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Sistemas Agroflorestais

Elaine Cristina Teixeira


Agropecuária Moderna
• As plantas cultivadas e os animais criados passaram por
modificações genéticas que permitiram sua adaptação a
diferentes ambientes, sem perdas drásticas de produtividade.

• Aumentou-se a diversidade de produtos obtidos por meio da


atividade agrícola.

• Avanço do conhecimento sobre o funcionamento dos


diferentes sistemas que compõem e sustentam a vida na
Terra (desenvolvimento de técnicas)
2
Fonte: Global Agribussines Fórum (2016)
Disponível em: https://www.embrapa.br/busca-de-noticias/-/noticia/14129990/ministro-da-agricultura-destaca-dados-da-embrapa-na-abertura-
do-gaf-2016 3
Contextualização
• Apesar de uma prática antiga e largamente adotada em várias partes do mundo SAF →
recentemente ganharam realce como alternativa de tecnologia para o meio rural.

• S.A.F.s → Inserido em um conjunto de técnicas consideradas adequadas para fazer frente


a demandas produtivas e ambientais.

• BR: sistemas agroflorestais → alternativa sustentável de exploração de recursos naturais.

• Capacidade de diversificar e incrementar em quantidade e qualidade a oferta de produtos


agrícolas, florestais e animais → garantir estabilidade ecológica e a viabilidade
socioeconômica do processo produtivo.
Contextualização

• As características multifacetadas dos SAFs → Efetividade e potencialidades:


• Conceituação e fundamentação básica que dão suporte e limites ao processo produtivo.

• Atributos comuns dos sistemas culturais e ampliar a escala de adotabilidade.

• Alinhamento conceitual e metodológico


➢ Importante para caracterização, a análise e interpretação do desempenho dos
cultivos agroflorestais , bem como uso inadequado da nomenclatura.
Introdução

Zona de maior concentração e diversidade de SAFs no mundo


• Definição de Sistema Agroflorestal mais aceita em todo o mundo é a proposta e
adotada pelo ICRAF – International Centre for Research in Agroforestry – e
abrange de modo amplo as mais diferentes e possíveis combinações.
• “Sistema agroflorestal é o nome coletivo para sistemas de uso da terra e tecnologias em que
plantas lenhosas perenes (árvores, arbustos, palmeiras, bambus etc.) são deliberadamente
usadas na mesma unidade de manejo de culturas agrícolas e/ou animais, ambas na forma de
arranjos especiais ou sequências temporais. Nos sistemas agroflorestais existem ambas as
interações ecológicas e econômicas entre os diferentes componentes.” (Nair, 1984).
Introdução
• Prática de cultivar a terra com associação de múltiplas espécies em uma mesma
área, com interação entre árvores e outras plantas remota de tempos pretéritos →
primórdios da agricultura.

• Modelos seculares de exploração de produtos agrícolas e florestais associados,


disseminados na maior parte dos solos agricultáveis no mundo → em particular
zonas tropicais onde se encontra a maior quantidade e variedades de SAFs.

• Palinologia → registro de pólen de arvores e plantas cultivadas → existência da


prática há pelo menos .1300 anos.
Histórico
• Final do séc. 19 (1886) → cultivo comercial de Teca (Tectona grandis) em algumas possessões
inglesas (região da Birmânia).
• Denominação for-agri-for ou agri-silvicultural plantation → designar aquele tipo de combinação.

• Embora a associação de árvores e outras plantas seja uma atividade reconhecidamente antiga e
amplamente difundida em diversos povos somente na déc. de 50 (Costa Rica) surgiram as
primeiras tentativas de caracterizar e definir essas formas de combinadas de produção. (Borel,
1997).

• Entre as déc. 70 e 80 → denominação agrossilvicultura ou sistema agroflorestal embasada em


resultados de experimentação em condições de campo.

