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INSTITUTO SUPERIOR DE CONTABILIDADE E ADMINISTRAÇÃO DE LISBOA

Contabilidade Financeira Intermédia


Exame Recurso – 10 de Fevereiro de 2011
Duração: 1 H e 30 Minutos (mais 30 minutos de tolerância)

É permitida a consulta das IFRS (IFRS, IFRIC, IAS e SIC), das NCRF do SNC da CNC e, ainda, de
outra legislação, desde que não anotada. Durante a prova não são esclarecidas dúvidas.

I (12 valores)

Considere os seguintes demonstrativos financeiros da Empresa Alfa, Lda relativamente aos anos N e N-1:
(valores em euros)

1
Após se ter elaborado os demonstrativos financeiros acima, concluiu-se que, afinal, relativamente ao ano N:

a) A incorporação de Reservas no Capital foi de facto de 45.000, mas os sócios contribuiram com 60.000 em
dinheiro para aumentar o Capital, e não com 45.000;

b) Por omissão não se contabilizou uma Provisão para Outros Riscos e Encargos no montante de 75.000:

c) As Depreciações do exercício são 33.000 e não 27.000;

d) O aumento de Acréscimos de Gastos foi de 9.000 e não de 6.000;

e) O aumento de Rendimentos Diferidos foi de 21.000 e não de 18.000;

f) A Taxa de IRC a considerar é de 32,25% e não de 29%;

g) Todas as demais rúbricas estão correctas nos demonstrativos financeiros dados.

Pretende-se:

1 – Proceda às correcções necessárias no conjunto completo de demonstrativos financeiros dados, tendo


em conta as alterações assinaladas nas alíneas a) a g). (10 V.)

Resposta:

2
2- Muito sucintamente referencie as principais alterações na IAS 1 (2007/2008) ainda não introduzidas na
NCRF 1 e o que se encontra previsto para o futuro. (1 V.)

Resposta:

A revisão da IAS 1 em 2007 foi o término da Fase A de revisão desta norma: Introduziu os conceitos de “Comprehensive
Income” e de “Other Comprehensive Income”; definiu o que deve ser integrado e não integrado nestes conceitos;
alterou as designações dos demonstrativos financeiros; alterou o conteúdo da Demonstração das Alterações do Capital
Próprio e da Demonstração de Resultados; alterou o conjunto completo de demonstrativos financeiros; apresentou
novos modelos de demonstrativos financeiros. Já foi produzido um Discussion Paper (2009) que prevê (trabalho das
Fases B e C) novas alterações na apresentação dos demonstrativos financeiros como, por exemplo, todos os
demonstrativos financeiros vão, à semelhança da actual DFC, ter que separar entre actividades operacionais, actividades
de investimento e actividades de financiamento. Vai ser exigida ainda, a partir de 2013, a apresentação de
demonstrativos financeiros reconciliados.

3 - Muito sucintamente referencie a aplicação do SNC ao conjunto das entidades que operam no território
nacional. (1 V.)

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NCRF aplicadas a todas as entidades que não possuem títulos negociáveis e que não consolidam contas e que não
aplicam a NCRF (PE); IFRS (UE) aplicadas a todas as entidades que possuem títulos negociáveis em bolsa e que
consolidam contas e ainda a entidades estrangeiras a operar no território nacional que já utilizam as IRS no seu país de
origem; NCRF (PE) para as entidades que não ultrapassem dois dos seguintes critérios: 50 trabalhalhores; volume de
vendas de 1 milhão de euros; activos de 500 mil euros.

Recentemente foram aprovadas as NCRF (ME) para as entidades (microentidades) que não ultrapassem os 500 mil euros
de balanço, e 500 mil euros de volume de negócios liquido e um total de 5 trabalhadores, e a NCRF para as organizações
não lucrativas, embora para ambos os casos ainda não tenha saído o decreto-lei que as regulamenta.

II (3 valores)

Considere os seguintes dados relativos à Empresa Beta, SA e ao ano N:

Venda de Mercadorias: 200.000 EI de Produtos em Vias de Fabrico: 8.000


EI de Mercadorias: 10.000 EF de Produtos em Vias de Fabrico: 9.000
EF de Mercadorias: 12.000 Mão-de-Obra (Directa) Fabril: 160.000
Compras de Mercadorias: 80.000 Gastos Gerais de Fabrico: 50.000
Vendas de Produtos Acabados: 900.000 Recuperação de Gastos Industriais: 5.000
EI de Produtos Acabados: 90.000 Gastos Administrativos: 30.000
EF de Produtos Acabados: 120.000 Gastos de Distribuição: 90.000
Compras de Matérias-Primas: 150.000 Ganho na Venda de um Segmento: 300.000
EI de Matérias-Primas: 30.000 Taxa de IRC: 20%
EF de Matérias-Primas: 40.000
Menos-Valia da Venda de AFT: 20.000 Número Médio Ponderado de Acções em
Prejuízo de Devido a Incêndio: 10.000 Circulação Durante o Ano: 10.000

