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Tornando mais atual o debate so- Fleury, Afonso Carlos Correa & mas de metodologia.

O texto não
bre o discutido direito à estabilidade, Var~as, Milton, coord. Organi- cansa : pelo contrário, a leitura pode
sintetiza os argumentos fávoráveis e zaçao do trabalho; uma aborda- ser rápida e o entendimento imedia·
contrários a esse direito, noticiando, to. Os autores responsáveis por essa
como premissa, que tem ele " um sen,
·gem interdisciplinar .e sete estu-
dos sobre a realidade brasileir~. primeira parte - quatro, apenas -
tido deliberadamente elástico e poli- procuraram não ·analisar profunda-
forme, que compreende diversas for- São Paulo, Atlas. 1983. mente nenhum dos tópicos listados
mas de proti1Ção". no sumário. Não é esse o propósito.
Deixando claro que a tendência Queriam, apenas, e conseguiram, a
dos autores é contrária à despedida · Num certo momento da apresen- atenção do leitor para a segunda par·
arbihária, traz. ~ d iscus~o a crítica tação que os editores fazem a respei- ·te, qual seja, a da exposição de sete
oposta pelos economistas neoliberais, to da obra em resenha, temos: "Nes- estudos da realidade brasileira.
acrescentàndo também que ninguém t~s t.ermos, o texto não adota a apa- ~ certo quê na exposição dos sete
demonstrou que, efetivamente, a es- rencla de neutralidade técnica que os casos reside o maior e inegável mérito
tabilidade atue como obStáculO' ao ~anuais de administração da produ- do trabalho desenvolvido pelos gru-
desenvolvimento econom1co, para çao procuram transmitir:·· logica- pos de profissionais da USP e CopJ)e/
concluir que ela não se vincula, neces- mente, . não cremos que a neutralida- UFRJ. Todos sabemos das enormes
sariamente, com finalidades "econo- d_e técnica seja um impedimento, mas barreiras e dificuldades de toda sorte
mistas" e que não deve ser apreciada s1m uma característica natural das que cercam e afogam o esforço do
com critérios de adequação' a tal ou obras que, ao tratar de seus assuntos pesquisador da realidade de nossas
qual estratégia econômica. não queiram, ou não possam, env.ere: empresas. t certo, também, imaginar
Para manter a linha sistemática da dar pelo caminho da exemplificação que esses sete casos, agora colocados
exposição, agrupa, afinal, argumentos ou pe!a exposição de situações ocorri- às mãos do leitor confortavelmente
que chama de "econômicos" e "prá- das dentro da nossa realidade. E é is- instalado em sua sala de trabalho ou
ticos" contrár[os e favoráveis à esta- so que os editores parecem querer residência, exigiram um esforço mu·i-
bilidade. passar a nós, leitores. to grande.
Entre os argumentos referidos no · Fica ditrcil destacar algum d~sses
Não há nenhuma dúvida em consi-
quadro didático elaborado, acrescen- sete casos. Vale, contudo, mencionar
derar como correto o propósito da
ta do ponto de vista de observação de que tratam. O primeiro caso é
obra. Fleury e Vargas coordenam os
emp(rica, segundo cremos, que deve
trabalhos desenvolvidos por 11 pr~ ­ apresentado a partir do ~ap(tulo 4 e
ser objeto de atenção da sociedade, cuida de prinr(pios tayloristas que
fissiona_is- ambos inclufdos- e con-
nas relações entre empregadores e F leury pesquisou na prática, encon-
segú iram dar uma dinâmica ao texto
empr.egados, mesmo onde a lei ape- trando resultados que contraditam al-
que em momento algum dificulta a
nas ljmita o direito de despedir livre- guns·desses princ(pios. O segundo ca-
interpretação e o entendimento dos
mente : "a estabilidade é - sobretudo so está ligado ao enriquecimento de
leitores. _A prindpio seria J(cito ima·
- condição de eficácia do exerdcio ginar um livro de ditrcil assimilação ca_rgos (job enr-íchment) numa indús-
de todos os direitos do tra~alhador". · t~la metalúrgiéa. A indústria siderúr·
face ao seu "vasto elenco" de auto-
o res. Mas não é I glca e o seu processo de trabalho
Os próprios coordenadores mos- compõem o terceiro caso. o quarto
tram como conseguiram dar umã cer- caso é apresentado por Heitor Man-
Cid José Sitrângulo
~r Caulliraux, que demonstra as vá-
ta unidade ao tema o rganização e tra-
balho. Segundo eles, "os textos fo- nas formas de organização do traba-
ram organizados de forma que apre- lho na indústria de confecções, desde
sentassem didaticamente os d iferen- as formas tradicionais até as conside-
/ t~s aspectos da problemátic~. possibi-
. radas mais modernas. O quinto caso
litando a conceituação e a delimita- versa sobre bancos, havendo por par·
ção da área da organização do traba· te dos autores uma preocupação com
0 ~so de equipamentos eletrônicos
lho". Assim, o livro co nsta de duas
partes distintas. A primeira cuida do hoJ~. uma rotina nà organização d~
aquecimento ·do leitor, toda ela do- . serVIÇO bancário. O sexto caso volta
minada por conceitos e alguma gene- . a~ t~ylorismo e a pesquisa está rela-
ralízação teórica. Tudo isso é apre- Cionada à taylorização ou não do tra-
sentado através dos caprtulos que tra- ~al_ho no ramo da engenhar-ia civ.il. O
tam de: a) aspectos conceituais; b) á ~ltm~o ca_so coloca ao leitor algumas
questão da produtividade; c) proble· mquletaçoes na área do processamen-
. de aados
to eletrônico o
Luís César G. de Araújo

Resenha bibltográfica 75