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Motores de combustao interna

Engenharia mecânica
Bruno Alysson Pereira
Faculdade Pitágoras de Contagem
20191
Seção 2.1
Unidade 2 | - Combustíveis e combustão
SEÇAO 2.1 - Combustíveis
- Combustíveis derivados do petróleo: gasolina e suas propriedades.
- Óleo diesel e suas principais propriedades.
- Compostos Oxigenados e suas propriedades: álcoois e éteres.
- Óleos Vegetais, Gorduras Animais, Biodiesel e H-Bio.
SEÇAO 2.2 – Combustão em motores alternativos
- Combustão e detonação no motor de ignição por faísca.
- Câmara de combustão e combustão nos motores Diesel.
- Fatores que influenciam a autoignição no ciclo Diesel.
- Tipos básicos de câmaras para motores Diesel.
SEÇAO 3.3 – Mistura e injeção o ciclo Otto
- Formação da mistura combustível ar nos motores Otto: definição, tipo de
mistura em relação ao comportamento do motor e curva característica.
- Carburador, Injeção Mecânica e Eletrônica para Motores Otto.
- Injeção Direta de Combustível em Ciclo Otto (GDI).
- Controle da Combustão e Emissões de Poluentes.
Seção 2.1

Unidade 2 | Combustíveis e combustão


- Seção 2.1 – Nomenclatura e classificação dos motores;
- Seção 2.2 – Ciclos termodinâmicos ideais e reais
- Seção 2.3 – Propriedades e curvas características dos
motoes.
Seção 2.1
Efeitos da mistura ar-combustível no motor (introdução)

UNIDADE 2 – Combustíveis e combustão


Para o estudo dos combustíveis, é importante entender os efeitos da mistura ar
combustível e seus efeitos no motor.
Seção 2.1
Fração relativa do combustível (FR)

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A fração apresenta a relação entre o consumo instantâneo comparada a condição
estequiométrica.

Mistura Rica...................... > FR > 1

Mistura estequiométrica.. > FR =1 ou denominada mistura ideal

Mistura pobre................... > FR < 1


Seção 2.1
História

UNIDADE 2 – Combustíveis e combustão


Combustível é toda a substância que reage com o oxigênio ou outro comburente
liberando energia de forma vigorosa em forma de calor.
(https://pt.wikipedia.org/wiki/Combustível).

Em meados do século XIX a necessidade de combustível para iluminação,


principalmente querosene e gás natural levou ao desenvolvimento da indústria de
petróleo. No final do século o crescimento do transporte motorizado elevou a
demanda por gasolina consolidando a indústria petroquímica.

NOTÍCIA
Toyota irar parar de fornecer carros a diesel para EUROPA começando com
eliminação gradual este ano.
Noticia extraída do site do UOL – 05/03/2018
Seção 2.1
História da gasolina do Brasil

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A gasolina A, que é comercializada somente entre refinarias e distribuidores e é
isenta da adição de etanol anidro.
A gasolina C, que são as gasolinas com adição de etanol anidro comercializadas
nos postos de abastecimento, elas podem ser a gasolina comum com adição de
27%v (volume) ;
A gasolina premium com adição de 25%v de etanol anidrido (GOVERNO DO
BRASIL, 2018).

O assunto combustíveis será explorado no tema:


Aula 10 - Classificação e propriedades dos combustíveis de motores de Ciclos Otto e Diesel.
Seção 2.1
Ar atmosférico

UNIDADE 2 – Combustíveis e combustão


Fonte: Adaptado de Franco Brunetti, Motores de
combustão interna, V1 de 2012, pág.159
Seção 2.1
Ar atmosférico
A composição do ar atmosférico admitida pelos motores é composto:

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- Ar atmosférico composto de 21% de oxigênio “O2” (comburente) e 79% de
nitrogênio “N2” (gás inerte).
Seção 2.1
Fluido ativo

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AR ATM HIDROCARBON. FLUIDO ATIVO

O2 + N2+ outros H2, CxHx, CxHxO, etc... Comb + O2 + N2+ outros

Pressão atm
Seção 2.1
Processo de combustão

UNIDADE 2 – Combustíveis e combustão


A combustão / reação química so ocorre mediante a presença de três elementos:
- Comburente - Oxigênio.
- Combustível – Todo e qualquer material inflamável;
- Calor - (Reação com alta liberação de energia).

