Você está na página 1de 20

ABANDONO AFETIVO E

SUAS
CONSEQUENCIAS NA
VIDA ADULTA

MICHELLE DE PAULA SOUZA


ORIENTADORA CYLMARA LACERDA
INTRODUÇÃO
 A importância desta pesquisa se deve ao fato de milhões de
crianças ainda atualmente, sofrerem o abandono afetivo no
Brasil e em vários outros países do mundo.
 Segundo o IBGE “no ano de 2000, eram 20 % o número de
crianças sem registro do pai, até ano de 2015, segundo
dados colhidos, o Brasil ganhou mais de 1 milhão de famílias
composta só pela mãe”.
 Ressaltou que a figura do pai é aquele que mais abandona
materialmente, intelectualmente e afetivamente, porém
os motivos do abandono materno geralmente são a pobreza
ou as drogas. (IBGE,2015)
Continuação
 Diante do fenômeno social, que se tornou o abandono
afetivo, cresceu o número de consequências como:
sofrimento psicológico, dificuldades na aprendizagem,
sentimentos de baixa autoestima, vulnerabilidade,
dependência de drogas psicoativas, gravidez (indesejada e
precoce), passagens pela polícia, comportamentos
antissociais, instabilidade emocional, possessividade
excessiva, e várias patologias, com desajustamento da
personalidade do indivíduo.
METODOLOGIA
 Trata-se se um uma pesquisa de campo de cunho
qualitativo, descritiva e exploratória.
 Foram usadas como instrumentos; técnicas de coletas de
dados de entrevistas semiestruturadas e a realização do
teste Bateria Fatorial da Personalidade (BFP).
 Para isso foi utilizada a bibliografia de vários autores da
psicanálise como, Bowlby ( 2004 ), Winnicott ( 2005), Klein
(1945),com a intenção de correlacionar suas teorias, as
entrevistas junto ao teste BFP.
OBJETIVO DO
TRABALHO
O presente trabalho
busca compreender,
analisar e investigar
as consequências do
abandono afetivo, no
decorrer da vida
adulta do
sujeito que sofreu o
abandono afetivo.

I
A HISTÓRIA NO CONTEXTO DO ABANDONO
INFANTO-JUVENIL
A história do Brasil informa muito pouco sobre as crianças
abandonadas, desde o século XVIII, sendo que estas mães
solteiras não haviam apoio da sociedade, onde sofreram
discriminação, preconceito e muita miséria.
Assim nasceu a “Roda dos Expostos”; uma instituição que
iniciou na Itália até chegar no Brasil. Com o objetivo
governamental de amenizar as mortes dos bebês rejeitados
pelos pais, que abandonavam as crianças nas ruas. Estas
crianças não tinham chances de chegar a vida adulta, vinham a
óbito muito cedo devido ao ambiente que eram
expostas. (MARCÍLIO,1998)
DEFINIÇÃO DO ABANDONO AFETIVO

O abandono afetivo se define pela negligência de


suportes emocionais e afetivos, necessários ao
desenvolvimento infantil por parte dos genitores ou na
omissão de um deles. Ressaltando três tipos de
abandono: o material, intelectual e o afetivo.
Salientando que "amor" não é uma obrigação, mas
os cuidados sim. (ECA,2017)
Em 1920 o governo brasileiro começou a criar estratégias
para tentar resolver a questão do abandono, onde construiu
orfanatos, cursos profissionalizantes e escolas para
menores infratores, chamadas escolas correcionais.
Porém somente em 1990, o governo brasileiro criou o
Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que
regulamentou os direitos e deveres, em prol as
crianças. (MARCÍLIO,1998)
ABANDONO NA ATUALIDADE

De acordo com o terapeuta argentino Sérgio Sinay


(2012), existe uma nova proposta de abandono
afetivo, remetendo a “orfandade”. Que explica que
a sociedade está sendo construída de “filhos órfãos”,
que moram com seus pais, porém são criados sem
limites e amor. Estes pais omissos e ausentes, estão
concorrendo com seus filhos na busca por juventude
eterna, e esquecendo do principal que é a
educação, atenção e valores. (SINAY, 2012)
A NOVA LEI INSERIDA NO BRASIL EM
PROL DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE

 Preocupando com a formação da personalidade do sujeito


na vida adulta, foi aprovado o projeto de lei nº 3.212-A, de
2015, alterando a lei do Estatuto da criança e do Adolescente
(ECA), nº 8.089/ 13 de julho de 1990. Definindo “o abandono
afetivo” como ilícito civil, ressaltando que os pais são os
responsáveis por zelar pelos direitos, dar assistência afetiva,
acompanhamento da formação psicológica, moral, material e
social da pessoa em desenvolvimento.
Psicanálise e Abandono Afetivo
As primeiras análises em 1952, foram realizadas com
Anna Freud (1895-1982), com crianças traumatizadas, que
sofreram o abandono dos pais. Desde então, vários
psicanalistas como: Bowlby (1907-1990), Winnicott,( 1896-
1971), Klein (1882-1903), ressaltam em seus estudos, que
o abandono traz várias consequências na infância e no
decorrer na vida adulta do sujeito. Pois a falta da figura de
um dos genitores, faz com que a criança perca sua
referência imprescindível para o seu desenvolvimento.
TEORIAS DA PSICANÁLISE

De acordo com Winnicott ( 1940), a criança que sofre o abandono,


rejeição e maus tratos, desencadeiam traumas irreversíveis, fazendo
com que seus ideais e valores, sejam distorcidos quando
comparados com crianças que tiveram uma estrutura familiar normal,
tornando-as desiguais perante as outras. Portanto, a família é a
responsável pelo desenvolvimento emocional como locus,
potencialmente produtor de pessoas saudáveis e emocionalmente
estáveis, felizes e equilibradas, ou como gerador de insegurança,
desequilíbrios e desvios de comportamento. ( WINNICOTT,2005)
TABELA DE CARACTERIZAÇÃO DA AMOSTRA
RESULTADO E DISCUÇÃO