1. Elabore a Demonstração de Resultados por Funções. (3 V.)

Resposta:

EIMERC. + COMP. MERC. – EFMERC. = CMERC. VENDIDAS

10.000 + 80.000 – 12.000 = 78.000

EIMP + COMPMP – EFMP = MPCONSUMIDAS

30.000 + 150.000 – 40.000 = 140.000

EIPVV+MPCONS. + MO (d) + GGF – EFPVV – REC. GASTOS IND.= CUSTO PRODUÇÃO

8.000 + 140.000 + 160.000 + 50.000 – 9.000 – 5.000 = 344.000

EIP, ACAB. + CUSTO PRODUÇÃO – EFP. ACAB. = CUSTO P. ACAB. VENDIDOS

90.000 + 344.000 – 120.000 = 314.000

CUSTO MERC. VENDIDAS + CUSTO P. ACAB. VENDIDOS = CUSTO DAS VENDAS

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78.000 + 314.000 = 392.000

VENDAS DE MERCADORIAS + VENDAS DE PROD. ACABADOS = VENDAS TOTAIS

200.000 + 900.000 = 1.100.000

DEMONSTRAÇÃO DOS RESULTADOS POR FUNÇÕES

Vendas de mercadorias e produtos acabados 1.100.000

Custo das vendas -392.000

Resultado bruto 708.000

Outros rendimentos/gastos operacionais:

Gastos de distribuição -90.000

Gastos administrativos -30.000

Resultado operacional 588.000

Outros rendimentos/gastos não operacionais:

Menos valias da venda de AFT -20.000

Prejuízo devido a incêndio -10.000

Resultado corrente 558.000

Imposto sobre o resultado corrente -111.600

Resultado corrente após imposto 446.400

Operação descontinuada 300.000

Imposto sobre operação descontinuada -60.000

Resultado líquido da operação descontinuada 240.000

Resultado líquido 686.400

Resultado por acção (básico)= RL/10.000 68,6

III (5 valores)

1. A Empresa Delta, SA aplica a IAS 2/NCRF 18 e valoriza os seus inventários no final do período de relato ao
mais baixo entre o custo e o valor realizável líquido. A empresa encerra contas em 31 de Dezembro de
cada ano. Em 31 de Dezembro de 2010, valorizou os seus inventários em 50.000.000 de euros. Em Janeiro
de 2011, nada vendeu dos seus inventários. Em 4 de Fevereiro, foi-lhe feita uma oferta por parte de um

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concorrente para aquisição da totalidade dos inventários por 30.000.000. Pressionada por falta de
tesouraria a empresa concordou com o preço oferecido. A data de autorização para emissão das contas
será a 15 de Fevereiro de 2011.

De acordo com a IAS 10/NCRF 24 como deve proceder? Justifique a resposta. (1 V.)

Resposta:

A ENTIDADE DEVE PROCEDER AO RESPECTIVO AJUSTAMENTO BAIXANDO O VALOR DOS INVENTÁRIOS PARA 30.000.000, PORQUANTO
A VENDA A UM PREÇO SUBSTANCIALMENTE MAIS BAIXO DO QUE O CUSTO NO PERÍODO APÓS A DATA DO BALANÇO, CONFIRMA O
SEU VALOR REALIZÁVEL LÍQUIDO NA DATA DO BALANÇO. TRATA-SE, POIS, DE UM EVENTO AJUSTÁVEL, HAVENDO LUGAR AO
RECONHECIMENTO DA PERDA POR IMPARIDADE, AINDA COM DATA DE 31/12/2010 NO VALOR DE 20.000.000.

2. Uma entidade, em 31/12/N-1, classificou um activo como “Não Corrente Detido para Venda”. Aquele
activo, em 31/12/N, permanecia ainda por vender, mas as condições de mercado para a sua venda
tinham-se deteriorado significativamente. A entidade, todavia, acreditava que as condições de mercado
iriam melhorar e não reduziu o preço de venda do activo, o qual continuava a estar classificado como
“Não Corrente Detido para Venda”. O Justo Valor do Activo era de 8 milhões de euros. O preço de venda
pedido pela entidade era de 9 milhões de euros.

De acordo com a IFRS 5/NCRF 8:

a) Podia o activo manter-se classificado como “Não Corrente Detido para Venda” em 31/12/N?
Justifique a resposta. (0,5 v.)
b) Referencie os critérios para que um activo possa ser classificado como “Activo Não Corrente Detido
para Venda”. (0,5 v.)