• Atividade multicultural → ganha espaço no plano mundial como um conjunto de técnicas e


manejo dos solos potencialmente capaz de favorecer o desenvolvimento rural.
Histórico
• Desse quadro evolutivo → desprende-se a denominação e efetiva o interesse
científico pelos sistemas agroflorestais.
• Tentativa de imitar o que acontece nas florestas naturais de perfil estratificado e diversificado
onde as espécies interagem e ocupam espaços determinados espaços (horizontal e
verticalmente).

• A atividade agroflorestal tem sido cada vez mais divulgada no mundo atual como
fator de importância socioambiental para oferta de bens e serviços em base a
princípios equilibrados de produção.
• 1,2 bilhões de pessoas ~24% população mundial, nos países em desenvolvimento dependem
diretamente de produtos e serviços agroflorestais (tanto no meio rural e urbano).
Histórico
• Acirramento das questões ambientais e com a demanda crescente por
sistemas produtivos equilibrados e sustentáveis para o mundo rural →
sistemas agroflorestais obtiveram grande visibilidade.
• De forma reducionista e negligenciando a importante perspectiva de produção e
rentabilidade econômica (Silva, 2011).

• Evolução das questões ambientais → participação fundamental no avanço


das atividades agroflorestais na atualidade.
• Ajuda a compreender as articulações e diversas possibilidades.
Histórico
• Intensificação de pesquisas de campo agroflorestal (em particular no países
tropicais) contemplando um leque cada vez maior de abordagens e
especializações científicas → reforça e aumenta a substância técnica
necessária ao avanço tecnológico da atividade.

• Aponta para uma perspectiva de conciliar ganho econômico com promoção


de bem-estar social e meio ambiente.

• Pesquisa agroflorestal → espaço promissor para o desenvolvimento


científico em várias partes do mundo.
Histórico
• No passado → sistemas agroflorestais embasados em sistemas empíricos
representado por um conjunto de práticas e supostos benefícios decorrentes.

• Atualmente → sistemas agroflorestais com o aporte de novos


conhecimentos está consolidado como base para uma nova ciência.
• Na medida que mais conhecimento científico são gerados pelos mundo, com base
teórica e aplicada, mais o status de ciência para os SAFs se consolida.
• Acumulação de conhecimentos gerados e adquiridos;
• Universalidade e objetividade desses conhecimentos,
• Estruturação dos conhecimentos com o uso do método, teorias e linguagem própria.
Brasil
• Nas ultimas décadas → Posição de destaque em relação a América do Sul.
• Decorrentes de fatores: políticos, técnicos e sociais = ampliação do usos de sistemas agroflorestais e geração de
conhecimento técnico-científico em praticamente todo o território.

• Tradição em SAFs → com cultivos comerciais de sucesso.


• Ex.: Cacaueiro (Theobroma cacao) sombreado. Lavouras iniciais séc. XVII, baseada em consórcios com diversas
espécies arbóreas e não arbóreas para sombreamento. (Almeida et al. 2010.) muitas vezes para oportunizar a oferta
complementar de mais produtos por unidade de área.
• Nessa condição agroflorestal a cacauicultura → contribuição significativa para a economia nacional (desenvolvimento
socioeconômica das regiões N, NE e SO do país)

• Destaque também pelo cenário rural brasileiro → significado sociocultural e ambiental, a presença
biodiversificada e multiestratificada dos quintais agroflorestais e todo o legado dos cultivos mistos
indígenas que incorporam e preservam significantes saberes tradicionais das regiões onde estão presentes.
• Características biogeográficas do país (8.511.965 km2) → variações
agroecológicas regionais favoráveis e diversificação cultural.

• Uso dos sistemas agroflorestais no BR bastante heterogêneo segundo:


• Diferenças regionais,

• Escala de adotabilidade,

• Composição,

• Modalidades dos sistemas praticados,

• Padrão de tecnificação.
• Região Norte detém grande concentração e diversidade de SAFs em duas situações distintas

1. estabelecidos e manejados com base em conhecimentos populares socialmente importantes,


porém com baixo nível de tecnificação.
• Estabelecidos na forma de quintais ou roças policulturais,
• Elevado nível de diversificação em espécies,
• Se prestam a atender a demanda de autoconsumo.

