Você está na página 1de 3

Paradigmas escolares, suas influências no Ensino e a trajetória do Ensino no

Brasil

OLIVEIRA, Michel de
05/Outubro/2018
Palavras chave: Paradigmas Educacionais, Paradigma newtoniano-cartesiano,
Paradigma da Complexidade, conservadores, inovadores, mediador, professor, aluno
Introdução

Existem várias formas de se ensinar, todas tem sua eficácia, dependendo do


objetivo com que o agente educador tem em mente. O Brasil, desde sua
colonização até os dias atuais passamos por diversas metodologias, que
pretendiam atender as necessidades, sejam elas políticas ou sociais de cada
época. Passamos pelo sistema jesuítico, onde a religião era o “trator” que movia
a educação, catequizando milhares de índios, com objetivo de angariar mais
“rebanhos” para a fé católica, passamos ainda no sistema tradicionalista por
épocas de guerra onde o aluno era transformado em verdadeiros soldados
aprendizes dentro de metodologias autoritárias e de massificação, sem importar
com a individualidade, caminhamos para um sistema mais liberal embarcando
nas ondas das escolas francesas, porém ainda elitistas, seguimos nossa
trajetória por caminhos em que o aluno era considerado mão de obra a ser
equipada de conhecimento tecnicista, passamos por sistemas de protestos
sociais no qual a coletividade e as minorias passaram a ter maior importância e
com a introdução de novas tecnologias o conceito de ensino passou a ser mais
voltado para o indivíduo com utilização de metodologias novas que pretende-se
introduzir o aluno nos ideais de cidadania e maior preparo tanto para o mercado
de trabalho, quanto para continuidade estudo e produção científica.
Este artigo irei abordar essas situações fazendo exemplificações por meio de
alegorias, que vão de encontro com as metodologias utilizadas em cada uma
dessas escolas.

Desenvolvimento

- Fundamentação**

“Imagina homens que vivem numa espécie de morada subterrânea em forma de caverna, que
possui uma entrada que se abre em toda a largura da caverna para a luz; no interior dessa
morada eles estão, desde a infância, acorrentados pelas pernas e pelo pescoço, de modo a
ficarem imobilizados no mesmo lugar, só vendo o que se passa na sua frente, incapazes, em
virtude das cadeias, de virar a cabeça. Quanto à luz, ela lhes vem de um fogo aceso numa
elevação ao longe, atrás deles. Ora, entre esse fogo e os prisioneiros, imagina um caminho
elevado ao longo do qual se ergue um pequeno muro, semelhando ao tabique que os exibidores
de fantoches colocam à sua frente e por cima dos quais exibem seus fantoches ao público.
...
Considera agora o que naturalmente lhes sobreviria se fossem libertos das cadeias e da ilusão
em que se encontram. Se um desses homens fosse libertado e imediatamente forçado a se
levantar, a voltar o pescoço, a caminhar; a olhar para a luz;
...”
(Platão - Alegoria da Caverna)