NOME IDADE SEXO ESCOLARIDADE PROFISSÃO

MA 62 Feminino 7º SÉRIE Do lar

LE 76 Masculino 2º serie Aposentado


fundamental
ELI 57 Masculino Nível técnico Projetista de
máquinas
BR 32 Feminino Ensino médio Garota de
programa
ESTUDO DE CAMPO
1º Participante - MA; Relata ser submissa, insegura e não confia
em ninguém. Sofre de depressão, e o filho é presidiário.
2º Participante - LE;, Se tornou alcoólatra. Não conheceu seus
pais. Vive sozinho e abandonou mulher e seus filhos.
3º Participante - ELI; 57 anos, solteiro. Foi abandonado pelo pai,
tendo de criar dois irmãos mais novos. Não sai de casa, não tem
amigos, e nunca teve uma namorada. Cabe ressaltar que urinava
nas calças até a adolescência.
4º Participante - BR; 32 anos, mãe solteira, alcoólatra, dependente
química, ex-presidiaria. Relata sentir vergonha da filha, pois a deu
para sua mãe criar.
RESULTADOS
 Foi aplicado o teste de personalidade “BFP”, para uma melhor
compreensão da personalidade do sujeito que sofreu o abandono afetivo.
O estudo de caso, contou com a participação de quatro indivíduos com o
objetivo de identificar as consequências do abandono afetivo na fase
adulta.
 Onde os quatro participantes tiveram em comum o nível
de "neuroticismo" , sendo que três apresentaram padrão alto e somente
um participante apresentou o nível muito baixo, mesmo assim sendo fora
da média normal.
 Outro fator foi a "pró-sociabilidade", somente um apresentou escore
alto, e dois deles nível muito baixo. No fator de "realização", três sujeitos
apresentaram nível muito baixo e somente um apresentou nível muito
alto. Portanto, em comum os quatro participantes mostraram fora dos
padrões os fatores de personalidade de:
 "neuroticismo", "pró-sociabilidade" e "realização".
TABELA DE APURAÇÃO DOS RESULTADOS
DA BATERIA FATORIAL DA PERSONALIDADE

NOMES NEUROTICISMO EXTROVERSÃO SOCIABILIZAÇÃO REALIZAÇÃO ABERTURA

MA Muito alto Médio Baixo Baixo Muito baixo

LE Muito alto Médio Muito baixo Médio Baixo

ELI Muito baixo Médio Médio Muito alto Baixo

BR Muito alto Médio Médio Baixo Médio


BATERIA FATORIAL DA PERSONALIDADE
NEUROTICISMO
De acordo com o teste BFP ( 2010 ):
Pessoas com altos níveis de "Neuroticismo" tendem a
vivenciar de forma mais intensa sofrimento psicológico,
instabilidade emocional e vulnerabilidade, dando pouca
ênfase aos aspectos positivos dos fatos. Altos níveis
estão associados à ocorrência de sintomas de
depressão e ansiedade. (NUNES, 2010)
CONSIDERAÇÕES FINAIS
 A partir dessas entrevistas e a aplicação do teste de "BFP", foi possível
verificar, que estas pessoas, se tornaram, neuróticas, vulneráveis, com
baixa autoestima, depressão e dificuldades em criar laços afetivos
com os filhos. O abandono afetivo é um assunto que necessita ser mais
explorado e pesquisado.
 Foi possível realizar a ligação das consequências dos fatos evidenciados
com as teorias dos autores citados no decorrer da pesquisa
realizada. Conforme Bowlby (2005) argumenta que sem os cuidados da
mãe a criança, pode criar vários tipos de neuroses e desajustamentos em
sua personalidade, sendo que a importância do apego na infância é um
processo de interação com o meio em que vive, onde o potencial é
desenvolvido, se sua capacidade de aprendizado gerar segurança que
necessita para superação dos obstáculos no decorrer da sua vida adulta.
(BOWLBY,2005)
REFERÊNCIAS
.
 BOWLB, J. Apego e perda: Separação, angústia e raiva. 2 vol.3 ed.: Martins fontes. 2004.
 BOWLB, J. Formação e rompimento dos laços afetivos. 3º ed. SP; Martins Fontes, 2006.
 GIL, Antonio Carlos.Métodos e Técnicas de Pesquisa Social. 6º ed. São Paulo. Ed, Atlas.2012
 NUNES, Carlos Henrique. Bateria Fatorial da Personalidade - BFP. 1º, ed. editora, Casa do
Psicologo.2010.
 MARCÍLIA, Maria Luiza. História Social da criança Abandonada. 1º ed., editoração eletrônica:
Ouripedes Gallene. SP. 1998, Disponível em: ww.pt.slideshare.net/geanipedrosa/histria-social-da-criana-
abandonada-autora-maria-luza-marclio. Acesso em 10/10/2018
 IBDFMAN. Comissão aprova projeto que caracteriza como crime o abandono afetivo de filhos.2015.
Disponível em: www.actinstitute.org/blog/o-que-sao-as-teorias-da-personalidade/acesso: 17/05/2018
 KLEIN, Melanie. Amor culpa e Separação.1º ed. Imago. RJ. 1996
 WINNICOTT, Donald, Wood. Privação e Delinquência. 1987. 5ºed.Ed, Martins Fontes. SP.2012

 SINAY,Sérgio.A Sociedade dos Filhos Órfãos. Ed, Best Seller Ltda.1º Ed. RJ. 2012