2. Cultivos com elevados padrão tecnológico para atendimento de consumo nacional e


internacional.
• Dessa região se origina a maior parte dos trabalhos publicados pelos SAFs (85% dos trabalhos publicados) .
• Os outros 15% → regiões Sudeste, Nordeste, Sul e Centro-oeste (reflete também a quantidade de práticas
agroflorestais nessas regiões)
Cultivos agroflorestais identificados nos biomas brasileiros
• Predominam-se as atividades silviagrícolas (integração lavoura-floresta) → encontramos modelos de
cultivo de subsistência até os c/ altos níveis tecnológicos (p/ os mercados internos e/ou internacional)

• Sistemas de cultivos mistos → c/ espécies com reconhecido valor de mercado ou “espécies âncoras” .
• Ex.: Cacaueira e Seringueira (Havea brasiliensis) – Amazônia, Bahia e Espírito Santo;
Erva-mate (Ilex paraguariensis) – Região Sul
Cafeeira (Coffea arábica) – Sul, Sudeste e extremo Norte do país.

• Desafio: mudança de uso de subsistência para processos produtivos mais tecnificados com potencial para
participar em diferentes escalas da economia de mercado possibilitada pelo SAF. → mudança de postura
para desenvolvimento e aperfeiçoamento dessas tecnologias, de maneira que sejam atrativas e capazes de
promover sustentação socioeconômica e ambiental, evitando ou minimizando situações de degradação,
exploração inapropriada do ambiente, manutenção da pobreza e êxodo rural. (Silva, 2011.)
Cultivos agroflorestais identificados nos biomas brasileiros

• Regiões Sul e Sudeste → sistemas silvipastoris (integração pecuária-floresta) com forte inclusão
de espécies arbóreas madeireiras.
• Destaques: eucalipto (Eucalyptus sp.), pinus (Pinus sp.), grevílea (Grevillea robusta) e canafístula
(Peltophorum dubium).

• São predominantemente mecanizados e adotados por médios e grandes produtores.

• Nas grandes propriedades → integração árvore-pastagem-animal ocorre, em geral, por conversão


de áreas anteriormente estabelecidas com povoamentos florestais puros e/ou criação de bovinos a
pleno sol.
• Sistemas silvipastoris de origem → caatinga e pecuária.

• Gado → principal fonte econômica, cabendo as árvores a função de prestadora de serviços


ambientais (sombreamento, controle de erosão, limitadora de ambiente).
• Reconhecimento das possibilidade utilitárias da tecnologia florestal no Brasil, cada vez
mais presente direta ou indiretamente em diretrizes públicas e privadas, tem evidenciado
a possibilidade do seu uso para diversas situações e condições, inclusive para
recuperação de áreas degradadas e diminuição do desmatamento, foco esse priorizado na
políticas governamentais e empresariais de fomento para a ampliação da base florestal
plantada em áreas de pequenos e médios agricultores.
• Objetivos dos programas de fomento florestal (Sul e Sudeste):
• Manutenção,
• Valoração,
• Expansão do patrimônio florestal em bases conservacionistas e responsabilidade social.
Ampliação do uso de diversas modalidades de SAFs

Social Ecológica
Fomento

SAFs

Florestal
Técnica Econômico

Adaptado de Silva (2013)


Teoria Geral de Sistemas (TGS) aplicado aso SAFs

• TGS → Conjunto de partes interdependentes, coordenadas para realizar


determinadas finalidades.

• Um todo organizado ou com uma combinação sistematizada de elementos


ou atributos inter-relacionados formando uma unidade complexa.