- Centelha
- Compressão do ar
Seção 2.1
Estequiometria

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Cálculo das quantidades dos elementos envolvidos em uma determinada reação
química. O balanço desta equação deve mostrar o mesmo valor de reagentes e
produtos.

GASES DE
FLUIDO ATIVO ESCAPE

Reagente Produto
Seção 2.1
Etapas para realizar o balanço

UNIDADE 2 – Combustíveis e combustão


Para realizar o balanço das equações é importante obedecer algumas regras:
1 – Analisar o reagentes e produtos da equação

2 – Realizar o balanço de carbono

3– Realizar o balanço de hidrogênio

4– Realizar o balanço de oxigênio

5– Equilibrar o nitrogênio
Seção 2.1
Etapas para realizar o balanço
Usando como base as premissas anteriores, a combustão completa do hidrocarboneto

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C8H18 ficaria da seguinte forma:
𝑪𝟖 𝑯𝟏𝟖 + 𝑎. 𝑂2 + 𝑎. 3,76 𝑁2 →? 𝑪𝑂2 + ? 𝑯2 𝑂 + 𝑎. 3,76 𝑁2
-Analisar
Passo 2 (balancear o carbono) ÷1
-Carb.
𝑪𝟖 𝑯𝟏𝟖 + 𝑎. 𝑂2 + 𝑎. 3,76 𝑁2 → 𝟖 𝑪𝑂2 +? 𝑯2 𝑂 + 𝑎. 3,76 𝑁2 -Hidr.
8 -Oxig.
-Nitr
Passo 3 (balancear hidrogênio) ÷2

𝑪𝟖 𝑯𝟏𝟖 + 𝑎. 𝑂2 + 𝑎. 3,76 𝑁2 → 𝟖 𝑪𝑂2 + 𝟗 𝑯2 𝑂 + 𝑎. 3,76 𝑁2


18

Passo 4 (balancear oxigênio e nitrogênio)


16 + 9 = 25
×2 ×1
𝑪𝟖 𝑯𝟏𝟖 + 12,5. 𝑂2 + 𝑎. 3,76 𝑁2 → 𝟖 𝑪𝑂2 + 𝟗 𝑯2 𝑂 + 𝑎. 3,76 𝑁2
÷2 8 9

𝑪𝟖 𝑯𝟏𝟖 + 12,5. 𝑂2 + 47 𝑁2 → 𝟖 𝑪𝑂2 + 𝟗 𝑯2 𝑂 + 47 𝑁2


Seção 2.1
Etapas para realizar o balanço

UNIDADE 2 – Combustíveis e combustão


MISTURA AC OU AR-COMBUSTÍVEL (λ) – Queima completa
A analise das proporções do balanço estequiométrico, visa comparar a quantidade
de cada elemento dentro do reagentes para o balanço ideal da mistura.

1 𝑚𝑎𝑠𝑠𝑎 𝑑𝑒 𝑎𝑟
λ= ou λ=
𝐹 𝑚𝑎𝑠𝑠𝑎 𝑑𝑒 𝑐𝑜𝑚𝑏𝑢𝑠𝑡í𝑣𝑒𝑙

F é chamado de fração COMBUSTIVEL - AR


Algumas montadoras usam a relação comb.-ar (F = 1/ʎ) em seus ábacos.

