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BASES DA SOCIOLOGIA KARL MARX, OS INDIVIDUOS E AS CLASSES SOCIAIS Nao @ sem razdo que no Manifesto do Partido Comunista, os autores Karl Marx € Friedrich Engels anunciaram que a sociedade é resultado de uma luta histérica de clas- Ses e que as classes sociais sempre estiveram divididas entre dominantes e dominados. Karl Marx nao sistematizou seu método sociolégico, porque se preocupou em aplicé-lo. Por conta disso, a discusséo metodolégica marxiana nao € pontuada em uma Unica obra, mas diluida ao longo de seus textos. Marx percebeu a importancia da economia para a sociedade atual, como afirmava Adam Smith; porém, se contrapée a ele, que defendia as classes dominantes — os bur- gueses — e via como natural a exploracao que estes mantinham sobre o proletariado — a classe trabalhadora. Essa diferenciagao aproximou Marx dos comunistas, porém, para ele, esse grupo ainda pensava na sociedade baseada na igualdade como uma utopia. Marx, entao, propos um socialismo que se constituisse como um projeto social possivel. Marx observou os fendmenos historicos como fendmenos dialéticos, ou seja, com pos- sibilidades de rupturas e transformagées sociopoliticas. Dessa forma, segundo ele, a estru- tura de uma sociedade capitalista representa a produgo social de bens, que se divide em dois fatores basicos: o primeiro, as forgas produtivas; e 0 segundo, as relagdes de produgao. As formas como elas existem e se relacionam Karl Marx denominou “modo de produgao”. ( Karl Marx (% Alemanha/1818 — + Inglaterra/1883). Filésofo alemao, nasci- do em Trier em uma familia judia convertida ao protestantismo. Sua obra teve um grande impacto em sua época e na formacao do pensamento social e politico contemporaneo. Estudou Direito nas universidades de Bonn e de Berlim, doutorando-se pela Universidade de lena (1841), com uma tese sobre a filosofia da natureza de Demécrito e de Epicuro. Ligou-se aos ‘jovens hegelianos de esquerda’, escre- vendo em jornais socialistas. Depois de um intenso periodo de militancia politica, marcado pela fundagao da “liga” dos comunistas (1847) @ pela redagao, com Engels, do Manifesto do 7, g, ggg YIg VHT SUCCECECECEHEEEES wowuee we OO Partido Comunista (1848), exilou-se na In morte, desenvolvendo suas pesquisas € escrev biblioteca do Museu Briténico, em Londres. Sua obra ni filosofia apenas, mas abrange, sobretudo os campos da hist glaterra (1849), onde viveu até a sua endo grande parte de sua obra na vio se restringe ao campo da ria, da ciéncia politica e da economia. "AMPLIANDO IDEIAS... Para o alemao Karl Marx (1818—1883), 0s individuos devem ser analisados de acordo com o contexto de suas condigées e situagdes sociais, ja que produ- zem sua existéncia em grupo. © homem primitivo, segundo ele, diferenciava-se dos outros animais ndo apenas pelas caracteristicas biolégicas, mas também por aquilo que realizava no espago e na época em que vivia. Cagando, defendendo-se criando instrumentos, os individuos construiram sua historia e sua existéncia de grupo social. Ainda segundo Marx, 0 individuo isolado s6 apareceu efetivamente na socie- dade de livre concorréncia, ou seja, no momento em que as condigSes historicas criaram os principios da sociedade capitalista. Tomemos um exemplo simples des- sa sociedade. Quando um operaria é aceito numa empresa, ele assina um contrato no qual consta que deve tantas horas por dia e por semana e que tem determi- nados deveres e direitos, além de um salario mensal. Nesse exemplo, existem dois individuos se relacionando: 0 operario, que vende sua forga de trabalho, € 0 empresario, que a compra. Aparentemente, trata-se de um contrato de compra € venda entre iguais. Porém, apenas aparentemente, pois o “vendedor” no escolhe onde nem como vai trabalhar. As condiges jé estéo impostas pelo empresario € pelo meio social Essa relago entre os dois, no entanto, ndo € apenas entre individuos, mas também entre classes sociais: a operaria e a burguesa. Eles 0 se relacionam, nesse caso, por causa do trabalho: 0 empresério precisa de forga de trabalho do operdrio e este precisa de salario. As condigbes que permitem esse relacionamento sdo definidas pela luta que se estabelece entre as classes, com a intervengdio do Estado, por meio das leis, dos tribunais ou da policia. TOMAZI, Nelson Dacio. Conecte: sociologia para o ensina médio. S80 Paulo: Saraiva, 2011 83 al Defensor da praticidade revolucionaria, o método de Marx defende o proletariado my ~ Por isso, ele ja havia afirmado: “se os economistas so os teéricos da burguesia, 0S er Socialistas e comunistas devem ser os teéricos dos trabalhadores”. E como teérico dos ma trabalhadores, é necessdrio promover uma aco, pois os problemas que eles enfrentam 7 tem como base uma exploragao material. O materialismo dialético se configura, assim, al como a jungao de uma teoria com uma pratica revolucionaria. 7 a Ahistoria nao faz nada, “nao possui nenhuma riqueza imensa”, . i “nao luta nenhum tipo de luta"! Quem faz tudo isso, quem possui e luta ow 6, muito antes, o homem, 0 homem real, que vive; ndo é, por certo, a -~ “historia”, que utiliza 0 homem como meio para alcangar seus fins — on ‘como se tratasse de uma pessoa a parte -, pois a Historia ndio é sendo ex @ atividade do homem que persegue seus objetivos. 2 an Sess MARX, Karle ENGELS, Friedrich. A sagrada familia. Sip Paulo: Boitempo, 2003. p. 111, e EMILE DURKHEIM, AS INSTITUIGOES E 0 INDIVIDUO Durkheim propunha que a sociologia necessitava de sistematizagao e rigor para se estabelecer como uma ci- éncia. A preocupagao metodolégica o levou a definir um objeto especifico de investigagao sociolégica: o fato social. Podemos conceber o fato social de algumas maneiras. Uma delas @ a coereao social, isto , a forca que os fatos exercem sobre os individuos, que resulta da sango legal (leis) ou espontanea (moral). Outra 6 a exterioridade ao in- dividuo. Essa regra determina que 0 fato social se encontra ° " | Emile Durkheim (1858-1917) e- fora do individuo e existe independente dele. Uma terceira socisiogoe flssoto ances | diz respeito a generalidade. E um fato social todo fato que 6 —_°onsiderado o fundador da a am a sociologia cientiica. Procurou geral e se repete em todos os individuos ouna maioria deles. — claborat uma ciencia do tans Seu pensamento da origem a uma corrente de so- _S9ciel, marcada por uma preocupagio ética, buscando zi caracterizar o fato social ciedade funciona semelhante ao organismo vivo e por isso Mo fendmeno coletivo, si . ‘ valorizando inclusive a cada individuo tem uma fungéo bem definida na sociedade, _interpretagao historic, ciolégica chamada de Funcionalismo. Segundo ela, a so- isto é, cada individuo, em sua especificidade, liga-se ao outro pela condigéio de trabalho.