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A PRÁTICA PROFISSIONAL DO

PSICÓLOGO NA ATENÇÃO
TERCIÁRIA EM SAÚDE
Aula referente à disciplina “Psicologia da Saúde”,
do curso de graduação em Psicologia
Andréa Fernandes
08/04/2019
HISTÓRICO

■ Década de 50 – Início do desenvolvimento de experiências de psicólogas em


hospitais;
■ Porto Alegre e Rio de Janeiro (hospitais psiquiátricos)
■ São Paulo (hospital geral, clínicas de pediatria e reabilitação)
HISTÓRICO

■ Evolução do reconhecimento dos aspectos psíquicos atrelados à doença orgânica;


■ Exigência de humanização: cuidados que atendam às circunstâncias e
necessidades individuais;
■ Cuidados com o doente: processo de humanização com pacientes.
QUESTÕES SOBRE A ATUAÇÃO

■ A atuação em hospitais e ambulatórios seria apenas uma transferência do trabalho


clinico para outro setting?
■ Qual o real alcance das intervenções nesse ambiente?
■ O inicio de uma doença é um marco para uma serie de processos secundários à
enfermidade.
■ Mobiliza defesas psicológicas com o objetivo de enfrentar esse desequilíbrio.
■ A forma como será vivenciado esse adoecimento é sempre muito única e singular.
ALGUMAS FORMAS POSSÍVEIS PARA
ATUAÇÃO
■ Atendimento a pacientes hospitalizados, segundo sistema de consultoria;
■ Atendimento a pacientes em contexto ambulatorial e em unidades médicas
especializadas, segundo o sistema de ligação;
■ Um modelo de atuação especifico dentro do Hospital Geral;
ATENDIMENTO A PACIENTES HOSPITALIZADOS,
SEGUNDO SISTEMA DE CONSULTORIA
■ Intervenções em Crises
■ Psicoterapia de Apoio
Terapias Suportivas

■ Consulta Terapêutica
INTERVENÇÕES EM CRISES

■ A crise é uma reação emocional avassaladora e uma situação ameaçadora, em que


as capacidades de resolução de problemas e os mecanismos adaptativos habituais
não conseguem manter o equilíbrio.
INTERVENÇÕES EM CRISES
■ Identificada uma crise, o objetivo genérico é a sua superação. Um instrumento
clinico útil é estabelecer uma lista na qual aparecem os problemas que parecem
causador de dificuldade, se possível com uma hierarquia de prioridade;
■ O terapeuta utiliza reasseguramento, clarificação mais do que confrontação;
INTERVENÇÕES EM CRISES
■ Exame detalhado das tentativas de solução para cada um dos itens da lista de
problemas, encorajamento, técnicas de relaxamento;
■ Busca ajudar a pessoa entender um pouco mais seus sintomas e dificuldades
PSICOTERAPIA DE APOIO

■ Na Psicoterapia de Apoio de curta duração ocorrem as intervenções em crise onde


se adota predominantemente medidas imediatas de modificação do ambiente
externo: remoção do fator estressante, afastamento do paciente de uma situação
conflituosa. No apoio em crise busca-se o alívio dos sintomas e o retorno ao
equilíbrio anterior (CORDIOLI, 1998).
PSICOTERAPIA DE APOIO

■ O psicólogo é ativo, o estilo é mais conversacional e apoiador.


■ Elogia-se o paciente e utilizam-se intervenções como ventilação, catarse, busca de
alternativas, informações, confrontação, orientação e sugestão. (CORDIOLI, 1998).
PSICOTERAPIA DE APOIO

Os objetivos são:
■ Alívio dos sintomas;
■ Prevenção de descompensações maiores;
■ Desenvolvimento da capacidade de enfrentar melhor futuras crises;
■ Restauração do nível prévio de equilíbrio.
CONSULTAS TERAPÊUTICAS

