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Ficha de Avaliação

NOME: ________________________________N.º: ___ TURMA: ___ ANO LETIVO: _____/_____

AVALIAÇÃO: __________________ PROFESSOR: _______________________________________


ENC. EDUCAÇÃO:_________________

Grupo I
A

1. Associa os enunciados apresentados na coluna A à respetiva tipologia da poesia trovadoresca,


na coluna B. (2 pontos cada)

Coluna A Coluna B

[A] O facto de o amado ter partido para a guerra ou de este


não dar notícias provoca o sofrimento no sujeito
da enunciação.
[1] Cantiga de amigo
[B] Enquadra-se num ambiente rural (a fonte, o rio),
ou em locais mais discretos e propícios aos encontros
amorosos.

[C] Apresenta uma sátira a pessoas, comportamentos


e acontecimentos da época, onde surgem agressões
verbais diretas.
[2] Cantiga de amor
[D] O “eu” poético assume o seu amor e revela o seu sofrimento
(“coita de amor”), adotando uma linguagem convencional
e artificial.

[E] Composições que, quase sempre, apresentam refrão.

[F] Há referência aos encontros com o amado ou à angústia


e ao sofrimento provocados pela sua ausência.
[3] Cantiga de escárnio
[G] Explora o amor cortês ou a expressão de sentimentos
por parte do amador, que adota uma atitude servil
ou de vassalagem em relação à amada.

[H] O nome da pessoa satirizada não figura na cantiga


e o recurso a um duplo sentido das palavras é frequente.

[I] O palco da expressão amorosa era o adro das igrejas, [4] Cantiga de maldizer
quando as donzelas acompanhavam a mãe às romarias.

[J] A mulher a quem se dirige o sujeito da enunciação


é idealizada e retratada em termos abstratos.
2. Completa o excerto, servindo-se dos termos apresentados abaixo, de modo a obter um texto expositivo
sobre Fernão Lopes e a sua obra. (1 ponto cada)

personagens históricos fidedignas


fontes linhagem veracidade Lisboa
descrição Torre do Tombo coletivas
estilísticos historiografia D. Duarte
retóricas direto visual documentos
D. João I testemunhou crónicas

Um dos mais importantes cronistas de Portugal foi Fernão Lopes, nomeado por a.
_____________________, em 1434, para “poer em crónica as histórias dos reis que antigamente em Portugal
foram”, ou seja,
para escrever a história dos reis da primeira dinastia, e para registar “os grandes feitos e altos do mui virtuoso
e de grandes virtudes El-Rei meu senhor e padre”, isto é, para relatar os acontecimentos ocorridos durante o
reinado de seu pai, b. _____________________. O cronista trabalhou durante vários anos, recolhendo c.
_____________________, notícias escritas por portugueses e por estrangeiros, e ou vindo pessoas que
tivessem presenciado acontecimentos d. _____________________, sempre procurando informações e.
_____________________, pois, como ele escreveu, “mentira em este volume e muito afastada da nossa
vontade”.
Foi nomeado guarda-mor da f. _____________________, em 1418. A palavra “Tombo” é derivada do verbo
tombar, que, além de significar cair, derrubar, significa também inventariar, registar, e é esse o sen-
tido que a palavra aqui adquire. Neste arquivo, inicialmente instalado numa das torres do Castelo de
São Jorge, em g. _____________________, eram registados e inventariados os documentos históricos.
Fernão Lopes h. _____________________ várias alterações políticas e sociais durante o seu longo período
de atividade, o que, certamente, foi muito útil para a elaboração das suas i. _____________________.
O facto de se servir das mais diversas j. _____________________ (documentais – livros de k.
_____________________, cartas, epitáfios, sermões –, monumentais e testemunhais), interpretando-as e
relatando-as corretamente, permitiu-lhe garantir maior exatidão ao que narrava, conferindo l.
_____________________ às suas crónicas. Desse aperfeiçoamento e dessa busca da fidelidade histórica decorre
a m. _____________________ psicológica de personagens n. _____________________ e individuais. Mas o
cronista também se preocupa com a beleza da forma, conferindo assim efeitos o. _____________________ às
suas crónicas. Recorre, assim, a diversos recursos linguísticos, alguns herdados da p. _____________________
precedente, outros inovação sua. É frequente o recurso a interrogações q. _____________________ e a
exclamações para sublinhar os momentos mais emotivos/dramáticos da narrativa. Verifica-se também a
recriação de r. _____________________ históricas através da caracterização psicológica, apresentando-as ao
leitor em ação, descrevendo os seus trajes,
as suas atitudes, os seus gostos, contando os seus ditos (discurso s. _____________________).
O realismo descritivo, através da descrição de vários planos, da exploração da sensação
t. _____________________ (principalmente a cinética) e da sensação auditiva, também esta bem patente nas
suas crónicas.
B

Atenta na seguinte composição poética.