Resposta:

a) PORQUE O PREÇO PEDIDO É SUPERIOR AO JUSTO VALOR, O ACTIVO NÃO SE ENCONTRA DISPONÍVEL PARA VENDA IMEDIATA E NÃO
PODE SER CLASSIFICADO COMO “DETIDO PARA VENDA”.

b) O ACTIVO DEVE ESTAR DISPONÍVEL PARA VENDA IMEDIATA NA SUA CONDIÇÃO PRESENTE E A VENDA DEVE SER ALTAMENTE
PROVÁVEL; O ACTIVO DEVE ESTAR A SER ACTIVAMENTE COMERCIALIZADO POR UM PREÇO QUE SEJA RAZOÁVEL RELATIVAMENTE AO
JUSTO VALOR DE MERCADO; A VENDA DEVE ESTAR CONCLUÍDA, OU ESPERA-SE QUE ESTEJA, NO PRAZO DE UM ANO A PARTIR DA
DATA DA CLASSIFICAÇÃO COMO “DETIDO PARA VENDA”; AS ACÇÕES REQUERIDAS PARA COMPLETAR A VENDA PLANEADA JÁ DEVEM
TER SIDO INICIADAS, E É IMPROVÁVEL QUE O PLANO SEJA SIGNIFICATIVAMENTE ALTERADO OU RETIRADO; A ADMINISTRAÇÃO DA
ENTIDADE DEVE ESTAR COMPROMETIDA COM A VENDA E DEVE ACTIVAMENTE ESTAR A PROCURAR UM COMPRADOR.

3. Uma entidade, em 1 de Janeiro de 2009, adquiriu um equipamento por 12.000 euros. Este equipamento
possui uma via útil estimada de 10 anos e um valor residual de 2.000 euros. A entidade, durante os
exercícios de 2009 e de 2010, depreciou o equipamento de acordo com o método da soma dos dígitos, ou
seja, 1.818 euros em 2009 (10:55 x 10.000) e 1.636 euros em 2010 (9:55 x 10.000). A entidade, no início
de 2011, decidiu mudar para o método da linha recta, sem alterar a vida útil estimada ou o valor residual.

Como procedia de acordo com a IAS 8/NCRF 4? Justifique e apresente o novo valor de depreciação. (1 V.)

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Resposta:

A ENTIDADE NÃO DEVE FAZER QUALQUER LANÇAMENTO PARA REVER O PASSADO, NEM DEVE REVER OS DEMONSTRATIVOS
FINANCEIROS PARA EFEITOS DE COMPARAÇÃO. O QUE A ENTIDADE DEVE FAZER É ALTERAR O CÁLCULO DA DEPRECIAÇÃO DE FORMA
PROSPECTIVA (DE 2011 EM DIANTE) COMO SEGUE:

NOVA QUOTA DE DEPRECIAÇÃO ANUAL = [ ( 12.000 – 2.000) - 1.818 – 1.636 ) ] / (10 -2) = 818,25

4. Uma empresa obteve um Resultado Líquido de 160.000 euros no ano N. As acções em circulação em 1 de
Janeiro de N eram de 25.000 acções, em 1 de Julho adquiriu 5.000 acções próprias que vendeu em 1 de
Outubro do ano N. Existiam também 1.500 acções preferenciais emitidas ao par, com o valor nominal de
100 euros, as quais tinham direito a um dividendo preferencial cumulativo à taxa de 5%. Os detentores
das accões preferenciais podiam convertê-las em 3.000 acções ordinárias.

De acordo com a IAS 33,

a) Calcular o RPA Básico. (O,5 V.)


b) Calcular o RPA Diluído. (O,5 V.)

Resposta:

a) Numero médio ponderado das acções em circulação: [ ( 25.000 * 6 /12 ) + ( 20.000 * 3 /12 ) + ( 25.000 * 3 /12 ) ] = 23.750
RPA (BÁSICO) = (160.000 - 7.500) / 23.750 = 6,4210

b) RPA (DILUÍDO) = 160.000 / (23.750 + 3.000) = 5,9813

5. Diga quais as alterações já previstas para a nova estrutura conceptual do IASB – FASB. (1 V.)

Resposta:

A NOVA ESTRUTURA CONCEPTUAL FAZ PARTE DA AGENDA CONJUNTA FASB-IASB. ESTÁ A SER ELABORADA EM VÁRIAS FASES (A À H).
JÁ FORAM TERMINADAS AS FASES QUE TRATAM DOS OBJECTIVOS DA EC, DAS CARACTERÍSTICAS QUALITATIVAS DA INFORMAÇÃO
ÚTIL E RELATIVA À ENTIDADE QUE RELATA. A NOVA EC TRAZ MUDANÇAS NESTES DOMÍNIOS (ALUNO DEVE DESCREVER AS
MUDANÇAS, DESIGNADAMENTE AS NOVAS CARACTERÍSTICAS FUNDAMENTAIS E DE REFORÇO DAS FUNDAMENTAIS, OS NOVOS
OBJECTIVOS E A NOVA DEFINIÇÃO DE ENTIDADE QUE RELATA)