𝑚𝑎 𝑚𝑎𝑠𝑠𝑎 𝑑𝑒 𝐴𝑟
λ = 𝐴𝐶 = =
𝑚𝑐 𝑚𝑎𝑠𝑠𝑎 𝑑𝑒 𝐶𝑜𝑚𝑏𝑢𝑠𝑡í𝑣𝑒𝑙

1 𝑚𝑐 𝑚𝑎𝑠𝑠𝑎 𝑑𝑒 𝐶𝑜𝑚𝑏𝑢𝑠𝑡í𝑣𝑒𝑙
𝐹 = 𝐶𝐴 = = =
λ 𝑚𝑎 𝑚𝑎𝑠𝑠𝑎 𝑑𝑒 𝐴𝑟
Seção 2.1
Etapas para realizar o balanço
FRAÇÃO RELATIVA COMBUSTÍVEL AR (FR) – Queima incompleta

UNIDADE 2 – Combustíveis e combustão


A analise das proporções do balanço estequiométrico, visa comparar a quantidade
de cada elemento dentro do reagentes para o balanço ideal da mistura.

𝑚𝑎𝑠𝑠𝑎 𝑑𝑒 𝑐𝑜𝑚𝑏𝑢𝑠𝑡í𝑣𝑒𝑙 (𝑖𝑛𝑠𝑡)


𝐹 𝑚𝑎𝑠𝑠𝑎 𝑑𝑒 𝑎𝑟 (𝑖𝑛𝑠𝑡)
𝐹𝑅 = ou 𝐹𝑅 =
𝐹𝑒 𝑚𝑎𝑠𝑠𝑎 𝑑𝑒 𝐶𝑜𝑚𝑏𝑢𝑠𝑡í𝑣𝑒𝑙 (𝑒𝑠𝑡)
𝑚𝑎𝑠𝑠𝑎 𝑑𝑒 𝐴𝑟 (𝑒𝑠𝑡)

F é chamado de fração COMBUSTIVEL – AR (instantâneo)


Fe é chamado de fração COMBUSTIVEL – AR estequiométrico

1 𝑚𝑐 𝑚𝑎𝑠𝑠𝑎 𝑑𝑒 𝐶𝑜𝑚𝑏𝑢𝑠𝑡í𝑣𝑒𝑙
𝐹 = 𝐶𝐴 = = =
λ 𝑚𝑎 𝑚𝑎𝑠𝑠𝑎 𝑑𝑒 𝐴𝑟
Seção 2.1
Etapas para realizar o balanço

UNIDADE 2 – Combustíveis e combustão


CÁLCULO ESTEQUIOMETRICO
Utilizado para descobrir a quantidade de um determinada substância na reação química, e
em nosso caso, ar em combustível.
Relação AR-COMBUSTIVEL (base mássica):
𝑪𝟖 𝑯𝟏𝟖 + 12,5. 𝑂2 + 47 𝑁2 → 𝟖 𝑪𝑂2 + 𝟗 𝑯2 𝑂 + 47 𝑁2

12,5 2 𝑥 15,9994 + 3,76 𝑥 2 𝑥 14,0067 12,5 × 137,3 𝒌𝒈 𝒂𝒓


𝐴𝐶 = = = 𝟏𝟓, 𝟎𝟑
8.12,011 + 18 . 1,00794 114,2 𝒌𝒈 𝒄𝒐𝒎𝒃.

Obs: para cada 1 O2 temos 3,76 N2

Relação AR-COMBUSTÍVEL (base molar): Massas atômicas


12,5 + 47 𝒌𝒎𝒐𝒍 𝒅𝒆 𝒂𝒓
𝐴𝐶𝑚𝑜𝑙𝑎𝑟 = = 𝟓𝟗, 𝟓
1 𝒌𝒎𝒐𝒍 𝒅𝒆 𝒄𝒐𝒎𝒃.
Seção 2.1
Processamento dos hidorcarbonetos
A técnica consiste em colocar o petróleo em um forno ou fornalha,

UNIDADE 2 – Combustíveis e combustão


aquecido a cerca de 400ºC. Essa fornalha é acoplada a uma torre de
destilação, composta de varias bandejas (max. 50 discos) e a pressão
atmosférica (ou torre de fracionamento). Conforme vapores sobem,
perdem temperatura e os condensados se acumulam em nas bandejas
conforme densidade.
As frações abaixo possuem maiores concentrações de carbono.

