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UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO

INSTITUTO DE GEOCIÊNCIAS
DEPARTAMENTO DE GEOLOGIA SEDIMENTAR E AMBIENTAL
GSA0320 – GEOPROCESSAMENTO

MODELO DIGITAL
DE ELEVAÇÃO

Prof.: André Pires Negrão


• Não se faz mais geologia de superfície sem esta análise.

• Formas de tradicionais de representação do relevo, como as cartas


topográficas, não permitem análises numéricas, simulações e
modelagens eficientes, tão pouco fornecer respostas rápidas e
precisas.

• Um Modelo Digital de Elevação (MDE) pode ser definido como a


representação matemática da distribuição contínua do relevo
dentro de um espaço de referência, armazenada em formato digital
adequado para utilização em computadores.
O Modelo Digital de Elevação (MDE) ou Digital Elevation Model
(DEM), é uma representação digital de uma seção da superfície, dada
por uma matriz de pixels com coordenadas planimétricas (X e Y) e um
valor de intensidade do pixel correspondente à elevação.

O emprego de MDE não está restrito apenas à representação


da superfície física do terreno, qualquer fenômeno espacial que tenha
uma distribuição contínua em uma porção da superfície terrestre
poderá ser modelado por algoritmos de MDE.

Ex.
• Temperatura
• Águas subterrâneas
• Quantidade de chuvas
• População
• Níveis de poluição
Exemplos da utilização de MDE’s
• Armazenamento da altimetria para mapas digitais em Sistemas de Informações
Geográficas
• Geração automática de curvas de nível
• Geração de perspectivas tridimensionais, bloco-diagramas, perfis topográficos e
seções de terreno.
• Planejamento de vias de comunicações, transporte de energia e localização de
represas.
• Planejamento de reservatórios, Estudo de redes de drenagem, delineamento de
bacias, estimativa de erosão e escoamento.
• Estudos geomorfológicos , estimativa de erosão e escoamento.
• Orto-Retificação de fotografias aéreas e imagens de Sensoriamento Remoto.
• Preparação de mapas de declividade, mapas de orientação de encostas, mapas
de relevo, etc.
• Fundo tridimensional para informações temáticas como solos, vegetação, uso
do solo.
Fonte de dados
• Levantamentos de Campo através de Topografia clássica e de Receptores
do Sistema GPS .

• Métodos Fotogramétricos utilizando restituidores e aerotrianguladores


analíticos, analógicos e digitais.

• Satélites de Sensoriamento Remoto tais como Spot, Ikonos, Quick Bird,


Radares e sistemas de Laser que tem disponibilidade cada vez maior.

• Sensores remotos Orbitais (SRTM e ASTER).

• Digitalização de Mapas e Plantas Topográficas (CAD) que fornecem


Arquivos gráficos 2D de curvas de nível e pontos cotados, bem como,
Arquivos gráficos 3D.
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE)
• Bases cartográficas disponíveis nas escalas de 1:50.000, 1:100.000,
1:250.000, 1:1.000.000 e 1:5.000.000.

• Agrupadas por categorias de informação: hipsografia, hidrografia,


localidades, sistema viário, limites, obras e edificações, pontos de
referência e vegetação.

• Os arquivos foram adquiridos por processo de digitalização


automática, via scaner, são fornecidos nas estruturas raster (formato
RLE e TIFF) e em vetor (formatos DGN, DXF e ARC-INFO) e com
possibilidade de conversão de escala e sistema de proteção.
Resumindo, bases planialtimétricas disponibilizadas pelo IBGE
são descontínuas, em escalas nem sempre compatíveis, e são
produtos de difícil manipulação dos dados.

Cartas disponíveis na escala 1:100000 Cartas disponíveis na escala 1:50000


RADAR (Radio Detection and Ranging)

Posicionamento no espectro
Subdividido em bandas
Principais características do RADAR

- Região das micro-ondas de 2,4 cm a 100 cm;

- O Sol e a Terra emitem baixíssima quantidade de


radiação eletromagnética nessa região espectral.

- Utiliza fonte de radiação eletromagnética artificial;

- Portanto, o imageamento é feito por sensores


ativos.
Vantagens do radar em relação às demais regiões do espectro

- Grande comprimento das micro-ondas não é barrado ou


absorvido pelas partículas ou gases da atmosfera;

- Permite obter imagens, mesmo quando a cobertura de


nuvens é total;

- Fonte ativa: o imageamento pode ser feito em qualquer hora


do dia ou da noite;

- Aquisição dos dados independem das variações nas condições


de iluminação solar (ângulos de elevação e azimute solar),
como ocorrem, por exemplo, com os sensores da faixa óptica,
como do CBERS ou Landsat.
Aspectos relacionados ao imageamento por RADAR

- A escolha do comprimento de onda do radar deve ser compatível com o


tamanho das feições do alvo que se deseja identificar.

