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Dosagem
Edição 81 - Dezembro/2003

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A medida do concreto

Dosagens experimentais são necessárias para se encontrar o ponto de equilíbrio de

trabalhabilidade e consumo ideal de cimento dentro da resistência desejada

DESTAQUES DA LOJA PINI

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Definidas pelo calculista as características da peça, um laboratório especializado inicia os

estudos experimentais que definirão um traço a ser obedecido pelo concreteiro. O responsável APLICATIVOS

técnico ou o proprietário da obra tem a função de manter a documentação que comprove a

qualidade do concreto que será empregado

Consumo de cimento superior a 300 kg/m³, slump acima de 10 cm, relação água-cimento

menor que 0,45, fck de 20 MPa, medição dos agregados em massa ou, muito umedecido, em

volume e dimensão máxima dos agregados inferior à distância entre as armaduras. Além

dessas e outras "receitas" nem sempre adequadas, difundidas Brasil afora para concretos

que não recebem um estudo apurado, há muitas informações necessárias e peculiaridades

regionais para se chegar a um concreto de importância estrutural.

Com a tecnologia disponível nas grandes cidades, é possível fazer um concreto "mais seco",

mais resistente, menos poroso e com pouca água com aditivos plastificantes que garantam

sua trabalhabilidade. Uma relação água-cimento da ordem de 0,3 seria suficiente para

hidratar o cimento. "Como é preciso adicionar mais água para trabalhar o concreto fresco, o

excesso forma poros, que serão a entrada de agentes agressivos", explica Augusto Carlos de
Vasconcelos, membro honorário do American Concrete Institute. "Por isso, o traço com mais

durabilidade será o que solicitar o mínimo de água para a trabalhabilidade desejada",

completa.

Os aditivos costumam ser encontrados com relativa facilidade por todo o País (veja

reportagem nesta edição) e há muitos estudos de dosagem que empregam materiais

regionais. Porém, estudos do comportamento do concreto fresco e endurecido, tais como

fluência, retração e dilatação térmica são difíceis de serem realizados em muitas

localidades. "Nas localidades mais distantes do Equador há muita amplitude térmica que

causa movimentações nas estruturas de concreto, responsáveis pela retração e fissuração,

que não podem ser negligenciadas no estudo", observa o membro do ACI.

CP I - cimento puro, sem adições (fabricado sob encomenda)

CP I S - só 5% de fíler calcário, pozolana ou escória

CP II composto E, F ou Z - com escória, fíler ou pozolana em quantidades consideráveis. É o

cimento mais encontrado no mercado

CP III alto-forno - resiste a sulfatos por natureza

CP IV pozolânico - a pozolana reage com o hidróxido de cálcio, diminuindo o consumo de

cimento e o calor de hidratação. Ideal para grandes volumes de concretagem

CP V ARI - com alta resistência inicial, indicado para desenformas rápidas

CP B - branco estrutural, para concreto aparente com preocupação estética

RS - denominação "resistente a sulfatos" presente na embalagem do cimento (NBR 5737)

quando o aluminato tricálcico (C3A) for igual ou inferior a 8%.

Fonte: Carlos Eduardo de Siqueira Tango


A consistência do concreto é definida de acordo com a taxa de armadura do elemento

estrutural, dimensões e tipo de concretagem. O slump do concreto deve ser fixado na primeira

estimativa do traço e ajustado nas dosagens experimentais seguintes, até que seja possível

aliar trabalhabilidade com a resistência aos 28 dias solicitada

Agregados

Os agregados mais encontrados no Brasil são compostos de granito, calcário, basalto e

gnaisse com resistências superiores a 200 MPa. Os agregados da região Norte do Brasil,

próximo da Venezuela, são compostos de arenitos, permeáveis e friáveis. Encontra-se muito

o seixo rolado, que pode resultar em concreto com resistência maior que o concreto com

brita, dependendo do traço, mas o módulo de elasticidade é menor e as deformações

elásticas são maiores para mesmas resistências. A laterita, apesar de não conseguir

resistências elevadas, tem peso específico maior que a brita e, caso não seja britada, precisa

ser lavada para retirar as impurezas de sua superfície que prejudicam a aderência com a

pasta.

É comum encontrar casas construídas com concreto laterítico e armadura de bambu em

regiões do Norte e Nordeste, como o Maranhão. Já na Hidrelétrica Binacional de Itaipu havia

uma fábrica de pozolana que era adicionada ao cimento. "Como o agregado presente na

região era de ágata, se não fosse empregada pozolana que reagisse com os alcális do

cimento, o concreto sofreria expansões que causariam fissuras em todas as direções",

lembra Vasconcelos.

A umidade influi na medida dos agregados miúdos em volume, devido ao inchamento dos

grãos, e pode ser medida pelo frasco de Chapman quando se conhece a massa específica

dos grãos. Na impossibilidade da dosagem dos agregados em massa deve-se trabalhar a

partir da umidade crítica, a partir da qual o inchamento é desprezível, ou seja, a variação de

volume daí em diante é muito pequena. Assim, há uma constância maior na quantidade real

de agregado medida, colaborando com menor variabilidade do traço do concreto.

Dosagens peculiares

Nos concretos para elementos pré-fabricados, a desenforma a um dia é a premissa para a

dosagem. A resistência aos 28 dias é apenas um parâmetro de verificação. Como a

desmoldagem e transporte exigem mais esforço que a situação de serviço, o desenho da

peça deve considerar essas tensões.