Fonte:http://brasilescola.uol.com.br/quimica/refinamento-petroleo.htm
Seção 2.1
Processamento dos hidorcarbonetos

UNIDADE 2 – Combustíveis e combustão


https://www.youtube.com/watch?v=VQ-x5LOsE6Y

Fonte:http://www.megatimes.com.br/2014/09/petroleo-origem-e-caracteristicas-do.html
Seção 2.1
Qualidade do combustível
O numero cetano (NC) e a octanagem servem para analisar a qualidade do

UNIDADE 2 – Combustíveis e combustão


combustível.

Serve para aumentar a octanagem. medir a qualidade da octanagem, conforme a


presença de antidetonantes.

Índice de octanagem

0% 50% 100%
0% - Iso-Octano C8H18 ou CH3 (CH2)6 CH3 100% - Iso-Octano
100% - n-heptano C7H16 ou CH3 (CH2)5 CH3 0% - n-heptano
Seção 2.1
Qualidade do combustível
Para gasolina, é possível observar a característica de cada um dos combustíveis.

UNIDADE 2 – Combustíveis e combustão


Fonte: Franco Brunetti, Motores de combustão interna, V1 de 2012, pág.329
Seção 2.1
Requerimento da octanagem
Com a utilização do motor, observa-se um aumento do requerimento de

UNIDADE 2 – Combustíveis e combustão


octanagem e função do km percorrido. Isso acontece devido:
A – Ao assentamento mecânico de anéis e válvulas permitindo melhor compressão,
vedação no interior da câmara,
B – Formação de depósitos na câmara de combustão levando um aumento de
isolamento térmico resultando em aumento de temperatura na câmara de
combustão.

*CTE - Chumbo tetra etila

Fonte: Adaptado de Franco Brunetti, Motores de combustão interna, V1 de 2012, pág.337


Seção 2.1
Fenômenos indesejados
Batida de pino – Ruídos gerados por ondas de choque no interior da câmara de

UNIDADE 2 – Combustíveis e combustão


combustão;

Auto detonação – inflamação do combustível antes do momento correto. Possíveis


causas são pontos quentes dentro do motor, velas inadequadas, baixa octanagem
do combustível, projeto de spread no cilindro ineficiente. Nos motores a diesel, o
número cetano e o a injeção controlada favorecem o não aparecimento deste
fenômeno.
Seção 2.1
Qualidade do combustível - Resistência a detonação

UNIDADE 2 – Combustíveis e combustão


1 – RON (Reserch Octane Number) em 1931 a utilização de um “motor
CFR” (taxas de compressão variável entre 4:1 a 18:1) comparando
resultados entre misturas de Iso-octano e n-heptano. Utiliza ensaio ASTM
2699 para os testes, temperatura do comb. de 60 0F a 120 0F e 600 RPM.

2 - MON (Motor Octane Number) em 1932. Consiste na simulação de um


veiculo simulando uma longa subida. Neste caso o número de octano é
obtido aquecendo a mistura de combustível e utilizando um motor com
maior rotação e ponto de ignição variável. Utiliza ensaio ASTM 2700 para
os testes temperatura do comb. variável e 900 RPM.
Seção 2.1
Qualidade do combustível - Resistência a detonação
Além a analise do combustível pelo teste de RON x Temperatura, á

UNIDADE 2 – Combustíveis e combustão


importante analise da volatilidade.

