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PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DA BAHIA

2ª TURMA RECURSAL DOS JUIZADOS ESPECIAIS

Processo Nº. : 0003681-40.2014.8.05.0141


Classe : RECURSO INOMINADO
Recorrente(s) : TELEFONICA BRASIL S A
:
Recorrido(s) : ALOISIO MENEZES DE BRITO
:
Origem : JUIZADO ESPECIAL CRIMINAL - JEQUIÉ

Relatora Juíza : MARIA AUXILIADORA SOBRAL LEITE

EMENTA

RECURSO INOMINADO. CONSUMIDOR. AÇÃO DE


DECLARAÇÃO DE DÉBITO, COM PEDIDO DE DANOS
MORAIS. COBRANÇAS EFETUADAS RELATIVAS A
PERÍODO POSTERIOR À DATA DA SOLICITAÇÃO DE
CANCELAMENTO DO PLANO PÓS PAGO..
RESPONSABILIDADE OBJETIVA. DANOS MORAIS
CONFIGURADOS. QUANTUM INDENIZATÓRIO EM
HARMONIA COM OS PRINCÍPIOS DA RAZOABILIDADE
E PROPORCIONALIDADE. SENTENÇA MANTIDA.

ACÓRDÃO
Acordam as Senhoras Juízas da 2ª Turma Recursal dos Juizados Especiais
Cíveis e Criminais do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, MARIA AUXILIADORA
SOBRAL LEITE – Relatora, CÉLIA MARIA CARDOZO DOS REIS QUEIROZ e
ISABELA KRUSCHEWSKY PEDREIRA DA SILVA ,Presidente, em proferir a
seguinte decisão: RECURSO CONHECIDO E IMPROVIDO . UNÂNIME, de acordo com a
ata do julgamento. Custas e honorários advocatícios pela recorrente , que fixo em 20%
sobre o valor da condenação.

Salvador, Sala das Sessões, 17 de Setembro de 2015.

BELA. MARIA AUXILIADORA SOBRAL LEITE


Juíza Relatora
BELA. ISABELA KRUSCHEWSKY PEDREIRA DA SILVA
PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DA BAHIA
2ª TURMA RECURSAL DOS JUIZADOS ESPECIAIS

Juíza Presidente
PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DA BAHIA
2ª TURMA RECURSAL DOS JUIZADOS ESPECIAIS

Processo Nº. : 0003681-40.2014.8.05.0141


Classe : RECURSO INOMINADO
Recorrente(s) : TELEFONICA BRASIL S A
:
Recorrido(s) : ALOISIO MENEZES DE BRITO
:
Origem : JUIZADO ESPECIAL CRIMINAL - JEQUIÉ

Relatora Juíza : MARIA AUXILIADORA SOBRAL LEITE

EMENTA

RECURSO INOMINADO. CONSUMIDOR. AÇÃO DE


DECLARAÇÃO DE DÉBITO, COM PEDIDO DE DANOS
MORAIS. AUSÊNCIA DE PROVAS DA CONTRATAÇÃO.
INEXIGIBILIDADE DA DÍVIDA. PROVA DO FATO
CONSTITUTIVO DO DIREITO DO AUTOR. CERTIDÃO
DA CDL QUE DEMONSTRA O APONTAMENTO
INDEVIDO. ART.333,I DO CPC. DANO MORAL IN RE
IPSA. SENTENÇA MANTIDA.

RELATÓRIO

Dispensado o relatório nos termos da Lei n.º 9.099/95.


