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PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DA BAHIA

2ª TURMA RECURSAL DOS JUIZADOS ESPECIAIS

Processo nº. : 0000680-02.2015.8.05.0274


Classe : RECURSO INOMINADO
Recorrente(s) : MARIONALVA DE CASTRO MOREIRA
Recorrido(s) : BANCO ITAÚ CONSIGNADOS S/A
Origem : 1ª VARA DO SISTEMA DOS JUIZADOS VITÓRIA DA
CONQUISTA
Relatora Juíza : MARIA AUXILIADORA SOBRAL LEITE

EMENTA

RECURSO INOMINADO. CONSUMIDOR. ALEGAÇÃO DE


NEGATIVAÇÃO INDEVIDA EM FACE DE DÉBITO
CONTRAÍDO PELA PARTE AUTORA. BANCO RÉU QUE
COMPROVA A REGULARIDADE DA CONTRATAÇÃO.
LEEGITIMIDADE DA INSCRIÇÃO DO NOME DA AUTORA
NOS CADASTROS DE PROTEÇÃO AO CRÉDITO.
EXERCPICIO REGULAR DO DIREITO DE COBRAR A
DÍVIDA CONSTITUÍDA. SENTENÇA MANTIDA.

ACÓRDÃO

Acordam os Senhores Juízes da 2ª Turma Recursal dos Juizados


Especiais Cíveis e Criminais do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, MARIA
AUXILIADORA SOBRAL LEITE - Relatora, CÉLIA MARIA CARDOZO DOS
REIS QUEIROZ - Presidente, LEÔNIDES BISPO DOS SANTOS SILVA, em
proferir a seguinte decisão: RECURSO CONHECIDO E IMPROVIDO.
UNÂNIME, de acordo com a ata do julgamento. Sem custas e honorários
advocatícios, por ser a parte beneficiária da justiça gratuita

Salvador, Sala das Sessões, 24 de SETEMBRO de 2015.


BELA. MARIA AUXILIADORA SOBRAL LEITE
Juíza Relatora
BELA. CÉLIA MARIA CARDOZO DOS REIS QUEIROZ
Juíza Presidente

PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DA BAHIA


2ª TURMA RECURSAL DOS JUIZADOS ESPECIAIS

Processo nº. : 0000680-02.2015.8.05.0274


Classe : RECURSO INOMINADO
Recorrente(s) : MARIONALVA DE CASTRO MOREIRA
Recorrido(s) : BANCO ITAÚ CONSIGNADOS S/A
Origem : 1ª VARA DO SISTEMA DOS JUIZADOS VITÓRIA DA
CONQUISTA
Relatora Juíza : MARIA AUXILIADORA SOBRAL LEITE

EMENTA

RECURSO INOMINADO. CONSUMIDOR. ALEGAÇÃO DE


NEGATIVAÇÃO INDEVIDA EM FACE DE DÉBITO
CONTRAÍDO PELA PARTE AUTORA. BANCO RÉU QUE
COMPROVA A REGULARIDADE DA CONTRATAÇÃO.
LEEGITIMIDADE DA INSCRIÇÃO DO NOME DA AUTORA
NOS CADASTROS DE PROTEÇÃO AO CRÉDITO.
EXERCPICIO REGULAR DO DIREITO DE COBRAR A
DÍVIDA CONSTITUÍDA. SENTENÇA MANTIDA.

RELATÓRIO

Dispensado o relatório nos termos da Lei n.º 9.099/95.

Circunscrevendo a lide e a discussão recursal para efeito de registro,


saliento que o Recorrente Marinalva de Castro Moreira, por meio de seu
patrono devidamente constituído, pretende a reforma da sentença lançada nos
autos que julgou improcedente os pedidos constantes na inicial, por entender
que : “Para tanto, basta observarmos que os documentos apresentados pelo

réu quando da contestação (evento 24), bem demonstram que a autora


firmou sim contratos com a demandada, inclusive o referente ao presente
processo, nº 245836322 (ver aditamento, evento 11), constando sua
assinatura em todas as folhas (evento 24).

A recorrente busca a reforma da sentença, por entender plenamente


configurados os danos morais advindos de cobrança indevida e da negativação
do nome da autora nos cadastros de proteção ao crédito.

Em contrarrazões, a recorrida pugna pela manutenção do


decisium.
Presentes as condições de admissibilidade do recurso, conheço-
o, apresentando voto com a fundamentação aqui expressa, o qual submeto
aos demais membros desta Egrégia Turma.

VOTO

O exame dos autos revela que se insurgiu a autora em razão de


ter seu nome inscrito em cadastro de devedores, por divida contraída junto ao
banco réu, que teria procedido ao lançamento de cobranças de forma
equivocada, não informando a quantidade de parcelas exatas a serem
debitadas. Desde então, alega a parte autora que vinha sendo cobrada de
maneira indevida, alegando terem sido utilizados meios vexatórios na
cobrança da aludida dívida, o que teria culminado, por fim, na negativação
indevida.

Com efeito, em que pese vigorar na seara das relações de


consumo a possibilidade da inversão do ônus da prova, prevista no art.6º,VIII
do CDC, tal inversão não se dá de forma automática, devendo existir
verossimilhança nas alegações do consumidor, bem como notória
hipossuficiência técnica na produção probatória ante o fato alegado. Nestes
termos, não fora demonstrado pela parte autora que os lançamentos de
cobrança se deram de forma equivocada.
O banco réu, por sua vez, junta aos autos a cópia do contrato
celebrado, assinado pela parte autora, bem como demonstrativos de
pagamentos, demonstrando a regularidade da contratação bem como que o
contrato vinha sendo cumprido a contento, o que reforça a tese de que a
demandada tinha prévia ciência da forma de cumprimento das obrigações.