• SAFs → conjunto hierarquizado de componentes inter-relacionados


segundo um esquema lógico, funcionando como uma unidade.
• Atributos comuns: componentes e inter-relações entre eles, entradas, saídas e limites.
Atributos comuns nos SAFs componentes (e suas inter-relações), entradas, saídas e limites.

A. Componentes:  Bióticos (plantas e animais)

 Abióticos (clima, fisiografia, solo, material geológico)

B. Entradas → aportes químicos, físicos e biológicos

C. Saídas → colheitas e partes do sistema que o abandonam naturalmente)

D. limites → espaços físicos, conhecimento, etc.


Termos funcionais nos SAFs
• Espécies: as combinadas se relacionam por meio de variáveis ecofisiológicas e funcionais
• Integração é vital para a produtividade final do sistema.

• Interação: As espécies evidenciam comportamentos específicos dentro da combinação, definindo a forma


pela qual cada uma pode efetivamente interagir com as demais.

• Equilíbrio: Deve ser consequência da adequação quantitativa e qualitativa das espécies arbóreas e não
arbóreas entre si e com o ambiente.
• Equilíbrio dinâmico → crescimento e desenvolvimento das espécies associadas e o manejo relacionado com as
modificações ambientais decorrentes ao longo do tempo

• Estado estável: A estabilidade pode ser atingida a partir da interação positiva de fatores biológicos,
ecológicos e econômicos.
• Planejamento adequado, implantação correta e manutenção apropriada são condições
Enfoque sistêmico
• Determina mais ênfase na avaliação e manejo das interações entre os componentes e menos
ênfase em cada um deles, de maneira a ter o entendimento das relações entre a estrutura e as
funções dos sistemas.

• Orienta os procedimentos de condução e manejo dos cultivos, contribuindo fortemente para a


perspectiva de sustentabilidade dos mesmos.

• Elementos dos SAFs → pensados de forma contextualizadas, de relações, inter-relações e


encadeamentos dos processos, nos quais diferentes fatores são intimamente relacionados para
uma ou mais finalidade.
• A partir da concepção sistêmica → entendimento das relações interespecíficas que
ocorrem ao longo do tempo e os impactos do manejo praticado nos componentes
individualmente ou no sistema como um todo.

• SAFs → ecossistemas produtivos nos quais fatores bióticos e abióticos interagem


determinando sua capacidade funcional em termos do aporte de bens e serviços.

• Condição ecossistêmica da cultura agroflorestal, ressalta-se a condição da homogeneidade


que potencializa em relação ao funcionamento do conjunto → tendência a estabilidade ou
equilíbrio funcional. (ciclo próprio de matéria e fluxo de energia baseado na fotossíntese)
Diferenciação entre Agrossilvicultura e SAFs
• Prefixos agro e agri: origem greco-latina → cultivo da terra

• Agrossilvicultura: é a base científica que tratadas relações e inter-relações


nos SAFs sob o ponto de vista biológico, físico-químico, social, econômico e
ambiental, a partir de abordagens sistêmicas e perspectivas interdisciplinares.

• Sistemas Agroflorestais: é a prática da agrossilvicultura relativa as


atividades culturais de campo (plantio, condução, manejo, colheita e demais
fatores técnicos)
Perspectiva organizacional da tecnologia agroflorestal
*
A
R
SILVIAGRÍCOLA R
A
N
J
O
AGROSSILVICULTURA SILVIPASTORIL S
SISTEMA AGROFLORESTAL
D
E

C
AGROSSILVIPASTORIL A
M
P
O
* Escalonamento temporal
Conceitos importantes do esquema organizacional

• Relação de hierarquia estabelecida como padrão estruturante:


• Sequência ou possibilidades surgem a partir da organização de cultivo no terreno e da
escala de tempo em que estes ingressam no sistema para formar o conjunto
multicultural.

• Macroestrutura: totalidade das divisões ou organização e composição dos


cultivos agroflorestais.