Exemplo:

-> Banda X: melhor para identificar as variações texturais de solos;

-> Banda L: melhor para o mapeamento geológico, cujas feições são de grandes
dimensões;

-> Banda P: ideal para áreas de densa vegetação de uma mata, comprimento de
onda maior do que as folhas, consegue penetrar o dossel e atingir a superfície.
Aspectos relacionados ao imageamento por RADAR
- O RADAR envia por meio de uma antena, séries descontínuas de pulsos de fótons
que se espalham sobre o terreno como um feixe angular na forma de um lobo.
- O mecanismo se resume em enviar, num intervalo de tempo programado, sucessivos
pulsos de onda eletromagnética na direção do objeto, à medida que a plataforma se
desloca.

Onde,
SR = distância no alcance
c = velocidade da luz;
t = tempo entre o pulso transmitido e recebido.
SRTM E ASTER
DUAS PRINCIPAIS MISSÕES DE DADOS
DEDICADOS A GERAÇÃO DE MODELOS DIGITAIS DE ELEVAÇÃO
Shuttle Radar Topography Mission (SRTM)
• O projeto advém de cooperação entre a NASA (National Aeronautics and
Space Administration)e a NIMA (National Imagery and Mapping Agency), do
DOD (Departamento de Defesa) dos Estados Unidos e das agências espaciais
da Alemanha e da Itália.

• Este consistiu no sobrevôo do planeta através do ônibus espacial Endeavour, e


utilizando como instrumentos o Spaceborne Imaging Radar-C e X-Band
Synthetic Aperture Radar (SIR-C/X-SAR) e um mastro de 60m com as antenas
de recepção C e X.

• O sobrevôo da SRTM ocorreu no período de 11 a 22 de fevereiro de 2000,


durante o qual foram percorridas 16 órbitas por dia, num total de 176 órbitas.

• A cobertura foi feita em 80% da área terrestre do planeta, entre latitudes 60°N
e 56° S, gerando MDE de 30m para a os Estados Unidos e de 90m para o
restante do mundo.

• Posteriormente foi liberado o dados de 30m para todo o mundo.


Obtenção de dados do SRTM
MDE gerado pelo SRTM

Superfície mapeada
Advanced Spacebone Thermal Emission and
Reflection Radiometer (ASTER)

• O projeto foi produzido a partir da parceria entre o Japan’s Ministry


of Economy Trade and Industry (METI) e a NASA, em cooperação
com o Earth Resources Data Analysis Center (ERSDAC) e o United
States Geological Survey (USGS).

• O modelo topográfico ASTER Globla DEM, possui resolução espacial


de 30m e é produzido a partir de imagens estereoscópicas do
sensor Terra/ASTER, além de imagens de alta resolução que variam
de 15 a 90m.

• O satélite Terra, foi lançado pela em dezembro de 1999 e vem


coletando dados deste fevereiro de 2000.
MDE ASTER com resolução de 10Km
Vulcão Kizimen, Russia
Glaciar Susitna, Alaska
Encontro do Rio Negro com Rio Amazonas
Comparação

ASTER SRTM
Produtos
• Declividade (Slope)
A declividade é a primeira derivada do modelo digital de elevação.
Representa a taxa máxima de mudança no valor de uma célula em relação às
oito células vizinhas, calculadas a partir das derivadas direcionais em x e y,
geradas pelo modelo de elevação. Usualmente é expressa em porcentagem,
mas pode ser apresentada em graus.
• Aspecto (Aspect)
O aspecto pode ser entendido como a direção da declividade,
representado por valores em graus variando de 0 a 360°, medidos a partir do
norte em sentido horário. Importante para interpretações quanto à face de
exposição ao sol, DIP de estruturas, temperatura, umidade, entre outros
atributos do terreno.
• Sentido do escoamento superficial (Flow Direction)
Este atributo representa o sentido de escoamento do fluxo d’água
dentro da bacia, desta forma, também é possível gerar o mapa de redes de
drenagem
• Hillshade
Filtro de iluminação artificial da superfície, de modo a ressaltar
diferentes tendências do relevo.
Sites
• Embrapa – Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária
http://www.relevobr.cnpm.embrapa.br/download/index.htm

• ASTER - Advanced Spacebone Thermal Emission and Reflection Radiometer


http://www.gdem.aster.ersdac.or.jp/

• SRTM - Shuttle Radar Topography Mission


http://www2.jpl.nasa.gov/srtm/