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DISTÂNCIAS GENÉTICAS DE POPULAÇÕES REMANESCENTES DO

CAVALO NORDESTINO.

Denea de Araújo Fernandes Pires1; Eduardo Geraldo Alves Coelho2; Jânio Benevides de Melo3; Denise
Aparecida Andrade de Oliveira4; Maria Norma Ribeiro5; Luís Cleber Soares Machado6

1
Mestre em Zootecnia, professora, Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Pernambuco, Barreiros,
Pernambuco, Brasil, denea.pires@barreiros.ifpe.edu.br.
2
Pós-doutor em Genética Animal, analista em genética animal, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte,
Minas Gerais, Brasil, eduardogacoelho@yahoo.com.br.
3
Doutor em Zootecnia, professor, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, Itapetinga, Bahia, Brasil,
benevidesster@gmail.com.
4
Pós-doutora em Genética Animal, professora, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, Minas Gerais,
Brasil, denise@vet.ufmg.br.
5
Pós-doutora em Melhoramento Genético Animal, professora, Universidade Federal Rural de Pernambuco, Recife,
Pernambuco, Brasil, normaribeiro70@gmail.com.
6
Especialista em Gestão Ambiental, fiscal agropecuário, Agência Estadual de Defesa Agropecuária da Bahia, Juazeiro,
Bahia, lulacleber@hotmail.com

O cavalo Nordestino é um patrimônio genético da região Nordeste do Brasil que tinha diversos criatórios até
início dos anos 90 do século XX. Com o encerramento das atividades de registros genealógicos da raça pela
Associação Brasileira de Criadores do Cavalo Nordestino no mesmo período de tempo e com o fechamento
de vários criatórios diversos animais foram abatidos, outros acasalados com outras raças e outros criados em
condições ultraextensivas na Caatinga Nordestina. Em, 2010 foi fundada a Associação Equestre e de
Preservação do Cavalo Nordestino, em Juazeiro na Bahia, com objetivos de resgatar e preservar animais do
cavalo Nordestino contra a depleção genética sofrida nas últimas décadas. O objetivo do trabalho foi estudar
a similaridade genética existente entre quatro populações do cavalo Nordestino através de distâncias
genéticas. Para tanto, foram coletados pelos com bulbos de 393 animais que possuíam características
fenotípicas semelhantes ao antigo padrão da raça, distribuídos em quatro populações: Juazeiro-Vale do
Salitre, no estado da Bahia; mesorregião Agreste, estado de Pernambuco; mesorregião do Sertão de
Pernambuco e mesorregiões Norte e Centro-Norte do estado do Piauí. Foram extraídos o DNA pelo método
do NaOH de todas as amostras e utilizados 14 microssatélites para genotipagem (AHT4, AHT5, ASB2,
ASB17, HTG4, HTG6, HMS3, HMS6, HMS7, ASB23, HTG7, HTG10, LEX 33 e VHL20). A genotipagem
foi realizada no Laboratório de Genética da Escola de Veterinária - LGEV/ UFMG, Minas Gerais - Brasil. As
distâncias genéticas utilizadas foram a DA de Nei, Tajima e Tateno e DR de Reynolds, Weir e Cockerham,
pois as mesmas podem representar melhor a relação de similaridade/dissimilaridade entre as quatro
populações avaliadas, uma vez que se ocorreu divergências genéticas consideráveis entre elas, devido a
história da raça, essas foram recentes. Com o resultado dessas duas distâncias foi possível construir dois
dendogramas com o método Neighbor-Joining, através do consenso da Regra da Maioria Estendida
(Majority Rule Extended), usando pacotes computacionais (PHYLIP) e na avaliação da confiabilidade se
usou 1000 pseudoréplicas. Como outgroup foi usado dados genéticos da raça Árabe. As duas distâncias
genéticas (DA e DR) evidenciaram a formação de um grupo que reuniu as quatro populações em um mesmo
grande grupo genético. Pela técnica de reamostragem todas as 1000 pseudoréplicas se reuniram em um grupo
formado pelas quatro populações do cavalo Nordestino e outro grupo distinto composto pelos dados do
cavalo Árabe, em ambas distâncias. Na construção do dendograma para a DA demonstrou confiabilidade de
65,9% no agrupamento entre animais do Juazeiro-Vale do Salitre com os das duas mesorregiões do Piauí e,

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de 62,2% entre este grupo com os do Sertão Pernambucano e de 100% de confiabilidade na relação genética
desses com os animais do Agreste. Para a DR, verificou-se que 100% das amostras estavam geneticamente
relacionadas entre si, sendo que, os animais de Juazeiro-Vale do Salitre estavam mais próximos dos
exemplares das mesorregiões do Piauí em 50,9% e, animais do Sertão Pernambucano e Agreste em 44,3%
para os valores na confiabilidade da reamostragem do dendograma. Portanto, apesar da distância geográfica
das quatro localidades, os animais representam um mesmo grupo genético, sendo uma só população genética,
ou seja, não existe divergência genética significativa entre as populações avaliadas.
Agradecimentos: ao CNPq e UFRPE.

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