Fonte: Franco Brunetti, Motores de combustão interna, V1 de 2012, pág.334


Seção 2.1
Qualidade do combustível - Volatilidade
A volatilidade é a representação da destilação pela pressão de vapor x

UNIDADE 2 – Combustíveis e combustão


temperatura. A medida que a pressão diminui ou a temperatura aumenta a
volatilidade aumenta.

Viscosidade, tensão superficial, calor latente de vaporização e velocidade


da chama e balanço molar são propriedades constantes da gasolina e
indispensáveis para o desempenho do motor.
Seção 2.1
Qualidade do combustível - Poder calorífico inferior
O PCI está associado a energia que um fluido combustível pode liberar

UNIDADE 2 – Combustíveis e combustão


durante seu processo de expansão. (visto UNID.1, Seção 3).

Diesel
O diesel combustível (óleo diesel, óleo combustível) é obtido em uma ampla faixa de pesos
moleculares e propriedades físicas. No Brasil, o óleo diesel comercializado recebe adição de
5±0,5% de biodiesel de acordo com regulamentação da ANP (Agência Nacional do Petróleo,
Gás Natural e Biocombustíveis).

Fonte: Franco Brunetti, Motores


de combustão interna, V1 de
2012, pág.184
Seção 2.1
Relações de potência

UNIDADE 2 – Combustíveis e combustão


O MCI é uma máquina térmica e a produção de potência provém do fornecimento
de calor proveniente da combustão da mistura combustível-ar:
Q = Calor fornecido por unidade de tempo (fluxo de calor)[kcal/s];
[kcal/h]; CV, MJ/s, kW, etc...
𝑄ሶ = 𝑚ሶ 𝑐 × 𝑝𝑐𝑖 mc = consumo, fluxo ou vazão em massa [kg/s]; [Kg/ h] Etc.
pci = Poder calorífico inferior do combustível [kcal/kg]; [MJ/kg]...
Combustível (PCI INFERIOR)
Propriedades Etanol
Diesel Metanol Gasolina E22
Hidratado
Massa Específica [kg/L] 0,84 0,81 0,80 0,74
[kcal/kg] 10200 5970 4760 9400
[kcal/L] 8568 4835,7 3808 6956
PCI kW/kg 42.687 24.984 19.921 39.339
CV/kg 58.038 33.969 27.084 53.486
Kgm/kg 4.355.400 2.549.190 2.032.520 4.013.800
TAI [º0] 250 420 478 400
Fonte: Adaptado de Franco Brunetti, Motores de combustão interna, V1 de 2012, pág.184
TAI é a temperatura de autoignição do combustível
Seção 2.1
Qualidade do combustível - Número cetano (NC)
O NC é a propriedade que quantifica a qualidade de ignição do óleo diesel e que

UNIDADE 2 – Combustíveis e combustão


descreve como este entrará em autoignição (BRUNETTI, 2018, p. 352). Em
motores a Diesel, a fragmentação das moléculas do combustível é desejável devido
à intensificação
da combustão do combustível injetado, e o NC aumenta de acordo com a
tendência de fragmentação, em oposição à octanagem.

Quanto maior o NC, menor será a temperatura de ignição, isto é, mais rápido o
combustível se auto-inflamará no interior da câmara de combustão.

O NC fisicamente representa o tempo decorrido entre o início da injeção do


combustível e o início da combustão e é conhecido como “atraso de ignição”.

Um demasiado atraso provoca a elevação brusca da pressão na câmara de


combustível devido ao acúmulo de combustível já vaporizado que tende a se
queimar de uma única vez causando um forte ruído conhecido como “batida
diesel”.
Seção 2.1
Qualidade do combustível - Número Cetano (NC)
O NC é a propriedade que quantifica a qualidade de ignição do óleo diesel e que

UNIDADE 2 – Combustíveis e combustão


descreve como este entrará em autoignição (BRUNETTI, 2018, p. 352). Em

Fonte: Franco Brunetti, Motores de combustão interna, V1 de 2012, pág.184


Seção 2.1
SEM MEDO DE ERRAR
Atuando em uma empresa fabricante de motores, você como analista recebeu uma