Provada a regularidade da relação jurídica, não há que se falar


em cobrança indevida, e a conseqüente negativação do nome da autora nos
cadastros de proteção ao crédito configuram exercício regular de um direito.
Nesta senda, inexistindo ato ilícito comprovado nos autos que possa ser
imputada á demandada, descabe a alegação de danos morais, nos termos da
jurisprudência que segue:

Nesse sentido vem se manifestando a jurisprudência de nossos


tribunais, conforme os julgados que seguem:

APELAÇÃO - INEXISTÊNCIA DE DÉBITO C/C DANOS


MORAIS - INSCRIÇÃO DO NOME NOS CADASTROS
DE PROTEÇÃO AO CRÉDITO - INSCRIÇÃO DEVIDA -
EXERCÍCIO REGULAR DO DIREITO. Se comprovada a
realização do negócio jurídico, e o credor, diante da
inadimplência do devedor, inscreve o seu nome nos órgão
de proteção ao crédito, não há que se falar em danos
morais tendo em vista que a Instituição Financeira agiu no
exercício regular do direito. (TJ-MG - AC:
10024112857909001 MG , Relator: Estevão Lucchesi,
Data de Julgamento: 10/04/2014, Câmaras Cíveis / 14ª
CÂMARA CÍVEL, Data de Publicação: 25/04/2014)

APELAÇÃO - DANO MORAL - TELEFONIA - INSCRIÇÃO


DO NOME NOS CADASTROS DE PROTEÇÃO AO
CRÉDITO - INSCRIÇÃO DEVIDA - EXERCÍCIO
REGULAR DO DIREITO. Não comprovando a apelante a
quitação das faturas, não há que se falar em inclusão
indevida do seu nome nos órgão de proteção ao crédito,
já que, estando inadimplente, o credor age no exercício
regular do seu direito em inscrever o seu nome nos
órgãos responsáveis. Recurso não provido.(TJ-MG - AC:
10145110262444001 MG , Relator: Estevão Lucchesi,
Data de Julgamento: 04/04/2013, Câmaras Cíveis / 14ª
CÂMARA CÍVEL, Data de Publicação: 12/04/2013)

Nesse sentido, reitero a fundamentação exposta na sentença


objurgada, como o permite o art.46 da lei 9099/95, e reconheço não ter havido
no caso concreto ato ilícito, donde se conclui inexistir dano moral a ser
ressarcido.

Assim sendo, ante ao exposto, voto no sentido de CONHECER e


NEGAR PROVIMENTO ao recurso interposto pela Recorrente Marinalva de
Castro, para manter, na íntegra, a sentença objurgada pelos seus próprios
fundamentos. Sem custas e honorários advocatícios, por ser a parte
beneficiária da justiça gratuita.

Salvador, Sala das Sessões, 24 de Setembro de 2015.

BEL. MARIA AUXILIADORA SOBRAL LEITE


Juíza Relatora
que desconhece a origem, sofrendo abalo resultante da cobrança
perpetrada pelo acionado.
Em sua defesa o réu aduziu a possibilidade de ocorrência de
fraude e culpa de terceiros para eximir-se da responsabilidade pelo ocorrido.
A sentença impugnada reconheceu a abusividade da conduta da
parte ré, posto que não houve comprovação da alegada contratação entre as
partes, deixando, entretanto, de reconhecer o dano moral em decorrência da
existência de outras negativações contra a parte recorrente.
O cerne da questão reside no indeferimento da condenação da
parte recorrida em danos morais. Entendeu o julgador de primeiro grau que o
fato da parte autora ter registrada contra si outras anotações, não haveria
alteração do seu status quo, o que desconfiguraria o dano moral alegado.
Este entendimento baseou-se na Súmula 385 do STJ que dispõe:
“Da anotação irregular em cadastro de proteção ao crédito, não
cabe indenização por dano moral quando preexistente legítima
inscrição, ressalvado o direito ao cancelamento".
Um dos argumentos usados pela recorrente em suas razões de
recurso baseia-se na configuração do dano moral aplicado ao caso,
exatamente porque a anotação feita contra a parte autora decorreu do mesmo
motivo que é a fraude, aqui retratada.
Por amor ao debate insta salientar que o caso em tela consiste
em hipótese de aplicabilidade da referida orientação jurisprudencial, e assim,
tem deliberado essa Egrégia Turma Recursal, posto que o entendimento
vigorante é de que qualquer negativação anterior desconfigura o dano moral
perseguido.
No caso em exame, a parte recorrente somente em grau de
recurso veio aos autos indicar a existência das ações onde discutia as
negativações anteriores perpetradas contra a parte autora, se configurando
como inovação processual, já não admitida nesta fase do processo, posto que
já finalizada a fase instrutória.
Ante o relatado, CONHEÇO DO RECURSO e NEGO-LHE
PROVIMENTO, mantendo a sentença atacada em todos os seus termos.
Sem custas e honorários advocatícios, por ser a parte beneficiária da justiça
gratuita.

Salvador, Sala das Sessões, 24 de Setembro de 2015.

BEL. MARIA AUXILIADORA SOBRAL LEITE