• Microestrutura: distribuição espacial e temporal dos cultivos de campo.


Conceito e aspectos biológicos, ecológicos e
socioeconômicos relevantes dos SAFs

• SAFs: É o conjunto de técnicas que combina intencionalmente, em uma


mesma unidade de área, espécies florestais (árvores, palmeiras,
bambuzeiros) com cultivos agrícolas, com ou sem a presença de animais,
para ofertar bens e serviços em bases sustentáveis a partir das interações
estabelecidas.
Para ser SAF tem que atender as seguintes condições:
a) Fator intencionalidade: intervenção humana no processo, diferenciando dos bosques naturais;

b) Ao menos uma das espécies intercultivadas deve ser arbórea ou de estrutura e porte semelhante;

c) Ao menos uma das espécies combinadas deve ser cultivada dentro de preceitos convencionais das ciências agrárias
para culturas agrícolas, florestais ou trabalho com os animais.
❖ MANEJO: condição essencial para obter e otimizar resultados biológicos, econômicos e ecológicos.

d) A combinação de cultivos ou entre cultivos e animais deve ocorrer em uma mesma unidade de área, de tal modo,
que a interação entre as espécies combinadas se façam presentes;

e) A integração dos sistemas pode ser de maneira simultânea ou escalonada no tempo;


❖ Atender exigência fisiológica das espécies em razão de sua classe ecológica (pioneira, secundária, clímax).
❖ Cultivos excludentes (que não interagem entre si não entram dos SAFs
❖ SAFs temporários → cultivos florestais e agrícolas acontecem em tempos restritos (reflorestamento: aproveitamento da área enquanto o
componente arbóreo cresce e se desenvolve, após o excesso de sombreamento perde-se a condição de cultivo agrícola intercalado.

f) A combinação resultante ajustada para ofertar bens e/ou serviços de maneira sustentável.
Premissa Biológica, Econômica e Ecológica
• Premissa Biológica: As espécies presentes no sistema podem ser manejadas segundo princípios das
ciências agrárias (agricultura, silvicultura e zootecnia), respeitando sua compatibilidade e exigências
ecofisiológicas.

• Premissa socioeconômica: ao possibilitar a oferta de multiprodutos, as combinações agroflorestais


potencializam maior segurança e estabilidade contra efeitos adversos de mercado, bem como para
autoconsumo dos produtores.

• Premissa ecológica: os consórcios agroflorestais, com a influência direta do componente arbóreo


contribuem para a conservação ambiental em particular para a manutenção da capacidade produtiva do solo.

❖A primeira premissa é fundamental para as demais! Prática culturais tecnicamente adequadas pelos
agricultores constitui uma condição indispensável para obtenção de bons resultados → influência direta na
confirmação das outras premissas.
Premissa Biológica, Econômica e Ecológica
• Efeito sinérgico → interações estabelecidas entre os componentes = sustentabilidade e incremento da
produtividade.

• SAFs são estruturados em 5 princípios básicos:

1. Produção múltipla;

2. Produção escalonada;

3. Produção sustentada;

4. Uso otimizado dos recursos disponíveis;

5. Alcançar objetivos de produção e renda com o uso mínimo de recursos (“ecoeficiência”).


➢ Capacidade de um sistema produtivo para produzir mais e melhor em sintonia com a conservação dos recursos disponíveis.
➢ Processos produtivos menos dependentes dos insumos externos, menos impactantes e mais sustentáveis.
➢ Agrossistemas atuais devem ser capazes tanto de produzir em qualidade e em quantidade, quanto de conservar recursos naturais.
Agrossilvicultura social
• Agrossilvicultura social (ou socioambiental) → designar SAFs em comunidades rurais
ao entorno de áreas protegidas ou zonas de amortecimento (ao entorno de unidades de conservação,
sujeitas a normas e restrições específicas com o propósito de minimizar impactos negativos sobre áreas protegidas (SNUC lei 9985/2000).