Eno sagrado, em Vigo


Eno1 sagrado2, em Vigo, Bailava corpo velido, Que nunca ouver’amigo,
bailava corpo velido3: que nunca ouver’6 amigo: ergas7 no sagrad’, em Vigo:
Amor ei4! Amor ei! 15 Amor ei!
Em Vigo, no sagrado, 10 Bailava corpo delgado, Que nunca ouver’amado,
5 bailava corpo delgado5: que nunca ouver’amado: ergas em Vigo, no sagrado:
Amor ei! Amor ei! Amor ei!

Martim Codax, B 1283/V 889/PV 6, in Elsa Gonçalves e Maria Ana Ramos,


A lírica galego-portuguesa, Lisboa, Editorial Comunicação, 1983, p. 264.
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1 no; 2 adro da igreja; 3 belo, formoso, elegante; 4 Amor ei: Tenho amores; 5 esbelto, formoso; 6 tivera; 7 exceto, senão.

3. Classifica a cantiga, quanto ao género. Justifique com uma característica formal e uma característica
temática. (4 pontos)

4. Caracteriza o estado de espírito do sujeito lírico, comprovando com expressões textuais. (2 pontos)

Lê o seguinte excerto da Crónica de D. João I.

“E sem duvida se eles entrarom dentro1, nom se escusara a Rainha de morte, […]. O Meestre estava
aa janela, e todos oolhavom contra ele dizendo:
– Ó Senhor! como vos quiserom matar per treiçom, beento seja Deos que vos guardou desse
treedor! Viinde-vos, dae ao demo esses Paaços, nom sejaes lá mais.
5 E em dizendo esto, muitos choravom com prazer de o veer vivo. Veendo el estonce2 que neũa
duvida tiinha em sua seguranca, deceo afundo3 e cavalgou com os seus acompanhado de todolos
outros que era maravilha de veer. Os quaes mui ledos arredor dele, braadavom dizendo:
– Que nos mandaes fazer, Senhor? Que querees que façamos?
E el lhe respondia, aadur4 podendo seer ouvido, que lho gradecia muito, mas que por estonce nom

10
havia deles mais mester5. E assi encaminhou pera os Paaços do Almirante u pousava o Conde dom Joam
Afonso irmão da Rainha com que havia de comer. As donas da cidade, pela rua per u6
el ia, saiam todas aas janelas com prazer dizendo altas vozes:
− Mantenha-vos Deos, Senhor. […]
E indo assim ataa entrada do Ressio, e o Conde viinha com todolos seus, e outros boos da cidade que o
aguardavom, […]; e quando vio o Meestre ir daquela guisa7, foi-o abraçar com prazer e disse:
15
− Mantenha-vos Deos, Senhor. Sei que nos tirastes de grande cuidado, mas vos mereciees esta
honra melhor que nós. Andae, vamos logo comer.
E assi forom pera os Paaços u pousava o Conde.”
Fernão Lopes, in Teresa Amado (apresentação crítica, seleção, notas e sugestões para análise literária),
Crónica de D. João I de Fernão Lopes (textos escolhidos), ed. revista,
Lisboa, Editorial Comunicação, 1992, pp. 99-100.
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1se eles entrarom dentro: se eles tivessem entrado; 2 então; 3 abaixo; 4 dificilmente; 5 nom havia deles mais mester: não tinha mais
necessidade deles; 6 onde; 7 maneira.
5. Explica o que significa a expressão “dae ao demo esses Paaços” (l. 4). (4 pontos)

6. Indica o que fez o Mestre depois de sair do palácio. (1ponto)

7. Descreve a reação do Conde quando viu o Mestre. (1 ponto)

GRUPO II

Responda às questões.

1. Identifica as funções sintáticas desempenhadas pelos constituintes sublinhados nas frases. (20 pontos)
a. O Mestre foi apoiado pela população após o assassinato do conde Andeiro.
b. No episódio em que se relatam as consequências do cerco de Lisboa, o cronista pretende evidenciar
o desespero da população face à falta de mantimentos.