Circunscrevendo a lide e a discussão recursal para efeito de registro,
saliento que o Recorrente TELEFONICA BRASIL S A pretende a reforma da sentença
lançada nos autos que julgou procedente em parte os pedidos formulados pela exordial
para : “a) Declarar a inexistência da obrigação de pagamento pelo autor, de quaisquer valores
referentes à contratação impugnada no termo de queixa(contrato nº nº 2123077083 e nº
2123075248); b) Convalidar os efeitos da liminar prolatada nos autos em evento de nº 07. c)

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Condenar a Ré a se abster de incluir novamente o nome e o CPF da parte autora dos órgãos de
proteção ao crédito, apenas e tão somente em relação ao contrato supra mencionado sob pena de
multa diária, que ora arbitro em R$ 50,00 (cinquenta reais), para o caso de descumprimento;d)
Condenar, ainda, a ré ao pagamento de uma indenização ao autor no valor de R$ 4.500,00
(quatro mil e quinhetos reais), no prazo de lei, a título de danos morais, em virtude da
negativação indevida. Juros de mora, na base de 1% (um por cento) ao mês, a partir da citação e
correção monetária, da data do arbitramento.”

Em suas razões recursais, a empresa recorrente alega não ter ocorrido


danos morais no caso presente, bem como pugna em caráter eventual pela redução do
quantum condenatório.
Em contrarrazões, a recorrida pugna pela manutenção da sentença.
Os autos foram distribuídos à 2ª Turma Recursal, cabendo-me a função de
Relatora.
Presentes as condições de admissibilidade do recurso, conheço-o,
apresentando voto com a fundamentação aqui expressa, que submeto aos demais
membros desta Egrégia Turma.

VOTO

Sem preliminares, passo ao exame do mérito.

Trata-se de ação na qual o autor alega nunca ter contratado com a

acionada, não possuindo qualquer linha telefônica fixa da referida empresa, não tendo

sido notificada, e que não obstante fora incluída indevidamente nos órgãos de proteção

ao crédito, razão que pretende seja a declarado a inexistência do dever de pagamento,

bem como seja a acionada condenada pelos danos morais por ela suportados.

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O exame dos autos evidencia que o ilustre a quo examinou com acuidade a
demanda posta à sua apreciação no que concerne à cobrança indevida, tendo em vista
que a empresa recorrente deixou de trazer elementos probatórios que refutassem as
alegações da parte autora, não apresentando suposto contrato firmado entre as partes,
nem tão pouco qualquer outro capaz de comprovar o vínculo jurídico e a efetiva utilização
dos serviços supostamente prestados.
Assim, caberia à empresa trazer aos autos elementos que indicassem a
efetiva prestação de serviços no período que a parte autora alega não terem sido
prestados, justamente em razão de pedido de cancelamento do contrato firmado entre as
partes.. Mas se assim não o fez, precluída esta a oportunidade, restando-lhe suportar o
ônus da sua inabilidade processual.
Por outro lado, o autor junta com a exordial a certidão da CDL que
atesta o apontamento indevido , por solicitação da demandada, desincumbindo-se
assim do ônus de provar o fato constitutivo de seu direito , nos termos do art.333,
Ido CPC. É cediço na jurisprudência pátria que a negativação do nome do
consumidor nos cadastros de proteção ao crédito por cobrança indevida gera dano
moral in re ipsa, que prescinde de comprovação. Nesse sentido :

RECURSO INOMINADO. CONSUMIDOR. TELEFONIA. AUSÊNCIA


DE PROVA DA CONTRATAÇÃO. DÉBITO INEXISTENTE.
INSCRIÇÃO INDEVIDA NOS ÓRGÃOS DE PROTEÇÃO AO
CRÉDITO. DANO MORAL IN RE IPSA. 1. Diante da alegação do autor
no sentido de que jamais realizou algum tipo de contratação com a
requerida, incumbia à re apresentar as provas da contratação, seja por
contrato assinado pela parte e os documentos apresentados no momento da
instalação, seja a gravação pelo Call Center, caso tenha sido realizado via
telefone. 2. Todavia, nenhuma prova neste sentido veio aos autos e as telas
de sistema apresentadas pela ré são documentos unilaterais que podem ser
facilmente manipulados pela parte interessada, não servindo como único

