter-se esquecido disso. Com o
surgimento de doenças sexualmente transmissíveis que podem matar, como a AIDS, iniciou-se
uma campanha que propõe o uso de uma barreira física no ato sexual a camisinha , impedindo
a passagem dos espermatozóides e da maior parte dos vírus. A camisinha, que não era assunto
de conversas educadas há menos de uma geração, passou a ser propagandeada como sendo a
solução para todos os problemas, eliminando na prática o tabu das relações sexuais fora de
circunstâncias benéficas para a sociedade. A promiscuidade sexual (múltiplos parceiros, sem
qualquer compromisso social ou emocional) passou a ser vista como algo aceitável, desde que
haja uma barreira física, a camisinha, durante o ato sexual.
Os adolescentes, cujos corpos estão em plena ebulição sexual e cujos desejos sexuais agem
com muito mais força que os dos adultos, deixaram de ter a proteção que o tabu lhes oferecia,
e receberam uma virtual autorização das autoridades muitas vezes contra a vontade dos pais
para não mais tentar submeter à razão seus desejos. Os desejos sexuais saíram da gaiola em
que eram contidos e passaram a ser vistos como a bússola que deve guiar os atos de cada um.
Ao dar a um adolescente uma camisinha, dizendo-lhe “se for ter relações sexuais, use isto”, o
que ele ouve é “tenha relações sexuais”. É isso que seu corpo já lhe diz, e é isso que ele quer
ouvir.

Sem que haja o tabu que o ajudava a conter-se e a direcionar suas energias para objetivos mais
nobres, o adolescente passa a considerar que o desejo sexual tem o direito de dizer-lhe o que
deve fazer, e a camisinha na carteira é percebida como um bilhete de entrada na área VIP do
reino dos prazeres, como algo que permite que ele faça tudo o que quer fazer.

O risco de doenças sexualmente transmissíveis (DSTs), assim, aumenta ao invés de diminuir.


Afinal, estamos falando de seres humanos, que cometem erros, que bebem por vezes um
pouco além da conta; afinal, adolescentes nunca foram conhecidos por saberem a hora de
parar de beber. Em circunstâncias normais, o uso da camisinha diminui bastante os riscos de
contágio por DSTs; estima-se que o risco de contágio em três relações sexuais usando
camisinha é o mesmo de uma relação sem usá-la. Ora, se não houvesse este incentivo à
promiscuidade sexual, a maior parte dos adolescentes passaria por este período sem ter
relações sexuais. Com este estímulo, a maior parte acaba tendo, ao menos durante algum
período da adolescência, um comportamento promíscuo. O número de relações sexuais de um
adolescente exposto a este tipo de estímulo é certamente mais do que três vezes maior que o
de um adolescente ensinado a abster-se, a resguardar-se e respeitar-se.

Ao mesmo tempo, a superficialidade das relações, a falta de respeito consigo mesmo e com o
outro, causa freqüentemente danos permanentes à frágil estrutura psicológica em formação
dos adolescentes, danos cujos efeitos serão sentidos e lamentados ao longo de toda a vida. Os
parceiros sexuais deixam de ser vistos como pessoas, e tornam-se objetos sexuais. O prazer
sexual substitui o conhecimento mútuo, e o que era um namoro acaba por tornar-se uma troca
de favores sexuais entre quase-desconhecidos. Não é à toa que em nenhuma sociedade
civilizada, em nenhuma tradição religiosa, o sexo “casual” seja considerado aceitável: ele é a
porta que se abre para o desrespeito, para os problemas psicológicos, para a propagação de
doenças físicas e mentais.

Os efeitos terríveis das políticas de distribuição de camisinhas já foram percebidos pelas


autoridades norte-americanas, que após um aumento enorme no número de contágios por
DSTs e de gravidezes de adolescentes, além de casos ainda mais graves, como uma escola em
que as meninas vendiam favores sexuais aos rapazes em troca de balas e picolés hoje
recomendam que se ensine aos adolescentes a verdade: não é usando camisinha que eles
podem realmente evitar doenças sexualmente transmissíveis, mas sim evitando as relações
sexuais.

Se você tiver um filho adolescente, for professor ou de qualquer outra forma tiver contato com
eles, lembre-se disso: não é incentivando-o a fazer algo inseguro e errado, com uma barreira
que diminui o risco, que você o estará ajudando. Ajudá-lo verdadeiramente significa ajudá-lo a
controlar-se, a manter seu desejo sexual sob controle, a respeitar a si mesmo e aos outros. Só
assim você o estará ajudando a ser uma pessoa melhor. Diga a ele que é nele que você confia,
não em um pedaço de borracha, e ajude-o a esperar o momento correto.

Quem ama espera.