■ Representam uma possibilidade breve de coligir a história de um caso clínico por


meio de contato com o paciente, ou seja, obter e conduzir os elementos vitais que
possam ajudá-lo na elaboração de um sofrimento ou dificuldade. (Winnicott, 1971)
CONSULTAS TERAPÊUTICAS

■ É o conjunto de entrevistas iniciais de número reduzido, de uma a três no máximo,


que tem como objetivo tanto empreender uma investigação da demanda subjetiva
do paciente, quanto realizar uma ação psicoterapêutica imediata.
CARACTERÍSTICAS COMUNS AOS
PACIENTES NESSE SISTEMA DE
INTERNAÇÃO
■ Ansiedade;
■ Medo da morte;
■ Sentimento de ser incapaz de cuidar de si mesmo (maior do que em outras
unidades);
■ Falta de privacidade;
■ Perda de identidade;
■ Relação do paciente com a equipe permeada por desconfiança, sentimentos de
rejeição e de desprezo.
SOBRE ATUAÇÃO/PACIENTE

■ Atuação focada na atenção direta ao paciente;


■ Na relação com o adoecer e a hospitalização;
■ Abrange tudo e todos que direta ou indiretamente exerçam algum grau de influência
sobre a saúde mental deste paciente.
SOBRE ATUAÇÃO/FAMILIARES

■ Identificar os aspectos psicológicos presentes na relação paciente-família;


■ Atuar com objetivo de favorecer o equilíbrio da dinâmica familiares;
■ Influenciar na adaptação e mobilização de recursos para enfrentamento da crise
instalada.
PLANEJAMENTO PARA A INTERVENÇÃO

■ Estabelecer uma suposição razoável sobre o significado do sintoma ou queixa que


motivou a solicitação de atendimento;
■ Determinar as áreas de conflitos primordiais;
■ Identificar padrões dasadaptativos;
■ Dar ênfase a problemas mais emergentes, sem desconsiderar a historia pregressa
do individuo;
■ Reforçar a capacidade do individuo de lidar com estresse emocional causado pela
hospitalização;
ATENDIMENTO A PACIENTES EM CONTEXTO AMBULATORIAL
E EM UNIDADES MÉDICAS ESPECIALIZADAS/SISTEMA DE
LIGAÇÃO;
■ Intervenção prévia e posterior a determinados procedimentos, como cirurgias mais
especializadas;
■ Ampliação de programas com ênfase na qualidade de vida de determinados
pacientes acometidos de doenças físicas, mas de cunho psicossocial;
■ Utilização de técnicas psicológicas grupais;
CARACTERÍSTICAS DOS PACIENTES
NESSES CONTEXTOS
■ Problemas emocionais desencadeados ou agravados pela doença orgânica ou seu
tratamento;
■ Sintomas corporais (influência de aspectos psicológicos).
ATUAÇÃO DO PSICÓLOGO NESSE
CONTEXTO
■ Perceber a relação do paciente com seu corpo e história de sintomas;
■ Levantar as características da(s) doença(s);
■ Identificar o impacto, repercussões e representação mental da doença na vida do
paciente;
■ Entender a relação do paciente com a equipe de saúde e instituição;
■ Favorecer o surgimento de recursos internos.
UM MODELO DE ATUAÇÃO ESPECÍFICO
DENTRO DO HOSPITAL GERAL
As intercorrências são diversas então algumas medidas foram adotadas:
■ O atendimento que se iniciou no ambulatório pode continuar na enfermaria e vice-
versa;
■ Contato do Psicólogo Hospitalar ampliado, buscando a realidade concreta do
enfermo;
■ O paciente deve ser o “protagonista”,
ATUAÇÃO NA UTI/PACIENTE

■ Prevenção do surgimento de distúrbios psicológicos;


■ Intervenção para auxiliar o prognóstico destes distúrbios;
■ Avaliar a origem da ansiedade, depressão e delírio do paciente;
■ Intermediar a comunicação paciente-família-equipe;
■ Criar condições de comunicação do paciente;
SOBRE ATUAÇÃO/PACIENTE