UNIDADE 2 – Combustíveis e combustão


demanda para análise de um motor flex com três cilindros que atualmente é utilizado em
carros de passeio. Entre as informações preliminares, você verificou que no motor o
isooctano é queimado com uma quantidade teórica de ar de 120%, isto é, o motor
apresenta uma combustão incompleta com formação de fuligem. A partir da reação de
combustão do isooctano:
C8H18

𝑪𝟖 𝑯𝟏𝟖 + 12,5. 𝑂2 + 47 𝑁2 → 𝟖 𝑪𝑂2 + 𝟗 𝑯2 𝑂 + 47 𝑁2

Resposta: (Estequiometria)
12,5 2 × 15,99 + 3,76 × 2 × 14,0067 12,5 × 137,3 𝒌𝒈 𝒂𝒓
𝐴𝐶𝑚𝑎𝑠𝑠𝑎 = = = 𝟏𝟓, 𝟎𝟐
8 × 12,011 + 18 × 1,0079 114,23 𝒌𝒈 𝒄𝒐𝒎𝒃.

1
𝐹= = 0,067
𝐴𝐶𝑚𝑎𝑠𝑠𝑎
Seção 2.1
SEM MEDO DE ERRAR
Pela análise: :

UNIDADE 2 – Combustíveis e combustão


𝑚𝑎𝑠𝑠𝑎 𝑑𝑒 𝑐𝑜𝑚𝑏𝑢𝑠𝑡í𝑣𝑒𝑙 (𝑖𝑛𝑠𝑡) 𝑚𝑎𝑠𝑠𝑎 𝑑𝑒 𝑐𝑜𝑚𝑏𝑢𝑠𝑡í𝑣𝑒𝑙 (𝑖𝑛𝑠𝑡)
𝐹 𝑚𝑎𝑠𝑠𝑎 𝑑𝑒 𝑎𝑟 (𝑖𝑛𝑠𝑡)
𝐹𝑅 = 𝐹𝑅 = 𝑚𝑎𝑠𝑠𝑎 𝑑𝑒 𝑎𝑟 (𝑖𝑛𝑠𝑡)
𝐹𝑒 𝑚𝑎𝑠𝑠𝑎 𝑑𝑒 𝐶𝑜𝑚𝑏𝑢𝑠𝑡í𝑣𝑒𝑙 (𝑒𝑠𝑡) 𝐹𝑅 =
𝑚𝑎𝑠𝑠𝑎 𝑑𝑒 𝐶𝑜𝑚𝑏𝑢𝑠𝑡í𝑣𝑒𝑙 (𝑒𝑠𝑡)
𝑚𝑎𝑠𝑠𝑎 𝑑𝑒 𝐴𝑟 (𝑒𝑠𝑡) 𝑚𝑎𝑠𝑠𝑎 𝑑𝑒 𝐴𝑟 (𝑒𝑠𝑡)

1 𝑚𝑎𝑠𝑠𝑎 𝑑𝑒 𝐴𝑟 (𝑒𝑠𝑡) 1 𝑚𝑎𝑠𝑠𝑎 𝑑𝑒 𝐴𝑟 (𝑒𝑠𝑡)


= ∴ = ∴
𝐹𝑅 𝑚𝑎𝑠𝑠𝑎 𝑑𝑒 𝑎𝑟 (𝑖𝑛𝑠𝑡) 1,2 𝑚𝑎𝑠𝑠𝑎 𝑑𝑒 𝑎𝑟 (𝑖𝑛𝑠𝑡)

𝑚𝑎𝑠𝑠𝑎 𝑑𝑒 𝑎𝑟 𝑖𝑛𝑠𝑡 = 1,2 × 𝑚𝑎𝑠𝑠𝑎 𝑑𝑒 𝐴𝑟 (𝑒𝑠𝑡)