2. Identifica os processos fonológicos ocorridos na evolução das seguintes palavras. (10 pontos)
a. braadavom > bradavam
b. querees > quereis

3. Transforma os pares de frases simples em frases complexas, utilizando os conectores propostos


e fazendo as alterações necessárias. (10 pontos)
a. A donzela está saudosa do seu amigo. O amigo da donzela partira entretanto para o fossado.
(pronome relativo)
b. A dama corresponde ao amor do sujeito lírico. Este fica muito feliz.
(conjunção subordinativa condicional)

4. Seleciona, de entre cada par apresentado, o termo/expressão adequado(a). (10 pontos)


a. A lírica trovadoresca abrange uma diversidade de formas poéticas, entre cujas / as quais se destacam
quatro diferentes tipos de cantiga.
b. O motivo porque / por que o “eu” poético sofre relaciona-se também com a inacessibilidade da amada.
GRUPO III (50 pontos)

1. Lê a notícia seguinte.
O português no mundo

Mapa da distribuição geográfica do português no mundo

Falado por 244 milhões de pessoas em todo o mundo, o português é a sexta língua mais
falada do globo, mas é a quinta mais usada na Internet e a terceira nas redes sociais Facebook e Twitter.
5 As estatísticas são do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua e foram transmitidas à Lusa pela presidente,
Ana Paula Laborinho […].
Também o site do Observatório da Língua Portuguesa, que reúne diversas fontes para construir as suas
estatísticas, aponta para 244,392 milhões de falantes de português em todo o mundo, mas coloca o português
como a quarta língua mais falada do mundo, atrás do mandarim, do espanhol e do inglês.
10 Com efeito, a posição do português nas listas das línguas com maior número de falantes varia conforme os
critérios das organizações que as elaboram.
[…]
Por outro lado, é preciso contabilizar também as diásporas1, que, todas juntas, ascendem a quase dez milhões de
15 falantes de português, incluindo os 4,8 milhões de emigrantes portugueses e três milhões de brasileiros, segundo
dados de 2010. A língua portuguesa é ainda falada em locais por onde os portugueses passaram ao longo da
História como Macau, Goa (Índia) e Malaca (Malásia).
Segundo o Observatório da Língua Portuguesa, o português é a língua mais falada no hemisfério sul, com 217
20
milhões de falantes em Angola, Brasil, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste. Entre as línguas
europeias, o português surge como a terceira mais falada e um estudo da Bloomberg2 considera-o a sexta língua
do mundo mais utilizada nos negócios.
Na Internet, a importância do português tem vindo a crescer, sendo hoje o quinto idioma mais utilizado, por 82,5
milhões de cibernautas, segundo o site Internet World Stats. O número de utilizadores da Internet em português
25
aumentou 990% entre 2000 e 2011, mas nesse ano ainda só representava 3,9% do total de cibernautas e 32,5% do
total de falantes de português no mundo, o que permite antever que ainda tenha muito por onde aumentar.
[…]
Todos estes números tenderão, no entanto, a mudar, à medida que muda o mapa do português no mundo.
30
Segundo estimativas do Governo português, tendo em conta a evolução demográfica, até 2050 o número de
pessoas no mundo a falar a língua de Camões deverá aumentar para 335 milhões.
[372 palavras]
“Há 244 milhões de falantes de português em todo o mundo”. In Público.pt.
http://www.publico.pt/culturaipsilon/noticia/ha-244-milhoes-de-falantes-de-portugues-em-todo-o-
mundo-1610559 [Consult. 2015-01-22]

1. dispersão de um povo; 2. jornal eletrónico do mercado financeiro e empresarial.

Faz a síntese do texto, seguindo as orientações de trabalho abaixo apresentadas.


▪ Lê o texto-fonte de modo a apreenderes o seu sentido global e também a identificares os diferentes
momentos da sua organização interna.
▪ Seleciona e sistematiza (em tópicos, num esquema ou num quadro) a informação pertinente.
▪ Define os tópicos a integrar na síntese e organiza-os, atendendo às diferentes relações que estabelecem entre
si (e que determinarão os conectores que deves utilizar para as expressar).
▪ Redige a síntese seguindo o plano que definiste previamente e recorrendo a mecanismos de coesão textual
que garantam a produção de um texto estruturado (marcação correta de parágrafos e utilização adequada
de conectores).
▪ Durante a redação, mobiliza adequadamente os recursos da língua, usando o registo linguístico adequado,
recorrendo a vocabulário relativo ao tema e assegurando a correção linguística na acentuação, na ortografia,
na sintaxe e na pontuação.
▪ Depois da textualização, relê o teu texto com atenção. Faz a sua revisão e dedica-te ao seu aperfeiçoamento,
tendo em vista a qualidade do produto final.
▪ Verifica o número de palavras da síntese, assegurando que corresponde a aproximadamente ¼ do texto-base
(oitenta e cinco a cento e cinco palavras).