No concreto leve, a resistência está associada ao peso e é preciso compatibilizar a

granulometria e o índice de vazios com a aplicação desejada. Como a absorção de água é

elevada, principalmente na argila expandida, o melhor é trabalhar com o agregado saturado

para que a água de hidratação do concreto não seja absorvida e prejudique a

trabalhabilidade.

Os concretos com resistências superiores a 40 MPa costumam ser ricos em adições e

aditivos. Apesar da alta qualidade, durabilidade e impermeabilidade, o custo é alto na maioria

das vezes. Experimentos realizados pelo IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado

de São Paulo) mostram que é possível chegar a resistências elevadas diminuindo a relação

cimento-agregado e aumentando o consumo de cimento. "Com 1:3,5 (cimento-agregado) e

consumo de aglomerante de 450 kg/m³ é possível ter 47 MPa, a mesma resistência obtida

com 1:5,75 e consumo de aglomerante de 325 kg/m³ se usado 1% de aditivo e 10% de

adições", compara Carlos Eduardo de Siqueira Tango, engenheiro do Agrupamento de

Materiais de Construção do IPT.

Uma característica a ser considerada em elevados teores de cimento é o calor de hidratação,

que pode provocar um aumento de temperatura capaz de causar dilatação térmica apreciável

no concreto. Para evitar que a contração do concreto endurecido (subseqüente à dilatação,

quando ocorre o resfriamento) cause trinca nos elementos estruturais, deve-se prever a

possibilidade de movimentação da estrutura, principalmente no caso de peças volumosas,

onde provavelmente aparecerão fissuras térmicas. Pode-se adicionar gelo em substituição a

parte de água, ou até mesmo agregado gelado, a fim de controlar a temperatura, ao menos

em seu estágio inicial.

Também é eficiente reduzir o consumo de cimento com o uso de aditivos plastificantes e

superplastificantes e retardadores de endurecimento, além de escolher cimentos com baixo

calor de hidratação. Os tempos de pega devem ser calculados observando a colocação de

aditivos superplastificantes e a perda de água que ocorre em concretagens a grandes

temperaturas. "Não se deve demorar mais que a metade do tempo de início de pega entre a

mistura e o seu emprego a fim de evitar perda de água e até o endurecimento antes do

lançamento", observa Tango.

Das jericas às bombas de concreto, a tendência nos próximos anos é a viabilização em

escalas maiores do concreto auto-adensável. Não requer vibração e o equilíbrio é dado pelos

aditivos superplastificantes e modelador de viscosidade. "Enquanto uma grande quantidade

de fluidificante pode segregar o concreto, o modelador de viscosidade garante a coesão. O

slump passa de 10 para 25 cm sem o acréscimo de água", prevê Vasconcelos.


O módulo de elasticidade é verificado em corpos-de-prova iguais aos de compressão axial e

obedecem a NBR 8522 (Concreto-Determinação de módulo de deformação estática e diagrama

Tensão-Deformação). Essa medida é útil na avaliação de flechas em estruturas devidas ao

carregamento e tensões por deformações conhecidas, como a retração por secagem com

restrições de movimentos

Os concretos da mesma família possuem a mesma relação cimento-agregado, alterando-se as

proporções de graúdo e miúdo. A partir de três traços da mesma família, elabora-se o diagrama

de dosagens (veja Diagrama de Dosagem IPT na página 56) onde em cada ponto da parábola

há um traço diferente

Da dosagem experimental ao traço definitivo

O método de dosagem do IPT permite uma comparação técnico-econômica dos traços

experimentais antes dos 28 dias com uma boa confiabilidade, permitindo a tomada de

decisões para o traço de concreto antes da disponibilidade dos resultados. Veja como é feito.

1º passo: estimativa grosseira do traço

Devem-se fornecer a resistência característica, o desvio-padrão esperado, o slump, o

diâmetro máximo do agregado, o tipo de cimento, os preços dos constituintes (opcional) e a

consistência requerida.

Exemplo: fck: 40 MPa

sd (desvio-padrão): 5,5 MPa

fc28: 49,1 MPa

Diâmetro máximo do agregado: 19 mm


Slump: 100 mm (+10)

Cimento: CP V ARI (alta resistência inicial)

Adição: sílica ativa

Aditivo: superplastificante

Primeiras estimativas:

Xest: 0,362 (relação água-aglomerante)

mest: 4,75 (relação agregado-aglomerante)

2º passo: traço-piloto para proporção de argamassa e quantificações em geral

Quantidades em relação ao aglomerante

% argamassa areia (a) pedra (p)

46 -1,646 -3,106

50 -1,876 -2,876

54 -2,106 -2,646

3º passo: traços rico, médio e pobre - ajuste de trabalhabilidade

Varia-se o consumo de aglomerante e a relação água-aglomerante para três concretos de

mesma consistência. Ajusta-se a água e moldam-se corpos-de-prova para ensaios em três

idades. O volume ensaiado é de 30 dm³.

4º passo: ensaios em concreto endurecido

Resultados obtidos da ruptura de corpos-de-prova

Diâmetro nominal dos corpos-de-prova: 100 mm; cargas em t; fc médias em MPa.

5º passo: traços antecipados, traço definitivo, diagrama de dosagem


Com os resultados obtidos em concreto fresco e endurecido, presume-se o fc28 traçando a

curva de Abrams correspondente, que resultará em pequena diferença da resistência prevista

e a real.

m = 5,229

Água-aglomerante: 0,566

Fonte: Carlos Eduardo de Siqueira Tango

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