𝑪𝟖 𝑯𝟏𝟖 + 1,2 × 12,5. 𝑂2 + 56,4 𝑁2 → 𝟖 𝑪𝑂2 + 𝟗 𝑯2 𝑂 + 2,5. 𝑂2 + 56,4 𝑁2

𝑪𝟖 𝑯𝟏𝟖 + 15. 𝑂2 + 56,4 𝑁2 → 𝟖 𝑪𝑂2 + 𝟗 𝑯2 𝑂 + 2,5. 𝑂2 + 56,4 𝑁2

15 2 × 15,99 + 3,76 × 2 × 14,0067 15 × 137,3 𝒌𝒈 𝒂𝒓


𝐴𝐶𝑚𝑎𝑠𝑠𝑎 = = = 𝟏𝟖, 𝟏
8 × 12,011 + 18 × 1,0079 114,23 𝒌𝒈 𝒄𝒐𝒎𝒃.
1
𝐹= = 0,055
𝐴𝐶𝑚𝑎𝑠𝑠𝑎
Seção 2.1
SEM MEDO DE ERRAR
Conclusão, atendendo a analise do combustível, podemos afirmar através da equação

UNIDADE 2 – Combustíveis e combustão


abaixo, caso Fr seja menor que a mistura será pobre, daí :

𝑚𝑎𝑠𝑠𝑎 𝑑𝑒 𝑐𝑜𝑚𝑏𝑢𝑠𝑡í𝑣𝑒𝑙 (𝑖𝑛𝑠𝑡)


𝑚𝑎𝑠𝑠𝑎 𝑑𝑒 𝑎𝑟 (𝑖𝑛𝑠𝑡) 0,055
𝐹𝑅 = 𝐹𝑅 = ∴ 𝐹𝑅 = 0,825
𝑚𝑎𝑠𝑠𝑎 𝑑𝑒 𝐶𝑜𝑚𝑏𝑢𝑠𝑡í𝑣𝑒𝑙 (𝑒𝑠𝑡) 0,067
𝑚𝑎𝑠𝑠𝑎 𝑑𝑒 𝐴𝑟 (𝑒𝑠𝑡)

Mistura pobre................... > FR < 1


Seção 2.1
Exercício Avançando na prática
Atuando como projetista em uma empresa fabricante de turbinas a gás utilizadas em

UNIDADE 2 – Combustíveis e combustão


equipamentos mecânicos, seu gestor solicitou que você calculasse a razão ar-combustível
de uma turbina com as seguintes características técnicas: f = 0,268 utilizando como
combustível um gás natural de fórmula C1,16 H4,32 , = 29 a MW . Mas como você deverá
proceder nessas análises?

C1,16H4,32
Seção 2.1
Exercício Avançando na prática - Solução
Atuando como projetista em uma empresa fabricante de turbinas a gás utilizadas em

UNIDADE 2 – Combustíveis e combustão


equipamentos mecânicos, seu gestor solicitou que você calculasse a razão ar-combustível
de uma turbina com as seguintes características técnicas: f = 0,268 utilizando como
combustível um gás natural de fórmula C1,16 H4,32 , = 29 a MW . Mas como você deverá
proceder nessas análises?
𝑚𝑎𝑠𝑠𝑎 𝑑𝑒 𝑐𝑜𝑚𝑏𝑢𝑠𝑡í𝑣𝑒𝑙 (𝑖𝑛𝑠𝑡)
𝑓 é 𝑎 𝑐𝑜𝑛𝑑. 𝑖𝑛𝑠𝑡𝑎𝑛𝑡𝑎𝑛𝑒𝑎 = ∴ 𝑓 = 0,268
𝑚𝑎𝑠𝑠𝑎 𝑑𝑒 𝑎𝑟 (𝑖𝑛𝑠𝑡)
C1,16H4,32

