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PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DO PARANÁ

COMARCA DE CRUZEIRO DO OESTE


VARA DA FAZENDA PÚBLICA DE CRUZEIRO DO OESTE - PROJUDI
Avenida Brasil, 4156 - Praça Agenor Bortolon - Centro - Cruzeiro do Oeste/PR - CEP: 87.400-000 -
Fone: 4436768550

Autos nº. 0006942-63.2018.8.16.0077

Processo: 0006942-63.2018.8.16.0077
Classe Processual: Exibição de Documento ou Coisa
Assunto Principal: Aposentadoria Especial (Art. 57/8)
Valor da Causa: R$2.000,00
Autor(s): HELENA RODRIGUES RUIZ
Réu(s): Município de Tuneiras do Oeste/PR

SENTENÇA

1. RELATÓRIO

Trata-se de pedido de exibição de documentos promovido por Helena Rodrigues Ruiz


contra Município de Tuneiras do Oeste, todos devidamente qualificados.

Alega a parta autora, em síntese que objetiva ingressar com Processo Administrativo de
aposentadoria especial perante o INSS e para tanto, requereu à Requerida os documentos de
Perfil Profissiográfico Previdenciário e Laudo Técnico das Condições Ambientais do Trabalho.

Entretanto, o Município Réu repassou para a Autora apenas o PPP (Perfil Profissiográfico
Previdenciário), contudo, sem as devidas especificações dos agentes químicos, físicos e
biológicos presentes no local de trabalho, tendo ainda sonegado informações com relação a
função exercida.

Informa que ingressou no município em 01.03.1986 tendo laborado no primeiro contrato


até 15.12.1986 e posteriormente, reingressou em 15.02.1987 laborando até o presente
momento, contudo, o PPP apresentado é apelas posterior a 15.05.1996.

Requereu ao final a notificação da requerida para apresentação de cópias das Portarias


que concederam as licenças prêmios, bem como da Ficha Financeira completa, após julho de
1994, o PPP e LTCAT completo dos dois contratos de trabalho na íntegra com a real função
desenvolvida, a certidão de tempo de serviço do Regime Próprio com o devido reconhecimento
da função exercida com o reconhecimento da insalubridade, ficha de registro de empregado dos
dois contratos de trabalho dos períodos de 01/03/1986 a 15/12/1986 e de 15/02/1987 até a
presente data.

O Requerido apresentou contestação no ev. 12.1 alegando preliminarmente a


inadequação da via eleita, falta de interesse de agir e incompetência do Juízo. No mérito,
rebateu as alegações da Requerente.

Impugnação no ev. 15.1.

Especificação de provas nos eventos 21.1 e 22.1.

Os autos vieram conclusos.


É o relatório. Decido.

2. FUNDAMENTAÇÃO

No caso em apreço, atribuiu a parte autora à demanda, proposta já sob a égide da nova
sistemática processual civil, inaugurada pela Lei 13.105/2015, o "nomen juris" de "medida
cautelar de exibição de documento".

Como sabido, o Novo Código de Processo Civil suprimiu o Livro III do CPC/1973 (Do
Processo Cautelar) e, por conseguinte, extinguiu as tutelas cautelares nominadas, entre elas, a
cautelar de exibição de documentos, passando a prever, em seu artigo 294, a possibilidade de
requerimento de tutela provisória de urgência, cautelar ou antecipada, em caráter antecedente
ou incidental.

Sobre o tema, Vicente de Paula Maciel Júnior ensina:

"Em verdade, o que ocorreu foi a extinção do Livro III do processo cautelar existente no
CPC/73 e a consequente fusão do tratamento das tutelas de urgência em um livro próprio, na
chamada Parte Geral do NCPC e fora do processo de conhecimento e de execução, que estão na
Parte Especial do mesmo. O que se infere de plano desse posicionamento é que o livro dedicado
às tutelas antecipadas se aplica de modo geral, podendo em tese ser aproveitado como fonte
para demais livros toda vez que houver necessidade de utilização das tutelas antecipadas"
(Novas tendências do processo civil, p. 310).

Desse modo, incabível a resolução do pedido como se fosse um processo cautelar


autônomo, de acordo com entendimento consolidado, a exibição de documentos é cabível,
somente, em caso de produção antecipada de provas ou tutela cautelar antecedente.
Estar-se-ia este juízo um error in procedendo ao resolver o pedido como se fosse um processo
cautelar autônomo.

Alegada a inadequação da via eleita pela parte Requerida em sede contestatória, a


Autora limitou-se a asseverar o cabimento da ação autônoma de exibição de documentos,
afirmando que o presente feito não se trata de produção antecipada de provas.

Além disso, não comprova nos autos o requerimento administrativo dos documentos ora
pleiteados, bem como, não comprovou a resistência da parte Requerida em apresentar a
documentação que julga necessária.

Nestes moldes, a extinção do feito é medida que se impõe.

3. DISPOSITIVO

Ante o exposto, JULGO EXTINTO o processo sem exame do mérito, com fulcro no artigo
485, VI, do NCPC.
Condeno a autora a pagar as custas processuais e honorários advocatícios, os quais fixo
em 10% (dez por cento) sobre o valor da condenação, nos termos do art. 85 do CPC, bem
sopesados o grau de zelo do profissional, o lugar de prestação do serviço, a natureza e a
importância da causa, o trabalho realizado pelo advogado e o tempo exigido para o seu serviço.

Publique-se. Registre-se. Intimem-se.

Transitada em julgado, após as cautelas de estilo, arquivem-se os presentes autos.

Cruzeiro do Oeste, datado digitalmente.

Christian Reny Gonçalves

Juiz de Direito

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