■ Ampliar a compreensão de sua doença e de si mesmo;


■ Trabalhar para que este se aproprie da doença;
■ Ajudar na participação do seu processo de cura;
■ Implicar na sua reabilitação.
ATUAÇÃO NA UTI/FAMILIA

■ Oferecer apoio;
■ Comunicação efetiva e afetiva entre paciente-família-equipe;
■ Identificar qual membro da família tem mais condições emocionais
e intelectuais para receber informações da equipe;
■ Colaborar com a reorganização da família do paciente, caso
necessário.
ALGUMAS ATRIBUIÇÕES DO PSICÓLOGO
HOSPITALAR DETALHADAS NA RESOLUÇÃO DO CFP
03/2007
■ Atender a pacientes, familiares e/ou responsáveis pelo paciente, assim como a
comunidade e equipe multiprofissional com foco no bem-estar físico e emocional do
paciente;
■ Oferecer e desenvolver atividades em diferentes níveis de tratamento, tendo como
sua principal tarefa a avaliação e acompanhamento de intercorrências psíquicas
dos pacientes;
■ Promover intervenções direcionadas à relação da tríade médico-paciente-família;
ALGUMAS ATRIBUIÇÕES DO PSICÓLOGO
HOSPITALAR DETALHADAS NA RESOLUÇÃO DO CFP
03/2007
■ Promover intervenções ao paciente em relação ao processo do adoecer,
hospitalização e repercussões emocionais que emergem neste processo;
■ Ofertar atendimento a pacientes clínicos ou cirúrgicos, nas diferentes
especialidades médicas;
■ Desenvolver diferentes modalidades de intervenção, dependendo da demanda e da
formação do profissional específico;
■ Atuar em equipe multidisciplinar e participar de decisões em relação à conduta a
ser adotada pela equipe, objetivando promover apoio e segurança ao paciente e
família.
QUADRO DE INVESTIGAÇÃO DIAGNÓSTICA NO
CONTEXTO HOSPITALAR (SIMONETTI, 2013)

Eixos Características
Focaliza na posição que a pessoa assume em relação à doença: negação, revolta, depressão
I - Diagnóstico Relacional
e enfrentamento.

Ação médica. Cabe ao psicólogo apropriar-se da doença do ponto de vista orgânico: tipo,
II - Diagnóstico Médico condição aguda ou crônica, principais sintomas, tratamento proposto, medicação em uso,
aderência ao tratamento, prognóstico, comorbidades etc.

Mapeia os pontos que dificultam ou favorecem o enfrentamento da doença, propiciando uma


III - Diagnóstico Situacional
visão panorâmica da vida do paciente.

IV - Diagnóstico Avalia as relações em meio ao adoecimento com família, médico, equipe de enfermagem,
Transferencial instituição e psicólogo.
REFLEXÃO

Pense nas duas questões colocadas no inicio da apresentação:

■ A atuação em hospitais e ambulatórios seria apenas uma transferência do trabalho


clinico para outro setting?
■ Qual o real alcance das intervenções nesse ambiente?
REFERÊNCIAS

■ Bruscato, W. L. (2004). Intervenção Psicológica no Hospital Geral. In W. L. Bruscato,


C. Benedetti, & S. R. A. Lopes (Orgs.), A prática da Psicologia hospitalar na Santa
Casa de São Paulo: novas páginas em uma antiga história (p.69-78). São Paulo:
Casa do Psicólogo.
■ CORDIOLI, Asristides V. Psicoterapias: Abordagens Atuais. Porto Alegre: Artmed,
1998.
■ SIMONETTI, Alfredo. Manual de psicologia hospitalar: o mapa da doença. 7.ed – São
Paulo: Casa do Psicólogo, 2013. ISBN 978-85-8040-037-3, 2013.
■ WINNICOTT, Donald W. Consultas terapêuticas em psiquiatria infantil. Rio de
Janeiro, Imago, 1971.