𝑪𝟏𝟏𝟔 𝑯𝟒𝟑𝟐 + 224 𝑂2 + 842,24 𝑁2 → 116 𝑪𝑂2 + 216 𝑯2 𝑂 + 842,24 𝑁2


condição: (Estequiometria)
116 × 12,011 + 432 .× 1,0079 1.828,7 𝒌𝒈 𝒄𝒐𝒎𝒃.
𝐹𝑒𝑠𝑡𝑞 = = = 𝟎, 𝟎𝟓𝟗𝟒
224 2 × 15,9994 + 3,76 𝑥 2 𝑥 14,0067 30.761.7 𝒌𝒈 𝒂𝒓.

0,268
𝐹𝑅 = ∴ 𝐹𝑅 = 4,51
0,0594
Seção 2.1
Exercício Avançando na prática - Solução
Atuando como projetista em uma empresa fabricante de turbinas a gás utilizadas em

UNIDADE 2 – Combustíveis e combustão


equipamentos mecânicos, seu gestor solicitou que você calculasse a razão ar-combustível
de uma turbina com as seguintes características técnicas: FR = 0,268 utilizando como
combustível um gás natural de fórmula C1,16 H4,32 , MWa= 29 . Mas como você deverá
proceder nessas análises?
C1,16H4,32 𝐹𝑅 = 0,268

𝑪𝟏𝟏𝟔 𝑯𝟒𝟑𝟐 + 224 𝑂2 + 842,24 𝑁2 → 116 𝑪𝑂2 + 216 𝑯2 𝑂 + 842,24 𝑁2


condição: (Estequiometria)
116 × 12,011 + 432 .× 1,0079 1.828,7 𝒌𝒈 𝒄𝒐𝒎𝒃.
𝐹𝑒𝑠𝑡𝑞 = = = 𝟎, 𝟎𝟓𝟗𝟒
224 2 × 15,9994 + 3,76 𝑥 2 𝑥 14,0067 30.761.7 𝒌𝒈 𝒂𝒓

224 2 × 15,9994 + 3,76 𝑥 2 𝑥 14,0067 30.761.7 𝒌𝒈 𝒂𝒓


𝐴𝐶𝑒𝑠𝑡𝑞 = = = 𝟏𝟔, 𝟖𝟐
116 × 12,011 + 432 .× 1,0079 1.828,7 𝒌𝒈 𝒄𝒐𝒎𝒃.

𝑓 1 𝒌𝒈 𝒂𝒓
0,268 = ∴ 𝑓 = 0,0159 ∴ 𝐴𝐶𝑒𝑠𝑡𝑞 = ∴ 𝐴𝐶𝑒𝑠𝑡𝑞 = 𝟔𝟐, 𝟖𝟗
0,0594 0,0159 𝒌𝒈 𝒄𝒐𝒎𝒃.
Seção 2.1
Exercício extra
Calcule a relação AR-COMBUSTÍVEL, considerar queima completa da gasolina Podium

UNIDADE 2 – Combustíveis e combustão


CH2,15O0,08

𝑪𝟏𝟎𝟎 𝑯𝟐𝟏𝟓 𝑶𝟖 + 𝟏𝟒𝟗, 𝟕𝟓𝑂2 + 149,75𝑥3,76 𝑁2 → 100 𝑪𝑂2 + 𝟏𝟎𝟕, 𝟓 𝑯2 𝑂 + 149,75𝑥3,76 𝑁2

Resposta: (Estequiometria)
149.75 2 𝑥 15,9994) + 149,75. (3,76 𝑥 2 𝑥 14,0067 20.565,1 𝒌𝒈 𝒂𝒓
𝐴𝐶𝑚𝑎𝑠𝑠𝑎 = = = 𝟏𝟑, 𝟑𝟎
100.12,011 + 215 . 1,00794 + 8 .15,9994 1.545,8 𝒌𝒈 𝒄𝒐𝒎𝒃.