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MOMENTO HISTÓRICO

A febre puerperal acometa as mães e as crianças, no período do puerpério (pós parto). Entre 1652 e 1862
foram registrados 200 epidemias da doença. Neste períodos várias hipóteses foram criadas, como uma delas
que dizia que a causa era a supressão da hemorragia posterior ao parto (isso na verdade é um sintoma e não a
causa). Outra teoria dizia que a causa era o acúmulo de leite dentro do corpo da mulher, após o parto, pois a
autópsia dos cadáveres mostrava que muitos órgãos estavam cheios de um líquido branco (na verdade, não se
tratava de leite e sim pus). Outros pensavam que a doença era um distúrbio dos humores - descrito como uma
condição gástrico-biliosa. Também se atribuía a febre puerperal a fatores emocionais como medo, vergonha, etc.
Havia teorias de infuuncias terrestres, miasmas e cósmicas para o aparecimento desta patologia. A falta de
conhecimento e tecnologia no momento, era cenário propício para o aparecimento destas hipóteses. Neste
momento, Charles White, em um livro em 1773, atribuiu a febre puerperal às más condições de realização dos
partos na Inglaterra. Adotou medidas de limpeza, ar fresco e temperatura ambiente adequada, além de separar
as doentes das sãs. Depois que uma doente morresse ou se recuperasse, devia-se limpar o quarto, lavar cortnas
e roupas de cama, passar vinagre no chão e móveis, para purifcá-lo. Alexander Gordon, em 1795, sugeriu que
os médicos e enfermeiras transferiam a febre puerperal das doentes para as sãs. Sugerindo que os profssionais
queimassem as suas roupas e fzessem uma limpeza geral, mas suas ideias não foram aceitas. Muitas ações
foram aplicadas nos objetos dos hospitais e tnham poucos efeitos prátcos, então começaram a afrmar que a
transmissão se dava pelo ar.
Em 1843 o norte americano Oliver Wendell Holmes, sugeriu a hipótese de que a febre puerperal era passada
dos profssionais para os pacientes, e que os profssionais que atendessem pacientes com a febre, não poderia
atender as parturientes, e se fossem atender que lavassem as mãos com cloreto de cálcio, mas sua hipótese não
foi aceita.
Somente com o trabalho de Ignaz Philipp Semmelweis que esta hipótese começou a ser aceita, onde começou a
aparecer eviduncias claras do método de transmissão.
Uma das explicações preferidas era a de causas atmosféricas, como miasmas ou variações climátcas.
Semmelweis construiu tabelas de mortalidade, com os dados de vários anos, e observou que havia uma
mortalidade grande, constante, em todas as épocas do ano, com qualquer tpo de clima. Além disso, sabia-se
que as pessoas que preferiam realizar o parto em suas casas raramente fcavam doentes, o que parecia excluir
qualquer causa atmosférica, cósmica ou telúrica. Quando a epidemia se intensifcava e a maternidade era
fechada, as mortes diminuíam. Com isso ele supôs que as causas estavam dentro do hospital, mas mesmo
dentro do hospital havia diferenças entre setores, através dissso ele começou a fazer comparações. A primeira
comparação foi feita partndo do pressuposto de que o fato das pacientes terem medos um setor era que
causava a diferença do numero de casos, mas ele logo excluiu visto que o numero já era maior, antes de criar
este mito. Semmelweis tomava hipótese por hipótese, analisava as eviduncias, e ia excluindo uma por uma.
Mesmo as sugestões mais estranhas eram levadas em conta, pois tratava-se de um problema gravíssimo: estava
em jogo a vida de centenas de mulheres.
O fato que veio lhe trazer uma repentna compreensão desse problema foi a morte de um colega. Seu amigo
Jakob Kolletschka, professor de Medicina Legal, morreu em março de 1847. Ao realizar uma autópsia, ele se
feriu com o bisturi. A ferida havia se infectado e seguiu-se uma infecção geral, chamada "piemia", da qual ele
morreu.
Semmelweis fcou chocado com a morte e, ao mesmo tempo, informando-se sobre os detalhes, percebeu que os
sintomas do amigo tnham sido iduntcos aos das mulheres com febre puerperal.

Observando os estudantes de medicina de um setor ele percebeu, que alguns deles lavavam a mão com sabão,
mas secavam em panos sujos ou em seus próprios aventais, e logo iam cuidar dos pacientes. Semmelweis faziam
relações entre cadáveres e contágio, mas utlizando conceitos antgos de fatores mitologicos , como partculas
cadavéricas que poderiam causar a morte dos indivíduos. Paralelamente a isto, Semmelweis começou a
higienizar as mãos para retrar estas partculas das mãos e a longo prazo percebeu que as infecções diminuíram
consideravelmente, concluindo então que a higienização das mãos reduziam o numero de casos. Apesar destas
observações o diretor do hospital não aceitou esta ideia. Também houve uma manifestação contra a
higienização com cloro, pois ele exalava mal cheiro e irritava a pele. Em um certo periodo um estudante, se
recusou a lavar as mãos e percebeu que aumentou o numero de mortalidade, descobrindo o estudante ele o
puniu.

Semmelweis revolucionou a medicina, no momento que ele passou a enfrentar os médicos como causadores das
doenças, causando grande repulsa por isso. Ele também teve grande papel na questão dos testes e descartes de
hipóteses, alguns outros personagens chegaram a sugerir este método de prevenção da transmissão, mas
somente Semmelweis se deu ao trabalho de chegar a uma técnica concreta.

Semmelweis não foi bem aceito no meio por este questonamento, mas seu espirito critco fez com que ele
escrevesse uma carta para um médico que assumiu o hospital de Viena, que ele havia saido, onde que após a
sua saida 2000 pacientes morreram de febre puerperal.

O senhor, Professor, partcipou deste massacre. O homicídio deve cessar, e com o objetvo de terminar com
esse homicídio, eu vigiarei, e todo homem que ousar propagar erros perigosos sobre a febre puerperal
encontrará em mim um oponente atvo. Para mim não há nenhum meio de impedir o assassinato a não ser
desmascarando sem piedade meus oponentes. E ninguém que tem o coração no lugar certo me censurará por
utlizar esse meio.

A aceitação das descobertas de Semmelweis foi lenta. Apenas depois de sua morte, na década de 1880, se
generalizaram os cuidados de limpeza no tratamento obstétrico. Isso ocorreu lentamente, em geral sem se
reconhecer o valor do trabalho de Semmelweis, que foi critcado em vida e esquecido após sua morte.

Apesar de não ter descoberto a cura Semmelweis salvou muitas vidas, com que hoje parece simples, mas para a
época foi uma tremenda revolução.

Resumo produzido através da obra: CONTÁGIO:HISTÓRIA DA PREVENÇÃO DAS DOENÇAS TRANSMISSÍVEIS

Capítulo 9: O processo de transmissão das doenças

disponível em: http://www.ghtc.usp.br/Contagio/cap09.html (acesso em 01/05/2019)