• Conceituação restrita, mas com grande potencial de adoção face ao apelo que áreas de
amortecimento tem tido nos últimos anos.

• Pressupostos → incorporação de forma integral , de sentidos biofísicos, social,


econômicos e culturais, considerando as condições e as variações locais de ambientes de
produção.
• Objetivo social: minimizar (solucionar) conflitos decorrentes do uso de terras entre as comunidades
locais e dispositivos que regem áreas protegidas.
Aspectos Biológicos
• Combinações possíveis e potenciais entre as espécies vegetais e animais.

• Relação entre os componentes: relação ao crescimento e desenvolvimento


podem alterar, causando efeitos adversos no sistema como competição por
água, alelopatia ou doenças

• O mais relevante dentro do SAF é a árvore → ela quem determina as


principais influências entre os componentes e no próprio sistema como um
todo.
• Inadequação do uso da espécie arbórea em relação à escolha, espacialização e
densidade pode comprometer o desenvolvimento e a permanência do sistema.
Relações e interrelações entre espécies florestais e cultivos agrícolas

A. Competitiva: incremento da produção de um componente resulta no decréscimo da produção do outro.


➢ só há prejuízo pleno quando houver inibição produtiva dos componentes associados

B. Complementar: incremento da produção de uma espécie resulta em correspondente incremento na


produção de outra.
➢ Ex.: produção e deposição de biomassa arbórea no solo = aumento m.o.

C. Suplementar: a produção de um componente é incrementada sem incremento ou decréscimo da outra


espécie.
➢ Larga espacialização → redução do potencial da competição.

❖A predominância de uma dessas relações depende de vários fatores: genótipo da espécie florestal,
compatibilidade entre as espécies combinadas, quantidade de espécie por unidade de área, arranjo no
campo e do espaçamento adotado (fatores de crescimento e desenvolvimento no ambiente e manejo).
Componente arbóreo
• Em geral, que permanece mais tempo no sistema, exibe maior porte e
desencadeia as mais significativas interações e influências no cultivo.

• Sua escolha deve merecer atenção especial, pois uma definição equivocada
pode significar o insucesso da atividade.
Melhoria da estrutura do solo, produzindo maior
quantidade de agregados estáveis evitando e
endurecimento da superfície do terreno;

Benefícios Favorecimento a drenagem e redução do


alcançados potencial de encharcamento;

pela presença
de árvores no Promoção de diversidade biológica ao
proporcionar alimento e abrigo para fauna, em
particular para aves (poleiro ecológico)
ambiente
Oferta de produtos de importância para
autoconsumo e venda (madeira, lenha,
medicinais, óleos, frutos, resina)
Promoção de diversidade
biológica ao proporcionar
alimento e abrigo para fauna,
em particular para aves
(poleiro ecológico)
• Incremento da ciclagem de
nutrientes pela produção e
deposição de biomassa no solo,
disponibilizando também para o
horizonte superficial nutrientes
das camadas inferiores do solo
pela ação das raízes;
Malefícios pela presença de árvores no ambiente

• Competição por luz, nutrientes e espaço físico, tanto abaixo como acima do
solo, produção de substâncias alelopáticas e aumento da acidez do solo, além
dos potenciais danos aos cultivos associados durante a colheita de produtos
florestais.

• Porém com adequado arranjo espacial entre os cultivos, com densidades e


manejo apropriados, pode neutralizar a maior parte das desvantagens
apontadas.
Considerando os objetivos dos consórcios, as espécies arbóreas potenciais
devem apresentar as seguintes características:

• Compatibilização com os cultivos associados;

• Crescimento rápido ou mediano;

• Adaptação ao ambiente onde o cultivo for estabelecido;

• Boa produção de biomassa e derrama natural (ramos, folhas e outros


resíduos);

• Contribuir para o melhoramento do solo;

• Capacidade para produzir bens e serviços.


