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DESCRIÇÃO DE LÂMINA PETROGRÁFICA DE ARENITO

Lamina – X
Petrograficamente os arenitos possuem granulometria polimodal variando de areia fina
a grossa, contendo grânulos dispersos. São arenitos mal selecionados e predominantemente
subarredondados a subangulosos, entretanto localmente podem ser observados grãos e
principalmente grânulos de formato tabular, com arestas levemente arredondadas. O
empacotamento é fechado, predominando contatos do tipo grão-grão no arcabouço. Em virtude
da substituição dos grãos do arcabouço por cimento carbonático e feições de sobrecrescimento
de sílica é difícil a completa distinção da forma original dos grãos em alguns casos. São arenitos
de baixa maturidade textural e mineralógica, sobretudo em virtude da grande quantidade de
fragmentos de rocha. A composição mineralógica é constituída por quartzo, fragmentos de
rochas, plagioclásio, feldspato potássico, minerais micáceos, titanita, epídoto, calcita, argilo
minerais e opacos.
Os fragmentos de rocha são os constituintes mais abundantes do litotipo, perfazem cerca
de 32,8%. Em ordem decrescente de abundância os clastos são formados por fragmentos de
rocha vulcânica (21,4%), fragmentos de rocha metamórfica (5,8%), fragmentos de siltito
(2,7%), fragmentos de chert (1,8%) e fragmentos de rocha pelítica (1,1%). São fragmentos
predominantemente subarredondados e subangulosos com dimensões variadas, comumente
ocorrendo entre 100 µm até dimensões superiores a 5000 µm (Figura 1A). Os fragmentos de
rochas vulcânicas são caracterizados pela presença de plagioclásios ripiformes, exibindo
maclamentos, dispersos em uma matriz afanitica, ou ainda na forma de um aglomerado de
cristais bem desenvolvidos, geralmente alterados principalmente por carbonato e
subordinamente por sericita e epídoto (Figura 1B e 1C). Nos fragmentos de siltito observa-se
um cimento de óxido-hidróxido sustentando os grãos dominantemente quartzosos (Figura 1D).
Os fragmentos de chert são subangulosos à subarredondados e constituídos por um aglomerado
de cristais muito finos de sílica (Figura 1E). Os fragmentos de rocha metamórfica são
constituídos por uma trama de minerais orientados preferencialmente, caracterizada
principalmente pela presença de lamelas de biotitas orientadas paralelamente (Figura 1F).
O quartzo representa cerca de 31,5% dos constituintes da lâmina ocorrendo nestes
arenitos dominantemente sob a forma de grãos monocristalinos (30,4%) e mais raramente como
grãos policristalinos (1,1%) (Figura 2A). Em geral são grãos de formas subarredondadas e
subangulosas, com extinção predominantemente reta nos grãos monocristalinos (Figura 2B) e
pronunciada extinção ondulante nos grãos policristalinos (Figura 2C). Os contatos são
retilíneos, côncavo-convexos e suturados nos grãos monocristalinos, enquanto que nos grãos
policristalinos os contatos são predominantemente irregulares e pouco nítidos (Figura 2D).
Quando em contato com o carbonato os grãos de quartzo exibem contatos irregulares,
serrilhados de aspecto corroído. Feições de sobrecrescimento tais como linhas de sujeira e
contatos de compromisso, além da presença de carbonato de cálcio, principalmente na borda
dos grãos são identificadas.
Os feldspatos representam cerca de 27,2% dos constituintes do arcabouço da rocha e
ocorrem na forma de feldspatos alcalinos e plagioclásio, com predomínio dos primeiros. O
feldspato potássico contribui com cerca de 22,7%, ocorre como de grãos irregulares comumente
subangulosos e subarredondados de dimensões variáveis comumente entre 20-150 µm e com
maclamentos xadrez difuso (Figura 3A). O plagioclásio corresponde à cerca de 4,5% e está
presente sob a forma de minerais de hábito tabular e/ou prismático com dimensão média de 50-
150 µm e frequentemente exibindo maclamentos do tipo albita (Figura 3B). Feições de
alteração são observadas em ambos os tipos de feldspato, no caso do feldspato potássico
destaca-se o recobrimento por argilominerais enquanto que no plagioclásio observa-se sericita,
carbonato e epidoto como minerais secundários.
A cimentação do litotipo é em virtude da presença de oxido-hidróxido de ferro (2,9%),
calcita espática (1,6%) por vezes com textura poiquilotópica, e mais esporadicamente por
sobrecrescimento de sílica (<1%) (Figura 3C e 3E).
Os minerais micaceos (1,1%) são representados por micas incolores e micas com
coloração amarronzadas. São minerais de habito subédrico lamelar comumente com bordas
corroídas e alguns casos apresentam formas recurvadas e contorcidas.
Os minerais pesados observados foram epidoto e titanita. O epidoto é caracterizado
por grãos de formas subedrais até euedrais comumente exibindo bordas corroídas quando em
contato com o cimento carbonáico (Figura 3E). Outra forma de ocorrência deste mineral se dá
como alteração dos grãos de plagioclásio. A titanita presente na lâmina é representada por
minerais comumente exibindo uma coloração castanha ou em tons de marrom, hábito subédrico
a euédrico, podendo por vezes exibir formas piramidais e bipiramidais, quando bem
desenvolvidas (Figura 3F). Destaca-se a ocorrência de titanita como mineral secundário a partir
da alteração minerais micaceos.
Figura 1: Fotomicrografias exibindo os principais tipos de fragmentos de rocha que compõem a amostra;
(A) Fragmentos diversos com destaque para os fragmentos de rocha vulcânica (FRV), fragmento de
rocha sedimentar (FRS) e os fragmentos de chert (FRC); (B) Detalhe do FRV caracterizada pela
presença de plagioclásios ripiformes (seta vermelha) em uma matriz afanítica (setas brancas); (C) FRV
caracterizado por arranjo de cristais de plagioclásio; (D) Detalhe do FRS, provavelmente um siltito,
notar a cimentação dos grãos de quartzo por óxido-hidróxido de ferro; (E) Fotomicrografia de detalhe
dos fragmentos de chert (FRC); (F) Fotomicrografia de detalhe com destaque para o fragmento de rocha
metamórfica de baixo grau (FRM) exibindo leve orientação interna de seus constituintes.
Figura 2: Fotomicrografias mostrando os principais aspectos dos grãos de quartzo descritos na amostra.
(A) Aspecto geral dos constituintes da amostra; (B) Detalhe com destaque para os grãos de quartzo
monocristalino (Qm); (C) Quartzo policristalino exibindo extinção ondulante e subgrãos; (D)
Fotomicrografia mostrando os tipos de contato, com destaque para os contatos retilíneos (seta branca) e
contatos do tipo côncavo-convexo (seta preta) notar também a matriz/cimento de óxido-hidróxido de
ferro.
Figura 03: (A) Feldspato potássico (FK) subarredondados exibindo maclamentos xadrez difuso; (B)
Grão de plagioclásio (Pl) apresentando maclamentos do tipo albita; (C) Grãos de quartzo policristalino
(Qm) cimentados por óxido-hidróxido de ferro (setas brancas), notar também a presença de uma franja
acilular de minerais micaceos, provavelmente de clorita envolvendo o grão de quartzo (seta vermelha);
(D) Grãos substituídos por carbonato de cálcio de cálcio (C) na porção interna, enquanto que na porção
externa nota-se a presença de finos cristais de sílica; (E) Detalhe do grão de epidoto detrítico (marcações
em vermelho); (F) Titanita detrítica.