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Resenha do 2º capitulo do livro a Construção das Ciências de Gérard Fourez:

REFLEXÕES EPISTEMOLÓGICAS
O MÉTODO CIENTIFICO: A OBSERVAÇÃO

Evidenciando os aspectos críticos levantados pelo autor e relatando as “novas


características do processo de construção das ciências que o autor propõe;

Gérard Fourez, nascido em 1937, em Ghent, é um padre jesuíta e teólogo belga.


Formado em física teórica, em filosofia e matemática, e professor na Universidade de
Namur.

O livro “Construção das Ciências, introdução à filosofia e à ética das ciências” foi
escrito em 1995, e no segundo capítulo intitulado “Reflexões Epistemológicas – o
método cientifico: a observação” o autor irá descrever como o conhecimento cientifico
não precede ao conhecimento empírico e observação dos fenômenos científicos são
impregnados de saber social, cultural e linguístico.

No primeiro tópico do capítulo o autor informa que empregará o método crítico


dialético na discussão da problemática da observação no método cientifico. Explica que
o método dialético consiste em apresentação de uma tese, uma antítese que crítica a
tese, por fim de uma síntese que poderá ser então colocada como uma nova tese mais
refinada que a anterior e de novo confrontada por nova antítese.

Neste momento a tese a qual Gerárd Fourez apresentará uma antítese será o conceito de
método cientifico informada por Claud Bernard: “As ciências partem da
observação fiel da realidade. Na seqüência dessa observação, tiram-se
leis. Estas são então submetidas a verificações experimentais e, desse
modo, postas à prova. Estas leis testadas são enfim inseridas em teorias
que descrevem a realidade.”

Vamos dissecar esta afirmação e mostrar as críticas feitas por Gerárd Fourez:
1- “As ciências partem da observação fiel da realidade.
2- Na sequência dessa observação, tiram-se leis.
3- Estas são então submetidas a verificações experimentais e, desse
modo, postas à prova.
4- Estas leis testadas são enfim inseridas em teorias que descrevem a
realidade.”

Observa requer um modelo pré-estabelecido do que se quer observar, um conhecimento


prévio sobre o objeto, ou conhecimento do seu entorno a fim de lhe descrever as
características, interpretando-o através da linguagem (fenômeno cultural cheio de
significados emocionais). Daí conclui-se que a observação não é passiva, ela traz a
carga teórica do observador. A observação é mais aceita como imediata conforme seja
inquestionável sua base teórica: “observar é fornecer um modelo teórico daquilo que se
vê, utilizando as representações teóricas de que dispunha”
Como saber que se sabe ou saber se conhece o que se sabe?
Durante sua jornada, o homem assimila inputs externos desde a sua concepção até a sua
morte. Estruturar uma maneira de entender o que se passa ao seu redor faz parte do
processo de entendimento do seu papel no mundo, até como expectador, a visão do que
ocorre ao seu redor é pessoal e intransferível.
Neste capítulo Geràrd Fourez apresenta um método dialético que permite a
contraposição salutar a um determinado evento observado por outrem, resultando deste
embate o que pode ser chamado de avaliação sintática do evento, contrabalanceando o
fato observado, as idéias sobre o fato , o ponto de vista de tal fato, uma oposição ao fato
e as justificativas a esta oposição, aceitando pontos advindos das duas partes do embate.
Assim, o método dialético, permite apresentar uma tese sobre o observado, e como a
observação é intrínseca ao indivíduo, ‘o outro’ pode refutar esta ideia de maneira a cria
uma antítese com suas determinadas justificativas sobre o novo ponto de vista, e que
resulta na conclusão que coleta pontos de ambos os lados para estabelecerem uma
síntese.
A cada situação em que uma ideia possa ser discutida, uma tese é proposta, uma antítese
é possível, e uma síntese com o entendimento mais próximo do sabido é apresentada...
Então surge neste contexto da busca por um entendimento do que é ou não possível de
se compreender, uma organização para estudo do que ocorre na realidade: O modelo
científico.
O modelo científico pode ser esquematizado, de maneira sucinta a :

A observação de um fato, algo que no momento tem sua existência indiscutível, requer
a demonstração de provas para uma conclusão de como ocorre, mas essa colheita de
provas segue aquela linha do projeto que já existe na mente do observador, o que torna
impossível a descrição pura do fato em si.
Definições cientificas são resultado de um processo interpretativo teórico e tem por
finalidade nos dar “objetos científicos padronizados”.
Para apresentar a rotina da dialética, alguns termos foram atribuídos ao momento em
que se encontram, a ´Tese´ de Claude Bernard , é a retratação de um estudo efetuado
pelo mesmo em que apresenta de forma estruturada , a ideia de seu estudo, e o método
científico aplicado. Tem-se então uma representação da realidade com algum
subterfúgio de justificativa.
Há também a questão de que o objeto não tem valor absoluto, seu valor é social, pois o
observador precisará possuir conhecimento sobre aquilo que observa, ele precisará do
arcabouço linguístico para ser informado, compartilhado e dessa forma é relativizado na
proporção que dado culturalmente.
Na esteira da impossibilidade de ocorrer observação pura e primária, o autor afirma que
o sujeito que observa influencia a sua interpretação como que ele tem de particular e
individual, tratando-se de uma observação subjetiva. Mas para a ciência a subjetividade
de um indivíduo não produz observação cientifica. A ciência veicula uma ética do
ocultamento ou dos apagamentos do sujeito individual empírico. O termo sujeito refere-
se então ao conjunto das atividades estruturantes necessárias à observação, ditadas pela
cultura na qual se deu aquela a observação, pois se torna objetiva quando o observador
compartilha elementos subjetivos de toda a comunidade (sujeito transcendente). Além
desse aspecto, o cientista necessita do aval de seus colegas da comunidade cientifica, a
fim de ter sua observação cientifica balizada como “real”.
“Real” seria a qualidade daquilo que é observado pelo sujeito transcendente ou
cientifico.
As provas são moldadas conforme validem as “leis ou teorias cientificas, aceitas
enquanto satisfaz ao nosso projeto.
O autor propõe “novas” características da observação cientifica quando propõe a
revolução copernicana, ou seja, que se declare que “a observação é antes de mais nada
uma construção do sujeito, e não a descoberta de que alguma coisa estará lá
independentemente do sujeito observante”, pois as observações e descobertas são
moldadas no que a comunidade requer, necessita, e só valerá enquanto atender esses
requisitos.
O observar , interpretando a realidade , dá novas conotações ao que se interpreta como
fato. O fato é um modo de interpretar um evento, e para que este esteja de acordo como
o que é imaginado, pode-se alterar as regras do modo de observação a fim de
contemplar o que o observador imagina.
Fourez, a partir do método dialético, relativiza o conceito de fato e objetividade. Dando,
dessa forma, um caráter mais subjetivo da ciência à medida que esta depende do modelo
cultural em que está inserida.

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