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meio de prova para comprovar as alegações da requerida. 3. A requerida


sustenta que a dívida refere-se a um terminal fixo de telefone, instalado em
02/05/2012 e retirado em 06/01/2013, por inadimplência. Tratando-se de
terminal fixo, mais fácil ainda era a comprovação de suas alegações, pois,
nestes casos, os prepostos da ré comparecem ao local de instalação e
solicitam a assinatura do cliente na ordem de serviço. No entanto, nenhum
documento foi apresentado aos autos. 4. Não havendo prova da
contratação, nem provas de que a ré tenha tomado as devidas providências
para evitar a contratação fraudulenta em nome do autor, o débito deve ser
declarado inexistente e a inscrição junto aos órgãos de inscrição ao crédito
considerada indevida. 5. A situação dos autos gerou ao autor angústias,
aborrecimentos, frustrações e abalo em sua paz psíquica, transtornos que
extrapolam os meros aborrecimentos do cotidiano. 6. O quantum arbitrado
pelo Juízo de origem (R$ 5.000,00) não comporta minoração, uma vez que
está abaixo dos parâmetros utilizados pelas Turmas Recursais em casos
semelhantes, sendo o patamar mínimo para atingir o caráter pedagógico,
evitando que a recorrente volte a praticar os mesmos erros novamente.
Ademais, deve-se considerar as peculiaridades do caso em apreço,
observando-se que o autor teve negado a renovação do seu crédito agrícola,
situação que por si só já configura a existência de danos extrapatrimoniais.
RECURSO IMPROVIDO. SENTENÇA MANTIDA. (TJ-RS - Recurso
Cível: 71004824850 RS , Relator: Glaucia Dipp Dreher, Data de
Julgamento: 27/06/2014, Quarta Turma Recursal Cível, Data de Publicação:
Diário da Justiça do dia 03/07/2014).

Logo, vislumbrada a necessidade de reparação do dano moral decorrente da


cobrança indevida, conjugada com a negativação do nome do autor, passo a discutir o
quantum fixado. Neste ponto, partilho do entendimento de que não se deve passar
despercebido as negativações preexistentes, servindo estas como parâmetro a mitigação
do quantum indenizatório.
Nesta seara obtempera Des. Luiz Gonzaga Hofmeister do TJ-RS no proc.

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595032442:
O critério de fixação do valor indenizatório, levará em conta tanto a
qualidade do atingido, como a capacidade financeira do ofensor, de
molde a inibi-lo a futuras reincidências, ensejando-lhe expressivo,
mas suportável, gravame patrimonial.

Diz ainda Wilson Melo Da Silva, em “O Dano Moral e sua Reparação”,


obra basilar sobre a matéria:

É preponderante, na reparação dos danos morais, o papel do juiz. A


ele, a seu prudente arbítrio, compete medir as circunstâncias,
ponderar os elementos probatórios, inclinar-se sobre as almas e
perscrutar as coincidências em busca da verdade, separando
sempre o joio do trigo, o lícito do ilícito, o moral do imoral, as
aspirações justas das miragens do lucro, referidas por DERNBURG.
E após tudo, decidindo com prudência, deverá, depois, determinar,
em favor do ofendido, se for o caso, uma moderada indenização
por danos morais. (Forense, pg. 630/631).
O valor da indenização fixado pelo juiz sentenciante, a título de danos
morais, guarda compatibilidade com o comportamento do recorrente e com a repercussão
do fato na esfera pessoal da vítima e, ainda, está em harmonia com os princípios da
razoabilidade e proporcionalidade, devendo ser mantida.
Assim sendo, ante ao exposto, voto no sentido de CONHECER e NEGAR
PROVIMENTO ao recurso interposto pela Recorrente TELEMAR NORTE LESTE,
confirmando, consequentemente, todos os termos da sentença hostilizada. Não logrando
êxito em seu recurso, condeno a recorrente ao pagamento das custas processuais bem
como honorários advocatícios, estes fixados em 20% sobre o valor da condenação.

Salvador, 17 de setembro de 2015

Bela. MARIA AUXILIADORA SOBRAL LEITE


Juíza Relatora