Biologia e ecologia das espécies: refere-se as exigências
ecofisiológicas individuais das espécies que devem ser
atendidas sem que prejudiquem o conjunto;

Integração entre espécies e ambientes de cultivo: deve


haver adequação das espécies as regiões agroecológicas,
Critério geral bem como ambiente particularizado de cultivo,
respeitando-se a classe de sucessão ecológica das plantas;
para seleção
Arranjo espacial em relação às espécies: espacialização das
das espécies espécies desse ser feita de maneira que as necessidades
lumínicas individuais possam ser satisfeitas;

Tradição cultural e o saber dos agricultores: as espécies


devem ser escolhidas em sintonia com o contexto
sociocultural do local de plantio, respeitando-se o saber, o
interesse e a necessidade dos agricultores.
Árvores de uso múltiplo (AUM)
• Cultivada e manejada com o propósito de oferecer mais de um produto ou função, de
maneira a otimizar o uso e recursos → espécies lenhosas perenes que apresentem essas
qualificações
• Cada vez maior a busca por espécies que possibilitem mais de uma utilidade na mesma
área → aumento da produção e da rentabilidade
• AUM em SAF de maneira que sua presença favoreça resultados positivos em termos
biológicos, econômicos e ecológicos.
• São desejadas pela qualidade dos produtos ofertados, assim como pelos serviços
ambientais que potencializam e representam, por estas características, uma oportunidade
a mais para incrementar a atividade agroflorestal.
Ciclagem de nutrientes
• Aporte da atmosfera em forma de elementos solubilizados na água da chuva;

• Absorção dos elementos pela planta (raízes e folhas);

• Retorno dos elementos para o solo na forma sólida (deposição de fitomassa)


e líquida (escorrimento da copa, galhos e caule);

• Deslocamento dos elementos para o solo na forma solúvel no solo;

• Lixiviação dos elementos para o lençol freático ou perda por volatilização.


• De maneira geral, a perda de nutrientes nos SAFs é pequena.
ADUBAÇÃO VERDE

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Planejamento da
estratificação vegetal:

• Cada espécie ocupa um estrato,


equivalente a um andar na vegetação,
que refere-se à sua altura em relação às
outras plantas e necessidades que a
espécie tem de receber luz do sol
quando adulta.

• Quando diferentes espécies de


diferentes estratos são combinadas,
otimiza-se a ocupação do espaço e
permite-se o melhor aproveitamento
Nesse processo, diferentes
conjuntos de espécies se
sucedem ao longo do tempo.

As espécies surgem, se
desenvolvem, se estabelecem,
se reproduzem e morrem,
transformando o ambiente
para as próximas espécies
que as sucederão.
Tratos culturais e manejo nos SAFs

• Manejo adequado: consiste em reconhecer as áreas para o plantios, onde


será possível introduzir novas espécies a partir da sucessão natural;

• Remover plantas doentes;

• Retirar galhos envelhecidos;

• Podar árvores que estejam fazendo muita sombra para outras espécies;

• Com o intuito de renová-las;


• Poda de drástica: feita em
ultimo caso.
• Retira-se mais de um terço
da copa
• Recuperação de doença ou
rejuvenescimento

• Poda de limpeza: feita após


• Capina seletiva: feita antes
a frutificação, com a
do tempo de plantio.
retirada dos galhos
• Cortadas plantas invasoras
envelhecidos ou quebrados.
indesejáveis abrindo espaço
• Usada também para entrada
para o plantio
de luz na área de cultivo
(raleamento).
• Sulcos e/ou contenções: • Colheita: respeitando as
são valas abertas no solo, características e ciclos da
que são preenchidas com cultura.
palha, galhos ou folhas • Deve constar no planejamento.
secas. Colheita com menor esforço
• Função: retenção água no possível, conservação e
solo, evitando a formação armazenamento.
do processo erosivo.
• Podas,
• Capinas,
• Roçadas,
• Desbastes,
• Colheita,
• Fertilização e
• Preparo do solo