Como já disse na introdução tentarei expor aqui em forma de alegorias todo


este percurso que o ensino trilhou por nosso país desde a colonização até os
dias atuais. Segundo CEIA (1998 p.2) “uma alegoria é aquilo que representa uma
coisa para dar a ideia de outra através de uma ilação moral.”
Imaginemos um cenário no qual alguns especialistas em treinamento animal
são convocados para educar alguns animais, com finalidades diversas.
Ao primeiro treinador é dado a tarefa de treinar alguns cães com a finalidade
de tornarem-nos dóceis e obedientes. Esse treinador irá utilizar uma metodologia
autoritária, com castigos físicos, sem recompensas e sem se importar com a
individualidade ou a própria essência dos animais sob seu domínio para atingir
seu objetivo educador desses cães. Este caso é perfeitamente comparável com o
sistema jesuítico ou os sistemas tradicionais dos paradigmas conservadores do
ensino brasileiro, “no qual o aluno é caracterizado como ouvinte, receptivo e
passivo, deve aprender sem questionar enquanto que o professor é o dono da
verdade, autoritário e trata seus alunos com uniformidade... escute, leia, decore e
repita”. FLACH e BEHRENS (2008)
Ao segundo treinador é passada a tarefa de treinar alguns pássaros para
serem utilizados em um comercial de televisão. Esses pássaros terão que ter
habilidades especiais para realizar miméticas que permitam passar a mensagem
pretendida pelo anunciante. Neste caso o treinador utilizará de metodologia
diferenciada, porém ainda com características tradicionais, como autoritarismo e
não se preocupará com a individualidade do mesmo. Irá, contudo dar pequenas
recompensas aos animais para poder condicioná-los a realizar o trabalho
solicitado. Neste caso podemos comparar ao sistema Tecnicista no qual o aluno
está sendo condicionado pelo sistema tradicional ao mercado de trabalho, sem
senso crítico e reflexivo, apenas repetitivo. “A Escola Tecnicista atende as
necessidades do mercado. Aluno para ser bem avaliado tem que ter memória e
retenção por que é assim que é cobrado” FLACH e BEHRENS (2008).
Até este momento dei enfoque apenas ao “paradigma newtoniano-cartesiano,
que caracterizou um ensino fragmentado e conservador, que tem como foco
central a reprodução do conhecimento. A prática pedagógica influenciada por
essa visão conservadora”. FLACH e BEHRENS (2008).
Passaremos, então, para o terceiro treinador, que estará responsável por
alguns gatinhos novos que se pretende inserir em um lar com crianças. O
treinador com uma visão mais aberta a experimentações irá utilizar uma
metodologia que permite aos animais fazerem descobertas por si próprios, de
forma individual, incentivando a busca pelo ambiente de objetos para brincarem e
desenvolver seu conhecimento pela experimentação de suas descobertas. Nesta
abordagem podemos fazer uma comparação ao sistema da Escola Nova na qual
se dá enfoque ao indivíduo e suas descobertas, “o aluno é um sujeito ativo que
aprende pela descoberta e o professor uma personalidade única que facilita a
aprendizagem, é um ser positivo e acolhedor”. FLACH e BEHRENS (2008).
Por fim teremos o quarto treinador, que ficará responsável por cães
acompanhantes de pessoas com depressão, para uma instituição de voltada para
psicologia. Estes animais serão treinados em grupo e na presença de pessoas
com a intenção de socialização e interação harmônica, dando-lhes liberdade de
explorar e aprender, tanto em grupo como individual, para assim garantir sua
autonomia e capacidade de participação sem perder sua individualidade. Esta
última alegoria traz à tona a abordagem progressista do ensino, aos moldes de
Paulo Freire, que visa uma transformação social.

“possibilita a vivência grupal, empenha-se na luta em favor da democratização da


sociedade... Possibilita as relações pessoais e interpessoais do ser humano, visando à busca da
ética, da harmonia e da conciliação...O aluno precisa ser instigado a avançar com autonomia, a
se exprimir com propriedade, a construir espaços próprios, a tomar iniciativas, a participar com
responsabilidade, enfim a fazer acontecer e a aprender a aprender... questionamento
reconstrutivo, instiga o trabalho em equipe, e tem como foco a pesquisa.”
(FLACH e BEHRENS 2008).
Conclusão

Pretendeu-se aqui, de forma simplicista apresentar a trajetória da educação


no Brasil e demonstrar alguns dos paradigmas que permeiam a educação
revolucionando a forma com que se ensina em nossas escolas.
.

Referências

CEIA,C. Sobre o Conceito de Alegoria. Matraga, 1998.

FLACH, Carla Regina de Camargo; BEHRENS, Marilda Aparecida. Paradigmas


Educacionais e sua influência na prática pedagógica. (2008).
Disponível em: http://educere.bruc.com.br/arquivo/pdf2008/541_365.pdf
Acessado em: 05/10/2018

PASSOS, Jair. Professor Mediador (...) na Sala de Aula (p. 35 a 45) Curitiba:
Appris, 2016.

PLATÃO. Alegoria da Caverna. LA REPUBLIQUE, Livro Sétimo, tradução de


Leon Robin. In: Vergez, A. e Huisman, D. História dos Filósofos. Rio de Janeiro:
Freiras Bastos, 1976.
Disponível em:
http://portalgens.com.br/filosofia/textos/alegoria_da_caverna_platao.pdf
Acessado em: 05/10/2018