Os tratamentos
silviculturais
São ferramentas usadas para
manter, acelerar ou retardar os
Objetivos estádios de sucessão, de acordo
com objetivos estabelecidos.
dos
tratamentos Por vezes, o interesse é avançar os estádios
da sucessão, como no plantio de mudas de
silviculturais árvores e no controle da competição com
gramíneas em áreas abertas, ou atrasar,
como na colheita, no desbaste ou na
introdução de espécies forrageiras ou
agrícolas anuais, em florestas primárias ou
secundárias.
Cortes de árvores efetuados em uma floresta

➢ Retrocedem a sucessão a diferentes estádios

• Raso: podem retroceder até ao estádio inicial, formação de uma grande clareira.

• Melhoramento: seleção de indivíduos.

• Comerciais: venda de madeireira


Bases para avaliação dos SAFs
• Abordado por diferentes ponto de vista dependendo do objetivo:

➢Natureza biológica
➢Ecológica
➢Sócio Econômica

➢Produtividade → Objetivo de produção por unidade de fator;


➢Sustentabilidade→ manter-se em equilíbrio dinâmico ao longo do tempo;
➢Adotabilidade do sistema → potencial de ser facilmente compreendido e adotado.
SUSTENTABILIDADE

● DICIONÁRIO-→é um termo derivado de sustentável que, por sua vez,


é proveniente do latim “sustentare”, que tem o significado de apoiar,
conservar, sustentar.

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Sustentabilidade

• Manter ou incrementar produção;

• Bem estar social;

• Adequação biológica do sistema:

• Escolha das espécies.

• Compatibilidade.

• Sustentabilidade é ser
ambientalmente correto,
economicamente viável e socialmente
justo.
PRODUTIVIDADE

Capacidade de Produzir

Desempenho biológico Desempenho Econômico Desempenho Ecológico

Quantidade Ativos ambientais


Biomassa de produzida (diversidade)
interesse X
Capital investido

Produto (Qp) Renda (Um) Serviços (Qs)

*Qp=Quantidade de produto Contexto Funcional


Um= Unidade monetária
Qs = Quantidade de serviço ambiental
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65
SSP
• Planejado: projetado e estabelecido com o propósito desde o início, a combinação
de árvores + elementos da pecuária.

• Convertido: originado a partir de uma atividade anterior exclusiva de


reflorestamento ou pecuária exclusiva, e posteriormente modificada.

• Espontâneo: associação de plantas nativas e pastos provenientes de regeneração


natural

• *Pagamento por serviço ambiental


Sistema CBL

(caatinga-buffel-leucena)

● Utilizando a vegetação da
caatinga (C), no período de 2 a 4
meses de maior oferta quantitativa
e qualitativa de forragem,
associada a uma área de capim-
Buffel (B), com piquetes
contíguos de uma leguminosa
arbustiva (L).

● A leucena, tem sido a leguminosa


recomendada, embora outras
espécies possam ser também
utilizadas.
• Cerrado Norte-mineiro
DIVERSIFICAR

71
Considerações Finais

● Ser sustentável é um dos pilares das novas bases da competitividade, uma


realidade necessária para sobreviver no mercado.

● A alta eficiência de uma produtividade sustentável é uma necessidade para se


buscar a harmonia com a natureza.

● Assim como, as discussões, debates e a obediência definitiva em torno de


um código ambiental inteligente e racional.

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Considerações Finais
• Os SAFs combatem à desertificação;

• Conservação do solo;

• Restauração da fertilidade e estrutura do solo;

• Sombra e criação de microclimas;

• Aumento de produtividade animal por bem-estar (sombra) e qualidade nutricional das pastagens;

• Corredores ecológicos;

• Favorece a biodiversidade de forma geral, incluindo a disponibilidade de agentes polinizadores;